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ABAIXO O SENTIMENTO DE REJEIÇÃO - Danuza Leão



O que fazer quando se adora uma pessoa e ela não acredita? Você pode se ajoelhar, cair de quatro, jurar, cortar os pulsos, atravessar o oceano a nado, mas não adianta: para cada um desses atos, ela vai encontrar uma razão – aliás, uma excelente razão – para dizer que é tudo mentira. E o pior é que não é. É a tal da rejeição, essa tragédia que existe dentro de todos nós e nos faz achar que ninguém gosta da gente o suficiente. Ou melhor: como a gente precisa e merece ser gostado.

Começando pelo básico: alguém acha que é – ou foi – amado suficientemente por pai e mãe? Claro que não. E o dia em que os dois saíram para jantar fora e ir ao cinema, enquanto você, com 5 anos, queria que eles ficassem ao seu lado contando uma história? Há prova maior de que eles jamais gostaram de você? E quando os pais se separaram e um deles se apaixonou, mas o namoro não deu certo e pintou aquela tristeza? 

Alguém pode conversar com o filho pequeno, carinhosamente, dando toda a atenção do mundo, numa situação dessas? E quando, no auge da paixão, pinta um convite para um fim de semana de sonho e você propõe trocar o sábado e o domingo que ia passar com seu filho, ele acha o quê? Que é mais rejeitado e abandonado do que um menino de rua.

E vai tentar explicar: ele não vai entender nunca! Só que essa criança cresce, se apaixona, se casa, se separa, tem seus filhos e, quando age com eles exatamente como você já agiu no passado, nem assim compreende. Aos 50, 60 anos, o filho continua na análise, se queixando de ter sido rejeitado, como se fosse um bebê de colo, oh, vida! E por que razão o analista não abre os olhos daquele homão para mostrar que a vida está passando e ele continua atormentado, pensando no que acha que a mãe fez quando estava com 1, 2, 3 anos e ela agia com mais indiferença a ele do que a um cachorro vira-lata. 
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Ah, Freud, não dava para ser mais simplesinho? Mostrar que tudo faz parte, que a vida deve ser aproveitada a cada segundo e a busca da felicidade é bem mais importante do que ficar chafurdando no passado por causa daquele dia em que sua mãe olhou atravessado para você? E daí se olhou? Quem não olha às vezes? Ah, quanto tempo perdido. Quantos momentos teriam sido tão ricos se mãe e filho pudessem falar francamente um para o outro: “Ah, naquele dia quase te matei de tanta raiva”.

E aí dar uma boa risada lembrando. Ou vai dizer que isso nunca aconteceu de mãe para filho e de filho para mãe? E todos os outros momentos em que a mãe amou – e ama – esse filho loucamente, mais que qualquer coisa na vida, mas ele cresceu e nunca mais isso foi dito, porque não é da nossa educação e da nossa cultura fazer declaração de amor a filho grande? Até porque ele é o primeiro a não querer ouvir depois que cresce. Que mundo mais louco... 

Ah, se a gente pudesse botar os filhos grandes no colo quando desconfia que estão tristes e abraçar, apertar, cobrir de beijos, como quando eram pequenos e tudo acabava em gargalhadas – deles e nossas. Mas agora que são enormes, adultos, Freud não aconselha mais. Agora, os problemas devem ser resolvidos com o diálogo – o que acaba não resolvendo nada. 

Ah, se eles soubessem; ah, se a gente conseguisse dizer. Se isso acontecesse, dava para ir no Aurélio e apagar, para sempre, a palavra REJEIÇÃO. Do dicionário só, não. Da nossa mente e, sobretudo, do nosso coração.
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