A SOLIDÃO DO HOMEM – Luka SC

A mulher já está quase em seu devido lugar, ou seja, em igualdade de condições com o homem. Justo, muito justo, justissimo. Fora as óbvias diferenças e as não tão óbvias geradas pelas oscilações hormonais nas várias fases da vida, sempre vi as mulheres como iguais, só que mulheres. Tenho irmãs, uma com idade muito próxima e, de quem, sou especial e infinitamente amigo e confidente.

Mas, nesse texto, meu foco somos nós, os homens. Os que reconhecem há tempos essa igualdade, os direitos, as diferenças e tudo mais que veio a reboque. É a evolução. É fato. É realidade.

Gostaria que todas (os) fizessem uma coisa que acho que há muito tempo não fazem, e, se fazem, nem notamos: prestar um pouquinho de atenção na gente. Nos homens. No que sentimos e como nos sentimos.

Vocês sabiam que a gente também sente uma depressão profunda quando nos separamos de vocês?

Vocês sabem o quanto é difícil deixar o/a filho(a) na casa de vocês, nos domingos à noite e voltar pra casa sozinho?

É, o homem é muito mais solitário que a mulher. Por vários motivos, culturais principalmente. Mulher chora, liga pra amiga no meio da madrugada, dorme na casa da outra pra fazer companhia, até ao banheiro vão juntas!

Homem não. Homem é sozinho. E quanto mais triste, mais sozinho quer ficar. Vocês, mulheres, sabiam que a maioria dos homens tem vergonha de estar triste, deprimido?

Podem se sentir em pleno desespero emocional, mas não ligam pros amigos no meio da noite. Choram sozinhos, quando conseguem romper as próprias barreiras. Nossa... como um choro profundo alivia...

As mulheres tem o trabalho, mil coisas pra fazer todos os dias e quando chegam em casa, cansadas, ainda tem que dar atenção aos filhos. Nunca estão sozinhas.

Se vocês soubessem como faz falta o dia a dia com os filhos, se vocês soubessem como tudo isso preenche a vida de coisas boas...

O ser humano só preenche seu vazio interior com pessoas. Com afeto.
Mulheres, por favor, nos ensinem como se faz isso. Não sabemos.
Nos ensinem a não ter vergonha de assumir nossas dores, nossas dúvidas, nossas inseguranças, como vocês assumem as de vocês e, por isso, são tão melhor resolvidas.

Homem tem vergonha de ser dispensado do trabalho, de ser rejeitado (mesmo que seja só no time da pelada), de ser traído, de estar em crise, de sentir qualquer coisa. E, pior, tem muito mais vergonha ainda de contar que está passando por tudo isso.

Um homem pode ter amigos de muitos anos, de infância, sem que esses amigos saibam algo mais profundo sobre a privacidade, problemas e sentimentos uns dos outros. A maioria é assim.

A maioria vai negar isso, porque até admitir já é bem difícil. É admitir a superficialidade das relações entre nós. Mas, é verdade. Que me desculpem os homens, mas eu nunca prometi a ninguém não revelar essas verdades.

Mulheres nos ajudem a compreender qual é o nosso papel hoje. Perdemos todos os papéis que os antigos, injustos e ultrapassados conceitos também nos impunham.

Já estamos cansados de saber o quanto somos dispensáveis na criação dos filhos (não disse que não somos importantes), inclusive com relação as despesas.

Somos dispensáveis em todas as coisas em que éramos ou nos sentíamos importantes. Às vezes, nos sentimos reduzidos a acompanhantes. Que trocam lâmpadas, carregam coisas pesadas, dirigem carros, fazem companhia, levam ao cinema, as enchem de elogios e fazem sexo.

Às vezes, é assim que, nós homens, nos sentimos. Como se apenas nosso desempenho físico fosse importante. Como vocês, também precisamos sentir carinho e interesse pelo que sentimos, por nossas tristezas e alegrias. Precisamos sentir que vocês nos amam como gente e não só como homens. 

Vocês podem não precisar da gente pra quase nada, mas a gente precisa de vocês pra quase tudo. 

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