16 de mar de 2018

SEU CONFLITO CONJUGAL É COLUSIVO? – Ignez Limeira

 
Em primeiro lugar, vamos esclarecer o que seria
colusão quando falamos de conflitos conjugais.

Colusão significa que o casal se engajou em uma batalha neurótica em que os parceiros não conseguem avaliar objetivamente e resolver suas diferenças.

Ao invés disso, se engajam em uma luta de poder em que ambos têm um medo irracional de desistir e se sentir humilhados como consequência.

Uma discussão inicialmente saudável sobre aonde passar as férias pode virar uma batalha quando os dois começam a impor rigidamente um ao outro a sua vontade, sem nem perceber ou entender porquê. No fim das contas, percebe-se que a discussão foi para um lado que nada tem a ver com a questão original.

Mas por quê isso acontece?
Normalmente as pessoas ficam presas, sem perceber, em conflitos vivenciados na infância, quando aprenderam que só teriam suas opiniões respeitadas na condição de mestre-escravo, fazendo aflorar um forte desejo por argumentar infinitamente e manter o controle da situação.

Quando crescemos, acabamos buscando parceiros que “nos completem” de alguma forma, mas, com o tempo, muitas vezes o que nos atraiu, principalmente quando é vivenciado no dia-a-dia de forma exacerbada, acaba gerando problemas. Em função da falta de autoconhecimento, começamos a agir com o outro como se estivéssemos em nosso passado…

Por outro lado, a colusão pressupõe um processo dinâmico, em que a predominância de determinados traços de personalidade de um, é uma função de sua ressonância no outro. Ou seja, as pessoas são mutuamente influenciadas em seus comportamentos e sempre temos a escolha de não entrar em uma colusão.

A maioria dos conflitos conjugais se origina em problemas íntimos entre os parceiros, mas isso não significa que esses problemas sejam necessariamente neuróticos.

Quanto maior a liberdade e autonomia dos cônjuges, maior maturidade será necessária ao casal, pois liberdade traz incertezas, diferenças de opinião e a busca de soluções. Vários tipos de confrontos cotidianos aparecem e não há soluções simples, além da cooperação no processo de busca de uma saída para a crise.

Assim, não é tão fácil distinguir conflitos não neuróticos de colusões neuróticas; entretanto quando uma crise conjugal é muito difícil em função de medos irracionais e mecanismos de defesa, pode-se pensar em uma colusão neurótica.

Sua qualidade defensiva, sem liberdade de interação entre os cônjuges engajados em uma busca destrutiva por soluções, é o que faz desse conflito, um jogo neurótico.

Ambos ficam presos num rito de luta que esgota a energia mental deles por longos períodos, não permitindo que cheguem a uma solução ou que fujam da armadilha.

Agem de maneira meio insana, mantendo suas atitudes, acusações e demandas estereotipadas em relação ao outro sem chegar à causa básica do conflito.

Se isso acontece em seu casamento, provavelmente você vive este tipo de conflito e precisa buscar ajuda através da terapia de casal.

Ignez Limeira
Psicóloga CRP 05/13555
Atendimento individual, a casais e famílias.
Psychotherapy for native English speakers.
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