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ESTAMOS PROBLEMATIZANDO DEMAIS O QUE COMEMOS? – Juliana Domingos

Os alimentos vilões e a onda das comidas funcionais e dietas restritivas, baseados muitas vezes em informações incompletas, pautam cada vez mais as escolhas alimentares.

De tempos em tempos, estudos científicos anunciam - e o jornalismo replica - o vilão e o salvador da vez na alimentação. Baseando-se nessas informações, disponíveis como nunca antes, pessoas fazem suas escolhas e orientam suas práticas em busca de uma alimentação mais saudável. A frase da chef Bela Gil que sugere a substituição de um ingrediente menos saudável por outro virou meme e foi tirada de seu contexto culinário milhares de vezes nas redes sociais.

Mas as substituições propostas estão ligadas à busca pelo ideal de alimentação saudável e ao fenômeno dos alimentos funcionais (aqueles que trazem algum benefício além de seus nutrientes) e dietas restritas, como a sem glúten ou sem lactose.

De acordo com esse modelo, aquilo que é ou não “permitido” muda periodicamente.

Gil ensina receitas naturais e é adepta da nutrição holística, filosofia alimentar que formula a importância da alimentação para a saúde e o espírito. Ela não descarta, entretanto, a importância do prazer na hora de comer. A obsessão com o saudável na alimentação elevada ao nível de patologia recebe o nome de ortorexia nervosa.

Trata-se de um distúrbio alimentar em que “o ortoréxico restringe mais e mais sua alimentação, até que se conte nos dedos (e de uma única mão) os componentes do cardápio”.

Reunindo pontos de vista de autoridades em saúde e alimentação foram sugeridas quatro perguntas a uma especialista: Rita Lobo, que é contra nortear escolhas pelos nutrientes.

A chef Rita Lobo, que comanda o programa “Cozinha Prática”, no canal pago GNT, e o site “Panelinha”, criticou no Twitter a concepção de alimentação ultra regrada após ser questionada por um espectador sobre por que não ensinava como fazer maionese com iogurte e óleo de coco em vez de óleo e gema.

Lobo disse também que a “moda do sem glúten” é leviana e que “fazer escolhas em função de nutrientes é distúrbio alimentar”. A definição de alimentação saudável da cozinheira, segundo ela própria, exclui ultraprocessados e passa pela comida brasileira tradicional, feita em casa.

Ela citou, ainda, o “Guia Alimentar para a População Brasileira”, cuja última versão foi lançada pelo Ministério da Saúde em 2014 com o objetivo de fornecer diretrizes para que a população tenha uma alimentação mais saudável, também baseada principalmente no consumo de alimentos frescos, não processados.   
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Drauzio Varella: 
"nunca houve tantos modismos na dieta’ 

Em sua coluna no jornal “Folha de S. Paulo”, o médico escreveu, no dia 4 de fevereiro, sobre como chegamos ao que ele define como uma confusão gerada por estudos sobre alimentos, partindo do surgimento da agricultura há 10.000 anos. 
Varella associa o que define como “modismo” a uma busca de soluções mágicas para problemas como sedentarismo e obesidade. Ele aconselha, como Lobo e o guia do Ministério da Saúde, que quem se perder em meio às informações desencontradas sobre a alimentação deve comer frutas, saladas e verduras em abundância e um pouco de todo o resto. Recomenda, além disso, que se “procure comer o que sua avó considerava comida”.

“Para confundir ainda mais, estudos com resultados que exigiriam interpretações estatísticas cautelosas e confirmação em pesquisas mais elaboradas ganham destaque nas mídias como se apresentassem conclusões definitivas. Num dia, o ovo é uma bomba de colesterol prestes a explodir as coronárias; no outro, asseguram que tem alto valor nutritivo. A carne de porco que já foi a mãe de todos os males está reabilitada, a de boi enfrenta suspeitas” Drauzio Varella Médico e escritor.

Quatro perguntas para Marcia Regina Viana:
Pesquisadora e professora do curso de Nutrição no campus de Macaé da UFRJ, Marcia Regina Viana é autora do estudo “A racionalidade nutricional e sua influência na medicalização da comida no Brasil” e fala sobre o conceito de “racionalidade nutricional” que define como a “preocupação exagerada com o conteúdo nutricional [do alimento], mais do que com o contexto social da alimentação, com a convivialidade, com o que ela pode trazer enquanto ato social além do conteúdo nutricional”.

Como e quando passamos, no Brasil e no mundo, a nortear nossas práticas alimentares pela racionalidade?

MARCIA REGINA VIANA - De uns tempos pra cá, há sim uma tendência maior das pessoas se preocuparem com o aspecto técnico ou nutricional [da comida], referente a quais nutrientes estão presentes nos alimentos que vão consumir. É  o que tenho chamado de “racionalidade nutricional”. Mas é claro que, para adequar sua alimentação às suas necessidades, é preciso ter uma alimentação equilibrada. A racionalidade soberana vem de um caminho histórico da ciência, da Idade Moderna para cá, principalmente a partir do Iluminismo. Algumas disciplinas acompanharam esse caminhar da ciência, e a alimentação e nutrição não ficaram atrás. A ciência passou a ser o esquadro onde você enquadra um padrão esperado de saúde e de beleza. No Brasil em especial, depois da Segunda Guerra teve uma construção industrial. A tecnologia utilizada para atender as necessidades de guerra foi tão aprimorada na tecnologia  de alimentos que quando findou aquela demanda sobrou mercado para direcionar essa produção de conhecimento e tecnologia. Houve um boom da indústria de alimentos. Muito por esse avanço na industrialização, foi-se criando uma necessidade de que a composição química adequada à nutrição humana do alimento industrializado fosse considerada. O lado ruim é que às vezes a conveniência do mercado sobrepuja uma suposta racionalidade ideal para seduzir o consumidor a comprar alguns alimentos que disponíveis em sua forma natural. A ideia passada é a de que o que é tecnicamente produzido é melhor. O empenho na produção artesanal, de preparar e cozinhar, foi sendo substituído aos poucos por comprar pronto. Esse cuidado com o fazer está voltando, e eu acho um movimento interessante, ele beneficia a alimentação. Por outro lado, existe uma exacerbação desse cuidado e vai para a linha da gourmetização funcional que existe agora. Além do preparo, existe a preocupação com o nutriente no ingrediente que proporciona na sua fisiologia um ganho ou funcionalidade esperada.

 Essa racionalização é boa ou ruim? Quais são as consequências dela?
MARCIA REGINA VIANA - É boa e ruim. É boa quando você precisa dessa racionalização, como nos diversos casos em que é imprescindível que a alimentação seja racionalizada e os nutrientes muito bem dosados e acompanhados, como o dos diagnosticados de diabetes, hipertensão, patologias renais, alergias alimentares, problemas específicos e metabólicos em que a ingestão de um determinado nutriente precisa mesmo ser controlada. A “doença do glúten” ficou uma coisa quase globalizada, mas existem as pessoas com dificuldade de absorção. É por isso que a ciência da nutrição existe.  Mas não podemos ter esse comportamento de ser reféns de um padrão alimentar. O nutriente é da boca pra dentro. A gente compra alimento, isso tem um contexto social, uma infraestrutura de disponibilidade, uma política de preços e de acessibilidade a ele. Com esse alimento a gente faz comida, seja ela gourmetizada ou não, em encontros ou em casa. E só a partir disso o nutriente vai ser consumido e tem seus caminhos no nosso corpo.  Acho complicado em termos de realização dos sujeitos aliar a alimentação a mais uma normatividade exacerbada. Um ingrediente percebido, em um estudo, como tendo uma funcionalidade no corpo humano pode ser apenas ciência básica, de bancada, observada no laboratório. Para afirmar que essa funcionalidade será encontrada quando o alimento for ingerido falta uma etapa, um ensaio clínico, a comprovação com seres humanos. Falta um caminho metodológico que confirme que aquele elemento ou substância mantém a funcionalidade no corpo, que também não está em uma situação padrão, como no laboratório.

No que a divulgação dessas informações científicas sobre alimentação atrapalha?
MARCIA REGINA VIANA - Para o leigo, que desconhece a efetividade dos nutrientes, acaba causando uma mistificação da alimentação que causa esses segmentos das dietas. Essas informações que vão para os informes de revistas para matérias que exploram alimentação não são completas, muitas vezes não têm uma sequência de método de comprovação. Isso promove seguidores de uma dieta sem fundamentação, seguida porque é moda, porque todo mundo faz. É até perigoso em alguns aspectos.

Qual a relação entre a racionalização da alimentação, identidade e consumo?
MARCIA REGINA VIANA - As pessoas que consomem o conhecimento científico acabam querendo ter uma diferenciação por conta desse conhecimento. Elas querem se encontrar e se reconhecer de algum modo, se situar e projetar no mundo. Nós somos estimulados a “vencer na vida”, competir e ser melhores. Pode parecer muito chique conseguir uma refeição balanceada.  Quando você se preocupa em tirar algum tipo de alimento da sua dieta, é sinal de que está investindo racionalmente nesse comportamento, você se destaca.

Se o suprassumo é o conhecimento científico, as pessoas buscam se aprimorar por meio dele. Se junto a isso a gente pensar que a sociedade é capitalista e que para consumir precisa haver sedução, vejo que ela acaba cavando novos produtos e deles surgem necessidades, isso direciona o consumo. Vejo essa maior preocupação [com a alimentação] como uma situação criada pela modernidade, pelo mercado.

Alguns produtos têm um selo [de saudável] para que sejam consumidos e atraentes, mas nem sempre esse selo garante o que está no produto. Vejo a racionalidade também como resultado da produção [de alimentos industrializados] e da sedução do marketing.
 Fonte: NEXO

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O SILÊNCIO É INDISPENSÁVEL PARA REGENERAR O CÉREBRO

 O silêncio tem sido fonte de muitas reflexões ao longo de todas as épocas. Ao mesmo tempo, saturamos os locais onde vivemos com tantos barulhos que é cada vez mais difícil encontrá-lo. Isto faz com que cada vez mais pessoas que passam pela experiência de não ouvir barulhos caiam em um abismo dentro delas mesmas.

Temos um barulho que atualmente está hiperestimulado. O mais grave é que quase todos esses estímulos auditivos que recebemos do exterior são mais ou menos alarmantes. Barulhos de carros, burburinho, músicas estridentes, apitos, sinais… enfim… nada que inspire tranquilidade.

“A areia do deserto é para o viajante cansado a mesma coisa que a conversa incessante para o amante do silêncio”.
-Provérbio persa-

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Além disso incidir no nosso estado emocional, a ciência também comprovou que afeta o cérebro. Segundo uma pesquisa realizada na Alemanha pelo Research Center for Regenerative Therapies de Dresden, existem processos cerebrais que só podem ser realizados em silêncio.

Até pouco tempo atrás, pensava-se que os neurônios eram incapazes de se regenerar. Contudo, com o desenvolvimento da neurogênese ficou comprovado que isto é um erro. Ainda não está muito claro o que exatamente promove a regeneração neurológica e cerebral, mas já existem pistas valiosas a respeito, e uma delas é o silêncio.

Experimentando o silêncio

Os pesquisadores alemães fizeram, a princípio, uma experiência com um grupo de ratos. A pesquisa consistia em deixá-los em completo silêncio durante duas horas por dia. Ao mesmo tempo se faria uma observação dos seus cérebros para ver se isto criava alguma mudança.

O resultado foi contundente. Após um tempo sendo submetidos a esta rotina, observou-se que em todos os ratos estudados houve um crescimento do número de células dentro do hipocampo. Esta é a região do cérebro que regula as emoções, a memória e o aprendizado.

Os especialistas também constataram que as novas células nervosas se incorporavam progressivamente ao sistema nervoso central, e que logo se especializavam em diferentes funções. Conclusão, o silêncio provocou uma mudança muito positiva no cérebro dos animais.
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O silêncio ajuda a estruturar a informação

O cérebro nunca descansa, inclusive quando em estado de calma, ou quando estamos completamente quietos ou dormindo. Este maravilhoso órgão continua funcionando, mas de uma forma diferente. Quando o corpo descansa, começam a se desenvolver outros processos que completam os que são realizados quando estamos ativos.

Basicamente o que acontece é que se produz uma espécie de depuração. O cérebro avalia a informação e as experiências às quais foi exposto durante o dia. Logo, organiza e incorpora a informação relevante e descarta o que não é importante.

Este processo é completamente inconsciente, mas provoca efeitos conscientes. Por isso às vezes encontramos respostas durante o sono, ou conseguimos ver as coisas a partir de um novo ponto de vista depois de termos descansado algumas horas.

O interessante de tudo isso é que um processo semelhante também acontece quando estamos em silêncio. A ausência de estímulos auditivos tem quase o mesmo efeito que o descanso. O silêncio, em geral, nos leva a pensar em nós mesmos, e isto depura as emoções e reafirma a identidade.
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Os importantes efeitos sobre o estresse

O silêncio não apenas nos torna mais inteligentes, criativos e seguros, mas também tem efeitos muito positivos sobre os estados de angústia. Os seres humanos são muito sensíveis ao ruído, tanto que muitas vezes acordamos sobressaltados por um objeto que caiu ou por um som estranho.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Cornell descobriu que as crianças que vivem perto de aeroportos têm um elevado nível de estresse. E não é só isso; elas também têm uma pressão arterial mais elevada e apresentam altos índices de cortisol, o hormônio do estresse.

Por sorte, também acontece o contrário. Isso foi evidenciado por uma pesquisa da Universidade de Pavia, onde se verificou que apenas dois minutos de silêncio absoluto são mais enriquecedores do que ouvir música relaxante. De fato, evidenciou-se que a pressão sanguínea diminuía e que as pessoas conseguiam se sentir mais alertas e tranquilas depois deste pequeno banho de silêncio.

Como se vê, o silêncio provoca grandes benefícios, tanto intelectuais quanto emocionais. Poderíamos afirmar que manter-se em silêncio, ao menos por pequenos lapsos ao dia, é um fator determinante para a saúde cerebral. E com isso, um elemento decisivo para melhorar o nosso estado emocional, saúde e qualidade de vida.
Fonte: Science News
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A TEORIA DOS CAMPOS MÓRFICOS DE RUPERT SHELDRAKE

Entenda, por que padrões familiares 
tendem a se repetir e como se modificam.

Rupert Sheldrake é um dos cientistas mais controversos de nosso tempo. As suas teorias não só estão revolucionando o ramo científico de seu campo (biologia), mas estão transbordando para outras áreas ou disciplinas como a física e a psicologia.

Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco. 
Eram uma vez duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha "A" descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira.

Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. Esta é uma história fictícia, não um relato verdadeiro.

Numa versão alternativa, em vez de quebrarem cocos, os macacos aprendem a lavar raízes antes de comê-las. De um modo ou de outro, porém, ela ilustra uma das mais ousadas e instigantes idéias científicas da atualidade: a hipótese dos "campos mórficos", proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados.

A analogia termina aqui, porém. Porque, ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos de Sheldrake não envolvem transmissão de energia. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacionais e eletromagnéticos. O que se transmite através deles é pura informação.

É isso que nos mostra o exemplo dos macacos. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.

Até os cristais
O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de "ressonância mórfica". Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos chegasse à ilha "B", sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações.

Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.

Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório - diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.

Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como "uma importante pesquisa científica", a Nature o considerava "o melhor candidato à fogueira em muitos anos".

Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica".

Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida. A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.

Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?

A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma "explicação" dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível? Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível. Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes.

Ação modesta
A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto.

"A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos, e, portanto, as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente."

A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados "campos morfogenéticos". Se as proteínas correspondem ao material de construção, os "campos morfogenéticos" desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.

Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo.

Forma original
Como mostra a ilustração da página ao lado, o sucesso da operação independe da forma como o pequeno verme é seccionado. O paradigma científico mecanicista, herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650), capota desastrosamente diante de um caso assim. Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas.

A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.

Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas (veja o quadro na página ao lado). Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.

Aprendizado
Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado", conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.

Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.

"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal", afirma Sheldrake.

"Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas".

Assista - RUPERT SHELDRAKE explica os Campos Mórficos.
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O PENSAMENTO DE CARL SAGAN (Incluindo PALE BLUE DOT) – André Jorge de Oliveira

O astrônomo que divulgava ciência como ninguém nos deixou um legado intelectual abrangente e de alto impacto filosófico – separamos algumas reflexões que ilustram várias facetas do pensamento humanista e inspirador de Sagan

Carl Sagan foi um cientista que, definitivamente, não teve medo de especular. É claro que ele sabia muito bem separar o que era ciência do que era especulação. Mas o jeito irresistível através do qual relacionava conceitos científicos com conteúdos imaginativos pertinentes tornava seu pensamento único e fascinante para o público leigo. Não é à toa que ele é considerado um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos.

Além de inspirar toda uma geração de novos cientistas (em grande medida com a série Cosmos), Sagan também adotava um tom poético e filosófico nos assuntos que discutia, tornando suas reflexões ao mesmo tempo belas e dotadas de elementos capazes de despertar uma consciência humanista nas pessoas.

Se fôssemos apresentar todas as frases de impacto do astrônomo que têm o potencial de tornar uma pessoa melhor, provavelmente teríamos de escrever um livro. Mesmo assim, resolvemos escolher algumas citações e pensamentos de Carl Sagan que sintetizam certos aspectos centrais da visão que ele tinha das coisas. Se “somos todos poeira de estrelas” é a única referência que você tem sobre as ideias de Sagan, então os tópicos abaixo podem lhe ajudar a se aprofundar um pouco mais no jeito tão especial que ele tinha de encarar o cosmos – e nós mesmos.

A ciência é muito mais do que um corpo de conhecimentos. É uma maneira de pensar. A afirmação é fundamental para entender a forma como o cientista enxergava o próprio ofício. Completamente apaixonado pelo que fazia, para ele ciências como a física ou a astronomia não se limitavam a um punhado de fórmulas frias e conceitos abstratos. Muito pelo contrário, eram ferramentas poderosas e fascinantes que nos permitiam sondar o desconhecido, além de expandir nosso entendimento sobre a realidade da maneira mais confiável possível.

Toda criança começa como uma cientista nata, e então nós arrancamos isso delas. Entre as características que ele valorizava em um cientista e em qualquer outra pessoa estão a curiosidade e a imaginação, traços típicos das crianças. Para o astrônomo, pensar cientificamente era algo como interrogar de forma metódica diversos aspectos da natureza, o que não deixa de ser uma forma de curiosidade aplicada. A respeito da imaginação, ele acreditava ser um dos motores fundamentais do conhecimento humano.

Um livro é a prova de que os humanos são capazes de fazer mágica. Além da forte inclinação por especular, Sagan também era um intelectual com enorme capacidade de relacionar diferentes áreas do conhecimento – e fazia isso excepcionalmente bem. Para conseguir esta naturalidade em transitar por diversos repertórios, é preciso muita leitura e erudição multidisciplinar. Cosmos, por exemplo, é repleto de narrativas sobre a história da ciência, e em vários momentos o astrônomo declara sua admiração pelos livros.
Nós somos uma maneira de o cosmos se autoconhecer. Se somos feitos de poeira de estrelas sistematicamente organizada para formar seres dotados de consciência, então podemos dizer que somos o universo pensando sobre si próprio. A abordagem se insere na convicção de que nós, humanos, não somos tão diferentes assim da realidade física que nos cerca, e de que interagimos com ela constantemente – de formas que estamos apenas começando a entender. Em outras palavras, você e o cosmos estão intimamente conectados. O astrônomo costumava citar mitos de nossos antepassados que nos concebiam como filhos tanto do céu quanto da terra.

Nossa obrigação de sobreviver e prosperar é devida não apenas a nós mesmos, mas também ao cosmos, antigo e vasto, do qual surgimos. Sagan possuía um profundo senso de reverência com relação à vida e ao ser humano. Ele acreditava que estar vivo e ter uma consciência era não apenas um privilégio, mas também uma grande responsabilidade.

Como salientou em diversos momentos, nossa espécie atingiu um ponto crítico de sua história, no qual tem o próprio destino nas mãos. Todo o conhecimento e bagagem evolutiva que acumulamos nestes poucos milênios podem ser usados de forma a engrandecer nossa civilização – ou então destruí-la por completo, se insistirmos nos erros do passado.

Discursos apaixonados de grandes cientistas dão vida e beleza a conceitos abstratos da ciência.

Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro. A reflexão segue a mesma linha do raciocínio apresentado acima – a vida inteligente é rara. Nosso conhecimento sobre o Universo ainda é limitado, é verdade, mas pelo pouco que exploramos já conseguimos chegar a esta conclusão. Sob esta perspectiva, a vida na Terra, principalmente a humanidade, ganha um status quase que sagrado, pois é fruto de um processo contínuo de evolução que se arrasta há 4,5 bilhões de anos. Todos carregam esta bagagem compartilhada dentro de si. Quando enxergamos a vida desta forma, o ato de matar qualquer ser vivo ganha novas e gigantescas proporções.

Diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria dividir um planeta e uma época com Annie. A frase é adereçada a Ann Druyan, esposa do astrônomo, mas poderia muito bem se aplicar a qualquer outra pessoa. A constatação é de um poder imenso. Apenas pense em como é improvável, nos termos de uma perspectiva cósmica, você e outro amontoado de átomos que formam um ser consciente terem a chance de interagir um com o outro, em um minúsculo planeta chamado Terra e em um período de tempo específico. Reflita: são mais de 100 bilhões de galáxias em nosso Universo, que existe há pelo menos 13,8 bilhões de anos.

Nós somos, cada um de nós, um pequeno universo. Um assunto abordado com frequência por Carl Sagan era a dimensão das coisas muito pequenas, como aquelas que compõem nossos corpos. Ele frequentemente colocava o minúsculo em escala com o gigantesco, equiparando, por exemplo, a quantidade de átomos em uma molécula de DNA com a de estrelas em uma galáxia típica.

É uma forma elegante de demonstrar como somos muito pequenos e muito grandes ao mesmo tempo. Em uma outra comparação do gênero, dizia que existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia em todas as praias da Terra.

O Universo não parece nem benigno nem hostil, mas meramente indiferente às preocupações de criaturas tão insignificantes como nós. O cientista defendia que era melhor tentar se agarrar à realidade do jeito que ela realmente é do que persistir em ilusões, por mais reconfortantes que elas sejam.

No fundo, ele queria dizer que, por menos acolhedor e mais adverso que o cosmos possa nos parecer, a verdade é que ele opera independentemente de nossos desígnios. Seremos nós que sempre vamos precisar nos adaptar ao Universo se quisermos sobreviver nele, e não o contrário. A chave para esta adaptação estaria em tentar constantemente entender a natureza das coisas por meio da ciência.

O céu nos chama. Se não nos autodestruirmos, um dia vamos nos aventurar pelas estrelas. A exploração espacial era um tópico especialmente caro a Sagan, e ele próprio participou de diversos projetos da NASA, como o da sonda Voyager 1, que deixou recentemente o Sistema Solar. Em sua concepção, os poucos milênios de vida sedentária da humanidade não apagaram nosso instinto por explorar novos lugares e expandir nossos horizontes, traços típicos das sociedades voltadas para a caça e coleta.

Ele acreditava que o gosto pela exploração era uma herança evolutiva para aumentar as chances de sobrevivência de nossa espécie, e que portanto, cedo ou tarde, vamos nos espalhar pelo espaço.

Toda civilização sobrevivente é obrigada a se tornar viajante espacial, pela razão mais prática que se pode imaginar: manter-se viva. A ideia da expansão pelo espaço no pensamento do astrônomo não se reduzia a um capricho meio romântico ou então à tendência humana de explorar. Ela tinha mais a ver com uma espécie de instinto de sobrevivência. Não é tão difícil de entender este argumento: se a humanidade inteira está confinada na Terra e algo acontece com o planeta, estamos condenados à extinção. Asteroides são uma grande ameaça, mas nosso próprio sol pode nos engolir daqui a 5 bilhões de anos, quando seu combustível acabar e ele virar uma gigante vermelha.

Uma das grandes revelações da era da exploração espacial é a imagem da Terra, finita e solitária, de alguma forma vulnerável, transportando a espécie humana inteira pelos oceanos do espaço e do tempo. 

Pouco depois de a sonda Voyager 1 ultrapassar Saturno, foi ele quem deu a ideia de tirar uma foto da Terra, que dali aparecia como um pixel azul suspenso em um raio de sol. Ou então um grão de areia suspenso no céu da manhã, como ele mais tarde interpretou.

Para Carl Sagan, entre as muitas formas que podemos enxergar nosso frágil planeta, uma delas é como uma nave, que sempre nos transportou pelo espaço e pelo tempo.

Entre as mensagens mais belas da história, inspiradas pela ciência, certamente está Pale Blue Dot (pálido ponto azul), de autoria de Carl Sagan.


Assista:

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NEUROCIÊNCIA: VIVER O MOMENTO É FATO RARISSIMO

Escolhas passadas e a busca por boas recompensas
faz com que reavaliemos constantemente as decisões
a serem tomadas e nunca consigamos viver o momento.

No orgasmo, no parto e em outros raros episódios algumas pessoas “iluminadas” conseguem viver o exato momento em que ele está ocorrendo. Mas, somente se não houver mais nenhuma preocupação envolvida(como necessidade de conquista ou qualquer outro tipo de "jogo” humano) e se as condições paralelas forem quase perfeitas.

Fora essas quase “iluminações”, tentar "viver o momento”, pode ser impossível, de acordo com neurocientistas da Universidade de Pittsburgh, Dukle e Vanderbilt, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores chegaram a essa conclusão mapeando áreas do cérebro de macacos responsáveis pela tomada de decisões e pela avaliação de resultados. Concluiu-se, então, que a atividade cerebral é formada por pensamentos sobre o que já ocorreu e do que ainda está por vir. A pesquisa foi publicada no periódico científico Neuron.

Por que nossos pensamentos não são independentes um do outro? Por que nós não conseguimos apenas viver o momento? Para uma pessoa saudável, é impossível viver o momento. É agradável dizer que temos que aproveitar o dia e desfrutar a vida, mas nossas experiências anteriores são muito mais ricas do que isso e elas nos conduzem”, diz Marc Sommer, autor do estudo quando estava na Universidade de Pittsburgh e, agora, professor na Universidade de Duke.

Esta é a primeira pesquisa que avalia os sinais emitidos por neurônios associados à metacognição, que é a capacidade de monitorar e controlar a cognição, ou "pensar sobre pensar". “O cérebro tem que manter o controle das decisões e dos resultados que essas decisões produzem", diz Sommer. “Você precisa da continuidade do pensamento. Estamos sempre tomando decisões ao longo da vida, pensando em outras coisas. Acreditamos que isso ocorre de uma forma análoga ao processamento da memória.”________________________________
A tese de Sommer era a de que a atividade neural ligada à metacognição ocorria na mesma área responsável pela cognição em si — que é o córtex frontal, parte do cérebro ligada à expressão da personalidade, à tomada de decisão e ao comportamento social.

Mapeamento — Para comprovar sua teoria, Sommer e seus colegas estudaram neurônios em três regiões frontais do córtex de macacos vivos: o campo frontal dos olhos (responsável pela atenção visual e pelos movimentos dos olhos), o córtex pré-frontal dorsolateral (responsável pelo planejamento motor, organização e regulação) e a área suplementar do campo dos olhos (chamada de SEF, envolvida no planejamento e controle dos movimentos oculares rápidos e também ao monitoramento do desempenho, do conflito interno e da auto-recompensa).

Eles, então, submeteram os macacos a tarefas de tomadas de decisões visuais, que envolviam luzes piscando aleatoriamente e uma luz dominante, em um quadrado de papelão. Eles tinham que lembrar e mostrar onde a luz dominante aparecia e adivinhar se estavam corretos. Os pesquisadores observaram que todas as regiões mapeadas nesse processo estão relacionadas à tomada de decisões, mas que a atividade metacognitiva ocorria só na SEF.

Auto-recompensa — “O SEF é uma área complexa do cérebro relacionada com aspectos motivacionais do comportamento”, diz Sommer. “Se pensarmos que vamos receber algo de bom, a atividade neuronal tende a ser elevada no SEF. As pessoas querem as coisas boas da vida, e para continuar recebendo essas coisas boas, elas têm que comparar o que está acontecendo agora com as decisões tomadas no passado.”
A compreensão da consciência é um tema ainda a ser muito explorado pelos neurocientistas. Ao estudar a metacognição, ele diz, é possível examinar como um processo cognitivo influencia o outro.

Doenças neurológicas — Sommer acredita que o estudo poderá ser aplicado em pesquisas com pessoas com problemas mentais. “A esquizofrenia e a doença de Alzheimer estão relacionadas ao processo de formação do pensamento, que é constantemente interrompido. Eles têm dificuldade de manter um fluxo de pensamento e memórias de decisões tomadas para orientar o comportamento posterior, sugerindo um problema com a metacognição.”
Revista Veja
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CARL SAGAN - A última entrevista.




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A ANATOMIA DAS EMOÇÕES - Anna Paula Buchalla

Uma pequena estrutura do cérebro, a ínsula, está
surpreendendo os cientistas, que ali descobrem
a sede de diversos sentimentos humanos

Numa das regiões mais recônditas do cérebro, os neurocientistas encontraram uma nova peça para um dos mais instigantes quebra-cabeças da medicina é o mapeamento das emoções humanas. Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula trabalha em parceria com outras duas estruturas cerebrais, o córtex pré-frontal e a amígdala (estes, sim, velhos conhecidos dos estudiosos no controle de diversas emoções). A ínsula funciona como uma espécie de intérprete do cérebro ao traduzir sons, cheiros ou sabores em emoções e sentimentos como nojo, desejo, orgulho, arrependimento, culpa ou empatia. "Ela dá colorido psíquico às experiências sensoriais", diz o neurocirurgião Arthur Cukiert. Ou, como definiu o psiquiatra americano Martin Paulus, professor da Universidade da Califórnia, é na ínsula que o corpo e a mente se encontram.

Descrita pela primeira vez no fim do século XVIII, pelo anatomista e fisiologista alemão Johann Christian Reil, a ínsula sempre foi negligenciada pelos pesquisadores. A dificuldade de acesso impedia estudos mais minuciosos sobre sua fisiologia. Nos últimos dez anos, graças ao aperfeiçoamento dos exames de imagens, como a ressonância magnética funcional, a ínsula despertou a atenção dos neurocientistas. Flagrada em pleno funcionamento, já se viu que ela é ativada toda vez que alguém ri de uma piada, ouve música, reconhece expressões de tristeza no rosto de outra pessoa, quer se vingar ou decide não fazer uma compra (veja o quadro) "Os estudos já mostraram também que a superativação da ínsula está relacionada a diversos distúrbios psiquiátricos, sobretudo as fobias e o transtorno obsessivo-compulsivo", diz o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo. Imagens do cérebro indicam que lesões na ínsula podem levar à apatia, à perda de libido, a alterações na memória de curto prazo e à incapacidade de alguém distinguir pelo cheiro um alimento fresco de outro estragado.

O trabalho mais fascinante sobre a ínsula foi divulgado recentemente pela revista científica Science. Tudo começou com a história do senhor N., de 38 anos. Tabagista compulsivo, ele fumava cerca de quarenta cigarros por dia. Um derrame, no entanto, fez com que ele instantaneamente abandonasse o vício e "esquecesse a vontade de fumar", como descreveu aos pesquisadores das universidades de Iowa e do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Com o derrame, a ínsula do senhor N. havia sido lesionada. Outros pacientes, também fumantes e com danos na mesma região cerebral, foram avaliados. A maioria deles perdeu a vontade de fumar. Esse estudo foi o primeiro a relacionar uma área específica do cérebro ao vício. "O tabagismo não pode ser explicado apenas pela ação da nicotina no cérebro", diz Nasir Naqvi, um dos autores da pesquisa. "O vício deflagra uma série de mudanças comportamentais e fisiológicas e o aumento dos batimentos cardíacos, a elevação da pressão, a alteração do paladar e a sensação da fumaça entrando nos pulmões, entre outras." Todas essas informações são processadas na ínsula e traduzidas na ânsia de acender mais um cigarro. Trabalhos como esse abrem o caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o tabagismo e outros vícios, como a dependência de drogas e o alcoolismo.

Como se trata de uma área de pesquisa relativamente nova, a ciência ainda não conseguiu esmiuçar todas as funções da ínsula. As diferentes partes do cérebro não agem isoladamente, mas por meio de circuitos múltiplos, que interagem entre si e o que torna o estudo do cérebro extremamente complexo. De qualquer forma, as descobertas recentes sobre a ínsula são uma fonte preciosa de informações sobre a anatomia das emoções. Um dos grandes estudiosos do tema é o neurocientista português António Damásio. Ele busca em seus estudos a base biológica das emoções e da consciência humanas. "Os sentimentos não são nem inatingíveis nem ilusórios. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das emoções teatrais do corpo", escreveu Damásio no livro O Erro de Descartes.

A ponte entre o corpo e a mente

ONDE FICA 

Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula está localizada numa das áreas mais profundas do cérebro, na face interna do lobo temporal, um dos sistemas envolvidos no processamento da memória, do pensamento e da linguagem


O QUE SE SABIA SOBRE A ÍNSULA... 

Até dez anos atrás, a ínsula era caracterizada como uma das áreas mais primitivas do cérebro, envolvida em atividades básicas como alimentar-se e fazer sexo

  
...E O QUE REVELAM AS DESCOBERTAS MAIS RECENTES 

• Na porção frontal da ínsula, experiências sensoriais são transformadas em emoções e sentimentos como nojo, desejo, decepção, culpa, ressentimento, orgulho, humilhação, arrependimento, compaixão e empatia 

• Ela prepara o organismo para situações que ainda estão por vir. Quando, por exemplo, alguém tem de sair de casa e lá fora faz frio, a ínsula é ativada de modo a ajustar o metabolismo para enfrentar a situação 

• A ínsula modula a resposta do organismo a estímulos dolorosos 

• Em pacientes vítimas de fobias e de transtorno obsessivo-compulsivo, a ínsula registra atividade intensa 
Fontes: Mauro Muszkat, neurologista, e revista Science
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