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NÃO HÁ VERDADES, SOMENTE PONTOS DE VISTA - Tico Menezes

O sim é não, o não é talvez, o talvez é com certeza, o com certeza é não sei, o não sei é por quê, o por quê é tudo!

Toda e qualquer conversa é necessária. Talvez não positiva ou construtiva, mas necessária, sim. Podemos fugir delas, dizer que não precisamos disso ou daquilo, evitar ouvir palavras que consideramos vazias de pessoas que não consideramos boa companhia ou com quem temos um histórico negativo, e tudo isso é compreensivo, natural e saudável. Mas há de se assumir que, eventualmente, o que aprendemos com o confronto ou com a fuga se fará presente e acabaremos por questionarmos o que dissemos ou deixamos de dizer. E se o arrependimento bater, não evite, questione.

Discussões banais e ofensas nos fazem repensar nossas opiniões, às vezes nos mostrando contradições, em outras, confirmando o que acreditamos ser correto. Ser questionado e contradito é algo positivo. Pensar no que vamos dizer, organizar os pensamentos e as palavras que usaremos para explicá-los, rever conceitos, tentar evitar usar somente nossa vivência como parâmetro de comparação em algumas situações, reconhecer que somos falhos e temos muito a aprender é positivo.

Afinal, o que você realmente sabe?

Temos poucas certezas na vida. Sabemos que é finita, que para toda ação física há uma reação, que ao olharmos para o céu num dia ensolarado, o veremos da cor azul, que ao tocarmos no fogo, nos queimamos, que sonhar não custa dinheiro nenhum. E até isso já foi contrariado e questionado por filósofos, escritores de ficção-científica, crianças e adultos que não se acomodam.

E quem somos para dizer que eles estão errados? Por qual razão não nos juntamos a eles?

Questione as fotos. Questione os fatos. Questione, discuta, ouça e se faça ouvir, não concorde por comodismo ou desistência, não se ofenda ao ser questionado, tome aquela vez em que te deixaram sem palavras como incentivo para ir atrás de mais respostas, não finja que sabe, admitir que desconhece algo é bonito e atraente, vai por mim. Ou melhor, não vá, me questione. Abra espaço para cada vez mais “porquês” na sua vida.

A vida e tudo o que ela engloba é como a arte, subjetiva e questionável, mas precisa ser explorada por quem está disposto. Ou eu posso já nem pensar assim e me questionar se quero que esse texto seja lido. No momento, sim, quero.
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3 EFEITOS BIZARROS DA CULTURA DO STATUS - Lara Vascouto

Uma reflexão sobre a perversidade dessa cultura do 'fazer/ter para o mundo ver' 
e as aberrações que ela está trazendo ao mundo.

Não é nenhuma novidade o fato de que estamos vivendo e alimentando constantemente a cultura do status - isto é, uma cultura que preza as aparências, mesmo que as aparências não representem muito bem a realidade. Diabos, basta acessar a sua conta do Facebook para observar boa parte dos seus amigos e conhecidos em uma competição acirrada em forma de atualizações de status sobre quem tem o melhor emprego, a melhor família, o melhor namorado, as melhores noitadas, os melhores amigos, o melhor destino de férias, a melhor vida.

“ Agora só falta Melhor Bíceps e Melhor Abdômen. Academia e posts sobre academia: aqui vou eu!”

Eu não digo isso para criticar quem se gaba (sutilmente ou não) da vida que tem no Facebook, até porque eu mesma não posso dizer que nunca caí nessa: por mais atenta e cuidadosa que a pessoa seja, hora ou outra todo mundo escorrega e cai de cara na perversidade da prática do ‘fazer para o mundo ver’. Mas vale, sim, refletir sobre o quanto esta obsessão que leva ao maqueamento da realidade está permeando as nossas vidas e até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para cumprir um determinado papel aos olhos dos outros. Eu posso estar errada - e, por favor, se você discorda, é bem-vindo para se manifestar nos comentários -, mas me parece que algumas bizarrices da vida moderna são consequência dessa cultura do status, em que as coisas, experiências e sentimentos têm que ser validados constantemente em praça pública. Bizarrices como...

Grandes gestos de amor

Eu posso estar errada, mas grandes gestos de amor são uma coisa relativamente recente, certo? Estou falando de gestos como descer de helicóptero na casa da amada para pedi-la em casamento; ou fazer o pedido na frente de uma multidão em um jogo de basquete; ou fazer uma serenata romântica em pleno parque do Ibirapuera - e, claro, gravar tudo para colocar no YouTube e até aparecer no programa da Ana Maria Braga, se tiver sorte (ou azar. Depende do ponto de vista).

Com exceção de uma pequena parcela da internet que está começando a ver esses grandes gestos como uma forma de coerção amorosa, grande parte das pessoas fica babando quando vê um grande gesto de amor em ação (quando é correspondido, claro. Quando não é, ela é uma vadia mal-agradecida aos olhos dessas pessoas, mas isso é tema para outro texto). “Eles devem se amar muito!”, é a ideia que perpassa a multidão que assiste, junto com uma boa quantidade de admiração e inveja em doses iguais. Para o casal fica o grande prêmio - não o amor do parceiro, mas sim o troféu que garante o status de casal perfeito, amado e invejado pelas massas. Um troféu cuja prateleira é uma seleção de redes sociais diversas a seu dispor, que garantem a máxima divulgação do status recém-adquirido. Mesmo quando o amor não é tão certo, ou tão verdadeiro quanto deveria, o grande gesto aparece como uma forma de arrebatamento e de conclusão definitiva que convence até o mais incerto dos amantes. Quem valida o amor, nesses casos, é a multidão, mesmo que ele não tenha amadurecido ainda ou nunca venha a amadurecer.

Não que todos os grandes gestos de amor sejam farsas. Acredito que 99.9% das pessoas que se engajam em um grande gesto de amor o fazem com sinceridade, ou pelo menos pensam assim. Mas cabe a essas pessoas pensar por que sentem a necessidade de incluir e de ter a validação de uma terceira parte - a multidão, no caso - em uma coisa tão privada? Será que elas estão fazendo isso pelo amor ou pelo espetáculo? Quantos relacionamentos se arrastam e quantos casamentos se concretizam para logo se desfazer em nome do espetáculo?

Filhos decorativos

Eu e meu marido somos casados há um ano, cinco meses, três dias e seis horas e há pelo menos um ano, cinco meses, três dias, cinco horas e quarenta e cinco minutos somos perguntados constantemente sobre quando teremos filhos.

É natural, claro, e eu entendo completamente. O próximo passo depois do casamento é ter filhos, sempre foi assim. Mesmo assim, me incomoda um pouco o fato de que se nós resolvermos que vamos ter um filho agora eu tenho certeza que as pessoas vão comemorar ao invés de se preocupar com o fato de que nós não temos condições financeiras de criar um filho no momento. Como pode uma decisão tão irresponsável ser celebrada?

Isso mostra como é forte a visão de que família só é uma família (e, portanto, só pode ser perfeita) com um ou dois pimpolhos populando as fotografias e o fato de eu achar isso normal nos mostra como é forte a programação martelada em nossas cabeças desde a infância - casar e ter filhos. E mesmo que existam milhares de motivos diferentes para uma pessoa querer ter um filho, para algumas delas essa trajetória pré-definida deve ser seguida para que o status chamado de Família Perfeita possa ser alcançado. É desse desejo por um determinado status associado à expectativa social mencionada acima que nasce a bizarrice que eu apelidei de Filhos Decorativos.

Filhos Decorativos são aquelas crianças que nasceram para enfeitar uma família e torná-la digna de ser chamada de Família (com F maiúsculo mesmo) e apresentada na igreja ou na confraternização de fim ano da empresa. Filhos Decorativos geralmente são criados por babás ou por avós e vêem muito pouco dos pais. Como qualquer peça de decoração, Filhos Decorativos têm que ter algum atrativo.

Enquanto são pequenos, a sua existência por si só é o suficiente, com suas mãozinhas e pezinhos lindos e rechonchudos, mas conforme crescem precisam aprender algumas habilidades que os pais possam exibir para o mundo. Por isso não é incomum descobrir que raramente os Filhos Decorativos têm uma tarde livre - eles estão sempre ocupados com aulas de ballet, inglês, piano, mandarim, futebol, basquete, francês, etc, etc, etc, etc. Basicamente, filhos Decorativos são mais uma extensão da vida perfeita que os pais criaram - não necessariamente a que eles vivem, mas a vida perfeita que eles mostram para o mundo. Vale lembrar, no entanto, que os Filhos Decorativos crescem e nem sempre se tornam o que os pais esperavam.

Não quero alarmar ninguém, mas Filhos Altamente Decorativos sempre estão envolvidos em orgias violentas ou são os próprios assassinos em episódios de Law&Order.

Distração Generalizada

Olhe em volta. A cada dia que passa nós parecemos mais e mais como baratas tontas, olhando o celular ao invés de conversar com a pessoa ao nosso lado, tirando fotos loucamente ao invés de olhar a paisagem e listando conquistas ao invés de conhecer novas pessoas. Nossos celulares e redes sociais se tornaram poderosos demais e tomaram controle de nossas vidas como um parasita espertalhão e letal, como aqueles que aparecem naquele programa horroroso da Discovery - Parasitas Assassinos ou algo tenebroso desse tipo.
Mas não tão nojento.

No caso, nós estamos sempre grudados nas nossas redes sociais porque elas são as vitrines de nossas vidas e, através de um raciocínio absolutamente maluco, nós achamos que a vitrine é mais importante do que viver a droga da vida anunciada na vitrine. (Ok, eu perdi completamente o controle dessa analogia da vitrine, mas você entendeu). Isso leva a uma grande ansiedade por status, obviamente, mas também a uma distração generalizada, em que a vida e as pessoas passam como um pano de fundo enquanto você obsessivamente atualiza o seu Twitter.

Nada é realmente aproveitado e absorvido pela pessoa que sofre de distração generalizada. Uma paisagem é admirada por três segundos, que é o tempo de ela tirar o celular do bolso e tirar a foto para postar no Instagram. Uma conversa dura alguns minutos até que alguém solta uma frase muito espirituosa e ela sente a vontade de interromper o papo para postar a “citação” no Facebook. Tudo gira em torno do status divulgado, da própria imagem que vai sendo montada atualização após atualização, como um Frankenstein virtual que nunca vai ganhar vida, porque não é real. Isso sem contar que o interesse que a pessoa acometida de distração generalizada tem pelos outros vai até o momento em que ela avalia se os outros estão melhor ou pior que ela no grande jogo da vida - e normalmente essa avaliação dura uma olhada de dois minutos no Facebook. Depois disso, esquece, amigo. Ela já está tirando fotos. De novo.
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SOLIDÃO A DOIS - Bruno Inácio

Sobre uma geração que insiste em não ouvir, em não falar e em não aprender

Com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão Vermelho.

São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.

O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.

Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.

Elas se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.

Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. "Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será", concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.

E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros.

O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.
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LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO TORNA SUAS OPINIÕES FEIAS MENOS FEIAS - Lara Vascouto

Liberdade de expressão não embeleza suas opiniões, não, campeão.

Indivíduo fala algo ofensivo e discriminatório contra um determinado grupo. Pessoas reagem indignadas. Indivíduo se sente imediatamente vitimado.

“Que isso, só tô falando minha opinião! Vocês estão atentando contra a minha liberdade de expressão!”

Essa se tornou uma dinâmica típica de discussões atualmente. Já há um bom tempo a pobre da liberdade de expressão está sendo usada indevidamente para defender “opiniões” ofensivas e discriminatórias de todo tipo, sejam elas misóginas, racistas, homofóbicas, transfóbicas, xenofóbicas, ou o que quer que seja.

É como se, de uns tempos pra cá, todos os cretinos do mundo tivessem descoberto que o direito a liberdade de expressão confere a eles uma espécie de passe livre para comportamentos, piadas e comentários que indiretamente (ou não) promovem a intolerância, a violência, o medo, a intimidação, o ódio e a opressão.

Liberdade de expressão é importante, sim. Não me entenda mal. Sem ela uma democracia simplesmente não funciona.

A questão é que até ela tem limites, e como todas as outras formas de liberdade, a sua acaba onde começa a do outro. É justamente porque nós vivemos em sociedade e a liberdade de todos os indivíduos deve ser respeitada, que todos (mesmo os cretinos) devem aceitar e entender que não dá para sair por aí falando o que bem entender. Isso vale tanto para discurso de ódio – que a lei brasileira proíbe e pune, levantando o dedo do meio bem na fuça da liberdade de expressão – como para falas, práticas e comportamentos cotidianos.

Toda a nossa existência é constantemente regida por pequenas regras sociais que limitam nossas ações e comportamentos de acordo com a situação, contexto ou mesmo local onde nos encontramos. Todo mundo concorda em adequar o próprio comportamento ao local de trabalho, por exemplo. Da mesma forma, ninguém chega em um funeral questionando o valor da vida e obra do falecido.

Mas basta o bom senso, o respeito e a civilidade se meterem na frente de alguém que quer muito disseminar discórdia (ou que não quer perder a chance de fazer uma piada sem graça, imagine só!), para o indivíduo ficar revoltado e puxar do rabo um tratado sobre como está sendo vítima de censura. Isso me deixa realmente confusa. Como é possível a pessoa que ofendeu achar que tem razão ao se sentir ofendida quando o grupo que foi ofendido em primeiro lugar reclama? Como isso faz sentido?

Agora, discurso de ódio contra uma determinada raça, religião, etnia ou procedência nacional já é passível de punição pela legislação brasileira, e existe projeto de lei para incluir aí orientação sexual, gênero e identidade de gênero. Mas existem milhares de outras situações que caem em uma área cinza e dependem da sensibilidade e do bom senso das pessoas. E é aí que a coisa descamba, porque se tem uma coisa que muita gente não gosta de fazer é praticar o bom senso.

Sem falta, alguém sempre vai falar alguma asneira que por pouco não se encaixa na definição de discurso de ódio. O problema é que ao invés de tentar entender por que milhares de pessoas indignadas estão se sentindo tão ofendidas (e pedir desculpas – HAHAHA, essa foi boa, eu sei), essa pessoa vai logo começar a gritar LIBERDADE DE EXPRESSÃO tão alto que soldados lá na Coréia do Norte vão pular da cadeira e prender o primeiro pobre coitado que passar pela frente.

Se você é uma dessas pessoas, pode ficar tranquilo, porque você meio que tem razão. Com exceção do que é realmente discurso de ódio, a liberdade de expressão te dá mesmo o direito de falar a babaquice que quiser. Não tenho como impedi-lo. Mas nada me impede também de apontar o quão babacas são as suas opiniões – ainda mais se o único argumento que você consegue pensar para justificá-las é o fato de poder dizê-las em voz alta sem ser preso.

Porque, sabe… Você tem o seu direito a liberdade de expressão. Mas eu também tenho o meu.
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NÃO DORMIR BEM DESCONTROLA AS EMOÇÕES.

Parece incrível, mas dormir está se transformando em um luxo do qual nem todos podem usufruir. O sono é uma das dimensões na qual qualquer dificuldade emocional aparece primeiro. Por sua vez, não dormir bem gera diferentes riscos e acentua diversos problemas existentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um adulto normal precisa dormir entre 7 e 8 horas por noite para obter um descanso ótimo, tanto físico quanto mental. Por sua vez, os efeitos de não dormir podem ser muito graves. Entre eles, a OMS alerta sobre um em especial: passar apenas uma noite sem dormir pode provocar a perda de tecido cerebral.

“A felicidade para mim consiste em gozar de boa saúde, dormir sem medo e acordar sem angústia.”
–Françoise Sagan–

Quando as horas de sono não são suficientes ou não se consegue dormir profundamente, a pessoa fica literalmente com os nervos à flor da pele. É frequente que se mostre altamente irritada ou especialmente sensível diante de qualquer tipo de estímulo. Isso ficou comprovado em várias pesquisas a respeito do tema.

Não dormir provoca um “furacão de emoções”

Recentemente foi realizada uma pesquisa sobre o sono na Universidade de Tel Aviv, que em seguida foi publicada na revista Journal of Neuroscience. A pesquisa comprovou que quem não dorme o suficiente percebe e sente a realidade cotidiana de uma forma diferente.

A pesquisa teve por base um grupo de 18 adultos, que receberam um teste depois de uma noite bem dormida e logo outro, depois de uma noite sem dormir. O teste consistia em olhar uma série de imagens que incluíam algumas “emocionalmente positivas” (um ursinho, por exemplo), outras “emocionalmente negativas” (um corpo mutilado) e outras que eram neutras (um talher, uma cadeira, etc.).

Todos os participantes foram monitorados por meio de eletroencefalogramas que permitiam observar a atividade do seu cérebro. A conclusão final foi de que, sem dormir bem, o cérebro dos participantes ficava simplesmente incapaz de diferenciar emocionalmente as imagens. A reação era praticamente a mesma com as imagens positivas, negativas e neutras. Segundo estes cientistas, tudo isto indicaria que existe um descontrole emocional.

Comportamentos irracionais e primários

Outra pesquisa realizada pela Universidade de Berkeley demostrou que dormir 2 ou mais horas a menos do que o necessário afeta severamente o lóbulo pré-frontal, que é a região que controla as emoções. O resultado disto é que a falta de sono leva a respostas mais irracionais e primitivas.

Matthew Walker, o diretor da pesquisa, apontou que não dormir bem “quebra os mecanismos que nos protegem das doenças mentais”. Acrescentou que o sono restaura os circuitos emocionais e permite enfrentar melhor os desafios da vida cotidiana.

Walker também afirmou que apesar de que popularmente acredita-se que a falta de sono leva a um estado de entorpecimento e passividade, o fato é que acontece justamente o contrário. As pessoas que não dormem não se tornam mais passivas, mas sim 60% mais reativas, ou seja, mais violentas e descontroladas.

O preço de não dormir bem

Dormir de forma deficiente também leva a outros problemas. O equilíbrio emocional fica comprometido e a capacidade de reação diante aos estímulos fica vulnerável. Isto quer dizer que, quando não temos um bom padrão de sono, existe um risco mais alto de sofrer acidentes. Estima-se que dirigir sem ter dormido equivale a dirigir em estado de embriaguez.

Por outro lado, os padrões de pensamento também ficam significativamente alterados pela falta de sono. É muito mais difícil processar a informação que se recebe e tomar decisões. Uma pesquisa apontou que os erros médicos aumentam em 400% no caso de profissionais da saúde que fazem plantões de 24 horas seguidas. Da mesma forma, concluiu-se que quem dorme menos que o necessário pode desenvolver problemas de memória.

Não é apenas o cérebro que fica seriamente afetado pela falta de sono. Não dormir bem também aumenta a probabilidade do organismo começar a sofrer diretamente através de uma doença. Sabe-se, por exemplo, que o sistema imunológico fica prejudicado. Também existem dados que permitem concluir que a falta de sono incide em diabetes, câncer e obesidade.

Dito tudo isso, vale a pena avaliar se você está dormindo de forma adequada. O bom sono é um bem valioso que precisamos cuidar e preservar. Sem sombra de dúvida, constitui um dos grandes pilares da saúde mental.
Fonte: Site A mente é maravilhosa
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A SAUDADE DE QUEM JÁ MORREU - Viviane Battistella

 Quem sente sabe, a saudade é presença. A saudade permanece.
 É o que fica quando a dor se vai, a revolta se vai. 
Saudade não morre.

Saudade maior é de quem já se foi. Mesmo nos que nutrem a fé no reencontro, é visível a dor de ter que seguir longe de quem se queria por perto. A dor de perder quem nos é querido, pela astuta ação da morte deixa em todos nos a marca da saudade.

Quando a morte ocorre, experimentamos a forte dor e a sensação de termos perdido o chão, perdido as raízes e estarmos, então, soltos no mundo. A falta do outro bagunça e desestrutura. Sofremos muito e então vem o luto.

O luto é um processo de adaptação após perdermos algo ou alguém que era importante para nós, ou seja, uma perda significativa. Quanto maior o vínculo afetivo, maior será o impacto. O luto é a incapacidade que temos de nos divertir, de estarmos felizes.

Por um tempo é como se funcionássemos no automático e só conseguimos nos ocupar das tarefas cotidianas e daquilo que chamamos de trabalho. Quanto mais repentina é a ação da morte, mais é exigido de nós.

Muitos se vão aos poucos, vão adoecendo e partindo lentamente, dando-nos assim tempo de assimilar e digerir a difícil realidade. Na contramão, há situação nas quais somos pegos de surpresa pela partida repentina de quem estava ali ontem, jovem, cheio de vida. A morte exige muito de nós, exige muita coragem.

O que fazer então quando ela nos encontra e leva de nós quem amamos?

Em primeiro lugar devemos entender e aceitar que vamos sofrer e então tentar sofrer o mínimo de tempo possível. Quem sofre mais tempo não significa que vive um luto maior nem tampouco que sua dor e/ou seu afeto por quem se foi é maior. O sofrimento pelo sofrimento não tem nada de digno, nem de profundo ou saudável.

O sofrer deve ser superado com resiliência (aquela capacidade de cair e se levantar o mais breve possível) e nunca alimentado. Superar a dor, superar o luto deve ser sempre o nosso objetivo, aprendendo sempre. A dor sempre nos ensina muito e ela é inevitável.

Talvez vocês concordem comigo em afirmar que a maior dor que o ser humano pode vivenciar é a dor da perda de um filho. Acredito que a maior injustiça, que o maior descompasso, que o maior equívoco da natureza é um filho partir antes dos pais, obrigando-os à suportar a dor de uma dilacerante ferida e a depois caminhar com uma cicatriz inescondível. Talvez então vocês estejam agora me perguntando como e onde conseguir motivação, força para superar algo tão penoso assim.

Acredito que a ternura e a fé hão de ser ainda maior e que não há nada a fazer a não ser superar e seguir. Negar, agredir, deprimir-se, desistir…, nenhuma dessas alternativas funciona. O fim de tudo é sempre a aceitação e há vários caminhos para se chegar a ela.

Lembro-me de um depoimento bonito de uma paciente que, ao perder repentinamente a filha jovem em decorrência de um acidente de trânsito, um dia me disse:
-Ao ler A Cabana eu achei um caminho para seguir.

E assim, depois de um tempo ela conseguiu abandonar os psicotrópicos.

O caminho pode estar em um livro, na fé, nas relações afetivas, na caridade ou em qualquer lugar. Ele existe e nós o chamamos de motivação. Cabe a cada um descobrir o que lhe motiva, o que lhe faz vivo e lhe dá força, combustível para seguir.

A única pessoa que permanecerá conosco pelo resto de nossas vidas somos nós mesmos. Por isso nós, estudiosos do comportamento e das emoções humanas, insistimos tanto para que, cada um de nós, tenha uma ótima relação consigo mesmo. E importante que nos bastemos e que possamos nos carregar no colo, que possamos jogar no nosso próprio time, que nos amemos a ponto de cuidar de nós mesmos e das nossas feridas.

A saudade é companheira de todos nós.
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VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO! MAS DEVIA... - Mario Feitosa

Possuímos dispositivos de algumas polegadas, pouco maiores que as palmas de nossas mãos, capazes de acessar, ao toque na tela, todo o produto intelectual humano de nossa história.

Indo conosco onde quer que formos, cada vez menores e mais poderosos, esses dispositivos nos fazem oniscientes em potencial.

Mas que uso estamos dando a esses artefatos mágicos?

Aliás, estamos usando ou sendo usados?

Muito já foi dito a respeito do que segue. Arrisco estar repetindo dezenas de outras reflexões, talvez com os mesmos argumentos, sendo, apenas mais-do-mesmo, mas ainda precisamos refletir muito a esse respeito. Assim, lá vamos nós outra vez.

Solidão é uma realidade muito foda! Solidão, esquecendo o conceito convencional, que leva a entender como "não ter ninguém", é um paraíso particular. Arriscando ser odiado, não consigo envolver outro termo diferente para exprimir o conceito. Solidão é estar sozinho, e estar sozinho, sempre que possível, é absolutamente necessário.

Solidão convida à reflexão, à meditação, ao pensamento profundo. Ao avesso dos livros, solidão é pensar pela própria cabeça.

Reflexão, a capacidade de olhar e olhar de forma profunda, de trazer para si, refletir... Reflexão se faz no escuro, em silêncio, sozinho...

Mas quem reflete, hoje em dia?! Quem consegue escuridão, quando as telinhas iluminadas dos celulares não se apagam nunca? Quando os PowerBanks garantem baterias inesgotáveis?

Quando sempre podemos habilitar economias de energia, a fim de que jamais se apaguem? A tecnologia nos privou da escuridão...

E o silêncio? Como ficar em silêncio, quando a televisão nunca se cala, quando há música tocando o tempo todo e as notificações dos nossos Apps ecoam na nossa cabeça, convidando ao update? A tecnologia nos priva, também, do silêncio...

Seguindo, como estar sozinhos? Como é possível estar só quando os Messengers e Whatsapps nos oferecem companhias full-time, quando os grupos não param, e as timelines nos alimentam?!

A tecnologia, por fim, nos tirou o direito de ficarmos sozinhos, a não ser que queiramos viver "em modo avião"...

Olha lá que bacana: estamos refletindo! Estamos espelhando a realidade nunca percebida na nossa fantasia, e pensando... Estamos trazendo à tona um problema, resultado da não-reflexão, resultado da não-solidão: não pensamos, e não pensando, não sabemos! E não sabendo, não conhecemos! E não conhecendo, não conhecemos a nós mesmos, e jamais olharemos p'ro lado! Se não olharmos p'ro lado, nunca seremos!

Queridos, precisamos estar sós. Precisamos olhar p'ra dentro de nós mesmos e buscar as perguntas, para podermos trabalhar nas respostas... Quem sou eu?! Do que gosto?! O quê não gosto?! O que sabia fazer?! Posso voltar?! O que não sei, mas gostaria?! Isso sou eu!

O desconhecido nos apavora! E se nos somos desconhecidos, obviamente temeremos estar sós, e nos afundaremos em semi-companhias, semi-relacionamentos, semi-relações...

Camaleões-sociais, que se camuflam, acuados, aos ambientes, apenas estando, nunca sendo... Consumindo, nas telinhas brilhantes, muitos dados e nada de informação.

Só se ama aquilo que se conhece, e profundamente, afinal, "o essencial é invisível aos olhos", como dizia Exupéry.

Estaremos condenados à triste solidão acompanhada enquanto não nos permitirmos a deliciosa solidão completa, que completa, que permite o autoconhecimento, que nos leva a apaixonarmo-nos por nós mesmos, a deliciosa experiência do saudável amor próprio, livre de soberba, repleto de constatação real de nossos tesouros e esgotos particulares, da verdade, adequando nosso entendimento à realidade...

"Ah, mas trabalho, filhos, casamento, contas e dívidas me consomem todo o tempo. Já não me cabe mais estar sozinho...". Muitos de nós apresentarão imediatamente essa escusa (e me perdoem a audácia de chamar tal constatação de "escusa").

Mas ouso questionar: a quantos programas de televisão você assistiu hoje? Quantos sagrados minutos você desperdiçou assistindo aquela "pegadinha" no YouTube?

Quantas maratonas de seriados pretende fazer no Netflix esse final de semana? Quantas fases passou, hoje, no CandyCrush? Quantas roladas de página deu no Instagram ou 9gag, p'ra ocupar a mente no momento do ócio...

Numa vida tão corrida e tão desgastante, jura que houveram minutos de ócio?! Não seria, então, mau aproveitamento, em vez da falta de tempo?!

Aprendamos, pois, a repensar, a fazer esforços mais consistentes no que realmente importa: a saúde. Mas saúde da alma, da mente, que hora ou outra nos convidará à saúde do corpo, afinal nos fará apaixonados por nós mesmos, e, conseqüentemente, muito mais apaixonados pelo mundo e pela vida, e mais capazes de amar, de dar amor, e mais merecedores de receber.

Reflitamos, olhemos para dentro, no escuro, no silêncio e na solidão, que seja no momento de fechar os olhos à noite, antes de dormir, na caminhada até a Padaria, até na ida ao banheiro (não, não é bizarro mencionar isso. Bizarro é pensar quantas vezes vamos acompanhados de nossos celulares... Isso, sim, é bizarro).

Reflitamos! Usemos a tecnologia para seu real propósito: melhorar nossas vidas. Por fim, reflitamos, e tudo terá muito mais cores, formas, tons, ritmos, cheiros e gostos. Vai por mim ;).
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PROCRASTINAÇÃO, VOCÊ NÃO SE ACHA BOM O BASTANTE? - Antônia no Divã

Essa semana um amigo meu me pediu para ajudá-lo a colocar em andamento o seu sonho de escrever. Sentamos e conversamos por mais de uma hora sobre tudo que ele tinha que fazer para alcançar os seus objetivos. Tracei metas para ele, indiquei pessoas que poderiam ajudar, sugeri um cronograma e dei conselhos dos quais eu deveria ouvir, antes mesmo de dá-los. No rosto do meu amigo, vi a mesma sombra dos pontos de interrogação que me fizeram questionar o início do meu processo criativo.

A autocrítica, o medo, a procrastinação, todos os sintomas da auto-sabotagem disfarçados de ponderações. Não conseguia entender como a doença da auto-sabotagem podia infectar algumas das pessoas mais fantásticas que eu já conheci. A situação me botou em autoanálise, como sempre.

Dei-me conta de que a procrastinação é o primeiro obstáculo para a construção de algo. Nossos projetos mais amados começam a ser postergados por metas que julgamos “mais práticas” ou “mais urgentes”. A gente espera que o tempo traga aquela coragem tão necessária na hora de arriscar, mas tudo que ele faz – o tempo – é dar tapa na nossa cara. Afinal, coragem não é a ausência do medo, mas a superação dele. E isso exige atitude.

A procrastinação é um dos piores defeitos dos criativos. E tudo bem que criação e criatividade têm muito a ver com o respeito pelo timing, inspiração, maturação de ideias, e até a revisão delas. Mas acima de tudo tem a ver com trabalho. Sem trabalho não há evolução. E sem evolução não tem aprendizado. E sem aprendizado, bem, sem aprendizado você vira um inútil vendo o tempo passar e as oportunidades morrerem na praia.

PROCRASTINAÇÃO: “Amanhã você vai desejar ter começado hoje.”

A sabotagem ou auto-sabotagem é também algo cultivado pelo ser humano que deveria ser estudado e prevenido em qualquer fase de formação. E quando falo em auto-sabotagem, não falo apenas dela no lado profissional – sabotagem existe, é alimentada e se manifesta em todo tipo de relação. Profissional, pessoal, amorosa. Eu sei disso porque eu sou perita na arte da sabotagem. De tomar o porre da vida na festa do novo emprego que havia começado não fazia três dias. De soltar gafes no primeiro encontro com pessoas importantes. E nem queira me ver comentar sobre auto-sabotagem nas minhas relações amorosas. Tenho certeza que meu cupido me odeia por conta da maneira criativa como eu sempre fodo com o trabalho dele.

Eu tenho uma teoria sobre a auto-sabotagem. Na minha opinião ela surge pela nossa falta de preparo em ver as coisas darem certo. A gente já se acostumou em esperar o pior, e entra em parafuso na eminência do sucesso. Afinal…. vá que dê tudo certo e a gente alcance reconhecimento profissional, relações promissoras e amores avassaladores, né? O que faríamos com o medo de perder tanta coisa importante? Melhor nem ter!

SABOTAGEM: “Aceite/promova as boas coisas que a vida reservou pra você.”

E por último, mas não menos letal na construção de algo, a famosa sina do “eu não sou bom o bastante”. Mas que mania idiota de compararmo-nos com todo mundo, ou de medir os nossos talentos pela régua alheia. Ninguém é tão boa em contar histórias como eu porque ninguém as conta como eu, certo? Ou seja, só eu posso aplicar os meus talentos como eu – ninguém mais – e isso deveria ser o bastante para nos convencer, não é?

O mesmo se aplica ao meu amigo, aquele do início desta reflexão. Não existe um vivente sequer que escreve melhor que ele, porque ninguém pensa como ele. Não há quem cozinhe melhor que a minha mãe, porque a comida dela tem o sabor que é só dela. No mundo inteiro não há quem cante tão bem quanto o meu irmão de 6 aninhos, porque só ele inventa as músicas que ele inventa. E assim vai. Ou seja, talentos não deveriam ser comparados. Apenas compartilhados. E talentos não divididos – já diria uma amiga minha – são a nossa maior prova de egoísmo com o mundo.

SINA DO “NÃO SOU BOM O BASTANTE”: Não seja egoísta com o mundo. Compartilhe seus talentos/sonhos/projetos.

Eu sei que essa mudança não é fácil. Eu tenho uma lista de metas deixadas de lado, e uma gaveta cheia de lindos sonhos engavetados. Mas eu decidi que tudo isso vai mudar. E esta sessão nada mais é que um baita puxão de orelha em mim mesma, e um lembrete que o dia “D” é sempre hoje. E espero que o puxão de orelha chegue aí do outro lado da tela. Vamos lá! Entre nesta luta contra a auto-sabotagem através de três passos:

Comece agora. 
1 - Aceite as coisas boas da vida.
2 - Compartilhe o seu valor com o mundo.
3 - O universo vai agradecer, eu prometo.

Fim da sessão.
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8 SINAIS DE ESGOTAMENTO MENTAL - Marilia de Andrade Conde Aguilar

Você já se sentiu tão esgotado a ponto de não ter mais motivação de fazer nem aquilo de que gosta? Já se sentiu tão pra baixo a ponto de não conseguir ver alegria no que faz e tudo ser motivo de irritação?

Pois eu já…

É muito comum as pessoas confundirem esgotamento mental e depressão porque esses dois problemas têm sintomas em comum.

O esgotamento está geralmente associado ao estresse do trabalho e ao desgaste mental. Depressão pode ou não estar relacionada ao trabalho.

Pessoas com esgotamento mental apresentam problemas de atenção e o nível de esgotamento pode ser medido de acordo com o número de lapsos cognitivos que a pessoa tem em um dia, tais como dizer coisas sem pensar, esquecer nomes, não reparar em um sinal vermelho enquanto dirige…

Estudos têm demonstrado que os homens apresentam mais dificuldade em assumir que estão esgotados. Muitos deles acham que isso é um sinal de fraqueza. Outros estão tão absorvidos em prover as necessidades materiais da família que não admitem que possam já ter passado do próprio limite.

As consequências disso podem ser desastrosas.
Por isso é muito importante que você saiba identificar os sinais de esgotamento em você e nos outros. Entre eles, podemos citar:

1. Tempestade em copo d’água
Quando, mesmo diante do menor dos problemas, a pessoa se descontrola já é um sinal claro de esgotamento.

Nessa situação ela está tão exaurida em suas capacidades mentais que não consegue mais distinguir com clareza um problema simples de algo realmente grande.

2. Cansaço crônico
Sentir-se exausto é um dos principais sintomas do esgotamento.
Não se trata apenas em sentir-se extremamente cansado uma vez ou outra. Mas, em um sentimento constante de cansaço. A pessoa sente-se o tempo todo sobrecarregada e esgotada.

3. Imunidade baixa
A adrenalina que o corpo produz nas situações de estresse ajuda a pessoa a estar em alerta. Mas produz estragos no sistema imunológico.

Com a resistência em baixa, a pessoa tende a ficar doente com mais frequência. Doenças que podem ir desde resfriados, crises de enxaqueca, dores de estômago até palpitações no coração.

4. Sentimento de ineficiência
A pessoa mentalmente esgotada sente que não consegue atingir seus objetivos na vida.

Com esse sentimento, a confiança da pessoa vai pelo ralo, e ela se sente ainda menos capaz diante dos desafios. O que gera efeitos desastrosos na autoestima.

5. Apatia generalizada
O entusiasmo pelo trabalho apaga e parece que tudo e todos são motivos de descontentamento para a pessoa esgotada.

Ela não sente mais motivação no que faz e se contenta em fazer o mínimo. Muitas vezes, não tem motivação nem para fazer as coisas que gosta.

6. Perfeccionismo exagerado
Pesquisas recentes demonstram que as pessoas perfeccionistas têm um risco muito maior de esgotamento. Isso porque o padrão de perfeição criado por elas consome muita energia, o que leva a um desgaste ainda maior.

Esse tipo de pessoa precisa avaliar com sinceridade se a perfeição é realmente essencial para cada projeto específico. A resposta geralmente é “não”.

7. Sem paradas
Um tempo para recuperação é muito importante na prevenção do esgotamento.

É preciso encontrar maneiras de se recuperar durante o trabalho (em pequenos intervalos), mas também após o trabalho (à noite, nos finais de semana, nas férias).

Quando falamos em descanso, não estamos nos referindo a dormir apenas. Mas, também, em dedicar-se a atividades que dão prazer – uma atividade física, um passeio em família, um hobby.

8. Muitas demandas do trabalho X poucos recursos de trabalho
Podemos explicar as “demandas do trabalho” como tudo aquilo que precisa ser feito – e, portanto, que consome esforço e energia.

Por “recursos de trabalho” podemos entender tudo aquilo que motiva, que nos ajuda a atingir os objetivos.

As demandas do trabalho não são necessariamente ruins. Mas, por causa da energia que consomem, precisam ser equilibradas com os recursos de trabalho.

O dinheiro é um recurso de trabalho muito importante – a expectativa da remuneração que vai receber motiva a fazer o que precisa ser feito. Mas esse não deve ser o único recurso de trabalho.

A alegria e a satisfação decorrentes da atividade exercida são muito importantes também (talvez até mais que o dinheiro!).

Entretanto, nem todos têm a oportunidade de fazer profissionalmente aquilo que realmente gostam. Mas todos têm a oportunidade de usar seus dons e talentos no serviço voluntário.

Esse tipo de trabalho não dá um tostão como retorno, mas traz consigo importantes recursos de trabalho como a alegria no serviço, o amor ao próximo e a gratidão. Recursos esses que dão energia para fazer todas as outras coisas.

O esgotamento tem sido descrito como o maior risco profissional do século XXI.

Conhecer seus sintomas e como diminuir seus efeitos é um primeiro passo muito importante rumo a uma vida plena e feliz.
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PARAMOS NA IDADE EM QUE NOS FALTA AMOR - Irina Parfénova

Com muita frequência, me encontro com pessoas que, por fora, parecem ter 20, 30 ou 40 anos, mas, lá no fundo, ficaram na infância e ainda precisam do amor que lhes faltou quando eram pequenas. Elas ficam assim até o momento em que aprendem a encontrar a satisfação nelas mesmas.

Cada etapa se caracteriza por uma necessidade, ou seja, a maneira como precisamos de cuidado e de amor dos pais muda ano após ano.

No começo da infância se forma a confiança, por isso, nesse momento da vida o amor é expresso por meio dos cuidados da mãe e de sua atenção às necessidade do filho. Se, durante essa fase, o carinho da mãe é pouco constante, ou ela rejeita o seu filho, nele podem aparecer a desconfiança e o medo excessivo.

Na vida adulta, é difícil estabelecer contato com esse tipo de pessoa. Quando elas começam uma relação, é comum sentirem a necessidade de provar alguma coisa para a outra pessoa, colocando no outro a necessidade de mostrar fidelidade. Quando se tratam de relações interpessoais mais próximas, podem se sentir vulneráveis e indefesas.

Alguns anos depois, aos 2 ou 3 anos de idade, a criança aprende a ser independente e desenvolve o autocontrole. Se os pais dificultam o desenvolvimento destes aspectos, por exemplo fazendo sempre eles o que a criança poderia fazer sozinha e sem dificuldade, ou, pelo contrário, esperam que a criança faça coisas impossíveis, podem gerar a sensação de vergonha.

Por outro lado, se os pais não param de corrigir os filhos, sem entender as necessidades naturais da idade, é provável que a criança tenha problemas para controlar o mundo à sua volta e, portanto, controlar a si mesma.

Quando são adultos, ao invés de se sentirem seguros de si mesmos, sentem que os outros sempre os estão analisando em detalhes e os tratam com desconfiança ou desaprovação. Também é possível que apresentem sintomas de transtornos obsessivos compulsivos e delírio de perseguição.

Entre 3 e 6 anos o amor se demonstra pelo incentivo à independência, apoiando a iniciativa, a curiosidade e a criatividade. Se os pais não permitem que o filho se comporte de maneira autônoma nesta fase, e respondem sempre com castigos, eles vão criar uma enorme sensação de culpa na criança.

A vida adulta de uma pessoa com este tipo de carência se caracteriza pela falta de foco para resolver problemas, colocar objetivos e metas e alcançá-los. Além disso, o constante sentimento de culpa pode ser a causa de passividade, impotência ou frigidez, além de comportamento psicótico.

Na idade escolar se desenvolvem a diligência e o amor ao trabalho. Se, nesta etapa, existem dúvidas sobre as capacidades da criança, o desejo de continuar estudando será ameaçado, dando lugar ao sentimento de inferioridade que, no futuro, acabará com a sua própria capacidade de ser uma pessoa ativa e produtiva dentro da sociedade.

Se as crianças percebem as vitórias escolares e o trabalho como os únicos critérios que determinam o sucesso, na vida adulta elas provavelmente se transformarão na chamada ‘massa trabalhadora’, caracterizada pela hierarquia preestabelecida.

Proponho, portanto, dar a mão à sua criança interior e ajudá-la a crescer. Para isso, procure uma foto sua de quando era criança, ou apenas pense na criança que vive dentro de você. Quantos anos ela tem? Como ela é? Em que pensa? Quem está ao lado dela? O que a preocupa?

Fale com ela.

Peque uma folha de papel e duas canetas de cores diferentes, uma com a mão esquerda e a outra com a direita. Se você é destro, a mão direita será o seu ‘eu’ adulto e a esquerda o ‘eu’ criança. Se você é canhoto, será ao contrário.

Agora, a conversa é apenas entre você e a sua criança interior. Quem fala primeiro? Como começa a conversa? As respostas podem ser inesperadas e surpreendentes.

Neste momento em que você encontrou a sua criança interior e está falando com ela, chegou a hora de começar uma relação. Converse o tempo que quiser, pergunte se ela precisa de alguma coisa e dê a ela o que ela pedir. Chame-a pelo nome (o seu), fale palavras doces e amorosas, expresse o seu amor e dê sugestões. Seja para ela o pai ou a mãe que você gostaria de ter com essa mesma idade.
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VIVEMOS NA ERA DO NARCISISMO - Cristina Galindo

COMO SOBREVIVER NO MUNDO DO EU, EU, EU

Foi o belo e vaidoso Narciso, personagem da mitologia grega incapaz de amar outras pessoas e que morreu por se apaixonar pela própria imagem, que inspirou o termo narcisista. O conceito foi depois reinterpretado por Freud, o primeiro que descreveu o narcisismo como uma patologia. Nos anos setenta, o sociólogo Christopher Lasch transformou a doença em norma cultural e determinou que a neurose e a histeria que caracterizavam as sociedades do início do século XX tinham dado lugar ao culto ao indivíduo e à busca fanática pelo sucesso pessoal e o dinheiro. Um novo mal dominante. Quase quatro décadas depois ganhou força a teoria de que a sociedade ocidental atual é ainda mais narcisa.

Este comportamento parece expandir-se como uma praga na sociedade contemporânea. E não só entre os adolescentes e jovens que inundam as redes sociais. “A desordem narcisista da personalidade –um padrão geral de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia– continua sendo um diagnóstico bastante raro, mas as características narcisistas estão certamente em alta”, explica a psicóloga Pat MacDonald, autora do trabalho Narcissism in the Modern World (narcisismo no mundo moderno). “Basta observar o consumismo galopante, a autopromoção nas redes sociais, a busca da fama a qualquer preço e o uso da cirurgia para frear o envelhecimento”, acrescenta em uma entrevista por telefone.

As pesquisas realizadas a partir de 2009 por Jean Twenge, da Universidade do Texas, são uma das principais referências para as hipóteses mais catastróficas. Depois de estudar milhares de estudantes norte-americanos, a psicóloga proclamou que esses comportamentos tinham aumentado no mesmo ritmo que a obesidade desde 1980” e haviam alcançado níveis de epidemia. Ela publicou dois livros –The Narcissism Epidemic (a epidemia do narcisismo), com Keith Campbell, da Universidade da Geórgia, e Generation Me (geração eu)—, nos quais afirma que os adolescentes do século XXI “se acham com direito a quase tudo, mas também são mais infelizes”.
  
Os traços narcisistas nem sempre são fáceis de reconhecer e, sendo moderados, não há por que serem um problema. São comportamentos egoístas, pouco empáticos, às vezes um tanto exibicionistas, de pessoas que querem ser o centro da atenção, ser reconhecidas socialmente, que costumam resistir a admitir seus erros ou mentiras e que se consideram extraordinárias (embora sua autoestima seja, na realidade, baixa). Um exemplo extremo, contado por Twenge, é o de uma adolescente que em um reality da MTV tenta justificar assim o bloqueio de uma rua para realizar sua festa de aniversário, sem se importar que haja um hospital no meio: “Meu aniversário é mais importante!”.

“A imagem conta mais do que o que fazemos, e queremos alcançar muitos sucessos sem esforço”, opina o psicanalista J.C. Bouchoux

Em outras ocasiões este tipo de comportamento é mais sutil, mais comum e, às vezes, mais prejudicial. É aquela pessoa que exige uma atenção exagerada a seus comentários e problemas e, se não consegue, conclui que é diferente dos outros e que nunca recebe o respeito que merece. Ou um chefe encantador que, de repente, faz você se sentir culpado por um projeto fracassado que era ideia dele. “Para tampar seus problemas, uma pessoa com elevado nível de narcisismo costuma buscar uma ou duas vítimas próximas, não precisa mais do que isso, mas pode tornar-lhes a vida impossível”, afirma o psicanalista francês Jean-Charles Bouchoux, autor de Les Pervers Narcissiques (os perversos narcisistas), que acaba de ser traduzido para o espanhol e vendeu mais de 250.000 exemplares na França. “Há um aumento do narcisismo porque agora a imagem conta mais do que o que fazemos e porque queremos ter muitos êxitos sem esforço”, opina.

Proliferam os casos na política –é difícil navegar na Internet sem ver o nome de Donald Trump associado ao narcisismo– e na televisão. O assunto fascina, como mostram os índices de audiência dos realities. Talvez a principal novidade sejam as redes sociais, lugar onde os millennials (nascidos entre 1980 e 1997) e os não tão millennials, os famosos e os não tão famosos, transformam o corriqueiro em algo extraordinário. Todos os dias são colocadas no Instagram 80 milhões de fotografias, com mais de 3,5 bilhões de curtidas: “Eu, comendo”, “Eu, com minha melhor amiga”, “Eu em um novo bar”. No Facebook, milhões de usuários dão detalhes de sua vida ao mundo. A Internet está nos convertendo não só em espectadores passivos, mas em narcisistas ávidos pela notoriedade fácil, obcecados por conseguir amigos virtuais e pelo impacto de nossos posts?

Convém ter muito cuidado com as fotos de si mesmo. Nem todos os que tiram selfies são narcisistas, mas um estudo realizado por Daniel Halpern e Sebastián Valenzuela, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, concluiu que as pessoas que tiraram mais fotos de si mesmas durante o primeiro ano da pesquisa mostraram um aumento de 5% no nível de narcisismo no segundo ano. “As redes sociais podem modificar a personalidade. Autorretratar-se, quando se é narcisista, alimenta esse comportamento”, explica, por telefone, Halpern. “Nas redes podemos nos mostrar como queremos que nos vejam. Essa imagem perfeita que acreditamos que os demais têm de nós pode alterar a que nós temos de nós mesmos”, adverte. Ter impacto nas redes pode causar dependência e também temor (o medo do vazio de uma postagem sem uma curtida sequer).

Além disso, o narcisismo crescente movimenta dinheiro. Um recente relatório do Bank of America Merrill Lynch calcula que o consumo relacionado com os produtos que nos fazem sentir melhor e tornam possível uma aparência à prova de selfies –chamam a isso de vanity capital– movimenta no mundo 3,7 trilhões de dólares (11,65 trilhões de reais). A lista inclui carros e outros artigos de luxo, cirurgias estéticas, vinhos de qualidade, joias e cosméticos.

Como chegamos até aqui? A inabalável corrida por conquistas pessoais exigida de jovens e adultos explica parte da ânsia narcisista. “A sociedade é hiperdemandante e hiperexigente. Agora, por exemplo, é preciso ter muitos amigos, vivemos hiperconectados. Meu pai não tinha amigos, tinha sua família, e era feliz”, explica Rafael Santandreu, psicólogo e autor de Ser Feliz en Alaska, que vincula o narcisismo –e a frustração que pode provocar– com a depressão, a ansiedade e a agressividade.

Há causas que nascem na infância. As teorias de Twenge tocaram em um nervo cultural ao culpar pais e educadores por terem criado uma geração de narcisistas dizendo-lhes o quanto são especiais, sem se importar com suas conquistas. Um estudo europeu publicado em 2015 na revista PNAS mostra que o narcisismo está relacionado a uma educação parental que sobrevaloriza os filhos, haja ou não fundamento. “São elogiados em excesso e, com o tempo, as crianças se consideram únicas”, explica um dos autores, Eddie Brummelman, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Infantil, da Universidade de Amsterdam. “A autoestima é confundida com narcisismo. O que é preciso cultivar é a autoestima, que se consegue com carinho, apoio, atenção e limites”, acrescenta.

Quer dizer que não se deve pensar grande? Não exatamente. Cultivar certo ego saudável é benéfico. É o que afirma Craig Malkin, psicólogo clínico da Escola de Medicina de Harvard. “Um pouco de narcisismo na adolescência ajuda os jovens a suportar a tempestade e o ímpeto da juventude. Só as pessoas que nunca se sentem especiais ou as que se sentem sempre especiais são uma ameaça para elas mesmos ou o mundo. O desejo de se sentir especial não é um estado mental reservado para imbecis ou sociopatas”, afirma em Rethinking Narcissism (repensando o narcisismo).

Craig integra o grupo que considera que a maioria dos estudos sobre narcisismo não tem sido justo com os jovens e que os que falam de epidemia exageram. O Inventário da Personalidade Narcisista, um questionário básico para os pesquisadores do mundo todo, incluindo Twenge, é falho, argumenta Craig. Entre outras coisas, esta ferramenta considera negativo querer ser um líder ou alguém dizer que é decidido. “As pessoas que gostam de dizer o que pensam ou que querem liderar são claramente diferentes dos narcisistas, que costumam recorrer à manipulação e à mentira.” Um exaustivo estudo publicado em 2010 em Perspectives on Psychological Science tenta refutar a teoria da epidemia. Foi realizado com um milhão de adolescentes nos EUA entre 1976 e 2006. Os pesquisadores encontraram pouca ou nenhuma diferença psicológica entre os millennials e as gerações anteriores, a não ser mais autoestima. Em uma tentativa de relativizar o problema, o estudo é aberto com uma frase de Sócrates: “As crianças de hoje [século V a. de C.] são umas tiranas. Contradizem seus pais, engolem a comida e tiranizam os professores”.

De um lado e outro do debate, não parece haver dúvida de que é recomendável fugir das pessoas com elevados níveis de narcisismo. Kristin Dombek resume isso bem em The Selfishness of Others (o egoísmo dos outros), ensaio em que analisa a abundância no mundo virtual anglo-saxão de informações relacionadas com os narcisistas, sobre como reconhecê-los e enfrentá-los: “Um desses blogueiros dizia: o que uma pessoa deve fazer quando conhece um narcisista? Colocar os tênis e sair logo correndo”.
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O “LIKE” E A AUTOESTIMA - Andressa Franceschi

Atualmente ao nos conectarmos a nossas redes sociais,nos deparamos com muitos fenômenos sociais,mas o que mais chama a atenção,é a quantidade de fotos superproduzidas ou supereditadas que muitas pessoas postam diariamente.

O que nos traz uma reflexão acerca da necessidade das pessoas de obterem likes ou curtidas,para se sentirem desejadas,amadas e até mesmo atraentes fisicamente. Muitos querem ser belos e ter suas vidas “perfeitas”, expostas nas redes sociais .Com isso,é gerada a crença de que se  você não  se expõe ,você não “existe” nesse  universo social.

Em nossa “modernidade líquida”,como descreve o sociólogo Bauman, as pessoas buscam preencher os seus vazios existenciais com leveza e liquidez,como ocorre nas redes sociais através de inúmeras postagens e curtidas. Por esse preenchimento não ser substancial,logo escorre dentre os dedos e novamente precisamos preencher com mais e mais fotos,mais e mais postagens e através da contabilização de curtidas que recebemos.

A ideia de obter reconhecimento e popularidade na rede tem viralizado entre as pessoas,de modo que já existem vários softwares que são utilizados pelos seus usuários com a finalidade de obter mais curtidas e mais seguidores,alcançando assim o seu pseudo status social.

A “política de vida”  nas redes,  deriva da pragmática de que  ter é muito mais que o ser. O individuo procura a autoafirmação quando passa a ter mais amigos,curtidas e fotos das mais variadas comidas,lugares, e  até mesmo de romances extremamente felizes,a fim de sobressair diante dos demais.

Emerge  então o conceito de que a vida é composta apenas de coisas boas , aquelas que postamos na internet. Contudo, sabemos que na realidade a vida é composta por diversos momentos,bons e ruins ,o que torna a vida um grande aprendizado.

Cabe ressaltar, que o fenômenos que presenciamos na rede são também reflexos da nossa sociedade atual,que está pautada no consumo, no capitalismo , que é estimulado por outras áreas como o marketing das grandes mídias.

E por que tudo isso também está relacionado com a autoestima? A autoestima esta relacionada a  autoimagem positiva que temos de nós.E quando não possuímos a plena convicção de quem somos,necessitamos em demasia do reconhecimento que vem do  externo,ou seja de outras pessoas.

E atualmente as pessoas têm buscado  esse reconhecimento externo nas redes sociais.Contudo , a autoestima desenvolve-se no mundo real.E para que se tenha uma construção sólida , esta deve ser  desenvolvida a partir do nosso interior e nas relações saudáveis que precisamos desenvolver com o  mundo,com o outro e  com nós mesmos.
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