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30 de mai de 2018

O MODO DE LEVAR A VIDA PODE TE TRANSFORMAR EM UM ANSIOSO

Como treinadora, eu trabalho com pessoas que têm dificuldade em administrar o seu stress e ansiedade. No entanto, elas encontram conforto na minha experiência e no fato de que eu também sofri com isso.

Há alguns anos atrás fui diagnosticada com ansiedade generalizada e transtorno do pânico, e foi colocada em uso de medicação. Dentro de dois anos, eu estava lutando contra um vício que me colocou em risco de vida: meus remédios de ansiedade e sobrevivi a uma overdose.

Para salvar a minha vida,embarquei em uma jornada pessoal de autodescoberta. Eventualmente, fui capaz de obter um melhor controle da minha ansiedade e largar mão dos remédios. Aprendi a fazer isso descobrindo que meu problema era o meu estilo de vida, e não a minha ansiedade.

Ao longo de anos de lidando com esse transtorno, eu aprendi que todos nós temos momentos de ansiedade (como quando temos que fazer um discurso em público), mas nem todos sofrem de transtorno de ansiedade.

Aqui estão 10 fatos que podem estar te deixando mais ansioso:

1. Você está bebendo muito café
O café tem sido associado ao aumento da ansiedade. Para lidar com a ansiedade crônica, é ideal evitar café e outros alimentos com cafeína. Ao invés de uma xícara de café na parte da manhã, experimente um suco verde. E tome cuidado com descafeinados: algumas cervejas têm mais cafeína do que os outros.

2. Você não é ativo o suficiente
Manter-se ativo é vital para reduzir o stress e ansiedade. Lembre-se: O exercício não precisa ser uma tarefa árdua. Faça uma aula de yoga. Um passeio no parque. Uma aula de dança. Apenas mexa-se! Isso trará maravilhas para a sua mente, corpo e espírito.

3. Você não está dormindo o suficiente
Ansiedade e depressão têm sido associadas à privação crônica de sono. Tenha em mente que o descanso e a recuperação são tão importantes quanto dieta e exercício, na busca de equilíbrio. Tenha pelo menos de sete a nove horas de sono.

4. Você está bebendo muito álcool
Depois de um dia longo e estressante, é comum relaxar com uma bebida. Beber ocasionalmente pode ter alguns benefícios para a saúde, porém o excesso de álcool aumenta sua ansiedade. Procure outras formas de relaxar que não envolvam bebidas. Uma xícara de chá de camomila sempre me acalma. Bônus: Reduzir o álcool vai ajudar o seu corpo e sua carteira.

5. Você não tem tempo para meditar ou administrar o estresse
A ansiedade se relaciona muito com a preocupação com o passado e / ou futuro. Meditação nos ensina a permanecer no momento presente, no qual a ansiedade é (muitas vezes) inexistente. Se você não tem uma prática regular, comece por sentar em silêncio por cinco minutos todos os dias. Adicione mais tempo gradualmente. Você ficará surpreso como pequenos passos podem ter um impacto incrível.

6. Você não tem amigos no trabalho
Ter uma forte rede social é uma ótima maneira de se sentir mais feliz e menos estressado. E ter amigos no trabalho é ótimo para o seu bem-estar. Muitos de nós passamos pelo menos oito horas por dia trabalhando, então por que não tornar essas oito horas agradáveis? Convide um colega de trabalho para tomar um suco ou fazer uma aula de yoga.

7. Você não tem tempo para se divertir
Cuidar de si não é um ato egoísta, e sim altruísta! Torne-se a sua maior prioridade. Mergulhe nas atividades que você gosta e delicie-se com as coisas que você ama. Faça do relaxamento uma prioridade, não um luxo. Passe um dia no spa. Arranje tempo para se divertir e apreciar a vida que você vive.

8. Você trabalha demais
Para muitas pessoas a maior fonte de estresse é o trabalho. Como não podemos controlar tudo em um local de trabalho, é importante nos concentrarmos no que podemos controlar. Quando seu dia de trabalho for cansativo, deixe-o ser cansativo! Mantenha seus problemas pessoais longe de seu trabalho. Administrar sua ansiedade não deve custar sua felicidade (ou do seu parceiro). Se você precisa discutir questões sobre o trabalho, encontre um profissional de saúde de confiança que pode ajudá-lo a encontrar estratégias de enfrentamento.

9. Você come muito açúcar
Estudos têm mostrado que comer muito açúcar o coloca em risco de doença cardíaca. Outros estudos compararam os efeitos do açúcar com o das drogas mais pesadas. Açúcar proporciona muitas vezes uma ruptura rápida de energia, seguido por um acidente – semelhante aos efeitos da cafeína. Isso faz com que seu corpo libere adrenalina e cortisol, que pode criar uma maior ansiedade e pânico. Ao invés de açúcar, são mais recomendados alimentos integrais.

10. Você está consumindo muita informação de televisão e mídias
Envolver-se nos assuntos triviais da vida de outras pessoas é uma maneira infalível para sentir stress, ansiedade e depressão. Um estudo recente da Fundação Pew descobriu que muitos usuários de mídias sociais absorvem o estresse que veem na mídia. (Sem mencionar o fato de que o tempo que você gasta na frente de uma tela pode ser usado para se exercitar ou meditar).

Livre-se de tudo que não esteja lhe servindo. Substitua sua obsessão pela novela das 21:00 por um bom livro ou uma aula de yoga.

A ansiedade é simplesmente uma forma de nossos corpos se comunicarem conosco. Nós devemos ouvi-lo. Temos que aprender a nos munir de ferramentas saudáveis ​​para nosso crescimento e desenvolvimento contínuo. Sua ansiedade está em suas mãos, o que você vai fazer com ela?
Texto traduzido do site Mind body green
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29 de mai de 2018

3 MITOS SOBRE A INFIDELIDADE

Existem muitos mitos sobre a infidelidade. É verdade que se trata de um acontecimento sério, que em muitos casais significa um ponto de virada. No entanto, a cultura também tem sido responsável por alimentar falsas convicções a respeito disso. Isso tem dado à infidelidade uma importância radical, que muitas vezes ela não merece.

É verdade que uma infidelidade causa grandes feridas. O casal nunca volta a ser o mesmo depois de um episódio como esse. Isso não significa que seja um problema sem solução, que deve originar traumas e tragédias pessoais.

Muitos dos mitos sobre a infidelidade nascem e são mantidos porque aqueles que os admitem ou os proclamam partem de um conceito idealizado do amor e do casal.  Pensemos que, no ser humano, nada é perfeito, muito menos um sentimento. Somos todos imperfeitos e estamos sujeitos a cometer erros, a não ser consequentes. O importante é saber como avaliar esses erros e voltar ao curso adequado a tempo.

“A infidelidade não é um ato de encontrar paixão em outros corpos, é um pretexto para reencontrar a paixão em si mesmo”.
-John Desiré-

1. Não há mais amor, um dos mitos sobre a infidelidade
Um dos mitos sobre a infidelidade diz que ela só acontece quando termina o amor pelo parceiro. Isso não é verdade. Neste caso, como em todos os outros, não se pode partir de uma perda para tentar entender o que aconteceu. É necessário avaliar a situação com cuidado e interpretá-la serenamente, especialmente se quisermos salvar a relação.

As circunstâncias e como a infidelidade ocorre dizem muito sobre isso. Pode ser algo acidental e irrelevante. Também pode ser um sinal de que há um conflito não resolvido no casal ou de que é o momento de fazer uma mudança. Não necessariamente de que já não há mais interesse pela relação.

O problema destes mitos sobre a infidelidade é que às vezes eles geram um sofrimento desnecessário. Ninguém gosta que seu parceiro seja infiel. No entanto, antes de sofrer uma tempestade interna, o importante é entender o que aconteceu.

2. Não há satisfação sexual na relação
Quando ocorre a infidelidade, também é comum que a autoconfiança da pessoa que a sofre seja prejudicada. Junto à raiva e a impotência causadas por algo que não se pode mais mudar, também se planta uma semente de dúvida sobre seu próprio valor e seu próprio desempenho na relação. “Será que eu não sou o suficiente?”

Um dos mitos sobre a infidelidade diz que você só procura um novo parceiro quando não há satisfação sexual com o parceiro atual. Isso pode ser verdade, mas na maioria das vezes não é. A maior parte das infidelidades é, acima de tudo, circunstancial. Ou seja, não compromete os aspectos da base do casal.

É possível que alguém busque a novidade ou simplesmente que se sinta lisonjeado por despertar o interesse de outra pessoa e queira recriar essa sensação, reforçando-a. Também é possível que se deixe levar pelo desejo de querer ser sedutor ou sedutora. Ao mesmo tempo, não têm dúvidas de que amam e desejam seu parceiro. É simplesmente uma questão de imaturidade e egoísmo, que às vezes não é ponderada com o tempo.

3. A infidelidade nunca deve ser perdoada
Outro dos mitos sobre a infidelidade diz que jamais devemos perdoá-la, sob quaisquer circunstância. Fazer isso seria perder o respeito no casal e só levaria a uma repetição desse comportamento, milhares de vezes. Isso também não é verdade, ou pelo menos não é verdade para muitos dos casais.

Uma infidelidade não deve ser tomada como se o outro tivesse simplesmente escovado os dentes. Mas tampouco deve ser elevada à categoria de uma tragédia grega sem solução. O que deve ser feito é avaliar as circunstâncias em que ocorreu e, mais especificamente, a qualidade da relação mantida com o parceiro.

Algo é certo: uma infidelidade terá o peso que atribuímos a ela, e as consequências dependerão de muitas variáveis, incluindo a gestão pessoal que fazemos dessa infidelidade. Pode ser um fato que exija atenção, reflexão e diálogo, causando feridas profundas que levam tempo para cicatrizar. O importante é que teremos muito a fazer nessa duração e na constituição da nova pele.

O realmente relevante em um casal é o sentimento que os une e a qualidade do vínculo. Até nos casais mais felizes pode haver momentos de crise. Os seres humanos são ambíguos e contraditórios. Somente se compreendermos e aceitarmos isso, poderemos entender que a realidade não se apresenta em preto e branco, e que os mitos sobre a infidelidade devem ser derrubados.
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28 de mai de 2018

DESFORRA - Mario Sergio Cortella

A palavra “desforra”, ideia de desagravo, não significa “vingança”. Há várias pessoas que fazem identificação entre esses termos. 

A noção de desforra é quando você se liberta. “Forro”, de onde vem a palavra “alforria”, é aquele que está livre, portando, desforra é quando você se liberta do que te prejudicava, do que provocou algum sofrimento. Desforra é também quando se tem o desagravamento, isto é, em que se perde a gravidade de algo que te agravava, que te atingia.

Nesse ponto de vista, a ideai de desforra não necessariamente se conecta com vingança. Aliás, nem deve. Uma desforra está mais próxima da ideia de justiça, isto é, daquilo que é justo do que realmente algo que seja um troco para prejudicar a outra pessoa.

O jornalista francês Georges Benamou, que cobriu a Revolução Espanhola, em sua obra O caminho da Cruz das Almas, escrever que, “a partir de certa idade, a glória se chama desforra”. Isto é, quando nós, a partir de certa idade, percebemos que estávamos certos de algo e só agora as pessoas passam a entender e reconhecer aquilo.

Portando, esse desagravo, que de certa maneira a idade mais avançada pode trazer, dá, sim, alguma glória, algum gosto, alguma satisfação de ser daquele modo.
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22 de mai de 2018

PROCRASTINAÇÃO: O HÁBITO DE ADIAR A PRÓPRIA VIDA - André Cabette

Adiar cotidianamente responsabilidades pode fazer com que você chegue 20 minutos mais tarde no trabalho todo dia ou atrasar por anos a entrega de uma dissertação

PROCRASTINAÇÃO PODE 
CUSTAR HORAS DE ESTUDO 
OU ADIAR POR ANOS 
A TOMADA DE UMA DECISÃO 

 “Eu atraso todos os dias no trabalho. Faço pequenas coisas aleatórias que demoram de 5 a 10 minutos. Na internet. No banheiro. Na cozinha. Deus sabe o que acontece, mas todo dia eu chego no trabalho 9h20. E isso ocorre há anos.”

Esse post anônimo do fórum de discussões Reddit resume um problema enfrentado por muita gente na batalha diária entre trabalho e atividades paralelas, como discussões no Facebook, jogos on-line, um pulo naquele encontro de amigos e devoradores de tempo em geral: a procrastinação. A palavra quer dizer adiamento, delonga. 

Para quem sofre com o problema cotidianamente, em geral consiste em trocar a execução de uma tarefa importante, mas pouco prazerosa, por pequenas distrações. O hábito de perder o horário para o trabalho, apesar de ter consciência sobre o sofrimento que essa atitude pode gerar, mostra como pode ser difícil deixar de procrastinar. 

A prática pode servir para adiar atividades mais prosaicas, como arrumar o quarto ou responder a um e-mail. Mas também outras mais relevantes, como terminar um relacionamento, escrever a dissertação de mestrado ou dar os passos para mudar de carreira. 

Além do estresse cotidiano de chegar atrasado, a procrastinação pode tornar irrealizáveis atividades complexas que exigem constância e persistência, como aprender a tocar um instrumento, ou finalizar um livro. Os resultados são: frustração, baixa autoestima e uma gaveta abarrotada de projetos não realizados.

De onde vem a procrastinação?
De acordo com o professor Hélio Deliberador, do departamento de psicologia social da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a procrastinação vem da dificuldade de elencar e agir de forma prática de acordo com prioridades. Essa dificuldade é agravada pela oferta de distrações do mundo digital.

“Esse adiamento constante é um mal de nosso tempo, onde as pessoas têm várias maneiras de se perder. Elas deixam de fazer um planejamento adequado de suas vidas e se perdem em atividades secundárias.”  - Hélio Deliberador, Professor do departamento de psicologia social da Pontifícia Universidade Católica.

Medo de falhar Procrastinadores perfeccionistas
Uma causa de fundo constantemente associada à procrastinação é o medo de falhar. Segundo a psicóloga Sally-Anne McCormack, esse é o motivo pelo qual perfeccionistas são com frequência procrastinadores.

 “Perfeccionistas são grandes procrastinadores porque querem que tudo seja perfeito. Vão evitar realizar uma tarefa para a qual tiveram duas semanas até a noite anterior ao fim do prazo, para poderem dizer: ‘claro que eu não consegui um resultado 100%. Eu não tive tempo o suficiente para fazê-lo’." -  Sally-Anne McCormack,Psicóloga.

Procrastinador indeciso
Outro perfil comum de procrastinador é o procrastinador indeciso: aquele que adia, de propósito, a tomada de uma decisão. De acordo com Joseph D. Ferrari, psicólogo da universidade de DePaul, em Chicago, e autor de livros sobre a procrastinação, a indecisão é outra forma de justificar um fracasso.

“Claro que compilar fontes de informação é útil e produtivo, mas algumas pessoas parecem ser incapazes de tomar decisões - esses são os procrastinadores mais sérios. Eles deixam que outros decidam por eles, para que não haja culpa a ser atribuída a eles.” - Joseph Ferrari, Professor de psicologia adaptativa da DePaul University, em Chicago e autor de livros sobre a procrastinação.

Culpa e estresse.
Pequenos prazeres, como assistir a uma série na Netflix ou conversar com amigos no Facebook, evitam momentaneamente o estresse. Mas de forma parcial. Em geral, o procrastinador sabe que está apenas  desviando do trabalho da faculdade, da noite de estudos ou do processo de se arrumar para o trabalho e se sente culpado por isso.

Mesmo na hora em que são vividos, esses prazeres são maculados pelo remorso. Para quem se atrasa constantemente com a procrastinação, o sentimento é de que o tempo não basta. De que a vida é uma correria constante. No longo prazo, o sofrimento é maior, seja por entender que o tempo foi desperdiçado em uma tarefa improdutiva e pouco prazerosa, seja pelo estresse de não entregar o trabalho exigido.

 “Muitos não veem a procrastinação como um problema sério, mas como uma tendência comum a ser preguiçoso ou ocioso. Mas é muito, muito mais. Para os procrastinadores crônicos, não é uma questão de administração de tempo - é um estilo desajustado de vida.”  - Joseph Ferrari, Professor de psicologia adaptativa da DePaul University, em Chicago e autor de livros sobre a procrastinação.

 Como lidar com a procrastinação
 Para mudar seus hábitos, o procrastinador precisa treinar a própria mente a encarar as coisas de uma outra forma, um processo que pode demorar meses.

“Você literalmente tem que treinar a sua mente a lidar com as coisas de uma forma diferente do seu padrão - então você tem que estar preparado para realizar esse investimento.” - Guy Wich, Psicólogo e autor de ‘Primeiros-socorros emocionais’

Buscar um psicólogo ou um psiquiatra são recomendáveis para os casos de procrastinadores crônicos, afirma Deliberador, da PUC. 
Segundo Sally Anne McCormack, quem deseja parar de procrastinar deve seguir esses passos:

PARA DEIXAR DE ADIAR
  • Evitar distrações - Uma boa forma de evitar procrastinação é evitar distrações. Se for estudar, limpe sua mesa e se comprometa a não fazer paradas para um lanche, por exemplo. Se for difícil criar um ambiente para a concentração em casa, vá para outro local, como uma biblioteca pública, por exemplo.
  •  Dividir seus problemas - Um dos motivos pelos quais procrastinadores adiam vem do fato de imporem a si mesmos desafios grandes demais para abordar. Uma boa forma de lidar com esses desafios é dividi-los em pequenas etapas. Escrever uma dissertação é uma tarefa menos assustadora quando pensamos em um número de páginas por dia
  • Adotar prazos - Trabalhos escolares ou a declaração do Imposto de Renda têm prazos bem definidos, mas muitas outras tarefas pequenas, não. Se você tem um e-mail que precisa responder, ou precisa arrumar o seu quarto, defina um prazo final e se atenha a ele.

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19 de mai de 2018

POR QUE É TÃO DIFÍCIL EXPRESSAR SENTIMENTOS?

Alguma vez você já sentiu ou pensou que alguns sentimentos são difíceis de serem expressados? Acho que todos nós já pensamos nisso alguma vez. Não costuma ser fácil expressar alguns sentimentos como raiva, tristeza, amor, etc. Se conhecermos o motivo que torna difícil expressar nossos sentimentos para o mundo externo, será mais fácil resolver a questão.

Habitualmente, não expressar o que se sente cria frustração, e se formos guardando as coisas, no final, isso pode virar estresse. A seguir, listamos os 6 motivos mais habituais que dificultam dizermos o que sentimos:

1. Perfeccionismo
Muitas pessoas pensam que os sentimentos negativos não deveriam ser sentidos, quando, na realidade, todo ser humano já sentiu alguma vez medo, raiva, ansiedade, tristeza, etc. Algumas pessoas os reconhecem e colocam para fora o que sentem, enquanto outros escondem pois pensam que é ruim se sentir mal.

O perfeccionismo neste sentido é um pensamento irracional, porque não há seres humanos perfeitos que não se sintam mal alguma vez. A maior valentia é reconhecê-lo. Esconder e guardar o que se sente, a longo prazo, poderia causar problemas para a saúde. Caso não seja possível se expressar dentro de um ambiente de confiança, pelo menos seria bom escrever e liberar toda a negatividade sentida.

2. Medo da rejeição
Com frequência, o medo da rejeição está por trás da incapacidade de mostrar sentimentos, sobretudo os relacionados ao amor. Costumamos acreditar que se nos declaramos e não formos correspondidos, será humilhante, quando, na realidade, não sermos correspondidos não é algo tão ruim, não tem nada a ver com valor pessoal.

Também, com frequência, as pessoas deixam de expressar as discordâncias por medo da rejeição, quando, na verdade, é muito melhor que alguém nos rejeite por mostrarmos nossas opiniões verdadeiras do que se cale para nos contentar, pois assim poderemos ver se tal pessoa nos aceita como realmente somos.

3. Medo de entrar em conflito
O medo de entrar em conflito consiste em não expressar as opiniões pessoais para não causar dano ou incomodar os outros. Esse medo de incomodar costuma ser das pessoas que não se veem capazes de enfrentar uma discussão calorosa, e temem não estar à altura quando o outro perder o controle das emoções.

Com esse medo, a tendência é fugir dos problemas em vez de enfrentá-los com as nossas opiniões, o que poderia afetar a autoestima, já que ficar quieto para não incomodar ou não causar danos indica que damos mais importância aos demais do que a nós mesmos.

4. O poder da adivinhação
Consiste em se manter em silêncio. Não falamos sobre os nossos pensamentos porque acreditamos que os demais são obrigados a saber o que acontece conosco. Sem expressar o que sentimos, desejamos que os outros adivinhem e nos ajudem sem precisarmos pedir.

Isso costuma acontecer em famílias ou amizades íntimas, pois acreditamos que, pelo fato de nos conhecerem bem, deveriam saber o tempo todo o que ocorre conosco, e por isso deveriam nos ajudar justamente no momento em que precisamos.

É um pensamento muito errôneo, porque por mais que nos conheçam, é difícil adivinhar do que cada um precisa e o que sente em cada momento.

5. Dar tudo como perdido
Consiste em ter um pensamento tão negativo que acreditamos que, por mais que expressemos nossos sentimentos, o caso não terá solução. Então, a pessoa não libera o que sente porque não acredita que algo possa ser solucionado.

Essa falta de esperança pode desencadear um grande mal-estar e tristeza, porque sem uma visão positiva e esperançosa, pode-se cair no estancamento. A pessoa se deixa levar pela corrente sem fazer esforço, porque pensa que nada poderá ser feito, por mais que se diga o que sente.

6. Baixa autoestima
Uma baixa autoestima provoca a incapacidade de expressar sentimentos. Quem sofre com ela pensa que não tem o direito de pedir nada e que a sua opinião própria não interessa aos demais, de forma que é preferível guardar as coisas.

Se a própria pessoa não enxergar seu valor, não acreditará que vale a pena expressar-se diante do mundo. Devemos lembrar que cada ser humano desse planeta pode fazer algo valioso e pode ser importante para alguém. Sempre é possível ser brilhante em alguma faceta, então dê-se o valor que você merece, já que temos os mesmos direitos de qualquer outra pessoa.
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18 de mai de 2018

EXISTE CIÚME SAUDÁVEL? - Luiz Mateus Pacheco

 O ciúme é um daqueles sentimentos que a gente veste de monstro e prefere varrer para baixo do tapete. É algo negativo, na opinião da maioria das pessoas, difícil de olhar e constrangedor.

Há quem diga que é um verdadeiro veneno para os relacionamentos – e realmente pode ser! Mas será mesmo que o ciúme é sempre negativo?

Existe uma medida de ciúmes que não apenas é saudável, como também vital para um relacionamento. Amor nenhum dura por muito tempo sem ele, ou pelo menos não o desejo.

O desejo é uma estrutura delicada; é uma força sempre em tensão, pois necessita de elementos em oposição para existir. Sem dúvidas, é preciso alguma proximidade: para que o amor possa nascer, torna-se necessária alguma semelhança e intimidade. Afinal, é do desejo de união que nasce o amor. Por outro lado, ele precisa do completo oposto: distância. 

Sim, o desejo exige certa diferença. Sem que algo me escape, não posso desejar, não é mesmo? Pois é a própria falta o seu motor.

O ciúme, nesse sentido, nos lembra que o outro não é nosso. Faz recordar que há sempre algo nele que nos escapa, um instigante mistério. Ele abala nosso chão e acrescenta uma pitada de risco na relação – na estrutura triangular, corresponderia ao calor necessário para acender esse fogo.

O ciúme nos lembra que sempre temos algo a conquistar, que sempre é possível haver um território novo a desbravar. 

Ele é um lembrete constante do valor de nossos amores, pois, se não houver o risco, o excesso de segurança pode ser tornar entediante e desestimulante.

Este ciúme é diferente do ciúme patológico. Ele não almeja controlar e não busca uma proximidade sufocante. 

Pelo contrário: tolera a distância, porque sabe que nela é que brota sua razão de existir, o amor.
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17 de mai de 2018

GHOSTING: A FRIA ESTRATÉGIA DE BLOQUEAR PESSOAS PARA TERMINAR RELAÇÕES


Todos nós já fizemos uso do botão “bloquear” em nossas redes sociais pelo menos uma vez na vida. Ou ao menos apagamos alguém. Às vezes isso é melhor para nós, ou até mesmo necessário. Mas também pode ser cruel se diz respeito a uma fria estratégia para terminar uma relação amorosa ou uma amizade, também chamada de ghosting. Basta um clique e pronto, a pessoa desaparece. Assim, uma distância é estabelecida e não há outra opção que não o silêncio. E isso tudo sem qualquer explicação.

As redes sociais, queiramos ou não, são muitas vezes um reflexo da nossa vida real. Em cada like, cada palavra escrita ou em cada foto publicada fica ali, impressa, alguma característica da nossa personalidade. Os algorítmos virtuais são reflexos da nossa essência e do nosso comportamento. Os desenvolvedores os programaram para isso, e podemos perceber nós mesmos. Por isso, nada do que acontece online é por acaso.
  
Eliminar pessoas nas redes sociais é um comportamento que vem crescendo, mas muitos buscam essa estratégia virtual para dar um fim a relações significativas do mundo real por meios artificiais.

Por isso, aquele simples movimento de clicar no botão “desfazer amizade” na página do amigo ou pessoa que decidimos tirar da nossa vida é algo cada vez mais estudado pelos psicólogos e criadores de diversas redes sociais. Desde a criação do botão “unfollow” em 2009, no Facebook, seu uso não para de crescer. O que ocorre é que essas plataformas online são reflexos quase perfeitos dos mesmos fenômenos sociais que nos rodeiam no mundo físico. Ao mesmo tempo que o mundo virtual reflete esse mundo muitas vezes chamado de real, ele também tem influência sobre esse e sobre o modo como nos relacionamos.
Veremos mais a seguir.

Bloquear ou apagar pessoas pode ser um comportamento útil em alguns casos

O comportamento dos usuários do Facebook, do Twitter e agora também do Instagram está mudando nos últimos anos. Poderíamos dizer que, de algum modo, está amadurecendo. Hoje não se dá mais tanto valor para o número de amigos como se dava antes. Anteriormente, procurava-se acumular um número enorme de amigos nas redes sociais, mas hoje isso não é mais tão valorizado. Quanto mais velha a pessoa, mais fácil de observar essa tendência. Essas pessoas querem dar um uso mais sério, profissional ou produtivo para suas redes sociais.

Para isso, a estratégia de bloquear ou apagar pessoas não é apenas adequada como também necessária em alguns casos. Com essa ação é possível evitar os famosos spams ou mensagens indesejadas – aqueles usuários incômodos que nada têm a nos oferecer ou que simplesmente nos incomodam. Tentamos com isso separar o joio do trigo. Além disso, com essa ação estamos também reafirmando a já conhecida teoria do número de Dunbar.

Essa teoria foi proposta pelo antropólogo Robin Dunbar nos anos 90. Segundo ele, as pessoas podem ter relações mais ou menos significativas – conhecer pelo menos um pouco – com no máximo 150 pessoas. Nessas relações podemos incluir também os usuários com os quais interagimos de forma habitual e enriquecedora nas redes sociais, mesmo que não os conheçamos pessoalmente.

Por isso na atualidade estamos cada mais propícios a usar filtros no mundo virtual, para tentar controlar a quantidade de informação e harmonizar nossa vida. Demos um passo adiante, e a maioria busca o mesmo equilíbrio que é buscado na vida real nas redes sociais.

Ghosting: terminar relações significativas com apenas um clique

Então já sabemos que geralmente buscamos a redução dos contatos nessas sociedades cibernéticas a fim de ter o mesmo equilíbrio que buscamos na vida real. Algo que num primeiro momento pode parecer bastante positivo, na realidade não é tanto: também há uma faceta bastante cruel desse comportamento. A razão é a seguinte: muitas vezes integramos essas ações que são normais no mundo virtual no nosso repertório de ações do mundo real.

Dessa forma, há pessoas que diante de um desentendimento com um colega de trabalho escolhem bloquear a pessoa ou apagá-la de suas redes sociais em represália. Outros fazem isso até com amigos. Para piorar, essa dinâmica chegou nos relacionamentos amorosos com o que hoje apelidamos de ghosting, que é uma referência à palavra fantasma em inglês: ghost. Essa é a prática em que uma pessoa do casal deixa a outra sem qualquer possibilidade de contato e de buscar qualquer explicação diante de bloqueios nas redes sociais. Desse modo, além de só ter a opção do silêncio, a pessoa também fica impossibilitada de ver as redes sociais de seu ex.

Algumas pessoas devem achar que, ao eliminar alguém do seu mundo virtual, conseguem também fazer o outro desaparecer do mundo real. Pensam talvez que a outra parte entenderá prontamente e compreenderá essa ação. O que esse tipo de prática gera, no entanto, não é nada além de sofrimento. As vítimas ficam suspensas em um limbo emocional em que é muito difícil refletir sobre o significado do ocorrido, entendê-lo e dar um fechamento para a situação.

Agora, por mais desesperadas e imaturas que essas ações e esses comportamentos nos pareçam, há algo importante para refletir. Não devemos jogar a culpa apenas na tecnologia, nem culpar os criadores e os programadores das redes sociais que usamos todos os dias. Esses cenários virtuais apenas refletem o mundo em que vivemos, e o ghosting reflete a dificuldade de comunicação que é muitas vezes inerente aos seres humanos.

Bloquear ou apagar pessoas com um clique torna a vida de quem tem dificuldade de se comunicar muito mais fácil. É rápido, indolor para quem o faz, e o melhor de tudo é que evita aquele encontro cara a cara com a pessoa em que são ditas frases como “eu não te amo mais”, ou “não tenho mais vontade de ficar com você” ou “não te quero mais na minha vida por essas razões”. O ser humano tem uma relação com a capacidade de se comunicar com efetividade que não é das melhores. Com o desenvolvimento da tecnologia, estamos criando uma distância ainda maior entre o que acontece e o ideal.

O ideal é aprender a lidar com as pessoas e com nossos problemas no mundo real. Porque o botão de apagar dos nossos celulares e redes sociais, no fim das contas, não soluciona nenhum conflito da nossa vida cotidiana.
Fonte: A mente é maravilhosa
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16 de mai de 2018

OS SINTOMAS OCULTOS DA TRISTEZA

Os sintomas ocultos da tristeza podem se camuflar de infinitas formas. Esse mal-estar do qual tentamos nos defender e que impacta o nosso equilíbrio psíquico pode se manifestar frequentemente na forma de aborrecimento, mau humor, apatia, cansaço, etc. É uma presença que invade e se sobrepõe a tudo: nossa mente, nosso corpo, nossa motivação…

Frequentemente, costuma-se dizer que existem pessoas com os mais bonitos sorrisos, mas que seriam capazes de nos contar as mais tristes histórias. É uma realidade. Porque poucas emoções nos passam despercebidas e são, por sua vez, difíceis de conduzir, entender e, claramente, de administrar.

“Hesito em chamar com o belo e sério nome de tristeza esse sentimento desconhecido cuja doçura e dor me deixam obcecada. É um sentimento tão completo e egoísta que me chega a dar vergonha, ao mesmo tempo em que a tristeza sempre me pareceu honrosa”.
– Françoise Sagan –

Poderíamos comparar a tristeza à luz piscando que aparece em nosso carro nos avisando que está acabando o combustível. Podemos vê-la, mas muitas vezes não damos atenção a esse sinal de alerta e escolhemos seguir em frente, como se nada estivesse acontecendo. É então que tudo começa a dar errado, quando não nos restam forças e o mundo parece ir mais depressa do que o normal, quando nos sentimos atrasados, fora de sintonia e presos em uma estranha vala com uma inexplicável sensação de irrealidade.

Entender esses sintomas ocultos da tristeza nos ajudará a reagir muito antes. Identificá-la e tornar-se mais receptivo às pistas pode nos permitir lidar melhor com esses estados. É essencial direcionar nosso olhar ao centro dessa complexa emoção para saber o que ela quer nos dizer. Entender isso nos ajudará a nos adaptarmos muito melhor ao nosso dia a dia.

A tristeza, essa grande incompreendida
Existe um livro muito interessante intitulado “O poder positivo das emoções negativas”, dos psicólogos Anthony Horwitz e Jerome Wakefield. Nele descobrimos que as pessoas, em geral, veem a tristeza como algo incorreto, algo patológico, do qual é melhor não falar. É isso que a pessoa escolhe engolir, essa presença incômoda que disfarçamos e esperarmos que vá embora naturalmente.


Assim, e em referência a isso, é importante sinalizar que o campo da psicologia positiva está experimentando um avanço muito destacável. É o que vem sendo conhecido como a “segunda onda”. Esse novo enfoque leva à tentativa de entendermos algo essencial: há fenômenos emocionais tão complexos que é impossível classificá-los com positivos ou negativos. É um tipo de ocorrência que tem o amor como possível exemplo.

Quando amamos alguém, é comum experimentarmos as mais incríveis felicidades e, instantaneamente, a mais absoluta desolação. As emoções, assim como a própria vida, podem variar da luminosidade à escuridão em um mesmo minuto. Elas têm nuances muito ricas. Com a tristeza ocorre o mesmo. Estamos acostumados a nomeá-la como “negativa”. No entanto, esquecemos tudo que essa sensação pode nos proporcionar, nos inspirar. Bem compreendida e administrada, pode promover em nós mesmos mudanças significativas (e muito positivas).

Sintomas ocultos da tristeza

Como já podemos pressentir, os sintomas ocultos da tristeza são muito amplos e heterogêneos. Por sua vez, cada pessoa pode experimentá-los de um modo particular. Contudo, existem eixos comuns, realidades habituais que podem ser recorrentes. Vamos vê-las a seguir.

Aborrecimento frequente, mau humor, raiva
A fúria frequentemente é o disfarce da tristeza. É sua válvula de escape, seu canal de expressão. É a reação emocional que emerge na forma menos adequada.

Quando não somos capazes de olhar para o que ativa essa tristeza ou quando nos negamos a aceitar uma realidade, surge o aborrecimento. Aparece a frustração e, no pior dos casos, a raiva.

Cansaço, lentidão psicomotora, dor muscular
As emoções são sábias, e a mais sábia de todas é a tristeza. Assim, quando há algum ponto importante que tentamos ignorar, ao qual não prestamos atenção, nosso cérebro reduz nossa energia para nos obrigar a “ir mais devagar”. O objetivo é nos fazer dedicar tempo à introspecção, a desfazer esse nó emocional.

Por isso, é comum experimentar cansaço, insônia e inclusive dor muscular. É um aviso para que o façamos, para nos determos.

Uma mente dispersa, incapaz de centralizar a atenção
Muitas vezes costuma-se dizer que não há emoção mais inspiradora que a tristeza. É uma realidade evidente, um desses sintomas ocultos da tristeza que deveríamos ter presente.

Essa mente dispersa, que busca escapar da realidade, anseia por um novo cenário em que possa se expressar, estar em solidão. É então que evitamos o contato social, quando o mundo nos parece estranho. Precisamos de intimidade e de um canal de expressão.
Escrever, desenhar, compor… Todas estas são práticas muito apropriadas para deixar que nossa mente encontre um refúgio. Necessitamos, portanto, de uma prática onde despejar nossas emoções e trazer à luz a forma autêntica da nossa tristeza.

Maior sensibilidade
Outro sintoma oculto da tristeza é a sensibilidade. Essa emoção nos deixa muito mais empáticos às emoções alheiras, nos conecta mais aos assuntos do coração do que aos da mente. É ela que coloca nosso olhar em nuances que antes passavam despercebidas…

Podemos passar horas vendo como as gotas de chuva caem como um cristal. Podemos também deixar passar o tempo enquanto vemos como o vento move as folhas das árvores… São detalhes que, em um dado momento, podem nos induzir inclusive às lágrimas, e com isso ao alívio emocional.

Em conclusão, estamos certos de que mais de uma pessoa se sentirá identificada com muitas dessas características. Contudo, além de reconhecermos esses sintomas, há um feito ainda mais importante: olharmos a tristeza de outro modo. Essa emoção tem como finalidade propiciar nosso desenvolvimento psicológico.

Ela nos encoraja a nos recolhermos no caracol de nossa introspecção para nos conectarmos com nosso eu. Quer que naveguemos em nossas necessidades, que nos tratemos com compaixão, que despertemos. A tristeza quer reflexão e anseia por mudanças. Devemos escutá-la com mais frequência, pois a tristeza é uma emoção que fala.
Fonte: A mente é maravilhosa.
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6 de mai de 2018

EU POSSO, SIM, CORTAR PESSOAS DA MINHA VIDA PARA SEMPRE - Marcel Camargo

 
Cortar quem nunca sabe elogiar, quem nos usa como segunda opção, quem é maldoso, quem regula amor. E, quando lhe disserem que você não pode cortar as pessoas da sua vida, apenas responda: “ah, tá”.

Há uma ideia geral de que não podemos simplesmente tirar de nossas vidas as pessoas que já fazem parte dela. No entanto, quem há de negar que manter alguém que azucrina e não agrega nadica de nada só traz decepção? Logicamente, ninguém é perfeito e teremos, em muitos momentos, que tentar entender o outro, analisando se o erro não estará justamente em nós. Ainda assim, existem pessoas que não deverão continuar junto, simplesmente porque nunca estiveram junto de fato.

Cortar quem nunca sabe elogiar, apenas criticar e ridicularizar sutilmente. Existem pessoas que não sabem fazer outra coisa a não ser falar o que temos de negativo, como se somente enxergassem o nosso pior. Precisamos de alguém que nos alerte para nossos comportamentos indesejáveis, mas não é somente o indesejável que faz parte de nós. Se nada tivermos de bom para o outro, então que nos deixe em paz.

Cortar quem nos usa como segunda opção. Se nunca somos lembrados para as horas de lazer e de descontração, se nunca recebemos uma mensagem, que seja um “oi”. Se nunca somos a primeira opção, mas sempre o amigo estepe, é hora de repensar o relacionamento. Ninguém poderá estar disponível nas vinte e quatro horas do dia, porém, quem nunca dá o ar da graça não sente nossa falta. Fato.

Cortar quem é maldoso. Gente ruim não deve ter espaço perto de quem não prejudica ninguém, de quem tem a história limpa, de quem erra querendo acertar, querendo o melhor, sem pisar ninguém nesse percurso. Existem pessoas que fazem do veneno seu meio de vida, espalhando boatos, puxando tapetes, traindo a lealdade de quem quer que seja. Nossa energia não deve ser maculada por quem não sabe ser feliz e trama todo dia pela queda do outro. Cortemos.

Cortar quem regula amor. Uma das piores coisas que existem é a mendicância afetiva. Ter que implorar por carinho, por atenção, por ser visto, escutado, percebido, isso é humilhante demais. Jamais o medo da dor do rompimento poderá ser maior do que a dignidade de exigir reciprocidade afetiva. Alguns só conseguirão distribuir esmolas sentimentais; outros, nem isso. Passe longe.

Poucos serão os momentos em que poderemos desfrutar daquilo que realmente nos faz bem, de lazer, de convívio sincero. Não dá para gastar tempos preciosos com gente à toa, que não muda, que não quer ser ajudada, que só quer mesmo é ferrar com tudo e com todos. Quando lhe disserem que você não pode cortar as pessoas da sua vida, apenas responda: “ah, tá”.
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5 de mai de 2018

ESTUPIDIFICAÇÃO HUMANA - Isabela Spínola

Este é precisamente o momento em que realizamos que a concentração de poder tem apenas por fim a manipulação de sociedades, pela necessidade de ordem social que o ser humano necessita. Se assim não o fosse, ainda hoje seríamos um neandertal. Quem não chegou a esta fronteira de pré-loucura jamais identificará a manipulação diária de que é alvo.

Algumas das características que os aprendizes de vida possuem, são a certeza de que nunca saberão demasiado, a busca da verdade na sua essência e um acesso ilimitado aos mais diversos e coloridos mundos.

Aprender é uma vontade inata e natural, não se aprende a ter vontade de aprender, é preciso ser curioso, é preciso não se bastar, é preciso constatar, é preciso conhecer, é preciso ver as formas na sua forma original. A fome de conhecimento desemboca num cérebro em contínua expansão, para quem não bastam as verdades comunitárias e colectivas.

Nietzsche, um dos meus aprendizes preferidos, foi para muitos um insano, para outros um génio. Incapaz de lidar com a sua condição de ser emocional, enveredou pela misoginia, passando mais tarde por diversos estados de loucura, pela frustração que lhe causava o não reconhecimento público das suas obras.

Nietzsche dedicou toda a sua vida ao aprendizado, deixando hábeis e preciosos escritos, que apenas traduzem o comportamento humano e o impacto deste na sociedade. Aponta como sendo o exercício mais difícil o auto-conhecimento, não pela carga reflectiva que tal implica, mas antes pela necessidade de superar os nossos próprios limites, para que seja possível identificá-los e assim balizá-los.

As saídas da zona de conforto, são desconfortáveis efectivamente, mas sem passar por elas, nunca saberemos do que somos capazes, e não tendo este conhecimento, nunca nos conheceremos realmente.

O auto-conhecimento está aberto a todos, todavia, apenas os aprendizes lá chegarão. Não por serem melhores, apenas porque são mais curiosos, e esta viagem é sempre traçada na vida de um aprendiz. Cedo ou tarde algum caminho desembocará no auto-conhecimento. O que move os aprendizes na vida é apenas um motor: a busca da essência. Este tema interessa a alguém? Possivelmente não, nem tão pouco é sujeito a juízos de valor a inércia intelectual.

A essência da verdade apenas interessa aos aprendizes, que com o seu espírito inconformista e analítico esmiúçam a fundo qualquer tema que lhe desperte interesse. Este é o patamar onde os conceitos se confundem, e frequentemente duvidamos deles, sendo necessário um mergulho ainda mais profundo nos pântanos do conhecimento.

O homem reduzido à sua essência, é um animal controlado. Questiona-se qual a necessidade de racionalidade, porque não vivemos apenas como os animais irracionais, porque tivemos de dar este uso à nossa racionalidade, qual o objectivo da racionalidade afinal.

Este é seguramente um patamar irreversível e onde identificamos que somos sempre essência pura não formatada sem necessidade física ou mental de produtos massificados (neste ponto recomendo vivamente a leitura de José Saramago no seu "Ensaio de Cegueira").

A zona de perigo (se é que assim poderei chamar) desta constatação
reside apenas no isolamento social que tal pode provocar, podendo chegar já a um estado de pré-loucura nietzschiana. Este é precisamente o momento em que realizamos que a concentração de poder tem apenas por fim a manipulação de sociedades, pela necessidade de ordem social que o ser humano necessita.

Se assim não o fosse, ainda hoje seríamos um neandertal. Quem não chegou a esta fronteira de pré-loucura jamais identificará a manipulação diária de que é alvo.

Um dos grandes pilares que fomentou a manipulação nas sociedades ocidentais, foi sem dúvida a religião católica, que criou raízes há já vinte séculos com seus dogmas e ainda hoje perdura como a grande linha orientadora da consciência humana. Baseada no Cristianismo, surge num contexto político em que se verificava uma necessidade revanchista de fuga ao império romano. A natural defesa pelas minorias, a necessidade humana de mártires comuns, fez com que o cristianismo se propagasse exponencialmente durante os três séculos em que foram perseguidos pelos romanos.

No século IV, os romanos passam a tolerar o Cristianismo, passando a religião católica de uma seita de minorias para uma religião de massas. A decadência do próprio império romano vem a fortalecer as figuras cristãs da época, elegíveis desde logo pelas multidões, passando estas a assumir funções de destaque na sociedade civil.

Faltava dar um corpo e fundamento à igreja cristã, e é a partir deste momento que são fundados os mais profundos pilares comportamentais da sociedade ocidental. Baseada na doutrina da Trindade, e considerando-se mandatados por entidades divinas, dividem a sociedade ao meio, admitindo apenas em raras excepções, a salvação aos seus infiéis. Não existindo à data um código civil baseado em valores emocionais, o cristianismo é rapidamente absorvido como forma de gratificação emocional (boas acções garantem um lugar no paraíso), tendo até hoje perdurado na consciência humana, inibindo-a de qualquer valor divergente implicando tal a punição de consciência no indíviduo.

Actuando como super-ego na consciência humana, a religião actua sobre emoções, constituindo um padrão comportamental já racionalizado e que se transmite através das gerações.

Existe realmente esta necessidade de ordem na vida comunitária, não obstante todo o fanatismo e comércio envolto na matéria. Se a linha de valores cristãos é a mais adequada à nossa sociedade? Não sei responder. Considero ser tão válida como seria outra linha de valores qualquer, na verdade a mina de ouro foi descoberta pelos poucos que perceberam a capacidade de manipulação das massas.

Os membros alfa da sociedade rapidamente teriam de enveredar por caminhos onde pudessem comandar as suas alcateias, a religião terá sido apenas uma via para atingir um fim. Nos dias de hoje, a tendência é a de baixar a fasquia ainda mais. Foram substituídos valores morais por valores líquidos, e a experiência em sabotagem social é sem dúvida superior, e na actualidade comandada por dois grandes exércitos: poder político e mediático.

O acesso total a informação não filtrada e de fraca qualidade intelectual, exponencia a estupifidicação humana, na medida em que não propicia o crescimento intelectual, despromovendo assim as capacidades e liberdades individuais. Receio que as próximas gerações, apresentem uma percentagem inferior de neurónios, pelo seu desuso em crescendo e consequente não replicação via adn.

O que acontecerá ao nosso mapa neurológico dentro de 3 séculos? Isto leva-me a pensar que inevitavelmente as sociedades auto-conduzem-se a este patamar de estupidificação ao ponto de não restar nada. Será desta forma que regressarmos à nossa essência, a tempos pré-históricos, para depois recomeçar de novo. Será esta a explicação para já termos tido civilizações mais evoluídas do que nossa?
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3 de mai de 2018

5 HÁBITOS DE HIGIENE MENTAL PARA MELHORAR SUA QUALIDADE DE VIDA

E se aprendêssemos a cuidar da nossa mente da mesma forma que fazemos com o nosso corpo?

Os hábitos de higiene mental compõem uma estratégia de vida para estar em maior harmonia com o nosso ambiente. Envolve exercitar o músculo da autoestima, superar a resistência da apatia, se mover em maior equilíbrio com nossas emoções e aprender a colocar filtros apropriados em nosso ambiente social.

Estamos conscientes de que atualmente essas abordagens destinadas a “cuidar” da nossa mente estão se tornando cada vez mais populares. Sem dúvida, falamos de estratégias como Mindfulness ou mesmo Wellness. Cada um, a partir de suas próprias origens e disciplinas, tem um mesmo objetivo: conferir um maior equilíbrio entre a mente e o corpo para garantir não apenas nosso bem-estar, mas também uma maior sensação de controle sobre nossa própria vida.


“Sem bem-estar, a vida não é vida;
é apenas um estado de abatimento e sofrimento “.
-Francois Rabelais-

Independentemente de termos iniciado alguma dessas práticas ou não, vale a pena levar em consideração alguns aspectos simples. O bem-estar psicológico responde, em primeiro lugar, a uma série de hábitos e estratégias que cada indivíduo deve aprender a desenvolver com base em suas características. Algo assim requer, antes de mais nada, alguma criatividade e perseverança.

Por isso, a higiene mental se torna uma tarefa muito particular, onde cada um deve aprender a ventilar, higienizar e oxigenar seus próprios cenários mentais. Por sua vez, e não menos importante, também não podemos esquecer que fazemos parte de um cenário físico e social e que nossos contextos também afetam nosso equilíbrio.

Portanto, os hábitos de higiene mental requerem uma abordagem holística, implicam saber priorizar, focalizar, filtrar todo estímulo que nos venha para viver com maior harmonia. Vejamos, portanto, uma série de estratégias.

Hábitos de higiene mental para cuidar de si mesmo

1. Aprenda a reconhecer a faísca antes que surja a chama
Grande parte da nossa experiência emocional surge de “faíscas”, de pequenas explosões de sensações negativas que colapsam em nosso cérebro. Estas pequenas descargas surgem devido aos desequilíbrios com o nosso ambiente. Um comentário que não nos agrada, mas diante do qual nos calamos; uma proposta com a qual não concordamos, mas que cumprimos; uma situação que devemos resolver, mas que adiamos…

Pequenas faíscas acumuladas, uma após a outra, acabam gerando uma chama. Nossa mente fica sem recursos e, no final, acabamos “queimados”, esgotados em todos os sentidos. Assim, uma primeira estratégia na qual devemos investir tempo e esforço é reconhecer esses gatilhos. Esses estímulos que nos incomodam e que devemos administrar o mais rápido possível.

Não deixe para amanhã a preocupação que causa incômodo hoje.

2. Prioridades claras, melhores decisões
Todo bom atleta conhece seu corpo, sabe onde estão seus limites e treina todos os dias para manter e melhorar seu desempenho. Tal desempenho não surge de forma aleatória, mas responde a um bom planejamento em que as prioridades e objetivos diários estão claros.

Quando se trata de cuidar do nosso cérebro e da nossa higiene mental, também seria bom ter nosso próprio plano, nossas prioridades diárias. Ninguém deveria, portanto, sair de casa sem estar vestido com um propósito, calçado com algumas metas, alimentado com uma motivação… É assim que caminhamos pelos nossos complexos trajetos com maior desenvoltura para decidir o que nos beneficia e o que nos prejudica, o que deveríamos deixar de lado para garantir o nosso bem-estar.

3. Relações baseadas na reciprocidade
Um pilar básico para cuidar e promover nossa higiene mental é atender ao equilíbrio de nossos relacionamentos. Todo vínculo desequilibrado supõe um alto custo emocional. Implica investir tempo, expectativas, esforços e afetos em pessoas que não nos transmitem a mesma energia, a mesma reciprocidade.

É claro que nem todos os nossos relacionamentos serão simétricos no que se refere a dar e receber. 
Um exemplo muito claro disso é visto na relação entre pais e filhos. No entanto, é necessário que nossos vínculos mais importantes (casal, família, amigos) sejam mantidos em equilíbrio e, em alguns casos, em simetria.

4. Aprender a tolerar a adversidade
Quem resiste à adversidade, ao fracasso, à perda ou ao erro fica bloqueado no desânimo, na raiva, no desconforto. Por outro lado, uma boa higiene mental requer capacidade de crescimento e expansão. Algo assim só acontece quando alguém é capaz de vencer suas resistências, aprendendo a ser tolerante com a adversidade, com o lado complexo da vida, com seu lado mais delicado.

Devemos assumir, portanto, os contrastes da nossa realidade. Porque toda higiene parte da capacidade de saber curar. E para curar, temos que aceitar primeiro a existência de uma ferida sem negá-la, sem virar o rosto ou se enraivecer todos os dias com ela.

5. Uma mente em equilíbrio, uma mente centrada
Clifford Saron é neurocientista do centro Mente e Cérebro da Universidade da Califórnia. Seus interessantes trabalhos são focados em demonstrar como o treinamento de nossa atenção se reflete em nossas emoções. Uma mente centrada e em equilíbrio se traduz em bem-estar e em um cérebro mais saudável.

Assim como ele mesmo nos explica, a maioria de nós não tem consciência da grande plasticidade que nossos circuitos neurológicos possuem. Se aprendermos a nos concentrar todos os dias no presente, no que acontece ao nosso redor (e não tanto no passado ou no futuro que ainda não existe), veremos maiores possibilidades, nos sentiremos mais otimistas e com menos ansiedade.

Para treinar a nossa atenção, pode ser uma grande ajuda aprender a meditar, sabemos disso. No entanto, há outro aspecto que não podemos ignorar. Uma mente mais focada precisa, por sua vez, de um corpo mais relaxado. Portanto, não podemos negligenciar fatos tão básicos como promover uma boa noite de sono, tirar um cochilo de 15 ou 20 minutos, caminhar, fazer alongamentos para aliviar as tensões musculares, manter uma dieta balanceada…

Em resumo, a higiene mental é uma fabulosa estratégia de vida que é composta por diferentes atividades. São dinâmicas e hábitos diários focados em garantir nosso bem-estar físico e psicológico. Apliquemos aqueles que melhor se encaixam em nossas necessidades e comecemos hoje mesmo a investir em nós.
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