p

Clique nos anúncios, o Cult Carioca precisa de você.
Mostrando postagens com marcador COMPORTAMENTO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COMPORTAMENTO. Mostrar todas as postagens

O NOVO EROTISMO FEMININO - Roberto DaMatta

Não se pode falar de mulheres sem mencionar os homens, do mesmo modo que não há como discutir juventude sem falar da velhice. Há um novo erotismo feminino, e esse erotismo corresponde a novos modos de ser homem, ser jovem e ficar idoso ou, como se diz com uma boa dose de ironia, de entrar na “melhor idade”. 

Outro dia, em conversa com um amigo da minha geração, falávamos – a propósito do erotismo feminino – dos elos entre mulheres e homens neste Brasil sem inflação, mas com alta corrupção, e com um conjunto de imagens e possibilidades de ser mulher.

No Brasil antigo, as mulheres eram mães, virgens ou prostitutas. Hoje, elas podem o que quiserem, tal como os homens, que, hoje, não podem mais ser definidos em termos de machos ou gays. Inimaginável, dizia meu amigo, essa liberdade de aparências e estilos de vestir-se, comportar-se e trabalhar que temos hoje. Os modelos femininos antigos são trocados nas heroínas centrais do drama da novela Avenida Brasil. 

Na trama, um vingador – espécie de Conde de Monte Cristo de saias –, a personagem Nina, tem como projeto de vida ajustar contas com sua oponente, Carminha. E ambas, cada qual a seu modo, representam a mulher que atrai pela liberdade e seduz pelo fingimento.

Nina tem a mobilidade dos homens e anda de lambreta, algo que combina com suas calças compridas e cabelos cortados. Carminha só anda em automóvel de quatro portas, usa joias caras e se desveste lentamente como manda o figurino clássico de quem usa vestido, sutiã e calcinha, nos quadros de um “striptease” tradicional. 

Carminha corresponde ao modelo da mulher brasileira tradicional, que vai à igreja, ajuda os pobres e faz o papel de “dona de casa” e mãe exemplar. Mas ela faz isso com homens diferentes, e a novidade da novela é precisamente esse duplo papel que distingue e iguala Nina e Carminha, ambas sendo duas pessoas em uma, do mesmo modo que as empregadas lindas e oprimidas pelo preconceito da novela Cheias de charme surgem como cantoras, mostrando um talento que a sociedade inibia.

No fundo, concordamos, meu amigo e eu, todas atraem e têm seu erotismo, mas as que vestem o modelo das domésticas que viram cantoras surgem como mais previsíveis (elas querem ascender socialmente), ao passo que Carminha e Nina atraem por uma duplicidade que as torna imprevisíveis. “La donna è mobile”: é volúvel como uma pena ao vento, conforme dizia o grande Giuseppe Verdi em seu Rigoletto.

Se olharmos bem, vemos que, em todos os casos, o erotismo feminino só se realiza quando surgem os homens. Tufão tem Carminha como “esposa fiel”ou “mulher da casa”, mas quem conhece o outro lado dessa figura – seu lado de “mulher da vida e da rua” – é Max, o parceiro que experimenta sua dimensão hipócrita, abusiva e lúbrica. Eis o retorno da mulher como mãe e como prostituta, atuando no fundo de um drama inovador. Fica somente faltando a virgem – que, entretanto, como nota meu amigo, está presente na Suelen, que vai se transformando de uma maravilhosa “periguete” numa incrivelmente linda mocinha, digna do amor de um jovem enrolado por todas essas imagens e modelos, além de se revelar uma brilhante empresária. Aí está um papel profissional que escapa inteiramente dos lugares tradicionais oferecidos às mulheres nas sociedades tradicionais.

A pureza da virgindade, que se misturava a uma candura que nosso mundo globalizado tem banido como ingenuidade e tolice, ainda dá audiência. E surge na inocência das empregadinhas cantoras cheias de charme, a denunciar de modo bem-humorado a saia justa de um papel social e de um emprego que é uma sobrevivência da escravidão: a empregada doméstica que pode tudo, menos competir com a patroa. Algo impossível quando seu papel é realizar aquilo que suas patroas ainda fazem: serviços domésticos.

Ao final desse diálogo, meu amigo e eu chegamos a um ponto revelador. As sociedades não se transformam com a mesma velocidade dos padrões estéticos, das moralidades, das tecnologias e das modas que elas mesmas produzem, mas – mesmo assim – mudam. É justamente nesse diálogo do novo com o antigo que se alteram e alternam, o que mostra a importância da literatura, do teatro, da televisão e do cinema. Os papéis sociais tradicionais femininos e masculinos – e de jovem ou de velho – surgem claramente, mas nos rituais e momentos solenes. Na missa, ninguém duvidará da castidade de um padre; na família, ninguém acusa a mãe de ser uma depravada; na rua, um velho pedinte ganha mais esmolas que um jovem; na sala de aula, o papel de professor obriga a seguir certas normas; e, numa balada, ninguém pedirá uma periguete em casamento. As noivas continuam casando de branco mesmo quando não são mais virgens. Eis a pergunta que o novo erotismo feminino coloca: o que é a virgindade, se tudo tem sempre uma primeira (e uma última) vez?

Como não retomar a ideia de pureza, de consistência, de fidelidade e de lealdade quando as escolhas são tão amplas e baseadas na individualidade? Pensar que esses papéis são determinantes não é um erro. O erro é imaginar que eles não podem ser combinados e exercidos, dentro de certos limites, por uma mesma pessoa. Carminha, Nina, Suelen e as empregadinhas cantoras são exageros sem os quais não há drama ou comédia. Na vida real e neste nosso mundo pós-moderno, uma maior liberdade tem também conduzido a uma maior consciência das inconsistências.

O mulatismo moderno, que nos leva a morar em 
muitos países, a gostar de muitos gêneros musicais e artísticos, que nos leva a ver novelas e Shakespeare, futebol e ópera, a comer caviar e adorar feijão com farofa, ou a ser um híbrido de periguete com virgem-mãe, não nos exime das responsabilidades que esses gostos ou escolhas demandam de cada um de nós. É aí que está o nó da vida social e, quem sabe, da sabedoria.
________________

Clique nos anúncios e ajude a custear o 
Cult Carioca. Não custa nada.

____________________


__________________


___________________________________________________

 Click

Visite os anúncios e ajude a custear o Cult Carioca.
Não custa nada.







PAI DE FIM DE SEMANA - EdmirSilveira

Abro a porta e o silêncio me invade. Seus vestígios ainda estão por todos os cantos. As almofadas reviradas na sala tem o seu jeitinho. A boneca e os papéis de chiclete no tapete, são pura arte. Arte de ser feliz. Entro na casa e sua ausência me recebe em todos os cômodos. Dói.

A bagunça que nossa alegria deixou eu não vou arrumar hoje, ela é marca da tua presença. Sua dança, ainda dança um balé cheio de graça, alegria e da sua voz. Sua voz, seus gritinhos, sua inocência e seus risos ecoam, música que preenche o silêncio do resto de domingo sem solução. No banheiro, a toalha e a marca dos seus pezinhos no chão ainda úmido. E, por toda a casa, as cores dos seus brinquedos e da sua voz. Seu perfume de anjo está por todos os cantos da casa e de mim. Sua presença é tão forte que ainda posso sentir seus bracinhos em volta do meu pescoço apertando e é essa sensação que não me deixa sufocar de saudade. Dói.


Senti vontade de chorar, mas tomei áini e passou, nossos códigos, nosso idioma particular, não você não é tristeza é alegria. Sua chupeta em cima do telefone. O copo no qual você bebeu. A jujuba embaixo do sofá. O desenho na parede, os papéis picados. Nossas brincadeiras, suas mãozinhas fazendo carinho na minha cabeça da forma única que só você sabe, e a batata frita no chão da cozinha.


Trocar sua roupinha, calçar seus sapatos, pentear seus cabelos lindos, assoar seu nariz lindo. Ouvir sua voz linda me chamando de papai. Seus olhinhos puxados, seu sorriso sapeca. Suas perguntas me ensinando a aprender cada vez mais a beleza e a força da vida.

Não sou e nunca vou ser seu pai só nos fins de semana, serei a cada segundo de todos os minutos, de todos os dias de minha vida. E assim o serei para sempre. Cada sorriso meu, traz a presença da sua alegria. Sou um poço sem fundo, que só será preenchido com a sua felicidade. 

Te quero livre, forte e segura. Quero ser seu porto seguro, seu amigo, seu pai. O que mais desejo é que você sinta a mesma felicidade que me proporciona. Sou feliz a cada sorriso seu. E seu sorriso é tão poderoso que irá me fazer feliz o resto da semana sem você.


No dia seguinte, a casa já estará toda arrumada, mas sua presença permanecerá intacta, eterna e inesquecível. 

E esperaremos, eu e nossa casa, por toda a semana, ansiosos por sua bagunça, suas cores e sua alegria.

Mais de vinte anos após de ter escrito esse texto, digo com o maior orgulho que um pai pode ter: minha filha é, hoje, uma pessoa do bem, independente, uma mulher corajosa, uma profissional e artista altamente competente e, principalmente, minha melhor, maior e mais querida amiga. 

**********

Hoje, ela telefonou para me desejar Feliz Dia dos Pais. Percebi que, literalmente, ela diz que me ama, e eu a ela, todos os dias em que nos falamos, até hoje. Depois que inventaram a comunicação pela internet e vieram os smartphones não importa em que lugar do planeta estejamos. Raramente, deixamos de nos dizer. E, criamos um hábito gostoso e interessante. Nos revezamos aleatoriamente quem fala primeiro:
- Te amo.
O outro sempre responde:
- Eu sei.
_________________________________

 Subscribe in a reader
__________________________________


************************
*************************









_________________________________________________

Visite os anúncios e ajude a custear 
o Cult Carioca. Não custa nada.
____________________


__________________


 Click

SETE PERGUNTAS DO NOSSO TEMPO - Sidarta Ribeiro

Sidarta Ribeiro entrevista o advogado Emilio Figueiredo, participante da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas.

Como está a discussão sobre lega-lização de drogas no contexto da crise penitenciária? Há boas iniciativas parlamentares?

Emilio Figueiredo: A emergência da barbárie no sistema prisional brasileiro fez o debate da reforma da política de drogas tomar novo fôlego em 2017. O debate já vinha forte, com o extermínio de jovens pobres sob o argumento da repressão ao “tráfico” e o uso terapêutico da maconha por crianças com epilepsia de difícil controle. Hoje, a única iniciativa parlamentar inovadora é o Projeto de Lei 7270/2014 do deputado Jean Wyllys, que descriminaliza todas as drogas e regula o ciclo da maconha. Os demais projetos se resumem a piorar a lei de drogas.
____________________


__________________

Qual a proposta do Growroom para a legalização da maconha?

Emilio Figueiredo: O Growroom construiu uma proposta de regulação da maconha na qual todos os usos da cannabis são previstos, desde o cultivo doméstico até o industrial, passando pelo cultivo coletivo associativo, religioso, medicinal e comercial. Também há previsão de criação de um regime tributário específico para a maconha e de um observatório para análise de dados sobre os efeitos da regulação.

Qual a importância da maconha para o narcotráfico?

Emilio Figueiredo: Maconha é a droga ilícita mais consumida e uma das substâncias que o Poder Público deixa para o monopólio de pessoas à margem da lei. Além disso, a maconha não tem dose letal e dificilmente causa intoxicação, o que torna o mercado consumidor perene.

O que aprendemos com a experiência do Uruguai?

Emilio Figueiredo: A força do cultivo doméstico e das associações, conhecidas como cannabis social clubs, e a sua eficiência para suprir o mercado. Atualmente, são 5.446 cultivadores cadastrados e 27 clubes em funcionamento, mas, passados três anos da legalização, as empresas ainda não conseguiram colocar a maconha para vender nas farmácias.

Como impedir que a legalização aumente a ocorrência de outros crimes?

Emilio Figueiredo: No Brasil há o bordão de que o país não está pronto para a legalização, que os traficantes irão cometer outros crimes. Primeiro, o Brasil não está em guerra, mas os hospitais do Rio, por exemplo, estão prontos para ferimentos de fuzil. Segundo, os que hoje participam do mercado ilícito só continuarão na ilicitude se não forem incluídos no processo de legalização. Para isso, a legalização deve ser feita com uma função social e não mercadológica, buscando o protagonismo das comunidades que fizeram a resistência à proibição, a inclusão social de pessoas hoje envolvidas com o mercado ilícito que não tenham cometido crimes de sangue e a reparação dos danos históricos da guerra às drogas.
____________________


__________________

O que falta para a Marcha da Maconha atingir as periferias das grandes metrópoles?

Emilio Figueiredo: A marcha é um evento cosmopolita, realizado em diversas cidades do mundo. No Brasil é feita há 15 anos e desde 2011 a reunião é assegurada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, há forte participação da periferia em São Paulo, Recife e Fortaleza. Creio que para atingir mais periferias a Marcha da Maconha deve garantir a segurança dos participantes e deixar claro que a periferia é parte interessada fundamental no debate da legalização, portanto deve participar das marchas.

Quais devem ser as bases para uma regulamentação de drogas eficaz e racional?

Emilio Figueiredo: O respeito ao fato social de que pessoas usam drogas, a tolerância entre aqueles que usam ou não usam drogas, o reconhecimento de que é possível o uso das drogas hoje proibidas para o bem-estar, e a primazia da redução de danos para o uso de qualquer droga, seja lícita ou ilícita.

Sidarta Ribeiro - neurobiólogo, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e professor titular da UFRN.
______________________________

Clique nos anúncios e ajude a custear o 
Cult Carioca. Não custa nada.

____________________


__________________


___________________________________________________

 Click

OXITOCINA: COMO AGE O HORMÔNIO DOS ABRAÇOS

Com certeza você já ouviu falar da oxitocina, um hormônio associado a muitos dos nossos gestos de carinho, como os abraços. Sua fama é bem merecida. Trata-se de um achado científico muito valioso, que confirma uma coisa que todos sempre soubemos: os abraços confortam, curam e tornam a vida mais feliz.

Há algumas décadas descobriram que quando as mulheres dão à luz, secretam grandes quantidades de oxitocina. Este hormônio atenua a dor do parto e facilita que apareça um sentimento intenso de afeto pelo recém-nascido. Ele se traduz em desejos de abraçar, de dar beijos, de acariciar.
____________________


__________________

A melhor coisa veio depois. Com diferentes experiências que foram realizadas no mundo todo, foi possível comprovar que havia muitas outras situações onde a produção desse hormônio é ativado. Foi descoberto, por exemplo, que um abraço de 5 segundos a estimula; mas um de 20 segundos a ativa e equivale a um mês de terapia. Maravilhoso, não é mesmo? Mas a coisa não pára por ai. Os beijos que são percebidos como uma manifestação de amor também liberam oxitocina.

“Abraço você e as mexericas correm; beijo você e todas as uvas liberam o vinho oculto do seu coração sobre a minha boca.”
–Gioconda Belli–

O bem-estar emocional não é a única consequência positiva da liberação desse hormônio. Ele também incide decisivamente no bem-estar físico. Ajuda a adoecer menos e faz com que você se cure mais rápido, caso alguma coisa o afete. Fortalece o sistema imunológico e melhora o funcionamento do seu coração. É um pequeno prodígio químico que enriquece as nossas vidas.

Como ativar a oxitocina?

A oxitocina é um hormônio que é principalmente ativado através do contato físico. É facilmente liberado através dos abraços e dos beijos, mas também responde a outros estímulos, como uma palavra afetuosa ou mesmo um simples tapinha no ombro.
____________________


__________________

Todos temos na pele receptores chamados de corpúsculos de Meissner. Esses componentes nos permitem perceber a temperatura, a textura das coisas, as carícias, os beliscões, etc. Assim que recebem o estímulo, enviam um sinal para o seu córtex cerebral que interpreta qual o tipo de estímulo. Pois bem, temos mais destes corpúsculos nas mãos e nos lábios.

Em uma experiência realizada na Universidade da Califórnia, o funcionamento do cérebro de um grupo de voluntários foi monitorado através de ressonâncias magnéticas funcionais. Então foi possível comprovar que um abraço estimula notavelmente a produção de oxitocina. No grupo analisado, o abraço deveria ser de uma pessoa pela qual o indivíduo não tivesse atração sexual, ou paixão. Esta pesquisa também provou que quanto mais oxitocina, menos cortisol, que é o hormônio do estresse.

Dados que você não conhece sobre o hormônio dos abraços

Para compreender melhor o funcionamento do hormônio dos abraços, compartilhamos a seguir alguns dados que talvez você não conheça e que permitirão entender por que a oxitocina se transformou no foco de interesse de muitas pesquisas.

O hormônio dos abraços é produzido na glândula pituitária. É controlado pelas células do hipotálamo, que por sua vez controlam todas as glândulas do organismo. Em resumo: tem a ver com o corpo todo.
____________________


__________________

Quando a oxitocina é liberada, ela aparece no sangue. Se isso acontece, a amígdala desencadeia uma série de reações que se traduzem em um comportamento mais generoso e tranquilo.
Em 1998 descobriu-se que as crianças autistas têm níveis menores de oxitocina. Em 2003 foi feita uma experiência onde recebiam este hormônio por via intravenosa e se observou uma diminuição nas condutas automatizadas dessas crianças.

A oxitocina é um excelente antídoto contra os medos e as fobias sociais. Em outras palavras, se você está em uma situação social que lhe provoca temor, provavelmente um abraço de alguém que esteja próximo será reconfortante.

Os abraços contribuem para diminuir a tristeza e para regular a pressão arterial. Por outro lado, os beijos têm um efeito semelhante ao de um analgésico, mas além disso contribuem para queimar calorias e diminuir as rugas.

O hormônio dos abraços também contribui para a produção de mais serotonina e dopamina. Em palavras mais simples, reduz o estresse e ajuda a ter uma atitude mais positiva diante da vida.

A indústria farmacêutica permite que possamos aumentar nossos níveis de oxitocina através de fármacos. Mas, por que se privar dos abraços e dos beijos? Você não precisa procurá-los em nenhuma farmácia, são gratuitos, e além disso ajudam a quebrar as barreiras da solidão. Barreiras que muitas vezes são as causadoras das suas angústias.
Fonte: A mente é maravihosa
___________________________________

************************
*************************









_________________________________________________

Visite os anúncios e ajude a custear 
o Cult Carioca. Não custa nada.
____________________


__________________


 Click

O ESTRANHO AO LADO - Ivan Martins

O mistério das pessoas que amamos 
precisa ser respeitado

Na noite passada, como em todas as noites, tive sonhos estranhos e tumultuados, que nada têm a ver com as pessoas que vivem ou convivem comigo. Minha impressão, diante dessa experiência repetida, é que esses sonhos são construídos, meticulosamente, para excluir a realidade. 
____________________


__________________

São feitos com um material que segrega o mundo prático e reflete, quase exclusivamente, a nossa subjetividade. Eles são uma reafirmação feroz da nossa individualidade, uma rejeição visceral, biológica, das tentativas humanas de vincular, unir e dissolver. Sugerem que, lá dentro, estamos sozinhos, ainda que amemos e sejamos amados aqui fora.

Mesmo que seja um bocadinho melancólica, essa constatação ajuda e entender algo fundamental na vida dos casais: a impossibilidade de juntar tudo e dividir tudo, a insanidade absoluta de tentar viver como se dois fossem um.

Assim como na Física há uma lei segundo a qual dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo, deve haver outra lei, no universo subjetivo, que impede duas individualidades de viverem a mesmíssima vida. Tenho a impressão que a insistência em contrariar esse princípio está por trás de muitos e graves desencontros por aí.

Desde a adolescência, e provavelmente ainda antes, somos alimentados com a ilusão de que um dia encontraremos alguém com quem iremos nos fundir. A tal pessoa, aquele, a mulher da nossa vida, o príncipe encantado – todos esses são agentes do destino que teriam a função, na nossa história pessoal, de rasgar a couraça da individualidade, penetrar nosso casulo e nos salvar, de forma permanente, da horrível solidão de ser um indivíduo.

A partir desse momento redentor, a nossa dor fundamental seria superada e seríamos, então, felizes para sempre. No outro.
____________________


__________________

Algumas vezes, mesmo na vida real, chegamos perto desse estado idílico de aniquilação. É quando estamos apaixonados. Nesse momento mágico – e, segundo o Freud, patológico - nossos sentimentos em relação ao outro são tão violentos que parecem romper o isolamento essencial. Em tal estado de comoção de ser parte do outro. 

Se ele se afasta, sentimos dor. Se ele está perto, sentimos prazer. Parece ser impossível viver sem ele, porque se tornou parte de nós.

No filme “O morro dos ventos uivantes”, com Laurence Olivier, a jovem apaixonada diz ao rapaz “Eu te amo”, e ele responde “Eu sou você”. Não existe na literatura ou no cinema uma declaração de amor mais radical do que essa.

Há outro momento em que também nos sentimos perto desse sentimento. É no sexo. Em meio ao prazer, aquilo que nós somos desaparece temporariamente em direção ao outro. 

Mergulhamos numa torrente tão intensa que, por alguns minutos, não somos mais que o conjunto daquelas sensações. Há uma pequena morte aí, um breve suicídio prazeroso no qual mergulhamos felizes, levado pelo corpo e pela personalidade do outro.

Mas esses momentos são terrivelmente efêmeros, não? Mesmo a mais intensa paixão é passageira. Cedo ou tarde, ainda que contra a nossa vontade, somos arrastados de volta à normalidade de sermos apenas um. Logo chega o momento em que é preciso negociar com a personalidade do outro, com a percepção do outro, com o desejo do outro. 

Com isso se desfaz a ilusão de pertencer. Deparamos, de novo, com a nossa assustadora e iniludível solidão interior. Sabemos disso, vivemos isso desde crianças, mas uma parte de nós continua sonhando com uma paixão tão arrebatadora, tão dominante, que nos livre para sempre de nós mesmos. Crescer, eu acho, é deixar também essa fantasia para trás.

Alguns recusam isso terminantemente. Insistem em esperar pelo sonho ou – muito pior - tentam transformar a vida real a dois num exercício de destruição das personalidades. Fazemos tudo juntos, pensamos o mesmo, gostamos das mesmas coisas, compartilhamos as mesmas experiências, dizem. 

Na boa ou na marra, vão arrastando o outro a uma vivência que é uma réplica da sua. Até o ponto em que, de tão parecidos, não tenham mais nada a contar um ao outro. Então se separam.

Estou exagerando? Claro que sim. Mas, mesmo entre pessoas que não vivem na caricatura, o impulso comum de controlar o outro faz parte do movimento de negação da individualidade. 

Ele se recusa a reconhecer o outro com as suas necessidades próprias, sua existência fora de nós. O desejo de aprisionar é o impulso de se proteger do outro, que, insistindo em ter vontade própria, pode fazer algo que nos machuque.
____________________


__________________

Enfim, acho que é disso que os sonhos falam. Da nossa vontade de ser forte como indivíduos e do nosso medo oceânico de nos desligarmos dos outros. Da contradição entre a vontade de crescer e o impulso de permanecer um bebê chorão, ligado ao outro por um cordão umbilical. 

Os sonhos contam que o amor, lindo que é, essencial como possa ser, não nos salva de sermos nós mesmos. Mesmo quem respira suavemente ao nosso lado, adormecida, tem sonhos separados dos nossos. É uma pessoa estranha que amamos, mas sobre a qual nunca saberemos o suficiente. 

É preciso respeitar esse mistério.

__________________________________





_______________________________________

Clique nos anúncios e ajude a custear o 
Cult Carioca. Não custa nada.

____________________


__________________


___________________________________________________

 Click

ACREDITAR EM SI MESMO - E. E. Cummings

Acreditar em si mesmo - atingir o equilíbrio entre humildade e autoconfiança.

Enquanto a nossa van seguia em direção à fazenda para iniciarmos um programa de três meses para meninos problemáticos, passamos por um homem a cavalo. Bill era o proprietário da fazenda e estava sentado próximo ao portão para nos receber. Nossos olhares se cruzaram pela janela empoeirada, ele piscou e tocou a aba do chapéu em sinal de boas-vindas.
___________________


__________________

Durante todo o verão, Bill e seus ajudantes nos ensinaram a cavalgar, amarrar feno, cortar lenha e reunir o gado. Ele sabia o valor de trabalhar com as mãos, e o respeitávamos por seu conhecimento e liderança amiga. Ele sabia como era importante para meninos como eu entenderem que alguém acreditava neles. Confiava em nós para fazermos o trabalho corretamente e não queríamos decepcioná-lo. Várias vezes naquele verão, levou-me para pescar e, além de conversarmos sobre como jogar a linha e por a isca no anzol, falávamos sobre meus sonhos e o que eu queria da vida. Incentivou-me a traçar metas e me contou histórias de suas próprias experiências.


No último dia na fazenda, Bill chamou-me em particular e elogiou o trabalho que eu fizera no verão, não apenas na fazenda, mas em mim. Disse-me que se eu precisasse de qualquer coisa, podia contar com ele. Quatro anos depois, aceitei a oferta. Telefonei e lhe pedi um emprego. Contei-lhe como a confiança dele em mim deu-me coragem para mudar minha vida. Expliquei que queria ajudar outros do mesmo modo. Ofereceu-me o emprego na hora, e tenho orgulho em dizer que todo verão sou eu que abro o portão para receber a van cheia de jovens que precisam de alguém que acredite neles para que possam aprender a acreditar em si.
____________________


__________________

Não acreditamos em nós mesmos até que alguém revele que dentro de nós existe algo valioso, que vale a pena ser ouvido, que merece nossa confiança, que é digno do nosso toque. Quando acreditamos em nós mesmos, podemos arriscar a curiosidade, o fascínio, o prazer espontâneo ou qualquer experiência.

e. e. cummings
1894-1962 poeta, dramaturgo, pintor, ensaísta americano
________________________________________________


Clique nos anúncios e ajude a custear o 
Cult Carioca. Não custa nada.

____________________


__________________


___________________________________________________

 Click

A BELEZA ESTÁ NO CÉREBRO: ESTÍMULO ELÉTRICO PODE MUDAR SEUS PADRÕES.

Quem já exagerou no álcool sabe como ele pode mudar temporariamente os padrões de beleza de alguém. Usando um método diferente (e que não causa ressaca), uma equipe de pesquisadores conseguiu atingir um efeito similar, abrindo portas para novos tratamentos de doenças neurológicas.
____________________


__________________

A técnica, chamada estimulação transcraniana por corrente direta (tDCS, na sigla em inglês), usa dois eletrodos e uma pequena corrente elétrica (2 miliampères) para estimular áreas específicas do cérebro. Embora seja possível conseguir efeitos parecidos por meio de medicamentos, a tDCS tem a vantagem de ser mais direcionada (enquanto drogas podem afetar diversas áreas) e de não ter efeitos colaterais negativos.

Ela já é usada para tratar pessoas com depressão e ajudar na reabilitação das que sofreram derrame. “Contudo, até onde sabemos, praticamente nenhum dos estudos anteriores [envolvendo tDCS] examinou e correlacionou comportamento com atividade neural”, aponta o pesquisador Shinsuke Shimojo.

No estudo, 99 voluntários foram divididos em seis grupos, cada um com um padrão de estímulo diferente – com exceção de um grupo de controle, todos receberam estímulo em uma região cerebral ligada a recompensa. 
____________________


__________________

Enquanto eram monitorados por meio de ressonância magnética, os participantes viam fotos de rostos e diziam o quão atraente achavam as pessoas retratadas. Depois do estímulo, as “notas” dadas por eles subiram. Os autores acreditam que isso aconteceu por causa da liberação de dopamina (ligada, entre outras coisas, a emoções) influenciada pela tDCS.

Como os níveis desse neurotransmissor não podiam ser medidos por ressonância magnética, a equipe pretende fazer novos testes com a tDCS, mas desta vez com outra técnica de monitoramento.
Em relação ao tratamento de doenças, o estudo de Shimojo e seus colegas mostrou que o alcance do tDCS é maior do que se imaginava até então.
Guilherme de Souza [Medical Xpress, Translational Psychiatry]


_______________________________________


____________________________________________________

Clique nos anúncios e ajude a custear o 
Cult Carioca. Não custa nada.

____________________


__________________


___________________________________________________

 Click

RÁDIO CULT CARIOCA - Smooth Jazz

RÁDIO CULT CARIOCA  - Smooth Jazz
Smooth Jazz

AS DISTORÇÕES COGNITIVAS MAIS COMUNS NOS CASAIS.

PESSOAS QUE GOSTAM DE FICAR SOZINHAS SÃO MAIS INTELIGENTES E LEAIS

PESSOAS QUE GOSTAM DE FICAR SOZINHAS SÃO MAIS INTELIGENTES E LEAIS
CLIQUE nos anúncios e ajude a manter o Cult Carioca. Não custa Nada.

CIENTISTA RUSSO REVELA O QUE OCORRE CONOSCO APÓS A MORTE

CIENTISTA RUSSO REVELA O QUE OCORRE CONOSCO APÓS A MORTE
CLIQUE nos anúncios e ajude a manter o Cult Carioca. Não custa Nada.

TOP 10

Seguidores