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VIAJAR TORNA VOCÊ MAIS INTELIGENTE E SAUDÁVEL.

 ESTUDOS REVELAM: Viajar pode melhorar sua saúde como um todo e aumentar sua inteligência.

Poucos percebem, mas a verdade é que umas boas férias podem te fazer trabalhar muito melhor. Com elas, você ganha disposição mental e física, além de impulsionar seu lado criativo, resolvendo mais problemas no dia a dia.

Entenda, a partir de agora, como uma viagem pode melhorar a saúde do seu cérebro, do seu coração e até dos seus músculos.

Viajar pode destravar sua criatividade

Você já percebeu que a criatividade nasce das novas experiências?

Quando a parte mais empolgante do seu dia é ficar sentado em frente ao computador ou tomar um café enquanto fala de trabalho, você está impedindo sua mente de buscar inspiração.

O professor e autor Adam Galinsky diz que: 
Experiências em países estrangeiros aumentam a flexibilidade cognitiva, a profundidade e a integração dos pensamentos.

E destaca: 
Isso melhora nossa capacidade de fazer novas conexões entre assuntos diferentes.

Isto significa basicamente que novos sons, cheiros e paisagens ativam sinapses criativas no cérebro.

E como você pode despertar tudo isso? Simples: viajando.

Muitas pessoas criativas, como os escritores Ernest Hemingway e Mark Twain, utilizaram suas experiências internacionais para aprimorar o seu trabalho.

Os romances de Hemingway são fortemente inspirados pelo tempo que ele passou na França e na Espanha, por exemplo. Sua exposição a novas e diferentes culturas permitiu que ele escrevesse alguns dos seus melhores trabalhos.

Se não é possível sair para outro país, não tem problema, tente ao menos sair para outro estado ou para uma cidade que possua uma cultura um pouco diferente da sua. Isso ajudará abrir sua mente, pois saindo você poderá experimentar outros tipos de comidas, visitar monumentos históricos, fazer amizade com os moradores locais ou mesmo caminhar por outras ruas.

Enfim, conviver um pouco em um ambiente diferente por alguns dias pode inspirar fortemente suas habilidades criativas. E você não só terá mais criatividade, mas também será mais saudável e mais feliz.

Viajar impulsiona sua capacidade cerebral

Saiba que entre os benefícios da viagem, como mencionamos acima, está uma boa saúde mental. Uma pesquisa realizada pela Associação de Viagem dos EUA mostrou que as viagens, especialmente para os aposentados, evitam a demência e o mal de Alzheimer.

A pesquisa também revelou que 86% das pessoas que viajam estão satisfeitas com a sua vida, em comparação com 75% das pessoas que não viajam.

Viajar torna seu coração mais forte

E os benefícios não param, saiba que viajar, além de enriquecer sua capacidade cerebral, também reforça a sua saúde cardíaca.

De acordo com a associação Framingham Heart Study, as pessoas que não tiram férias durante vários anos são mais propensas a sofrer ataques cardíacos do que aquelas que viajam anualmente.

Isso acontece porque pessoas que viajam anualmente diminuem o estresse e ansiedade, reduzindo por consequência, a pressão cardíaca. Os viajantes também informaram que os sentimentos de relaxamento e felicidade continuaram por diversas semanas, mesmo depois de voltar das férias.

Viajar também mantem você em forma

Neste ponto, com tantos benefícios, você já está quase achando que viajar faz milagres, não é? Pois é, mas saiba que sim, a viagem pode te ajudar a emagrecer.

O motivo é que quando você está de férias, seu corpo tende a ficar mais ativo: você explora novos lugares, passeia pelas lojas da cidade, faz trilhas e caminhadas, nada no mar ou piscina e por aí vai.

E mesmo que, porventura, você fique sentado por algumas horas fazendo um tour em um ônibus, ainda assim você ainda estará se movimentando mais do que se estivesse preso no escritório ou assistindo TV em casa.

Em suma, viajar irá te fazer feliz, até mesmo antes da viagem acontecer

De acordo com um estudo da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, as pessoas que sabem que vão sair de férias se sentem mais felizes do que as pessoas que estão indo comprar algum bem material.

Outra pesquisa feita na Universidade de Surrey também revelou que as pessoas são mais felizes quando sabem que têm uma viagem chegando. Ou seja, apenas o ato de planejar uma viagem de férias já melhora significativamente o seu humor e bem-estar.

Imagine você tirando férias, pense em como é divertido fazer o roteiro, arrumar a mala, contar para os seus amigos e família sobre a viagem. Todas essas coisas impactam positivamente o seu estado de espírito.

Então, aproveite. Deixe para comprar um novo celular em outro momento e planeje sua próxima folga, compre a passagem para o destino que você quer conhecer e deixe sua mente e seu corpo aproveitaram todas as vantagens que uma viagem traz. Se estiver com bastante tempo e saúde, nem compre a passagem, vá em seu carro ou moto, curta também o trajeto.
Artigo traduzido e adaptado, do original “Studies Show How Travel Can Make You Smarter And Healthier” publicado no site americano, Life Hack.
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O BRASIL TEM MOSTRADO SUA CARA?- Edmir Silveira

O Brasil é um país de mal educados. Um país de ignorantes. Somos um povo que, por esses motivos, é muito fácil de ser enganado e conduzido, como o admirável gado novo da poesia de Zé Ramalho.

Nada disso que vemos hoje é novidade. Nada.

A diferença, atualmente, é que, graças à internet, estamos descobrindo que existe muita coisa podre no reino do Brasil.

O descaramento e falta de vergonha na cara dos políticos, de todos os partidos, é uma coisa inacreditável! Da vontade de dar um soco na cara deles!

A população, em sua maioria, está atordoada sem saber o que pensar a respeito de uma quantidade enorme de denúncias que se sucedem diariamente há mais de dois anos, ininterruptamente.

Uma quantidade gigantesca de informações e contra-informações impossível de ser processada pela maioria da população.

Mais ainda para uma população que, em sua maioria, não tem esclarecimento básico (educação formal) mínimo para compreender onde aqueles fatos impactam na sua vida diária.

Ou seja, nosso povo sequer está preparado para entender onde, quando e como está sendo roubado.

Desvio de verba, propina, caixa dois, superfaturamento em obras e mais uma dezena de nomes para designar uma coisa só: roubo!

E, que ninguém venha dizer que é furto, apropriação indébita ou qualquer outro termo que só alguns entendem. Ninguém está interessado em definições técnicas, deixemos isso para os advogados de acusação.

Se querem realmente que todos entendam o que está acontecendo é necessário desenvolver uma comunicação à altura do vocabulário do brasileiro médio, que é paupérrimo, restrito a algumas centenas de palavras. Mesmo assim, grande parte da população continuará sem compreender por se tratar de analfabetos funcionais.

O déficit educacional do país é gigantesco. A dívida social, nesse setor, que todos os mandatários, em todos os níveis e em todos os tempos,  tem com o povo brasileiro, é impagável!

Hoje, ficou extremamente fácil compreender porque grandes mentes nacionais sempre afirmaram que só a educação de qualidade tiraria o país de um destino de república de bananas. Hoje, me dei conta que as bananas somos nós. Sempre fomos uns bananas. Principalmente, por não termos dado a devida importância às palavras de Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Rubem Alves e tantos outros educadores.

Vejam como custou, custa e continuará custando caro ao país negar aos jovens uma educação com uma qualidade mínima que os permita entender a própria vida e o funcionamento de seu país.

O Brasil está num estágio tão confuso e perdido que se faz necessária a presença de todos na busca de caminhos. Porque não precisamos de UM caminho. Precisamos de 200 milhões de caminhos. Todos os brasileiros estão sem direção no momento. Até os que achavam que mandavam no timão dessa nau dos insensatos.  

É tanta mentira, tanta desonestidade, por todos os lados da vida cotidiana de todos nós que não é exagero falar que todo brasileiro está se sentindo com o rabo preso nesse momento. Não pela lava-jato (nessa só os milionários), mas pela própria consciência.

Ficou claro que a complascência excessiva e a aceitação de aparentes pequenas deturpações do tipo “levar vantagem em tudo, certo?” ou “Jeitinho brasileiro” foram degenerando e se expandindo para todas as camadas da população, indistintamente. Uma decadência moral invisível, lenta e quase imperceptível a olho nu. Mas que, como bola de neve, foi acelerando e ganhando cada vez mais volume até se tornar uma catástrofe, arrastando tudo e todos pela frente.

No momento, nos falta crença em nós mesmos. Estamos envergonhados de quem elegemos para nos representar. Estamos envergonhados do que estávamos nos tornando como povo. Um país que dá um passo pra frente e dois pra trás.

Todos estamos exaustos com os acontecimentos desses últimos anos. Não estávamos acostumados a lutar por nada.

Não lutamos por nossa independência, não lutamos para libertar os escravos, não lutamos para impor a república. Agora, Estamos vendo como é difícil se construir um país digno e justo esperando que tudo nos seja concedido como benevolência de uma instância superior.

Esses políticos são ardilosos, tentam impor suas vontades de milhares de maneiras, milhões se necessário. Tentarão nos vencer pelo cansaço, podem ter certeza.

A maioria ali troca de voto, de partido e até de mãe muito mais fácil do que de cuecas.

No Brasil não existem partidos políticos, existem quadrilhas que atuam na política. Como no antigo jogo do bicho ou no tráfico de drogas, cada um tem seus pontos de exploração. Empreiteiras, petróleo, exportação de carnes, e, muito provavelmente toda a cadeia produtiva nacional. Porque quem não participa está acabado. Muitos dos empresários que serão presos na lava jato não tiveram muita escolha. Ou alguém tem dúvida disso?

Nesse ambiente completamente prostituído e corrompido quem não entra na dança está fora da festa...

Essas práticas se repetem em todos os níveis da vida brasileira. Uns achacando outros quando podem. Governadores, prefeitos, juízes, Fiscais, superintendentes, diretores, gerentes...

Todos achacando e despejando seus recalques em quem vem, supostamente, abaixo hierarquicamente. E, assim, estamos construindo um país muito feio. Muito feio.

Mas, que ainda teima em acreditar que pode ser feliz.
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NÃO HÁ VERDADES, SOMENTE PONTOS DE VISTA - Tico Menezes

O sim é não, o não é talvez, o talvez é com certeza, o com certeza é não sei, o não sei é por quê, o por quê é tudo!

Toda e qualquer conversa é necessária. Talvez não positiva ou construtiva, mas necessária, sim. Podemos fugir delas, dizer que não precisamos disso ou daquilo, evitar ouvir palavras que consideramos vazias de pessoas que não consideramos boa companhia ou com quem temos um histórico negativo, e tudo isso é compreensivo, natural e saudável. Mas há de se assumir que, eventualmente, o que aprendemos com o confronto ou com a fuga se fará presente e acabaremos por questionarmos o que dissemos ou deixamos de dizer. E se o arrependimento bater, não evite, questione.

Discussões banais e ofensas nos fazem repensar nossas opiniões, às vezes nos mostrando contradições, em outras, confirmando o que acreditamos ser correto. Ser questionado e contradito é algo positivo. Pensar no que vamos dizer, organizar os pensamentos e as palavras que usaremos para explicá-los, rever conceitos, tentar evitar usar somente nossa vivência como parâmetro de comparação em algumas situações, reconhecer que somos falhos e temos muito a aprender é positivo.

Afinal, o que você realmente sabe?

Temos poucas certezas na vida. Sabemos que é finita, que para toda ação física há uma reação, que ao olharmos para o céu num dia ensolarado, o veremos da cor azul, que ao tocarmos no fogo, nos queimamos, que sonhar não custa dinheiro nenhum. E até isso já foi contrariado e questionado por filósofos, escritores de ficção-científica, crianças e adultos que não se acomodam.

E quem somos para dizer que eles estão errados? Por qual razão não nos juntamos a eles?

Questione as fotos. Questione os fatos. Questione, discuta, ouça e se faça ouvir, não concorde por comodismo ou desistência, não se ofenda ao ser questionado, tome aquela vez em que te deixaram sem palavras como incentivo para ir atrás de mais respostas, não finja que sabe, admitir que desconhece algo é bonito e atraente, vai por mim. Ou melhor, não vá, me questione. Abra espaço para cada vez mais “porquês” na sua vida.

A vida e tudo o que ela engloba é como a arte, subjetiva e questionável, mas precisa ser explorada por quem está disposto. Ou eu posso já nem pensar assim e me questionar se quero que esse texto seja lido. No momento, sim, quero.
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O EGOÍSMO PESSOAL TAPA TODOS OS HORIZONTES – José Saramago

 O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã.

Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade.

É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra.

Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser.

Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada... alguma coisa não funciona. Talvez um dia!
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3 EFEITOS BIZARROS DA CULTURA DO STATUS - Lara Vascouto

Uma reflexão sobre a perversidade dessa cultura do 'fazer/ter para o mundo ver' 
e as aberrações que ela está trazendo ao mundo.

Não é nenhuma novidade o fato de que estamos vivendo e alimentando constantemente a cultura do status - isto é, uma cultura que preza as aparências, mesmo que as aparências não representem muito bem a realidade. Diabos, basta acessar a sua conta do Facebook para observar boa parte dos seus amigos e conhecidos em uma competição acirrada em forma de atualizações de status sobre quem tem o melhor emprego, a melhor família, o melhor namorado, as melhores noitadas, os melhores amigos, o melhor destino de férias, a melhor vida.

“ Agora só falta Melhor Bíceps e Melhor Abdômen. Academia e posts sobre academia: aqui vou eu!”

Eu não digo isso para criticar quem se gaba (sutilmente ou não) da vida que tem no Facebook, até porque eu mesma não posso dizer que nunca caí nessa: por mais atenta e cuidadosa que a pessoa seja, hora ou outra todo mundo escorrega e cai de cara na perversidade da prática do ‘fazer para o mundo ver’. Mas vale, sim, refletir sobre o quanto esta obsessão que leva ao maqueamento da realidade está permeando as nossas vidas e até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para cumprir um determinado papel aos olhos dos outros. Eu posso estar errada - e, por favor, se você discorda, é bem-vindo para se manifestar nos comentários -, mas me parece que algumas bizarrices da vida moderna são consequência dessa cultura do status, em que as coisas, experiências e sentimentos têm que ser validados constantemente em praça pública. Bizarrices como...

Grandes gestos de amor

Eu posso estar errada, mas grandes gestos de amor são uma coisa relativamente recente, certo? Estou falando de gestos como descer de helicóptero na casa da amada para pedi-la em casamento; ou fazer o pedido na frente de uma multidão em um jogo de basquete; ou fazer uma serenata romântica em pleno parque do Ibirapuera - e, claro, gravar tudo para colocar no YouTube e até aparecer no programa da Ana Maria Braga, se tiver sorte (ou azar. Depende do ponto de vista).

Com exceção de uma pequena parcela da internet que está começando a ver esses grandes gestos como uma forma de coerção amorosa, grande parte das pessoas fica babando quando vê um grande gesto de amor em ação (quando é correspondido, claro. Quando não é, ela é uma vadia mal-agradecida aos olhos dessas pessoas, mas isso é tema para outro texto). “Eles devem se amar muito!”, é a ideia que perpassa a multidão que assiste, junto com uma boa quantidade de admiração e inveja em doses iguais. Para o casal fica o grande prêmio - não o amor do parceiro, mas sim o troféu que garante o status de casal perfeito, amado e invejado pelas massas. Um troféu cuja prateleira é uma seleção de redes sociais diversas a seu dispor, que garantem a máxima divulgação do status recém-adquirido. Mesmo quando o amor não é tão certo, ou tão verdadeiro quanto deveria, o grande gesto aparece como uma forma de arrebatamento e de conclusão definitiva que convence até o mais incerto dos amantes. Quem valida o amor, nesses casos, é a multidão, mesmo que ele não tenha amadurecido ainda ou nunca venha a amadurecer.

Não que todos os grandes gestos de amor sejam farsas. Acredito que 99.9% das pessoas que se engajam em um grande gesto de amor o fazem com sinceridade, ou pelo menos pensam assim. Mas cabe a essas pessoas pensar por que sentem a necessidade de incluir e de ter a validação de uma terceira parte - a multidão, no caso - em uma coisa tão privada? Será que elas estão fazendo isso pelo amor ou pelo espetáculo? Quantos relacionamentos se arrastam e quantos casamentos se concretizam para logo se desfazer em nome do espetáculo?

Filhos decorativos

Eu e meu marido somos casados há um ano, cinco meses, três dias e seis horas e há pelo menos um ano, cinco meses, três dias, cinco horas e quarenta e cinco minutos somos perguntados constantemente sobre quando teremos filhos.

É natural, claro, e eu entendo completamente. O próximo passo depois do casamento é ter filhos, sempre foi assim. Mesmo assim, me incomoda um pouco o fato de que se nós resolvermos que vamos ter um filho agora eu tenho certeza que as pessoas vão comemorar ao invés de se preocupar com o fato de que nós não temos condições financeiras de criar um filho no momento. Como pode uma decisão tão irresponsável ser celebrada?

Isso mostra como é forte a visão de que família só é uma família (e, portanto, só pode ser perfeita) com um ou dois pimpolhos populando as fotografias e o fato de eu achar isso normal nos mostra como é forte a programação martelada em nossas cabeças desde a infância - casar e ter filhos. E mesmo que existam milhares de motivos diferentes para uma pessoa querer ter um filho, para algumas delas essa trajetória pré-definida deve ser seguida para que o status chamado de Família Perfeita possa ser alcançado. É desse desejo por um determinado status associado à expectativa social mencionada acima que nasce a bizarrice que eu apelidei de Filhos Decorativos.

Filhos Decorativos são aquelas crianças que nasceram para enfeitar uma família e torná-la digna de ser chamada de Família (com F maiúsculo mesmo) e apresentada na igreja ou na confraternização de fim ano da empresa. Filhos Decorativos geralmente são criados por babás ou por avós e vêem muito pouco dos pais. Como qualquer peça de decoração, Filhos Decorativos têm que ter algum atrativo.

Enquanto são pequenos, a sua existência por si só é o suficiente, com suas mãozinhas e pezinhos lindos e rechonchudos, mas conforme crescem precisam aprender algumas habilidades que os pais possam exibir para o mundo. Por isso não é incomum descobrir que raramente os Filhos Decorativos têm uma tarde livre - eles estão sempre ocupados com aulas de ballet, inglês, piano, mandarim, futebol, basquete, francês, etc, etc, etc, etc. Basicamente, filhos Decorativos são mais uma extensão da vida perfeita que os pais criaram - não necessariamente a que eles vivem, mas a vida perfeita que eles mostram para o mundo. Vale lembrar, no entanto, que os Filhos Decorativos crescem e nem sempre se tornam o que os pais esperavam.

Não quero alarmar ninguém, mas Filhos Altamente Decorativos sempre estão envolvidos em orgias violentas ou são os próprios assassinos em episódios de Law&Order.

Distração Generalizada

Olhe em volta. A cada dia que passa nós parecemos mais e mais como baratas tontas, olhando o celular ao invés de conversar com a pessoa ao nosso lado, tirando fotos loucamente ao invés de olhar a paisagem e listando conquistas ao invés de conhecer novas pessoas. Nossos celulares e redes sociais se tornaram poderosos demais e tomaram controle de nossas vidas como um parasita espertalhão e letal, como aqueles que aparecem naquele programa horroroso da Discovery - Parasitas Assassinos ou algo tenebroso desse tipo.
Mas não tão nojento.

No caso, nós estamos sempre grudados nas nossas redes sociais porque elas são as vitrines de nossas vidas e, através de um raciocínio absolutamente maluco, nós achamos que a vitrine é mais importante do que viver a droga da vida anunciada na vitrine. (Ok, eu perdi completamente o controle dessa analogia da vitrine, mas você entendeu). Isso leva a uma grande ansiedade por status, obviamente, mas também a uma distração generalizada, em que a vida e as pessoas passam como um pano de fundo enquanto você obsessivamente atualiza o seu Twitter.

Nada é realmente aproveitado e absorvido pela pessoa que sofre de distração generalizada. Uma paisagem é admirada por três segundos, que é o tempo de ela tirar o celular do bolso e tirar a foto para postar no Instagram. Uma conversa dura alguns minutos até que alguém solta uma frase muito espirituosa e ela sente a vontade de interromper o papo para postar a “citação” no Facebook. Tudo gira em torno do status divulgado, da própria imagem que vai sendo montada atualização após atualização, como um Frankenstein virtual que nunca vai ganhar vida, porque não é real. Isso sem contar que o interesse que a pessoa acometida de distração generalizada tem pelos outros vai até o momento em que ela avalia se os outros estão melhor ou pior que ela no grande jogo da vida - e normalmente essa avaliação dura uma olhada de dois minutos no Facebook. Depois disso, esquece, amigo. Ela já está tirando fotos. De novo.
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SOLIDÃO A DOIS - Bruno Inácio

Sobre uma geração que insiste em não ouvir, em não falar e em não aprender

Com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão Vermelho.

São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.

O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.

Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.

Elas se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.

Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. "Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será", concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.

E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros.

O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.
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A FALÁCIA DAS CONVICÇÕES – Francis Bacon

O intelecto humano, quando se agarra a uma convicção (ou por acreditar realmente nela ou só porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e concordância. E ainda não observa a força das instâncias contrárias, desprezando-as, ou, recorrendo a distinções, as colocando à parte e rejeitando, causando um grande e pernicioso prejuízo a verdade.

Graças a isso, a autoridade daquelas primeiras afirmações permanece inviolada. E bem se houve aquele que, ante um quadro pendurado no templo, como ex-voto dos que se salvaram dos perigos de um naufrágio, instado a dizer se ainda se recusava a aí reconhecer a providência dos deuses, indagou por sua vez: “E onde estão pintados aqueles que, a despeito do seu voto, pereceram?”

Essa é a base de praticamente toda a superstição, trate-se de astrologia, interpretação de sonhos e que tais: encantados, os homens, com tal sorte de quimeras, marcam os eventos em que a predição se cumpre; quando falha - o que é bem mais freqüente —, negligenciam-nos e passam adiante. Esse mal se insinua de maneira muito mais sutil na filosofia e nas ciências.

Nestas, o raciocínio inicial a tudo impregna e reduz o que segue. Até quando parece mais firme e aceitável.

Mais ainda: mesmo não estando presentes essa complacência e falta de fundamento a que nos referimos, o intelecto humano tem o erro peculiar e perpétuo de mais se apegar e excitar pelos eventos afirmativos que pelos negativos, quando deveria ser rigorosa e sistematicamente atenta a ambos.

Vamos mais longe: na constituição de todo axioma verdadeiro, têm mais força as instâncias negativas.
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LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO TORNA SUAS OPINIÕES FEIAS MENOS FEIAS - Lara Vascouto

Liberdade de expressão não embeleza suas opiniões, não, campeão.

Indivíduo fala algo ofensivo e discriminatório contra um determinado grupo. Pessoas reagem indignadas. Indivíduo se sente imediatamente vitimado.

“Que isso, só tô falando minha opinião! Vocês estão atentando contra a minha liberdade de expressão!”

Essa se tornou uma dinâmica típica de discussões atualmente. Já há um bom tempo a pobre da liberdade de expressão está sendo usada indevidamente para defender “opiniões” ofensivas e discriminatórias de todo tipo, sejam elas misóginas, racistas, homofóbicas, transfóbicas, xenofóbicas, ou o que quer que seja.

É como se, de uns tempos pra cá, todos os cretinos do mundo tivessem descoberto que o direito a liberdade de expressão confere a eles uma espécie de passe livre para comportamentos, piadas e comentários que indiretamente (ou não) promovem a intolerância, a violência, o medo, a intimidação, o ódio e a opressão.

Liberdade de expressão é importante, sim. Não me entenda mal. Sem ela uma democracia simplesmente não funciona.

A questão é que até ela tem limites, e como todas as outras formas de liberdade, a sua acaba onde começa a do outro. É justamente porque nós vivemos em sociedade e a liberdade de todos os indivíduos deve ser respeitada, que todos (mesmo os cretinos) devem aceitar e entender que não dá para sair por aí falando o que bem entender. Isso vale tanto para discurso de ódio – que a lei brasileira proíbe e pune, levantando o dedo do meio bem na fuça da liberdade de expressão – como para falas, práticas e comportamentos cotidianos.

Toda a nossa existência é constantemente regida por pequenas regras sociais que limitam nossas ações e comportamentos de acordo com a situação, contexto ou mesmo local onde nos encontramos. Todo mundo concorda em adequar o próprio comportamento ao local de trabalho, por exemplo. Da mesma forma, ninguém chega em um funeral questionando o valor da vida e obra do falecido.

Mas basta o bom senso, o respeito e a civilidade se meterem na frente de alguém que quer muito disseminar discórdia (ou que não quer perder a chance de fazer uma piada sem graça, imagine só!), para o indivíduo ficar revoltado e puxar do rabo um tratado sobre como está sendo vítima de censura. Isso me deixa realmente confusa. Como é possível a pessoa que ofendeu achar que tem razão ao se sentir ofendida quando o grupo que foi ofendido em primeiro lugar reclama? Como isso faz sentido?

Agora, discurso de ódio contra uma determinada raça, religião, etnia ou procedência nacional já é passível de punição pela legislação brasileira, e existe projeto de lei para incluir aí orientação sexual, gênero e identidade de gênero. Mas existem milhares de outras situações que caem em uma área cinza e dependem da sensibilidade e do bom senso das pessoas. E é aí que a coisa descamba, porque se tem uma coisa que muita gente não gosta de fazer é praticar o bom senso.

Sem falta, alguém sempre vai falar alguma asneira que por pouco não se encaixa na definição de discurso de ódio. O problema é que ao invés de tentar entender por que milhares de pessoas indignadas estão se sentindo tão ofendidas (e pedir desculpas – HAHAHA, essa foi boa, eu sei), essa pessoa vai logo começar a gritar LIBERDADE DE EXPRESSÃO tão alto que soldados lá na Coréia do Norte vão pular da cadeira e prender o primeiro pobre coitado que passar pela frente.

Se você é uma dessas pessoas, pode ficar tranquilo, porque você meio que tem razão. Com exceção do que é realmente discurso de ódio, a liberdade de expressão te dá mesmo o direito de falar a babaquice que quiser. Não tenho como impedi-lo. Mas nada me impede também de apontar o quão babacas são as suas opiniões – ainda mais se o único argumento que você consegue pensar para justificá-las é o fato de poder dizê-las em voz alta sem ser preso.

Porque, sabe… Você tem o seu direito a liberdade de expressão. Mas eu também tenho o meu.
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OS VERDADEIROS MALES - Marguerite Yourcenar

 Vejo uma objeção a qualquer esforço para melhorar a condição humana: é que os homens são talvez indignos dele. Mas repilo-a sem dificuldade: enquanto o sonho de Calígula se mantiver irrealizável e todo o gênero humano se não reduzir a uma única cabeça oferecida ao cutelo, teremos que o tolerar, conter e utilizar para os nossos fins; sem dúvida que o nosso interesse será servi-lo.

O meu processo baseava-se numa série de observações feitas desde há muito tempo em mim próprio: toda a explicação lúcida me convenceu sempre, toda a delicadeza me conquistou, toda a felicidade me tornou moderado.

E nunca prestei grande atenção às pessoas bem intencionadas que dizem que a felicidade excita que a liberdade enfraquece e que a humanidade corrompe aqueles sobre quem é exercida. Pode ser: mas, no estado habitual do mundo, é como recusar a alimentação necessária a um homem emagrecido com receio de que alguns anos depois ele possa sofrer de superabundância.

Quando se tiver diminuído o mais possível as servidões inúteis, evitado as desgraças desnecessárias, continuará a haver sempre, para manter vivas as virtudes heróicas do homem, a longa série de verdadeiros males, a morte, a velhice, as doenças incuráveis, o amor não correspondido, a amizade recusada ou traída, a mediocridade de uma vida menos vasta que os nossos projetos e mais enevoada que os nossos sonhos: todas as infelicidades causadas pela divina natureza das coisas.
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NÃO DORMIR BEM DESCONTROLA AS EMOÇÕES.

Parece incrível, mas dormir está se transformando em um luxo do qual nem todos podem usufruir. O sono é uma das dimensões na qual qualquer dificuldade emocional aparece primeiro. Por sua vez, não dormir bem gera diferentes riscos e acentua diversos problemas existentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um adulto normal precisa dormir entre 7 e 8 horas por noite para obter um descanso ótimo, tanto físico quanto mental. Por sua vez, os efeitos de não dormir podem ser muito graves. Entre eles, a OMS alerta sobre um em especial: passar apenas uma noite sem dormir pode provocar a perda de tecido cerebral.

“A felicidade para mim consiste em gozar de boa saúde, dormir sem medo e acordar sem angústia.”
–Françoise Sagan–

Quando as horas de sono não são suficientes ou não se consegue dormir profundamente, a pessoa fica literalmente com os nervos à flor da pele. É frequente que se mostre altamente irritada ou especialmente sensível diante de qualquer tipo de estímulo. Isso ficou comprovado em várias pesquisas a respeito do tema.

Não dormir provoca um “furacão de emoções”

Recentemente foi realizada uma pesquisa sobre o sono na Universidade de Tel Aviv, que em seguida foi publicada na revista Journal of Neuroscience. A pesquisa comprovou que quem não dorme o suficiente percebe e sente a realidade cotidiana de uma forma diferente.

A pesquisa teve por base um grupo de 18 adultos, que receberam um teste depois de uma noite bem dormida e logo outro, depois de uma noite sem dormir. O teste consistia em olhar uma série de imagens que incluíam algumas “emocionalmente positivas” (um ursinho, por exemplo), outras “emocionalmente negativas” (um corpo mutilado) e outras que eram neutras (um talher, uma cadeira, etc.).

Todos os participantes foram monitorados por meio de eletroencefalogramas que permitiam observar a atividade do seu cérebro. A conclusão final foi de que, sem dormir bem, o cérebro dos participantes ficava simplesmente incapaz de diferenciar emocionalmente as imagens. A reação era praticamente a mesma com as imagens positivas, negativas e neutras. Segundo estes cientistas, tudo isto indicaria que existe um descontrole emocional.

Comportamentos irracionais e primários

Outra pesquisa realizada pela Universidade de Berkeley demostrou que dormir 2 ou mais horas a menos do que o necessário afeta severamente o lóbulo pré-frontal, que é a região que controla as emoções. O resultado disto é que a falta de sono leva a respostas mais irracionais e primitivas.

Matthew Walker, o diretor da pesquisa, apontou que não dormir bem “quebra os mecanismos que nos protegem das doenças mentais”. Acrescentou que o sono restaura os circuitos emocionais e permite enfrentar melhor os desafios da vida cotidiana.

Walker também afirmou que apesar de que popularmente acredita-se que a falta de sono leva a um estado de entorpecimento e passividade, o fato é que acontece justamente o contrário. As pessoas que não dormem não se tornam mais passivas, mas sim 60% mais reativas, ou seja, mais violentas e descontroladas.

O preço de não dormir bem

Dormir de forma deficiente também leva a outros problemas. O equilíbrio emocional fica comprometido e a capacidade de reação diante aos estímulos fica vulnerável. Isto quer dizer que, quando não temos um bom padrão de sono, existe um risco mais alto de sofrer acidentes. Estima-se que dirigir sem ter dormido equivale a dirigir em estado de embriaguez.

Por outro lado, os padrões de pensamento também ficam significativamente alterados pela falta de sono. É muito mais difícil processar a informação que se recebe e tomar decisões. Uma pesquisa apontou que os erros médicos aumentam em 400% no caso de profissionais da saúde que fazem plantões de 24 horas seguidas. Da mesma forma, concluiu-se que quem dorme menos que o necessário pode desenvolver problemas de memória.

Não é apenas o cérebro que fica seriamente afetado pela falta de sono. Não dormir bem também aumenta a probabilidade do organismo começar a sofrer diretamente através de uma doença. Sabe-se, por exemplo, que o sistema imunológico fica prejudicado. Também existem dados que permitem concluir que a falta de sono incide em diabetes, câncer e obesidade.

Dito tudo isso, vale a pena avaliar se você está dormindo de forma adequada. O bom sono é um bem valioso que precisamos cuidar e preservar. Sem sombra de dúvida, constitui um dos grandes pilares da saúde mental.
Fonte: Site A mente é maravilhosa
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NENHUM ANIMAL É INSATISFEITO - Walt Whitman


 Eu penso que poderia retornar e viver com os animais, tão plácidos e autocontidos; eu paro e me ponho a observá-los longamente.

Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição; eles não se deitam despertos no escuro e choram pelos seus pecados; eles não me deixam nauseado discutindo o seu dever perante Deus.

Nenhum deles é insatisfeito, nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas; nenhum se ajoelha para o outro, nem para os que viveram há milhares de anos; nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo. 
WALT WHITMAN - Estados Unidos
Poeta -  *1819 // +1892
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A SAUDADE DE QUEM JÁ MORREU - Viviane Battistella

 Quem sente sabe, a saudade é presença. A saudade permanece.
 É o que fica quando a dor se vai, a revolta se vai. 
Saudade não morre.

Saudade maior é de quem já se foi. Mesmo nos que nutrem a fé no reencontro, é visível a dor de ter que seguir longe de quem se queria por perto. A dor de perder quem nos é querido, pela astuta ação da morte deixa em todos nos a marca da saudade.

Quando a morte ocorre, experimentamos a forte dor e a sensação de termos perdido o chão, perdido as raízes e estarmos, então, soltos no mundo. A falta do outro bagunça e desestrutura. Sofremos muito e então vem o luto.

O luto é um processo de adaptação após perdermos algo ou alguém que era importante para nós, ou seja, uma perda significativa. Quanto maior o vínculo afetivo, maior será o impacto. O luto é a incapacidade que temos de nos divertir, de estarmos felizes.

Por um tempo é como se funcionássemos no automático e só conseguimos nos ocupar das tarefas cotidianas e daquilo que chamamos de trabalho. Quanto mais repentina é a ação da morte, mais é exigido de nós.

Muitos se vão aos poucos, vão adoecendo e partindo lentamente, dando-nos assim tempo de assimilar e digerir a difícil realidade. Na contramão, há situação nas quais somos pegos de surpresa pela partida repentina de quem estava ali ontem, jovem, cheio de vida. A morte exige muito de nós, exige muita coragem.

O que fazer então quando ela nos encontra e leva de nós quem amamos?

Em primeiro lugar devemos entender e aceitar que vamos sofrer e então tentar sofrer o mínimo de tempo possível. Quem sofre mais tempo não significa que vive um luto maior nem tampouco que sua dor e/ou seu afeto por quem se foi é maior. O sofrimento pelo sofrimento não tem nada de digno, nem de profundo ou saudável.

O sofrer deve ser superado com resiliência (aquela capacidade de cair e se levantar o mais breve possível) e nunca alimentado. Superar a dor, superar o luto deve ser sempre o nosso objetivo, aprendendo sempre. A dor sempre nos ensina muito e ela é inevitável.

Talvez vocês concordem comigo em afirmar que a maior dor que o ser humano pode vivenciar é a dor da perda de um filho. Acredito que a maior injustiça, que o maior descompasso, que o maior equívoco da natureza é um filho partir antes dos pais, obrigando-os à suportar a dor de uma dilacerante ferida e a depois caminhar com uma cicatriz inescondível. Talvez então vocês estejam agora me perguntando como e onde conseguir motivação, força para superar algo tão penoso assim.

Acredito que a ternura e a fé hão de ser ainda maior e que não há nada a fazer a não ser superar e seguir. Negar, agredir, deprimir-se, desistir…, nenhuma dessas alternativas funciona. O fim de tudo é sempre a aceitação e há vários caminhos para se chegar a ela.

Lembro-me de um depoimento bonito de uma paciente que, ao perder repentinamente a filha jovem em decorrência de um acidente de trânsito, um dia me disse:
-Ao ler A Cabana eu achei um caminho para seguir.

E assim, depois de um tempo ela conseguiu abandonar os psicotrópicos.

O caminho pode estar em um livro, na fé, nas relações afetivas, na caridade ou em qualquer lugar. Ele existe e nós o chamamos de motivação. Cabe a cada um descobrir o que lhe motiva, o que lhe faz vivo e lhe dá força, combustível para seguir.

A única pessoa que permanecerá conosco pelo resto de nossas vidas somos nós mesmos. Por isso nós, estudiosos do comportamento e das emoções humanas, insistimos tanto para que, cada um de nós, tenha uma ótima relação consigo mesmo. E importante que nos bastemos e que possamos nos carregar no colo, que possamos jogar no nosso próprio time, que nos amemos a ponto de cuidar de nós mesmos e das nossas feridas.

A saudade é companheira de todos nós.
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VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO! MAS DEVIA... - Mario Feitosa

Possuímos dispositivos de algumas polegadas, pouco maiores que as palmas de nossas mãos, capazes de acessar, ao toque na tela, todo o produto intelectual humano de nossa história.

Indo conosco onde quer que formos, cada vez menores e mais poderosos, esses dispositivos nos fazem oniscientes em potencial.

Mas que uso estamos dando a esses artefatos mágicos?

Aliás, estamos usando ou sendo usados?

Muito já foi dito a respeito do que segue. Arrisco estar repetindo dezenas de outras reflexões, talvez com os mesmos argumentos, sendo, apenas mais-do-mesmo, mas ainda precisamos refletir muito a esse respeito. Assim, lá vamos nós outra vez.

Solidão é uma realidade muito foda! Solidão, esquecendo o conceito convencional, que leva a entender como "não ter ninguém", é um paraíso particular. Arriscando ser odiado, não consigo envolver outro termo diferente para exprimir o conceito. Solidão é estar sozinho, e estar sozinho, sempre que possível, é absolutamente necessário.

Solidão convida à reflexão, à meditação, ao pensamento profundo. Ao avesso dos livros, solidão é pensar pela própria cabeça.

Reflexão, a capacidade de olhar e olhar de forma profunda, de trazer para si, refletir... Reflexão se faz no escuro, em silêncio, sozinho...

Mas quem reflete, hoje em dia?! Quem consegue escuridão, quando as telinhas iluminadas dos celulares não se apagam nunca? Quando os PowerBanks garantem baterias inesgotáveis?

Quando sempre podemos habilitar economias de energia, a fim de que jamais se apaguem? A tecnologia nos privou da escuridão...

E o silêncio? Como ficar em silêncio, quando a televisão nunca se cala, quando há música tocando o tempo todo e as notificações dos nossos Apps ecoam na nossa cabeça, convidando ao update? A tecnologia nos priva, também, do silêncio...

Seguindo, como estar sozinhos? Como é possível estar só quando os Messengers e Whatsapps nos oferecem companhias full-time, quando os grupos não param, e as timelines nos alimentam?!

A tecnologia, por fim, nos tirou o direito de ficarmos sozinhos, a não ser que queiramos viver "em modo avião"...

Olha lá que bacana: estamos refletindo! Estamos espelhando a realidade nunca percebida na nossa fantasia, e pensando... Estamos trazendo à tona um problema, resultado da não-reflexão, resultado da não-solidão: não pensamos, e não pensando, não sabemos! E não sabendo, não conhecemos! E não conhecendo, não conhecemos a nós mesmos, e jamais olharemos p'ro lado! Se não olharmos p'ro lado, nunca seremos!

Queridos, precisamos estar sós. Precisamos olhar p'ra dentro de nós mesmos e buscar as perguntas, para podermos trabalhar nas respostas... Quem sou eu?! Do que gosto?! O quê não gosto?! O que sabia fazer?! Posso voltar?! O que não sei, mas gostaria?! Isso sou eu!

O desconhecido nos apavora! E se nos somos desconhecidos, obviamente temeremos estar sós, e nos afundaremos em semi-companhias, semi-relacionamentos, semi-relações...

Camaleões-sociais, que se camuflam, acuados, aos ambientes, apenas estando, nunca sendo... Consumindo, nas telinhas brilhantes, muitos dados e nada de informação.

Só se ama aquilo que se conhece, e profundamente, afinal, "o essencial é invisível aos olhos", como dizia Exupéry.

Estaremos condenados à triste solidão acompanhada enquanto não nos permitirmos a deliciosa solidão completa, que completa, que permite o autoconhecimento, que nos leva a apaixonarmo-nos por nós mesmos, a deliciosa experiência do saudável amor próprio, livre de soberba, repleto de constatação real de nossos tesouros e esgotos particulares, da verdade, adequando nosso entendimento à realidade...

"Ah, mas trabalho, filhos, casamento, contas e dívidas me consomem todo o tempo. Já não me cabe mais estar sozinho...". Muitos de nós apresentarão imediatamente essa escusa (e me perdoem a audácia de chamar tal constatação de "escusa").

Mas ouso questionar: a quantos programas de televisão você assistiu hoje? Quantos sagrados minutos você desperdiçou assistindo aquela "pegadinha" no YouTube?

Quantas maratonas de seriados pretende fazer no Netflix esse final de semana? Quantas fases passou, hoje, no CandyCrush? Quantas roladas de página deu no Instagram ou 9gag, p'ra ocupar a mente no momento do ócio...

Numa vida tão corrida e tão desgastante, jura que houveram minutos de ócio?! Não seria, então, mau aproveitamento, em vez da falta de tempo?!

Aprendamos, pois, a repensar, a fazer esforços mais consistentes no que realmente importa: a saúde. Mas saúde da alma, da mente, que hora ou outra nos convidará à saúde do corpo, afinal nos fará apaixonados por nós mesmos, e, conseqüentemente, muito mais apaixonados pelo mundo e pela vida, e mais capazes de amar, de dar amor, e mais merecedores de receber.

Reflitamos, olhemos para dentro, no escuro, no silêncio e na solidão, que seja no momento de fechar os olhos à noite, antes de dormir, na caminhada até a Padaria, até na ida ao banheiro (não, não é bizarro mencionar isso. Bizarro é pensar quantas vezes vamos acompanhados de nossos celulares... Isso, sim, é bizarro).

Reflitamos! Usemos a tecnologia para seu real propósito: melhorar nossas vidas. Por fim, reflitamos, e tudo terá muito mais cores, formas, tons, ritmos, cheiros e gostos. Vai por mim ;).
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8 SINAIS DE ESGOTAMENTO MENTAL - Marilia de Andrade Conde Aguilar

Você já se sentiu tão esgotado a ponto de não ter mais motivação de fazer nem aquilo de que gosta? Já se sentiu tão pra baixo a ponto de não conseguir ver alegria no que faz e tudo ser motivo de irritação?

Pois eu já…

É muito comum as pessoas confundirem esgotamento mental e depressão porque esses dois problemas têm sintomas em comum.

O esgotamento está geralmente associado ao estresse do trabalho e ao desgaste mental. Depressão pode ou não estar relacionada ao trabalho.

Pessoas com esgotamento mental apresentam problemas de atenção e o nível de esgotamento pode ser medido de acordo com o número de lapsos cognitivos que a pessoa tem em um dia, tais como dizer coisas sem pensar, esquecer nomes, não reparar em um sinal vermelho enquanto dirige…

Estudos têm demonstrado que os homens apresentam mais dificuldade em assumir que estão esgotados. Muitos deles acham que isso é um sinal de fraqueza. Outros estão tão absorvidos em prover as necessidades materiais da família que não admitem que possam já ter passado do próprio limite.

As consequências disso podem ser desastrosas.
Por isso é muito importante que você saiba identificar os sinais de esgotamento em você e nos outros. Entre eles, podemos citar:

1. Tempestade em copo d’água
Quando, mesmo diante do menor dos problemas, a pessoa se descontrola já é um sinal claro de esgotamento.

Nessa situação ela está tão exaurida em suas capacidades mentais que não consegue mais distinguir com clareza um problema simples de algo realmente grande.

2. Cansaço crônico
Sentir-se exausto é um dos principais sintomas do esgotamento.
Não se trata apenas em sentir-se extremamente cansado uma vez ou outra. Mas, em um sentimento constante de cansaço. A pessoa sente-se o tempo todo sobrecarregada e esgotada.

3. Imunidade baixa
A adrenalina que o corpo produz nas situações de estresse ajuda a pessoa a estar em alerta. Mas produz estragos no sistema imunológico.

Com a resistência em baixa, a pessoa tende a ficar doente com mais frequência. Doenças que podem ir desde resfriados, crises de enxaqueca, dores de estômago até palpitações no coração.

4. Sentimento de ineficiência
A pessoa mentalmente esgotada sente que não consegue atingir seus objetivos na vida.

Com esse sentimento, a confiança da pessoa vai pelo ralo, e ela se sente ainda menos capaz diante dos desafios. O que gera efeitos desastrosos na autoestima.

5. Apatia generalizada
O entusiasmo pelo trabalho apaga e parece que tudo e todos são motivos de descontentamento para a pessoa esgotada.

Ela não sente mais motivação no que faz e se contenta em fazer o mínimo. Muitas vezes, não tem motivação nem para fazer as coisas que gosta.

6. Perfeccionismo exagerado
Pesquisas recentes demonstram que as pessoas perfeccionistas têm um risco muito maior de esgotamento. Isso porque o padrão de perfeição criado por elas consome muita energia, o que leva a um desgaste ainda maior.

Esse tipo de pessoa precisa avaliar com sinceridade se a perfeição é realmente essencial para cada projeto específico. A resposta geralmente é “não”.

7. Sem paradas
Um tempo para recuperação é muito importante na prevenção do esgotamento.

É preciso encontrar maneiras de se recuperar durante o trabalho (em pequenos intervalos), mas também após o trabalho (à noite, nos finais de semana, nas férias).

Quando falamos em descanso, não estamos nos referindo a dormir apenas. Mas, também, em dedicar-se a atividades que dão prazer – uma atividade física, um passeio em família, um hobby.

8. Muitas demandas do trabalho X poucos recursos de trabalho
Podemos explicar as “demandas do trabalho” como tudo aquilo que precisa ser feito – e, portanto, que consome esforço e energia.

Por “recursos de trabalho” podemos entender tudo aquilo que motiva, que nos ajuda a atingir os objetivos.

As demandas do trabalho não são necessariamente ruins. Mas, por causa da energia que consomem, precisam ser equilibradas com os recursos de trabalho.

O dinheiro é um recurso de trabalho muito importante – a expectativa da remuneração que vai receber motiva a fazer o que precisa ser feito. Mas esse não deve ser o único recurso de trabalho.

A alegria e a satisfação decorrentes da atividade exercida são muito importantes também (talvez até mais que o dinheiro!).

Entretanto, nem todos têm a oportunidade de fazer profissionalmente aquilo que realmente gostam. Mas todos têm a oportunidade de usar seus dons e talentos no serviço voluntário.

Esse tipo de trabalho não dá um tostão como retorno, mas traz consigo importantes recursos de trabalho como a alegria no serviço, o amor ao próximo e a gratidão. Recursos esses que dão energia para fazer todas as outras coisas.

O esgotamento tem sido descrito como o maior risco profissional do século XXI.

Conhecer seus sintomas e como diminuir seus efeitos é um primeiro passo muito importante rumo a uma vida plena e feliz.
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