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PAISAGENS - Heloísa Seixas


Se eu pudesse levar comigo uma paisagem, se pudesse congelá-la e guardá-la, se pudesse tê-la eternamente, e revê-la sempre que quisesse, quando fosse para uma ilha deserta ou para outro mundo, não levaria uma – mas duas. Copacabana de manhã e Ipanema à tarde.

Copacabana de manhã.
Não a qualquer hora da manhã, mas às oito em ponto. Não em qualquer lugar, e sim na Avenida Atlântica, no Posto Seis. Mas pode ser em qualquer época do ano, não importa.

As amendoeiras junto à areia, os barcos de pesca, as redes. No mar, de poucas ondas, uns barquinhos, balançando. Além da ponta do Marimbás, as flores de espuma que se abrem em alto mar, quando a água rodeia as pedras submersas. Mais além, horizonte afora, as cadeias de montanhas, intermináveis, imutáveis, com suas cores em degradê, contendo todos os verdes, todos os cinzas, todos os azuis.

Na areia, onde o sol acaba de chegar, a alvura dos grãos em combinação perfeita com a calçada de pedras portuguesas, retrato em preto e branco cujas ondas passeiam pelo mundo inteiro. E à esquerda, a curva majestosa bordejada de prédios – não faz mal – terminando na pedra do Leme, com o volume do Pão de Açúcar por trás. Uma curva feminina, sensual, preguiçosa. Copacabana é uma mulher madura.

Ipanema, não. Ipanema é uma menina. É a outra paisagem que eu levaria comigo.

Ipanema à tarde.
Às quatro da tarde, antes do pôr do sol. E sendo outono. Ou um inverno com jeito de outono, como agora. Com muita, muita luz.

Mas não num dia qualquer, e sim num daqueles em que o vento sudoeste está começando a entrar, fazendo erguerem-se as cristas das ondas, como borrifos de monstros marinhos. Banhando a paisagem, a luz da tarde, um pouco oblíqua, só que muito alva, de arder a vista. Luz que faz refletir a areia, à essa hora uma enorme massa fria, pontilhada de banhistas tardios. Solitários. Porque às quatro da tarde de um dia assim, quem está por ali, na areia ou no mar, caminhando ou contemplando, é necessariamente um ser sozinho.

Na calçada, não. Na calçada à essa hora a vida fervilha. Há em quase tudo cor – nos coqueiros, nos quiosques, nas latas de lixo – e as pessoas caminham em frenesi, parecendo ter apenas um destino, um ponto de referência: as montanhas ao fundo.

Outro dia, num único dia, pude admirar essas duas paisagens. Copacabana de manhã, Ipanema à tarde. Num dia só, apenas um, lá estavam – as duas. Paisagens para se guardar na retina e na memória, para se rever em pensamento sempre, nos momentos de contemplação interior.

É quase impossível ser triste numa cidade assim.
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PODE APERTAR MINHA MÃO QUANDO DOER - Juliana Doretto

Eu olhava para cima e via o teto abobadado do prédio antigo, coberto por aquela luz gélida que só os hospitais conseguem ter. Não era a beleza arquitetônica que eu admirava. 

Era puro reflexo da dor dilacerante na região lombar: a cada espasmo, a cada sensação de faca entrando por entre os ossos e músculos, de choque profundo na base nas costas, eu fechava os olhos e levantava o queixo, segurando a respiração, para conter o grito no corredor e aliviar o sofrimento, que parecia aumentar quando o ar entrava pelos pulmões.

Eu não poderia imaginar que a roupa escolhida por mim naquela manhã de trabalho acabaria pendurada num vestíbulo de sala de radiografia. E, enquanto minha blusa de lã descansava, presa no gancho metálico pregado na parede do velho hospital público lisboeta, eu me contorcia de dor na mesa, deitada, esperando pelas ondas invisíveis que revelariam que nada estava quebrado. 

“É uma lesão traumática nos discos vertebrais”, explicaria a médica mais tarde, naquela noite.

Antes disso, porém, a técnica (ou médica) responsável pela radiografia me disse que, além da nudez acima do tronco, eu deveria “abrir as calças e chegar para baixo”. Uma leve túnica azul marinho tampava meus seios do olhar externo, mas nenhuma vergonha chegava até mim, tamanha a dor que ocupava meu pensamento. Com sofrimento e vagareza, abri o zíper e, quase uivando, fui deslizando meu corpo para baixo da mesa gelada, quando a senhora me disse: “Que estás a fazer”? “Não era para ir um pouco mais para baixo?” “Eu não disse chegue-se para baixo, mas chegue as calças para baixo”. A confusão semântica na mesma língua não poderia ter acontecido em hora menos dolorida?

Depois do escrutínio, chega a vez da “injeção no rabo”, e a picada no bumbum doeu menos do que as costas, que se contraíram com a aproximação da agulha. O machucado na lombar, provocado por uma quase queda no dia anterior, iria melhorar logo. E eu poderia esperar lá fora, no corredor. Encostada na parede do lado de fora da sala de emergência, vi à minha frente, pela porta de correr semiaberta que me dava visão para o atendimento, uma mulher a vomitar um líquido branco e viscoso. E minha dor só aumentou.

“Não quer se sentar?” Escuto uma voz à minha frente e levanto a cabeça, à procura da boca que havia pronunciado a frase. Do outro lado do corredor, uma moça, mais ou menos da minha idade, ostentava uma etiqueta no peito e me olhava com solidariedade. 

A identificação colada na roupa, e não usada como pulseira, como a minha (que ostentava o tom amarelado do código de “urgente”), mostrava que ela esperava por alguém que era atendido.

“Não posso me sentar. Tenho dor nas costas.” E veio outro espasmo. E mais uma vez meus olhos se fecharam, a respiração bloqueou e eu olhei para o teto abobadado. Quando volto o pescoço para os 90 graus, abro os olhos, e a vejo atravessar o corredor que nos separava. “Pega na minha mão quando sentir dor. Ajuda. Eu já tive isso.” E então aquela desconhecida me deixou contrair os ossos de sua mão a cada vez que as costas me lembravam do motivo de eu estar ali.

Para além disso, o relaxante muscular começou a fazer efeito, e eu via o mundo mais embaçado. Ela arranja uma cadeira de rodas e eu posso soltar o corpo, enquanto os espasmos começam a diminuir pouco a pouco. Então chega o meu amigo e vizinho português que, talvez por ter nascido nas ilhas, mais perto do outro continente, herdou a simpatia e o afeto intenso dos brasileiros.

Mesmo o conhecendo há apenas duas semanas, ele atravessou Lisboa e foi resgatar a vizinha. Enquanto isso, outra amiga de menos de um mês, brasileira, me mandava mensagens preocupadas, me chamando de “irmãzinha”, como havíamos nos chamado num momento de carinho mais cedo naquele dia.

A solidariedade no sofrimento, o cuidado, o carinho. E a luz antes gélida ganha um tom mais quente, e a dor vai passando. O hospital público de Lisboa lembra os nossos, com funcionários e paciência de menos, mau humor e macas demais (tudo em menor grau).

Mas a atenção e o aconchego me lembraram também do conforto de casa. O abraço da mãe. O beijo do pai. Aquela mão que eu apertava firme representava isso tudo, e todo o resto.

Nota: Como essa história se passa em Lisboa, não ficaria imune ao surrealismo luso que tantas vezes já me surpreendeu. Antes disso tudo, logo ao chegar ao hospital, aproximou-se de mim uma senhorinha, que me olhava com cara de imensa pena. "Eu já tive uma dor como a da menina. Foram 17 meses de cama. 17 meses...." E repetia: "17 meses, 17 meses". Eu olhava pra ela, atônita, com imensa dor, enquanto ela repetia, na sua tentativa de ser solidária, e eu pensava no tempo que ficaria com aquela dor: “17 meses, 17 meses”...
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DIA DOS NAMORADOS - Arthur da Távola

Dia dos Namorados, a seguir, onde escrevi "namorado", leiam também "namorada", pois me refiro ao estado de "enamoramento", seja homem ou mulher.

Namorado (ou namorada) é:
um estado especial, uma espécie de vertigem com gosto de chegada à lua misturado com refresco de pitanga; nossa melhores expectativas; a fôrma do nosso exato modelo; o cheiro e gosto de pele das indefiníveis atrações vindas não se sabe de que encarnações;
É o estado de sentir antes de qualquer encontro todas as suas descobertas, mesmo as impossíveis, pouco importa se entre casados, solteiros, noivos, viúvos ou namorados mesmo; no trono dourado de uma fantasia, lembrança, amargura, saudade doce, breve recordação ou vivência nunca morta; feixes de luz.

São as luzes das partes nossas que nunca alcançamos; das vontades que não satisfizemos nem satisfaremos; dos sentimentos que jamais envelheceram; dos sonhos que negam-se a apagar, porque deles se nutre nossa a ânsia de viver, num mundo onde os namoros são a prova de que as pessoas estão ávidas para o encontro mais profundo com o que são e gostariam de trocar.

Namorado não é quem assim se denomina, como se namorar fosse o começo de uma escala hierárquica que depois continua com noivado e casamento. Namorado é o noivo, o marido, o amante, o tímido desejoso, o fiel impossibilitado, o infiel aturdido, o frustrado, o reprimido, sempre que neles se riscar o fósforo da verdade e acender a luz de sua vontade.

Namorado é o ser humano em estado de amor.
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DIA DOS NAMORADOS - Roberto Ferrari

Neste dia se comemora o Amor, mas fico pensando será que precisamos de um dia especial para festejarmos o amor pela pessoa amada?

Acredito que não, o amor deve ser festejado todos os dias ao lado de quem amamos, mesmo porque amar é estar com a alma em plena alegria e como dizia o grande poeta Vinícius de Moraes: “Se o amor é fantasia eu me encontro ultimamente em pleno carnaval”

Pois é a frase do Vinícius de Moraes toca fundo na alma daqueles quie ama e é perfeita para descrever o estado de emoções em que nos encontramos quando temos ao lado aquela pessoa especial.

Amar acima de tudo é respeitar, ser fiel, admirar a outra pessoa e principalmente se entregar de corpo e alma se querer nada em troca, uma entrega incondicional. Infelizmente muitas pessoas levam um relacionamento de forma errada durante o ano inteiro e no dia 12 de junho demonstram seus sentimentos, achando que isto vai limpar o erro acumulado do ano.

Acho que devemos ter um comportamento condizente durante o relacionamento e não vivermos das aparências de um dia, pois se assim o fizermos estaremos nos engando por achar que sentimos um amor verdadeiro, quando na verdade não sentimos nada pela outra pessoa, nem mesmo amizade. Digo que nem mesmo a amizade, pois amigos sinceros não traem, e são sinceros o tempo todo.

Outro pilar de uma relação estável é a liberdade que deve ser preservada acima de tudo. A liberdade é fundamental e junto com ela vem a confiança, ou seja, se  você confiar plenamente na pessoa amada permitirá que ela tenha uma vida em conjunto com você sem abdicar da própria vida. Estar num relacionamento não significa estar preso a outra pessoa ou ser propriedade de alguém.

Considero natural o ciúme, mas considero doentio o ciúme exagerado e neste caso parece ao ciumento que é dono da outra pessoa.

Considero que na trajetória da vida enfrentamos muitas situações difíceis em termos de relacionamento, mas se amarmos a outra pessoa com a alma e o coração superaremos qualquer obstáculo.

Portanto vamos amar intensamente e viver muitos momentos inesquecíveis ao lado da pessoa amada, sem receio de se entregar, tudo aliado a uma grande vontade de viver.

Deixo aqui um pequeno poema  para homenagear este dia:

O prazer dos meus olhos quando encontram os teus
Só não é maior do que sinto quando meus lábios encontram os teus
Uma sensação maravilhosa percorre nossas peles
E nossa alma grita nosso amor
Para o luar divino e inspirador!

Devemos ter sempre em mente que o amor é o que complementa nossa vida, é o que nos dá forças para continuar a enfrentar a vida, é o que nos permite olhar o mundo com outros olhos, enfim o Amor é a Vida!!!      
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TENHO SAUDADE DA CARÍCIA DOS TEUS BRAÇOS – Florbela Espanca

Tenho saudades da carícia dos teus braços, dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar.

Tenho saudades das tuas mãos (...) Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de oiro. Minha linda seda loira, como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos! Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser.

Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda.

Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer.

Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.
 Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)"

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LEBLON - O ROUBO QUE NUNCA ACONTECEU - EdmirSilveira

Tudo dentro do planejado. Com alguma folga. Ótimo, dá tempo de tomar um coco apreciando esse pôr do sol maravilhoso. Realmente, a meditação tem me feito muito bem, pensou Jair.

Ele avista seu alvo a uma distância perfeita. Levanta-se e mistura-se entre os “corredores” que passam. Regula seus passos no ritmo dos mais lentos.  Quando percebe a aproximação esperada, reduz ainda mais um pouco seu ritmo de modo que durante a ultrapassagem do alvo possa haver alguma troca de expressões. Após a ultrapassagem a distância aumenta apenas um pouco, o suficiente. E assim foram e voltaram até o arpoador. Na volta, a distância ficara bem maior, poderia despertar suspeitas manter uma distância próxima. Ele sabe onde o alvo vai parar.

Nos últimos metros ele dá um pique mais puxado e quando para no quiosque está bem ofegante, como deveria. Não foi difícil surgir um assuntos entre os dois enquanto tomam um coco. Quando o alvo se despede, já existe uma certa camaradagem carioca entre corredores de praia.

A partir daquele momento tudo tinha que ser preciso. Assim que o alvo atravessa as duas faixas da praia, na direção da Rua Cupertino Durão, ele apressa o passo e rapidamente está  do outro lado da rua, onde sabe que o alvo tem de passar. Encosta-se numa das árvores, entre dois carros estacionados, e aguarda. Ninguém vindo de nenhum dos lados.
O alvo passa e é abordado.

 - Sérgio, isso aqui é uma arma. Fica quieto e ouve com atenção. Vamos até a sua casa, andando devagar e conversando como dois amigos. Se você fizer qualquer coisa errada morre na hora. Ouviu? Responde! Ouviu?

Sérgio estava paralisado. Apenas balbuciou um sim quase inaudível.

Jair continua.

- Quanto mais nervoso você ficar mais perigoso fica para nós dois. Então fica calmo, e tudo vai dar certo. Prometo pra você.

Com a arma dentro do agasalho, mas já devidamente apresentada a Sérgio, os dois começam a andar na direção do elegante prédio do jovem deputado.

Sobem direto sem parar na portaria. Morador não precisa se identificar. E a maioria, nesses prédios, não dá boa noite a porteiros.

Sérgio mora sozinho.

Na ampla sala, Sérgio ainda não sabe o que estava realmente acontecendo. Um assalto comum não é. Está na cara.

Sérgio nunca fora dos mais corajosos, por isso estava acostumado a ser submisso sem questionar. Jair o manda sentar no sofá da sala e ele obedece.

À essa altura, por todo o contexto percebido, Sérgio tem quase certeza que sabe porque Jair está ali.

Sérgio ainda bastante nervoso tenta amenizar o clima.

- Fica tranqüilo, pode levar tudo o que você quiser. Não vou causar nenhum problema. Só quero ficar vivo.

Sérgio ainda tem a voz bastante trêmula de medo.

- Sérgio, sei que você tem R$ 500.000,00 em dinheiro aqui no seu apartamento. Sei a que horas, onde e a mando de quem você pegou essa grana. Sei que ninguém pode saber que essa mala existe e muito menos que está aqui na sua casa.

Sérgio ficou completamente branco. Pensou que seria roubado, mas aquilo era mais do que isso. Aquilo não era um simples assalto. Tinha algo a mais por trás.

- Você é policial federal? Perguntou Sérgio.

- Sorte sua que não!!  Respondeu Jair soltando um riso.

Mesmo sem ainda entender direito, Sérgio já está um pouco mais calmo. Já percebera que não está lidando com ladrãozinho pé de chinelo. Pelo linguajar e pela postura, Jair é profissional. Talvez até da rede pública. Na verdade, não dava para fazer idéia de quem se trata e de onde surgiu aquele Jair.

Jair pega seu celular e começa a filmar Sérgio.

- Você vai gravar? O quê? Pergunta Sérgio.

- Se levanta e vai pegar a mala com o dinheiro. Diz Jair apontando o celular.

Sérgio hesita e fala:
- Não está mais aqui... o secretário do senador já pegou...
A voz falhada de Sérgio irrita Jair, que rapidamente troca o celular pela pistola e aponta para ele.

O corajoso deputado joga-se ao chão implorando pela vida, dizendo que a mala estava dentro do armário no quarto principal.

Jair não segura o riso. Recompõe-se, volta a falar manso e deixa que o deputado troque a calça e a cueca nas quais havia mijado.

Enquanto Sérgio entra em seu quarto, abre o armário, pega a mala, coloca-a sobre sua cama e a abre, Jair grava tudo ininterruptamente com o celular. Enquandrando o quarto inteiro, alternando com closes da mala e dos retratos no quarto do deputado, para caracterizar com detalhes onde estão.

A seguir, vão para a sala onde Jair também o grava com a mala aberta com dinheiro sobre a mesa de jantar com a sala inteira ao fundo.

Pronto, aquele vídeo não deixa dúvidas de que aquele dinheiro esteve com o deputado dentro de sua casa.

Jair recolhe a mala com o dinheiro. Diante do atônito e corajoso deputado, coloca seu agasalho esportivo de marca. Guarda o celular e a pistola.

- Bem Sérgio, agora vai ser o seguinte. Daqui a duas horas vou enviar para você, pelo seu whatsApp, o vídeo que fizemos agora. Ou seja, eu tenho a prova de que você estava com 500 mil reais em dinheiro vivo e que não tem como explicar como vieram parar aqui sem comprometer muita gente graúda. Mostre esse vídeo para a sua “gangue”, porque isso também garante que você não pode ser preso para não delatar. Ou seja, não aconteceu nada. Se eu souber que tem alguém atrás de mim, jogo esse vídeo na internet na hora.

Sérgio ouvira calado e calado permanecia. Não tinha nada a dizer. Não podia fazer nada. A não ser aguardar o vídeo para garantir que continuaria vivo e interessante para o poder que representava.

Jair sai do prédio tranquilamente, não sem antes perguntar ao porteiro quanto estava o jogo no Maracanã.
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CRIVELLA MOSTRA QUE QUER ACABAR COM O CARNAVAL DO RIO – EdmirSilveira

A vida político-policial brasileira está tão frenética na escala federal que temos pouco ou nenhum tempo para prestar atenção nos desmandos que acontecem na esfera da nossa cidade. Nesse contexto, Crivella está como pinto no lixo, no caso dele, pastor no cofre.

Já no seu primeiro carnaval como prefeito do Rio, pouco depois de empossado, mostrou claramente sua intenção de diminuir e menosprezar a maior festa popular do mundo e, literalmente, vital para a vida econômica da nossa falida cidade. Naquela data, o pastor-Prefeito fez questão de, não só demonstrar seu menosprezo pelas nossas tradições, como fez questão, também, de jogá-lo na cara de todos, sem a menor cerimônia. Aliás, literalmente, sem cerimônia. 

Ele faltou à tradicional cerimônia de entrega das chaves da cidade feita pelo prefeito ao Rei Momo e sua corte. Na hora prevista, todos os personagens da festa estavam em seus lugares. A cerimônia estava pronta. Mas, ele não deu as caras. Deu um perdido na galera... Causou um grande constrangimento e não demonstrou se importar nem um pouco com isso. Chutou a alma carioca da mesma forma que seu correligionário pastor chutou a padroeira do Brasil. Sem a menor cerimônia ou respeito.

Hoje, 12 de junho, vendo um telejornal local, por acaso, me deparo com a declaração do pastor-Prefeito Crivella dizendo que cortaria 50% da verba para o carnaval carioca. E continuou sua declaração, dizendo que utilizaria essa verba para pagar as creches conveniadas do município.

Nunca tinha visto tamanho cinismo. Esse tipo de ardil sócio-sentimental de quinta categoria é inadmissível. É um achincalhe, uma ofensa, um escarro no rosto da nossa cidade já roubada e estraçalhada até a alma. Dito no popular da maneira mais carioca que existe: 
- Tá de sacanagem!!

Depois do episódio de nepotismo envolvendo a nomeação do Crivellinha Júnior, quantos outros ardis já não estão acontecendo agora? Que pano de fundo mais ideal poderia existir para a esfera municipal desmandar do que esse que temos agora?

Todas as atenções estão voltadas para Brasília. No Executivo, no legislativo e no judiciário não tem pra ninguém, só dá Brasília. Só uma profissão está empregando hoje no Brasil: o jornalismo. Pela primeira vez na história os telejornais dão mais audiência que novelas. Gilmar Mendes já está até mandando a “modéstia às favas”.

É hora de tirar até os ditados das gavetas e ficar com “um olho no padre e outro na missa”.

É, no mínino, exdruxula a idéia do pastor-Prefeito de esvaziar o carnaval do Rio em nome de idéias agressivas e perigosas, que pregam ódio e chutam santas, além de uma burrice estratégica e pobreza de espírito sem precedentes na cidade. 

E, para mascarar os verdadeiros objetivos, lançou mão do ardil de declarar que essa verba seria para pagar as "creches conveniadas para as criancinhas do município", visando sensibilizar a opinião pública. Uma atitude cínica e de uma baixeza torpe, característica dos demagogos mais sem escrúpulos. 

Porque em vez de cortar 50% das verbas do carnaval, não destina por decreto parte da gigantesca arrecadação oriunda da movimentação econômica bilionária que reverte aos cofres do município e pague  as importantissimas creches municipais e tudo mais que for possível.

Aproveite pastor-Prefeito Crivella e apresente um projeto de lei que faça com que os bilhões de reais que sua igreja não recolhe de impostos passem a ser recolhidos.

Isso sim é uma indecência sem vergonha.
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AMOR - Roberto Ferrari

Ah!! O amor palavra tão fácil de ser falada, mas um sentimento difícil de ser sentido. Digo isto, pois o sentimento em si é lindo, mas tem que vir acompanhado de outras coisas para ser verdadeiro, sincero, para ser aquele que vem do fundo da alma, aquele que é fado pelo coração.

O amor sem fidelidade, sem respeito, sem cumplicidade, é um sentimento de propriedade, pois queremos que a outra pessoa seja submissa  e nos achamos no direito de fazer tudo o que bem entendermos.

È uma situação que difere totalmente de uma relação benéfica, de uma relação equilibrada, enfim a relação de quem ama deve ser plena de satisfação.

As pessoas podem me perguntar: Como que você o poeta do amor consegue falar de forma tão equilibrada sobre uma relação de amor?
Respondo a todos que o amor continua sendo emoção sem muita razão, entrega  total e muita química entre as pessoas, mas que querer os complementos que fazem a felicidade é obrigatório e muito normal de ser exigido.

Pergunto a todos aqueles que pensam na infidelidade, vocês gostariam que seu companheiro (a) cometesse alguma infidelidade contra vocês?

Lógico que não, então antes de pensar em cometer um ato impensado, conte até dez e esfrie a cabeça. Vale muito mais ter aquela pessoa que te ama e respeita ao seu lado do que partir para uma aventura sem futuro, mas se você achar que pode ser sério, não traia, termine antes a relação antiga para começar outra.

Não pense em testar para ver se vai dar certo, pois assim você estará magoando a outra pessoa e se machucando sem perceber.

Vocês podem me perguntar por que escrevi um texto desses do nada, e eu responderei que quanto mais vivo, quanto mais amo, mais me sinto a vontade de externar meu modo de ser na esperança de poder ajudar alguma pessoa que venha a ler o texto ou mesmo para revelar um pouco do meu interior.

De vez em quando se vocês me permitirem colocarei alguns dos meus pensamentos sobre assuntos importantes ou mesmo situações que vivenciei, espero não incomodar vocês.
Roberto Ferrari                                                         
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MUDAR O GOVERNO – Mia Couto

Não se pode governar um país como se a política fosse um quintal e a economia fosse um bazar. Ao avaliar um regime de governação precisamos, no entanto, de ir mais fundo e saber se as questões não provêm do regime mas do sistema e a cultura que esse sistema vai gerando. 

Pode-se mudar o governo e tudo continuará igual se mantivermos intacto o sistema de fazer economia, o sistema que administra os recursos da nossa sociedade. Nós temos hoje gente com dinheiro. Isso em si mesmo não é mau. Mas esses endinheirados não são ricos. Ser rico é outra coisa. Ser rico é produzir emprego. Ser rico é produzir riqueza. Os nossos novos-ricos são quase sempre predadores, vivem da venda e revenda de recursos nacionais.

Afinal, culpar o governo ou o sistema e ficar apenas por aí é fácil. Alguém dizia que «governar é tão fácil que todos o sabem fazer até ao dia em que são governo». A verdade é que muitos dos problemas que nós vivemos resultam da falta de resposta nossa como cidadãos activos. 

Resulta de apenas reagirmos no limite quando não há outra resposta senão a violência cega. Grande parte dos problemas resulta de ficarmos calados quando podemos pensar e falar.
in 'E Se Obama Fosse Africano?'
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SOMOS INSTANTES

Somos instantes, momentos passageiros e uma sucessão de memórias. Somos viajantes no tempo, em uma fração do mundo na qual instalamos nossa vida como se fosse durar para sempre. Mas a verdade é que somos fugazes, somos como as pegadas na areia que as ondas apagam a qualquer momento. Entretanto, apesar de tudo isso, acreditamos que somos de cimento.

Nos esforçamos para viver instalados na história daquilo que nos machuca e no pesar de não ter aquilo que nos falta, e esquecemos de viver aquilo que temos. Deixamos que o tempo escape sem pensar que nada é eterno, nem o que você ama nem o que machuca, porque na verdade somos uma sucessão de momentos, somos instantes passageiros.

Queremos tudo na hora, não temos espaço para o descanso, tudo é rápido, tudo passa e nada é aproveitado. No mundo do fast food, dos namoros rápidos e dos horários repletos de compromissos de trabalho, perdemos a perspectiva do valor do tempo, nos preocupando mais com o sofrimento do que com o prazer das coisas simples da vida.

Somos uns loucos que não sabem viver o momento
Somos uns loucos que não sabem viver o momento. Preferimos ir rápido olhando para o chão ao invés de aproveitar o lugar em que estamos. Preferimos correr para chegar em qualquer lugar ao invés de passear e respirar o que nos cerca. Preferimos deixar que o tempo escape por entre nossos dedos em vez de agarrar o momento com força para vivê-lo sem medo.

Queremos tudo depressa porque sempre há algo mais importante, algo além de aproveitar o momento presente, e nos esquecemos de aproveitar aquilo que temos porque nunca estamos parados o suficiente para dar-nos conta disso. Vivemos trancados no túnel do tempo, um túnel escuro com apenas uma luz no fundo que nos impede de ver aquilo que nos cerca e que sempre nos empurra cegamente na direção desse futuro incerto.

Somos instantes que vivemos como se fôssemos eternos. Somos instantes que não sabem aproveitar o que existe ao nosso redor a todo momento.

Somos “masoquistas” instalados no sofrimento
Em contrapartida, quando algo nos machuca, somos “masoquistas” instalados no sofrimento. Nós mergulhamos na dor e abraçamos a queixa como se não houvesse nada mais no mundo além dos nossos problemas. Ficamos cegos diante dessa dor e deixamos de ver que há mais coisas aí afora.

Mergulhamos em nossas feridas lentamente e sem procurar soluções. Nossas conversas se tornam monótonas a cada dia, porque nós paramos nossos relógios naquilo que nos machuca. Somos menos instantes quando sofremos, então somos eternos e prejudiciais.

Se somos instantes, vamos viver sem medo 
Por isso, é melhor lembrar que se somos instantes, o melhor a se fazer é vivê-los plenamente e sem medo. Nós escolhemos como passamos nossos momentos. Podemos dizer que um copo de água está meio cheio ou podemos dizer que está meio vazio, e ambas as posturas são corretas, mas a maneira mais otimista é a que fará com que você aproveite mais a vida.

Temos que pensar que tudo passa, tudo muda e tudo pode se modificar. Podemos decidir como vivemos nossas próprias situações, tantos as boas como as ruins. Podemos aproveitar cada momento presente sem deixá-lo escapar e podemos escapar do sofrimento sem que ele nos prenda, porém aceitando ambos em sua justa medida.

Você decide como passar cada instante, como colorir cada memória e como aceitar cada momento. Você vive a sua vida e modela o seu presente. Só você pode optar por aproveitar cada passo do caminho ou ficar preso aos seus medos e não aproveitar cada momento.

Apenas você pode evitar que quando chegue seu final, você queira pedir tempo ao tempo por sentir falta daquilo que não fez. Ninguém pode dar mais tempo ao relógio, os instantes passam, você decide se aproveita ou deixa passar. Cada segundo conta, viva e não olhe para trás, viva ou então irá se arrepender.
Site: Demasiado Humano
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