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SER FELIZ PARA SEMPRE É SER FELIZ UM DIA DE CADA VEZ - Mõnica Raouf El Bayeh

Foram felizes para sempre. O dia seguinte ao final feliz sempre me fascinou.

Felizes para sempre é até quando? O que aconteceria com o final feliz, se a história continuasse além da lua de mel? Um ano depois, por exemplo?

Será que princesa ronca? Acorda com a cara amassada? Tem mau hálito de manhã? Vomita pelo palácio na gravidez? Teria ciúmes das amigas do príncipe do facebook?

Quanto a nós, simples mortais, acho que vivemos também, de certa maneira, num conto de fadas.

Há dias em que as coisas acontecem como que por encanto. Uma fada madrinha atenta adivinha seus desejos mais secretos. A vida é leve. Você flutua satisfeito.

Há dias em que a bruxa está solta. E as fadas somem num sacudir de varinha.

Querem seu coração na bandeja. Só te oferecem maçã envenenada. Tudo desanda . A vontade é de dormir cem anos. E só acordar quando tudo estiver resolvido.

Há dias em que temos um príncipe . Do tipo lindo, perfumado, nos trazendo flores e todo seu amor. E há dias, complicados, em que o príncipe vira um sapo. Um sapo bem difícil de engolir. Dias em que você precisava de um desbravador com espada em punho para ir na frente, decidir, escolher, facilitar. 

Mas o máximo que consegue é um anão. Esperando você para cozinhar.

Há dias de espelho camarada. Você olha e ele te reflete linda. Sim , de todas a mais bela. Até deu uma emagrecida. Você fica eufórica. Ganha o dia. Já sai feliz.

Há dias em que aquele espelho safado mostra que você virou uma abóbora. A frio. Sem dó nem piedade.

Você cogita se vingar. Mas, desiste. Pior que ser abóbora, é ser uma abóbora com 7 anos de azar. Cruzes!

Há dias de realeza. Luxo , festa, perfume francês. Você desfila glamurosa. Os olhares se voltam para você. Outros, dias de faxina, o borralho em pessoa. Rabo de cavalo , vassoura e esfregão. Fedendo a fritura, suor e poeira .

Dias de carruagem, música escolhida no pen drive, ar e direção hidráulica. Outros dias de sardinha.

Enlatada no vagão do metrô. Sacode em pé, funk ao fundo. Se equilibrando , sem nem ter onde cair.

A vida é um lindo conto de fadas? Eu acredito nisso. Uma história de fadas, bruxas, bons e maus. Principalmente, de bravos lutadores.

O pessoal rala muito nos contos de fadas . Enfrenta bruxas, feras, adversidades. Sofre.

Aproveita o que tem enquanto luta. Não para por ter que lutar com dragões. Enfrenta-se. Assim, as páginas vão virando. E a história se desenrola. Essa é a mágica. Nem precisa de fada. É preciso saber virar as páginas para dar andamento aos fatos da vida.

O que os personagens dos contos têm que nos encantam tanto e os torna eternos?

A capacidade de acreditar que serão felizes. E a determinação de que é preciso lutar por isso.

Enquanto não são felizes para sempre, são felizes um dia de cada vez. 

Felizes para sempre é uma conquista diária.
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O amor, o medo e a felicidade

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A VERGONHA PODE SER O INÍCIO DA SABEDORIA - Arnaldo Jabor

O Brasil mudou muito dentro de nós. Não falo de uma descrição figurativa da história recente. Falo de bobagens, detritos, coloquialismos que nos mudaram. 

Falo de nossa vida interior de 1964 para cá. Houve uma mutação mental silenciosa sob os acontecimentos. O que mudou nas cabeças?

Antes de 64, o ritmo das coisas tinha a linearidade de um filme acadêmico. Para nós, jovens de esquerda, o país era ameaçado por uma vaga "direita" que não romperia o contrato imaginário de uma luta "cordial". Falávamos muito em "luta de classes", mas não conhecíamos ainda a violência da "reação".

Acreditávamos em um Papai Noel histórico. Dizíamos: "Nosso Exército é democrático porque é de classe média e a burguesia nacional é progressista. Não trairão Jango".

Nada descreve o choque da aparição súbita de Castello Branco na capa da "Manchete". Nunca ouvíramos falar daquele homenzinho fardado, feio como um ET. De repente, tivemos a certeza de que tínhamos "subestimado o inimigo". Rompeu-se em 64 o sonho de que as ideias mudavam o mundo. 

Não tínhamos mais o "futuro harmônico" de um socialismo imaginário. Um general baixinho mandava em todos, acima das "sagradas massas". Grande trauma.

Aprendizado: o coloquial, a ignorância, o acaso eram mais fortes que nossos generosos desejos. Fizemos, claro, um diagnóstico "histórico": "64 foi um golpe dado pelo conservadorismo das elites diante das massas surgidas na industrialização, com o apoio do imperialismo". 

Tudo bem - mas foi muito mais um golpe dado pela classe média apavorada, com medo de sua ala "de esquerda". 

A esquerda - toda de classe média (não havia "operários" no Brasil antes de surgir a alegoria de Lula) - era o braço generoso e crítico dessa mesma classe média. Descobrimos que não havia "massas proletárias". 

Achávamos que íamos lutar contra os ianques e fomos vencidos por nossas tias. A adesão a 64 foi impressionante. Nossos pais, primos, avós, todo mundo era "de direita". A esquerda janguista foi coberta de ridículo. 

Acabou ali a ideia de que o país era um projeto positivo que evoluía - Brasília, bossa nova, reformas, tudo parou ali.

O pensamento político que flutuava num processo feliz passou a sofrer a necessidade de "revisão". Perdêramos a inocência. Surgiu a esquerda autocrítica que viria a fundar o PSDB, duas décadas depois. 

A ela se opôs, desde então, a esquerda ortodoxa, que não renegou a antiga fé e foi desembarcar com seus dogmas no PT na mesma época.

Em 66, começaram as passeatas pela liberdade. Havia um espaço de transgressão possível, com uma vaga permissão de Castello e até de Costa e Silva num populismo meio bonachão. 

Achávamos que a liberdade resolveria tudo e, como a luta contra a ditadura era seríssima, nos sentimos cheios de razão, legitimados como vítimas nobres. 

A luta pela democracia nos fez cegos para as dificuldades de um país complexo, que conheceríamos depois.

Toda a resistência popular e cultural das manifestações de rua acabou com a decretação do Ato Institucional nº 5, coloquial também ( "Fecha o Congresso, Arthur, fecha!", aconselhou d. Iolanda). Em 68, um raio partiu a vida. 

A consciência nacional conheceu a morte. Não falo só da tortura ou da violência. Falo também da morte na alma, de todas as ilusões.

Quem não viveu de 69 a 72 não sabe o que é loucura, piração de consciências. Acabou a ideia de "povo unido", e começou a época dos francos atiradores, dos guerrilheiros suicidas, soltos em paisagens vazias. Saímos da ilusão para o desespero. 

De um lado, a morte heroica na guerrilha, do outro o "desbunde" místico na cultura arrasando as melhores cabeças no LSD e no misticismo - e tudo cercado pelo show da grana multinacional, criando o "milagre" brasileiro, jorrando yuppies endinheirados e dando ao povão a ideia de um grande progresso, feito de Transamazônica, Itaipu e porrada. 

Nem reforma agrária nem educação - Copa de 70 e estatismo retumbante, financiado pela onda bancária internacional.

Mas, em 72, começa a crise do petróleo, provocando a ideia de "abertura" política de Geisel (não por acaso). A Opep ajudou, pois, com menos petrodólares, a ditadura foi ruindo - sinistra ligação entre o mercado e nossos desejos. 

À medida que nossa capacidade de endividamento diminuía, crescia o desejo de democracia.

Quem ditava as regras? Os militares? Não. Fomos capturados em 64 para contrair a dívida externa, e "libertados" em 85 para pagá-la. E veio a democracia.

Ficamos todos de mãos dadas pelo "amor à pátria", de Ulysses a Quércia, de Tancredo a João Alves, o futuro "anão do Orçamento", na ingênua ficção de que éramos irmãos contra o mal autoritário dos militares. Tancredo morre na porta do Planalto, Sarney assume e, depois, Collor. 

E nesses anos, vimos com horror o país sendo pilhado, arrombado pelas "vítimas da ditadura" que tomaram o poder.

Até que Collor fez uma revolução contra si mesmo, expondo a olho nu, em seu narcisismo masoquista, o absurdo do sistema político debaixo das saias da "democracia". Sua loucura escancarada nos abriu os olhos para o país. Agora, a história se repetiu com Jefferson, o iluminista do mensalão. 

Depois, por acaso, por uma paixão de Itamar, entrou FHC, que nos deu oito anos de vida real e consciência pública, odiado pelo ciúme de seus colegas da academia e sabotado pela velha esquerda sua rival, toda lotada no PT. 

Aquela esquerda autocrítica dos anos 60 governou por oito anos tucanos e foi sucedida pela esquerda ortodoxa de Dirceu e depois pela alegoria televisiva do lulismo. Os velhos inimigos: revisionistas contra ortodoxos. 

A verdade do Brasil é coloquial, feita de pequenos ladrões, sujos arreglos políticos, emperramentos técnicos. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país. 

Prefiro nossa vergonha de hoje aos rostos iluminados dos jovens inocentes de antes. 

Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria.
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AMOR É PATOLOGIA? - Carolina Vilanova

Quando um estudante de Psicologia me afirmou numa conversa despretensiosa: “Para psiquiatria amor é patologia”, eu realmente me senti intrigada. Será mesmo que amar estaria sempre diretamente relacionado a algum distúrbio psiquiátrico? Então fui fazer as minhas pesquisas, embora antes disso já tivesse encontrado algumas respostas em minhas próprias histórias.

Depois de dois casamentos, alguns relacionamentos, maternidade, mudança de país, tantos trabalhos e estudos, a maturidade e amor próprio finalmente haviam chegado. Olhar para trás e perceber o quanto as coisas tinham sido diferentes antes disso era claro como água. Observar a minha própria vida e a de tantas pessoas à minha volta, mostrava nitidamente que maturidade e amor próprio não são coisas que se aprende na escola ou apenas com a educação em casa. Maturidade e amor próprio verdadeiros vêm com o passar dos anos, com as dores vivenciadas, os erros cometidos e lições aprendidas.

E sobre minhas histórias eu concluí que muitos amores foram mesmo patológicos, o que significa dizer que não foram saudáveis, mas baseados nas minhas próprias carências e necessidades, e não no amor ao outro propriamente dito e como o saudável deveria ser. Nós pobres mortais sempre teremos a tendência a esperar do ser amado a compensação por tudo àquilo que nos faltou na infância, mesmo que seja de forma inconsciente na maioria das vezes.

Hoje para mim é claro todo o excesso de ciúmes que senti no passado, as inseguranças, a possessividade, os exageros, e até o abrir mão da minha própria vida e individualidade em nome de um amor por outra pessoa. E é claro que nada disso deu certo. O maior erro que se pode cometer em nome de qualquer coisa que acreditamos ser amor, é o abrir mão daquilo que somos. Não existe reciprocidade saudável nisso. Nada justifica algo tão impensado, uma vez que abrindo mão de nossa individualidade, nada do que o outro faça poderá resgatar esta perda. E um ciclo de insatisfações e cobranças se instala. E a patologia então aparece: em depressões, inseguranças, obsessões, ciúmes e outros.

Sabe a falta que seu pai fez nos seus dias de criança? A surra injusta que levou da sua mãe ou do seu avô? O abuso físico ou psicológico? Querendo ou não, esperamos que o amor de nossas vidas tenha por nós um amor tão grande, que irá preencher todos os buracos que temos na alma. Mas ninguém é responsável pelo passado de ninguém.

Apenas com a maturidade e o verdadeiro amor por si mesmo, somos então capazes de encontrar um amor saudável, a partir de nós mesmos: sem ciúmes, inseguranças, cobranças indevidas e tantos outros exageros, que hoje chegam até mesmo à violência doméstica.

Vejo ao meu redor diversos casamentos de anos, mas que na prática são falidos também há tempos. Há controle de um cônjuge em relação ao outro nos horários, gastos, telefones e por aí vai. Quem tem amor por si mesmo, não estaciona numa relação tão insegura e sofrida. Se o outro não tem amor, então se aceita e se segue adiante. 

Mas o que existe na maioria dos casos é uma dependência emocional e às vezes ao mesmo tempo financeira, e tudo fica por isso mesmo. 

Num jogo de infidelidade e deslealdade sem fim, não apenas um com o outro, mas em primeiro lugar e principalmente com si mesmos.

Não é fácil encontrar um amor. Passamos a vida procurando por um que valha a pena. Somos todos carentes em alguns pontos, quebrados psicologicamente e emocionalmente em outros. Não existe ninguém inteiro, que nunca tenha se ferido.

E no fim das contas, acho que o estudante tinha em parte razão. Nem todo amor é considerado patológico. Mas vivemos numa sociedade onde a maioria das pessoas parece viver relacionamentos desse tipo, com apego em excesso, sem liberdade e cheio de inseguranças.

Acredito que a solução para que tantos amores não se tornem patológicos, é a busca por si mesmo, o autoconhecimento e as curas internas, tendo como consequência uma autoestima elevada. E depois dessa auto realização, todo amor será saudável e construtivo, livre de associação a patologias.

Pois amor saudável provém sim de maturidade, sabedoria e experiência de vida. O amor saudável pelo outro vem depois do amor saudável por si mesmo. E isto é algo que se aprende com o tempo e a vida. Com o olhar em primeiro lugar em si mesmo.
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LIBERDADE É TRANSAR QUANDO QUER. MATURIDADE É NÃO TRANSAR QUANDO NÃO QUER – Karen Curi

Muito se fala sobre a liberdade. Sempre pensei que o sujeito livre era aquele que tinha a capacidade de sair da zona de conforto, de fugir do óbvio, que era macho o bastante para se esquivar do rebanho e se aventurar pelo desconhecido. Eu, que tenho alma de pássaro, nem sempre consegui voar além da periferia das minhas prisões.

Na infância, era preciso obedecer aos mais velhos, respeitar os horários, cumprir com os deveres. Meu maior sonho era crescer e ganhar autonomia, e foi assim que tanto quis ser livre, para depois me ver confinada às minhas escolhas prematuras. A profissão definida cedo demais, os incontáveis carnês de prestações, a carreira, o casamento na igreja, os filhos. Os anos nos forçam a seguir um manual de felicidade generalizado no qual só se obtém sucesso criando vínculos. Não importa “ser feliz de mentirinha” se você tem um bom emprego, um marido, um carro, um apartamento e, obviamente, posta tudo isso nas redes sociais.

Ser livre é uma forma de autenticidade. É ser você mesmo e não perder o sono por causa disso. É mudar de opinião, de rumo, e voltar atrás quando bem entender. Ou nunca mais regressar. Liberdade é transar quando quer. Na maturidade, não. Você não transa quando não está a fim. E ponto final. Não existe lugar melhor no mundo que a própria casa, não há cama melhor do que a sua. Nunca um pijama vestiu tão bem. Seus filmes e livros são melhores companhias do que muita gente. Balada nem pensar, só se for o aniversário da melhor amiga. E olhe lá.

Mas diferente do que muita gente pensa, nem todos os passarinhos são felizes. Juventude e liberdade não são pré-requisitos para se tornar um afortunado. Só o tempo e os ventos nos trazem o verdadeiro sentido do amadurecimento, da libertação e da plenitude. Passamos a nos conhecer mais profundamente e a liberdade perde o sentido de fuga, ganhando conotação de livre arbítrio. Maduro é aquele que decide ficar por espontânea vontade, que não precisa seguir um paradigma, que encontra a verdadeira felicidade na singeleza da vida.

Portanto, para ser feliz não é necessário criar vínculo e para ser livre não há de ser irresponsável. Já dizia Fernando Sabino que a “liberdade é o espaço que a felicidade precisa”. Para ser feliz não existe idade, não existe fórmula, basta ser livre. Para ser livre, primeiro é preciso crescer, e para crescer é imprescindível viver. Mais dia, menos dia, a felicidade chega, a liberdade fica e a maturidade assenta.
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BISCOITO GLOBO:
 a história de um ícone carioca
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SABER SER AMADO É UM SINAL DE GENEROSIDADE - Sílvia Marques

Sim, existe algo de narcísico em dar amor porque o amor nos engradece diante de nós mesmos e diante dos outros. Por outro lado, receber exige se colocar nas sombras. Exige que fiquemos nos bastidores enquanto o outro ocupa o proscênio. Exige que permitamos o brilho alheio. E aceitar o brilho alheio é o mais profundo sinal de generosidade. Apenas pessoas extremamente generosas aceitam o amor, a bondade alheia.

Saber ser amado também é um sinal de generosidade porque quando aceitamos o amor do outro ou simplesmente um gesto de gentileza , estamos permitindo que o outro desenvolva e expresse sua capacidade de dar amor , a sua capacidade de ser alguém mais generoso. Quando recebemos de bom grado a cortesia que nos fazem, quando aceitamos humildemente receber um favor, estamos permitindo que o outro se expanda como ser humano, que o outro desfrute do prazer de fazer algo bom. Sim, fazer coisas gentis é prazeroso.

Duvido que pessoas rudes, que distribuem gratuitamente azedume sejam felizes. Muitas vezes, o outro não nos dá outra opção. Muitas vezes , o outro não permite que possamos mostrar o nosso melhor. Induzir alguém a ser desagradável, talvez , seja o pior que possam nos fazer. Mas acontece e muito. Sim, nem sempre é possível dar amor . Nem sempre é possível dar compreensão.

Quando alguém nos sufoca ao ponto de nos induzir à grosseria, ao sarcasmo cruel e à indiferença , o pior da sua ação não é o mal em si que ela pratica. Mas é o mal que ela nos induz a fazer. Ok.Ok.Ok. Sempre temos a escolha de retribuir o mal com o bem. Mas na prática , nem sempre é possível. Algumas pessoas e atitudes são tão exasperantes que tudo que nos resta é sair de perto.

Arrisco a dizer que é mais simples dar amor do que recebê-lo. Arrisco a dizer que existem muitos gestos de amor no mundo, desde os que damos a quem nem conhecemos até àqueles ofertados de coração aberto a quem mais queremos bem.

Sim, existe algo de narcísico em dar amor porque o amor nos engradece diante de nós mesmos e diante dos outros. Por outro lado, receber exige se colocar nas sombras. Exige que fiquemos nos bastidores enquanto o outro ocupa o proscênio. Exige que permitamos o brilho alheio. E aceitar o brilho alheio é o mais profundo sinal de generosidade. Apenas pessoas extremamente generosas aceitam o amor , a bondade alheia.

Ser amado é bem mais complicado que aparenta. Ser amado é se colocar nas mãos do outro, é deixar-se conduzir. É confiar. É permitir o protagonismo do outro pois o protagonista não é aquele que recebe mais amor e sim aquele que ama mais ou simplesmente expressa mais e melhor o amor que sente. Existe algo de extremamente heroico no ato de amar despudoradamente , sem ressalvas.
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TRANSFORME SUA SENSIBILIDADE NA SUA MAIOR FORÇA

Segundo a pesquisadora Elaine Aron, cerca de 15 a 20% da população são pessoas altamente sensíveis por causa da natureza do seu sistema nervoso. Essas pessoas, que geralmente têm uma inclinação para a hiperestimulação, a reatividade emocional e a empatia por sua extrema sensibilidade nem sempre são compreendidas pela sociedade.

A negação da sensibilidade é um problema do nosso tempo, e muitas vezes ela está associada à fraqueza. Por isso, a maioria das pessoas esconde a sua sensibilidade, sem perceber que bem desenvolvida e aprimorada ela é uma virtude inestimável.

Negar a sensibilidade e suprimir os próprios sentimentos, especialmente os negativos, faz com que eles persistam e se transformem em problemas não resolvidos. No entanto, estar consciente da própria sensibilidade e expressá-la corretamente nos permite liberar uma energia emocional que pode ser canalizada de forma criativa e construtiva.

A sensibilidade é algo natural
A sensibilidade é a capacidade de recolher informações sensoriais através do sistema nervoso. Ela é neutra e, portanto, não é nem boa nem ruim. É como um microfone sensível que capta os sons mais sutis.

O sistema nervoso sensível pode captar as emoções das pessoas, o clima, a iluminação, os sons, os cheiros e muito mais, para depois processar os pensamentos, sentimentos, emoções e ações que foram gerados dentro de si.

Aceite as emoções
Para transformar a sensibilidade em força é necessário aceitar a si mesmo e controlar as emoções para que elas atuem a nosso favor e não como um cavalo em fuga. Estas rédeas não são para reprimir ou negar a sensibilidade, mas para liberar as emoções no tempo e na forma adequada.

A negação das emoções muitas vezes resulta no que é conhecido como meta-emoções, ou seja, emoções sobre emoções, como estar irritado por estar triste ou sentindo-se culpado porque está animado.

Muitas pessoas escondem uma gama de comportamentos conscientes ou inconscientes que as impedem de sentir tanto as emoções negativas quanto as positivas. A sua sensibilidade pode fazer parecer que as experiências são muito assustadoras e por isso as pessoas as evitam intencionalmente.

Isso pode ser algo tão simples como ligar a TV depois do trabalho para evitar pensar sobre os problemas do dia, beber ou usar determinadas substâncias para anestesiar a estimulação dos ambientes sociais complexos. Estas são algumas maneiras de ignorar ou intelectualizar as emoções, uma desculpa para não ter que lidar com elas. Mas elas não são as únicas.

Para contrabalançar esta tendência, devemos reconhecer uma emoção quando ela está aí, aceitá-la como ela é, sentir sem julgamentos e aceitar as reações físicas que ela nos causa. É a única forma de deixá-la ir.

Sensibilidade, paixão e criatividade
Uma característica que muitas vezes acompanha a sensibilidade é ser apaixonado e criativo. As pessoas sensíveis são muitas vezes grandes artistas, uma vez que elas estão mais conscientes das suas emoções e são capazes de se comunicar com os outros através do seu trabalho.

Infelizmente, a educação valoriza mais as habilidades científicas ou relacionadas com a economia a partir de uma idade precoce, o que priva as crianças da expressão artística, deixando-a como um mero complemento que pode ser dispensado quando outras questões “mais importantes” exigem mais tempo.

No entanto, todos nós sentimos paixão por alguma coisa apesar do que os outros pensam. Precisamos reconhecer qualquer sentimento forte que apareça, que servirá como uma bússola para nos indicar o que queremos fazer com o nosso tempo.

Descanse e reflita
As pessoas sensíveis muitas vezes tendem a ser muito reflexivas, especialmente se passam muito tempo em ambientes que são potencialmente assustadores para elas. Uma boa dica é encontrar tempo para praticar a reflexão, e até mesmo escrever em forma de diário, conseguindo assim mais tempo para baixar o nível de saturação da estimulação do mundo exterior.

Quando paramos para pensar, ficamos mais conscientes da nossa situação e das nuances sutis que afetam nossa vida diária. Faça as reflexões constantemente: elas agirão como uma gota de água que cai sobre a rocha.
Por Eva Maria
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UMA CRIANÇA PRECISA SER FELIZ E NÃO SER A MELHOR

João é uma criança do século XXI. Tem dois pais que trabalham muito, segundo suas palavras “incontáveis horas ao dia” para pagar a casa onde moram, os carros nos quais se locomovem e os poucos dias de férias que tiram por ano. Também diz que não se importaria de ter uma sala menor, um carro que fosse um pouco mais lento e sem banco de couro, e um futuro mais incerto, em troca de passar um pouco mais de tempo com seus pais.

Mas não com seus pais de agora – cansados, estressados, preocupados e inacessíveis – e sim com seus pais de antes: atenciosos, dispostos, risonhos, carinhosos e coerentes. Ele sente muita falta deles, mas não tem nem ideia de como dizer isso a eles. Além disso, João observou que os adultos, não só seus pais, também não expressam o que sentem. Ele suspeita de que existe uma conexão entre o mundo emocional e as palavras, mas ninguém lhe ensinou exatamente como isso funciona. São todas suspeitas nas quais ele se sente inseguro.
 
“A infância nunca dura. Mas todo mundo merece uma.”
-Wendy Dale-

João é uma criança muito ocupada
João também é uma criança que não brinca, ou pelo menos que não brinca por brincar, e sim com outra intenção muito além de se divertir e de ter bons momentos. Desde que a sua irmã nasceu, seus pais passaram a considerá-lo grande e lhe delegam responsabilidades, mesmo sendo pequeno a julgar pelo tipo de preocupação que manifesta. A única coisa que isto produz é ainda mais insegurança, mas ele também não sabe como dizer isto a eles.

Além disso, o pequeno protagonista deste artigo não tem um horário livre no dia, a pergunta do que ele quer e o que não quer fazer está restrita aos finais de semana, nos quais, por sorte, a mãe trabalha. São os finais de semana que passa com seus avós. Eles pretendem compensar em dois dias toda a liberdade que os seus pais lhe restringem. Embora o pequeno não tenha lhes dito isto, eles têm a sabedoria que a experiência dá e suspeitam de como ele se sente; contudo, estas mudanças tão bruscas também confundem o João.

Durante a semana, as manhãs e as tardes são repletas de cores. De fato, este ano teve que repetir a cor para mais de uma atividade, porque no seu estojo não havia uma gama de cores suficientemente ampla para diferenciar toda a sua agenda. Então, o inglês da escola, este ano, tem a mesma cor do inglês das suas aulas particulares e a mesma coisa acontece com música e o conservatório musical, ou educação física e a escolinha de futebol. Inclusive este ano teve que usar o amarelo, que ele gosta ainda menos do que chutar uma bola, para as aulas de chinês.

João já não reclama do futebol, pelo menos não de forma direta: porque não sabe fazê-lo como alguém mais velho e não quer fazê-lo como uma criança, mas principalmente porque não quer decepcionar seu pai. Já sente que o decepciona quando não joga direito ou no dia em que é sua vez de se sentar na reserva, não quer nem imaginar como pode vir a se sentir se um dia dissesse a ele que seus sonhos são outros.

“Uma das melhores coisas que podem acontecer com você 
na vida é ter uma infância feliz.”
-Agatha Christie-

João é uma criança silenciada
João adora ler. Lembra com carinho das histórias que seu pai lia para ele quando pequeno. Algumas ele lia, outras inventava. Gostava especialmente das inventadas porque seu pai o conhecia muito bem e sabia exatamente o que ele gostaria que o menino intrépido que acabava de escapar pela janela fizesse. Nessa cumplicidade, agora perdida, acabava dormindo com um sorriso.

Além disso, no dia seguinte João fazia em segredo o que agora podemos revelar: escrevia as histórias em um papel porque queria que o seu melhor amigo também as aproveitasse. Era o seu jeito, entre muitos outros, de tentar compensar a tristeza que via nos seus olhos por não ter conhecido o seu próprio pai. Também o fazia por outro motivo: um dos seus vizinhos tinha Alzheimer e João tinha sido testemunha de como perdia a sua memória.

Ele não queria esquecer algumas histórias que agora abraçava, enquanto sentia nas suas palavras que a sua infância pouco a pouco estava indo embora e que, ao contrário daquele menino fujão e aventureiro, nunca voltaria.

João sabe muito mais línguas do que muitas crianças da sua idade, é bom no piano, domina as equações enquanto seus colegas ainda brigam com os números negativos, e sabe realizar todos os cuidados mínimos que uma irmã pequena precisa. João também é um menino triste e, além disso, é consciente de que está triste porque um dia foi feliz, foi imensamente feliz. Uma felicidade que seus pais sacrificaram por um futuro que ninguém sabe se algum dia chegará. Vale a pena?
A mente é maravilhosa



  


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O BRASIL É UM NAVIO ONDE OS RATOS TOMARAM O COMANDO - Edmir Silveira

O BRASIL É UM NAVIO ONDE OS RATOS TOMARAM O COMANDO - Edmir Silveira
Não é mais uma questão de quando eles vão, os ratos JÁ nos jogaram à deriva.

O ENVELHESCENTE - Mário Prata

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Se você tem entre 50 e 70 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira.

Vídeo - PEDRO BIAL entrevista RITA LEE - 03/05/2017

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Um bate papo sincero, engraçado e revelador. Rita Lee sendo Rita Lee.

MOSTEIRO DE SÃO BENTO RJ - Visita Virtual

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