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O CÉREBRO DA MULHER ENVELHECE MAIS DEVAGAR QUE O DO HOMEM

O cérebro muda conforme os anos passam. O cérebro de um recém-nascido, por exemplo, não é muito menor que o de um adulto, mas tem muitos mais neurônios.

O problema é que esses neurônios não são completamente funcionais, uma vez que não estão muito conectados entre si. À medida que crescemos e aprendemos, os neurônios estão conectados e há processos graduais de poda sináptica, o que significa que muitos neurônios morrem, quase metade, mas aqueles que já fazem parte do que poderíamos chamar de "rodovias neuronais" são fortalecidos. .

Ainda assim, isso não significa que perdemos neurônios para sempre. Graças à neurogênese, novas células nervosas crescem no nosso cérebro. Obviamente, a taxa de neurogênese diminui com a passagem do tempo. Estima-se que, ao atingir a terceira idade, a neurogênese diminuirá em 25%. No entanto, o cérebro não envelhece da mesma forma em homens e mulheres.

Existem diferenças funcionais no cérebro de homens e mulheres

Embora não se possa falar de um cérebro "feminino" ou "masculino" propriamente dito, sabemos que existem algumas diferenças no modo como o cérebro das mulheres trabalha e o dos homens. Isso foi confirmado por um estudo realizado na Universidade da Califórnia com base em mais de 46 mil exames cerebrais.

Esses neurocientistas descobriram que os cérebros das mulheres são mais ativos em duas regiões: as zonas limbicas, relacionadas às emoções e estados de ânimo, e ao córtex pré-frontal, ligados à tomada de decisões, resolução de problemas e planejamento. comportamentos complexos No caso dos homens, as áreas cerebrais mais ativas eram o centro visual e de coordenação. No entanto, as diferenças não terminam lá, também foi apreciado que o cérebro dos homens envelhece mais rápido.

O sexo masculino envelhece antes

Outra equipe de neurocientistas, desta vez da Universidade de Edimburgo, descobriu que há um tipo de calendário genético que controla a forma como nosso cérebro muda ao longo da vida.

Para identificar esse calendário genético do cérebro, eles analisaram a expressão gênica em amostras de tecido cerebral em todos os estágios da vida humana, desde o desenvolvimento no útero até os 78 anos de idade. Assim, eles descobriram que há um padrão ao longo da vida. De fato, a maioria das mudanças na expressão do gene cerebral foram concluídas na meia-idade.

Este calendário genético controla como e quando os genes são expressos no cérebro durante os diferentes estágios da vida de uma pessoa, a fim de realizar uma série de funções essenciais. De fato, o calendário genético é tão preciso que permite que você preveja a idade de uma pessoa apenas analisando os genes encontrados em uma amostra de tecido cerebral.

E o mais curioso é que este calendário genético do envelhecimento cerebral está atrasado ligeiramente nas mulheres, em comparação com o dos homens. Isso significa que o cérebro masculino envelhece mais rapidamente. Na verdade, outro estudo realizado na Szeged University encontrou que as estruturas subcorticais da idade do cérebro masculino mais rapidamente, o que pode explicar por que os homens são mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças neurológicas, como a doença de Parkinson.
Fonte: Rincón de la Psicologia
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PSICONEUROIMUNOLOGIA: A INTRIGANTE TÉCNICA DE ESCREVER SOBRE TRAUMAS QUE AJUDA A CURAR O CORPO.

Segundo a ciência, há uma ligação 
entre saúde e escrita.

Em 1986, o professor de Psicologia James Pennebaker descobriu algo extraordinário, que inspirou uma geração de pesquisadores a fazer centenas de experimentos. Ele pediu a estudantes que passassem 15 minutos escrevendo sobre o maior trauma de suas vidas ou, caso não tivessem passado por um, sobre o momento mais difícil que viveram.

Eles tinham que se soltar e incluir seus pensamentos mais profundos, mesmo que nunca os tivessem compartilhado antes. Eles realizaram essa mesma tarefa por quatro dias consecutivos. Não foi fácil. Pennebaker disse que, em média, um a cada 20 alunos acabou chorando, mas, quando questionados se queriam continuar o experimento, sempre disseram que sim. Enquanto isso, um grupo de controle passou o mesmo número de sessões escrevendo descrições de coisas neutras, como uma árvore ou seus quartos.

Escrever sobre seus sentimentos não aumenta seu sistema imune para sempre

O pesquisador então passou seis meses monitorando a frequência com que os estudantes iam ao médico. No dia em que viu os resultados, ele saiu do laboratório, encontrou um amigo que o esperava no carro e lhe disse que havia descoberto algo grande. Os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos secretos foram muitas vezes menos ao médico nos meses seguintes.

Desde então, a área da psiconeuroimunologia tem explorado a ligação entre o que agora é conhecido como "escrita expressiva" e o funcionamento do sistema imune.

Os estudos seguintes examinaram o efeito dessa escrita em tudo, de asma e artrite até câncer de mama e enxaqueca. Por exemplo, em um estudo pequeno, conduzido no Kansas (EUA), foi descoberto que mulheres com câncer de mama tinham menos sintomas incômodos e iam a menos consultas médicas relacionadas ao câncer nos meses seguintes ao experimento.

O objetivo do estudo não era observar o diagnóstico de câncer a longo prazo e os autores não sugerem que o câncer poderia ser afetado. Mas a curto prazo, outros aspectos da saúde da mulher pareciam melhores que aqueles nos grupos de controle que escreveram sobre outra coisa além de seus sentimentos em relação ao câncer.

No entanto, isso nem sempre funciona. Uma meta-análise de Joanne Fratarolli, da Universidade da Califórnia em Riverside, apontou que há um efeito em geral, mas que este é pequeno. Para uma intervenção livre e positiva, é um benefício que vale a pena. Alguns estudos tiveram resultados decepcionantes, mas há uma área em que os resultados são mais consistentes: a da cura de ferimentos.

Nesses estudos, voluntários corajosos fazem a escrita expressiva e alguns dias depois recebem um anestésico local e, então, uma biópsia no braço. O ferimento geralmente mede 4 milímetros e cura em algumas semanas. Essa cura é monitorada repetidamente e é mais rápida se os voluntários escrevem sobre seus pensamentos mais secretos.

Simplesmente imaginar um acontecimento traumático e escrever uma história a respeito já pode desencadear benefícios

O ato de colocar palavras no papel faz o que, afinal? Inicialmente se assumia que isso estava ligado à catarse, ao fato de que as pessoas se sentiam melhor porque colocavam seus sentimentos para fora. Mas então Pennebaker começou a olhar com atenção para a linguagem usada pelas pessoas na escrita.

Ele descobriu que os tipos de palavras usadas mudam no transcorrer das quatro sessões. Aqueles cujos ferimentos curavam mais rápido começaram a usar mais a palavra "eu", mas nas últimas sessões usavam "ele" ou "ela" com maior frequência, sugerindo que eles estavam olhando para o acontecido com outras perspectivas. Eles também usaram palavras como "porque", implicando que estavam dando sentido aos acontecimentos e os colocando em uma narrativa. Pennebaker acredita que o simples ato de rotular seus sentimentos e colocá-los em uma história pode afetar o sistema imune de alguma forma.

Mas há uma descoberta curiosa sugerindo que pode haver outra coisa acontecendo. Imaginar um acontecimento traumático e escrever uma história a respeito dele pode fazer a ferida curar mais rápido, então talvez a diferença esteja menos relacionada com a resolução de questões passadas e mais com encontrar uma maneira de regular suas próprias emoções.

Após o primeiro dia de escrita, a maioria das pessoas disse que remoer o passado as fez se sentir pior. Será que o estresse fez as pessoas liberarem hormônios de estresse como o cortisol, que também é benéfico a curto prazo e pode fortalecer o sistema imune? Ou será que é a melhora do humor depois de vários dias escrevendo que traz os benefícios para a imunidade? Até agora, ninguém sabe.

Seja qual for o mecanismo, apesar de várias décadas de pesquisa mostrando que funciona, a técnica raramente é usada clinicamente. Dá até para imaginar uma situação em que pessoas com cirurgia marcada sejam instruídas a praticar a escrita expressiva nas semanas anteriores ao procedimento, mas poucos estudos usaram populações clínicas com ferimentos reais e cirúrgicos em vez de aplicar ferimentos artificialmente em estudantes saudáveis.

Também funciona melhor para algumas pessoas em relação a outras e tudo depende do quanto elas se engajam no processo. Além disso, o efeito é a curto prazo, então você teria que calcular bem o tempo. Escrever sobre seus sentimentos não aumenta sua imunidade para sempre. Se as mesmas pessoas se machucarem de novo alguns meses após o estudo inicial, elas não vão se curar mais rápido que outra pessoa qualquer.

A escrita pode funcionar depois que você se machucar, como quando você está se recuperando de uma cirurgia

Agora, uma pesquisa recente da Nova Zelândia sugeriu que não é necessário realizar a escrita antes de você se machucar. Pode funcionar do mesmo jeito se você fizer a escrita expressiva depois. Isso abre um leque de possibilidades para a prática não apenas quando a cirurgia é planejada, mas para ferimentos que não podemos prever.

Kavita Vedhara, da Universidade de Nottingham, e sua equipe na Nova Zelândia fizeram um experimento com 120 voluntários saudáveis e pediram a eles para escrever ou sobre um evento estressante ou sobre o que fizeram no dia anterior. Isso foi feito antes ou depois de uma biópsia no braço. As pessoas que estavam no grupo da escrita expressiva (que escreveram sobre op evento estressante) tinham uma tendência seis vezes maior de ter o ferimento curado em 10 dias na comparação com as outras.

Ainda é preciso realizar mais estudos com pacientes reais, mas talvez um dia, quando passarmos por uma operação, poderemos ir para casa com instruções sobre escrita expressiva. Como diz Kavita Vedhara, o efeito "é de curto prazo, mas poderoso".
Fonte:BBC Future
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ANTÔNIO DAMÁSIO, O NEUROLOGISTA DAS EMOÇÕES

Dizem que Antônio Damásio é “o mago do cérebro” e que graças a ele entendemos os processos mentais de outro modo. Professor de neurociência, neurologia e psicologia na Universidade do Sul da Califórnia e ganhador do Prêmio Príncipe de Astúrias de 2005, seu estudo sobre as emoções e os mecanismos da consciência fazem dele uma figura de referência indiscutível.

É bem possível que o nome dele não soe estranho, que o admiremos há anos ou que tenhamos visto algum de seus livros por casualidade. Uma de suas publicações mais conhecidas, intitulada “E o cérebro criou o homem”, supõe um tremendo desafio a muitas das ideias gerais que se possa ter sobre esse órgão fascinante. Assim, o cérebro, longe de ser um mistério para Antônio Damásio, é uma entidade bem definida que vai sendo decifrada pouco a pouco, revelando o ótimo trabalho realizado por este excelente cientista e grande divulgador.

“Entender a diferença entre as emoções e os sentimentos removeu a barreira para poder investigar a natureza dos afetos”.
-Antônio Damásio-

Por outro lado, existem pessoas que dizem que Damásio, mais do que um neurocientista, é acima de tudo um neurofilósofo. Nos seus livros, nós descobrimos o cérebro como uma entidade onde não somente reside a nossa individualidade, nossos mundos emocionais, éticos ou morais. Nele está inscrita a própria sociedade e nossa essência como Humanidade.

Também existe um aspecto essencial que se repete em grande parte de sua obra: “somente quando pudermos conhecer de forma mais profunda o funcionamento do cérebro, nós aprenderemos… conseguiremos ser mais felizes”.

Um neurocientista diferente

Existem neurocientistas de diferentes tipos, no entanto, até pouco tempo atrás, predominavam aqueles que eram caracterizados por uma perspectiva mecânica e reducionista. Foram eles que diziam, por exemplo, que nossos pensamentos, reflexões e decisões do dia a dia eram o mero resultado de uma simples conexão de um conjunto de neurônios concretos em uma área específica do cérebro.

Agora… onde fica então a nossa consciência? Existe uma região específica capaz de organizá-la? E as emoções e os sentimentos, onde são produzidos? Muitos desses cientistas, em um passado não tão distante, sorriam com ironia diante dessas ideias, diante de semelhantes questões. Na atualidade, nós já temos figuras inspiradoras como Antônio Damásio, que deixam de lado essa perspectiva reducionista para abrir outras abordagens e mostrar a importância que têm conceitos como a consciência e o mundo das emoções.

A consciência, em primeiro lugar, não está em lugar nenhum concreto do cérebro. A consciência é um processo e uma entidade que está presente em todas as espécies. De fato, segundo ele mesmo explica, inclusive nos organismos unicelulares, como as bactérias ou as amebas, que têm um sentido mínimo de consciência. Trabalham para preservar a sua integridade, para sobreviver. Assim, cada organismo, cada ser vivo, dispõe de um nível mais ou menos sofisticado de consciência com o qual se adaptar e desenvolver.

Nós, por outro lado, demos um grande salto evolutivo ao incluir em nossa consciência capacidades como a memória, a imaginação, a criatividade e o raciocínio lógico.

O mundo das emoções e os sentimentos

Falar de Antônio Damásio é falar também de Hanna Damásio, sua esposa e também neurologista, com quem trabalha lado a lado no trabalho de pesquisa e em seu propósito de aproximar suas descobertas ao grande público. Graças à suas pesquisas com diversos pacientes, o casal Damásio conseguiu reunir vários dados que serviram para formular importantes hipóteses.

Uma delas é que as emoções, na realidade, são um conjunto de respostas químicas e neuronais que formam um padrão distintivo. Antônio Damásio o definiu como “marcador somático”, com este termo ele se refere ao fato de que todos nós temos uma marca emocional que nos faz reagir, que nos influencia na hora de mostrar certas condutas ou realizar um determinado tipo de decisões e não outros. Além do mais, segundo este neurocientista, as emoções precedem os sentimentos.

Citemos um exemplo: nós estamos caminhando pela rua e de repente ouvimos um grito. Aquilo que experimentamos naquele instante é uma reação física: o coração acelera, ficamos paralisados, as pupilas se dilatam e naquele instante sentimos uma sensação de inquietude, de medo, etc. As emoções, para Damásio, pertencem ao corpo, desencadeando uma série de alterações químicas e orgânicas determinadas. Depois das emoções chegam os sentimentos, os quais já têm uma relação mais profunda com os pensamentos.

“As emoções e os sentimentos não são um luxo, são a maneira de comunicar nossos estados mentais às outras pessoas. Mas também são um roteiro para poder tomar decisões”.
-Antônio Damásio-

Antônio Damásio considera que é fundamental aprender a conceber que as emoções e os sentimentos são duas coisas diferentes e que as primeiras precedem as segundas. Pensemos, por exemplo, no estresse, nas emoções negativas que nos torturam, no mal-estar físico que provocam: começamos a ter pensamentos bastante pessimistas e menos flexíveis, deixamos de ver as saídas para os problemas do dia a dia, etc.

Assim, um dos nossos propósitos deveria ser, acima de tudo, cultivar emoções positivas recordando o clássico provérbio de “estar bem para pensar melhor”. Porém, algo assim requer, sem dúvida, facilitar que nosso organismo se sinta bem, a salvo de riscos, físicos ou psíquicos, que se sinta tranquilo, em harmonia…

Isso é algo que todos podemos experimentar, por exemplo, ao praticar a meditação ou a relaxação. Um corpo em calma se traduz também em uma mente relaxada, uma mente tranquila e concentrada, que pensa e decide melhor…
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PARA QUE, DE FATO, SERVE O SONHO? - Sidarta Ribeiro

Prevalece cada vez mais a noção de que os sonhos são cruciais para a consolidação e reestruturação das memórias.

Para entender para que serve o sonho, necessitamos compreender algo básico: o homem contemporâneo tende a esquivar-­se de todo risco. Em vez de caçadas perigosas e coletas incertas, fazemos visitas regulares ao supermercado. No lugar de turnos de guarda noturna alternados para evitar um ataque traiçoeiro na madrugada, temos a segurança dos muros, portas trancadas e alarmes.

Em lugar de pedras e peles, dormimos sobre colchões anatômicos. Em vez da dificuldade de encontrar parceiros sexuais férteis que não sejam parentes próximos, apenas o risco de levar um não de uma pessoa desconhecida numa festa ou bar.

Se os sonhos alguma vez foram es­senciais para nossa sobrevivência, já não o são. Isso não quer dizer, entretanto, que os sonhos não mais desempenhem um papel cognitivo. Para esclarecer que papel é esse, é preciso em primeiro lugar desconstruir a noção de que os sonhos refletem algum tipo de processamento neuronal aleatório.

Embora regiões profundas do cérebro de fato promovam durante o sono REM um bombardeio elétrico aparentemente desorganizado do córtex cerebral, há bastante evidência de que os padrões de ativação cortical resultantes desse processo reverberam memórias adquiridas durante a vigília.

Mesmo que não soubéssemos disso, bastaria um pouco de reflexão e introspecção para refutar a teoria aleatória dos sonhos. A ocorrência múltipla de um mesmo sonho é um fenômeno detectável, ainda que ocasional, na experiência da maior parte das pessoas.

Pesadelos repetitivos são sintomas bem estabelecidos do transtorno de estresse pós-traumático, que acomete indivíduos submetidos a eventos excessivamente violentos. Dada a imensa quantidade de conexões neuronais existentes no cérebro, seria impossível ter sonhos repetitivos se eles fossem o produto de ativação ao acaso dessas conexões.

Além disso, sonho e sono REM não são o mesmo fenômeno e sequer têm bases neurais idênticas. Temos certeza disso porque existem pacientes neurológicos que perdem a capacidade de sonhar mas não deixam de apresentar o sono REM.

Nesse caso, as regiões lesionadas, descritas por Mark Solms, são circuitos relacionados com a motivação para receber recompensas e evitar punições. Essas estruturas utilizam o neurotransmissor dopamina para modular a atividade de regiões relacionadas à memória, emoção e percepção.

Sonhar com algo na vigília é o mesmo que desejar – e é exatamente de desejo que são feitos os sonhos. Curiosamente, são os níveis de dopamina que, em experimentos com camundongos transgênicos, regulam a semelhança entre os padrões de atividade neural observados durante o sono REM e a vigília. Portanto, a ideia de que psicose é sonho, ridicularizada por décadas, também encontra apoio na neuroquímica moderna.

E ainda, ao contrário da teoria de que os sonhos são subproduto do sono sem função própria, prevalece cada vez mais a noção de que o sono e o sonho são cruciais para a consolidação e a reestruturação de memórias. Ambos os processos parecem ser dependentes da reverberação elétrica de padrões de atividade neural que ocorrem enquanto dormimos e representam memórias recém-adquiridas.

Essa reverberação se beneficia da ausência de interferência sensorial durante o sono e resguarda o processamento mnemônico de perturbações ambientais. A reverberação é favorecida também pela ocorrência de oscilações neurais durante o sono sem sonhos, chamadas de ondas lentas.

Os pesquisadores Lisa Marshall, Jan Born e colaboradores da Universidade de Lübeck, na Alemanha, demonstraram que é possível aumentar a taxa de aprendizado realizando estimulação elétrica de baixa frequên­cia durante o sono de ondas lentas.

Em contrapartida, como venho demonstrando junto com outros grupos de pesquisa desde 1999, o sono REM parece ser fundamental para a fixação de longo prazo das memórias em circuitos neuronais específicos. Esse processo depende da ativação de genes capazes de promover modificações morfológicas e funcionais das células neurais. Tais genes são ativados durante a vigília quando algum aprendizado acontece e voltam a ser acionados durante os episódios de sono REM subsequentes.

Como resultado, memórias evocadas por reverberação elétrica durante o sono de ondas lentas são consolidadas por reativação gênica durante o sono REM. Essa reativação cíclica das memórias em diferentes fases do sono e da vigília vai paulatinamente fortalecendo os caminhos neurais mais importantes para a sobrevivência do indivíduo, enquanto as memórias inúteis são gradativamente esquecidas.

Experimentos eletrofisiológicos e moleculares mostram ainda que as memórias migram de um lugar para outro do cérebro, sofrendo importantes transformações com o passar do tempo.

Meu laboratório tem mostrado que áreas do cérebro envolvidas na estocagem temporária de informações, como o hipocampo, apresentam reverberação elétrica e reativação gênica apenas durante os primeiros episódios de sono após o aprendizado.

Em contraste, áreas do córtex envolvidas na armazenagem duradoura das memórias apresentam persistência desses fenômenos por muitos episódios de sono após a aquisição de uma nova memória.
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OS EFEITOS SAUDÁVEIS DE MOMENTOS DE SOLIDÃO E SILÊNCIO?

Não é nenhuma contradição: os momentos de solidão, de silêncio e desconexão são necessários para motivar o nosso impulso vital com mais autenticidade. É como pressionar um botão de reinicialização onde cada peça se encaixa com mais sentido, onde encontramos a clareza mental para entender melhor as pessoas, para colocar filtros, definir prioridades e objetivos pessoais.

Miles Davis foi um tos trompetistas e compositores de jazz mais conhecidos da história. Uma vez, quando alguns músicos jovens pediram conselhos a ele sobre como conseguir seu nível de maestria e originalidade, Davis lhes deu uma resposta que eles nunca mais iriam esquecer: “Se não existissem os silêncios, a música não seria o que é.”

“O valor de um homem é medido
pela quantidade de solidão que ele consegue suportar”
-Friedrich Nietzsche-

Ele também lhes indicou que a vida é como uma partitura, onde se pode encontrar o ritmo combinando momentos de atividade com momentos de solidão, silêncio e reflexão. Somente assim podemos encontrar a inspiração e a melodia escondida dentro de nós, que não poderíamos ouvir de outra forma.

É, sem dúvida, um conselho sábio e óbvio. No entanto, por mais lógico que possa parecer, nem sempre o colocamos em prática de forma eficaz. Em nosso mundo atual, por mais curioso que pareça, existe em maior grau um tipo de solidão camuflada e às vezes patológica, sobre a qual nem sempre ouvimos falar.

Nos referimos àquela em que desaparecemos na hiperatividade (buscando uma falsa hiperprodutividade) e na hiperestimulação. Nós passamos o dia trabalhando, conectados às tecnologias, fazendo coisas, cumprindo objetivos, satisfazendo os outros, envoltos no ruído das nossas cidades. E, no entanto, este rumor incessante e essa atividade imparável nem sempre valem as preocupações que nos geram ou o tempo que nos roubam.

Se a isso acrescentarmos o fato de que às vezes nossos relacionamentos nos trazem mais solidão do que felicidade, vamos entender por que cada ano aumentam as taxas de depressão e outros tipos de transtornos de saúde que não podemos negligenciar…

Os momentos de solidão são benéficos para o nosso cérebro

Em primeiro lugar, devemos destacar um fato importante. A solidão que nos beneficia e que se reverte para a nossa saúde física e psicológica é aquela que combina os momentos de solidão e isolamento com a conexão posterior com o mundo, com seu som, sua forma, suas cores e riquezas sensoriais e, acima de tudo, com relações sociais significativas, seja com amigos, com o parceiro, com a família, com colegas de trabalho…

O ser humano não está preparado para viver em completo e permanente isolamento. Um exemplo impressionante é, sem dúvida, a câmara anecoica dos Laboratórios Orfield, em Minneapolis, nos Estados Unidos. É um espaço onde diversas empresas estudam o som de seus produtos: telefones, motocicletas, máquinas de lavar roupa… É uma sala ultra-silenciosa onde 99,99% do ruído é absorvido pelas paredes de aço e fibra de vidro, e onde costumam ser realizados inúmeros experimentos psicológicos.
câmara anecoica

Verificou-se que, em média, ninguém conseguiu estar na câmara anecoica por mais de meia hora. As pessoas muitas vezes saem desesperadas e entram em pânico por não poder resistir a um silêncio tão oco, sufocante e vazio.

Neste espaço, a quietude é tão extrema que é comum ouvir os sons do coração ou a nossa própria circulação sanguínea. Algo para o qual o cérebro não está preparado, algo que vai contra a nossa natureza, a nossa programação genética: afinal, somos seres sociais que precisam se conectar com seu ambiente mais próximo, e quando não temos nenhum estímulo, simplesmente entramos em pânico.

Por outro lado, enquanto o isolamento total afeta o nosso equilíbrio psicológico, o ocasional e delimitado no tempo o beneficia. Os cientistas nos dizem que os momentos de solidão bem distribuídos ao longo do dia são como “descargas elétricas” capazes de nos reiniciar, de nos permitir recuperar energia, o sentido e a inspiração.

Programe seus momentos de solidão para melhorar a saúde

Vivemos em uma sociedade que adora a independência, mas que no entanto está cada vez mais alienada, sobrecarregada e acelerada. O avanço das novas tecnologias facilita que estejamos mais conectados do que nunca. Nossas cidades estão cada vez mais superpopuladas.

Além disso, estamos cada vez mais cercados por luz artificial, somos menos ativos fisicamente porque temos a oportunidade de fazer muitas coisas sem pedir mais pulsações para o nosso coração.

Os médicos, neurologistas e psicólogos nos dizem que nossos cérebros estão se “conectando” de forma muito diferente de como se conectavam há 100 anos. Recebemos tantos estímulos ao longo do dia e por tantas frentes que é quase “vital” que gerenciemos um pouco melhor todo esse caos sensorial. Necessitamos de calma, necessitamos de silêncio e de solidão de vez em quando para integrar toda essa corrente de informações. O objetivo não é outro senão encontrar um sentido.

No entanto, há quem não saiba e, pior, há quem sinta um medo quase atávico de permanecer um dia consigo mesmo em solidão para conversar, para refletir. Esse encontro pode ser quase tão aterrador como ficar meia hora na câmara anecoica dos Laboratórios Orfield.

Porque assim como nesse espaço pode-se ouvir os sons do próprio corpo, os momentos de solidão em lugares mais confortáveis podem trazer o vazio do próprio ser, os medos, as angústias, os nós dos assuntos pendentes e a nudez de uma infelicidade não reconhecida.

Vamos ser corajosos, vamos programar alguns momentos de solidão para que possamos tomar um café com nós mesmos e deixar que a mente se aclare, que as marés de preocupação se acalmem para ver as nossas verdadeiras necessidades. Vamos tornar a solidão escolhida e pontual o nosso autêntico bálsamo.
Fonte: A mente é maravilhosa
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O SOFRIMENTO É A CAUSA DE MUITOS TRANSTORNOS MENTAIS

A causa de muitos transtornos mentais pode estar no sofrimento, mais especificamente no significado que atribuímos a esse estado emocional. O mais interessante dessa perspectiva é que não se trata de uma elaboração teórica, e sim de uma técnica psicológica conhecida como logoterapia. Ela se baseia no significado da existência humana, assim como na busca desse sentido por parte do ser humano.

Há uma grande variedade de transtornos mentais, cada um com manifestações diferentes. Em geral, se caracterizam por uma combinação de alterações do pensamento, da percepção, das emoções, do comportamento e das relações com os outros. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), os tratamentos eficazes contra os transtornos mentais são as medidas que permitem aliviar o sofrimento que causam.

Por outro lado, a incidência dos transtornos mentais continua aumentando, causando efeitos consideráveis na saúde das pessoas e graves consequências a nível socioeconômico e no âmbito dos direitos humanos em todos os países.

“A dor é o sentimento. O sofrimento é o efeito que gera a dor. Se alguém consegue suportar a dor, poderá viver sem sofrimento. Se alguém consegue resistir à dor, resistirá a qualquer coisa. Se alguém aprende a controlar a dor, aprenderá a controlar a si mesmo.”
-James Fray-

Para quem é maior o risco de sofrer de uma doença mental? 
Uma em cada quatro pessoas vai sofrer ao longo da sua vida com algum problema de saúde mental. A saúde mental é entendida como uma forma harmônica de se relacionar consigo mesmo e com os outros, mantendo uma boa inserção social e uma qualidade de vida de acordo com a fase e as expectativas de cada pessoa.

Pode ser modificada por vários motivos. Por outro lado, os conflitos vitais ou as reações a situações dolorosas com que nos deparamos durante a vida não devem ser entendidos como doenças, salvo quando essas situações se prolongam no tempo ou quando sua intensidade for muito alta.

Os determinantes da saúde mental e dos transtornos mentais incluem não apenas características individuais, como a capacidade de lidar com nossos pensamentos, nossas emoções, nossos comportamentos e nossas interações com os demais. Também incluem fatores sociais, culturais, econômicos, políticos e ambientais, como as políticas nacionais, a proteção social, o nível de vida, as condições de trabalho ou os apoios sociais da comunidade.

Outros fatores que podem agir como causa de muitos transtornos mentais são o estresse, a herança genética, a alimentação, as infecções perinatais e a exposição a riscos ambientais.

“Um desejo de ser responsável pelas nossas próprias vidas, uma necessidade de controle, nasce em cada um de nós. Assumir o controle é essencial para nossa saúde mental e nosso sucesso.”
-Robert Foster Bennett-

Como o sofrimento pode ser a causa de muitos transtornos mentais?
Existem doenças que aparecem com a mesma frequência em quase todas as culturas e todos os países. Em contrapartida, existem outras que estão mais ligadas às condições sociais e familiares, culturais, socioeconômicas, etc. Também há fatores genéticos que são uma predisposição a determinadas doenças e também fatores ligados ao gênero.

No entanto, quando o prejuízo na saúde mental é muito significativo, se deve ao fato de que está produzindo muito sofrimento e esse sofrimento está modificando a maneira de viver, de perceber e de entender da pessoa. Além disso, ressalta-se que o problema pode ser originado por diferentes motivos biológicos, psicológicos ou sociais.

Precisamos ter consciência de que qualquer pessoa pode, em algum momento da sua vida e sujeita a determinadas circunstâncias, sofrer uma alteração emocional e uma grande dor que podem afetar diretamente o curso da sua vida. Mas, para que a doença mental apareça é comum a necessidade da presença de outros fatores que também influenciam, fatores de ordem biológica, psicológica ou social, atuais ou passados. Nestes casos, o sofrimento se torna tão intenso a ponto de se transformar em uma causa de muitos transtornos mentais.

“A dor mental é menos dramática que a dor física, mas é mais comum e também mais difícil de suportar.”
-C. S. Lewis-
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O QUE SÃO OS NOOTRÓPICOS E COMO POTENCIALIZAM A NOSSA INTELIGÊNCIA?

Os nootrópicos também são conhecidos como “fármacos inteligentes” pelos benefícios que prometem, que não são poucos: aumentar o desempenho mental e agir como potencializadores cognitivos. A sua popularidade nos últimos anos disparou a tal ponto que milhares de pessoas já incluem no seu café da manhã essa pílula dourada com a qual ser mais produtivo no trabalho.

Para contextualizar um pouco os nootrópicos, basta lembrar da série “Limitless”. Nela, Bradley Cooper tomava uma droga experimental chamada “NZT-48”. Logo depois de consumi-la, o seu mundo se tornava mais vívido, seus sentidos ficavam mais aguçados e o seu potencial cognitivo passava a 200%, a tal ponto que era capaz de aprender diversos idiomas com fluidez, ser um gênio nas finanças em Wall Street ou se lembrar de tudo que tivesse visto, lido e ouvido.

“Supostamente, o cérebro humano é algo parecido a um caderno que a gente compra na papelaria: pouco mecanismo e muitas folhas em branco”
-Alan Turing-

Algo assim nos permitiria – aparentemente – sermos mais produtivos que Stephen King escrevendo livros, memorizar um documento na metade do tempo ou ativar as estruturas neurológicas capazes de despertar o gênio musical ou matemático que existe em cada um de nós. E digo “aparentemente” porque a realidade é outra, uma realidade sem dúvida mais adequada, mais limitada e menos reluzente mas ainda assim, interessante.

A indústria farmacêutica, por exemplo investe a cada ano quantias milionárias no desenvolvimento de novos nootrópicos, e o faz por uma razão muito simples: a demanda se multiplica.

A pressão profissional é cada vez mais elevada, sabemos disso, é preciso estar alerta, é preciso melhorar a concentração, ser mais ágeis mentalmente, mais criativos, mais produtivos… Todo mundo deseja dar mais de si mesmo sem ter que recorrer a substâncias perigosas, e é aí que entram em ação os nootrópicos ou as “drogas inteligentes”.

Atualmente sabe-se que estes fármacos são muito consumidos pelos universitários, pilotos militares, programadores de informática ou criativos de empresas de publicidade que procuram neles um recurso aparentemente inócuo com o qual expandir a sua mente, focar a atenção e dar o melhor de si nos seus objetivos.

Mas… os nootrópicos realmente funcionam?

Os nootrópicos: uma descoberta acidental que deu lugar a “drogas inteligentes”
Há quem chame os nootrópicos de “a droga do futuro”, um produto de uma sociedade acelerada que deseja ir além das suas próprias possibilidades. Contudo, este termo incomoda, não agrada e não é aceito porque – em geral – não possuem efeitos colaterais e não são “psicoestimulantes”. Por isso são classificados de uma forma muito mais inspiradora: “potencializadores cognitivos”.

Por outro lado, há quem também se aventure a dizer que os nootrópicos serão muito em breve o nosso menu evolucionista, e que graças a eles levaremos o nosso desenvolvimento cerebral a outro nível.

Por mais curioso que pareça, este é justamente o propósito de grandes empresas e conhecidas entidades. De fato, Silicon Valley – capital mundial da indústria de tecnologia – já está há anos trabalhando com os nootrópicos, a ponto de descobrir novos mecanismos por meio dos quais intensificar suas propriedades, seus efeitos, sua duração e até aplicação.

Não apenas servirão para melhorar a atenção e a criatividade, mas também já é possível vivenciar sonhos lúcidos ou atingir um nível de relaxamento semelhante ao que se alcança depois de vários anos de meditação. No entanto, sabemos que para muitos de nossos leitores alguns dados possam parecer pura ciência-ficção e por isso é preciso irmos passo a passo. Vejamos primeiro a sua origem.


Dos indutores do sono aos ativadores da atenção

Estamos nos anos 60 e, em um laboratório belga chamado “Union Chimique Belge”, o neurofarmacologista romeno Corneliu Giurgea trabalha na síntese de diversos compostos químicos com um finalidade muito específica: induzir o sono.

Contudo, ele acabou descobrindo um tipo de molécula muito especial que lhe permitiu criar o primeiro nootrópico da história: o Piracetam. Essa droga, longe de reduzir a excitabilidade neurológica e propiciar o descanso, fazia na verdade justamente o contrário: colocar a mente em alerta e melhorar funções cognitivas como a memória e a concentração.

Isso era possível graças à modulação química de neurotransmissores como a acetilcolina e o glutamato, e além disso, sem efeitos colaterais muito adversos.

O Piracetam de Corneliu Giurgea não demorou a ser comercializado, permitindo que pouco a pouco chegassem outras propostas, como o Oxiracetam, o Aniracetam, o Pramiracetam e o Fenylpiracetam.

O mecanismo de ação dos nootrópicos varia entre eles. Contudo, a maioria deles tem efeitos na vasodilatação, isto é, melhoram o fluxo sanguíneo para o cérebro, proporcionando-lhe mais oxigênio, mais nutrientes e glicose, a fonte de energia essencial que o cérebro usa para nos garantir longos períodos de concentração.

De forma semelhante, e como dado curioso para refletir, sabe-se que o Vale do Silício trabalha com os nootrópicos combinando-os com o biohacking, isto é, procuram “hackear” certas funções cerebrais através de diversos químicos para potencializar assim as funções do pensamento.

Parece que a porta para o salto evolutivo do cérebro humano está começando a abrir a sua maçaneta…

Quais são os efeitos dos nootrópicos? São mesmo tão benéficos quanto parecem?

O objetivo das indústrias farmacêuticas com os nootrópicos é duplo. Por um lado, e como já sabemos, a procura da melhoria dos processos cognitivos básicos, algo que na maioria dos casos, conseguem fazer. O segundo aspecto é que funcionem como neuroprotetores e que seus possíveis efeitos secundários sejam mínimos, para não dizer inexistentes.

Mas, um dos maiores problemas que os especialistas da saúde estão descobrindo é que tanto os estudantes universitários quanto os empresários e demais pessoas com um estilo de vida caracterizado pelo estresse, adquirem os nootrópicos através da internet, sem se preocupar com a sua procedência ou, o que é pior, a forma como devem ser consumidos.

Vejamos um exemplo. A cafeína é um nootrópico natural, assim como os ácidos graxos ômega 3. Se eu consumir 10 xícaras de café em uma noite, é bem provável que eu tenha cefaleias, tonturas e pressão arterial elevada. Do mesmo jeito, o estudante que compra um nootrópico pela internet sem conhecer a sua composição e forma de administração, com o único fim de passar na prova de depois de amanhã, possivelmente irá sentir antes os efeitos adversos dessa melhora na atenção e na memória.

Portanto, é necessário saber que os nootrópicos ajudam, mas não são um milagre. Além disso, estes benefícios serão percebidos se forem consumidos adequadamente e com orientação médica.

Por outro lado, e a título de curiosidade, cabe dizer que os laboratórios russos criaram uma nova família de nootrópicos derivados todos eles da corticotropina, o hormônio do estresse e dos agonistas dos receptores GABA como o Phenibut ou o Tolibut. Estes fármacos tem ultimamente uma grande demanda pelo seu efeito ansiolítico e redutor do estresse, mas cabe dizer que seus efeitos colaterais são sem dúvida os mais perigosos do mercado, já que a longo prazo provocam dependência.

Como usar os nootrópicos
Os especialistas dizem que existem alguns cuidados básicos que é preciso seguir na hora de consumir algum tipo de nootrópico:

• Encontre o nootrópico que melhor se adeque a suas necessidades

• É preciso consultar um especialista que oriente cada pessoa sobre as opções que existem no mercado.

• Cada pessoa tem um tipo de neuroquímica, e em geral, é comum começar com doses muito baixas, experimentando uns e outros até encontrar o adequado.

• Ao sentir qualquer tipo de mal-estar, como cefaleias ou tonturas, é preciso interromper imediatamente o uso desse tipo de nootrópico.

• De forma semelhante, é preciso lembrar que estes fármacos não são de ação imediata. O cérebro precisa se acostumar a eles; de fato, o seu efeito começará a ser notado depois de alguns dias ou semanas.

Só funcionam se forem acompanhados por uma dieta adequada, evitando o sedentarismo

Se quisermos modular a nossa química cerebral para que funcione no melhor nível, será necessário obter uma série de nutrientes adequados para ativar o mecanismo de ação destas drogas inteligentes.

Portanto, uma dieta equilibrada rica em frutas frescas, vegetais, ácidos graxos ômega 3 e ômega 6 é fundamental para que os nootrópicos possam agir.

• De forma semelhante, se levarmos uma vida sedentária teremos um metabolismo mais lento, menos eficiente e, além disso, a função hepática também não conseguirá processar da melhor forma os componentes dos nootrópicos.

A atividade física e a alimentação variada e pobre em gorduras saturadas é fundamental para que estes fármacos cumpram o seu objetivo.

“O verdadeiro sinal de inteligência não é o conhecimento, mas sim a imaginação.”
-Albert Einstein-

Tipos de nootrópicos

É importante apontar aqui que nem todos os nootrópicos são fármacos. Muitos deles não estão sujeitos a receitas médicas porque têm componentes naturais, e porque é muito fácil encontrá-los nas lojas de produtos naturais. Apesar disso, antes de começar a consumir estimulantes cognitivos é sempre melhor consultar um especialista.

Para isso, é preciso definir qual o objetivo, porque como vimos, a oferta de nootrópicos é bastante ampla, e tudo indica que será ainda maior nos próximos anos.

• Nootrópicos para melhorar o estado de ânimo.
• Nootrópicos para melhorar a concentração.
• Nootrópicos para combater a ansiedade.
• Nootrópicos para melhorar a memória.
• Nootrópicos para melhorar o descanso, recuperação e o sono.
• Nootrópicos com foco anti-idade ou longevidade.
Inteligência humana

Para concluir, cabe lembrar apenas que os nootrópicos não são suplementos alimentares. Não é recomendável fazer uso dos mesmos de forma leviana, especialmente porque cada vez a oferta é mais ampla e a eficácia dos mesmos menos confiável. Portanto, mesmo sabendo que todos desejamos otimizar as próprias capacidades cognitivas para nos adequar às demandas atuais do mercado de trabalho, será sempre melhor procurar antes outras estratégias, outros caminhos.

Apesar disso, continuaremos atentos à evolução destes potencializadores cognitivos e do seu impacto em nosso futuro. 
Referências bibliográficas: 
- Ruiz Franco, J. (2005). Drogas Inteligentes. Editorial Paidotribo.
- Evan Brand (2016) The Everything Guide To Nootropics. Berkley Books
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3 CASOS CLÍNICOS QUE AJUDARAM A ENTENDER O FUNCIONAMENTO DO CÉREBRO

A neurociência conseguiu progredir graças a uma árdua pesquisa que inclui casos clínicos comuns, mas também outros realmente surpreendentes. Alguns desses casos ficaram em evidência principalmente porque suas contribuições foram decisivas para entender o funcionamento do cérebro.

O ser humano tem se mostrado resistente a admitir que a chamada “alma” ou o chamado “coração” na verdade correspondem a processos que ocorrem no cérebro. O mais importante desses casos clínicos que se tornaram clássicos é que, de uma maneira ou outra, eles evidenciam a ação e o funcionamento do cérebro no nosso mundo psíquico.

 “Todo homem pode ser, se assim se propuser, escultor do seu próprio cérebro.”
-Santiago Ramón y Cajal-

Nós ainda estamos longe de compreender o cérebro. No entanto, passo a passo avançamos, desvendando alguns mistérios e descobrindo outros. Os três casos clínicos que apresentamos a seguir merecem ser lembrados e levados em consideração pelo que representaram nesse sentido.

Casos que desvendaram mistérios sobre o funcionamento do cérebro

Phineas Gage, um dos casos clínicos mais interessantes
Phineas Gage era um trabalhador ferroviário dos Estados Unidos que sofreu um acidente incomum. Em setembro de 1848, o jovem operário tinha que explodir uma rocha, mas cometeu um erro e a explosão aconteceu antes do esperado. Como resultado desse erro de cálculo, Phineas voou mais de 20 metros. Ele também foi atingido por uma barra de metal que ficou alojada na sua bochecha e atravessou seu crânio, saindo pela testa.

O caso de Phineas Gage
Foi o doutor Harlow quem o atendeu e deixou seu depoimento sobre o ocorrido. O médico se mostrou muito impressionado pelo fato de Phineas ter se mantido consciente depois do acidente e não mostrar sinais de ter perdido o contato com a realidade. Ele passou por uma recuperação que durou apenas 10 semanas e em nenhum momento demonstrou ter perdido sua capacidade cognitiva.

Depois da recuperação, Phineas Gage voltou a realizar seu trabalho normalmente, mas começou a mostrar várias mudanças na sua personalidade. Antes ele era um homem tranquilo e se tornou extremamente irritado. A mesma coisa aconteceu com outras características. Esse é um dos casos clínicos que se tornou clássico porque representa uma evidência de que os padrões de comportamento – ou até mesmo o que chamamos de personalidade – estão relacionados fisicamente com o cérebro.

Apesar disso, alguns estudiosos sugerem que o efeito do trauma e o fato de ter ficado com uma deformação no rosto não foram fatores suficientemente estudados. Na opinião de alguns estudiosos, esses fatores também podem ter tido grande impacto na mudança que Phineas sofreu.

O caso do paciente HM
Esse também é um dos casos clínicos que impactaram o mundo da ciência no que diz respeito ao funcionamento do cérebro. Estamos falando de Henry Molaison, que entrou para a história como o “paciente HM”. Quando tinha 27 anos, ele passou por uma cirurgia na qual foi extraída uma parte do seu cérebro, da qual faziam parte o hipocampo e um pedaço da amígdala. O objetivo era colocar um fim aos ataques de epilepsia que esse homem sofria.

O resultado da cirurgia foi, no mínimo, surpreendente. O paciente HM se tornou incapaz de armazenar novas memórias. Ele se lembrava de tudo que tinha acontecido antes da cirurgia, mas nada além disso. Esse homem viveu para sempre, e literalmente, no presente. Ele se esquecia de tudo logo após acontecer. Por exemplo, se alguém entrava, o cumprimentava e logo em seguida saia, quando minutos depois a mesma pessoa voltava, HM era incapaz de reconhecê-la.

Durante toda sua vida, o paciente HM viveu rodeado por médicos e em meio à terrível tragédia de não conseguir formar novas memórias. Ele morreu em 2009. Como seu caso era um dos casos clínicos mais famosos, a autópsia do seu cérebro foi realizada com transmissão ao vivo pela Internet. Nesse processo se descobriu que a área mais deteriorada do seu cérebro era o “córtex entorrinal”, a mesma que fica comprometida nas fases iniciais do Alzheimer.

O caso Donald
Donald foi um homem que assassinou sua namorada sob efeito de PCP (fenciclidina). Depois ele não se lembrava de nada. Perante esses fatos, foi diagnosticada amnésia orgânica. Após sair de um confinamento psiquiátrico, Donald foi atingido fortemente na cabeça e ficou em coma. Quando ele acordou, uma coisa espantosa começou a acontecer.

Donald começou a se lembrar do assassinato, repetidas vezes, até que essa lembrança se tornou incontrolável. Continuamente ele via o assassinato na sua mente e o recriava repetidamente, uma coisa desesperadora para ele. Além disso, Donald apresentava algumas crises e dormência do lado esquerdo do seu corpo.

O caso de Donald é um dos casos clínicos mais misteriosos. A ciência ainda não conseguiu explicar por que uma lembrança perdida retornou. Muito menos sabe por que, quando a lembrança voltou, ela se manifestou de maneira tão conturbada para o paciente, algo que foi mais conturbado que a própria lembrança. 

Esses são alguns dos casos clínicos mais relevantes da história. Cada um deles nos permitiu fazer progressos, às vezes às cegas, no campo do conhecimento do funcionamento do cérebro. Lamentavelmente, as pessoas que tornaram possíveis esses progressos sofreram os efeitos de não possuir “um cérebro normal”, mas deixaram um grande presente da humanidade.
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