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AS DISTORÇÕES MENTAIS QUE AMARGAM A NOSSA VIDA

Nós temos a sensação de que processamos o mundo como ele é, mas não é bem assim que acontece. A nossa mente e os nossos sentidos criam distorções mentais. Nós interpretamos cada situação segundo os nossos desejos, crenças, expectativas e intenções.

Existem diversas situações nas quais distorcemos a nossa percepção. Embora isto seja normal, a verdade é que estas distorções podem ser agravadas na presença de um distúrbio mental como a depressão.

Estas distorções cognitivas erradas nos tornam vulneráveis à tristeza cognitiva, à depressão e à baixa autoestima.

Então, vamos conhecer as 11 distorções mentais da realidade, definir o que são e como se manifestam.

As distorções da realidade que a sua mente produz:

As distorções mentais nos impedem de ver a realidade como ela é, ou seja, distorcem a realidade concentrando-se em apenas um aspecto.

Generalização: de um acontecimento isolado fazemos uma regra geral e universal. “Você não me deu atenção hoje, estou “de mal” com todo mundo.”

Inferência arbitrária: chegar a uma conclusão sem ter qualquer razão para isso. “Se não olha para mim é porque me acha feio”. “Com certeza não passará nas provas, mesmo que estude”.

Designação global: usar denominações pejorativas para descrever algo ou a nós mesmos. “Eu sou covarde, desesperado, estúpido, fraco.

Autoacusação: culpar-se por acontecimentos que não podemos evitar. “Se eu não tivesse saído tão cedo para pegar a estrada, haveria mais claridade e o acidente não teria acontecido”.

Pensamento polarizado ou dicotômico: Levar as coisas ao extremo sem meio-termo. “Tem que ser perfeito, senão não vale a pena”

Personalização: acreditar que tudo o que acontece tem algo a ver conosco, embora sejam situações que não têm nada a ver com a nossa vida. “Olhe como a Rosa está sempre arrumada, enquanto eu estou tão mal-vestida”

Leitura da mente: acreditar que sabe o que os outros pensam e por que se comportam de determinada maneira. “Você pensa que sou estúpido”?

A falácia do controle: acreditamos que somos responsáveis por tudo e por todos, mas na realidade não podemos controlar nada. “Isto aconteceu por minha culpa” ou “não posso fazer nada para mudar”.

Raciocínio emocional: acreditar que as coisas são da forma como as sentimos; as nossas emoções refletem as coisas como elas são. “Vou morrer” ou “Todos os meus amigos me abandonaram”.

Abstração seletiva: é um filtro mental que ignora tudo o que é positivo e se concentra no negativo. “Eu passei nesse teste importante porque tive sorte”.

Maximização e minimização: Os eventos são avaliados com um peso exagerado ou subestimado com base no seu valor real. Por exemplo, um caso de minimização seria menosprezar eventos positivos nos quais temos algum mérito. “Ele me pediu em casamento, mas poderia pedir qualquer outra mulher”.

Explicação destas distorções mentais

Os elementos fundamentais no modelo cognitivo de Beck para a depressão são os esquemas, os pensamentos automáticos e as distorções mentais cognitivas que acabamos de nomear.

Os esquemas cognitivos são pressupostos e crenças básicas sobre a realidade. Os pensamentos automáticos são reflexos, irracionais, impróprios, involuntários, e são vividos como aceitáveis.

As distorções cognitivas são erros sistemáticos que acorrem no processamento de informações. Portanto, a distorção errada é o elemento central do mal-estar da pessoa.

Todos estes esquemas são formados na infância e podem ser desencadeados por um evento estressante na vida adulta. Após essa ativação, processamos tudo com esse esquema negativo que causa distorções cognitivas e pensamentos automáticos. É nesse momento que aparece a tríade cognitiva da depressão: visão negativa de si mesmo, do mundo e do futuro.

Para esclarecer estes conceitos, veremos um exemplo:

“Maria é uma menina que desde pequena presencia os abusos do seu pai contra a sua mãe. Por outro lado, a sua mãe lhe diz que isto é normal, que todos os homens são iguais quando estão casados.

Maria vivencia isso e terá um esquema negativo sobre os relacionamentos com os homens, que será ativado quando passar por algum problema estressante, semelhante à situação que originou o esquema. Alguns anos depois, o seu namorado grita com ela e automaticamente o esquema ‘todos os homens são maus e nos maltratam’ será ativado.

A partir daí, todas as informações serão processadas através deste esquema e aparecerão pensamentos automáticos a respeito de tudo o que o seu parceiro faz. Por exemplo, “todo mal que ele me faz é para o meu bem”. As distorções cognitivas são ativadas quando a informação é processada como raciocínio emocional: “Eu vou morrer, mas não sou capaz de deixá-lo”.

Isto contribuirá para que na mente de Maria seja ativada a tríade cognitiva da depressão: uma visão negativa sobre si mesma, da situação e do futuro.

Como tratar os nosso esquemas, cognições e pensamentos depressogênicos:

A melhor maneira de tratar a depressão que tenha sido causada por esta forma de processar as informações é através da “Terapia Cognitiva de Beck para a depressão”.

A Terapia Cognitiva de Beck é muito completa: tem uma fase educativa, um treinamento de habilidades e aplicação na vida real. São utilizadas muitas técnicas para colocar em dúvida ou desmantelar todas as cognições erradas que a pessoa usa e que estão minando a sua autoestima e causando depressão.

A reatribuição, a busca de interpretações alternativas, questionar a evidência desses esquemas e contrastar as previsões catastróficas que fazemos sem parar são algumas dessas técnicas utilizadas no tratamento.

Nesta terapia é muito importante a relação entre o paciente e o terapeuta. Este tratamento tem se mostrado muito eficaz, especialmente no que se refere à parte comportamental: é bom manter-se ativo, mesmo que não nos sintamos bem e continuemos tendo estas distorções cognitivas.

Com o passar do tempo, com as repetições e com a energia que o movimento nos dá, atingiremos o nosso objetivo.
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DEPRESSÃO: QUANDO É HORA DE PROCURAR AJUDA?

Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.

O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

O QUE É NORMAL?
Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.

Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.

A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.
Em busca de um diagnóstico

Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta. (Da redação)

Teste – Sentir, pensar e agir
Para ver o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. 
Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:

1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS
(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz
grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS
(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer
minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR
(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS
(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS
(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO
(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR
(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO
Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.
Robert Epstein – Revista Científica Mente&Cérebro
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AS NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO AFETAM A QUALIDADE DOS NOSSOS RELACIONAMENTOS?

Há uma frase de Peter Drucker realmente singular e que entra em conflito com as novas formas de comunicação atuais: “O mais importante na comunicação é ouvir o que não se diz”. Mas, como saber o que não se diz se você não consegue ver o seu interlocutor? Como você sabe se está deixando um silêncio comunicativo ou um silêncio porque está ocupado com outra atividade que naquele momento chamou sua atenção e interrompeu seu discurso?

Ou seja, assim como Drucker afirma, em uma conversa há muitos gestos, movimentos e expressões faciais que não falam, mas dizem muito. No entanto, com as novas formas de comunicação que possuímos hoje em dia, como as mensagens instantâneas ou o e-mail, esses detalhes se perdem. Esse fato afeta a qualidade dos nossos relacionamentos interpessoais?

“A forma como nos comunicamos com as outras
 pessoas e com nós mesmos determina a 
qualidade das nossas vidas.”
-Anthony Robbins-

Sem dúvidas existem novas formas de comunicação que estão mudando nossa forma de ver o mundo. O que antes era uma simples conversa entre pessoas ou, no máximo, uma chamada telefônica, agora pode ser um grupo de WhatsApp, um comentário no Facebook ou comentário no Twitter de 140 caracteres. Isso apenas para evidenciar alguns dos exemplos mais conhecidos.

Assim, as novas tecnologias e suas contribuições estão mudando as comunicações com enorme rapidez. O contato olhos nos olhos parece cada dia mais ultrapassado. Mas, se essas mudanças trazem excelentes vantagens, como uma comunicação mais rápida e prática, também têm seus contras. Ou seja, uma conversa por WhatsApp é tão eficaz quanto uma conversa cara a cara?

Segundo David R. Olson, renomado psicólogo cognitivo, é preciso levar em consideração uma série de fatores. Para que sejam compreendidos, devemos acrescentar que a comunicação se baseia em três atos: o locutivo, o ilocutivo e o perlocutório.

O ato locutivo se refere à produção dos sons, das palavras e do significado de uma sentença. O ato ilocutivo está relacionado com a força e o ato perlocutório trata dos efeitos produzidos pela sentença. Esses efeitos podem ser entendidos, por exemplo, como a respiração, a irritação, o engano ou a impressão.

Vamos analisar um exemplo:

Ele me disse: “Entregue-o a ela”. – Ato locutivo.

Ele me aconselhou que eu o entregasse a ela. – Ato ilocutivo.

Ele me convenceu a entregá-lo a ela.  – Ato perlocutório.

O ato locutivo é apenas o ato de dizer alguma coisa, enquanto o ato ilocutivo pode pressupor diferentes empregos de uma mesma locução, de acordo com a forma que é entendida quando pronunciada (por exemplo, segundo o contexto, dizer “Estou com frio” pode significar o desejo de que o interlocutor feche a janela, empreste o casaco ou apenas ser apenas uma informação sobre o meu estado físico, etc.).

Sabendo disso, quais mudanças esse pesquisador observou?

Uma realidade comunicativa diferente na qual se perde o ato ilocutivo

Segundo Olson, e dado que se considera que a fala não pode ser transcrita com exatidão, o ato ilocutivo se perde. Ou seja, mantêm-se apenas o locutivo e o perlocutório.

Dessa forma, aspectos relevantes da comunicação, como podem ser o tom de voz e suas oscilações, se perdem por completo. É verdade que podemos usar sinais de exclamações ou letras maiúsculas para levantar a voz, mas não é possível interpretar a ênfase e a entonação, dados relevantes que podem denotar nervosismo, raiva, insatisfação…

Esse déficit nos aspectos locutivos da conversação podem produzir não apenas frustração ou inseguranças no receptor ou nos receptores das mensagens, mas também pode provocar frustração na pessoa que as emite. Ela pode sentir que falta alguma coisa para que o outro possa compreendê-la.

Particularidades das novas formas de comunicação

Outra particularidade dessas novas formas de comunicação podem ser encontradas ao conversar com uma pessoa desconhecida. Ou seja, não conseguimos interpretar como o nosso interlocutor é, já que não está na nossa frente. Nesse sentido, vai ser mais complicado ter uma ideia da pessoa com a qual estamos conversando.

Assim, não podemos dizer se esse aspecto é mais ou menos negativo. É simplesmente diferente. No entanto, a verdade é que se perde a proximidade e o ato ilocutivo desaparece por completo. De fato, inclusive poderia dar uma noção sobre as intenções reais da pessoa que está do outro lado da comunicação.

Dessa forma, é evidente que a comunicação virtual não é necessariamente pior que a comunicação clássica. Ela é simplesmente diferente e também é positiva para propósitos diferentes. Além disso, hoje em dia, já dispomos de equipamentos tecnológicos que permitem realizar chamadas com vídeo para que ambos os interlocutores se vejam enquanto conversam.

E também, quando duas pessoas se comunicam por WhatsApp, por exemplo, ou algum outro meio de mensagens instantâneas, há mais uma variável. Elas já se conhecem bem. Um pouco do ato ilocutivo pode se manter em partes, e, por isso, elas são capazes de realizar interpretações mais acertadas quando receptoras da mensagem.

“O caráter de um homem pode ser descoberto 
pelos adjetivos que ele geralmente 
usa nas suas conversas.”
-Mark Twain-

Na realidade, as novas formas de comunicação simplesmente contribuem com novos meios para conversar com as pessoas. Isso tende a prejudicar a qualidade da nossa comunicação? A verdade é que a tecnologia facilita o fato de manter conversas com determinadas pessoas que, de outra maneira, não conseguiríamos manter. No entanto, sempre vai prejudicar em vários aspectos a qualidades dessas conversas.

Finalmente, alguns estudos revelam que a crescente sensação de solidão que existe na sociedade atual em partes ocorre porque aumentamos a frequência de uso de determinados meios de comunicação em detrimento de outros. Podemos ter pessoas do outro lado da tela, mas é mais difícil conseguir sentir que elas estão perto. Talvez com uma chamada por vídeo possamos olhar nos olhos, mas nunca poderemos abraçar ou encostar.


Por isso, utilize as tecnologias para se comunicar com quem está distante, mas deixe-as de lado para falar com quem está por perto. 

Explore seus benefícios, mas não deixe que suas desvantagens sejam completamente incluídas nos seus relacionamentos.
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VOCÊ SOFRE DE ANSIEDADE NOTURNA?

Se quando o sol se esconde os nossos pensamentos nos impedem de relaxar e adormecer, este é um sintoma de que a ansiedade ganhou um espaço muito importante nas nossas vidas. A ansiedade noturna é causada pelos altos níveis de estresse que geramos durante o dia, seja pelo trabalho ou pela família. Esse estresse pode ser a soma das tensões nas duas áreas ou até mesmo aparecer sem que possamos identificar o motivo. É caracterizado por preocupação e nervosismo que aparecem quando chega o momento de descansar.

A ansiedade noturna é uma das manifestações mais frequentes quando sofremos algum tipo de distúrbio do sono. O medo “toma conta” da pessoa e o seu sono não é contínuo. Dorme e acorda constantemente, de modo que é complicado alcançar as fases mais profundas do sono.

Normalmente, aqueles que experimentam a ansiedade noturna são pessoas distraídas que têm dificuldade para se concentrar durante o dia. Isto ocorre porque os ataques de ansiedade noturna impedem o descanso necessário e afetam a sua rotina diária.

No que diz respeito ao sono, é melhor a “qualidade” do que a quantidade. Se nos concentrarmos no pensamento de que não vamos conseguir dormir em vez de tentar relaxar e pensar que vamos dormir durante toda a noite, será mais difícil adormecer. Portanto, é necessário relaxar, esperar o sono chegar, entendendo que este é um processo natural.

É paradoxal que o sono, sendo tão necessário para a sobrevivência e o bom funcionamento psicológico, apresente uma grande variedade de distúrbios e disfunções que, em muitos casos, requerem uma intervenção complexa.

Para superar a ansiedade à noite, podemos tentar identificar a causa durante o dia e adquirir habilidades suficientes para que ela deixe de nos preocupar. Se superarmos os medos e as preocupações, a ansiedade e seus sintomas desaparecerão.

“Termine cada dia antes de começar o próximo e
 coloque uma sólida parede de sono entre os dois”.
 – Ralph Waldo Emerson –

Causas da ansiedade noturna

A ansiedade não conhece os horários e, portanto, podemos sofrer de ansiedade noturna, embora este seja um momento que, em teoria, deveríamos estar relaxados. A ansiedade é uma emoção que não devemos subestimar, pois a sua energia mal dirigida pode se acumular e causar muitos problemas.

Os transtornos de ansiedade se manifestam de muitas formas e é muito difícil classificá-los de forma sistemática e identificar as suas causas. Há pessoas que experimentam muita agitação, enquanto outras ficam paralisadas. Da mesma forma, há pessoas que sentem mais ansiedade pela manhã, enquanto outras sentem pânico no momento de dormir.

As preocupações causam ansiedade e nos roubam o sono. Elas são a principal causa da ansiedade noturna. As preocupações com o futuro e a antecipação de acontecimentos desagradáveis nos tornam mais vulneráveis ao estresse e aos problemas para dormir. As dificuldades para se desconectar dos problemas ao se deitar, o excesso de trabalho durante o dia e os problemas emocionais são as principais causas da preocupação e, portanto, da ansiedade noturna.

Preocupação e ansiedade noturna

No entanto, há uma diferença fundamental: durante a noite, a maioria dos nossos problemas não podem ser resolvidos. Dessa forma, ficar remoendo os problemas aumenta a nossa preocupação e nos deixa alertas, um estado oposto ao que atrai o sono.

Por outro lado, os altos níveis de ansiedade acumulados e experimentados durante o dia tornam as pessoas mais propensas à ansiedade noturna. Elas têm dificuldades para dormir por causa da fadiga constante, do baixo rendimento diurno e do desconforto que tudo isso implica.

Muitas vezes, a ansiedade se apodera de nós e assume o controle. Quando ela assume o controle, geralmente nos leva a comportamentos que eliminam a emoção por alguns momentos, de modo que “retornam” mais tarde com mais força. Por exemplo, um desses comportamentos que cessa a ansiedade e faz com que ela retorne com mais força é “assaltar” a geladeira à noite.

Além disso, os sintomas da ansiedade quando tentamos dormir geralmente são precedidos de imagens de ansiedade anteriores (imagens de ansiedade diurna). Essas imagens geralmente são acompanhadas de taquicardia, uma sensação de angústia, um “nó na garganta” e um despertar assustado.

“Alguns pensamentos são tão hediondos que não
 conseguimos dormir. Eles nos mantêm acordados a
noite toda e se tornam obsessões”.
 – Marty Rubin –

Como enfrentar a insônia por ansiedade?

O mais comum é que as pessoas que sofrem deste tipo de alteração do sono procurem utilizar substâncias ou medicamentos que lhes permitam ficar mais tranquilos e dormir melhor. No entanto, poucas pessoas sabem que a maioria dos casos de ansiedade noturna pode ser tratada através de uma série de diretrizes, e o uso de drogas ou ervas nem sempre é a melhor solução.

A ansiedade está ligada com o que fazemos, pensamos e sentimos. Dependendo de como gerenciamos esses três aspectos durante os momentos anteriores ao sono, estaremos mais tranquilos ou mais nervosos. O tratamento para a ansiedade noturna pode ser dividido em dois grandes blocos.

É preciso haver uma mudança nos hábitos que temos antes de dormir, aprender a lidar com as preocupações diárias longe do período noturno. Enfrentar as preocupações nas primeiras horas do dia nos dará uma abordagem mais definida e mais tempo para resolvê-las.

Uma boa prática para ter um sono agradável é se exercitar antes de dormir. O nosso corpo estará mais relaxado e isso nos ajudará a dormir com mais facilidade. Também é importante evitar o álcool e as bebidas com cafeína algumas horas antes de dormir.

Se acordarmos no meio da noite, temos que tentar manter os olhos fechados e relaxar. O ideal contra a insônia é parar de se preocupar com problemas que não podemos resolver da cama. Liberte-se das preocupações, relaxe e o sono virá.

Aqui estão alguns passos para enfrentar a ansiedade noturna:

Mantenha os horários constantes. A insônia e a ansiedade noturna também podem ocorrer por falta de um horário definido. Dormir todos os dias no mesmo horário, com uma diferença de aproximadamente 30 minutos, regula os nossos ritmos circadianos, permitindo um sono natural e de qualidade.

Evite comer demais antes de ir para a cama. Tome cuidado com a alimentação especialmente durante a noite, uma vez que as refeições pesadas podem causar dificuldades para adormecer.

Crie uma atmosfera agradável antes de dormir. Precisamos cuidar do espaço onde dormimos: um travesseiro confortável, uma temperatura correta, são fatores que podem determinar a qualidade do sono. Caso contrário, podemos acordar no meio da noite e não conseguir dormir mais.

Use a cama apenas para dormir. Os especialistas dizem que o quarto deve ser utilizado apenas para dormir ou ter relações sexuais se quisermos dormir melhor. Não é aconselhável ter um computador ou uma TV, especialmente se nos acomodarmos na cama com o aparelho ligado.

Pratique exercícios de relaxamento. Fazer exercícios de relaxamento tem um efeito positivo quando se trata de combater ansiedade, estresse ou insônia.

Faça respirações profundas. Este exercício nos permitirá concentrar nossa atenção na nossa própria respiração, evitando qualquer pensamento que possa nos deixar nervosos e que nos impeça de dormir.
Aqui estão alguns exemplos de respiração profunda:
Respire profundamente através do diafragma, direcionando a sua atenção para o movimento do ar que entra e sai.

Solte o ar lentamente através da boca e, em cada inspiração, repita mentalmente uma palavra ou frase como “estou tranquilo” ou “estou calmo”. Ao mesmo tempo, imagine uma paisagem ou uma imagem mental que transmita calma e serenidade.

Não tente atrair o sono diretamente com pensamentos que façam alusão ao sono. Procure relaxar, não dormir. Se você relaxar, o sono o invadirá.

Evite os pensamentos negativos antes de ir dormir. Não tente fazer isso de forma direta: atraia pensamentos que o relaxem e, em nenhum caso, inspirem preocupação.

A insônia não é uma boa companheira. Na verdade, as pessoas com insônia sofrem muito. Um bom descanso é precisamente uma das melhores ferramentas para não cometermos erros durante o dia e, portanto, para evitarmos problemas e preocupações que nos ataquem durante a noite.

Estamos falando de um círculo vicioso, que pode girar tanto na direção positiva quanto na direção negativa. A boa notícia é que está nas nossas mãos girar no sentido positivo e não no negativo.

“A ansiedade é como um pequeno rio que flui lentamente através da nossa mente. Se for encorajado, torna-se um grande canal por onde todos os nossos pensamentos são drenados”.
 – Arthur Somers Roche –
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VOCÊ SABE O QUE É UM DELÍRIO?

Durante o século XVII, o conceito de loucura se baseava principalmente no conceito de delírio, de tal modo que “estar louco” era igual a “ter delírios” e vice-versa. Na atualidade, se pedíssemos a uma pessoa qualquer para descrever sua imagem prototípica de um “louco”, é muito provável que nos dissesse que é aquela pessoa que acredita ser o Napoleão ou que afirma ser perseguida por extraterrestres.

Dizendo de outra forma, apesar de termos adquirido uma visão mais ampla da pessoa que sofre de problemas mentais, o delírio continua fazendo parte das características do estereótipo, além de ser um dos critérios diagnosticados que mais chamam a atenção. Etimologicamente, a palavra delírio deriva do termo latino delirare, que significa sair do caminho trabalhado. Aplicado ao pensamento, seria algo como “pensar saindo do caminho normal”.

Para o leigo, delirar significa “enlouquecer, ficar com a razão perturbada”. Na linguagem habitual, delirar é praticamente sinônimo de loucura, irracionalidade, devaneio ou perda da realidade.

“Tenho uma pergunta que às vezes me tortura: eu estou louco ou os loucos são os outros?”
-Albert Einstein-

A definição mais conhecida e citada é a que Jaspers oferece em Psicopatología General (1975). Para Jaspers, os delírios são falsos juízos, que se caracterizam porque o indivíduo os mantém com grande convicção, De maneira que não são influenciáveis nem pela experiência nem por conclusões irrefutáveis. Além disso, seu conteúdo é impossível.

Para identificar um delírio, deveríamos levar em consideração o grau em que a experiência se ajusta aos seguintes pontos:

Ela se mantém com absoluta convicção.

É sentida como uma verdade evidente por si mesma, com uma grande transcendência pessoal.

Não se deixa modificar pela razão nem pela experiência.

Seu conteúdo é frequentemente fantástico ou no mínimo intrinsecamente improvável.

As crenças não são compartilhadas por outros membros do grupo social ou cultural.

A pessoa está preocupada com a crença e se torna difícil para ela evitar pensar ou falar sobre a crença.

A crença é fonte de mal-estar subjetivo ou interfere no funcionamento social da pessoa e nas suas ocupações.

Em suma, os delírios se caracterizam por serem conceitualmente muito complexos e talvez por isso seja tão difícil “inclui-los” em uma definição.

Quais tipos de delírios existem?

Um dos aspectos que mais foi trabalhado na questão dos delírios é o da sua classificação. Assim, os delírios foram distinguidos em função da forma que adquirem e do conteúdo da experiência que contêm.

Tipos de delírios segundo a forma

Do ponto de vista formal, a distinção realizada classifica os delírios em delírios primários ou “verdadeiros” e delírios secundários.

Delírios primários

Os delírios primários ou verdadeiros não têm sua origem em uma experiência anômala prévia, ou seja, não se pode delimitar claramente sua origem. Eles se caracterizam porque uma vez que invadem a consciência do indivíduo, este vai explicar boa parte de tudo que acontece com base no delírio.

A pessoa fica inquietantemente consciente de que produziu uma mudança no significado do mundo e das coisas. Tudo parece mudado, diferente e isso, por sua vez, leva a sentimentos terríveis, difíceis de descrever e mais ainda de explicar. A explicação não costuma ser compreensível para quem a ouve.

“Nenhum grande gênio existiu 
sem uma mistura de loucura.”
-Sêneca-

Foram postulados quatro tipos de delírios primários (Jaspers, 1975):

Intuição delirante. Por exemplo, um paciente percebe que as siglas do seu nome, Emilio Albéniz de Darco, significam “És o Assassino de Deus”.

Percepção delirante. Por exemplo, um paciente, ao olhar seu nome escrito na caixa de correspondência da sua casa “percebe” que a polícia secreta o identificou como o inimigo público número um.

Atmosfera delirante. Consiste na experiência subjetiva de que o mundo mudou de uma maneira sutil, mas sinistra, inquietante e difícil ou impossível de definir.

Lembrança delirante. Consiste na reconstrução delirante de uma lembrança real ou na qual de repente o paciente “se lembra” de alguma coisa claramente delirante. Por exemplo, ele “se lembra” de que é o filho de Deus.

Delírios secundários

Os delírios secundários são compreensíveis psicologicamente. Eles são produzidos como consequência da tentativa por parte do paciente de explicar uma experiência anormal.

Por exemplo, um paciente acaba de passar por uma alucinação (ele diz que ouviu uma voz muito profunda que falava como se fosse seu pai). Essa experiência costuma ser muito estranha e anormal.

Assim, é muito provável que ninguém se assuste se a explicação que esse paciente nos der sobre essa experiência também seja estranha e anormal. Ele pode dizer que foi escolhido por Deus para salvar o mundo, por exemplo.

Tipos de delírios dependendo do seu conteúdo

O conteúdo dos delírios pode ser bastante variado e existe uma ampla variedade desse tipo de classificação. Aqui vamos utilizar a classificação mais utilizada, a proposta pelo DSM.

Delírio de ser controlado

O indivíduo sente que seus sentimentos, impulsos, pensamentos ou ações não são seus. Ele os sente como se fossem impostos por alguma força estranha e irresistível. Por exemplo, a pessoa acha que recebe mensagens pela televisão que dizem que ela precisa salvar a humanidade.

Ideia delirante corporal

Seu conteúdo principal se refere ao funcionamento do próprio corpo. Por exemplo, o cérebro está podre, uma mulher está grávida apesar de estar na menopausa, etc.

Ideia delirante de ciúmes

Constitui a convicção delirante de que a parceira ou o parceiro sexual é infiel, apesar de não haver provas evidentes a favor.

“Qualquer predomínio da fantasia 
sobre a razão é um grau de loucura.”
-Samuel Johnson-

Ideia delirante de grandeza

Seu conteúdo implica uma exagerada valorização da importância, do poder, do conhecimento ou da identidade pessoal. Pode ser de natureza religiosa, corporal ou de outro tipo. Por exemplo, aquele indivíduo que acredita ser Napoleão Bonaparte.

Ideia delirante de pobreza

O sujeito acredita que perdeu ou perderá todas ou quase todas as suas posses materiais.

Ideia delirante de referência

Consiste no fato de que os acontecimentos, os objetos ou as pessoas próximas do ambiente do sujeito têm um sentido particular e não comum, em geral de tipo negativo e pejorativo. Por exemplo, uma mulher está convencida de que os programas de rádio se destinam especialmente a ela.

Ideia delirante extravagante

É uma falsa crença cujo conteúdo é claramente absurdo e sem base real possível. Por exemplo, um homem acredita que quando tiraram suas amígdalas na infância, colocaram um dispositivo na sua cabeça com cabos através dos quais ele conseguiria ouvir a voz do presidente da república.

Ideia delirante niilista

Gira em torno da existência do eu, das outras pessoas e do mundo. Por exemplo, “o mundo acabou”, “nunca mais vou ter um cérebro” ou “não preciso comer porque sou oco por dentro”.

Ideia delirante persecutória

Seu tema central é a convicção de que uma pessoa ou um grupo é atacado, ameaçado, enganado, perseguido ou vítima de uma conspiração. Por exemplo, um paciente que acredita ser perseguido pelo FBI.

Delírio de culpa

O paciente se sente culpado e responsável por qualquer tipo de miséria. Por exemplo, ele acredita veementemente que é o responsável pela fome no mundo.

Delírio de Sósias ou Síndrome de Capgras

O indivíduo acredita que pessoas importantes na sua vida estão sendo usurpadas por um impostor, inclusive acha conscientemente que os impostores têm a mesma aparência.

Delírio de amor ou Síndrome de Clerembault

O paciente acredita que alguma pessoa está loucamente apaixonada por ele. Por exemplo, uma pessoa que acredita veementemente que a princesa da Espanha está apaixonada por ela.

Algumas curiosidades sobre os delírios

O tema dos delírios é bastante chamativo e conhecido. Os delírios, por serem notáveis, não costumam passar despercebidos. Assim, há alguns casos que transcenderam, como os seguintes:

O caso de “O pequeno Nicolás”

O jovem Francisco Nicolás Gómez Iglesias está em liberdade provisória por ter se passado pelo assessor do Governo e do Centro Nacional de Inteligência (CNI) usando documentação falsa. O relatório médico-forense observou em Nicolás uma “tendência delirante de tipo de grandeza”.

A tentativa de assassinato de Ronald Reagan

A tentativa de assassinato de Ronald Reagan por parte de John Hinckley Jr. foi considerada fruto de uma ilusão erotomaníaca ou delírio de amor, segundo a qual a morte do presidente faria com que a atriz Jodie Foster declarasse publicamente seu amor por Hinckley.

O mundo do cinema também soube refletir as ideias delirantes, as quais aparecem um vários filmes. A seguir, dois deles:

Filme “Take Shelter” (2011)

Um pai de família comum e padrão começa se deixar levar pelo medo de um possível apocalipse, sem que este estivesse sujeito a nenhuma explicação racional.

Filme “The Witch” (2015)

Narra a vida de uma família de colonos norte-americanos que se deslocam a um assentamento isolado na floresta para começar uma nova vida. O choque em relação à presença de uma bruxa nos arredores da casa e a forte fé religiosa da família vai fazer com que, pouco a pouco, ideias delirantes apareçam.

Como vimos ao longo desse artigo, um delírio é uma construção mental complexa que pode ser englobada em um todo maior de características compartilhadas.

Por outro lado, os delírios não deixam de ser uma demonstração do poder criativo da nossa mente e da sua necessidade de conferir coerência à realidade que percebe, de maneira que muitos delírios não deixam de ser a explicação mais plausível que a pessoa encontra para suas alucinações. 
Bibliografia: 
Belloch, A., Sandín, B. y Ramos, F. (Eds.) (2008). Manual de psicopatología (2 vols.), edición revisada. Madrid. McGraw-Hill.
 American Psychiatric Association (2014). DSM-5. Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales. Editorial Médica Panamericana
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