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SINCERICÍDIO: OS RISCOS DE SE TORNAR UM KAMIKAZE DA VERDADE

 Oscar Wilde disse que um pouco de sinceridade é algo perigoso, mas muita sinceridade é absolutamente fatal.

Sem dúvida, existem grandes diferenças entre ser honesto e fazer um "sincericídio". Uma palavra que ainda não existe em português, mas reflete perfeitamente a maneira de se comportar daqueles que poderiam ser classificados como "Kamikazes da verdade". E há uma grande diferença entre falar a verdade e usá-la para causar danos, tanto para si mesmo como para os outros.

Os limites entre sinceridade e sincericídio

O século de ouro espanhol estava correndo quando, em uma pousada de Madri, no calor das bebidas, surgiu uma aposta interessante entre vários cavalheiros. Alguém tinha que se atrever a dizer à rainha em seu rosto que ela estava aleijada.

Dona Isabel, a rainha da Espanha, era famosa por sua beleza, mas uma condição de infância deixou sua perna esquerda semi-imobilizada. Esse defeito era notável ao andar, e a rainha odiava ser mencionada.

Diz-se que Francisco de Quevedo, cavaleiro da corte e famoso tanto por seus versos quanto por suas brigas e aventuras, aceitou a aposta. Antes do olhar atônito de todos, ele apareceu diante da rainha com dois buquês de flores e disse com grande aprumo: "Entre o cravo branco e a rosa vermelha, sua majestade é... coxa..."

Não sei se a anedota é autêntica, mas a verdade é que nos mostra a diferença entre dizer a verdade e cometer sincericídio, isso nos diz sobre a importância de escolher as palavras. No entanto, na vida nem sempre temos essa sutileza e ingenuidade, então, quando brandimos a espada da verdade, podemos causar muitos danos.

O perfil do sincericida

É provável que todos nós já tenhamos nos comportado como sincericidas. No entanto, se dizer a verdade de forma desnuda, ferir os outros, torna-se nossa norma de comportamento, seria conveniente perguntar-mo-nos por que nos tornamos kamikazes da verdade.

Em muitas ocasiões, o apego suicida à verdade é a expressão de algo muito mais profundo, que pode ser um desejo de "punir" o outro ou mesmo a si mesmo. Na verdade, o sincericida é geralmente uma pessoa que acredita que está sendo tratado injustamente, sente que ele não é suficientemente valorizado ou está sendo submetido. Nesses casos, ele usa a verdade como uma arma "legítima" para atacar o mundo, que o decepcionou profundamente.

No entanto, há também o que poderíamos qualificar como "sincericidas nascidas", aqueles que consideram que só eles estão certos e que seu apego à verdade lhes permite passar por qualquer tipo de sutileza social. Eles consideram que o fato de que é "uma verdade como um templo" é razão suficiente. No final, essas pessoas estão convencidas de que só elas são sinceras e todos os outros estão mentindo, se apenas porque "adornam" a verdade para reduzir parte do seu impacto.

A dicotomia do sincericida

Os sincericidas tem uma crença equivocada porque pensam que "ser sincero" equivale a "ser bom". Essas pessoas acreditam que ser "direto", "dizer as coisas como estão" é uma expressão de sua coerência, mas, na realidade, causando prejuízo com sua sinceridade, suas ações revelam uma intenção destrutiva, o que significa que Há um conflito moral porque eles realmente não agem como eles dizem que são.

Por esta razão, a sincericidade costuma ocultar a incapacidade de ser empática e colocar-se no lugar do interlocutor. Na verdade, uma das frases favoritas de sincericidas é: "Eu digo-lhe porque eu gostaria de ser informado".

Isso mostra que o sincericida geralmente decide e age a partir de suas coordenadas, sem levar em conta o que o interlocutor quer ou precisa. O fato de que uma verdade nos faz não significa que isso faça bem aos outros.

3 condições em que a verdade não é lucrativa

Sincericídio é sinceridade sem prudência, a verificação de uma realidade objetiva que se realiza sem um toque de bondade ou beleza. Esse tipo de verdades se torna uma arma que causa danos.

Na verdade, existem algumas situações nas quais é importante ter especial cuidado quando diremos uma verdade porque isso pode ser mais prejudicial do que benéfico.

1. Quando a verdade não agrega valor. No caso da rainha, que estava perfeitamente consciente de sua condição, lembrá-la da verdade só acrescentaria informações inúteis que causariam desconforto. Portanto, quando a pessoa está ciente da verdade, mas a dói, não é necessário lembrá-la porque seria como colocar o dedo na ferida de forma inútil.

2. Quando a pessoa não está pronta para lidar com a verdade. Há situações em que a pessoa não está preparada para ouvir a verdade, então isso pode causar um enorme prejuízo psicológico. Na verdade, uma das tarefas do psicólogo é precisamente preparar a pessoa durante toda a terapia para que você tenha as ferramentas necessárias para enfrentar certas verdades.

3. Quando o tempo não está certo. Muitas vezes, a verdade é difícil, então, para que a pessoa se aproveite, é importante dizer isso no momento certo. Se liberarmos uma verdade em um momento inoportuno, como no meio de um argumento acalorado, é muito provável que cause uma ferida e não gera nenhum bem, mas fará com que essa pessoa se apegue.

Como evitar o sincericídio sem precisar mentir?

A verdade é sempre melhor do que a mentira, mas há casos em que é necessário esclarecer para que não cause danos desnecessários. Não há beleza nem bondade em uma verdade dolorosa e dura expressada de maneira ruim.

Vale à pena esclarecer que não se trata de mentir, mas sim de escolher palavras com prudência, como se fossemos especialistas na desativação de bombas.

Se cotarmos o cabo errado, a "verdade" causará mais estragos do que sua ausência. Portanto, o melhor é avaliar a situação com cuidado e atuar com cautela.
Fonte: Rincón de la Psicologia
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O PODER DO "TERCEIRO MOMENTO"

Quando o enésimo piloto o interrompe, é provável que você sinta uma onda de raiva. Quando você faz uma linha enorme e não obtém o que você precisa, uma onda de frustração o supera. Quando seu colega de trabalho recebe uma promoção que você acha que merece, sente uma onda de ciúme. Irritado Impatiência Tristeza Frustração ... Passamos a maior parte do dia invadida por várias emoções.

Muitas vezes, essas emoções são "negativas" porque nos fazem sentir mal e descarrilar nossos planos. Por causa da raiva, irritabilidade ou ciúme, acabamos fazendo coisas que mais tarde nos arrependemos. Além disso, essas pequenas experiências estão obscurecendo nossa jornada, impedindo-nos de sentir alegria e satisfação, arrebatando nosso equilíbrio emocional. A boa notícia é que não precisa permanecer assim.

Você não pode mudar as situações, mas pode mudar suas reações

Seja o que queremos ou não, nossas reações emocionais acabam moldando nossas experiências. Não podemos mudar as situações passadas, mas em cada momento enfrentamos novas experiências sobre as quais temos um certo grau de controle. Nossa resposta a cada situação moldará os próximos minutos ou horas do dia, só precisamos aprender a prestar atenção no momento certo.

Pode ajudá-lo a pensar nas emoções como se fossem uma chave na fechadura. Você pode entrar e mover a chave sem problemas no interior, mas como seu objetivo é abrir ou fechar o bloqueio, você terá que encontrar o ponto preciso onde você pode obter a chave. Se você não encontrá-lo, a chave ficará presa e você terá que continuar girando na fechadura, o que não conseguirá nada além de aumentar sua frustração.

Da mesma forma, na vida, algumas situações podem gerar estados emocionais em que estamos presos, os mais comuns são culpa e ressentimento, que por sua vez geram um laço de negatividade, um ciclo que não vai parar até nós capaz de encontrar esse ponto preciso. O método "Terceiro Momento" ensina a encontrar esse ponto, para que possamos avançar usando as emoções a nosso favor, em vez de permanecerem à sua disposição.

Os três momentos da experiência

A vida é composta por uma série de experiências, e cada uma delas pode ser dividida em três momentos.

O primeiro momento - A sensação

Em primeiro lugar, nossos órgãos sensoriais percebem uma mudança no meio ambiente. É esse momento em que ouvimos nosso nome ou vemos uma pessoa. Nesse instante, simplesmente percebemos, não reconhecemos o que está acontecendo. Nossos órgãos sensoriais capturam e transmitem informações.

O segundo momento - A atribuição do significado

Em um segundo momento, em questão de milissegundos, o que é necessário para percorrer o estímulo através das redes nervosas, reconhecemos que eles disseram nosso nome ou o rosto da pessoa. Neste momento, o que Damasio chamou de "marcadores somáticos" é ativado, o que nos permite qualificar essa percepção automaticamente como bom, ruim ou neutro.

Esta atribuição não depende exclusivamente do estímulo, mas também de nossas memórias, em experiências anteriores com estímulos semelhantes e até mesmo em nossas crenças e expectativas. Naquele momento, a experiência começa a ter uma valência emocional, gostamos ou geramos rejeição. Esse mecanismo ocorre fundamentalmente abaixo do nosso limiar de consciência.

O terceiro momento - A reação

Neste momento, temos a possibilidade de aceitar ou rejeitar o significado que nosso cérebro mais primitivo imprimiu na experiência. Podemos analisá-lo conscientemente e decidir se é realmente tão desagradável e ameaçador ou, pelo contrário, é uma reação exagerada baseada em experiências passadas que não têm muita relação com a situação atual.

O terceiro momento nos dá a possibilidade de marcar a diferença entre ação e reação, podemos distanciar-nos de respostas automáticas, entender nossas emoções e pensar em uma resposta.

O Método do Terceiro Momento

Não podemos influenciar nossas sensações e a atribuição de significados que realizamos automaticamente, mas temos enorme poder no terceiro momento da experiência. Podemos usar esse tempo como uma pausa, para que não nos limitemos a reagir, mas que somos capazes de responder.

O método do Terceiro Momento nos permite assumir o controle e não ser vítimas de circunstâncias. Como aplicá-lo? Simplesmente observando a emoção.

No segundo momento, nosso cérebro primitivo desencadeia uma emoção, que é o que nos leva a se afastar ou se aproximar do que está acontecendo. Devemos ser capazes de detectar essa emoção apenas quando surgir. Trata-se de criar essa emoção antes que ela possa desencadear uma resposta automática e conectar-se com qualquer pensamento.

Quando a emoção está relacionada com um pensamento, pensamos que estamos reagindo de forma racional, mas na realidade não é assim. Por exemplo, podemos nos sentir frustrados e, como resultado, pensar que a pessoa na nossa frente é incapaz. Obviamente, é uma conclusão sem uma base sólida além do que estamos sentindo. Quando você observa a emoção simplesmente nasceu, evite fazer associações que podem levá-lo a cometer erros.

Você provavelmente será tentado a traçar a origem dessa emoção. É compreensível, mas não é útil porque você pode cair em um loop infinito de culpa. Em vez de se concentrar em quem fez o que para quem, apenas assista suas emoções.

Não faça isso como se você fosse um observador externo, desejando emoção, mas você deve sentir isso completamente. Você pode imaginar essa emoção como se fosse um balão inflado que o enche. Não preste atenção ao globo, mas ao que está dentro dele.

Como se sente? É importante que você não racionalize. O que está dentro do balão? Na verdade, há apenas espaço.

Isso não significa que sua emoção é espaço, mas isso ajudará você a entender que a emoção em si não existe como você pensa, não é algo estático e sólido. Pouco a pouco, você começará a se sentir mais leve, essa emoção irá "desinflar" e provavelmente se sentirá feliz ou satisfeita. Quando você solta uma emoção que o afetou, você sente o alívio de se livrar de um grande peso.

No entanto, não é algo que é alcançado durante a noite, você deve praticar. Não há dúvida de que no calor do momento pode ser difícil colocar este método em prática, é por isso que é importante que você pratique em situações que você pode controlar melhor.

O interessante é que, ao controlar esse método, você ganha confiança e autocontrole, melhora sua qualidade de vida porque você deixa de reagir, você deixa de estar à mercê das circunstâncias e pode realmente escolher como se comportar.
Fonte: Rincón de la Psicologia
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TEORIA DO ESPELHO: FERIDAS QUE FORMAM E ROMPEM RELAÇÕES

Alguma vez você já se perguntou o que acontece quando você se conecta com outra pessoa e um tempo depois você descobre vários aspectos dos quais não gosta? A teoria do espelho de Jacques Lacan nos ajuda a entender esse processo.

De acordo com o autor, a construção da nossa identidade pessoal ocorre através da captação de si mesmo nos outros. Dessa maneira, as relações que mantemos com os outros são reflexos ou projeções de aspectos da nossa personalidade, aspectos de que gostamos e de que não gostamos.

O que é a teoria do espelho?
Assim como há partes do nosso corpo e da nossa imagem das quais não gostamos quando nos olhamos no espelho, também há aspectos da nossa personalidade que não aceitamos. Encontramos nos outros reflexos com os quais não combinamos, sendo todo esse material reprimido pelo nosso inconsciente. Ou seja, de alguma maneira alguns dos traços dos outros dos quais menos gostamos acabamos identificando em nós mesmos, mesmo que de maneira simbólica. Assim, em partes, as coisas das quais não gostamos nos outros, também não gostamos em nós mesmos.

Constantemente, estamos projetando uma parte de nós. Assim, a teoria do espelho é uma visão que propõe uma mudança de perspectiva: ter que nos proteger do outro para que não faça mal a uma visão da qual nasça a pergunta “Para que eu estou vivendo essa situação com essa pessoa e o que há em mim que não suporto nela?”. Como, em geral, não somos capazes de ver nossas próprias sombras e, até mesmo, nossas virtudes, a vida nos dá de presente as relações que vivemos para nos mostrar de uma maneira direta aquilo que está em nós. O outro simplesmente nos faz de espelho, nos refletindo e dando a oportunidade de nos encontrarmos.

Espelho direto ou inverso
A teoria do espelho pode funcionar de maneira direta ou inversa. Vamos analisar um exemplo. Imagine que você não suporte o egoísmo do seu companheiro ou do seu amigo. De uma maneira direta, pode ser que você esteja projetando na outra pessoa essa parte de você que é egoísta e que você nega. Se funcionasse de maneira inversa, essa pessoa poderia refletir o pouco que você se importa com seus interesses. Talvez você sempre esteja cuidando dos outros e colocando as outras pessoas antes de você. De uma maneira ou de outra, você está trazendo uma informação muito importante para o nosso conhecimento e a nossa evolução.

O que eu não gosto em você, corrijo em mim.
Pode ser que você considere seu chefe muito exigente com você. Talvez você também seja muito exigente e perfeccionista consigo mesmo e seu chefe seja apenas um reflexo dessa exigência que você coloca para si. Em contrapartida, é possível que você seja tolerante em excesso e precise de um pouco de rigor na sua vida. E nós sabemos que é no equilíbrio que se encontra a virtude.

Feridas emocionais
Não curamos com um curativo. Quando sofremos uma ferida, a primeira coisa que fazemos é expressar a nossa dor. Quando estamos tranquilos, começamos a limpar e curar a ferida com os utensílios adequados. Nós não a tapamos e esquecemos dela porque sabemos que assim não vai se curar. E, além disso, ficamos um tempo verificando a ferida até que ela finalmente se cure. A mesma coisa acontece com qualquer tipo de ferida.

Todos nós temos feridas emocionais.
As feridas emocionais são todas as emoções, sentimentos, pensamentos e maneiras de agir que nasceram em um ou em vários momentos dolorosos da nossa vida e que não conseguimos superar e aceitar. Nós nos transformamos em prisioneiros dessas emoções nos mantendo em uma prisão fictícia. Nosso bem-estar envolve transformar essas emoções e esses modos de pensar em sabedoria e experiência, de maneira que nos sirvam como impulso para superar a nós mesmos.

As feridas como reflexo
Quando nos esquecemos das nossas feridas, elas acabam fazendo parte do nosso inconsciente e influenciando os nossos pensamentos, o nosso estado emocional e o nosso comportamento. No nosso interior, começam a habitar carências afetivas que se originaram na nossa infância, mas que despertam e/ou são reforçadas quando não as curamos.

Assim, muitas vezes encontramos no nosso companheiro ou na nossa companheira carências muito parecidas com as nossas. E isso é exatamente o que a união provoca.

Por exemplo, duas pessoas que sofreram muito por amor se encontram e descobrem que o amor não é sofrimento. Esse casal foi unido pela mesma ferida. Ambos viram seus reflexos. Mas é preciso ir com cuidado porque as feridas que unem também podem separar.

Se cada parte de um casal não curar suas feridas, cedo ou tarde elas vão começar a prejudicar o relacionamento. Inseguranças, medos, ciúmes, posse… É como se a vida procurasse enviar reflexos que vão marcar o caminho que você precisa percorrer para crescer.

Se você não os analisar e não ligar para as informações que são fornecidas, não vai evoluir – ou vai evoluir muito lentamente – e seus relacionamentos serão muito frágeis.

Por isso, os vínculos que mantemos com os outros, levando em consideração a teoria do espelho, podem nos trazer uma informação muito valiosa sobre nós e o estado dessas feridas que ainda não conseguimos incluir na nossa história.
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CASAIS DE FIM DE SEMANA: UM NOVO TIPO DE RELACIONAMENTO

Não estamos falando daquelas aventuras românticas dos casais nos fins de semana que servem para desconectar. Também não estamos falando de relacionamentos que duram 48 horas e depois desaparecem. Falamos dos casais de fim de semana, casais que se veem apenas aos sábados e domingos.

Mas essa história de viver para sempre em lua de mel realmente funciona?

Normalmente, as pessoas que formam esse tipo de casal estão no ápice das suas vidas profissionais. Elas costumam ter entre 25 e 35 anos e viajam com frequência. Por não terem muito tempo para dedicar ao parceiro ou à parceira ao longo da semana porque trabalham, decidem se encontrar apenas nos finais de semana.

A recompensa de um sacrifício diário
Muitos relacionamentos fracassam por causa da distância. Ao não renovar a paixão e o carinho de maneira contínua, os quilômetros acabam por ser uma fonte de conflito. Mas isso não seria um problema para os relacionamentos que mantêm viva a chama do amor, pelo menos durante os finais de semana. Esses casais sabem que esses dois dias são para eles. E servem como recompensa pelas duras jornadas de trabalho.

Eles sentem saudades um do outro durante a semana, mas sabem que no sábado e domingo vão se encontrar. Isso faz com que a fase da paixão se prolongue. Ou seja, ver um ao outro com menos frequência faz com que os reencontros sejam como se fosse a primeira vez. É um tipo de paixão constante que reforça os aspectos positivos do relacionamento.

Outra vantagem é que, por terem pouco tempo para dividir com o outro, cada um dá o melhor de si durante esses dias que passam juntos. Por isso, esses casais não costumam perder tempo em discussões absurdas. Eles resolvem os conflitos para poderem aproveitar o tempo juntos ao máximo. Ao mesmo tempo, isso permite que cada um se concentre no que o outro traz de bom e nas qualidades do parceiro ou da parceira.

Os contras também são grandes para os casais de fim de semana
Já destacamos que a distância física é um dos grandes desafios de qualquer namoro ou casamento. Os casais de fim de semana também podem ser vítimas dela. A insegurança criada sem o contato diário pode criar dúvidas e ciúmes para com o outro. Isso, se alimentado todos os dias, pode se tornar o motivo do término ou, até mesmo, de infidelidade.

Por outro lado, reviver todos os finais de semana esse amor não significa que o relacionamento vá seguir adiante. Essa maneira de se ver pode estagnar o relacionamento. É como se ambos estivessem confortáveis com a situação e ninguém pretendesse dar um passo além.

É uma sensação de impotência e conformismo das duas partes. Pode chegar a criar a sensação de viver em uma espiral de frustração, impaciência e, até mesmo, tédio.

Quanto mais duradouro, mais forte
Apesar de quantidade não ser sinônimo de qualidade, nesse caso parece ser. Quanto mais anos tiver o relacionamento, mais fortes são os vínculos e as bases sobre os quais se formou. Devido a esse fato, é menos provável que um relacionamento termine pela distância quanto maior for o tempo que o casal estiver junto.

Por exemplo, vamos pensar no caso de um relacionamento de anos no qual uma das duas partes vai trabalhar temporariamente em outro país. A distância pode, até mesmo, chegar a fortalecer os laços de união entre essas pessoas. A distância coloca a união à prova e, se o resultado for positivo, se transforma em mais um pilar da relação.

Por outro lado, se o relacionamento não fica bem, há grandes chances de que não exista compromisso suficiente para mantê-lo.

Será que sabem se são compatíveis?
Os casais de fim de semana convivem apenas algumas horas juntos. Sábado e domingo compartilham cama, refeições e momentos. Mas isso é comparável ao dia a dia de um casal que vive na mesma casa e tem que enfrentar responsabilidades compartilhadas?

Esse tipo de encontro esporádico não permite saber como o outro realiza, por exemplo, as tarefas de casa. Nem como reage quando algo está incomodando, quais manias tem, o que gosta de fazer quando chega em casa ou como cozinha. É um relacionamento um pouco superficial. Talvez percebam alguns desses detalhes, mas não é a mesma coisa.

Segredos de sucesso para casais
Em todo caso, os casais de fim de semana são uma realidade. Ninguém pode determinar a duração de um relacionamento com base em como se conheceram ou quais são os parâmetros do mesmo. Apenas os membros do relacionamento sabem o que se passa nas suas vidas.

No entanto, existem certas características que aparecem em todos os casais bem-sucedidos. Algumas delas são, por exemplo, a admiração, o respeito mútuo e a ausência de codependência. Além disso, as expectativas de ambos devem ser realistas e baseadas em uma escolha: amar o outro.

Certamente, a base deve ser a comunicação e a confiança. É preciso poder conversar sobre tudo e manifestar cada um seu ponto de vista, sem medo de ser julgado ou rejeitado. Os casais passam por momentos incríveis e felizes, mas quando os mais difíceis chegam, devem ser capazes de dizer o que sentem e no que acreditam um para o outro.

Todas essas características podem estar perfeitamente presentes nos casais de fim de semana. Só é preciso saber o que cada um pode contribuir para o outro, como esse relacionamento vive, como a distância afeta e se a situação faz ambos serem felizes.

Se ambos estiverem de acordo, então pode ser um relacionamento muito saudável e duradouro!
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SÓ HÁ UM LUXO VERDADEIRO: BOAS RELAÇÕES HUMANAS

A fugacidade da vida é algo fascinante e ao mesmo tempo aterrorizante. Em dado momento estamos fazendo planos, sonhando com o futuro e de repente anos já se passaram e todo aquele entusiasmo de outrora já não existe. Sendo assim, estamos sempre correndo contra a finitude do tempo, buscando de algum modo impedir que os sinos toquem. Dada a sua finitude, a vida, portanto, deve ser valorizada, já que é isso que lhe confere valor. E, quando chego nesse ponto, questiono-me se estamos vivendo vidas que merecem ser vividas.

Estamos cada vez mais condicionados a uma vida voltada para o consumo, em que há uma desvalorização por completo do ser, uma vez que nesse jogo a única coisa que importa é o “ter”. Desse modo, passamos a vida acumulando coisas, embora, tenhamos vidas vazias, solitárias e desprovidas de amor.

Estamos sempre falando, correndo de um lado a outro do palco, como disse Shakespeare, à procura de plateias que nos escutem. Entretanto, não estamos dispostos a ouvir ninguém, já que não nos preocupamos minimamente com nada que não gire em torno do nosso ego, tampouco, existe vontade de colocar-se no lugar de outrem, buscando de algum modo sentir a sua dor.

Estamos sempre fazendo contas, buscando equações que nos tornem mais poderosos e bonitos aos olhos da sociedade e, assim, nos transformamos em máquinas que fazem sempre a mesma coisa, seguindo as regras e ditames determinados pelos símbolos de sucesso e felicidade. Desse modo, como podemos fazer falta sendo completamente iguais aos outros? Sem algo que nos torne únicos? Sem idiossincrasias?

Estamos querendo levar vidas importantes e por isso nos cercamos de riquezas e sorrisos de pessoas que o máximo que conhecem é o nosso nome. Mas, isso pouco importa quando se está em um carro zero importado, não é? Todavia, ser importante é ter uma vida que chegada ao fim, continua existindo nos sentimentos e lembranças importados por alguém que nos amara.

Estamos em plena era da conexão, mas vivemos isolados em nossas ilhas afetivas, protegidos pelos muros do individualismo e cobertos por uma rede wireless de egoísmo. Não dizemos mais eu te amo, apenas não me “delete”. Fingimos que o mundo é plural, entretanto a diversidade não possui lugar diante do ódio e da intolerância.

Estamos sempre felizes, mesmo que essa felicidade seja esvaziar um Shopping Center ou esteja em um comprimido, afinal, não há espaço para a fraqueza em um mundo repleto de belezas e alegrias. Mas, se algo continua a incomodar, nada que mais algum divertimento consumista não resolva ou quem sabe mais uma pílula da felicidade.
 Diante disso, volto à pergunta inicial: estamos levando vidas que merecem ser vividas? Acredito que não, já que em nome do Deus “Mercado”, nós valorizamos apenas coisas e, assim, ficamos condicionados e adestrados, servindo obedientemente a um estilo de vida individualizante, egoísta e opressor, o qual renega o que há de mais divino na vida, a conexão entre duas pessoas, algo que deveria ser a nossa maior preocupação e a nossa maior riqueza, já que na vida o único troféu que ganhamos é ter o nosso eu ecoando dentro de outro coração.

No entanto, isso é apenas para quem ainda não se transformou em cogumelo e não se esqueceu, como disse Saint-Exupéry, de que na vida:

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O LADO OBSCURO DA PALAVRA - Flávio Gikovate

Uma das mais fascinantes aquisições da nossa espécie foi a linguagem. Mesmo dispondo de um cérebro competente e da laringe, foram necessários vários milênios para que pudéssemos construir um conjunto de sons correspondentes a objetos, seus atributos e ações.

Depois, os sons tiveram de ser transformados em algum tipo de sinal, de desempenho – precursor das palavras e, finalmente, das letras que as compõem. O que cada criança demora poucos anos para aprender nos custou muito tempo e suor para construir.

Estabelecida a linguagem, passamos a experimentar um período de grande e rápida evolução, que correspondeu aos últimos 5 mil anos de nossa história.

A transferência de informações de uma geração para outra ficou muito mais fácil devido à existência da palavra, de modo que temos acumulado conhecimento a uma velocidade cada vez maior.

Como consequência, surgiram novos conceitos e ideias, e tudo isso acabou promovendo o progresso tecnológico de que tanto nos orgulhamos.

Nossa memória foi suficiente para armazenar todo o conjunto de dados necessários para a evolução em cada setor das atividades humanas.

Essa característica de nosso cérebro pode ser estimulada graças ao desenvolvimento da linguagem, pois é por meio das palavras que os fatos e os conceitos se fixam no sistema nervoso.

A comunicação entre as pessoas também experimentou grande avanço. A narrativa literária ficou cada vez mais sofisticada.

Usando a linguagem, sabemos expressar os mais diversos estados da alma. Podemos fazer perguntas sobre as sensações do outro. Podemos conhecer suas alegrias e a razão de suas amarguras, de forma fácil e direta.

Infelizmente, parece que tudo é uma faca de dois gumes. Até agora, falamos das impressionantes vantagens que obtivemos com a aquisição da linguagem. Mas existe também o lado negativo desse processo que nos permitiu um uso mais adequado da inteligência.

Por exemplo, uma pessoa, ao perceber que será punida se outras descobrirem determinado comportamento seu, poderá tentar esconder o fato por meio das palavras.

A mentira não deixa de ser uma utilização sofisticada da inteligência, mas também é um subproduto dela por seu caráter imediatista. Pode ajudar momentaneamente. A médio e a longo prazo, leva o mentiroso a se perder, afastando-o da realidade. Sim, porque ele passa a utilizar a razão de forma menos rigorosa e precisa.

A mentira é “coisa dos espertos”, dos que querem tirar vantagem sempre. Nunca aproximará alguém da verdadeira sabedoria e serenidade. A longo prazo, não há trambique no jogo da vida.

A linguagem se estabeleceu e com ela achamos os meios para uma comunicação interpessoal extraordinariamente fácil e direta. Por outro lado, os seres humanos aprenderam a usar a linguagem para afastar o interlocutor da verdade.

Por meio da mentira, as palavras ganharam peculiaridades muito negativas. Passaram a ser utilizadas para que uma pessoa consiga se impor indevidamente sobre outra.

A comunicação foi dando lugar ao jogo de poder, à dominação, ao desejo de enganar com o intuito de obter vantagens. Em vez de perseguir a verdade, a maioria costuma perseguir a vitória.

Como distinguir a verdade da mentira? Nem sempre é simples. Nem sempre é possível fazer essa separação. Muitas vezes, teremos de lançar mão da nossa sensibilidade para captar, nos gestos e nas atitudes do outro, suas intenções.

Mesmo assim, vale a seguinte regra geral: sempre que as palavras não estiverem de acordo com os fatos, prevalecem os fatos.

Se um homem diz a uma mulher que a ama muito e a maltrata o tempo todo, consideramos o tratamento e não a palavra.


Falar é fácil e, depois da invenção da mentira, só tem valor quando a palavra vem acompanhada de atitudes que confirmem o que está sendo dito.
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SOFRER POR ANTECIPAÇÃO - Suzana Herculano-Houzel


[...] Um indivíduo que apenas detectasse estímulos e respondesse a eles viveria eternamente no presente.

Dizem os livros didáticos que o sistema nervoso serve para "detectar estímulos e responder a eles".

Pode ser -mas isso até amebas e bactérias fazem, e com uma célula só. Um indivíduo que apenas detectasse estímulos e respondesse a eles, ainda que de forma coordenada e organizada, viveria eternamente no presente, incapaz de enxergar para frente ou para trás no tempo, e não teria a menor capacidade de reviver experiências do passado, fazer planos para o futuro -nem de sofrer por antecipação.

Não consegui deixar de pensar nisso no dia mais longo da minha vida: terça-feira passada, quando meu pai tinha uma cirurgia cardíaca marcada para contornar três coronárias muito obstruídas.
Meu cérebro há semanas vinha se torturando com o risco da cirurgia, desde quando os médicos decidiram que nem três fileirinhas de stents resolveriam o assunto. 

Imaginava, apesar de meus protestos pré-frontais, todo tipo de catástrofe que poderia acontecer durante a cirurgia -do choque anestésico ao coração não voltar a bater-, e várias vezes sofri por antecipação o anúncio da morte do meu pai, com os requintes de como passá-lo aos netos, para quem o avô é Deus.

Meu plano para o dia da cirurgia era trabalhar normalmente no laboratório, para passar o tempo. Tolinha.

Acordei pensando que meu pai já devia estar entubado, com o tórax aberto. Experimentei levantar, mas descobri que apenas andava desnorteada pela casa, querendo que meu marido decidisse por mim se deveria comer, me vestir ou beber água.

Acabei arranjando um trabalho repetitivo para fazer no computador, que durou até a noite, quando minha mãe ligou dizendo que havia acabado e estava tudo bem. Chorei de alívio, e meus pensamentos catastróficos cessaram.

A neurocientista de plantão explica. Mesmo sem aviso dos sentidos sobre a cirurgia, a muitos quilômetros de distância, meu cérebro possui um hipocampo capaz de projetar para o futuro combinações de suas memórias sobre meu pai e cirurgias, que influencia o hipotálamo a fazer o corpo sofrer de acordo.
Eu vivo, lembro do que vivi e faço previsões para o futuro. Se elas não são boas, sofro desde já -e tiro vantagem do aviso sobre o quanto amo meu pai para aproveitar bastante os dias ao seu lado.

Para mim, portanto, o sistema nervoso é aquele que, entre outras coisas, dota os animais de passado e futuro.

E, agora que meu pai está bem de novo, me permite até voltar a curtir o presente com ele.
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QUANDO OS FILHOS VOAM - Rubem Alves

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…

Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…

Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…

Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.

Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.

É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós.

É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor.

Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.

Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos.

Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino.

Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.

Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.

Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase.

Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.

Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.


Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.
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AS VÁRIAS FACES DA MENTIRA - Flávio Gikovate

Há um momento na vida em que, graças ao domínio de mecanismos sofisticados da inteligência, aprendemos a mentir.

Mentimos jogando com as palavras, contendo gestos, assumindo posturas convenientes – e das quais discordamos – para aliviar tensões. Tentamos esconder aquele traço da nossa personalidade que não nos agrada assumindo uma maneira de ser mais apropriada.

São tantas as possibilidades de escamotear a verdade que o mais prudente seria olhar o ser humano com total desconfiança – pelo menos até prova em contrário.

Ainda que sentir medo e insegurança faça parte da natureza humana, fingimos que tudo está sob controle e que nada nos abala para ocultar nossa fragilidade. Acreditando no que veem, os outros passam a se comportar como se também não sentissem medo.

Mentem para não parecerem frágeis e inferiores diante daqueles que julgam fortes. Nesse teatro diário, alimentamos o círculo vicioso da dissimulação. Minto para impressionar você, que me impressionou muito com aquele jeito fingido de ser – mas que me pareceu genuíno.

Não seria mais fácil se todos admitíssemos que não somos super-heróis e que não há nada que nos proteja das incertezas do futuro?

Em geral, quem não aceita o próprio corpo evita praias e piscinas. Diz que não gosta de sol, quando, na verdade, não tem estrutura para mostrar publicamente aquilo (a gordura, a magreza ou qualquer outra imperfeição) que abomina.

É o mesmo mecanismo usado pelos tímidos, que não se entusiasmam muito por festas e locais públicos. Em casa, não precisam expor sua dificuldade de se relacionar com desconhecidos.

Temos muito medo de nos sentirmos envergonhados, de sermos alvos de ironias que ferem nossa vaidade.

É para não correr esse risco que muita gente muda de cidade depois de um abalo financeiro. Melhor ser pobre e falido (e encontrar a paz necessária para reconstruir a vida) onde ninguém nos conheceu ricos e bem-sucedidos!

Até aqui me referi às posturas de natureza defensiva, que servem de armadura contra o deboche, as críticas e o julgamento alheio.

Há, no entanto, um tipo perverso de falsidade: a premeditada. Pessoas dispostas a se dar bem costumam vender uma imagem construída sob medida para tirar vantagem.

Um homem extrovertido e aparentemente seguro, independente e forte pode ter criado esse estereótipo apenas para cativar uma parceira romântica. Depois de conquistá-la, revela-se inseguro, dependente e egoísta.

Mulheres sensuais podem se comportar de maneira provocante para despertar o desejo masculino – e sentir-se superiores aos homens. Vendem uma promessa de intimidade física alucinante que raramente cumprem, pois são, em geral, as mais reprimidas sexualmente. O apelo erótico funciona como atalho para os objetivos de ordem material que pretendem alcançar.

Não há como deixar de apontar a superioridade moral daqueles que mentem por fraquezas quando comparados aos que obtêm vantagens com sua falsidade.


O primeiro grupo poderia se distanciar ainda mais do segundo, se acordasse para uma verdade óbvia e fácil de enfrentar: aquele que me intimida é tão falível e frágil quanto eu. 

E – nunca é demais lembrar –, para ele, eu sou o outro que tanto lhe mete medo.
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MÃES TÓXICAS: QUANDO A EDUCAÇÃO DÓI.

Neste artigo iremos falar sobre as mães tóxicas. No entanto, é bom lembrar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isso, entregues ao mundo no futuro, elas poderão ter sua independência física e emocional bastante prejudicadas.

O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?
Por mais que soe estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

O fator preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade o fazem em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer sua personalidade e desenvolver sua autoestima. Tudo isso vai deixar grandes lacunas nos filhos, grandes inseguranças que, por vezes, se tornam intransponíveis.

Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

1. Personalidade insegura
Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver em seus filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir suas deficiências.

Quando notam que as crianças estão se tornando independentes e capazes de construir suas próprias vidas, elas sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para continuar mantendo-as por perto, projetando nelas, desde o início, sua própria falta de autoestima, suas próprias inseguranças.

2. Obsessão pelo controle
Essas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos de suas vidas e passam a tentar fazer o mesmo na vida de seus filhos. Elas não conseguem respeitar os limites. Para elas, controle é sinônimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.

A parte complicada desta situação é que muitas vezes elas exercem esse controle pensando estarem fazendo o bem, demonstrando amor.

“Eu vou fazer a sua vida mais fácil, controlar suas coisas para fazer você feliz”

“Eu só quero o que é melhor para você e assim você não precisa errar”

O controle é o pior ato de superproteção. Com ele você evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que elas aprendam com seus erros.

3. A projeção dos desejos não realizados
“Quero que você tenha o que eu não tive”, “Não quero que cometa os mesmos erros que eu”, “Quero que você se torne o que eu não consegui me tornar”.

Às vezes, as mães tóxicas projetam em seus filhos os desejos não realizados de seus próprios passados, sem se perguntarem se é isso o que os seus filhos desejam, sem dar-lhes a opção de escolher. Pensam que assim estão mostrando um amor incondicional, quando, na realidade, demonstram um falso amor. Um interesse amoroso.

Como lidar com uma mãe “tóxica”?
Esteja consciente de que você tem que quebrar o ciclo de toxicidade. Você tem vivido muito tempo nele, sabe as feridas que isso lhe causou. Mas agora entenda que você precisa abrir as suas asas para ser você mesmo. Para ser feliz. Será difícil, mas você deve começar a dizer “não” para colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

Trata-se da sua mãe, e quebrar esse ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que você permite e o que não permite. Você não quer causar nenhum dano, mas também não quer mais sofrer; isso deve estar bem claro em sua mente.

Reconheça a manipulação; às vezes, ela é tão sutil que não nos damos conta, pois ela pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caia na “vitimização” delas, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Elas se mostram como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido é você. Sempre mantenha isso em mente.
Fonte: A mente é maravilhosa
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