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O NOVO EROTISMO FEMININO - Roberto DaMatta

Não se pode falar de mulheres sem mencionar os homens, do mesmo modo que não há como discutir juventude sem falar da velhice. Há um novo erotismo feminino, e esse erotismo corresponde a novos modos de ser homem, ser jovem e ficar idoso ou, como se diz com uma boa dose de ironia, de entrar na “melhor idade”. 

Outro dia, em conversa com um amigo da minha geração, falávamos – a propósito do erotismo feminino – dos elos entre mulheres e homens neste Brasil sem inflação, mas com alta corrupção, e com um conjunto de imagens e possibilidades de ser mulher.

No Brasil antigo, as mulheres eram mães, virgens ou prostitutas. Hoje, elas podem o que quiserem, tal como os homens, que, hoje, não podem mais ser definidos em termos de machos ou gays. Inimaginável, dizia meu amigo, essa liberdade de aparências e estilos de vestir-se, comportar-se e trabalhar que temos hoje. Os modelos femininos antigos são trocados nas heroínas centrais do drama da novela Avenida Brasil. 

Na trama, um vingador – espécie de Conde de Monte Cristo de saias –, a personagem Nina, tem como projeto de vida ajustar contas com sua oponente, Carminha. E ambas, cada qual a seu modo, representam a mulher que atrai pela liberdade e seduz pelo fingimento.

Nina tem a mobilidade dos homens e anda de lambreta, algo que combina com suas calças compridas e cabelos cortados. Carminha só anda em automóvel de quatro portas, usa joias caras e se desveste lentamente como manda o figurino clássico de quem usa vestido, sutiã e calcinha, nos quadros de um “striptease” tradicional. 

Carminha corresponde ao modelo da mulher brasileira tradicional, que vai à igreja, ajuda os pobres e faz o papel de “dona de casa” e mãe exemplar. Mas ela faz isso com homens diferentes, e a novidade da novela é precisamente esse duplo papel que distingue e iguala Nina e Carminha, ambas sendo duas pessoas em uma, do mesmo modo que as empregadas lindas e oprimidas pelo preconceito da novela Cheias de charme surgem como cantoras, mostrando um talento que a sociedade inibia.

No fundo, concordamos, meu amigo e eu, todas atraem e têm seu erotismo, mas as que vestem o modelo das domésticas que viram cantoras surgem como mais previsíveis (elas querem ascender socialmente), ao passo que Carminha e Nina atraem por uma duplicidade que as torna imprevisíveis. “La donna è mobile”: é volúvel como uma pena ao vento, conforme dizia o grande Giuseppe Verdi em seu Rigoletto.

Se olharmos bem, vemos que, em todos os casos, o erotismo feminino só se realiza quando surgem os homens. Tufão tem Carminha como “esposa fiel”ou “mulher da casa”, mas quem conhece o outro lado dessa figura – seu lado de “mulher da vida e da rua” – é Max, o parceiro que experimenta sua dimensão hipócrita, abusiva e lúbrica. Eis o retorno da mulher como mãe e como prostituta, atuando no fundo de um drama inovador. Fica somente faltando a virgem – que, entretanto, como nota meu amigo, está presente na Suelen, que vai se transformando de uma maravilhosa “periguete” numa incrivelmente linda mocinha, digna do amor de um jovem enrolado por todas essas imagens e modelos, além de se revelar uma brilhante empresária. Aí está um papel profissional que escapa inteiramente dos lugares tradicionais oferecidos às mulheres nas sociedades tradicionais.

A pureza da virgindade, que se misturava a uma candura que nosso mundo globalizado tem banido como ingenuidade e tolice, ainda dá audiência. E surge na inocência das empregadinhas cantoras cheias de charme, a denunciar de modo bem-humorado a saia justa de um papel social e de um emprego que é uma sobrevivência da escravidão: a empregada doméstica que pode tudo, menos competir com a patroa. Algo impossível quando seu papel é realizar aquilo que suas patroas ainda fazem: serviços domésticos.

Ao final desse diálogo, meu amigo e eu chegamos a um ponto revelador. As sociedades não se transformam com a mesma velocidade dos padrões estéticos, das moralidades, das tecnologias e das modas que elas mesmas produzem, mas – mesmo assim – mudam. É justamente nesse diálogo do novo com o antigo que se alteram e alternam, o que mostra a importância da literatura, do teatro, da televisão e do cinema. Os papéis sociais tradicionais femininos e masculinos – e de jovem ou de velho – surgem claramente, mas nos rituais e momentos solenes. Na missa, ninguém duvidará da castidade de um padre; na família, ninguém acusa a mãe de ser uma depravada; na rua, um velho pedinte ganha mais esmolas que um jovem; na sala de aula, o papel de professor obriga a seguir certas normas; e, numa balada, ninguém pedirá uma periguete em casamento. As noivas continuam casando de branco mesmo quando não são mais virgens. Eis a pergunta que o novo erotismo feminino coloca: o que é a virgindade, se tudo tem sempre uma primeira (e uma última) vez?

Como não retomar a ideia de pureza, de consistência, de fidelidade e de lealdade quando as escolhas são tão amplas e baseadas na individualidade? Pensar que esses papéis são determinantes não é um erro. O erro é imaginar que eles não podem ser combinados e exercidos, dentro de certos limites, por uma mesma pessoa. Carminha, Nina, Suelen e as empregadinhas cantoras são exageros sem os quais não há drama ou comédia. Na vida real e neste nosso mundo pós-moderno, uma maior liberdade tem também conduzido a uma maior consciência das inconsistências.

O mulatismo moderno, que nos leva a morar em 
muitos países, a gostar de muitos gêneros musicais e artísticos, que nos leva a ver novelas e Shakespeare, futebol e ópera, a comer caviar e adorar feijão com farofa, ou a ser um híbrido de periguete com virgem-mãe, não nos exime das responsabilidades que esses gostos ou escolhas demandam de cada um de nós. É aí que está o nó da vida social e, quem sabe, da sabedoria.
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MORALIDADE E FELICIDADE - Emmanuel Kant

A felicidade é o estado em que se encontra no mundo um ser racional para quem, em toda a sua existência, tudo decorre conforme o seu desejo e a sua vontade; pressupõe, por consequência, o acordo da natureza com todo o conjunto dos fins deste ser, e simultaneamente com o fundamento essencial de determinação da sua vontade.

Ora a lei moral, como lei da liberdade, obriga por meio de fundamentos de determinação, que devem ser inteiramente independentes da natureza e do acordo dela com a nossa faculdade de desejar (como motor). Porém, o ser agente racional que actua no mundo não é simultaneamente causa do mundo e da própria natureza.
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Assim, pois, na lei moral não há o menor fundamento para uma conexão necessária entre a moralidade e a felicidade, com ela proporcionada, num ser que, fazendo parte do mundo, dele depende; este ser, precisamente por isso, não pode ser voluntariamente a causa desta natureza nem, no que à felicidade respeita, fazer com que, pelas suas próprias forças, coincida perfeitamente com os seus próprios princípios práticos.

E, todavia, no problema prático que a razão pura nos prescreve, isto é, na prossecução do soberano bem, tal acordo é postulado como necessário: devemos procurar realizar o soberano bem, que, por consequência, tem de ser possível.

Por conseguinte, postular também a existência de uma causa de toda a natureza, distinta da própria natureza que encerra o fundamento de tal conexão, isto é, a exacta harmonia da felicidade e da moralidade.

Mas esta causa suprema deve conter o fundamento do acordo da natureza, não só com uma lei da vontade dos seres racionais, mas com a representação dessa lei, na medida em que eles fazem dela o motivo supremo da sua vontade, e, por consequência, não só apenas com a forma dos costumes, mas com a própria moralidade como fundamento determinante, isto é, com a intenção moral.
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O soberano bem não é, portanto, possível no mundo, a não ser que se admita uma natureza suprema dotada de causalidade conforme a intenção moral. Ora um ser capaz de agir segundo a representação de certas leis é uma inteligência (ser racional) e a causalidade de tal ser, segundo essa representação das leis, é uma vontade.

Portanto, a causa suprema da natureza, como condição do soberano bem, é um ser que, por razão e vontade, é a causa, por conseguinte, o autor da natureza, isto é, Deus. 
in 'Crítica da Razão Prática'
Emmanuel Kant – Alemanha - 22 Abr 1724 // 12 Fev 1804 
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APRENDER A VER - Friedrich Nietzsche

Aprender a ver - habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados.

Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam.

Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos.
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Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso.

Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão.

O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.

Friedrich Nietzsche (15 Out 1844 // 25 Ago 1900) in "Crepúsculo dos Ídolos".
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ELA E A TAÇA DE VINHO - Luiz Felipe Pondé

A dúvida, antes de tudo anatômica, 
revela uma profunda ignorância, 
sobretudo espiritual

Ela parecia ansiosa em meio àquelas pessoas, mas era apenas desejo. Bebera muitas taças de vinho. Sabe-se, há milênios, que a virtude de uma mulher depende do número de taças de vinho que bebe.
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Aliás, segundo relatos genealógicos, os antigos praticavam um ritual bastante comum e que, segundo alguns especialistas, ainda é praticado hoje em dia. O ritual, apesar de pouco sabermos de seus detalhes, implicava no uso da mulher como taça de vinho.

As mulheres quando tomam muitas taças de vinhos (não todas, como pessoa que sabe se comportar à mesa, sei que nem todas são iguais, algumas são diferentes) sonham em ser elas mesmas usadas como taça de vinho.

Alguns homens, pouco informados, se perguntam, afinal, como uma mulher poderia ser usada como uma taça de vinho. A dúvida, antes de tudo anatômica, revela uma profunda ignorância, antes de tudo, espiritual.
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Perguntas assim são como aquelas que, normalmente, homens chatos fazem no final da noite, e que exigiriam respostas semelhantes a explicar a razão de Deus ter criado o universo, sendo Ele todo poderoso e vivendo Ele muito bem em Sua solidão perfeita.

Já elas, nascem sabendo. Mas, muitas vezes, esse "saber" (como dizem os afetados teóricos pós-modernos pra se referirem ao conhecimento) é mesmo da ordem inconsciente, não do inconsciente da mente, mas da pele. Esse "saber" é aquele que torna úmido o coração entre as pernas.

Outra forma de perceber esse desejo avassalador de ser usada como taça de vinho é pelo olfato. Ela, seguramente, em meio a todas as palavras ditas ao vento, como é comum em ambientes sociais cheios de gente inteligente, exala o odor típico de quando se quer misturar pele, saliva e vinho.

Certa feita, quando eu disse que a virtude de uma mulher dependia do número de taças de vinho que ela bebia, um desses jovens trêmulos e muito magros, que gostam de pensar que superaram o machismo por alguma forma de desejo inofensivo (ela sempre sabe que todo desejo que importa é ofensivo de alguma forma), me acusou de ser niilista.

Por quê?
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 Simples. Porque eu negava a existência da virtude "em si" já que eu a reduzia, segundo ele, ao efeito da presença ou ausência da quantidade de álcool no sangue.

Claro, poderia ter dito a ele que desde a filosofia grega cética, caras como Enesidemo (nascido em Creta no século 1º antes de Cristo) ou Sexto Empírico (médico e filósofo grego que viveu entre Atenas, Alexandria e Roma entre os séculos 2 e 3 depois de Cristo) afirmavam que o comportamento de alguém nunca pode ser tomado como "verdadeiro" porque se ele (ou ela) bebeu algo, o comportamento fica diferente.

A dúvida cética aplicada a ela seria assim: afinal, quem é ela? A jovem e muito compenetrada intelectual ou a deliciosa bêbada que sonha em ser usada como taça de vinho? Quem é "seu verdadeiro ser"?

Óbvio que nada disse ao jovem trêmulo porque, na verdade, ele provavelmente nada entenderia uma vez que tendo ele já suposto que se pode desejar uma mulher "com respeito", isso significa que ele não conhece esse recôndito recanto da alma feminina e sua irresistível vocação para fundamentar sua virtude no número de taças de vinho que bebe numa noite.

Mas, a verdadeira crítica do jovem trêmulo à minha afirmação era que eu estaria duvidando da capacidade feminina de ser honesta "em si". Meu Deus, quanta cegueira num corpo tão magro.

As meninas à nossa volta, todas já tendo tomado algumas taças de vinho, imersas em pura misericórdia, sorriam pra mim pedindo que fosse piedoso.
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Escravo como sou da virtude feminina máxima, sua beleza, cedi imediatamente ao impulso de me defender de tamanha absurda acusação de duvidar da honestidade feminina "em si".

A verdade, aquela altura da noite, é que eu estava de fato fazendo uma ode a mais pura honestidade feminina em si: a honestidade que vem diluída no número de taças de vinho que ela bebe.

A prova máxima, e que no passado os homens aprendiam desde jovens (hoje eles aprendem a ter medo das mulheres que os desejam), é que quando ela quer mentir, ela não bebe nada.
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AS VIDAS QUE DEIXAMOS DE VIVER - Gontardo Calligaris

Quase sempre, quando encontramos alguém que nos encanta, começamos por lhe contar nossa vida e expor nossos projetos --pois é possível que, para um casal, compartilhar planos seja mais importante do que cada um conhecer e entender o passado do outro.

Em suma, a gente se apresenta ao outro como numa entrevista de emprego, dizendo o que fizemos e o que esperamos. Afinal, somos uma mistura da vida vivida com o futuro sonhado, não é?
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Acabo de ler o último livro de Adam Phillips, psicanalista inglês que é um dos autores que mais me estimulam a pensar: "Missing out: In Praise of the Unlived Life", (Farrar, Straus and Giroux) (perder: elogio da vida não vivida --"missing out" é perder no sentido em que você chega atrasado na festa e pergunta: perdi alguma coisa?).

Justamente, à história passada e aos sonhos Phillips acrescenta mais um ingrediente que nos define: o conjunto das vidas que deixamos de viver --porque não foi possível, porque alguém nos impediu, porque ficamos com medo, porque escolhemos outro caminho, porque a sorte não quis.

Algumas vidas não vividas são alternativas descartadas pela inércia da nossa história ou porque o desejo da gente é dividido, e escolher implica perder o que não escolhemos.
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Outras são acasos que não aconteceram (é possível passar pela vida sem encontrar ninguém ou encontrando muitos, mas todos na hora errada).

Também, mais dolorosamente, as vidas não vividas são caminhos pelos quais não ousamos nos enveredar (na inscrição para o vestibular, na decisão de voltar de um lugar onde teríamos começado outra vida, nos conformismos de cada dia).

Essas vidas não vividas podem nos enriquecer ou nos empobrecer. Elas nos enriquecem quando integram nossa história como tramas alternativas de um romance, incluídas no rodapé da edição crítica.

Melhor ainda, como tramas alternativas às quais o autor renunciou, mas que ele se esqueceu de apagar inteiramente: o herói não vai mais para África no capítulo dois, mas eis que, no capítulo sete, aparece um africano que ele conheceu antes, mas que não se entende de onde vem, a não ser que a gente leia aquela parte do dois que foi abandonada.
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Aqui, um conselho: é útil frequentar as vidas não vividas de nossos parceiros (para evitar surpresas desnecessárias, como a chegada de personagens que não fazem parte nem do passado nem dos sonhos do outro, mas das vidas às quais ele achava ter renunciado).

Agora, as vidas não vividas podem sobretudo nos empobrecer, levando-nos a viver num eterno lamento por algo que não nos foi dado, que perdemos ou do qual desistimos. Esse, aliás, é o futuro que estamos preparando para nossas crianças.

Uma das razões pelas quais as vidas não vividas condenarão as crianças de hoje à sensação de desperdício é a popularidade do mito do potencial. Alguém não está se tornando tudo o que esperávamos? Que pena, com o potencial que ele tinha...
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De onde vem a ideia de que nossas crianças seriam dotadas de disposições milagrosas e que o maior risco seria o de elas desperdiçarem o que já é seu patrimônio?

O potencial das crianças modernas tem duas propriedades: ele é genérico (ou seja, não é fundado em nenhuma observação específica, é uma espécie de a priori: criança tem grande potencial, em tudo) e ele deve dar seus frutos espontaneamente, sem esforço algum da parte da criança.

Nossos rebentos são dotadíssimos para esporte, desenho, criação, música, ciência, estudo, línguas estrangeiras etc. E, se os resultados escolares forem péssimos, as crianças nunca são preguiçosas, elas só estão desperdiçando seu "incrível potencial". Há uma cumplicidade de todos ao redor dessa ideia.

Os pais querem que as crianças sejam tudo o que eles não conseguiram ser na vida. Pior, eles querem que as crianças cumpram essa missão sem esforços, por milagre (o milagre do "potencial").
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Os professores acham no potencial uma maneira maravilhosa de assinalar que fulano é medíocre sem atrapalhar o sonho dos pais da criança, os quais podem seguir pensando que seu filho leva notas infernais, mas vale a pena insistir (e pagar a escola mais cara) porque ele tem um potencial extraordinário.


Quanto aos filhos, acreditar em seu próprio "potencial" é uma maneira barata para se sentir especial, apesar de resultados pífios. Problema: na hora, inevitável, do fracasso, quem aposta no seu potencial conhece a sensação especialmente dolorosa de ter traído a si mesmo (ou seja, ao seu "potencial").




UMBERTO ECO – FRASES E PENSAMENTOS

 O grande escritor e filósofo italiano Umberto Eco já nos deixou. Essa mente maravilhosa, de pensamento e estilo distintos, deixou um grande legado emocional e intelectual tanto para os seus seguidores contemporâneos quanto para aqueles que se identificarão com os seus pensamentos no futuro.
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É um consolo poder desfrutar de suas criações, como “O Nome da Rosa”, “O Pêndulo de Foucault”, “O Número Zero” ou “O cemitério de Praga”. Foi “O nome da Rosa”, publicado em 1980, que lhe trouxe muita popularidade. É uma obra prima que narra uma história de mistério, lendas e intrigas da Idade Média italiana.

Era um crítico da vida moderna, das redes sociais, da cultura e do jornalismo; e sua paixão por escrever e incentivar o pensamento crítico o levaram a ser considerado uma das mentes mais brilhantes da Europa no último século.

Algumas frases de Umberto Eco
Sua história de vida, cheia de sucessos e reconhecimentos, nos deixou grandes pensamentos para refletirmos e nos lembrarmos dele. Por isso acreditamos que repassar algumas das suas célebres frases seja uma bela homenagem. Aqui estão algumas delas:

“As redes sociais nos dão o direito de falar com uma legião de idiotas que anteriormente só falavam em uma mesa de bar depois de um copo de vinho, sem prejudicar ninguém. Eles eram rapidamente silenciados, mas agora têm o mesmo direito de falar do que um Prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”. (Eco para o diário La Stampa).

“O mundo está cheio de livros preciosos que ninguém lê”.
“Os livros não são escritos para que acreditem neles, mas para serem submetidos à investigação. Quando gostamos de um livro, não devemos perguntar o que ele diz, mas o que significa”. (O Nome da Rosa).
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“O que é a filosofia? Desculpem o meu conservadorismo, mas não consigo encontrar uma resposta melhor do que a definição que Aristóteles deu para a metafísica: uma resposta a um ato assombroso”.

“Quando os homens deixam de acreditar em Deus, não significa que eles não acreditam em nada, mas que eles acreditam em tudo”.

“A sabedoria não é destruir os ídolos, mas nunca criá-los”.

“O amor é mais sábio do que a sabedoria”.

“Nada é mais prejudicial para a criatividade do que o furor da inspiração”.

“O verdadeiro herói é um herói por engano. Ele sonha em ser um covarde honesto como todos os outros”.

“Os monstros existem porque fazem parte de um plano divino, e nas características horríveis desses monstros revela-se o poder do criador. (O Nome da Rosa).
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“Todos os poetas escrevem poesias ruins. Os maus poetas as publicam, os bons poetas as queimam”.

“Não são as notícias que fazem o jornal, mas o jornal que faz as notícias, e saber juntar quatro notícias diferentes significa proporcionar ao leitor uma quinta notícia”. (Número Zero).

“Hoje, quando afloram os nomes dos corruptos e fraudadores e sabemos mais, as pessoas não se preocupam com nada e só vão para a cadeia os ladrões de galinhas albaneses”. (Eco para a agência Efe).
  
O Nome da Rosa, de best-seller literário a grande sucesso cinematográfico

Foi o romance de ficção “O Nome da Rosa” que conseguiu lançar Umberto Eco para o mais absoluto estrelato literário. Na verdade, o impacto de suas vendas levou Jean-Jacques Annaud e um grupo de produtoras ítalo-franco-alemãs a levar para as telas do cinema as aventuras detetivescas do franciscano Willian de Baskerville, interpretado por Sean Connery.
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DE QUE VALE A SABEDORIA? – Erasmo de Roterdam

Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes. Duplamente loucos, esquecem que nasceram homens e querem imitar os deuses poderosos, e a exemplo dos Titãs, armados com as ciências e as artes, declaram guerra à Natureza.

Ora, os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez.

Tentarei fazer-vos entender isto, usando, em vez dos argumentos dos estóicos, um exemplo crasso. Haverá, pelos deuses imortais, espécie mais feliz que os homens a quem o povo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes belíssimos, na minha opinião?
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Esta afirmação poderá a princípio parecer insensata e absurda e, no entanto, nada há de mais verdadeiro. Tais homens não receiam a morte, e, por Júpiter! Isso já não representa pequena vantagem?

A sua consciência não os incomoda. As histórias de fantasmas não os aterrorizam, nem os afeta o medo das aparições e espectros, nem os males que os ameaçam ou a esperança dos bens que poderão vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidados de que a vida é feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambição, a inveja e chegam mesmo, se são suficientemente estúpidos, a gozar o privilégio, segundo os teólogos, de não cometerem pecados.
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Passai agora em revista, ó louco sábio, todas as noites e infinitos dias em que a inquietação crucifica a tua alma. Olha bem para todos os aborrecimentos da tua vida e tenta compreender, enfim, de quantos males eu liberto os meus loucos. Acresce ainda que não só passam o tempo em divertimentos, risos e canções, como levam a todos os que os rodeiam o prazer, os seus jogos, o divertimento e a alegria, como se a indulgência divina os tivesse destinado a afastar a tristeza da vida humana.

Além disso, quaisquer que sejam as disposições de uns para os outros, todos os reconhecem como amigos; procuram-nos, adoram-nos, acarinham-nos, gostam de conversar com eles, permitem-lhes que tudo digam e tudo façam. Ninguém os tenta prejudicar e os próprios animais ferozes evitam fazer-lhes mal como se instintivamente os soubessem inofensivos. Estão, com efeito, sob a proteção dos deuses e, sobretudo sob a minha égide, rodeados pelo respeito universal. 
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O VAZIO DA PRESSA E DO DINAMISMO – Theodore Adorno

 A pressa, o nervosismo, a instabilidade, observados desde o surgimento das grandes cidades, alastram-se nos dias de hoje de uma forma tão epidêmica quanto outrora a peste e a cólera.

Nesse processo manifestam-se forças das quais os passantes apressados do século XIX não eram capazes de fazer a menor ideia.

Todas as pessoas têm necessariamente algum projeto. O tempo de lazer exige que se o esgote. Ele é planeado, utilizado para que se empreenda alguma coisa, preenchido com vistas a toda espécie de espetáculo, ou ainda apenas com locomoções tão rápidas quanto possível. A sombra de tudo isso cai sobre o trabalho intelectual.

Este é realizado com má consciência, como se tivesse sido roubado a alguma ocupação urgente, ainda que meramente imaginária. A fim de se justificar perante si mesmo, ele dá-se ares de uma agitação febril, de um grande afã, de uma empresa que opera a todo vapor devido à urgência do tempo e para a qual toda a reflexão — isto é, ele mesmo — é um estorvo.

Com frequência tudo se passa como se os intelectuais reservassem para a sua própria produção precisamente apenas aquelas horas que sobram das suas obrigações, saídas, compromissos, e divertimentos inevitáveis.
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