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O QUE É O AMOR PLATÔNICO?

O que é o amor platônico? Esta é uma expressão utilizada com grande frequência no vocabulário popular para se referir a um amor impossível ou inalcançável. Apesar de levar o adjetivo “platônico”, que relaciona a expressão com a visão filosófica de Platão, veremos que os postulados desse filósofo a respeito do amor na verdade seguiam outra linha de pensamento.

Sabemos que o amor sempre foi um tópico que rendeu muitas reflexões e opiniões. Foi e segue sendo fonte de inspiração para muitos poetas, escritores, pensadores e filósofos desde que se tem registro do tempo. Não é uma exceção que esse conhecido filósofo da Antiga Grécia chamado Platão tenha falado sobre esse mesmo tema.

Alguns dados sobre Platão
Platão foi um filósofo grego discípulo de Sócrates e professor de Aristóteles. Foi responsável por muitos estudos e textos, entre eles “O Banquete” e o “O mito da caverna”. No primeiro título Platão desenvolveu sua concepção sobre o amor, que é a base do conceito de amor platônico em sua posterior definição.

O amor para Platão é uma motivação que nos leva a conhecer e contemplar a beleza em si. A beleza contemplada, no entanto, segue os princípios do dualismo, que é um dos pilares que sustentam toda a sua filosofia. Essa corrente filosófica – o dualismo – baseia-se na teoria de que a realidade é formada por duas substâncias independentes e que jamais poderão se misturar: o espírito e a matéria.

Essas duas substâncias podem se juntar, mas não se misturar. Platão considerava que o ser humano era composto por uma alma e um corpo, em que a alma pertencia ao plano das ideias e o corpo ao plano material. A alma, portanto, coexiste com o corpo, onde na verdade aquela se encontra presa. São duas realidades independentes.

A partir dessa concepção filosófica, Platão desenvolveu seu conceito de amor. Entendido de forma errada por muitos, chegando inclusive a existir a ideia de que o amor platônico propunha uma abstenção, um amor espiritual, quando isso nunca aconteceu nem foi verdade. O amor proposto por esse filósofo está na verdade em um caminho intermediário entre esse conceito e o amor carnal. Ele evita a promiscuidade, mas também a abstinência, já que para ele a moral significava conter-se.

O amor
A grande quantidade de usos, significados e sentimentos que esse conceito inclui torna a tarefa de o definir quase impossível. Dessa forma, uma das características essenciais do amor é que se trata de um conceito universal que envolve uma infinidade de sentidos e diz respeito a um afeto entre seres.

Na língua portuguesa, a palavra amor abrange um grande quantidade de sentimentos diferentes. Vai desde o desejo passional e de intimidade do amor romântico, até a proximidade assexuada do amor familiar. Também inclui a profunda devoção do amor religioso e o afeto por amigos.

Seja qual for o tipo de amor do qual estejamos falando, as emoções que estão presentes são sempre bastante poderosas. Se quiséssemos catalogar essas emoções, poderíamos classificá-las como irresistíveis, sendo impossível fugir do amor. É um sentimento que age como importante facilitador das relações interpessoais. É fonte de inspiração para as artes e objeto de estudo para a psicologia.

“O que é feito por amor está além do bem e do mal”.
-Friedrich Nietzsche-

O que é o amor platônico?
O adjetivo “platônico”, incorporado ao conceito de amor, alude à doutrina desse filósofo grego. Platão, no discurso de Sócrates, aponta que o amor é uma motivação ou um impulso que nos leva a tentar conhecer e contemplar a beleza em si. A amar as formas ou ideias eternas, inteligíveis, perfeitas e que vão além da beleza física que podemos apreciar – sem excluí-la, no entanto.

Em outras palavras, para esse filósofo o amor surge do desejo de descobrir e admirar a beleza. O processo tem início quando alguém aprecia a beleza física e depois progride até a beleza espiritual, tendo como estágio mais avançado a admiração pura, passional e desprendida da essência da beleza.

Dessa forma, o amor platônico em si não tem a ver com um amor inalcançável ou impossível. Tem a ver com um amor que transcende as fronteiras da beleza física, sendo por isso difícil de alcançar. Não há elementos sexuais da forma como os conhecemos simplesmente porque o autêntico amor para Platão não é o que se dirige a uma pessoa, e si um que orienta em direção à essência que transcende a beleza em si.

Na obra “O Banquete” de Platão, o conceito é colocado da seguinte forma:
“Deve considerar mais valiosa a beleza das almas que a beleza do corpo, de modo que se alguém for virtuoso na alma, ainda que tenha uma aparência não desejável, já será suficiente para amar, cuidar, cultivar e buscar ideias tais que façam melhores os jovens, para que seja obrigado, uma vez mais, a contemplar a beleza que reside nas normas de conduta e a reconhecer que todo o belo está relacionado entre si, e considerar dessa forma a beleza do corpo como algo insignificante”

A beleza e o amor em Platão
Segundo Platão, ao nos depararmos com a beleza surge em nós o amor, que pode ser definido como o impulso ou a determinação que nos empurra a conhecer e contemplar. Trata-se de uma série de fases que ocorrem de forma gradual, sendo que se aprecia em cada uma delas um tipo de beleza particular:

• Beleza corporal: é a primeira fase. Tem início com o sentimento de amor direcionado a um corpo belo em particular, que evolui para apreciar a beleza em geral.

• Beleza da alma: depois de superada a barreira de apreciar e se apaixonar pelo aspecto físico de uma pessoa, começamos a focar o interior dela; tem a ver com o que está relacionado ao plano moral e cultural de uma pessoa. Nessa fase o amor transcende o aspecto corporal, o aspecto físico, atingindo o aspecto interno, a alma.

• Beleza da sabedoria: o caminho de apreciar a beleza do espírito e da alma conduz inequivocamente o amor para outros conhecimentos, o das ideias; isso vai mais além da própria pessoa amada.

• Beleza em si mesma: quando alguém foi capaz de superar as três fases anteriores, abre-se uma nova e última porta que é a possibilidade de experimentar o amor pela beleza em si mesma, desprendida de qualquer objeto ou sujeito. Esse é o nível de amor supremo, o maior de todos.

Esse último passo é caracterizado por conhecer a beleza de forma apaixonada e, portanto, desinteressada e pura para Platão. Contempla um sentimento que não se corrompe e nem muda com o passar do tempo. Por isso, não se trata de um amor impossível em si, mas sim de um que se basta na apreciação das ideias e das formas perfeitas, inteligíveis e eternas.

Por que o amor platônico foi entendido como um amor inalcançável?
A expressão “amor platônico” foi usada pela primeira vez por Marsilio Ficino no século XV.  O uso foi feito a partir do conceito de que o amor platônico era um amor concentrado na beleza do caráter da pessoa, na sua inteligência, e não na aparência física. Não obstante, é um amor unicamente presente no mundo das ideias, em que é considerado perfeito e incorruptível.

Segundo Platão, na realidade não é possível alcançar a pureza desse sentimento devido ao fato de que o amor não é baseado em interesses, e sim na virtude, e isso não se alcança em nosso mundo. Ou seja, seria um amor perfeito, e a perfeição é, por si só, uma ilusão no mundo real – não existe nada perfeito – pois só pode ser possível em um mundo de ideias e virtudes, que difere do nosso mundo material.

Para simplificar a ideia, pode-se dizer que o que se entende por amor platônico é o que é idealizado, transcende o corpo e por isso não abrange nem o desejo sexual. Na linguagem coloquial fala-se do amor platônico como o sentimento romântico que se tem por uma pessoa que, por algum motivo, não é alcançável. E por isso esse amor também não inclui um vínculo sexual.

Nesse sentido, a expressão guarda um paralelo com o que o filósofo diz a respeito do amor. Só está, no entanto, falando de uma pequena parte da concepção de amor que Platão desenvolveu, e com meios errados para chegar ao mesmo fim. É uma conversão da expressão em um erro de uso coloquial e frequente.

O que o amor platônico contempla?
Segundo Platão, o belo é igual ao justo, ao bom e ao verdadeiro. Dessa forma, o amor busca e precisa do belo, do justo, do bom e do verdadeiro, correndo atrás disso. Em resumo, o amor platônico alude à tarefa de buscar e encontrar a parte da alma que nos falta a partir de outra pessoa, mas uma pessoa que se torna a representação para nós de todo o bom, o belo, o verdadeiro e o justo.

Por esse motivo o amor platônico não é realmente um amor impossível ou inalcançável. É um caminho, um meio, que evidentemente pode incluir o sexual, mas que não é o seu ponto central. Pode-se gerar um corpo, pode-se fecundar um corpo, mas é mais que isso. É se apaixonar pelas ideias, pela alma de outro ser. Com ou sem exclusão ou inclusão corporal e sexual, ultrapassa tudo isso transcendendo a matéria de que somos feitos.
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CURIOSIDADE É UMA COCEIRA NAS IDÉIAS - Rubem Alves


Eu estava com a cabeça quente. Queria descansar, parar de pensar. Para parar de pensar nada melhor que trabalhar com as mãos. Peguei minha caixa de ferramentas, a serra circular e a furadeira e fui para o terceiro andar, onde guardo os meus livros.

Iria fazer umas estantes. As tábuas já estavam lá. Nem bem comecei a trabalhar de carpinteiro e fui interrompido com a chegada da faxineira. Com ela, sua filhinha de 7 anos, Dionéia. Carinha redonda, sorriso mostrando os dentes brancos, trancinhas estilo afro.

O que se era de esperar numa menina da idade dela era que ela ficasse com a mãe. Não ficou. Preferiu ficar comigo, vendo o que eu fazia. Por que ela fez isso? Curiosidade. Curiosidade é uma coceira que dá nas idéias… Aquelas ferramentas e o que eu estava fazendo a fascinavam. Ela queria aprender.

‘O que é isso que você tem na mão?‘, ela perguntou. ‘É uma trena‘, respondi. ‘Para que serve a trena?, ela continuou. ‘A trena serve para medir. Preciso de uma tábua de um metro e vinte. Assim, vou medir um metro e vinte. Veja!‘

Puxei a lâmina da trena e lhe mostrei os números. Ela olhou atentamente. ‘Você já sabe os números?‘, perguntei. ‘Sei‘, ela respondeu. Continuei: ‘Veja esses números sobre os risquinhos. O espaço entre esses risquinhos mais compridos é um centímetro. Um metro tem cem centímetros, cem desses pedacinhos. Veja que de dez em dez centímetros o número aparece escrito em vermelho.

É que, para facilitar, os centímetros são amarrados em pacotinhos de dez. Um metro é feito com dez pacotinhos de dez centímetros.. Um metro e vinte são dez desses pacotinhos, para fazer um metro, mais dois, para completar os vinte centímetros que faltam‘. Marquei um metro e vinte na tábua com um lapis me preparei para riscar a tábua.

Assim se iniciou uma das mais alegres experiências de ensino e aprendizagem que tive na minha vida. A Dionéia queria saber de tudo. Não precisei fazer uso de nenhum artifício de “motivação” para que ela estivesse motivada. O que a motivava era o fascínio daquilo que eu estava fazendo e das ferramentas que eu estava usando. Seus olhos e pensamentos estavam coçando de curiosidade. Ela queria aprender para se curar da coceira…

Os Gregos diziam que a cabeça começa a pensar quando os olhos ficam estupidificados diante de um objeto. Pensamos para decifrar o enigma da visão. Pensamos para compreender o que vemos. E as perguntas se sucediam. Para que serve o esquadro? Como é que as serras serram? Porque é que a serra gira quando se aperta o botão? O que é a eletricidade?

Lembrei-me de Joseph Knecht, o mestre supremo da ordem monástica ‘Castália‘, do livro de Hermann Hesse ‘O jogo das contas de vidro‘. Velho, ao final de sua carreira, no topo da hieraquia dos saberes, ele se viu acometido por um enfado sem remédio com tudo aquilo e passou a sentir uma grande nostalgia: queria descer da sua posição para fazer uma coisa muito simples: educar uma criança, uma única criança, que ainda não tivesse sido deformada pela escola.

Pois ali estava eu, vivendo o sonho de Joseph Knecht: a Dionéia, que ainda não fora deformada pela escola. Seu rosto estava iluminado pela curiosidade e pelo prazer de entrar num mundo que não conhecia.

Lembrei-me da afirmação com que Aristóteles inicia a sua Metafísica: ‘Todos os homens tem, por natureza, um desejo de conhecer: uma prova disso é o prazer das sensações, pois, fora até de sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas e, mais que todas as outras, as visuais…‘

Acho que Aristóteles errou. Isso não é verdade dos adultos. Os adultos já foram deformados. Acho que ele estaria mais próximo da verdade se tivesse dito: ‘Todos os homens, enquanto crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer…‘

Para as crianças o mundo é um vasto parque de diversões. As coisas são fascinantes, provocações ao olhar. Cada coisa é um convite.

Aí a Dioneia sumiu. Pensei que ela tivesse voltado para a mãe. Engano. Alguns minutos depois ela voltou. Estivera examinando uma coleção de livros. ‘Sabe aqueles livros, todos de capa parecida? Os três primeiros livros estão de cabeça para baixo.‘ Retruquei: ‘Pois ponha os livros de cabeça para cima!‘

Ela saiu e logo depois voltou. ‘Já pus os livros de cabeça para cima.‘ E acrescentou: ‘Sabe de uma coisa? O livro com o número 38 está fora do lugar.‘ Aí aconteceu comigo: fui eu quem ficou estupidificado…Ela, que não sabia escrever, já sabia os números. E sabia mais, que os números indicam uma ordem.

Fiquei a imaginar o que vai acontecer com a Dionéia quando, na escola, os seus olhinhos curiosos vão ser subtraídos do fascinio das coisas do mundo que a cerca, e vão ser obrigados a seguir aquilo a que os programas obrigam. Será possível aprender sem que os olhos estejam fascinados pelo objeto misterioso que os desafia?

Pois sabe de uma coisa? Acho que vou fazer com a Dionéia aquilo que Joseph Knecht tinha vontade de fazer…
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SEMEANDO A CONSCIÊNCIA - Jean-Yves Leloup

O francês Jean-Yves Leloup - teólogo, filósofo, PhD em psicologia transpessoal e padre da Igreja ortodoxa - fala de busca espiritual, reencarnação, astrologia e evolução humana.

Jean-Yves Leloup é um dos pensadores importantes da atualidade. Nascido em 1950, na França, ele é um cidadão do mundo. Filósofo, terapeuta transpessoal, teólogo, ele é padre da Igreja ortodoxa na França, tendo traduzido e interpretado textos bíblicos. Seu pensamento é poético, universalista, multidimensional. Conferencista reconhecido internacionalmente, Leloup vem regularmente ao Brasil proferir seminários organizados pela Universidade da Paz.

Para Marie de Solemne, uma estudiosa da sua obra, "a considerável força da palavra de Jean-Yves Leloup é que ela é sistematicamente informada, ao mesmo tempo, por uma reflexão filosófica, psicanalítica e espiritual"... Os livros de Jean-Yves estão publicados em vários idiomas e fazem sucesso no Brasil. Entre os seus últimos lançamentos estão Amar... Apesar de Tudo e A Arte da Atenção, ambos da Editora Verus. A entrevista a seguir foi concedida na sede da Unipaz, em Brasília.

1- Você é sacerdote da Igreja ortodoxa...

Leloup - A ortodoxia é a tradição das origens do cristianismo. Inicialmente, o cristianismo era uma comunhão de igrejas. Havia a igreja de Jerusalém, a de Antióquia, a de Éfeso, a de Roma. Foi só no século 12 que a igreja de Roma se separou. As diferentes igrejas ortodoxas preservaram a tradição de comunhão e permaneceram unidas apesar das diferenças.

2 - Você acredita em astrologia?

Leloup - O homem é uma fração do universo e depende dos astros. Isso faz parte da sua unidade com o cosmo. Gosto das palavras de São Tomás de Aquino, que diz que os homens dependem dos astros, mas são maiores do que eles. Não somos completamente determinados pelos astros. O homem é uma mistura de natureza e de aventura. Creio na astrologia, mas não no determinismo.

3 - Quando você diz que aceita postulados da astrologia, essa é uma opinião pessoal ou é um consenso em sua igreja?

Leloup - Na Igreja ortodoxa há diferentes teólogos, com pontos de vista diversos. A linha de pensamento em que estou engajado respeita a astrologia. A consciência da relação do homem com o universo, a consciência da sua liberdade e a consciência daquilo que o ser humano faz em relação ao universo - essas são questões muito tradicionais.

4 - No livro A Arte da Atenção,você define o oceano como "um deserto em movimento". O deserto parece ser um dos seus temas constantes. Se para você o deserto é uma metáfora, o que exatamente ele simboliza?

Leloup - Simboliza o silêncio - o silêncio de onde vem a palavra e para onde a palavra volta. O deserto é também uma metáfora da vacuidade - a vacuidade de onde vem o mundo e para onde esse mundo volta. Quando estamos no deserto, nesse espaço de silêncio, nós nos aproximamos dessa vacuidade essencial e não somos distraídos pelas formas. Entramos em contato com o que não tem forma - a origem de todas as formas.

5- Você acredita em reencarnação?

Leloup - A reencarnação é uma explicação possível. Ela é importante para dar-nos um sentido de responsabilidade e para colocar-nos em contato com as conseqüências dos nossos atos. A idéia de reencarnação está ligada à idéia de justiça e à lei do carma. O Evangelho diz que você colhe o que planta. Nesse sentido, a idéia da reencarnação pode ser útil. Mas os grandes sábios da Índia dizem que a reencarnação é uma crença popular e uma forma de interpretar o que está além do espaço e do tempo. Crer na reencarnação é acreditar na continuidade do espaço-tempo. Por isso, há uma diferença entre reencarnação e ressurreição. O objetivo humano é sair do ciclo da reencarnação e atingir um estado de ressurreição que está além da necessidade de reencarnar e constitui uma libertação. Quando perguntaram ao indiano Ramana Maharshi para onde ele iria depois da sua morte, ele respondeu: "Irei para onde sempre estive." Ele não fala de reencarnação, nem do encadeamento de causas e efeitos. Ele destaca que há dentro de nós algo que está livre da roda de causas e efeitos, livre do samsara. É esse estado de despertar que devemos descobrir.

6- O que é Deus? É uma entidade antropomórfica que toma decisões como se fosse um ser humano, com seu hemisfério cerebral esquerdo, que gosta ou não gosta, que se apega ou rejeita algo? Ou Deus é apenas uma lei universal?

Leloup - Cada um tem sua religião conforme o seu nível de consciência. Nossa imagem de Deus é feita de acordo com o que a nossa consciência pode conter. É por isso que existem imagens de Deus muito infantis - Deus como uma grande mãe ou um grande pai, como uma fonte de segurança. Meister Eckhart escreveu que, para alguns, Deus é como uma vaca leiteira, algo que tem de suprir as nossas necessidades. Para outros, Deus é aquilo que coloca em ordem a sociedade humana e o universo, é a lei natural. Para outros, ainda, Deus é apenas uma palavra, e tudo o que podemos pensar de Deus não é Deus, mas apenas a nossa representação dele. Assim, também, o que conhecemos da matéria não é a matéria, mas apenas o que os nossos instrumentos de compreensão nos permitem perceber. Por isso, quando usamos a palavra Deus, é bom saber do que estamos falando. Ao longo da nossa vida pessoal, nossa imagem de Deus pode mudar. Aquilo que a gente aprendeu no catecismo, em outro momento ganha outro significado. O que aprendemos sobre química no primeiro grau não é o que aprendemos na universidade. Às vezes, no entanto, ficamos fixados nas imagens da escola de primeiro grau. O mais importante, claro, é a nossa experiência. O que quero dizer quando falo de Deus? Que experiências estão por trás dessa palavra? Para mim, essa é uma experiência de serenidade, de silêncio, de amor e de luz.

7 - Em seus livros, você aborda "a memória do corpo"...
Leloup - O corpo é a nossa memória mais arcaica. Tudo aquilo que uma criança viveu fica guardado na forma de impressões em seu corpo. Quando tocamos um corpo, tocamos toda essa memória. Assim, você não pode tocar determinadas pessoas em determinadas áreas, porque ali há registros de memórias antigas. Karl Graf Dürkheim dizia que quando fazemos massagem em alguém, não estamos tocando um corpo, estamos tocando uma pessoa. O corpo é animado, pleno de memórias.

8 - Como você vê a relação entre o individual e o social? Penso que ficamos capengas se nos engajamos na transformação social sem fazer uma autotransformação, mas também ficamos incompletos se tentamos uma autotransformação sem levar em conta a sociedade ao nosso redor.

Leloup - É importante observar as duas coisas. Isso me faz lembrar do que me disse um rabino em Jerusalém: que nunca haverá paz ali enquanto o ser humano não fizer a paz dentro de si mesmo... E fazer a paz em Jerusalém significa fazer a paz nos diferentes bairros. O bairro judeu, o bairro árabe, o bairro cristão, etc. Nós também temos de construir essa paz nos nossos diferentes bairros, o bairro do coração, o bairro da mente, o bairro do corpo. Se fizermos paz em nosso próprio interior, poderemos fazer a paz no mundo. Há uma interpenetração do individual e do social. Quando me preocupo com a sociedade, eu me transformo. Cuidar do outro me revela a mim mesmo. Quando conheço o outro, conheço a mim mesmo. O Evangelho de São Tomé diz que o reino está no interior e no exterior. Se o reino estivesse somente no interior, poderíamos abandonar o mundo e viver apenas em meditação. Se o reino estivesse só no exterior, não teríamos de meditar, e poderíamos ocupar-nos o tempo todo da sociedade. Mas o que Jesus fala é que o reino está dentro e fora, e eu acho que esse é o segredo do amor. Porque o amor é aquilo que o ser humano tem de mais interior e, ao mesmo tempo, ele tem conseqüências no mundo exterior.

9 - Qual é o impacto que a busca espiritual dos indivíduos tem, ou deveria ter, sobre as estruturas sociais? A nossa cultura espiritual, hoje, não deveria incluir uma preocupação explícita com mudanças sociais?

Leloup - Não há oposição entre o que é interior e o que é exterior. Cada um deve seguir aquilo que o espírito lhe inspira. Para alguns, é através da ação que se ama. Para outros, é através da meditação ou da oração. A ação e a contemplação são como os dois olhos em um mesmo olhar. Às vezes o amor nos convida à interiorização. Em outros momentos o amor nos leva a agir, a produzir. A única condição necessária é que façamos todas as coisas a partir do melhor de nós mesmos. Não se deve comparar a ação de Madre Teresa com a ação de um eremita dentro de sua gruta. Cada um age da sua maneira pelo bem-estar da humanidade.

10 - Como você vê, hoje, a marcha da evolução humana?

Leloup - Vejo a humanidade em uma situação de apocalipse, entendendo a palavra apocalipse como revelação. Há algo desmoronando, e há também algo que está nascendo. Nós escutamos o barulho do carvalho que cai, mas não escutamos o barulho da floresta que brota. Ouvimos o ruído das torres desmoronando, mas não escutamos a consciência que desperta. No mundo de hoje há muitas coisas que desmoronam, e em geral falamos das coisas que fazem ruído, mas não falamos das sementes de consciência e de luz que estão germinando...

11 - Qual o significado do ascetismo no caminho espiritual?

Leloup - O ascetismo é um caminho para prazeres mais sutis.

12 - O que separa uma religião da outra?

Leloup - Creio que é a ignorância, junto com a vaidade e o desejo de poder. Quando conhece o outro, você o respeita. Se não há desejo de poder, há lugar para todos. Em um canteiro de flores há lugar para as flores azuis, para as brancas, e cada uma delas cresce em direção à luz.

13 - O que as religiões têm a ensinar umas às outras?

Leloup - Cada uma pode ensinar às outras a sua diferença, o que a distingue. Não podemos fazer um buquê, se todas as flores tiverem a mesma cor. Se todas as pessoas pensam igual, então elas não pensam mais. O pensamento dos outros estimula o nosso pensamento. A maneira como os outros consideram o absoluto me permite relativizar minha própria maneira de considerar o absoluto. Isso me impede de construir um dogma e me leva a um conhecimento mais profundo.

14 - Como você vê o Brasil?

Leloup - Tenho a impressão de que o Brasil não tem uma coisa ou outra, ele tem todas as coisas. E há a riqueza da natureza, a riqueza das culturas mescladas. Mas sinto que no mundo político há alguma coisa artificial. Sinto que há uma esquizofrenia. O Brasil tem uma coisa muito forte, espontânea, próxima do paraíso talvez, mas há também algo que impede o surgimento desse paraíso.

15 - Existe uma relação entre a atenção e a prática do desapego...

Leloup - Só podemos estar atentos instante a instante. Mas se estivermos atentos a este instante estaremos desapegados em relação ao instante anterior. A atenção é a arte de viver no momento presente, e para isso é preciso estar livre do passado e do futuro. A arte da atenção é a arte de estar no presente. 
O presente está ligado ao passado e ao futuro, mas ao mesmo tempo ele está desapegado em relação a eles. Isso me faz pensar em umas palavras de Buda: "Se quiser conhecer sua vida anterior", disse o Buda, "esteja atento para o que você é e faz hoje". Aquilo que você é hoje é o resultado do que você foi. Se você quiser conhecer a sua vida futura, esteja atento para o que você é e faz hoje. Porque o que você é hoje constitui a origem do que virá mais tarde.
Há também as palavras de Cristo: "Não olhe para trás e não se preocupe com o futuro, mas faça bem aquilo que você tem de fazer no momento presente."
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QUATRO ENSINAMENTOS DO TAO PARA LIDAR COM PESSOAS DIFÍCEIS

Dentro dos ensinamentos do Tao estão alguns sábios conselhos para lidar e conviver com pessoas difíceis, aquelas presenças que sugam nossa energia e que muitas vezes colocam uma cerca nos nossos caminhos. De acordo com os princípios de Lao-Tse, nestes casos a melhor coisa é manter a serenidade, afastar as emoções negativas e não dar poder a quem gosta de nos tirar a calma.

Se examinarmos as últimas publicações sobre como melhorar nosso estilo de comunicação e como alcançar o sucesso no trabalho, há um tema recorrente: a necessidade de aprender a gerenciar pessoas difíceis. Bem, agora estamos conscientes de que este rótulo dá nome a uma pequena caixa de desastres, e, portanto é conveniente definirmos, antes de tudo, o que entendemos por personalidades difíceis.

No mundo dos negócios e do coaching, temos a prova de que, para sobreviver em nossos contextos sociais, devemos coexistir energicamente com perfis de personalidade muito específicos. Nos referimos a pessoas passivas e agressivas e pessoas narcisistas. São pessoas que estão presentes em todo e quase qualquer cenário, que abusam do seu poder verbal, são manipuladoras e, às vezes, sua mera presença já apaga nosso ânimo.

Nos últimos anos, muitas das publicações que visam nos ensinar a lidar com esse tipo de situações foram alimentadas pelos ensinamentos do Tao por vários motivos. Primeiro pelo bom gerenciamento das emoções, segundo para a boa gestão dos estados com os quais podemos, em última instância, enfrentar o abuso de poder, estabelecer limites e melhorar nossos estilos de comunicação.

Não importa que os textos de Lao-Tse tenham tantos séculos de idade. Seu legado continua sendo muito útil.

Ensinamentos do Tao que vale a pena conhecer

1 – Controlar pessoas difíceis sem ter que lutar com elas
 
“Controlar o inimigo sem lutar com ele
é a mais alta habilidade”.
-Gichin Funakoshi-

Dentro dos ensinamentos do taoísmo é exaltada a semelhança de que viver é como fluir através de um rio. Deixar-nos liderar pelo seu canal sem resistência é parte da harmonia que todos devemos desfrutar.

No entanto, conceitos como luta, confronto ou resistência são a antítese dessa ideia, desse conceito que simplesmente nos encoraja a avançar com ânimo e flexibilidade. Assim, quem escolhe, por exemplo, fazer uso da discussão, da constante afronta com pessoas difíceis, só terá mais desânimo e frustração tremenda.

Optar por “não lutar” não significa desistir ou se deixar dominar. Significa, acima de tudo, não dar poder a quem não merece, escolher a sabedoria antes da violência e optar pela calma antes de abrir as comportas, de modo que a ansiedade nos inunde.


2 – Esvazie sua xícara de emoções negativas

“O vazio é o melhor ponto de partida … Portanto, abandone todos os seus preconceitos e seja neutro. Você sabe por que esse copo é tão útil? 
Porque está vazio.”
-Bruce Lee-

Pessoas difíceis muitas vezes estragam nosso dia com uma única palavra ou um comentário. Não importa quão irracional seja sua mensagem, a inadequação de suas ações sempre nos afeta. Uma das dicas dos ensinamentos do Tao é que quanto menos reativos formos, mais espaço teremos para fazer uso do julgamento.

Vamos, portanto, tentar controlar a angústia, as emoções negativas. Uma vez que a pessoa difícil tenha realizado sua manobra, contaremos até 10 e respiraremos profundamente. Ninguém tem o direito de estragar o nosso dia, então vamos nos esvaziar da raiva e do e mau humor.

A mente deve permanecer como uma sala clara, onde o vento contaminado entra através de um portal e desaparece em um segundo através de outro.

 3 – Seja proativo, não reativo
As pessoas difíceis às vezes nos fazem vítimas de suas atitudes pouco saudáveis. Pouco a pouco, acumulamos tanto ódio, desconforto e frustração que corremos o risco de reagir da pior maneira. Não é adequado. Mais cedo ou mais tarde nos arrependeremos dessa reação e, especialmente, nos arrependeremos de não termos estabelecido limites previamente.

“Não seja escravo de nada ou de ninguém,
alcance a verdadeira liberdade”.
-Jeet Kune Do-

O Tao nos recomenda aprender a ser proativos. O que isso significa exatamente? Isso significa que devemos aprender a assumir o controle dos acontecimentos em vez de ver as coisas acontecerem.

Um conselho que Tao nos ensina é que toda vez que vemos uma pessoa difícil, vamos tentar nos colocar em seu lugar usando a seguinte frase: “Não deve ser fácil”.

Esta frase pode nos ajudar a entender muitas coisas: “Não deve ser fácil para meu colega de trabalho incomodar a todos, ter tão pouca paciência e tão pouco controle de suas emoções”. “Não deve ser fácil para meu irmão estar sem trabalho, com uma dívida e ainda ter essa personalidade complicada¨.
Compreender a perspectiva dos outros nos permitirá estar preparados para controlar melhor a situação. Faremos isso quando estivermos prontos para dar ajuda. Isso é mais oportuno quando fazemos uma crítica construtiva, precisa e motivadora.

4 – A força do bambu

“Há momentos em que, quando todo o resto falhar, não há escolha senão ser contundente. Como o bambu que toma força depois de ser curvado “.
– O Tao de Liderança –

Às vezes acontece: algumas circunstâncias com pessoas difíceis atingem nosso limite e não estamos apenas encurralados, mas nos sentimos dobrados, até completamente humilhados. Nesses momentos, o Tao nos recomenda visualizar um bambu.

Eles também se dobram, eles também recebem o impacto do vento feroz que quer controlá-los e tê-los sob seu poder. No entanto, isso nunca acontece, porque o bambu obtém a força de sua flexibilidade. O fato de se curvar faz com que ele seja mais forte para raciocinar.

Também podemos fazê-lo. Quando sentirmos que atingimos o limite, é hora de aumentar a força para gerar uma mudança. Não usaremos violência, porque a força não é violência, é capacidade de resposta, é saber posicionar-nos com coragem diante daqueles que se atrevem a querer nos transformar em algo que não somos: pessoas fracas.

Para concluir, os ensinamentos do Tao contêm maravilhosas bases de conhecimento que continuam a estimular a nossa capacidade de aprender, iluminando-nos com sua força moderada para lidar com mais sabedoria com as complexidades do mundo de hoje.

Vamos aprender com eles e aplicá-los sempre que possível.
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A LINDA MENSAGEM DE STEPHEN HAWKING SOBRE A DEPRESSÃO

 Conheça neste artigo a inspiradora mensagem de Stephen Hawking sobre a depressão, ensinamentos de uma das mentes mais privilegiadas do nosso tempo. Além de suas importantes contribuições para o mundo da física e a origem do universo, a história da vida dele parece um conto de ficção.

Em 7 de janeiro de 2016, Stephen Hawking deu uma palestra na Royal Society. Seu conteúdo foi transmitido pela Internet. Ao contrário do que muitos poderiam pensar, o tema central do seu discurso não foi o mistério do Big Bang, nem da luz ou do espaço. Hawking decidiu falar sobre a depressão e outros problemas emocionais.

“Não importa o quão difícil a vida possa parecer. Porque perde-se a esperança se não se pode rir de si mesmo e da vida como ela é”.
-Stephen Hawking-

Sua mensagem tem um enorme valor. Não só porque vem de um dos cérebros mais lúcidos do nosso tempo, mas principalmente porque ele próprio é um exemplo. Hawking viveu uma vida muito mais dura do que a média. No entanto, permaneceu firme na luta por seus objetivos e sonhos. É por isso que Stephen Hawking tem grande autoridade para falar de tristeza.

Pequena biografia de Stephen Hawking
Stephen Hawking nasceu em uma família que apreciou profundamente o valor do conhecimento. Seu pai era um biólogo de prestígio. Stephen era o filho mais velho e ele também tinha duas irmãs e um irmão adotado. Quando criança, era um bom aluno, mas nunca foi um dos mais brilhantes. Terminou de estudar ciências naturais em Oxford e fez especialização em física.

Aos 21 anos, Stephen Hawking foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica ou ELA. Uma doença degenerativa do tipo neuromuscular. Ele estava prestes a se casar e os médicos não lhe deram mais de 2 ou 3 anos de vida. No entanto, contra todas as probabilidades, hoje ainda está vivo, aos 76 anos, apesar de estar perdendo cada vez mais habilidades motoras.

Mesmo assim, Hawking levou uma vida feliz e produtiva. Ele recebeu 24 prêmios por seu trabalho. Entre eles, a Medalha Albert Einstein e o Prêmio Príncipe das Astúrias. Suas principais contribuições para a física estão relacionadas à conceituação e descrição dos buracos negros.

A mensagem de Stephen Hawking contra a depressão
A vida não foi fácil para Stephen Hawking. Ele foi forçado a nadar contra a corrente devido à sua doença. No entanto, a perda progressiva de suas capacidades físicas não o impediu de continuar com seu trabalho, com sua vida familiar e com seu papel de grande farol no mundo científico e humano. Ele sempre parece feliz. Ele brinca e está interessado no destino dos outros.

Em sua palestra de 2016 ele abordou particularmente as pessoas deprimidas. Fazendo uma comparação com a física, este cientista disse: “A mensagem dessa conversa é a de que os buracos negros não são tão negros quanto dizem. Eles não são prisões eternas como alguma vez se pensou. As coisas podem sair de um buraco negro de ambos os lados e possivelmente em outro universo. Então, se você entrar em um buraco negro, não desista: há uma saída”.

Sem dúvida ele estava fazendo um chamado à esperança. Suas palavras convidam a não desistir porque sempre há uma saída. Ele também disse que desde o início de sua juventude teve que viver atado à uma cadeira de rodas, sem poder levar uma vida comum, como a dos outros.

Alguns conselhos valiosos
Stephen Hawking é a prova viva de que o importante não é o evento que acontece, mas a atitude escolhida para enfrentá-lo. Na mesma palestra, ele acrescentou: “Apesar da doença que sofro, tive muita sorte em quase tudo. Tive muita sorte de trabalhar na teoria física em um momento fascinante, e esta é uma das poucas áreas onde a minha deficiência não foi uma desvantagem”.

A mensagem é clara. Seu grande ensinamento não é se concentrar em tudo o que a vida nos impede de fazer, e sim no contrário. O objetivo é aproveitar ao máximo o que você tem, o que você pode fazer, o que você pode apreciar. Certamente você passou por muitos momentos de desespero. O importante é que conseguiu superá-los e tornar-se o que é hoje.

Hawking também falou da importância de aceitar a realidade como ela é. Ressaltou que não é bom se deixar levar pelas emoções negativas. Isso só piora tudo e irá impedi-lo de ser feliz com o que você tem. Uma multidão o aplaudiu nessa ocasião. Agora, suas palavras ressoam e certamente têm eco para aqueles que precisam de uma voz de incentivo.
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EXISTE UM JUIZ CHAMADO TEMPO QUE COLOCA CADA COISA EM SEU LUGAR

Todos nós somos livres quanto a nossas atitudes, mas não estamos livres das consequências. Um gesto, uma palavra ou uma atitude ruim causam sempre um impacto mais ou menos perceptível, e acredite se quiser, o tempo é um juiz muito sábio. Apesar de não emitir sentença imediatamente, sempre costuma dar a razão para quem realmente a tem.

O célebre psicólogo e pesquisador Howard Gardner, por exemplo, nos surpreendeu recentemente com um dos seus raciocínios. “Uma pessoa ruim nunca chegará a ser um bom profissional”. Para o “pai das inteligências múltiplas” alguém unicamente guiado pelo interesse próprio nunca alcança a excelência, e esta é uma realidade que também costuma se revelar no espelho do tempo.

Cada um colhe o que planta, e mesmo que muitos sejam livres quanto às suas atitudes, não são livres das suas consequências, porque cedo ou tarde este juiz chamado tempo dará a razão para aquele que a tem.

É importante considerar que aspectos tão comuns quanto um tom de voz depreciativo ou o uso excessivo de zombarias e ironias na linguagem costumam trazer sérias consequências para o mundo afetivo e pessoal das vítimas que as recebem. Não ser capaz de assumir a responsabilidade de tais atitudes corresponde à falta de maturidade que, cedo ou tarde, trará consequências.

Convidamos você a refletir sobre isso

O tempo, esse juiz tão sábio
Vejamos um exemplo: imaginemos um pai educando seus filhos com severidade e falta de afeto. Sabemos que esse estilo de criação e educação trará consequências, contudo, o pior é que o pai com essas atitudes procura oferecer pessoas fortes e com um certo estilo de conduta para o mundo. No entanto, o que provavelmente conseguirá é uma coisa muito diferente do que pretendia: infelicidade, medo e baixa autoestima.

Com o tempo, essas crianças transformadas em adultos darão a sua sentença: se afastarão ou evitarão esse pai, o que talvez essa pessoa não consiga entender. O motivo disso é que muitas vezes quem machuca “não se sente responsável pelas suas atitudes”, carece de uma boa intimidade emocional e prefere usar a culpa (meus filhos são mal-agradecidos, meus filhos não gostam de mim).

Um jeito básico e fundamental de pensar é que todo gesto, por menor que seja, tem consequências. É fazer uso do que se conhece como “responsabilidade plena”. Ser responsável não significa apenas assumir a culpa das nossas ações, é entender que temos uma capacidade de resposta obrigatória para com os outros, que a maturidade humana começa nos tornando responsáveis por cada uma das palavras, gestos ou pensamentos que geramos para propiciar nosso próprio bem-estar e o dos outros.

A responsabilidade, um gesto de coragem
Entender que a solidão de agora é consequência de uma má atitude no passado é, sem dúvida, um bom passo para descobrir que todos estamos unidos por um fio muito fino onde um movimento negativo ou irruptivo traz como consequência um nó ou a ruptura desse fio. Desse vínculo.

Procure que os seus gestos falem mais que as suas palavras, que a sua responsabilidade seja o reflexo da sua alma; para isso, procure sempre ter bons pensamentos. Então, certamente o tempo o tratará como merece.

É preciso considerar que somos “proprietários” de boa parte das nossas circunstâncias de vida, e que um jeito de propiciar nosso próprio bem-estar e o daqueles que nos rodeiam é por meio da responsabilidade pessoal: um grande gesto de coragem que convidamos você a colocar em prática através destes princípios simples.

Dicas para ganhar consciência da própria responsabilidade

O primeiro passo para ganhar consciência da “responsabilidade plena” é abandonar nossas próprias ilhas de reconhecimento nas quais focamos grande parte do que acontece no exterior com base em nossas próprias necessidades.

Por isso, esta série de princípios também são indicados para as crianças. Usando-os poderemos ensiná-las que suas atitudes tem consequências.

O que você pensa, o que você expressa, o que você faz, o que você cala. Todo o nosso ser gera um tipo de linguagem e um impacto nos outros, a ponto de criar uma emoção positiva ou negativa. É preciso ser capaz de intuir e, principalmente, de empatizar com quem está à nossa volta.

Antecipe as consequências das suas atitudes: seja seu próprio juiz. Com esta dica não estamos nos referindo a cair em um “autocontrole” que nos leve a ser nossos próprios carrascos antes de termos dito ou feito qualquer coisa. Trata-se apenas de tentar antecipar que impacto pode ter uma determinada atitude sobre os outros e, consequentemente, também sobre nós mesmos.

Ser responsável implica compreender que não somos totalmente “livres”. A pessoa que não vê limite algum nas suas atitudes, nos seus desejos e nas suas necessidades pratica essa libertinagem que, cedo ou tarde, também trará consequências.

A frase tão conhecida “a minha liberdade termina onde a sua começa” adquire aqui todo o sentido. Contudo, também é interessante procurar propiciar a liberdade e o crescimento alheio, para assim alimentar um círculo de enriquecimento mútuo.

Vale a pena colocar isto em prática.
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SEPARAR-SE DÓI, MAS TAMBÉM PODE SER UMA BENÇÃO – Monja Coen

É possível separar-se de alguém 
com respeito e com ternura.

É possível um divórcio verdadeiramente amigável.

Mas para isso é preciso que as duas pessoas envolvidas no processo de desfazer um laço de intimidade tenham amadurecido o suficiente para conhecer a si mesmas.

Caminhamos lado a lado com algumas pessoas em alguns momentos da vida.

Minha professora de hatha ioga, Walkiria Leitão, comentou em uma de nossas aulas:

“A vida é como atravessar uma ponte. Nem sempre as pessoas com quem iniciamos a travessia são as mesmas que nos cercam agora ou com quem chegaremos do outro lado. Mas sempre há alguém por perto. Nunca estamos sós.”

O medo da solidão, muitas vezes, faz com que as pessoas suportem o insuportável. Ou se lamentem após uma separação, apegadas até mesmo ao conflito conhecido.

Ainda há mulheres que sofrem violências morais e até mesmo físicas de seus companheiros ou companheiras.

Ainda há homens que sofrem violências morais e até mesmo físicas de suas companheiras ou companheiros.

Como dar limites? Como conhecer esses limites?

Quando os limites são desrespeitados, as dificuldades começam. Dificuldades que podem levar à separação e ao divórcio. Dificuldades que podem levar ao sofrimento filhos e filhas, animais de estimação, amigos, familiares.

Caminhamos lado a lado.

Ou não.

Quando nos afastamos e nos distanciamos, nunca é repentino.

Um processo que, se desenvolvermos a clara percepção da realidade do assim como é, poderemos prever, antecipar e até mesmo alterar o desenvolvimento do processo.

Entretanto, se não conseguirmos antever o que já acontece, se colocarmos lentes fantasiosas sobre a realidade, poderemos nos desiludir e nos sentirmos traídos na confiança mais íntima do ser.

Professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil, fala sobre a criação de uma nova religião chamada “desilusionismo”:

“Cada vez que temos uma desilusão estamos mais perto da verdade, por isso agradecemos.”

Se você teve uma desilusão é porque não estava em plena atenção. Mas não fique com raiva nem de você nem da outra pessoa.

Nada é fixo. Nada é permanente.

Saber abrir mão, desapegar-se – até da maneira como tem vivido – é abrir novas possibilidades para todos.

Por que sofrer? Por que manter relações estagnadas ou de conflito permanente? Ou como transformar essas relações e dar vida nova ao relacionamento?

Apreciar e compreender a vida em cada instante é uma arte a ser praticada.

Separar-se dói, confunde, mexe com sonhos e estruturas básicas de relacionamentos.

Separação pode ser também uma bênção, uma libertação de uma fantasia, de uma ilusão.

Observe em profundidade.

Será que ainda é possível restaurar o vaso antigo?

No Japão, as peças restauradas são mais valiosas do que as novas. Tem história, emoção, sentimento.

Cuidado com o eu menor.

Cuidado com sentimentos de rancor, raiva, vingança.

Esse sentimentos destroem você, mais do que as outras pessoas.

Desenvolva a mente de sabedoria e de compaixão.

Queira o bem de todos os seres. Isso inclui você.

Cuide-se bem e aprecie a sua vida – assim como é –, renovando-se a cada instante e abrindo portais para o desconhecido, o novo – que pode ser antigo, mas novo a cada instante.

Mantenha viva a chama do amor incondicional e saiba se separar (se assim for) com a mesma ternura e respeito com que se uniu.

Esse o princípio de uma cultura de paz e de não violência ativa.

Que assim seja, para o bem de todos os seres.
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