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TENHO SAUDADE DA CARÍCIA DOS TEUS BRAÇOS – Florbela Espanca

Tenho saudades da carícia dos teus braços, dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar.

Tenho saudades das tuas mãos (...) Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de oiro. Minha linda seda loira, como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos! Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser.

Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda.

Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer.

Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.
 Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)"

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A MELHOR COMPANHIA - Henry David Thoreau

Considero saudável estar só na maior parte do tempo. Estar acompanhado, mesmo pelos melhores, cedo se torna enfadonho e dispersivo. Adoro estar só. Nunca encontrei um companheiro tão sociável como a solidão.

Estamos geralmente mais sós quando viajamos com outros homens do que quando permanecemos nos nossos aposentos. Um homem quando pensa ou trabalha está sempre só, deixai-o pois estar onde ele deseja.

A solidão não é medida pelas milhas de espaço que separam um homem e os seus congéneres.

O estudante verdadeiramente diligente de um dos enxames da Universidade de Cambridge está tão solitário como um derviche no deserto.

O agricultor pode trabalhar sozinho no campo ou nos bosques durante todo o dia, mondando ou podando, e não se sentir solitário porque está ocupado; mas quando chega a casa, à noite, não consegue sentar-se numa sala sozinho, à mercê dos seus pensamentos. Tem que ir onde possa «estar com as pessoas», distrair-se e ser compensado pela solidão do seu dia; e, assim, interroga-se como pode o estudante estar só em casa durante toda a noite e grande parte do dia sem se aborrecer ou sentir-se deprimido.

Mas ele não entende que o estudante, se bem que em casa, ainda está a trabalhar no seu campo, a podar os seus bosques, tal como o agricultor o faz nos seus e que, por seu turno, procura a mesma diversão e companhia que este, embora eventualmente de uma forma mais condensada.

Ouvi falar de um homem perdido na floresta e a morrer de fome e de exaustão ao pé de uma árvore e cuja solidão era aliviada pelas visões grotescas com que, devido à fraqueza física, a sua imaginação doente o rodeava, e que ele acreditava serem reais.

Assim também, graças à saúde e à força física e mental, podemos sentir-nos continuamente animados por uma companhia semelhante, se bem que mais normal e natural, e chegarmos à conclusão de que nunca estamos sós.
in 'Walden'
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A ALMA ESTÁ NA CABEÇA - Dr. Paulo Niemeyer Filho

 

PROFETA GENTILEZA: QUEMFOI E O QUE FEZ.

 

O ENVELHESCENTE - MárioPrata

 

MOSTEIRO DE SÃO BENTO RJ- Visita Virtual

 

A BASE DE UM CÉREBROSAUDÁVEL É A BONDADE, E PODE-SE TREINAR ISSO.


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QUEM PENSA, RI – Fernando Pessoa

Quem raciocina com intensidade e violência tem que expressar com descongestionamento. Rir não é não ter razão. Não há relação entre a solenidade e a verdade. Deixemos a seriedade aos que têm ideais em que perdem tempo e jeito. Pensemos, e acabemos de pensar com uma gargalhada.

A dor do mundo é grande? Talvez seja. Como não há metro para ela, não sabemos. Mas, ainda que seja grande, curar-se-á aumentando-a com a nossa?

Pensa a sério mas não com sério. Pensa profundamente, mas não às escuras. Quer fortemente, mas não com as sobrancelhas.
Sinceros? Quantos gramas de verdade é que a vossa sinceridade pesa?

Quem pensa, ri; só não ri quem só faz cara que pensa.
Ri, bruto!
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AME-SE O SUFICIENTE PARA SABER QUANDO IR EMBORA

Se há uma coisa que é muito difícil, é saber o momento de ir embora da vida de uma pessoa para poder se transformar, assim, em uma amada lembrança e não em um costume odiado. Saber dizer adeus é a arte do sofrimento, mas também do aprendizado.

Segundo uma pesquisa publicada no espaço “Study.com” a principal razão pela qual decidimos nos afastar e dar por finalizado um relacionamento é pela sensação de desigualdade no casal. São casos onde as contribuições de cada um são diferentes e onde o custo em “moeda de dor” é muito alto frente aos escassos benefícios.

Sempre há um instante no qual é preciso ir embora, mesmo que você não saiba aonde ir, mesmo que os seus pés estejam nus e as suas mãos vazias. Somente assim você permitirá ao seu coração ser feliz de novo.

Amor e sofrimento nunca deveriam andar juntos em um relacionamento amoroso. Isso é uma coisa que nem todo mundo compreende, já que o conceito de “amor romântico” ainda nos faz acreditar nestas ideias falsas. Se você se ama suficientemente, não deve permitir chegar a estes extremos…Vamos refletir sobre isso.

Quando ir embora é a única opção
Um relacionamento amoroso, como todo ser vivo, sofre contínuas mudanças. Agora, cada mudança tem a finalidade de fortalecer o vínculo e permitir nos conhecermos muito melhor sem que nenhum dos dois perca demais. O relacionamento precisa fluir.

O amor é, antes de mais nada, uma escolha que fazemos em liberdade. Contudo, muitas vezes o amor é uma das principais causas de sofrimento da humanidade. Antes de cair nesse estado de dor emocional é preciso saber dar um adeus a tempo, evitando assim alongar situações que na verdade são destrutivas.

Estes são os principais aspectos que deveríamos considerar para compreender que “ir embora já é a sua única opção”.

Avalie se o problema que o levou à situação atual tem solução.
Frente a um momento de crise é necessário que as duas partes se esforcem igualmente ou pelo menos que cada um tenha esta percepção do outro. Qualquer desequilíbrio faz com que apenas uma parte ofereça a sua energia, a sua esperança e os seus sacrifícios pessoais enquanto o outro se limita a receber sem oferecer nada em troca.

Procure projetar a sua situação atual a um futuro distante. Você acha que daqui a 10 anos você seria feliz se as coisas fossem como são agora?

Se frente a estas questões você considera que não há nada possível nem há solução, você deverá encontrar forças em si mesmo para dizer adeus, para ir embora e fechar esse círculo pessoal e afetivo carregado de sofrimento.

Ideias que nos impedem de encerrar um relacionamento amoroso
Em um relacionamento amoroso nos apegamos a certas crenças errôneas e emoções que, em caso de infelicidade, nos impedem muitas vezes de sermos objetivos e de vermos a realidade. Lembre-se sempre de que o cego não é o amor, e sim as falsas ilusões que nós mesmos construímos.

A arte costuma representar o amor com uma venda nos olhos e asas nas costas: a venda serve para não enxergarmos os obstáculos, mas felizmente nos dão duas asas para poder vencê-los.

As ideias que nos impedem de colocar um ponto final em um relacionamento são, na verdade, muitas vírgulas e algum ponto e vírgula que longe de salvar o relacionamento, alongam o sofrimento desnecessário que aumenta a vulnerabilidade da própria autoestima. Por isso, é importante considerar estes conceitos:

Evite o autoengano, as coisas nem sempre serão como você deseja. Pense nisso: talvez você tenha perdoado mais do que o necessário até esquecer onde estavam os seus limites, ou você já usou muitas vezes o “vamos tentar novamente”, sem ver nenhum resultado diferente.

A outra pessoa não vai mudar por você. Na verdade as pessoas não mudam; é muito provável que não fossem como você pensava a princípio, e isso é uma coisa que você precisa considerar. Ninguém muda a sua forma de ser da noite para o dia, por mais que o desejemos.

Sofrer por amor não é um gesto heroico ou romântico, é uma forma de autodestruição. Se fizeram você acreditar que ter um companheiro é ter que sofrer e estabelecer uma luta contínua, você foi enganado. Ser um casal é saber construir e amar sem que o sofrimento seja algo mais que circunstancial.

Não tenha medo da solidão. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Brigham Young de Utah (Estados Unidos), um dos principais temores da população é “estar sozinho”. Para muitos, é preferível estar mal acompanhados do que sozinhos.

Ame-se o suficiente para saber quando ir embora, sempre será preferível a própria solidão do que uma presença que veta a própria felicidade e o equilíbrio interior. Amar não é dar tudo em troca de nada, é se enxergar como merecedor de reconhecimento e respeito. Permitir ser amado e amar são uma arte, é a destreza de cultivar um carinho real.
Fonte:Psicologias do Brasil

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O INTERIOR DA ALMA – Victor Hugo

O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espetáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma.

Fazer o poema da consciência humana, mas que não fosse senão a respeito de um só homem, e ainda nos homens o mais ínfimo, seria fundir todas as epopéias numa epopéia superior e definitiva. A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das idéias vergonhosas: é o pandemônio dos sofismas, é o campo de batalha das paixões.

Penetrai, a certas horas, através da face lívida de um ser humano, e olhai por trás dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade. Há ali, sob a superfície límpida do silêncio exterior, combates de gigante como em Homero, brigas de dragões e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais visionárias como em Dante. Sombria coisa esse infinito que todo o homem em si abarca, e pelo qual ele regula desesperado as vontades do seu cérebro e as ações da sua vida!
 Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'
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MINHA COMPANHIA ME BASTA. NÃO É TRISTEZA, É INTROSPECÇÃO - Saulo Oliva


Por hoje não me importo que o tempo passe, que as horas avancem e que logo venha o anoitecer. Não tenho pressa de me ter como companhia, de me aconchegar no meu abraço e de sentir o meu calor. Faz tanto tempo que não me encontro, mas sei que é só me chamar que continuo bem-vindo. Até posso no início ficar um pouco tímido e embaraçado, mas não esquento porque sei que logo logo vou estar em casa.

Aí quando volto para o meu aconchego, fica tudo certo. Vem aquela calma que no meu silêncio só eu posso sentir. Tudo que está fora de mim vem cá pra dentro e o que está dentro vai para fora – aquela ideia que já estava ali parada faz tempo, aquela força que eu precisava para mais uma manhã de caminhada, inclusive o amor que fui adiando e escondendo lá no fundo, agora aparece e desabrocha.

Me dou conta que não preciso de muito, apenas de um momento comigo, calmo e sereno. Tudo que estava solto, começa a encontrar um novo lugar para se encaixar. E, de repente, me percebo inteiro, como de fato sou. Por hoje me basta estar inteiro com a minha companhia. Amanhã se eu me soltar, marco de novo um novo encontro.

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TODOS OS MINUTOS SÃO PRECIOSOS – Dalai Lama

Às vezes, quando me encontro com velhos amigos, lembro-me da rapidez com que o tempo passa. E isso me faz pensar se temos utilizado o nosso tempo de forma adequada ou não. A utilização adequada do tempo é tão importante. Enquanto tivermos este corpo e especialmente este cérebro humano incrível, eu acho que cada minuto é algo precioso. O nosso dia-a-dia é muito vivido à base de esperança, embora não exista a garantia do nosso futuro. Não há garantia de que amanhã a esta hora estejamos aqui. Mas estamos sempre na expectativa de que isso aconteça, puramente na base da esperança. 

Por isso, precisamos fazer o melhor uso possível do nosso tempo. Acredito que a utilização adequada do tempo é a seguinte: se você puder, esteja disponível para as outras pessoas, ou para outros seres sensíveis. Se não, pelo menos, abster-se de prejudicá-los. Eu acho que esta é toda a base da minha filosofia.

Concluindo, precisamos refletir no que é realmente de valor na vida, o que dá sentido às nossas vidas, e definir as nossas prioridades com base nisso. O propósito da nossa vida precisa ser positivo. Nós não nascemos com o propósito de causar problemas, prejudicando outros. 

Para que a nossa vida seja de valor, devemos desenvolver boas qualidades humanas básicas – a gentileza, a bondade, a compaixão. Então, a nossa vida torna-se significativa e mais pacífica, mais feliz.

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ESTAMOS EVOLUINDO? - Edmir Silveira

Tinha acabado de chegar de São Paulo e precisava ir do aeroporto Santos Dumont ao Leblon. O ônibus especial estava prestes a sair e a fila estava bem grande e atrás de mim cresceu mais ainda. Lógico que TODOS embarcaram o que resultou em muitos passageiros em pé. Sentei-me e logo passou por mim uma mulher grávida.  Óbvio que cedi o lugar.

O que me chamou a atenção é que não fui o único nem o primeiro a ter essa atitude naquele mesmo ônibus. Pessoas que estavam ou não em poltronas preferenciais ofereceram seus lugares aos de direito ou por pura delicadeza. Percebi ali que certas gentilezas estão sendo recuperadas no nosso dia a dia, mesmo em cidades grandes como o Rio.

Há alguns anos havia mais gentileza no trato entre as pessoas. Na década de 1970 era comum ceder-se o lugar na fila para os mais velhos, gestantes e mulheres em geral, simplesmente por gentileza. Não precisava de lei para que isso acontecesse. Era normal carregarmos as sacolas de compras da mãe de qualquer amigo até a casa dela, caso cruzássemos com alguma pelas ruas do Leblon.

Na década de 1980 a realidade se inverteu completamente. Era a cultura do "levar vantagem em tudo”, onde ninguém levou vantagem em nada e o Brasil todo perdeu muito. Ninguém cedia lugar para ninguém em lugar nenhum. As grávidas, às vezes, ainda davam sorte. E começava ali o declínio ético e moral que levaria nosso país a calamitosa situação atual.

A lei que obriga os bancos e locais de atendimento ao público a ter um local exclusivo para preferenciais teve que obrigar todos a serem bem educados e a agirem de uma forma que deveria ser espontânea. É triste nosso país ser um lugar onde tenha que existir uma lei para algo tão básico. 

Hoje, parece que a sociedade já incorporou essa atitude simples. A lei surtiu efeito educativo e se estendeu a outros setores da vida cotidiana. É claro que isso não aconteceria sem a internet e a força das mídias sociais.

Estamos redescobrindo o valor de coisas simples como a gentileza e a solidariedade. Estamos resgatando nossas raízes.
Ser o país que queremos vai requerer décadas de um trabalho silencioso e ininterrupto; o de cada cidadão consigo mesmo.

O brasileiro está praticando a autocrítica como nunca havia feito antes.
Já temos a consciência da culpa nossa de cada dia. Da corrupção moral que contaminou todos os níveis da convivência humana em nosso país.

Hoje, quem fura fila é vaiado. Quem antes comprava ingresso para o teatro com carteira de estudante falsa, hoje pensa muitas vezes antes. Essas malandragens agora são vistas como o que são em sua essência: desonestidade.
Voltou a ser feio fazer isso.

Parece que, apesar da descoberta desse oceano de lama que nos engole diariamente, estamos começando a nos reconstruir como sociedade. Estamos resgatando nossos valores éticos fundamentais.
Essa tendência está crescendo e se disseminando a cada dia.
No mundo virtual já está a pleno vapor e espero que invada cada vez mais o nosso mundo real. 
Afinal, sonho que se sonha junto vira realidade.
Pelo menos é o que dizem.

 
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SALMAN RUSHDIE - carta para Deus

 Caro Deus,

Se Você existe, e se é como O descrevem — onisciente, onipresente e, acima de tudo, onipotente —, com certeza não irá tremer em seu assento celestial ao ser confrontado por um simples livro [“Os Versos Satânicos”] e seu escrevinhador, não é? Os grandes filósofos muçulmanos com frequência discordam em relação à Sua relação precisa com os homens e os atos humanos.

Ibn Sina (Avicena) argumentava que Você, por estar muito acima do mundo, limitava-se a tomar conhecimento dele em termos muito gerais e abstratos. Ghazali discordava. Qualquer Deus “aceitável ao islã” conheceria em minúcias tudo o que acontecesse sobre a superfície da terra e teria uma opinião a respeito.

Bem, Ibn Rushd não aceitava isso, como Você há de saber se Ghazali estivesse certo (e não saberá se quem tivesse razão fosse Ibn Sina ou Ibn Rushd). Para Ibn Rushd, a opinião de Ghazali tornava Você muito parecido com os homens — com os homens com suas discussões tolas, suas dissensões mesquinhas, seus pontos de vista triviais. Imiscuir-se nos assuntos humanos estaria abaixo de Você, e O diminuiria. Por isso, é difícil saber o que pensar.

Se Você é o Deus de Ibn Sina e Ibn Rushd, nesse caso nem sabe o que está sendo dito e feito neste exato momento em seu nome. No entanto, se Você é o Deus de Ghazali, e lê os jornais, vê a TV e toma partido em disputas políticas e até literárias, não acredito que pudesse fazer objeções a “Os Versos Satânicos”, ou a qualquer outro livro, por mais ignóbil que fosse. Que espécie de Todo-Poderoso poderia se deixar abalar pela obra de um homem? Ao contrário, Deus, se porventura Ibn Sina, Ghazali e Ibn Rushd estivessem todos errados e Você não existisse, também, nesse caso, Você não teria problemas com escritores e com livros.

Chego à conclusão de que minhas dificuldades não são com você, Deus, mas com Seus servos e seguidores no mundo. Uma famosa romancista me disse, certa vez, que tinha parado de escrever ficção durante algum tempo porque não gostava de seus admiradores. Fico a me perguntar se Você compreende a posição dela. Obrigado por Sua atenção (a menos que não esteja prestando atenção: Veja acima).
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HELOISA SEIXAS - Somos um povo fútil?

Descuidamos de nossos museus, nosso patrimônio, nossos arquivos. Deixamos cair aos pedaços a Biblioteca Nacional. Mas adoramos automóveis. E televisores gigantes.

“No Brasil, tudo vira moda. Até manifestação de rua.”

Ouvi essa frase de um motorista de táxi durante os acontecimentos de junho, e achei um exagero. Rebati, dizendo que o povo nas ruas tinha um significado imenso e ia propiciar a mudança de várias leis. Ele me olhou pelo retrovisor e respondeu que era verdade, mas que via muitos jovens, a caminho das manifestações, agindo como se estivessem indo para um bloco de carnaval. 

“É a onda do momento”, insistiu. “Daqui a pouco passa.”

Em poucas semanas, as manifestações começaram a esvaziar. Os motivos eram muitos: a ação dos black blocks, as depredações, a violência da polícia, as denúncias de interesses escusos por parte de políticos, milicianos, traficantes. Mas não pude deixar de pensar nas palavras do motorista de táxi.

Tornei a pensar nelas há algumas semanas, ao voltar de uma viagem de quase um mês à Alemanha. Ao desembarcar no Brasil, fui tomada pela sensação de que somos mesmo um país de modismos. Um povo fútil. Sei que é um clichê essa história de ir à Europa e voltar falando de “um banho de civilização”. 

Sempre fui contra isso. Mas, desta vez — depois de visitar 11 museus, duas exposições, de ir a um concerto de música clássica e de visitar uma gigantesca feira de livros —, alguma coisa aconteceu comigo.

Acho que uma das razões dessa sensação foi a leitura, durante a viagem, do livro de Mario Vargas Llosa, “A civilização do espetáculo”. Embora em alguns pontos eu discorde do escritor, o livro me chamou a atenção para a destruição da cultura no mundo moderno, em favor do entretenimento. 

Esse conceito me deixou pensando no Brasil — nesse país que não lê livros, mas onde quase todo mundo tem celular. Onde se veem, nos bairros pobres, antenas parabólicas sobre casas miseráveis, onde há mais televisores do que geladeiras, e onde, em vez de bibliotecas, temos lan houses. País que parece ter passado, em massa, do analfabetismo funcional para o Facebook — sem escalas.

Outro fator que contribuiu para a minha sensação, ao voltar, foi essa lamentável discussão sobre as biografias. Muito me entristeceu ver biógrafos e historiadores serem tratados como se fossem caçadores de fofocas, quando o que está em jogo, com essa distorção no Código Civil, é a memória — e a História — de nosso país. Lamentei ver artistas que sempre lutaram pela liberdade defendendo posições indefensáveis. 

Não pude deixar de comparar o que estava acontecendo aqui com a atitude dos alemães em relação ao seu próprio passado (e que passado!). Eles não escondem nada. Não são um país sem memória. Tinham todos os motivos para ser, mas não são.

Nós somos. Descuidamos de nossos museus, nosso patrimônio, nossos arquivos. Deixamos cair aos pedaços a Biblioteca Nacional. Mas adoramos automóveis. E televisores gigantes, com telas de LED. Não podemos ficar um segundo sem falar ao celular, nem mesmo quando almoçamos (na Alemanha, os trens têm vagões em que é proibido ligar celulares e computadores, porque os bips incomodam). Quando viajamos — refiro-me à nossa classe média —, o que mais gostamos é de fazer compras. Já somos até conhecidos nas lojas de Nova York e Miami, onde os lojistas contratam vendedores que saibam falar português. 

E somos vaidosos. Queremos espetar botox no rosto e botar silicone nos seios. Já há meninas de 14, 15 anos, pedindo às mães que as deixem fazer isto. Nas ruas da Europa, não se vê essa quantidade de seios artificiais que temos por aqui. Estamos entre os campeões mundiais em número de cirurgias plásticas. 

Em cidades como Rio e São Paulo, há quase uma academia de ginástica em cada quarteirão. Precisamos malhar. E emagrecer. E não envelhecer nunca. E comprar tênis novos. Mas podemos passar um ano inteiro sem ler um único livro. Temos péssimos resultados em matéria de educação — em todos os sentidos.

Voltei da viagem com essa sensação de que somos mesmo fúteis, superficiais, e me lembrei do motorista do táxi.

Clique abaixo e leia também:








JOSÉ SARAMAGO - Intimidade


No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.


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ANTONIO CÍCERO - Guardar


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

A SOLIDÃO CRÔNICA - Dr. Dráuzio Varella

A solidão crônica interfere na qualidade do sono, 
causa fadiga e reduz a sensação de prazer

O ISOLAMENTO social aumenta o risco de morte tanto quanto o cigarro, e mais do que o sedentarismo ou a obesidade.

A relação entre vida solitária, doenças cardiovasculares, depressão e incidência de infecções foi demonstrada em mais de cem estudos epidemiológicos publicados a partir dos anos 1980. Esses estudos, no entanto, não explicam os mecanismos através dos quais o isolamento aumenta a mortalidade.

Nos últimos dez anos, os efeitos biológicos da solidão se tornaram mais conhecidos graças ao trabalho inovador de um grupo da Universidade de Chicago, dirigido por John Cacciopo.

Por meio de questionários para avaliar o grau de isolamento social dos participantes de testes psicológicos e de exames laboratoriais, o grupo de Chicago concluiu que embora episódios passageiros de solidão sejam inevitáveis e desprovidos de repercussões orgânicas relevantes, quando o isolamento persiste de forma crônica, suas consequências se tornam especialmente nocivas.

Algumas pessoas que vivem isoladas não se sentem solitárias, enquanto outras têm a sensação de estar sozinhas apesar da vida social intensa. A percepção subjetiva da solidão é mais importante para o bem-estar individual do que qualquer medida objetiva do número de interações sociais.

Numa escala criada para avaliar o grau de isolamento pessoal, aqueles com escore mais alto apresentam alterações bioquímicas sugestivas de que seus dias são conturbados. Neles, por exemplo, estão elevadas as concentrações urinárias de cortisol e epinefrina, moléculas associadas aos níveis de estresse.

Esse dado ajuda a explicar porque os solitários crônicos ficam estressados diante de situações que outros enfrentam com naturalidade, como falar em público ou conversar com desconhecidos.

Na evolução de nossa espécie, a ansiedade provocada pela solidão funcionou como sinal de alerta para que o indivíduo procurasse a proteção do grupo. Num mundo povoado por predadores, que chance de sobrevivência teria um animal fraco como nós perambulando sozinho?

Nesse sentido, o sofrimento que a solidão traz é faca de dois gumes: de um lado, colabora para a adaptação ao meio porque favorece o agrupamento; de outro, prejudica o organismo quando se torna crônico.

O grupo de Chicago investigou as repercussões imunológicas do isolamento prolongado. Nos solitários estão mais ativos os genes que promovem inflamação, enquanto aqueles envolvidos na resposta imune contra os vírus exibem atividade diminuída. Por essa razão, eles apresentam maior susceptibilidade às infecções virais (da gripe ao HIV) e à doença cardiovascular, enfermidade associada aos processos inflamatórios.

A solidão crônica interfere com a qualidade do sono, é causa de fadiga e reduz a sensação de prazer associada a atividades recreativas. Para agravar o isolamento, os já solitários tendem a reagir negativamente aos estímulos e a desenvolver impressões depreciativas a respeito das pessoas com as quais interagem.

A avaliação das funções cerebrais por meio de ressonância magnética funcional, mostra que a solidão crônica afeta o córtex pré-frontal, área localizada na parte da frente do cérebro, crucial para a tomada de decisões racionais, como as de planejar o melhor caminho para o trabalho ou a hora de ir ao banco.

O comprometimento do córtex pré-frontal ajuda a entender por que as pessoas que se sentem isoladas correm mais risco de comer mal, fumar, abusar do álcool, ganhar peso e levar vida sedentária.

Estudos com irmãos gêmeos revelam que a solidão crônica não depende exclusivamente das características do meio, mas apresenta aspectos hereditários. É como se existisse um "termostato genético" para a capacidade de lidar com a solidão, ajustado em níveis diferentes em cada um de nós.

Isso não quer dizer que nossos genes nos condenariam à vida solitária, mas que estão por trás da intensidade da dor sentida quando estamos sós.

Com o celular e a internet criamos possibilidades ilimitadas de interações sociais, num único dia podemos entrar em contato com um número de pessoas que nossos antepassados levariam anos para conhecer. 

Contraditoriamente, o contingente dos que se queixam da falta de alguém com quem compartilhar sentimentos íntimos aumenta em todos os países.
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