SE SENTINDO DEPRIMIDO? VOCÊ PODE MELHORAR COM UM TELEFONEMA

Embora o título desse artigo não seja nada surpreendente, a moral por trás da história é outra: pesquisadores descobriram que resolver os problemas ou fazer terapia por telefone é tão eficaz quanto cara a cara.

Um estudo da Universidade de Cambridge (Reino Unido) analisou os resultados de terapias cognitivas, que envolvem a conversa para ajudar os pacientes, em 5.500 pessoas.

Cerca de metade dos pacientes compareceu a reuniões com um conselheiro, enquanto a outra metade fez terapia por telefone.

A abordagem utilizada por todos os conselheiros no estudo (ao vivo ou via telefone) foi a terapia cognitivo-comportamental (TCC), em que os pacientes são treinados para ver as conversas e eventos diários em uma luz mais positiva.

Segundo os pesquisadores, os dois métodos foram igualmente eficazes, com exceção de um pequeno grupo de pessoas com problemas mais graves.

Isso sugere que, quando as pessoas estão se sentindo para baixo, se não puderem obter o apoio de amigos, familiares ou médicos ao vivo, falar sobre o problema pelo telefone com um confidente pode dar um impulso semelhante à terapia cara a cara.

Além disso, esse tipo de terapia pode ser mais barato. Em cálculos do Reino Unido, uma sessão telefônica custa 79 libras esterlinas (cerca de R$ 248), comparado a 119 libras esterlinas (cerca de R$ 390) de uma consulta cara a cara.

Também já existe terapia por celular ao custo de US$ 0,99 (cerca de R$ 2,00): são aplicativos com conceitos de terapia cognitivo-comportamental (TCC) em smartphones, que, como a internet e o telefone, podem ser um complemento para o processo terapêutico.

Não é a primeira vez que esse assunto é estudado. Em 2004, a Associação Médica dos Estados Unidos revelou em artigo que as conversas telefônicas, além de permitirem contato entre pessoas em diferentes localidades, podem facilitar a abordagem de assuntos que as pessoas não conversariam pessoalmente por constrangimento.

Psiquiatras do Centro de Estudos da Saúde e do Grupo Cooperativos para a Saúde em Seattle (EUA) até sugeriram que a psicoterapia telefônica deveria complementar o tratamento da depressão de forma padrão, pois melhora muito os resultados finais.

No estudo de Seattle, feito com 600 pacientes de depressão incluindo várias formas de tratamento, como medicação, consultas diretas e sessões telefônicas, a psicoterapia telefônica reduziu a depressão de maneira considerável: 80% dos pacientes achavam que estavam muito melhores depois das sessões, e 59% se disseram muito satisfeitos.

Especialistas argumentam que os sistemas de saúde deveriam incluir esse tipo de terapia nos seus serviços. Algumas ONGs, como a CVV, já prestam esse tipo de serviço de forma voluntária, atendendo ligações de pessoas que não estão se sentindo bem por qualquer motivo.

O que você acha? Os médicos deveriam começar a adotar terapia por telefone, ou o governo deveria disponibilizá-la?

O CÉREBRO HUMANO E O UNIVERSO CRESCEM DA MESMA MANEIRA

Um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) afirmou que a estrutura do universo é bastante semelhante à estrutura e design de outras grandes redes complexas, como o cérebro humano e a internet.

A pesquisa sugere que alguma lei fundamental ainda desconhecida pode governar o crescimento de sistemas complexos (de grande e pequeno porte), como a descarga elétrica entre as células cerebrais, o crescimento das redes sociais e a expansão das galáxias.

Isso não quer dizer que cérebros e universos sigam algum tipo de “plano mestre” idêntico, apenas que as regras subjacentes às estruturas complexas podem ser entendidas de uma forma similar.

Dinâmicas de crescimento naturais são as mesmas para diferentes redes reais, como a internet ou as redes cerebrais”, explica o coautor do estudo Dmitri Krioukov, um físico da Universidade da Califórnia em San Diego. “A equivalência descoberta entre o crescimento do universo e das redes complexas sugere fortemente que leis inesperadamente semelhantes governam a dinâmica destes sistemas complexos diferentes”.

O próximo passo da pesquisa é tentar descobrir essa “regra universal” ou “sistema de leis” que controlam o crescimento e desenvolvimento desses sistemas, e tentar prever ou controlar o comportamento de redes complexas.

Simulando redes complexas
Os pesquisadores criaram uma simulação de computador que quebrou o universo primordial nas menores unidades possíveis – quanta (plural de quantum) de espaço-tempo mais minúsculos do que as partículas subatômicas.

A simulação associou qualquer quantum causalmente relacionado. Por exemplo, nada viaja mais rápido que a luz, por isso, se uma pessoa acerta uma bola de beisebol na Terra, os efeitos em cascata desse evento nunca poderiam alcançar um alienígena em uma galáxia distante em um período de tempo razoável, ou seja, essas duas regiões do espaço-tempo não são causalmente relacionadas.

Não é possível simular o “infinito”, de modo que, a título de comparação, os pesquisadores consideraram o universo como algo “enorme” – pelo menos 10 elevado a 250 átomos de espaço e tempo (um 1 seguido de 250 zeros).

Isso foi reduzido a um tamanho mais gerenciável e colocado em um supercomputador chamado Trestles. Trestles usou os dados para realizar simulações detalhadas da rede causal do universo.

O resultado é um gráfico que se parece muito com as visualizações que representam outras redes complexas, como a internet, redes sociais e redes biológicas.

Todas as redes se ampliaram de forma semelhante:através de ligações equilibradas entre vias semelhantes com as que já tinham muitas conexões. Por exemplo, um amante de gatos navegando na internet pode visitar megassites como o Google ou o Yahoo, mas também procurar sites mais extravagantes só sobre gatos ou vídeos sobre gatos no YouTube. Da mesma forma, células cerebrais próximas (vizinhas) gostam de se conectar, mas os neurônios também se vinculam a “células cerebrais ‘Google’”, que são conectadas a muitas outras células cerebrais.

Quem teria imaginado que o surgimento do espaço-tempo quadridimensional do nosso universo no vácuo quântico teria a ver com o crescimento da internet? A causalidade está no coração de ambos, por isso, talvez a semelhança seja esperada”, afirma Michael Norman, diretor do Centro de Supercomputador da Universidade da Califórnia em San Diego.

Essa semelhança estrutural é muito forte para ser uma coincidência, então provavelmente não é. Por conta disso, os pesquisadores teorizam que existem regras universais que regem essas redes, mas com alguns fatores limitantes – como a gravidade – que mudam seu tamanho e eventuais resultados.
Por Natasha Romanzoti

NATAL, ANO NOVO E SENTIMENTOS - Solange Bittencourt Quintanilha

Todos nós buscamos varrer da consciência tudo o que nos parece desconfortável, mas as festas de final de ano teimam em atiçar nossas lembranças, reativar velhos sentimentos, desencadear intensas emoções...
As lembranças da infância se revigoram, tornando-nos mais sensíveis, com possibilidades de sentimentos de vulnerabilidade, emotividade e às vezes até desamparo.

Uns guardam lembranças negativas dos Natais e Réveillons passados, porque não eram comemorados com alegria, outros ficam muito ansiosos com medo que as pessoas não se lembrem dele e não o procurem.
Para outros, é motivo de muita festa.

Podemos e devemos valorizar esses dias, como dias especiais e comemorar da melhor maneira possível. Tentar deixar os medos, preocupações ou aborrecimentos de fora, e procurar fazer coisas que nos tragam alegrias. Buscar estar perto de pessoas que gostamos, que nos façam bem e curtir o amor e carinho que eles podem nos dar. A vida é um dom e merece ser bem vivida, mesmo com seus altos e baixos.
As emoções despertadas pelo Natal são bastante complexas e a melancolia é sempre muito presente para uns. Já outros têm a fantasia do Natal perfeito, onde só haja harmonia, e confraternizações. É uma época de festas em família, e é comum ficarmos mais sensíveis, emotivos, mais suscetíveis aos sentimentos e atitudes daqueles que amamos.

O fato do Natal e do Réveillon serem tão próximos traz uma grande dose de emoções. Vivemos então dias intensos e carregados de significações.
Um aspecto muito importante, é que no período dessas duas festas, as imagens das propagandas e dos programas de TV, são sempre de pessoas extremamente felizes, festejando essas datas.

Parece haver a nossa volta, uma cobrança, uma exigência interna e externa de que temos também de estar muito alegres e com espírito de comemorações. Assim, não há espaço para tristeza. A verdade, é que temos todo o direito de ficar triste e de chorar, pois nossos pensamentos, sentimentos e emoções devem ser livres.

Podemos também vivenciar o Natal como uma oportunidade de encontros e reencontros, tentar ser mais tolerante com as falhas dos outros, porque também temos as nossas, e procurar valorizar o que há de bom nos nossos familiares.
Aproveitar esse momento para a troca de afeto e carinho, sempre que for possível.

A passagem do ano contém emoções mais amplas ainda, porque costumamos fazer um balanço geral de todos os aspectos de nossas vidas. Surgem muitos questionamentos quanto ao que realizamos, e o que prometemos e deixamos de cumprir. Costumamos ficar frustrados e decepcionados com o que não cumprimos, e nos martirizamos com isso. Refletimos e avaliamos, muitas vezes sem sentir, os nossos relacionamentos de uma maneira geral,
É comum termos ansiedades e expectativas quanto ao novo ano que vai começar.
Perguntamo-nos: “Será que o próximo ano vai ser melhor?”
Será que vou conseguir realizar os meus sonhos?”

Mas, em vez de nos criticarmos por aquilo que não fizemos no ano que passou, vamos ser mais tolerantes com nós mesmos e aprender com nossos erros, sem culpa, e ficarmos abertos para realizar todas as oportunidades que surgirem.

O melhor que podemos fazer por nós é ter a consciência que todos nós passamos e passaremos por esse turbilhão de emoções nessas datas, e que podemos aprender e utilizar as várias formas de lidar bem com elas.

Vamos procurar reconciliar os nossos sonhos com nossas realidades, não criar grandes expectativas e nunca estabelecer metas inatingíveis.
O importante é nunca desistirmos de nós mesmos, aceitar nossas limitações, valorizar as nossas qualidades e não perder a esperança jamais.

NÃO PARECIA EU - Martha Medeiros

Já deve ter acontecido com você. Diante de uma situação inusitada, você reage de uma forma que nunca imaginou, e ao fim do conflito se pega pensando: que estranho, não parecia eu. Você, tão cordata, esbravejou. Você, tão explosivo, contemporizou. Você, tão seja-lá-o-que-for, adotou uma nova postura. Percebeu-se de outro modo. Virou momentaneamente outra pessoa.

No filme Neblinas e Sombras (não queria dizer que é do Woody Allen pra não parecer uma obcecada, mas é, e sou) o personagem de Mia Farrow refugia-se num bordel e aceita prestar um serviço sexual em troca de dinheiro, ela que nunca imaginou passar por uma situação dessas.

No dia seguinte, admite a um amigo que, para sua surpresa, teve uma noite maravilhosa, apesar de se sentir muito diferente de si mesma. O amigo a questiona: “Será que você não foi você mesma pela primeira vez?”

São nauseantes, porém decisivas e libertadoras essas perguntas que nos fazem os psicoterapeutas e também nossos melhores amigos, não nos permitindo rota de fuga. E aí? Quem é você de verdade?

Viver é um processo. Nosso “personagem” nunca está terminado, ele vai sendo construído conforme as vivências e também conforme nossas preferências – selecionamos uma série de qualidades que consideramos correto possuir e que funcionam como um cartão de visitas.

Eu defendo o verde, eu protejo os animais, eu luto pelos pobres, eu só me relaciono por amor, eu respeito meus pais, eu não conto mentiras, eu acredito em positivismo, eu acho graça da vida. Nossa, mas você é sensacional, hein!

Temos muitas opiniões, repetimos muitas palavras de ordem, mas saber quem somos realmente é do departamento das coisas vividas. A maioria de nós optou pela boa conduta, e divulga isso em conversas, discursos, blogs e demais recursos de autopromoção, mas o que somos, de fato, revela-se nas atitudes, principalmente nas inesperadas. Como você reage vendo alguém sendo assaltado, foge ou ajuda? Como você se comporta diante da declaração de amor de uma pessoa do mesmo sexo, respeita ou debocha?

O que você faria se soubesse que sua avó tem uma doença terminal, contaria a verdade ou a deixaria viver o resto dos dias sem essa perturbação? Qual sua reação diante da mão estendida de uma pessoa que você muito despreza, aperta por educação ou faz que não viu? Não são coisas que aconteçam diariamente, e pela falta de prática, talvez você tenha uma ideia vaga de como se comportaria, mas saber mesmo, só na hora. E pode ser que se surpreenda: “não parecia eu”.

Mas é você. É sempre 100% você. Um você que não constava da cartilha que você decorou. Um você que não estava previsto no seu manual de boas maneiras. Um você que não havia dado as caras antes. Um você que talvez lhe assombre por ser você mesmo pela primeira vez.

CLARICE LISPECTOR - Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

A INTERNET SE TORNARÁ UM ORGANISMO CONSCIENTE?

Cientista traça paralelo entre grande rede e o cérebro humano 
e antevê evolução imprevisível deste ‘organismo vivo’

"Existe um paralelo entre o cérebro humano e a internet, cujas interconexões velozes corresponderiam aos nervos".
Afirma o neurocientista e empreendedor Jeff Stibel que foi convidado pela “BBC” para falar sobre essa sua abordagem futurista com relação à internet. Segundo Stibel, que é presidente-executivo da Dun & Bradstreet Credibility Corp., a grande rede seria uma nova forma de vida em estágio ainda embrionário, mas que já demonstra os primeiros sinais de inteligência.

A fiação física da internet, com todas as conexões da rede, já funciona como um cérebro rudimentar, e algumas ações e interações que se dão na rede são similares aos processos que acontecem no cérebro humano”, diz Stibel. “Ao mesmo tempo, a internet está forçando nós humanos a interagir e a pensar de maneiras novas e diferentes”.

No entanto, segundo ele, isto é apenas o começo. “A internet só vai se tornar mais e mais inteligente, mudando a humanidade e a sociedade de maneiras que talvez ainda não sejamos capazes de compreender”.

Em seu paralelo “internet-cérebro”, Stibel explica que no lugar de neurônios temos computadores e conexões de banda larga no lugar de axônios e dendritos (nervos).

No momento, com a internet, estamos criando um cérebro global. E já podemos ver isto acontecendo agora com o que as pessoas estão chamando de ‘consciente coletivo’, em locais como, por exemplo, a Wikipédia, em que um grande coletivo de voluntários vem depositando informações de forma organizada na rede, de tal modo que, quando consultado, este acervo nos devolve respostas”.

Após terminar seu doutorado na Brown University, Stibel se dedicou ao paralelo entre a grande rede e o cérebro, e dedicou-se a abrir empresas de internet uma após a outra, todas explorando as correspondências entre o âmbito cerebral e o da interconectividade computacional global.

O objetivo de minhas empresas é alimentar a internet com pessoas e com tecnologias de tal modo que comecemos a criar na grande rede uma inteligência real, e não mais o que vinha sendo chamado de inteligência artificial”, esclarece Stibel. “O cérebro humano está aos poucos se combinando, se mesclando com computadores”.

O estudioso conta uma história hipotética em que imagina um ser extraterrestre que chega à Terra assegurando que não tem intenções beligerantes nem destrutivas. Este ser forneceria aos seres humanos uma capacidade quase ilimitada de processamento de informações e armazenamento de dados também virtualmente ilimitado, bem como um poder global de interligar em altíssima velocidade diferentes pontos do planeta.

Esse extraterrestre só pediria em troca que abríssemos mão de nossa privacidade, que fornecêssemos todas as informações em nosso poder de modo a alimentar esse gigantesco sistema e, para que a coisa toda funcione, que nos permitíssemos manter-nos intimamente interconectados ao sistema e uns com os outros”, imagina ele.

Uma proposta assim vinda de um ser de outro planeta certamente nos pareceria assustadora e provavelmente a recusaríamos de imediato”, diz ele. Mas, segundo Stibel, o que as pessoas em geral não percebem é que isso já existe. E, pior, não é uma proposta feita por extraterrestres. Nós mesmos criamos algo assim. É a internet, essa mesma que muitos de nós usamos quase diariamente e da qual cada vez dependemos mais.

De acordo com o cientista, estamos muitos de nós interagindo de forma pensante com este organismo mundial interligado.

Algo único está acontecendo, alguma coisa maior do que pensávamos que aconteceria quando foi inventada a World Wide Web. Talvez não estejamos conseguindo agora entender direito o que está se passando, ou como isso tudo está evoluindo. Mas certamente estamos criando algo que se assemelha muito com inteligência. Uma inteligência global que, talvez um dia, possa ela mesma pautar sua própria evolução”.

O vídeo em inglês da apresentação de Jeff Stibel, infelizmente sem legendas, pode ser visto clicando aqui.
Carlos Alberto Teixeira

TIMIDEZ: UM FANTASMA DIFÍCIL DE CONVIVER - Solange Bittencourt Quintanilha


A timidez é caracterizada por um complexo de inferioridade, falta de confiança em si próprio, sentimento de vulnerabilidade...  
Uma pessoa tímida tem dificuldade na busca de novos empregos, ao iniciar novas amizades e namoros, quando precisa pedir informações a estranhos, quando tem necessidade de reclamar seus direitos , falar com chefes ou qualquer autoridade, em qualquer situação desconhecida. Assim, a timidez surge nas mais variadas e diferentes situações da vida social.
As maiores causas da timidez são o medo de não ser aceito, não ser gostado, não ser apreciado e acabar sendo rejeitado. Ao mesmo tempo sente uma necessidade vital de agradar a todos, de receber amor e carinho.
O tímido tem muitos medos, tais como, falar em público, expor sua idéias ou a si mesmo, conversar com estranhos, ser o centro das atenções, pois teme ser avaliado, julgado e não aceito. Discrição é a palavra favorita dos tímidos. Essas inibições , portanto trazem limitações em todas as esferas da sua vida
Nas situações sociais, falam pouco, não aproveitam de muitos eventos , mesmo que agradáveis, apresentam dificuldades de interação, principalmente se for com uma pessoa de quem eles se sentem atraídos (costumam se achar desajeitados e incompetentes ). Vivem muito em casa, num certo isolamento, para evitar situações que lhe provoquem sofrimento, e deixam de treinar suas escassas habilidades por medo, permanecendo num círculo vicioso.
Nas atividades profissionais são muitas vezes prejudicados no trabalho, porque têm dificuldade de pedir aumento, de manter uma boa postura profissional, inseguros nas entrevistas não só com chefes, mas com clientes também.
Costumam viver com muito conflito, porque são extremamente exigentes com eles mesmos. Carregam dentro deles uma voz implacável, que está sempre julgando, criticando, impedindo a interação pela falta de confiança tão grande que costuma sentir.
Importante chamar atenção para um fato, que é o tímido, por estar sempre tenso nas situações sociais, passar para as outras pessoas uma imagem de “poucos amigos“, de ser alguém de difícil acesso ou até mesmo uma imagem de ser uma pessoa arrogante. É uma situação muito triste, pois é totalmente irreal e até injusta.
Importante averiguar o clima em que ela cresceu. Se ela se sentia rejeitada e mal-amada, carregando com ela o sentimento de desvalorização, de baixa autoestima e de insegurança. Tentar se aprofundar nas suas dificuldades diante de uma possibilidade de fracasso e na incapacidade de suportar a avaliação do outro, por acreditar que só poderia ser péssima. Conhecer também quais as experiências ruins do passado que colaboraram para esse sentimento e comportamento.

A timidez pode ter diversos sintomas. Os mais comuns são:
- elevada ansiedade
- taquicardias
- suor frio
-aperto no peito / dor no estômago
- se ruborizar, abaixar os olhos para não encarar o outro...

O sofrimento é muito grande, e por isso é bastante importante uma terapia, para que a pessoa possa entender seus medos, suas desvalias, suas dificuldades, suas inseguranças pessoais, adquirir mais confiança para obter uma transformação gradativa de di própria, na busca de uma tranquilidade e fortalecimento da sua autoestima. No momento em que ela adquirir esses recursos para uma mudança, ela viverá com mais alegria, por enxergar sua beleza interior.
Com toda a certeza, é possível superar a timidez e ter uma vida normal. 

FERNANDA TORRES - Mundo animal

No morro atrás de onde eu moro vivem alguns urubus. Eles decolam juntos, cerca de dez, e aproveitam as correntes ascendentes para alcançar as nuvens sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas. Depois, planam de volta, dando rasantes na varanda de casa. O grupo dorme na copa das árvores e lembra o dos carcarás do Mogli. Às vezes, eles costumam pegar sol no terraço. Sempre que dou de cara com um, trato-o com respeito. O urubu é um pássaro grande, feio e mal-encarado, mas é da paz. Ele não ataca e só vai embora se alguém o afugenta com gritos.

Recentemente, notei que um bem-te-vi aparecia todos os dias de manhã para roubar a palha da palmeira do jardim. De vez em quando, trazia a senhora para ajudar no ninho. Comecei a colocar pão na mesa de fora, e eles se habituaram a tomar o café conosco. Agora, quando não encontram o repasto, cantam, reclamando do atraso. Um outro casal descobriu o banquete, não sei a que gênero esses dois pertencem. A cor é um verde-escuro brilhante, o tamanho é menor do que o do bem-te-vi e o Pavarotti da dupla é o macho. Sempre me impressiono com o volume dos trinados vindos de um bichinho tão pequeno.

A ideia de prender um passarinho na gaiola, por mais que ele se acostume com o dono, é muito triste. Comprei um periquito, uma vez, criado em cárcere privado, e o soltei na sala. Achei que ele ia gostar de ter espaço. Saí para trabalhar e, quando voltei, o pobre estava morto atrás da poltrona. Ele tentou sair e morreu dando cabeçadas no vidro. Carrego a culpa até hoje. De boas intenções o inferno está cheio.

Vi a notícia de uma pesquisadora do Pantanal que espalhou abrigos de madeira pela região para ajudar na reprodução das araras-azuis. Uma ideia simples que fez diferença e ainda contribuiu para que outros irmãos penados, como corujas e águias, tivessem um teto. Estou pensando seriamente em fazer o mesmo aqui.

Quase infartei de espanto no dia que vi a capivara da Lagoa. Eu não esperava que fosse tão grande. Era um sábado ensolarado, ela estava dormindo na beira d’água, debaixo do manguezal. Os pelos eram como agulhas pontudas e juntou gente para tirar foto. Soberana, a bicha nem se importou com a fama, levantou a cabeça, olhou em volta e retomou o cochilo.

Estive no Zimbábue em 1996. A vida selvagem da África é tão imperiosa que o hotel recebia a visita habitual de elefantes, javalis e babuínos. Não estou falando de uma reserva afastada, era na zona urbana que circunda Victoria Falls. Havia placas espalhadas por todo o lodge alertando os visitantes de que não era seguro brincar com os animais.

Os javalis enfezados encaravam a gente no caminho do lobby e os macacos invadiam os quartos. Nós, homens, éramos menos donos dali do que eles, uma inversão rara de sentir no mundo civilizado, um receio ancestral de ser mais frágil, mais lento e menos preparado para sobreviver à seleção natural das espécies.

Na Índia, os animais também dominam as ruas, andam em gangues e te miram com curiosidade. É uma experiência estranha a de pedir licença aos macacos para entrar em um templo ou se sentar para jantar.

O Rio de Janeiro existe entre lá e cá, entre o asfalto e a Mata Atlântica, mas a fauna daqui é mais delicada do que a africana e a indiana. Quem tem janela perto do verde conhece bem o que é conviver com os micos. Nos meus tempos de São Conrado, eu costumava acordar com um monte deles esperando a boia. Foi a primeira vez que experimentei cativar espécies não domesticadas.

Lanço aqui a campanha: crie vínculos com um curió, uma paca ou um formigueiro que seja. Eles são fiéis e independentes, não exibem sinais de carência e conectam você com a mãe natureza.

Experimente, ponha um pãozinho no parapeito e veja se alguém aparece.

FERNANDO BRANT - O egoista e o solidário

Dizer que se ama a humanidade é fácil. 
Difícil é respeitar os outros no dia a dia.

Gente existe que pensa que tem o rei no umbigo. Anda pela vida como se fosse o maioral, um deus a quem todos devem reverência. Pisa em quem estiver à frente, o que importa é que seus desejos sejam satisfeitos.

Houve um tempo em que pensei que isso fosse exclusividade do capitalismo, que exacerba o individualismo e a competição desenfreada. Aprendi que não importa o nome do regime e que por baixo de discursos de desprendimento e compreensão coletiva se escondem farsas, mentiras e violência.

É fácil amar a humanidade, essa abstração presente nas palavras dos sinceros e dos demagogos. Difícil é, no dia a dia, no cara a cara com as pessoas, respeitar de fato as pessoas com quem convivemos nos lugares em que realmente habitamos: a casa, a rua, nossa cidade. Fala-se muito que padecemos de uma herança colonial que acostumou os que eram, e ainda se sentem, senhores a mandar e desmandar de acordo com sua conveniência. E que nem a independência e a proclamação da República apagaram essa mácula que nos acompanha até hoje.

A igualdade de todos perante o coletivo se apaga, o sociólogo Roberto da Matta nos lembra sempre, diante da frase abominável que ainda se ouve, infelizmente, em nosso país: “você sabe com quem está falando?” Quem diz isso é um idiota, que não compreende sua insignificância diante dos semelhantes e, muito mais, diante da vastidão do planeta que é um grão de areia em relação ao que conhecemos do universo.

Sabemos de inúmeros exemplos de pessoas que se dedicam à solidariedade, à ajuda desinteressada aos outros. Eles são essenciais, embora pareça uma ilusão a idéia de que algum dia, pela tecnologia e pelo esforço de todos, se chegue a uma desigualdade menor, uma igualdade possível. Mas vamos, cada um, fazendo a sua parte. Nas relações do dia a dia em casa, no trânsito, no trabalho, na escola.

E é necessário que se lembre que a generosidade que existe no mundo vem muito mais de pessoas comuns, aquelas que vivem e sofrem o mesmo que seus vizinhos. Não de quem quer se promover, sair nos jornais e postular posições na política ou na sociedade.

Os egoístas são falastrões e pretendem ser os eternos mandões, mesmo que seu mandato tenha se encerrado e, mais importante, que ele seja apenas mais um na multidão. A democracia é o poder de todos, e ninguém manda em ninguém. Os solidários entendem isso, mas preferem se calar por recato.

A Cultura, tão desprezada por nossos governos, nos traz sensibilidade, aguça a inteligência, abre caminhos para que compreendamos melhor o barro de que somos feitos. A razão e a falta dela estão com o Oriente e o Ocidente. Os bons não estão só de um lado, nem os maus. O ser humano é complexo, mas vale a pena.

VIVIANE MOSÉ - Sobre as mulheres

O ser humano nasce pronto, mas incompleto.

 Essa incompletude se resolve na vida e nas relações sociais. Ser mulher, assim como ser homem, mais do que um fator biológico, é um fenômeno social. Não somente os papéis sociais, mas a própria subjetividade se compõe a partir de modelos que se fazem e desfazem de acordo com a época, a cultura, a idade, a necessidade.

O mal que a sociedade fez, a nós mulheres, assim como fez aos homens, foi a imposição de um único papel social, de um único modelo. Ao contrário dos gregos que, mesmo sendo bastante opressora com as mulheres, as representavam em papéis muito distintos, como a guerreira, a mãe, a esposa ciumenta, a mística, a sedutora, etc, nos foi dado um lugar restrito, confinado, sem opção, o lugar de santa, dona de casa, esposa casta, mãe. Mas e o lugar dos homens era um bom lugar?

O homem, mesmo ocupando o papel de opressor, também sofria a restrição de um papel social excessivamente rígido: homens não choram, são provedores da família, têm que ser viris, etc. E a luta das mulheres, ao contrário de ser contra os papéis sociais opressores, se tornou, em uma determinada perspectiva, contra os homens.

Ainda permanece nas lutas que travamos um ranço, uma reatividade, uma vingança, não somente contra os homens, mas contra a maternidade, os trabalhos domésticos, o cuidados com os filhos, a fragilidade, a sensibilidade, ou tudo que nos lembre aquilo que um dia fomos. E terminamos nos tornando um ser híbrido, que nasceu não de uma ação, mas de uma reação, um ser que nega a si mesmo, nega seu corpo, seus hormônios, suas lágrimas pré menstruais, e busca cada vez mais conquistar espaços sociais, honras, que nunca fizeram felizes aos homens e hoje oprime e apaga mulheres cada vez mais sozinhas e poderosas. Que percebem, tarde demais, devido ao limite de nosso relógio biológico, que não era nada daquilo que queriam.

Quem somos mulheres de hoje? Mulheres cada vez mais independentes, mas talvez excessivamente independentes, ou oprimidas pela independência. Por isso mulheres maravilhosas, incríveis, criativas, fantásticas, belas, mas sozinhas, aprisionadas por um plano, um projeto de vida construído em reação a opressão a que fomos submetidas. A hora agora nos exige um novo passo: não se trata mais de tomar um lugar, mas de criá-lo: qual o lugar de nossa diferença, qual o lugar que nos faz florescer? Precisamos construir um espaço que nos caiba e este espaço deve ser necessariamente complexo, como nosso corpo, nossa potencialidade. A mulher expande pra dentro, mas também explode pra fora em forma de broto, filho criação, invenção.

ANA PAULA PADRÃO - O Valor das Diferenças

A lei que obrigaria empregadores a pagar salários iguais 
para homens e mulheres na mesma função é louvável. 
Pena que seja inócua.

Acho curioso o argumento pelo qual a mulher ganha menos que o homem na mesma função porque trabalha menos ao longo da vida. Afinal, ela procria. Passa meses em casa cuidando da cria. A tese é, em geral, defendida por homens.

E a lógica masculina costuma ser uma via de mão única. Ora, partindo desse raciocínio, bastaria que a mulher cedesse os direitos sobre seu útero ao empregador! Aposto que algum executivo já pensou nisso – e achou uma boa ideia –, apenas não teve coragem de implementá-la. Sabe como é, dizem eles, essas feministas fazem um barulho danado…

Sei que temos, nós mulheres, alguma responsabilidade sobre esse estado de coisas. Defendemos ardorosamente a igualdade de gêneros por tempo demais. Graças ao bom-senso, essa época ficou para trás e até Camille Paglia já mudou de opinião. Somos, homens e mulheres, muito diferentes. E as corporações foram feitas por eles, para que eles trabalhassem nelas. Empresas são masculinas. A gestão empresarial é masculina.

Talvez por isso seja mais fácil para os CEOs pensar em controlar os úteros infiltrados ali do que mudar métodos gerenciais. Ou simplesmente não fazer nada e elas que se conformem com salários mais baixos.

Outra iniciativa, até louvável, é a lei aprovada no Senado brasileiro que obrigaria empregadores a pagar salários iguais para homens e mulheres na mesma função. Pena que seja inócua. Em 1963, John Kennedy assinou o Equal Pay Act, proibindo as diferenças salariais entre gêneros nos Estados Unidos. Hoje, quase 50 anos depois, as mulheres americanas ganham em média 81 centavos para cada dólar recebido por um homem na mesma função. Além de injusto é ilegal. E ilegalidades costumam dar cadeia nas democracias desenvolvidas. Mas não tenho notícia de um dono de empresa que tenha ido parar atrás das grades por pagar menos às mulheres.

Do ponto de vista feminino a coisa toda é muito mais simples. Ganhamos menos que os homens por vários motivos, todos associados à cultura empresarial. Não tomamos uísque no happy hour da firma.

Não estamos no futebol das quartas-feiras à noite. Não participamos dos torneios de golfe dos fins de semana. Portanto, não fazemos networking, que é o saudável papinho que resolve tantos problemas além das reuniões. Não temos, na empresa, a ajuda de uma diretora para acompanhamento de carreira. Não temos exemplo. Não fazemos autopromoção. Em geral achamos a prática cabotina. E temos sim uma infinidade de funções paralelas ao nosso trabalho na empresa. Inclusive a função de mãe.

Não nos comportamos como homens porque não somos homens. E não devemos ser, pelo bem da diversidade criativa. Empresas que por suas práticas gerenciais empurram mulheres ambiciosas à masculinização só colaboram para que nos tornemos umas chatas. Para alcançar postos de direção e bons salários somos condenadas a viver eternamente cansadas, representando um papel que não nos cabe e alimentando uma frustração permanente com nosso reflexo no espelho. Ou, se desistimos da carreira e vamos para casa cuidar da família, viramos umas párias sociais, as fracassadas, as mulherzinhas. Empresas, não briguem com nossos úteros. O melhor de nós está
na feminilidade. O melhor do mundo está nas diferenças. Tenham coragem de mudar. Para que as mulheres que trabalham aí não precisem fazer isso. 


CAMINHOS DA LIBERDADE - Autoria desconhecida

Quando cortas uma flor para ti, começas a perdê-la...
Porque murchará em tuas mãos e não se fará semente para outras primaveras.

Quando aprisionas um passarinho para ti, começas a perdê-lo...
Porque não mais cantará no bosque para ti 
e nem criará outros passarinhos para continuarem seu canto.

Quando não arriscas tua liberdade para tê-la, começas a perdê-la...
Porque a liberdade que tens só se comprova quando te atiras optando e decidindo por vontade própria.

Quando não deixas partir o teu filho para a vida, começa a perdê-lo...
Porque nunca o verás voltar para ti livre.
Lembre-se: Não existe preço para a Liberdade, 
mas uma belíssima recompensa para quem a utiliza com o desprendimento da alma.

Ter para sempre, junto a si a Fidelidade daqueles que, livres dos grilhões, 
se comprazem em serem seus eternos amigos!

Quem Ama ... Liberta com a certeza da volta espontânea ao aconchego!
Aprende no caminho da vida a paradoxal lição da experiência:

Sempre ganhas o que libertas e perdes o que reténs.

VÍDEO PALESTRA - QUEM CUIDA DE QUEM ? - PETER BURKE (Legendado)

Quem cuida de quem?
O café filosófico cpfl traz o historiador Peter Burke falando sobre a preocupação com o outro. Cada vez mais ouvimos, especialmente em filmes de Woody Allen, “I care about you” (eu me preocupo com você), quando o sentido mais próprio seria “gosto de você” ou mesmo “eu te amo”. Quando e por que o gostar do outro incorporou essa ideia de cuidado, de preocupação com o que o outro faça ou sofra?
Peter Burke é historiador.

VÍDEO - UMA HISTÓRIA REAL E COMOVENTE DE AMIZADE VERDADEIRA

O Exemplo de amizade que comoveu o mundo.

Nachu tinha câncer terminal, e morreu em junho de 2012 (calma, não é uma história triste). E o autor preferido de Nachu chama-se Harry Turtledove, famoso por suas séries de livros de história modificada.

Perguntado sobre o que gostaria de fazer antes de morrer, uma das respostas de Nachu foi “terminar de ler a série The War That Came Early (“A Guerra que Chegou Mais Cedo”)”, de Turtledove, uma visão alterada da Segunda Guerra Mundial. 

O problema é que os dois últimos livros da série ainda estavam na primeira versão do autor, direto do manuscrito, e só seriam todas lançadas em um ano, no mínimo.


Um amigo de Nachu resolveu agir e fez uma pergunta no site Reedit, sobre como seria possível conseguir as cópias antes, para que o amigo pudesse lê-las. O pedido continha uma carta com o apelo ao autor. Tudo em inglês.

Com a permissão de Harry Turtledove, a editora do autor, Del Rey Books, enviou uma cópia de avaliação da próxima história da série, a ser lançada em julho de 2013 e apenas dois dias o "presente" chegou e o amigo pode entregar a surpresa tão emocionante.

Amigo, autor, editora, turma do Reedit e todos os envolvidos deram uma grande lição de vida. Fizeram toda a diferença. O mundo sem dúvida ficou melhor. Até para Nachu que demorou a acreditar no que via...Uma cena linda!

Abaixo, o resultado da campanha, na forma de um presente de aniversário. O vídeo está em inglês, mas certas coisas não precisam de palavras.

O MEDO DA MUDANÇA – Edmir Silveira

O medo está nos rondando o tempo todo,
nos fazendo engolir sapos maiores que a boca.

Sem nos darmos conta lá está ele tentando encaixar as nossas atitudes, e pior, a dos outros também, em modelos que nem sabemos direito se servem aos nossos anseios. Tudo para termos a sensação de segurança. Quanto mais previsível, quanto menos mudanças na rotina, mas seguro o ser humano se imagina. A estranhamente chamada zona de conforto, que de conforto não tem nada. O nome certo é zona de tédio.

Essa erradamente chamada zona de conforto é uma ilusão maléfica causada pelo medo que a simples idéia da mudança provoca. Mas as mudanças ocorrem o tempo todo, percebamos ou não. Não dependem da nossa vontade.

O medo da mudança é uma força tão poderosa no ser humano e vive tão escondido nas pequenas coisas, que é, na maioria das vezes, o grande responsável pelos maiores sofrimentos de nossas vidas.

Ouvi de um amigo psicanalista algo que me ficou na cabeça e que os anos só reforçam a verdade que ela traduz:
- "O ser humano se sente seguro vivendo uma rotina previsível mesmo que isso signifique viver em péssimas situações, aparentemente insustentáveis se vistas de fora, mas que ele já conhece e está acostumado. É péssimo, mas é um péssimo que ele conhece. Essa força é tão poderosa que a simples idéia de romper com a situação e partir para algo novo causa pânico. Resumindo, o ser humano prefere ficar no sofrimento conhecido a arriscar qualquer outra coisa que ele não conheça. O que diferencia cada indivíduo é o nível de coragem para enfrentar esse medo”.

Não raras vezes, nos deparamos com essa realidade em vários aspectos da vida. Nas relações familiares, profissionais, amorosas, fraternas e quantos mais aspectos houver.

Admiro muito as pessoas que conseguem se desvencilhar rápido de situações incomodas da vida.

É claro que tudo tem sua particularidade e nada pode ser posto numa mesma sacola. Mas, existe uma linha, que pode não ser nem um pouco tênue, de onde, a partir dali qualquer um tem certeza do dano que aquela situação está trazendo a um ou a quantos mais estiverem envolvidos.

Seja em que âmbito for chega um momento em que o desgaste é tão forte e nítido que a mudança é absolutamente inevitável e urgente. E isso sempre gera insegurança, que é outro nome para o medo.

No amor isso é muito nítido. Do início da descida até se esborrachar no fim, a gente vem se ralando todo, ladeira abaixo. E, não raras vezes, essa ladeira dura anos. Imagine quanta ralação, quantos machucados daqueles bem ardidos poderiam ser evitados.

É bem doloroso. Quando mais tempo dura a ladeira com mais machucados a gente chega no final. O que esquecemos é que podemos, a qualquer momento, interromper essa descida e evitar mais machucados.

Saber interromper antes que os machucados se aprofundem demais é o que decide os próximos relacionamentos e conseqüentemente nossa possibilidade de ser feliz. Ou seja, essa decisão é das mais sérias com as quais nos deparamos na vida: a hora de parar. A hora de dar um fim a uma situação infeliz e não olhar mais para trás.

Saber a hora de parar de sofrer é fundamental para não perder a crença em si mesmo. É necessário acreditar que podemos produzir nossa própria felicidade.

Porque, quantos mais machucados estivermos mais tempo eles demorarão a cicatrizar. E a vida não espera. O tempo passa.

É importante sermos sinceros ao respondermos nossas próprias perguntas. Precisamos saber pelo menos o que pensamos de verdade sobre nossos próprios assuntos. Precisamos estipular nossos limites.

A Tolerância é necessária, sem ela não se vive não se aprende e nem se evolui. Mas, a partir de um tênue limite, passa a ser submissão, conformismo e covardia.

Mudar dá medo. Principalmente quando a decisão da mudança envolve coisas básicas como mudar de casa, ficar sozinho, trocar um emprego mais ou menos, mas que paga as contas, por um projeto que se der certo vai te dar a vida que você deseja (isso não está ligado a dinheiro necessariamente!). Mas, que também pode dar errado.

E daí? Tudo pode dar errado, principalmente o que está dando certo.
Já que o que está dando errado, se mudar, só pode mudar para dar certo.

Se der errado é porque não mudou. Então, vai ter que mudar de novo. Até dar certo.

E, pode ter certeza, uma das coisas que mais ajudam a persistir até que dê certo, é o bom humor. Sem ele a vida não tem graça.
Ou seja, veja-se por que ângulo for, é preciso mudar sempre.

Até para que o que já está dando certo continue dando.

LYA LUFT - Drogas: o labirinto

 


"O vício se desenvolve e se torna poderoso nas águas turvas 
do desejo de morte, da falta de equipamento para enfrentar 
a vida, da fuga da realidade para uma solução mais fácil."

O drama da adição e sua rara salvação é um desses temas que rodeia na ponta dos pés, num misto de medo, compaixão e respeito. Escrevi em meu livro mais recente (A Riqueza do Mundo) um capítulo inteiro sobre o labirinto da adição: não com conselhos ou receitas, mas mais uma vez partilhando angústias. A humanidade sempre gostou ou precisou fugir do real, que pode ser duro, às vezes duro demais. Freud comentou certa vez que a dor do mundo se torna quase insuportável para alguns, que precisariam do conforto de um remédio, droga, qualquer coisa, para sobreviver. Drogas têm sido o assunto nosso de cada dia, não o pão, mas o veneno da alma. O tema nos atinge com uma tremenda sensação de impotência, pois avassala o mundo mata a juventude, enriquece os traficantes, e deixa perplexos médicos, psiquiatras e policiais. Uma vez dentro desse labirinto que nos devora, dificilmente encontramos a saída.

Então, por que nos drogamos? Irresponsabilidade, brincadeirinha, desafio ao mundo instituído, medo da realidade, desespero pelo excesso de pressão? Tudo nos pressiona: a sociedade (ou a família) quer que sejamos bons, competentes, os melhores; a sexualidade é imposta com precocidade e insensatez; o mercado de trabalho é difícil, somos lançados nele quase sem preparo; os péssimos exemplos vindos de autoridades e líderes nos incutem desesperança; somos atropelados de todos os lados. Então a gente esquece os compromissos, machuca os amores, foge do olhar interrogativo ou do silêncio acusador, sucumbe ao conforto do esquecimento cada vez mais urgente, olvido na garganta, na veia.
Um ponto singular é que a maioria dos que bebem ou usam drogas (exceto o crack, que produz uma adição quase imediata, e a morte rápida) não se vicia. Isso torna a questão mais complexa ainda: por que uns sim outros não? O vício se desenvolve e se torna poderoso nas águas turvas do desejo de morte, da falta de equipamento para enfrentar a vida, da fuga da realidade para uma solução mais fácil. Uma vez instalado, corrói a honra, a dignidade, a vontade, os amores. Chega quase inexoravelmente o abandono da família , pois nessa tumultuada arena a família adoece também, de várias formas. O viciado é um náufrago: arrasta consigo os que o amam, e não sabe disso. Ou não pode evitar. Em casa torna-se um estranho, buscando sobreviver, os envolvidos se afastam ou fingem ignorar. Possivelmente antes disso chegou também a ruína financeira. O desastre profissional. A fuga dos amigos. Por isso nos anestesiamos ainda mais: morreu o instinto de sobrevivência, último a nos abandonar.

Leio que agora até no sertão brasileiro o crack, mais barato e mortal que outras drogas, começa a sua devastação. É vendido em rodoviárias, levado para o interior, permitindo talvez que muitos miseráveis e sem esperança tenham seus momentos de delírio e sonho, fujam da realidade para logo ser levados deste mundo, pois essa droga, mais que todas, mata rapidamente. Ricos e pobres, intelectuais e operários ou domésticas, a vida é para todos perturbadora. Precisaríamos ser um pouco heróis, um pouso estoicos, para escolher outro caminho, para resistir. Ou um pouco mais sábios, isto é, tentando remar contra a maré do consumismo, dos joguinhos de poder, da cobiça (mais cargos, mais grana, mais prazeres, como a criança que não larga o peito de mãe) Insaciáveis e insuficientes para nossos próprios tão vastos desejos, por outro lado pusilânimes, apelamos para a droga (incluindo o álcool) com uma espantosa ignorância dos males que causa, como se eles fossem lenda, histórias de bruxas par assustar crianças. Nós, porém, somos onipotentes, somos inatingíveis, conosco nada vai acontecer além de momentos de alívio. Faltando estabilidade, projetos, afetos, alegria, qualquer rodoviária nos abrirá as portas do falso paraíso, mesmo que ele dure só alguns momentos, e atrás dele se abram os abismos do inferno, não míticos infernos de anjos caídos, mas o labirinto onde se desperdiça a vida.

MÁRCIA TIBURI - Somos livres?

Somos livres. Esta frase pode parecer muito abstrata hoje diante do cotidiano atropelado de afarezes, atividades, responsabilidades que todas as pessoas têm. Ninguém tem tempo de pensar na questão de “ser livre” e esta falta de tempo parece ser a prova de que a liberdade não existe. Quem, ao trabalhar demais, sem poder realizar outros aspectos de sua vida (como o conhecimento que envolve leituras, filmes, boas conversas, até mesmo a possibilidade de freqüentar cursos, de fazer viagens, de desenvolver sua criatividade, de aprender, enfim, coisas novas), pode dizer que é livre?

Lazer é o nome que damos a tudo isso que constantemente nos falta. O lazer não é algo que podemos abandonar em nome do trabalho. Em geral, é o que deixamos de lado quando estamos na luta pela sobrevivência. Mas é o nosso lazer que nos ensina e nos prepara para sermos seres humanos melhores, mais elaborados, inclusive no trabalho e, sobretudo, em relação a nossa família e amigos. É neste mundo que recarregamos nossas energias para os esforços que temos que fazer em nosso dia a dia.

Onde entra a liberdade neste caso? O lazer não é só um pacto que fazemos com a liberdade, mas a chance de expandi-la para todas as esferas da nossa vida. Liberdade é o nome que se dá ao fato de que escolhemos nossos rumos. Se não escolhemos não somos livres. O fato de que não temos tempo para o lazer prova que não temos liberdade. Ou que não sabemos usá-la. Uma parte da vida se perde aí. O problema maior da liberdade é que a vida também pode ficar meio sem sentido quando não pensamos no que estamos fazendo com ela. A liberdade é, portanto, mais do que algo que se tem ou não se tem, que se sabe ou não se sabe usar. Ela é uma capacidade de pensar na própria vida e de optar de modo responsável pelas próprias escolhas.

A liberdade é algo que faz parte do ser humano. Ninguém pode sentir que se tornou um ser humano sem que tenha tomado a liberdade como algo seu. Esta é uma idéia que vem de não muito tempo atrás. É uma idéia moderna que apareceu junto com o desejo humano que cada indivíduo tem de ter posse sobre si mesmo. Liberdade não é apenas algo que nos limita desde que pensamos que a de um termina onde começa a de outro. É mais que isso. Liberdade é a capacidade de organizar a vida para que trabalho e lazer possam ser possíveis. Mas, sobretudo, é ter consciência de si dentro destas dimensões da vida.

COMO DEIXAR A VIDA MAIS LEVE E AGRADÁVEL.- Solange Bittencourt Quintanilha

Muitas vezes, nossas preocupações são sobre coisas 
que ainda nem existem e podem nem acontecer. 

São apenas pensamentos negativos, apenas fantasias que só existem na mente e não na realidade. Muitos adoecem sem saber que a causa disso é um emaranhado de preocupações.
Várias coisas insignificantes levam muita gente a viver conflitos que causam diversos sofrimentos. Pouquíssimos, dentre nós, são vítimas de grandes danos e crueldades. São os pequenos golpes em nosso amor-próprio, certas injustiças, ligeiros abalos em nossa vaidade, expectativas que não se realizaram, falhas que não suportamos, que causam grandes parte dos nossos sofrimentos.
Precisamos ter certa aceitação dos problemas que acontecem, das situações desagradáveis, pois esse é o primeiro passo para se dominar as consequências de qualquer infortúnio. Podemos escolher entre aceitá-las como coisas inevitáveis, e ajustar-nos a elas, ou prejudicar a nossa vida com descontroles e revoltas. Até certo ponto, a decisão entre um caminho ou outro é racionalmente de cada um de nós.
A verdade, é que desperdiçamos enormes quantidades de energia e sofremos profundamente pela ansiedade que é gerada quando nos sentimos angustiados quanto ao futuro, principalmente porque desejamos ter controle sobre ele.

A vida (e na maioria das vezes aprendemos muito tarde) está em se viver cada hora a cada dia, realizar uma tarefa de cada vez, valorizando o “hoje”, ao invés de perder tanto tempo pensando: “Quando eu for adulto, quando eu me casar, quando eu me aposentar, quando eu ganhar na loteria...”

Muitas pessoas vivem sonhando com um mágico roseiral colorido que se encontra além do horizonte, em lugar de apreciar as rosas que desabrocham hoje à nossa volta.

A confusão é a causa principal das preocupações.
Na verdade, um problema bem formulado já é um problema meio resolvido, já que 50% das preocupações se dissipam logo que se chega a uma decisão clara e definitiva. Ou seja, o principal obstáculo para isso é a confusão mental, a falta de clareza na formulação da situação de forma realista.

Para isso, é necessário tentar entender os fatos da maneira mais realista possível, porque, por estarmos muito preocupados, nossas emoções ofuscam a clareza e a objetividade, e ficamos agitados, confusos, andando de um lado para o outro.

Muito importante, portanto, é examinar atentamente todas as possibilidades, as causas e os efeitos e se organizar para por em prática a decisão tomada, sem adiar as suas decisões.

Fadiga e cansaço
O trabalho mental sozinho não cansa tanto, são os fatores psicológicos ou emocionais, tais como: tédio, ressentimento, perfeccionismo, ansiedade, preocupações, pressões, sentimento de rejeição ou de inutilidade... que produzem tensões nervosas em nosso corpo e nos cansam enormemente.
Muitas vezes é necessário falar com um profissional que possa nos escutar, nos orientar e nos ajudar a elaborar esses conflitos.

As circunstâncias, por si sós, não nos tornam felizes ou infelizes. É a maneira como reagimos ante as circunstâncias que determina os nossos sentimentos.
Importante, é aceitar que há situações inevitáveis, que não podem ser de outro modo, mas que podemos tentar buscar as alternativas possíveis para a melhor resolução.

Outro ponto importante é a pessoa se aceitar e gostar de si mesma. Quando ela luta porque quer ser diferente, quer ser outra pessoa, essa é uma fonte de muitas neuroses e sofrimento.

Inúmeros homens de sucesso começaram a vida com tantos obstáculos que precisaram de um empenho enorme, acima do normal, para realizar seus empreendimento mas que conseguiram sucesso e grandes recompensas. Temos vários exemplos históricos: Beethoven era surdo, Darwin era inválido, Tchaikovsky tinha muitas depressões, Ray Charles era cego e Helen Keller era cega e surda...

O que se torna muito pesado, é que raramente as pessoas pensam no que tem, mas sempre no que falta. Com esse pensamento, fica difícil uma pessoa se sentir satisfeita ou realizada na vida (o “buraco” ou a “falta” estará sempre presente).
É preciso valorizar as coisas boas que possuímos.

Finalizando
Os nossos pensamentos têm uma grande influência na nossa saúde física e mental.
Se escolhermos os pensamentos acertados e positivos, estaremos no caminho que nos conduzirá à solução dos problemas, sem deixar que os erros e fracassos nos derrotem. Devemos utilizar as vivências do passado somente como aprendizado e crescimento emocional, mas nunca ficar prisioneiro dele.
As coisas não se resolvem magicamente e nem no exato momento que desejamos, existe um tempo para que as coisas se resolvam.
É muito importante modificar nossa atitude mental, procurando ver a melhor maneira, o melhor ponto de vista, para fazermos escolhas acertadas.
É de vital importância fazermos, também, na vida o que gostamos, o que nos dá prazer e alegrias. É lá, onde o nosso interesse for atraído, onde vislumbrarmos a alegria e satisfação, que se encontrará a energia que precisamos para viver bem.
Solange Bittencourt Quintanilha

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