A INTERNET SE TORNARÁ UM ORGANISMO CONSCIENTE?

Cientista traça paralelo entre grande rede e o cérebro humano 
e antevê evolução imprevisível deste ‘organismo vivo’

"Existe um paralelo entre o cérebro humano e a internet, cujas interconexões velozes corresponderiam aos nervos".
Afirma o neurocientista e empreendedor Jeff Stibel que foi convidado pela “BBC” para falar sobre essa sua abordagem futurista com relação à internet. Segundo Stibel, que é presidente-executivo da Dun & Bradstreet Credibility Corp., a grande rede seria uma nova forma de vida em estágio ainda embrionário, mas que já demonstra os primeiros sinais de inteligência.

A fiação física da internet, com todas as conexões da rede, já funciona como um cérebro rudimentar, e algumas ações e interações que se dão na rede são similares aos processos que acontecem no cérebro humano”, diz Stibel. “Ao mesmo tempo, a internet está forçando nós humanos a interagir e a pensar de maneiras novas e diferentes”.

No entanto, segundo ele, isto é apenas o começo. “A internet só vai se tornar mais e mais inteligente, mudando a humanidade e a sociedade de maneiras que talvez ainda não sejamos capazes de compreender”.

Em seu paralelo “internet-cérebro”, Stibel explica que no lugar de neurônios temos computadores e conexões de banda larga no lugar de axônios e dendritos (nervos).

No momento, com a internet, estamos criando um cérebro global. E já podemos ver isto acontecendo agora com o que as pessoas estão chamando de ‘consciente coletivo’, em locais como, por exemplo, a Wikipédia, em que um grande coletivo de voluntários vem depositando informações de forma organizada na rede, de tal modo que, quando consultado, este acervo nos devolve respostas”.

Após terminar seu doutorado na Brown University, Stibel se dedicou ao paralelo entre a grande rede e o cérebro, e dedicou-se a abrir empresas de internet uma após a outra, todas explorando as correspondências entre o âmbito cerebral e o da interconectividade computacional global.

O objetivo de minhas empresas é alimentar a internet com pessoas e com tecnologias de tal modo que comecemos a criar na grande rede uma inteligência real, e não mais o que vinha sendo chamado de inteligência artificial”, esclarece Stibel. “O cérebro humano está aos poucos se combinando, se mesclando com computadores”.

O estudioso conta uma história hipotética em que imagina um ser extraterrestre que chega à Terra assegurando que não tem intenções beligerantes nem destrutivas. Este ser forneceria aos seres humanos uma capacidade quase ilimitada de processamento de informações e armazenamento de dados também virtualmente ilimitado, bem como um poder global de interligar em altíssima velocidade diferentes pontos do planeta.

Esse extraterrestre só pediria em troca que abríssemos mão de nossa privacidade, que fornecêssemos todas as informações em nosso poder de modo a alimentar esse gigantesco sistema e, para que a coisa toda funcione, que nos permitíssemos manter-nos intimamente interconectados ao sistema e uns com os outros”, imagina ele.

Uma proposta assim vinda de um ser de outro planeta certamente nos pareceria assustadora e provavelmente a recusaríamos de imediato”, diz ele. Mas, segundo Stibel, o que as pessoas em geral não percebem é que isso já existe. E, pior, não é uma proposta feita por extraterrestres. Nós mesmos criamos algo assim. É a internet, essa mesma que muitos de nós usamos quase diariamente e da qual cada vez dependemos mais.

De acordo com o cientista, estamos muitos de nós interagindo de forma pensante com este organismo mundial interligado.

Algo único está acontecendo, alguma coisa maior do que pensávamos que aconteceria quando foi inventada a World Wide Web. Talvez não estejamos conseguindo agora entender direito o que está se passando, ou como isso tudo está evoluindo. Mas certamente estamos criando algo que se assemelha muito com inteligência. Uma inteligência global que, talvez um dia, possa ela mesma pautar sua própria evolução”.

O vídeo em inglês da apresentação de Jeff Stibel, infelizmente sem legendas, pode ser visto clicando aqui.
Carlos Alberto Teixeira

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