NOSSAS TRILHAS SONORAS - Nelson Motta

Talvez essa nostalgia seja o combustível da onda de sucesso 
dos musicais de teatro sobre Cazuza, Tim Maia, Renato Russo, Raul...

Você não acha que a música brasileira de hoje está pior do que nunca? Ouço essa pergunta há muitos e muitos anos, geralmente vinda de gente com mais de 40, nostálgica do tempo em que era jovem — e se sentia moderna. Envelhecer é da vida, mas ficar antigo é insuportável… rsrs.

Alguns acham que a música popular de massa, como fenômeno tipico do século XX, à medida em que foi aumentando a quantidade de autores e consumidores, foi diminuindo em qualidade artística, se avaliada por critérios técnicos absolutos, acima do tempo e da história. Uma discussão chata e inútil diante da infinidade de músicas de alta qualidade de todos os estilos, antigos e modernos, de todos os lugares, que foi e continua sendo digitalizada e está à disposição de qualquer um. Para quem gosta de música o melhor presente é viver na era da internet.

Trilha sonora de nossa história pessoal e coletiva, a música acompanha nossas vidas e expressa nossos sentimentos, os gostos e desgostos de cada um. Atualmente, com a quantidade torrencial que é produzida e divulgada a cada segundo, fica cada vez mais difícil encontrar excelência musical no meio de tanto lixo sonoro, mas ela está lá. Não é preciso citar tantos novos nomes de talento, nem dizer que os mais velhos continuam produzindo em alto nível. É melhor ouvir do que reclamar.

Talvez essa nostalgia seja o combustível da onda de sucesso dos musicais de teatro sobre Cazuza, Tim Maia, Renato Russo, Raul Seixas, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, e de vários em produção sobre artistas de diversos estilos e gerações. Se a base de um musical é a qualidade das canções, o repertório de sucessos originais desses artistas é insuperável. No Brasil, ou na Broadway.

Hoje, a maioria do publico que lota os teatros é de 40 para cima, mas cada vez mais jovens são atraídos pelos musicais — e são os mais entusiasmados com as velhas novidades.

Mas o musical, pela própria natureza absurda de sua linguagem, de contar uma história cantando e dançando, não pode ser uma biografia, é só fantasia e magia teatral, com o poder de criar beleza e emoção com a memória e a imaginação.

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