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TODOS NÓS DANÇAMOS UMA MÚSICA MISTERIOSA - Albert Einstein

“A escola fracassou comigo, e não eu com ela”. Ela me deixou entediado. Os professores se comportavam como Feldwebel (sargentos). ...

LEMBRA DE MIM? - Fábio Porchat

Aconteceram três coisas curiosas comigo, tudo naquela mesma semana e que se relacionam entre si. Recebi uma mensagem no meu telefone: "Fabio, vou assistir ao seu show no sábado! Quanto tempo, né? Vai ser legal matar as saudades. Depois quero uma foto. Beijos, Camila C." Você sabe quem é Camila C, caro leitor? Pois é, eu também não. Respondi prontamente animado dizendo: "que maravilha! Te espero lá.".

Terminado o show do sábado, quem me aparece para tirar foto? Sim, ela. Que, quando eu bati o olho, lembrei. Camila era uma amiga de uma minha amiga, que, na ESPM, em 2001, estudou no mesmo período que eu, mas cursando Publicidade e eu Administração. Fazia 11 anos que eu não a via, mas ela continua com a mesma aparência e muito simpática! Comentei com ela, rindo, que não sabia quem era quando recebi a mensagem, mas que ali, ao vivo, me caiu a ficha. Ela ficou um pouco sentida e falou brincando, mas a sério: "depois que ficou famoso, ficou assim. Não se lembra de mais ninguém."

No mesmo sábado, depois da peça (foi o último dia da temporada no Teatro Frei Caneca - muito obrigado ao Sérgio d'Antino e à Betânia pelo carinho), fui pra casa do meu pai comemorar com os amigos. Lá chegando, a moça que organizou o buffet veio sorridente e mandou o já tradicional e temido: lembra de mim? E eu não lembrava. Ela, espantada com minha negativa, tentou reavivar a minha memória: eu organizei o buffet da sua festa de 18 anos, lembra? Eu falei que já tinham se passado 12 anos e que não me lembrava. Ela ficou triste. "Poxa, como a gente esquece daquelas pessoas que fizeram parte do nosso passado."

No aeroporto Santos Dumont (que a mulher que anuncia nos microfones de Congonhas cisma em dizer: aeroporto DO Santos Dumont. Não é dele o aeroporto!!!!), um fã pediu para tirar uma foto e disse que eu conhecia a mulher dele. Eu, ingenuamente, perguntei quem era e ele muito tranquilo me respondeu que ela, um dia, em 2009, no Galeão, tirou uma foto comigo e disse que era minha fã. Lembra? Eu ri, achando que era uma brincadeira e disse que não, que fazia muito tempo. Ele insistiu que ela era muito fã e era morena, ela pediu uma foto. Lembra? Eu falei que não lembrava e ele: "não vou nem falar pra ela isso que ela vai ficar chateada."

Agora, de verdade, me digam se eu estou maluco por não me lembrar, depois de 12 anos, da senhora que preparou a comida da minha festa em que provavelmente eu estava mais preocupado em encher a cara e pegar mulher. Eu nem lembrava que eu tinha dado uma festa de 18 anos. Muito menos que se contratou um buffet. Será que eu sou um babaca que não me lembro de como se chama uma pessoa que não conviveu comigo nem 20 horas somando todos os nossos encontros e era amiga de uma amiga, ou se eu sou uma estrela sem noção de não saber quem era uma fã do longínquo 2009 que era morena? O que me deixou mais impressionado foi o fato de elas se sentirem ofendidas pela "não lembrança". Como se eu fosse um sem noção. É que nós queremos sempre nos sentir especiais e únicos, para justificar a nossa própria existência nos dando muita importância e relevância na relação com o outro. Ou de repente eu só tenho Alzheimer.
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