AMANTES - Edmir Silveira

Pintura de Dhiego Rocha

O toque acendeu o sol, dois sóis
Quentes, atraentes, penetrantes,
Somando-se num calor ardente, pendente, arfante

Pele, seda, alma, sussurrante
Atraindo, exalando seu perfume provocante
Fêmea nua, natureza dominante

A carne quente, úmida, envolvente
Sugando, atraindo, desejando urgente,
Acordando o desejo de se completar inteira, 
Em cada poro, em cada arfar, em cada instante.

Teu ar, meu ar, arfante, dentro, fora, enebriante
Somos insanos, alucinados, delirantes,
Cabendo juntos no universo latejante
Somos a vida, somos amor, somos amantes.
_______________

DESEJO – Patrícia Azevedo

Lençóis de seda na cama 
Sobre o fino véu
Rasga o céu infinito
Brisa no ar
Esvoaça véu

Envolvida

Nos contornos malicia
Movimentos em curvas
Silhuetas 
Pulso de garras firmes

Seduzida

Delicados caminhos entreabertos
Rega água
Escorre gotas
Derretimento em pulsão 
De solo fértil

Entregue

Cavidades completas em novas formas
Ondas pulsantes
Em mar revolto
Transbordamento ofegante
Lambuza mel

Possuída

SE ME AMA, DEIXE-ME LIVRE!

...O Bem Amado diz a Bem Amada: ‘Vá! Vá para você mesma!’

 Amar alguém não é somente lhe dizer: ’Venha, torne-se como eu, seja como eu sou’,
pois isto é a redução do outro ao seu igual.

Mas o amor diz: ‘Vá, torne-se um outro, seja o que você é;
 e quando você se tornar o que é poderemos, em verdade, nos encontrar.”

Tirei esse trecho do livro de Jean-Yves Leloup, Uma Arte de Amar para os Nossos Tempos, para fazermos uma reflexão sobre o que é o amor.
Mês dos namorados, das festas juninas, do calor das fogueiras, dos abraços e dos beijos. Jean-Yves fala que beijar alguém é estar à escuta do sopro que lhe é comum sem perder minha identidade. E isso, é muito diferente de sermos a metade que faltava no outro. Não somos parte para precisarmos de uma metade. Somos inteiros. Se no relacionamento deixo de ser eu mesmo para estar com o outro, esqueço quem eu sou.

Percebo que muitas pessoas quando se relacionam deixam de lado o que gostam, abrem mão dos desejos e dos sonhos mais caros. Abrem mão de tantas coisas que acabam se perdendo no caminho. Perder nossos desejos é como abrir mão da nossa alma. No início pode até parecer que é isso que o outro quer, mas com o tempo o relacionamento perde o encanto. Relacionamento é uma dança de dois. Se um deixa de existir acaba a relação.

Amar é querer a liberdade do outro. A relação de um amor verdadeiro é o encontro de duas liberdades. Eu amo e sou amado se posso estar ao lado do outro sendo quem eu sou. Simplesmente porque essa é a única possibilidade: Ser quem eu sou. Jean-Yves coloca que: “Amar alguém é corá-lo, é conduzi-lo à sua completude, pois só entre dois seres completos e inteiros pode existir uma verdadeira aliança.”

Colocar uma aliança na mão do outro com o nosso nome não quer dizer que o outro, a partir daquele momento, se torna nosso, nossa propriedade. Muito pelo contrário, simboliza que essas duas vidas estão caminhando juntas com o compromisso de um ajudar ao outro a se desenvolver. Nós só crescemos e evoluímos no encontro. Certamente, isso não é uma tarefa fácil. É um aprendizado a ser conquistado a cada momento durante toda vida.

Leloup comenta que demoramos um minuto para coroar alguém, mas toda uma vida para permitir-lhe florescer. Acho preciosa essa analogia. E assim, podermos juntos contemplar o florescimento do outro. Então quando oferecer flores à pessoa amada ofereça também florescimento, liberdade.
Acredito que estamos nessa vida para nos encontrar. E nesse mês dos namorados desejo à você, antes de tudo, um encontro com você mesmo. E certamente isso possibilitará um lindo encontro verdadeiro com o outro.
P/ Lydia Joffily - Psicóloga


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