OS HOMENS SE SENTEM INIBIDOS COMIGOS - Alberto Goldin

"GOSTARIA DE PEDIR SUA OPINIÃO sobre uma situação que vivo constantemente. Tenho 28 anos, sou muito bonita e atraente, porém não faço o gênero "femme fatale". Sou carinhosa, tenho uma ótima formação acadêmica, um trabalho interessante, amigos e estou perto da minha independência financeira. Passo uma imagem de mulher independente e auto-confiante além de boa experiência sexual, sou desinibida na cama. Já tive muitos parceiros e relacionamentos afetivos, mas hoje em dia sou muito criteriosa prefiro ficar meses sem sexo a transar com qualquer um. Mas na cama, os homens não se sentem tão a vontade comigo. Com aqueles com quem estou envolvida afetivamente é comum que apresentem algum problema, na ereção ou no orgasmo. Procuro ser compreensiva e não cobrar nenhuma performance, nem me culpar pela "falha" do parceiro. O sexo, para mim é muito mais do que penetração e orgasmo. Mas não entendo o que acontece com eles, sonham com uma mulher bonita e resolvida sexualmente, mas na prática, se sentem muito cobrados diante da minha desinibição, minhas amigas relatam a mesma coisa, vejo que não é só comigo que isso acontece. Gostaria de entender melhor os homens e o que fazer nessa hora."
Pérola.

GASTEI 15 MINUTOS LIMPANDO MINHA CAIXA DE ENTRADA de email na maioria spams oferecendo Viagra, Cialis e outros fármacos menos conhecidos, além de aparelhos que garantiam fantástico prazer e desempenho. Eram apresentados como remédios infalíveis contra a impotência sexual e outros transtornos nesta área…
A partir de outra perspectiva, a carta da Pérola, aponta na mesma direção: uma crescente fragilidade da potência masculina que, conforme estas versões, precisa de socorro imediato. A julgar pela quantidade de ofertas de tônicos sexuais, imaginei que talvez, sem saber, estejamos enfrentando uma falência erétil planetária.
Curioso é que os homens as desejam, como sempre, e as mulheres consentem, como nunca, porém é evidente que, em numerosos casos, a mecânica sexual não está à altura das expectativas de ambos os sexos. Para Pérola os homens assustados fracassam com ela e suas amigas e, por prudência ou covardia, se afastam delas e da cama. O que na verdade acontece é que a ereção masculina não é um movimento automático, nem sempre obedece à demanda dos seus usuários. É comum que, em conquistas recentes o homem se sinta compelido a mostrar eficiência, porém apesar dos seus esforços – ou devido aos mesmos – só consiga oferecer suas boas intenções. Não falham por causa de eventuais imperfeições físicas das suas parceiras (como elas tendem a interpretar), mas pelo contrário, por excesso de desejo que, na prática, os leva ao fracasso.
Por que? Pergunta Pérola, curiosa. Demoramos para responder, porém informamos que a sexualidade humana tem uma parte submersa no inconsciente e que se apresenta na hora “H”, promovendo desfechos inesperados.
Um modelo simples para explicar esta questão é apelar para um personagem conhecido por todos: o Super-homem, super-herói mítico invencível, que em apenas um ponto fraco: perde seus poderes e desvanece quando está exposto à Kriptonita, um cristal verde proveniente do seu planeta natal.
Algumas características femininas, como sensualidade, beleza, desinibição ou outras, operam para a ereção como Kriptonita que, por suas singulares características, oferece uma referência importante para a psicanálise. Kripton é o planeta da infância do Homem de Aço, o lugar onde teve e perdeu suas primeiras experiências e sensações. Por isso dizemos, sem medo de errar, que Kripton é o inconsciente do Super-homem, seu passado infantil esquecido e talvez a beleza ou desenvoltura sexual da Pérola sejam o cristal verde que recupera primitivas sensações do parceiro e promover regressões nas quais o Super-macho se desmancha feito gelatina, ficando reduzido à patética condição de criança indefesa nos braços de uma mulher enorme e poderosa. Quando o Super-homem perde poder, cede o mesmo à sua parceira e o sentimento que lhe resta é de forte e injustificada humilhação, que importa só ao protagonista, nem tanto a mulher que está ao seu lado, habitualmente mais compreensiva e tolerante. Não esgotamos o tema, fomos mais didáticos que científicos, resta acrescentar que a Kriptonita só ataca os Super-homens. Os homens simples e sem super poderes, estão a salvo.

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LUÍS DE CAMÕES - O AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente; é
nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

MACACOS, SEXO E MICHELANGELO - Diogo Mainardi

O pênis ereto de um gorila mede 4 centímetros. Foi por isso que nós fizemos a Capela Sistina, enquanto os gorilas só aprenderam a comer larvas de cupim.

A teoria é do americano Jared Diamond, autor de O Terceiro Chimpanzé, que chegará no próximo dia 18 às livrarias brasileiras, publicado pela Editora Record. Jared Diamond é um misto de Charles Darwin com Carrie Bradshaw, a protagonista de Sex and the City. Se Carrie Bradshaw fosse uma gorila, ela poderia anotar em seu computador, como anotou Jared Diamond:
Por que os humanos copulam privadamente, se todos os outros animais sociais copulam em público?
Segundo Jared Diamond, a espécie humana evoluiu a partir de seu comportamento sexual. Mais importante do que o tamanho de nosso cérebro — que é 10% menor do que o do homem de Neandertal — é o tamanho de nosso apetite e, principalmente, de nosso aparato sexual. De fato, se Carrie Bradshaw fosse uma gorila, ela jamais encontraria um Mr. Big.

Em O Terceiro Chimpanzé, Jared Diamond trata de outros temas, além da Teoria do Tamanho do Pênis. Ele trata também da Teoria do Tamanho dos Testículos, da Teoria do Tamanho dos Mamilos e, por fim, da Teoria da Ruiva Peituda.

Nas últimas décadas, a biologia se transformou numa Galápagos intelectual, em que darwinistas das mais variadas espécies competem entre si, apresentando teorias extravagantes para se adaptar ao ambiente editorial e televisivo. Os mais bem-sucedidos divulgadores do darwinismo vendem livros como se fossem larvas de cupim e ganham documentários produzidos pela National Geographic Society. Foi exatamente o que ocorreu com Jared Diamond. Se Stephen Jay Gould e Richard Dawkins podem ser considerados o albatroz e a tartaruga-gigante da Galápagos darwinista, Jared Diamond posiciona-se imediatamente abaixo deles, como uma iguana do evolucionismo.

Jared Diamond estudou medicina. Depois de uma viagem a Papua-Nova Guiné, em que conheceu os membros de uma tribo de homens da Idade da Pedra, ele converteu-se em ecologista, em pacifista e em autor de ensaios sobre a origem da humanidade.

O Terceiro Chimpanzé foi publicado nos Estados Unidos em 1991. Foi o primeiro livro de Jared Diamond. Nele se encontram praticamente todas as ideias que seriam desenvolvidas em seus trabalhos seguintes. Em Why Is Sex Fun?, de 1997, Jared Diamond ampliou sua Teoria do Tamanho do Pênis, constrangendo novamente os gorilas. Em Armas, Germes e Aço, também de 1997, ele tentou explicar por que, em nossa história, um povo sempre procurou exterminar o outro — tema da parte final de O Terceiro Chimpanzé.

Nosso DNA é 98,8% igual ao de um chimpanzé. Geneticamente, um chimpanzé é mais próximo de um homem do que de um gorila. Há o chimpanzé comum. Há o chimpanzé pigmeu. Para Jared Diamond, o homem é uma terceira espécie de chimpanzé. Somos ligados como Tarzan e Chita. Como foi que Chita conseguiu fazer a Capela Sistina? Qual foi o elemento que, em apenas 40.000 anos, possibilitou que a humanidade abandonasse as cavernas e desse seu “Grande Salto para a Frente”?

A resposta, segundo Jared Diamond, é a linguagem falada. O aparelho vocal humano, em algum momento de nosso caminho evolutivo, transformou-se, diferenciando-se do de outros primatas e permitindo que nossos antepassados pronunciassem e articulassem uma série de novos sons. Esses novos sons deram origem a uma língua comum, extremamente rudimentar, cuja raiz sobrevive até hoje, em particular na fala de Dilma Rousseff. Através dessa língua comum, passamos a transmitir uns aos outros conhecimentos que possibilitaram o desenvolvimento da agricultura, do pastoreio, da roda e do adestramento de cavalos.

Nada disso teria ocorrido, porém, se nossas necessidades sexuais fossem iguais às de um chimpanzé ou às de um gorila. Contrariamente ao que acontece com os outros primatas, “os pais humanos oferecem às suas parceiras muito mais do que o esperma”. De fato, eles cuidam de seus filhos e se responsabilizam por eles, a fim de garantir a disponibilidade sexual de suas mulheres. A linguagem falada, de acordo com Jared Diamond, desenvolveu-se no ambiente familiar. Em primeiro lugar, para determinar o papel de cada um de seus membros. Em segundo, para estabelecer normas e leis que assegurassem aos homens que seus filhos eram seus, e que eles herdariam seus bens.

Os evolucionistas debocham dos criacionistas, mas o Velho Testamento, ilustrado na Capela Sistina, já contou essa história. Veja o Pecado Original. Veja nossos antepassados sendo expulsos do Jardim do Éden e dando origem à sociedade humana. Veja Noé nu e embriagado. No fim de O Terceiro Chimpanzé, Jared Diamond vislumbra o apocalipse ecológico e nuclear. Isso também está no Velho Testamento, ilustrado na Capela Sistina, no Juízo Final. Sim: em 40.000 anos, nós, chimpanzés superdotados, conseguimos fazer a Capela Sistina. Mas chegará o dia em que voltaremos a comer larvas de cupim.

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SONHOS - Manoel Carlos

Vínhamos de São Paulo. Eu estava sentado sozinho e à minha frente duas jovens senhoras conversavam:

— Eu corria, corria, e a minha sombra corria atrás de mim com um punhal na mão, querendo me matar. Eu gritava, pedindo ao Rodolfo que me ajudasse, que me tirasse daquele pesadelo, porque eu sabia que era um sonho, entende? Isso é que era interessante. Sabia, mas não conseguia acordar.

— Deus do céu, Lurdinha, que coisa angustiante! E o Rodolfo não acordou com seus gritos e não te sacudiu, pegou um copo d’água, nada?

— Ah, você parece que nem conhece ele! Acordou, claro, mas, enquanto eu contava, aos soluços, a angústia do meu pesadelo, ele olhava para mim e ria, ria, ria.

— Nossa, me dá até medo! Sempre achei seu marido muito egoísta. Ainda bem que era um sonho!

— Um pesadelo!

— Ah, se o Eduardo fosse assim, eu não ia aguentar não.

— Tá admirada? Pois olha: ele faz a mesma coisa na vida real. Uma outra vez eu estava me afogando no mar, a praia vazia, e ele olhava e também não fazia nada. Já estava achando que ia morrer, quando ele finalmente me socorreu e me tirou da água. Sabe o que ele me disse, enquanto eu tossia e punha água pela boca e pelo nariz?

— Nem imagino!

— Que queria ver se eu saía sozinha de uma dificuldade. Que estava fazendo um teste, me experimentando, me avaliando. Que eu era muito mimada e não sabia reagir numa situação difícil. E que ele ia me ensinar a enfrentar as dificuldades da vida.

— Deus do céu, que homem pretensioso! E frio!

— Gelado!

Fez uma pausa e completou:
— Mas tem suas qualidades também. Seu lado bom e quente!

— Tem mesmo é? Me conta.

— Ah, todos os homens têm! São como os sonhos. Bons e maus.

E a jovem — a tal Lurdinha — começou a rir, lembrando-se de alguma coisa…
— Eu vou te contar no que ele é bom e quente, acho que melhor que qualquer outro homem! E riram, maliciosas. Eu estiquei o pescoço para ouvir, mas a voz da comissária cortou a narrativa, dando as instruções de praxe. Já estávamos sobre o Rio.

— Não tenho medo de avião — disse Lurdinha —, mas fico nervosa na hora do pouso.

— E logo quando a sua história ia ficar tão boa!

— E apimentada!

— Conta, vai!

— Ah, agora tenho de fechar os olhos e ficar quietinha. Te conto no táxi. E as duas fecharam os olhos e recostaram-se em suas poltronas. Fiquei frustrado. Eu também estava querendo saber qual o lado bom desse marido que olha a mulher se afogando e fica rindo… Antes que chegássemos à fila do táxi, eu o tempo todo atrás delas, as duas pararam diante de uma banca de jornais.

— E esse escândalo da Petrobras, hein?

— Que roubalheira!

— Ah, mas agora eles pegaram os peixes graúdos!
Vamos ter muita gente na cadeia!

— Você sempre sonhando!

— Como viver sem sonhar?

— É verdade, mas agora me fale das tais qualidades do seu belo marido!

Entraram rindo num táxi e lá foram as duas, levando com elas uma boa história de amor.
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NEUROCIÊNCIA SUPEROU A PSICANÁLIE - Ivan Izquierdo

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A psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência...