A FAVOR DO TÉDIO - Contardo Calligaris

O que é mais 'educativo' para as crianças? 
A diversão? 
Ou a chance (forçada) de se entediar?

Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o título de um deles, "The Distraction Addiction", de Alex Pang (Little, Brown and Company), a vontade de se distrair seria um vício, uma forma de dependência.

Também, desde o começo do ano, leio artigos de revista sobre "os surpreendentes benefícios do fato de sentir tédio".

Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam "pesquisas" por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima, segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada --ao contrário, é possível que essa dispersão empobreça nossa experiência.

Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziram o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação?

O que é mais "educativo" para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?

Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: "O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos". Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de eles parecerem jovens. De fato, nesta nossa época, os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.

Há pais agentes de viagem e relações-públicas, que, a cada dia, organizam programas "divertidíssimos" para seus rebentos. Esses pais procuram amigos para brincadeiras coletivas e oferecem, a jato contínuo, coquetéis de televisão, cinema, compras, videogames e até livros: qualquer coisa para evitar que a criança conheça a solidão e o enfado. Sabe-se lá quais pensamentos surgiriam numa mente entediada, não é?

Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?

O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Tomemos o exemplo do erotismo.

Está aberta até dia 12 de janeiro, no Metropolitan de Nova York, a exposição "Balthus: Cats and Girls" (Balthus: gatos e meninas). O catálogo, com o mesmo título, contém uma excelente introdução da curadora, Sabine Rewald.

Balthus (1908-2001) pintava com frequência gatos e meninas, juntos ou separados. Os gatos são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.

Agora, esse dom da gestão do tédio, os gatos têm em comum com as meninas que Balthus pinta, que são todas, antes de mais nada, entediadas.

As longas sessões nas quais posavam para o pintor talvez servissem deliberadamente para produzir o tédio que Balthus queria pintar. Há as meninas quase vencidas pelo sono no meio da leitura, há as que jogam paciência no silêncio palpável da tarde numa casa de província francesa --todas parecem entregues a devaneios inquietantes.

A gente pode se indignar com a diferença de idade entre Balthus e suas modelos adolescentes, mas o fato é que os retratos das meninas são uma extraordinária ilustração de que o tédio e a indolência são as portas que levam aos pensamentos impuros.

Ou seja, é bem provável que a criança entediada tenha uma vida erótica adulta mais interessante do que a criança que cresceu de joguinho em joguinho, de amiguinho em amiguinho, de diversão em diversão.

O que me leva, aliás, a uma suspeita. Os pais que combatem o tédio dos filhos talvez estejam combatendo possíveis "pensamentos impuros" --videogames, filmes, amigos, tablets e futebol, tudo contra o espantalho da masturbação, que espreita a criança entediada e solitária.

Agora, sem pensamentos impuros na criança, o que será o erotismo do adulto no qual essa criança se tornará? Um erotismo sem vida interior, talvez.

EVITE SER TRAÍDO - Arnaldo Jabor

Você homem da atualidade, vem se surpreendendo diuturnamente com o “nível” intelectual, cultural e, principalmente, “liberal” de sua mulher, namorada etc.
As vezes sequer sabe como agir, e lá no fundinho tem aquele medo de ser traído – ou nos termos usuais – “corneado”. Saiba de uma coisa…

Esse risco é iminente, a probabilidade disso acontecer é muito grande, e só cabe a você, e a ninguém mais evitar que isso aconteça – ou então – assumir seu “chifre” em alto e bom som. Você deve estar perguntando porque eu gastaria meu precioso tempo falando sobre isso. Entretanto, a aflição masculina diante da traição vem me chamando a atenção já há tempos.

Mas o que seria uma “mulher moderna”? A principio seria aquela que se ama acima de tudo, que não perde (e nem tem) tempo com/para futilidades, é aquela que trabalha porque acha que o trabalho engrandece, que é independente sentimentalmente dos outros, que é corajosa, companheira, confidente, amante…
É aquela que as vezes tem uma crise súbita de ciúmes mas que não tem vergonha nenhuma em admitir que está errada e correr pros seus braços… É aquela que consegue ao mesmo tempo ser forte e meiga, arrumada e linda… Enfim, a mulher moderna é aquela que não tem medo de nada nem de ninguém, olha a vida de frente, fala o que pensa e o que sente, doa a quem doer… Assim, após um processo “investigatório” junto a essas “mulheres modernas” pude constatar o pior.

VOCÊ SERÁ (OU É???) “corno”, ao menos que:

- Nunca deixe uma “mulher moderna” insegura. Antigamente elas choravam. Hoje, elas simplesmente traem, sem dó nem piedade.

- Não ache que ela tem poderes “adivinhatórios”. Ela tem de saber da sua boca – o quanto você gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima.

- Não ache que é normal sair com os amigos (seja pra beber, pra jogar futebol…) mais do que duas vezes por semana, três vezes então é assinar atestado de “chifrudo”. As “mulheres modernas” dificilmente andam implicando com isso, entretanto elas são categoricamente “cheias de amor pra dar” e precisam da “presença masculina”. Se não for a sua meu amigo…Bem…

- Quando disser que vai ligar, ligue, senão o risco dela ligar pra aquele ex bom de cama é grandessíssimo.

- Satisfaça-a sexualmente. Mas não finja satisfaze-la. As “mulheres modernas” têm um pique absurdo com relação ao sexo e, principalmente dos 20 aos 38 anos, elas pensam – e querem – fazer sexo TODOS OS DIAS (pasmem, mas é a pura verdade)… Bom, nem precisa dizer que se não for com você…

- Lhe dê atenção. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Garanhões mau (ou bem) intencionados sempre existem, e estes quando querem são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você, afinal, ela é sua ou não é????

- Nem pense em provocar “ciuminhos” vãos. Como pude constatar, mulher insegura é uma máquina colocadora de chifres.

- Em hipótese alguma deixe-a desconfiar do fato de você estar saindocom outra. Essa mera suposição da parte delas dá ensejo ao um “chifre” tão estrondoso que quando você acordar, meu amigo, já existirá alguém MUITO MAIS “comedor” do que você…só que o prato principal, bem…dessa vez é a SUA mulher.

- Sabe aquele bonitão que, você sabe, sairia com a sua mulher a qualquer hora. Bem… de repente a recíproca também pode ser verdadeira. Basta ela, só por um segundo, achar que você merece…Quando você reparar… já foi.

- Tente estar menos “cansado”. A “mulher moderna” também trabalhou o dia inteiro e, provavelmente, ainda tem fôlego para – como diziam os homens de antigamente – “dar uma”, para depois, virar do lado e simplesmente dormir.

- Volte a fazer coisas do começo da relação. Se quando começaram a sair viviam se cruzando em “baladas”, “se pegando” em lugares inusitados, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, a chance dela gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso então é imensa. A “mulher moderna” não pode sentir falta dessas isas…senão…

Bem amigos, aplica-se, finalmente, o tão famoso jargão “quem não dá assistência, abre concorrência e perde a preferência”. Deste modo, se você está ao lado de uma mulher de quem realmente gosta e tem plena consciência de que, atualmente o mercado não está pra peixe (falemos de qualidade), pense bem antes de dar alguma dessas “mancadas”… proteja-a, ame-a, e, principalmente, faça-a saber disso. Ela vai pensar milhões de vezes antes de dar bola pra aquele `bonitão´ que vive enchendo-a de olhares… e vai continuar, sem dúvidas, olhando só pra você!!!”

CRIATIVIDADE É USAR O CÉREBRO DE UM JEITO DIFERENTE - Suzana Herculano-Houzel

Encontrar novos caminhos entre ideias e conceitos depende, sobretudo, de flexibilidade cognitiva: a capacidade de mudar o conjunto de regras para resolver problemas

Não, ela não é obra do lado direito do cérebro, apesar do que pregam as várias oficinas e livros que pedem seu dinheiro em troca de dicas para “desenvolver o lado direito do seu cérebro”. Nem a criatividade, nem a arte, nem a emoção são funções do lado direito do seu cérebro – e sim de várias estruturas diferentes, espalhadas órgão afora, e de seus dois lados.

A lenda vem de meados do século 19, quando a neurociência era ainda recém-nascida. Quase nada se conhecia sobre o funcionamento do cérebro, mas a descoberta de que a produção da fala depende do hemisfério esquerdo, anunciada por Paul Broca em 1861, suscitou uma revisão pela biologia do conceito de que os dois lados do corpo são equivalentes. Uma tabela publicada no final daquele século ilustra a proposta de revisão: o lado esquerdo, relacionado à fala, seria “logicamente” também associado à racionalidade, à volição, ao consciente, e à masculinidade, e... à cor branca da pele (ou seja, tudo aquilo que o homem branco europeu, o dono do mundo na época, associava a si mesmo). O que sobrou para o outro lado do cérebro? Ora, a irracionalidade, o emocional, o inconsciente, a feminilidade, e... a cor escura da pele. E a criatividade entrou de gaiata na história como mais uma propriedade do “lado direito, emocional, do cérebro”.

Cento e cinquenta anos mais tarde, a neurociência atesta que lateralização funcional existe, sim – mas apenas em relação à linguagem (mais ao lado esquerdo) e à atenção (mais ao lado direito). Não há diferença no grau de lateralização entre homens e mulheres, nenhum tipo de evidência de que qualquer lado do cérebro predomine mais ou menos em pessoas diferentes.

E a criatividade, essa capacidade de recombinar informações já existentes para resolver problemas de maneiras novas? Segundo a neurociência, ela resulta de um processo semelhante no cérebro: da combinação “criativa” da atividade de partes do cérebro que já participam em outras funções, e não da atividade de algum “centro da criatividade” cerebral.

No final dos anos 1990, quando se tornou possível acompanhar a atividade cerebral em voluntários acordados e saudáveis, o neurocientista inglês Stephen Kosslyn mostrou que a imaginação – a capacidade de visualizar mentalmente o que não está acessível aos olhos ou outros sentidos – usa as mesmas partes do cérebro que recebem informações dos sentidos.

O mesmo se aplica a outras funções. A capacidade de encontrar novos caminhos entre ideias e conceitos, e novos conceitos a partir das mesmas ideias, depende do esforço conjunto de regiões dos dois lados do cérebro que também participam da memória de trabalho, da representação de objetos e ações, de significados emocionais complexos, do prazer e da satisfação, e sobretudo da flexibilidade cognitiva: a capacidade de mudar o conjunto de regras em uso. Na hora de ser criativo, o cérebro usa a si mesmo de outra maneira e descobre um caminho alternativo para resolver o problema da vez.

Acontece que cada uma dessas funções depende de expe-riência real com o mundo. Somente assim o cérebro aprende a enxergar, a representar objetos e ações, a raciocinar. Um cérebro que nunca viu araras ou ultravioleta não sabe imaginar o que é uma arara, ou a cor do ultravioleta. Se a imaginação depende dos sentidos e os sentidos dependem de experiência, então a imaginação depende de experiência.

A criatividade, portanto, pode ser desenvolvida junto com a experiência do mundo. É só o córtex pré-frontal deixar o resto do cérebro se soltar.

COMO RECONHECER MENTIRAS - Marc-André Reinhard

Se você acredita que quem tenta enganar alguém sua frio e evita o olhar do interlocutor, surpreenda-se: esses estereótipos raramente são verdadeiros

Como podemos perceber se estamos sendo enganados? Existem sinais claros que indicam uma mentira, algo que possa ser comparado à tão conhecida metáfora ao nariz do Pinóquio que se tornava cada vez maior quando ele ocultava a verdade? Infelizmente não. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que podiam identificar um mentiroso por comportamentos ou sinais corporais – como coçar a cabeça com frequência; movimentar-se de forma agitada ou ficar com as faces coradas. No entanto, um grupo de pesquisadores coordenado pela psicóloga Bella M. DePaulo, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Estados Unidos, garante que normalmente não é isso que acontece. Em 2003 ela já havia reunido e analisado resultados de 120 estudos sobre os sintomas físicos que acompanham mentiras. Conclusão: os estereótipos raramente são verdadeiros; em geral, mentirosos não escorregam nervosos na cadeira, nem evitam o contato visual de seu interlocutor.

Na verdade, para a maioria das pessoas é realmente muito difícil discernir se uma declaração é verdadeira ou falsa. Foi a essa conclusão a que chegaram Bella e seu colega Charles F. Bond, da Universidade Cristã do Texas, em 2006, em, outro estudo sobre o tema. Para tanto, os dois pesquisadores resumiram os resultados de 206 estudos sobre a cota de acertos em julgamentos sobre credibilidade. No total, apenas 54 desses julgamentos sobre a veracidade ou não de uma declaração estavam corretos, um valor estatisticamente pouco significativo – que talvez pudesse ter sido atingido também por meio de pura adivinhação. Mas convém levar em conta que, na média, os sujeitos reconheceram mais frequentemente afirmações verdadeiras do que mentiras. No entanto, há estratégias com as quais as enganações podem ser descobertas com alguma margem de segurança.

Tomando por base os estudos levantados por Bond e Bella, pesquisadores da mesma equipe compararam diversos canais sensoriais. Ao analisar os resultados dos exames, os estudiosos chegaram à conclusão de que sinais acústicos ajudam mais a reconhecer engodos que visuais: nos experimentos, os sujeitos podiam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouviam a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o falante, à procura de sinais reveladores.

Para reconhecer engodos, sinais acústicos são mais eficazes que informações visuais: as pessoas costumam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouvem a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o outro Se os participantes assistiam a um vídeo sem som, a cota de acertos eram apenas aqueles 50%, obtidos também por adivinhação. Mas se durante a exibição das imagens eram apresentadas as vozes correspondentes, a cota de acerto de seus julgamentos aumentava para 54%. Mais uma vez, nada assombroso, mas de qualquer forma, havia uma alteração estatística. O que de fato surpreendeu os pesquisadores foi que o resultado não foi pior quando somente o som foi apresentado sem imagem. Ou seja: quem se concentra apenas no comportamento não verbal do outro reduz suas chances de desmascarar um mentiroso. Aparentemente, nossos olhos se deixam enganar mais facilmente e, no final das contas, contribuem pouco para a descoberta de afirmações falsas.

Por isso, vale a pena prestar atenção principalmente no que uma pessoa diz, ficando alerta, por exemplo, para possíveis contradições. Especialistas afirmam que os mentirosos contumazes são, em geral, pouco plausíveis e lógicos. Além disso, raramente admitem que tenham de corrigir sua descrição ou que não consigam se lembrar de algo – para “encobrir os brancos da memória” eles simplesmente inventam informações. Se a pessoa ainda parece nervosa e fala em tom mais alto do que o de costume, então devemos ter cuidado: ela tem grandes possibilidades de estar mentido. Os estudos avaliados por Bond e Bella também revelaram que vários participantes conseguiram reconhecer as declarações falsas de forma mais clara quando o mentiroso foi pego de surpresa e não teve tempo de planejar o que diria. Por isso, cobrar explicações imediatas pode desmascarar um potencial discípulo do Barão de Münchhausen.

Na opinião do psicólogo Aldert Vrij, pesquisador da Universidade Britânica de Portsmouth, uma boa estratégia é fazer a pessoa da qual desconfiamos que esteja mentindo falar o máximo possível. Nesse momento ela precisa pensar rapidamente e corre o risco de contradizer-se. E quanto mais ela falar, mais difícil será para ela controlar tanto o conteúdo do que diz quanto o próprio comportamento. Portanto, pedir para que repita trechos do que foi dito também costuma ser eficaz para detectar brechas nos discursos. “Essa técnica de interrogatório, muito conhecida de romances e filmes policiais, revela-se, de fato, sensata”, observa Vrij.

No entanto, os defensores da lei não são fundamentalmente melhores em detectar mentirosos. Juízes e psiquiatras, aos quais é comum atribuirmos, intuitivamente, uma capacidade de detecção de mentiras acima da média, tampouco obtiveram melhores cotas de acerto nos testes, segundo Bond e Bella. Da mesma forma, não há diferença entre homens
e mulheres, descobriu o psicólogo Mike Aamodt da Universidade Radford, estado da Virgínia, Estados Unidos, ao realizar outra análise, em 2006. Além disso, a idade e o grau de instrução de uma pessoa pouco influenciam sua capacidade como detector humano de mentiras.

VANTAGEM DA INSEGURANÇA
Junto com o psicólogo Patrick Müller, da Universidade de Utrecht, na Holanda, investiguei em 2008 outra hipótese, elaborada com base em pesquisas antigas: como a insegurança emocional leva as pessoas a ficar mais atentas ao outro e a prestar mais atenção ao conteúdo de suas afirmações, ela poderia ajudar a diferenciar mentiras e verdades. Com a ajuda de um questionário, inicialmente registramos o grau de insegurança emocional individual de 600 voluntários. Em seguida, cada um assistiu a um vídeo com oito relatos de pessoas que descreviam como tinha sido para elas enfrentar a prova para obtenção da habilitação como motorista. Mas havia um porém: apenas a metade dos relatos era verdadeira, as outras pessoas ainda não tinham carteira de habilitação nem vivido a experiência de passar pela prova.

Realmente, quanto mais inseguros emocionalmente os participantes se sentiam, melhor puderam reconhecer os falsos relatos. A fim de demonstrar que a insegurança era mesmo o motivo dessa capacidade, e não apenas um efeito colateral, realizamos um segundo experimento, no qual elevamos a insegurança artificialmente. Para isso, pedimos a uma parte dos sujeitos de nossa pesquisa que respondesse a duas questões: “Você é acometido de que emoções quando pensa em assistir televisão? Como você se sente fisicamente quando assiste à televisão?”. Essas perguntas não têm nenhuma relação com insegurança e, portanto, não poderiam influenciá-los. O verdadeiro grupo-teste foi objetivamente manipulado: “Você é acometido por quais emoções quando se sente inseguro? Como você se sente fisicamente quanto está inseguro?”. Um questionário aplicado em seguida aos participantes do experimento comprovava: depois de responder a essas duas perguntas – que evocavam determinadas emoções –, os sujeitos se sentiam, em geral, mais inseguros que os membros do grupo de controle.

Em seguida, todos os participantes assistiram a duas sequências de vídeo, nas quais as pessoas falavam sobre filmes que apreciavam muito ou que não gostaram nem um pouco. Os sujeitos do grupo manipulado – ou seja, os que estavam mais inseguros – diferenciaram melhor entre relatos verdadeiros e falsos: eles classificaram corretamente, em média, 58% dos depoimentos. Os integrantes do grupo de controle, por sua vez, tiveram uma cota de acerto de apenas 50% – mais uma vez idêntica à esperada ao acaso.

Portanto, convém evitar o excesso de confiança quando tentar desmascarar um mentiroso. Afinal, não é novidade que quem acredita já saber uma resposta procura apenas por indícios que a comprovem – independentemente de sua veracidade. E, por fim: se tiver de admitir que foi enganado por alguém, não fique muito chateado. Talvez seja um consolo saber que outras pessoas também passam por isso, como mostrou outro estudo publicado pelos psicólogos Bond e DePaulo em 2008. Segundo eles, os indivíduos pouco se diferenciam em sua habilidade de reconhecer invencionices – a maioria de nós é um verdadeiro fracasso como detector de mentira. Já a amplitude da capacidade individual de contar inverdades é maior, de forma inversamente proporcional. O espectro vai do perfeito enganador até o Pinóquio humano, no qual se percebe uma mentira mesmo a 10 metros de distância. Conclusão: para desmascarar alguém, dependemos menos de nossa própria capacidade – e quase exclusivamente da habilidade do outro de esconder a verdade.

AMIZADE – Frases e provérbios


"Alegria compartilhada é alegria em dobro; Tristeza compartilhada, é tristeza pela metade."
Provérbio sueco

********

"O Caminho para a casa de um amigo nunca é longe."
Provérbio dinamarquês

********

"Bons momentos melhorados; maus momentos esquecidos. Esse é o efeito mágico de uma amizade."
Malvi Binch

********

"Sem a amizade humana, o ser humano não consegue sobreviver."
Dalai Lama

********

"Uma única rosa pode ser meu jardim... um único amigo, meu mundo."
Leo Buscaglia

********

"Amigo é a pessoa que consegue enxergar nossa alma."
autor desconhecido

********

"A Alegria não está nas coisas, ela está em nós e em nossos amigos. "
Richard Wagner

********

"Um amigo é um segundo Eu."
Cícero

********

"Um amigo é como um Sol. Vire o rosto para o Sol, e as sombras ficarão atrás de você"
Provérbio Maori

********

"As melhores e mais lindas coisas não podem ser vistas e nem mesmo tocadas. Elas devem ser sentidas com o coração. A Amizade é a maior delas. "
Helen A. Keller

********

"Não caminhe a minha frente, pois talvez eu não consiga segui-lo. Não caminhe atrás de mim, pois talvez eu não possa guiá-lo. Caminhe ao meu lado, e seja meu amigo. "
Albert Camus

O LADO OBSCURO DA PALAVRA - Flávio Gikovate

Uma das mais fascinantes aquisições da nossa espécie foi a linguagem. Mesmo dispondo de um cérebro competente e da laringe, foram necessários vários milênios para que pudéssemos construir um conjunto de sons correspondentes a objetos, seus atributos e ações.

Depois, os sons tiveram de ser transformados em algum tipo de sinal, de desempenho – precursor das palavras e, finalmente, das letras que as compõem. O que cada criança demora poucos anos para aprender nos custou muito tempo e suor para construir.

Estabelecida a linguagem, passamos a experimentar um período de grande e rápida evolução, que correspondeu aos últimos 5 mil anos de nossa história.

A transferência de informações de uma geração para outra ficou muito mais fácil devido à existência da palavra, de modo que temos acumulado conhecimento a uma velocidade cada vez maior.

Como consequência, surgiram novos conceitos e ideias, e tudo isso acabou promovendo o progresso tecnológico de que tanto nos orgulhamos.

Nossa memória foi suficiente para armazenar todo o conjunto de dados necessários para a evolução em cada setor das atividades humanas.

Essa característica de nosso cérebro pode ser estimulada graças ao desenvolvimento da linguagem, pois é por meio das palavras que os fatos e os conceitos se fixam no sistema nervoso.

A comunicação entre as pessoas também experimentou grande avanço. A narrativa literária ficou cada vez mais sofisticada.

Usando a linguagem, sabemos expressar os mais diversos estados da alma. Podemos fazer perguntas sobre as sensações do outro. Podemos conhecer suas alegrias e a razão de suas amarguras, de forma fácil e direta.

Infelizmente, parece que tudo é uma faca de dois gumes. Até agora, falamos das impressionantes vantagens que obtivemos com a aquisição da linguagem. Mas existe também o lado negativo desse processo que nos permitiu um uso mais adequado da inteligência.

Por exemplo, uma pessoa, ao perceber que será punida se outras descobrirem determinado comportamento seu, poderá tentar esconder o fato por meio das palavras.

A mentira não deixa de ser uma utilização sofisticada da inteligência, mas também é um subproduto dela por seu caráter imediatista. Pode ajudar momentaneamente. A médio e a longo prazo, leva o mentiroso a se perder, afastando-o da realidade. Sim, porque ele passa a utilizar a razão de forma menos rigorosa e precisa.

A mentira é “coisa dos espertos”, dos que querem tirar vantagem sempre. Nunca aproximará alguém da verdadeira sabedoria e serenidade. A longo prazo, não há trambique no jogo da vida.

A linguagem se estabeleceu e com ela achamos os meios para uma comunicação interpessoal extraordinariamente fácil e direta. Por outro lado, os seres humanos aprenderam a usar a linguagem para afastar o interlocutor da verdade.

Por meio da mentira, as palavras ganharam peculiaridades muito negativas. Passaram a ser utilizadas para que uma pessoa consiga se impor indevidamente sobre outra.

A comunicação foi dando lugar ao jogo de poder, à dominação, ao desejo de enganar com o intuito de obter vantagens. Em vez de perseguir a verdade, a maioria costuma perseguir a vitória.

Como distinguir a verdade da mentira? Nem sempre é simples. Nem sempre é possível fazer essa separação. Muitas vezes, teremos de lançar mão da nossa sensibilidade para captar, nos gestos e nas atitudes do outro, suas intenções.

Mesmo assim, vale a seguinte regra geral: sempre que as palavras não estiverem de acordo com os fatos, prevalecem os fatos.

Se um homem diz a uma mulher que a ama muito e a maltrata o tempo todo, consideramos o tratamento e não a palavra.

Falar é fácil e, depois da invenção da mentira, só tem valor quando a palavra vem acompanhada de atitudes que confirmem o que está sendo dito.

CONSELHOS QUE SEMPRE DÃO ERRADO 2 - Ana Carolina Prado

“Acredite em si mesmo e não aceite uma derrota!” 

“Você precisa ter uma autodisciplina impecável para ter sucesso”. 

A explosão dos livros de autoajuda tornou a psicologia tão popular que, agora, muita gente acha que entende e vive dando pitaco na vida alheia. Por isso, um monte de conceitos errados de psicologia estão sendo espalhados por aí disfarçados de conselhos bem-intencionados.

Você já perdeu a conta de quantas vezes ouviu essas frases, certo? É claro que boas doses de autoconfiança e disciplina são necessárias para atingirmos nossos objetivos. Mas a ciência já descobriu que é preciso pegar leve com essa exigência toda.


Estudos recentes revelaram que quem cobra demais de si mesmo apresenta níveis mais altos de depressão e ansiedade. Enquanto isso, quem é mais compreensivo com as próprias falhas é mais feliz, otimista e, de quebra, ainda tem mais saúde.

A professora de desenvolvimento humano da Universidade do Texas em Austin Kristin Neff, uma das pioneiras nesse novo campo da psicologia chamado autocompaixão, diz que muita gente não é compreensiva consigo mesma porque teme cair na autoindulgência ou baixar seus padrões de excelência. “Eles acham que a autocrítica é o que os mantêm na linha”, disse ela ao New York Times. Tudo culpa da ideia difundida de que se deve ser extremamente exigente e autocrítico para ter sucesso. 

Mas a verdade é que, segundo Neff, a autocompaixão estimula as pessoas porque as leva a se cuidarem melhor. Quanto mais você se cuidar – e quanto menos energia gastar se criticando – melhor se sairá.


Agora, como é que vamos saber a medida exata de autocompaixão? Uma boa saída é nos perguntarmos se tratamos nós mesmos tão bem quanto tratamos nossos amigos e familiares. E isso é mais difícil do que parece. Um estudo recente descobriu que, no geral, as pessoas que costumam apoiar e compreender as falhas dos outros são muito mais rígidas com suas próprias falhas.

Em termos práticos: como você agiria se tivesse um filho com dificuldades na escola? Muitos pais dariam apoio e ajudariam com aulas extras
.
Mas e quando você é quem está nessa situação, talvez com problemas no trabalho ou com dificuldade para emagrecer? Aí o tratamento muitas vezes é diferente: cai-se num ciclo de negatividade e excesso de crítica. Se essa estratégia é inútil na hora de ajudar outra pessoa, por que haveria de funcionar com nós mesmos?

Um estudo de 2010 da Universidade de Wake Forest mostrou que um pequeno incentivo à autocompaixão já produz resultados. Os pesquisadores convidaram 84 mulheres para uma experiência de degustação de alguns doces engordativos que são proibidos para quem deseja manter a forma. Um instrutor pediu a algumas voluntárias que não fossem duras consigo mesmas, já que todo mundo naquele estudo comeria aqueles doces e não havia razão nenhuma para se sentirem mal ao fazerem isso também.

No fim, as mulheres que costumavam ter sentimento de culpa a respeito de alimentos proibidos e que ouviram aquela mensagem comeram menos do que as outras. 

Os pesquisadores acreditam que isso aconteceu porque, ao se permitirem apreciar os doces, elas os apreciaram melhor e ficaram satisfeitas com menos. Já quem estava com sentimentos de culpa acabou comendo mais para tentar se sentir melhor. 


Coisa que, no máximo, permitiu só um prazer momentâneo e aumentou o sentimento de culpa posterior, num círculo vicioso. Isso também pode funcionar com o vício na internet, por exemplo. Ou com problemas de concentração.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE PERSONALIDADE E EMOÇÕES?

Cada um de nós é como é, igual a ninguém que já foi, isso é evidente. No entanto, alguma vez você já se perguntou até que ponto o seu jeito de ser influencia a forma como você se sente ou o fato de aparecerem na sua vida mais emoções positivas ou negativas? Até que ponto a sua personalidade influencia a inclinação desta balança?

Se somos felizes, nossa saúde mental será melhor, sentiremos um maior bem-estar subjetivo, e nossa própria satisfação com a vida será maior. Descubra se os seus traços de personalidade fazem a sua felicidade ser maior ou, se ao contrário, fazem com que predominem as emoções negativas na sua vida!

“Quem sou eu? Estou tentando descobrir.”
-Jorge Luis Borges-

Por que o afeto positivo é benéfico?

O afeto positivo é a propensão a vivenciar mais emoções positivas do que negativas ao longo do tempo. Estas emoções agradáveis fazem com que as pessoas tenham um repertório de condutas mais amplas e ricas do que aquelas que sentem mais mal-estar emocional. Além disso, promove hábitos de vida saudáveis, de modo que é uma forma eficaz de prevenção.

Isto faz com que a satisfação com a vida seja maior. Esta satisfação é a percepção que temos, cada um de nós, da quantidade e da qualidade da felicidade que desfrutamos. Mas, que importância tem isto no nosso bem-estar? Muita. E não somente a nível psicológico, mas também a nível físico. Uma alta satisfação com a vida está relacionada a uma maior expectativa de vida, saúde e longevidade.

De fato, implica uma vantagem no equilíbrio hormonal, assim como em outros indicadores tanto do sistema fisiológico quanto imunológico. Também está associado a uma maior satisfação com os relacionamentos sociais (tanto as amizades quanto os relacionamentos amorosos) e com o próprio salário e trabalho. Por fim, faz com que tenhamos estratégias de enfrentamento adaptativas, direcionadas à solução de problemas.

A personalidade e a felicidade

Foram realizadas diversas pesquisas a respeito de como os traços de personalidade influenciam os tipos de emoções que predominam em nossas vidas. Então, descobriu-se que a neurose está relacionada com a afetividade negativa, enquanto a extroversão está relacionada com a positiva. Em outras palavras, as pessoas introvertidas costumam pontuar mais alto em afeto negativo e as extrovertidas em afeto positivo.

“Os pensamentos são os tijolos com os quais você haverá de construir o edifício da sua personalidade. O pensamento determina o destino. O mundo que o rodeia é o reflexo dos seus próprios pensamentos.”
-Swami Sivananda-

Agora vejamos os diferentes tipos de personalidade afetiva. Existem quatro. O primeiro é o das pessoas autoconstrutivas, que pontuam alto quanto a afeto positivo e baixo em negativo. Este primeiro tipo, como é evidente, apresenta maiores níveis de felicidade ou bem-estar subjetivo.

O segundo tipo de personalidade é o afetivo-alto. Aqui estão as pessoas com afeto intenso, tanto para o polo positivo, quanto para o negativo. São os que seguem, em termos de mais felicidade. A seguir vêm os do terceiro tipo: os afetivos baixos. Quem são eles? Os que apresentam baixos níveis de ambos tipos de afeto.

Por fim, os menos felizes são os do tipo de personalidade afetiva autodestrutiva. Estas pessoas apresentam baixos níveis de afetividade positiva, mas altos níveis de afetividade negativa. Isto posto, não é difícil imaginar que seus níveis de bem-estar subjetivo sejam os mais baixos.

A personalidade e a resiliência

Estas pesquisas também descobriram que o tipo autoconstrutivo apresenta uma pontuação elevada em extroversão e poucos pontos em neurose. Mas não só isso, também obtém elevadas pontuações em outro aspecto que não mencionamos até agora: a responsabilidade.

“Às vezes, diante do mau comportamento dos outros, a gente se sente orgulhoso de ser como é.”
-André Maurois-

Este perfil de personalidade não apenas se relaciona com níveis mais elevados de felicidade, mas também se associa a uma maior resiliência: a capacidade de ver as dificuldades como desafios a superar e dos quais sair fortalecidos, em vez de enxergá-los como muralhas intransponíveis ou ameaças.

Então, as pessoas que não se consideram capazes de enfrentar as situações se enquadram no perfil de vulnerável ou inibido. Ou o que é o mesmo: com o tipo autodestrutivo.

Conclusão, a personalidade tem uma forte relação não só com as nossas emoções como, também, com a nossa saúde global, influenciando os diferentes âmbitos de nossas vidas, com tudo que isto significa.

CONTÁGIO EMOCIONAL: COMO TRANSMITIMOS NOSSAS EMOÇÕES AOS OUTROS?

Você já reparou que, quando você sorri, a pessoa com quem está falando lhe devolve o sorriso? Já notou o que acontece quando alguém próximo a você está triste e lhe conta o que está acontecendo? O que acontece com os vidrados em futebol quando o seu time marca um gol? As respostas a essas perguntas estão em um fenômeno conhecido como contágio emocional. Vejamos do que se trata.

Cada vez que interagimos com uma ou várias pessoas, os mecanismos de contágio emocional entram em funcionamento. Seja no nosso relacionamento amoroso, no nosso grupo de amigos ou no lugar onde trabalhamos, nossos relacionamentos são afetados pela forma como nos dirigimos ao outro.

Desta forma, e segundo o renomado cientista Daniel Goleman, cada um de nós é, em grande parte, responsável por como os sentimentos das pessoas com as quais interagimos diariamente nos afetam, tanto a nível positivo quanto negativo. Mas, quais são os mecanismos responsáveis para isso acontecer?

As emoções se contagiam

O jeito como o motorista do ônibus nos cumprimenta no início de um novo dia pode nos fazer sentir ignorados, ressentidos ou, em vez disso, valorizados. As emoções, apesar de serem invisíveis, são contagiadas como se fossem um vírus, e fazem isto através da troca subterrânea em cada um de nossos relacionamentos, percebendo-as como negativas ou nutritivas.

O contágio emocional é um processo imperceptível e sutil que acontece constantemente, no qual são emitidos sinais emocionais afetando as pessoas ao nosso redor.

A transmissão de emoções é um processo primitivo e inconsciente que age como uma sincronia e nasce da nossa sobrevivência. Através de diversos mecanismos as pessoas desenvolvem uma dança emocional para entrar em sintonia por meio da mímica da expressão facial. Tudo começa com um sorriso, uma expressão de raiva ou algumas lágrimas. Basta ver alguém expressar uma emoção para que evoque em nós mesmos um estado semelhante.

Apesar de geneticamente todos estarmos preparados para ser participantes deste contágio, existem pessoas que têm maior capacidade para transmitir emoções ou de se contagiar pelos outros. Pessoas hipersensíveis são como esponjas emocionais capazes de absorver qualquer ápice emocional que acontecer ao seu redor, como as PAS (Pessoas altamente sensíveis). Mas ao contrário, também existe a outra face da moeda, aquelas pessoas incapazes de sentir emoções, como os psicopatas. No entanto, quem é o responsável por esse contágio emocional?

O papel dos neurônios espelho no contágio emocional

No cérebro existe um grupo de neurônios que, segundo Daniel Goleman, funcionam como um “wifi neurológico” para se conectar com outros cérebros e refletem em nós o que observamos dos outros. São os neurônios espelho. Eles são os responsáveis, por exemplo, por nos emocionarmos quando vemos um filme ou pelo susto que tomamos quando vemos uma pessoa sofrer uma pancada.

Quando os neurônios espelho se ativam, colocam em funcionamento os mesmos circuitos cerebrais que aqueles que estão ativos na pessoa que observamos. Desse modo, é possível sentir uma emoção como própria, mesmo que não a estejamos executando. Então, graças a elas e a outras zonas do nosso cérebro, como a ínsula, é possível explicar o fenômeno do contágio emocional.

Mas, qual é a pessoa que define o tom emocional de um grupo? Segundo diversas pesquisas, o membro mais expressivo emocionalmente se for um grupo de iguais. Mas, quando se trata de um contexto como o trabalho ou uma aula, na qual existem diferenças de poder, será a pessoa mais poderosa a definir o estado emocional do restante.

O contágio emocional acontece sempre que interagimos. O seu fio condutor é a empatia.

Empatia versus contágio emocional

Muitas pessoas, ao falarem do fenômeno do contágio emocional, o assemelham à empatia, mas embora tenham alguns pontos em comum e em algum momento um se sirva do outro, não são a mesma coisa.

Sentir empatia é se colocar no lugar do outro, considerar o seu ponto de vista sobre a vida e seus sentimentos. Uma arte que nem todo mundo é capaz de aplicar nos seus relacionamentos com as outras pessoas, mas que ajudaria muito se o fizessem. No entanto, colocar-se no lugar do outro não implica se desfazer dos sentimentos e emoções próprios. Simplesmente é considerar que existe e tentar compreendê-lo.

Por outro lado, o contágio emocional significa sentir como próprias as emoções dos outros e não saber como se desprender delas, sofrendo suas consequências.

Para compreender a diferença, podemos pensar que a empatia é como mergulhar na água e o contágio emocional é como tomar um copo d’água. A primeira experiência nos leva a conhecer e compreender o comportamento deste fluido e a segunda passa a fazer parte de nós.

Esta diferença não implica que em algum momento ambas não sejam necessárias, e para conseguir sentir empatia será necessária uma pequena dose de contagio emocional, mas sem chegar a vivenciar um sequestro emocional. Isto não significa que o contágio emocional seja ruim; a verdade é que nos tira autonomia, mas se as emoções contagiadas forem positivas, maravilha! Quem não gosta dessa risada boba que somos incapazes de deter e que os outros nos contagiam?
Fonte:A mente é maravilhosa

A ARTE DE ENVELHECER – Dráuzio Varella

Achei que estava bem na foto. Magro, olhar vivo, rindo com os amigos na praia. Quase não havia cabelos brancos entre os poucos que sobreviviam. Comparada ao homem de hoje, era a fotografia de um jovem.

Tinha 50 anos naquela época, entretanto, idade em que me considerava bem distante da juventude. Se me for dado o privilégio de chegar aos 90 em pleno domínio da razão, é possível que uma imagem de agora me cause impressão semelhante.

O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias.

Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual nós somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico.

Da mesma forma que ensaiamos os primeiros passos por imitação, temos que aprender a ser adolescentes, adultos e a ficar cada vez mais velhos.

A adolescência é um fenômeno moderno. Nossos ancestrais passavam da infância à vida adulta sem estágios intermediários. Nas comunidades agrárias o menino de sete anos trabalhava na roça e as meninas cuidavam dos afazeres domésticos antes de chegar a essa idade.

A figura do adolescente que mora com os pais até os 30 anos, sem abrir mão do direito de reclamar da comida à mesa e da camisa mal passada, surgiu nas sociedades industrializadas depois da Segunda Guerra Mundial. Bem mais cedo, nossos avós tinham filhos para criar.

A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim.

A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém sabe-se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século 20, a expectativa de vida ao nascer nos países da Europa mais desenvolvida não passava dos 40 anos.

A mortalidade infantil era altíssima; epidemias de peste negra, varíola, malária, febre amarela, gripe e tuberculose dizimavam populações inteiras. Nossos ancestrais viveram num mundo devastado por guerras, enfermidades infecciosas, escravidão, dores sem analgesia e a onipresença da mais temível das criaturas. Que sentido haveria em pensar na velhice quando a probabilidade de morrer jovem era tão alta? Seria como hoje preocupar-nos com a vida aos cem anos de idade, que pouquíssimos conhecerão.

Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá aos 60 o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo.

Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude é torná-la experiência medíocre. Julgar, aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época.

Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem "cabeça de jovem". É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez.

Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.

O DIA EM QUE DECIDI SER FELIZ - Luciana Marques

Você acha que é uma decisão simples, não é? Ser feliz! Pois está achando muito bem, é simples assim. Difícil é lidar com as consequências e manter os pés cravados nas certezas que te fizeram dar aquela respirada, erguer a cabeça e dizer: “Basta, eu quero agora é ser feliz!”

A maioria das pessoas está buscando a própria felicidade e, nos intervalos, dão pitaco sobre como você deve buscar a sua. No final das contas, cada um está defendendo o seu, porque a vida é assim mesmo, tudo pela sobrevivência. E para sobreviver é necessário um bocado de egoísmo, preciso te dizer. Justamente por isso, quando opinarem sobre seu modus operandi de felicidade, as pessoas estarão, no final das contas, pensando no que as deixaria mais felizes, para que você aja de acordo com esse objetivo.


Blá, blá, blá (porque eu adoro uma divagação), quero mesmo é te dizer que decidir ser feliz é simples, basta você estender a mão esquerda e pousar a direita sobre seu coração num juramento: “Felicidade ou morte!” E arcar com as consequências! Fique sabendo, para você ser feliz, muitas coisas vão morrer, vão se perder, vão partir, e vez por outra, partir também seu coração.

A primeira constatação triste que fiz ao escolher ser feliz é que as pessoas se desapontam com nossas decisões pessoais. Eu acho difícil entender como a mesma boca que diz “eu te amo, quero o seu bem”, pode desrespeitar o seu direito de escolher como é que vai buscar esse “estar bem”. Porque eu gosto de amarelo e você talvez goste de roxo, e daí? Eu detesto jiló, você talvez adore (alguém deve adorar). Eu tenho minha maneira de seguir meu caminho… Vai lá no dicionário e busque a definição de minha, por favor!

Em seguida, e em suma, percebi que todos estão buscando sua própria felicidade. É olhar pro umbigo e seguir caminho! Só que além do próprio umbigo, as pessoas insistem em ditar as regras que vão nortear nossa felicidade. São aquelas pessoas que a gente tem em alta estima e que cismam em estragar tudo quando demonstram que não estão nem aí para você, elas querem é que as coisas sigam os moldes delas.

Caminho para ser feliz

Foi assim que vi que não estando mais dentro de uma forminha, do tal molde da vida alheia, eu já não me encaixava mais e de onde não saí por livre e espontânea vontade, fui expulsa sem cerimônias (ou ainda estou insistindo em uma permanência teimosa e fadada ao fim). Vi morrer laços de uma vida toda, vi olhos de julgamento e condenação, vi se perderem no tempo velhas convicções, assisti à partida de pessoas que quis tão bem e que, ao me verem decidir sobre a minha felicidade, se foram e partiram meu coração.

O dia em que decidi ser feliz…

Eu chorei. Eu sofri. Parte minha morreu também. “Toma cuidado para não ficar buscando a felicidade e nunca encontrar”, eu ouvi. Refleti sobre essas palavras… E se eu estivesse equivocada, deixando de perceber que a felicidade estava logo ali e eu estava incessantemente buscando mais e mais sem nunca encontrar?


Então me dei conta de que o que eu estava fazendo era justamente estacionar num ponto onde possivelmente estivesse a minha felicidade e insistindo em extraí-la dali, com medo de partir em busca da felicidade sem nunca encontrá-la e deixar passar despercebida a oportunidade que eu tinha em minhas mãos.

O dia em que decidi ser feliz foi quando atropelei velhos padrões. Puxei a cortina de um espetáculo sem graça (para mim) e para meu espanto, ela revelou um horizonte incrível com uma infinidade de caminhos por onde eu pudesse seguir. No centro desses caminhos havia uma placa indicativa dizendo: Siga seu coração.

Escolhi ser feliz

Foi então que eu fechei os olhos, abri os braços, estendi a mão esquerda e pousei a direita sobre o meu coração e sussurrei fazendo um eco enorme dentro de mim: “Felicidade ou morte!” Eu me senti feliz… E experimentei a estranha tristeza da morte de muitas coisas, laços e sentimentos. Chorei a partida, como choro até hoje, de muitas pessoas em minha vida. E decidi, para mim, que essas pessoas que iam com tanta facilidade, na verdade nunca estiveram.

Sabe o que é? Para muitas pessoas, convivência é sinônimo de conveniência.

O dia em que decidi ser feliz constatei (feliz), que sou uma pessoa que vive com o coração. E esse grupo de pessoas, eu preciso te dizer, a vida golpeia sem piedade. Então percebi que ser feliz é como aprender a andar de bicicleta todos os dias. A gente fica tentando se equilibrar entre um estabaco e outro e levanta, ralado e satisfeito, por estar conseguindo manter o equilíbrio e experimentando a liberdade de ser feliz.

E se convivência for mesmo sinônimo de conveniência, escolho viver ao lado de pessoas que me façam, convenientemente, feliz!

CONHEÇA AS IMPRESSIONANTES MUDANÇAS CEREBRAIS QUE A LEITURA PROVOCA

Você conhece as impressionantes 
mudanças cerebrais que a leitura provoca?

Diferentes atividades podem gerar mudanças cerebrais positivas. Uma delas é a leitura. Ela é fascinante e provoca modificações incríveis. Devo dizer que nem todos os livros são capazes de causar grande impacto mental. De acordo com vários estudos, ler histórias sobre personagens, reais ou fictícios, é uma das atividades que geram mais transformações.

Atualmente muitos se perguntam para que serve a literatura. Na verdade, algumas pessoas até questionam seu valor, acreditando que é o mesmo que assistir a um filme, mas com uma dose extra de dificuldade. Um livro e suas letras devem competir com os efeitos especiais alcançados no cinema ou na televisão. Nem todos conseguem chegar a esse ponto onde você faz parte do livro que está lendo, então, preferem ver tudo em uma tela.

No entanto, é claro que a leitura é uma experiência muito diferente da de assistir a um filme. Primeiro, você precisa de mais concentração, abstração e imaginação. Em segundo lugar, as mudanças que ela provoca no cérebro são muito mais intensas e duradouras. Vejamos o que alguns especialistas dizem sobre isso.

Mudanças cerebrais na percepção

A sua percepção do mundo muda quando você está lendo. Como afirma Keith Oatley, professor de Psicologia Cognitiva da Universidade de Toronto (Canadá), ler uma cena bem descrita equivale a vê-la.

O que sua mente faz é trazer objetos da sua memória que são semelhantes à cena descrita. Isto é como criar uma espécie de fotografia mental. Portanto, vários processos são ativados ao mesmo tempo, envolvendo memória, percepção e criatividade.

No final de uma leitura que contenha várias cenas bem descritas, teremos a capacidade de criar um álbum de cenas próprio e intransferível. É a sua mente que acomoda todos os elementos, fazendo uma associação entre o que lê e o que sabe. Isso produz mudanças no cérebro em termos de percepção e inteligência.

Ler também é viver

Raymond Mar, pesquisador, doutor em Psicologia pela Universidade de York, vai mais longe. De acordo com estudos feitos sobre isso, tudo parece indicar que o cérebro não distingue bem o que lê do que vive. Algo semelhante acontece quando assistimos a um filme, mas no caso da experiência da leitura, ela é mais íntima e profunda, de modo que gera mudanças cerebrais mais importantes.

Nossos cérebros se comportam de uma maneira muito semelhante quando imaginamos uma história e quando a vivemos na realidade. O Dr. Mar disse que ao ler o que um personagem está fazendo, em nosso cérebro são ativadas as mesmas áreas que o personagem precisaria ativar para realizar o que se propunha. Em outras palavras, vivemos esta leitura como se fôssemos o próprio personagem.

Estas mudanças que acontecem no cérebro são tão relevantes que podem ser localizadas e identificadas através de exames de neuroimagem. Por exemplo, quando o personagem anda, em nosso cérebro são ativadas as áreas motoras relacionadas ao andar. Literalmente vivemos o que lemos, e tudo graças a um tipo específico de neurônios, os neurônios-espelho. Sim, aqueles mesmo que, por exemplo, nos fazem imitar um bocejo quando vemos alguém bocejar, ou os mesmos que fazem um bebê sorrir quando lhe sorrimos.

A leitura e a empatia

Os pesquisadores dão muita ênfase às mudanças cerebrais induzidas pela leitura sobre a empatia. Primeiro, eles detectaram que as áreas do cérebro que são usados ​​para ler e compreender as ações de certos personagens são as mesmas que usamos para entender outras pessoas. No final, o que se resta no fundo de ambas as experiências é um processo de comunicação.

Assim, por um lado, vivemos o que o personagem vive como se fôssemos nós mesmos. Por outro, ao fazer este exercício também estamos aumentando nossa capacidade de compreender os outros, ao associar situações e emoções. Conclusão: a leitura é uma maneira de praticar e enriquecer nossa empatia. Nós alteramos nosso ponto de vista quando fazemos uma leitura que envolve contar uma história.

A leitura modifica nosso cérebro

O Dr. Mar dá um exemplo concreto disso. Ele se refere ao caso de uma pessoa com deficiência. Se suas experiências são narradas com muitos detalhes, e ainda que não tenhamos nenhuma limitação, chega o momento em que nós entenderemos o que aquela pessoa sente. Em outras palavras, aprendemos a nos colocar no lugar dos outros.

Estas são apenas algumas das contribuições que leitura nos traz. São as mudanças cerebrais que acontecem quando você pega um livro em suas mãos e é capturado por ele. Elas são dezenas. Uma boa leitura nos transforma positivamente, nos permite crescer, unir-nos mais profundamente à humanidade e nos tornarmos mais inteligentes.

Anúncio

Anúncio