PARENTE É PIOR QUE CHEFE - Cristiane Segatto

Os relacionamentos estressam mais que o 
trabalho e o trânsito, revela uma pesquisa inédita no Brasil.
Quatro estratégias para lidar com ele.

A psicóloga Marilda Lipp é uma das principais pesquisadoras das causas, consequências e tratamento do estresse no país. Pós-doutora pelo National Institutes of Health, dos Estados Unidos, ela é autora de 22 livros e dirige a clínica privada Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS). Em seu mais recente projeto, Marilda decidiu aplicar no Brasil uma pesquisa on-line, de acordo com o método usado nos EUA pela Associação Americana de Psicologia.

Pela internet, Marilda conseguiu em abril e maio deste ano uma amostra inédita em pesquisas do gênero: 2.195 participantes, de várias regiões e de todos os níveis de renda e escolaridade -- de faxineiras a pós-doutores. O resultado, divulgado com exclusividade por esta coluna, foi surpreendente.

Os fatores que atualmente mais estressam os brasileiros:
1) Relacionamentos (18%)
2) Problemas financeiros (17%)
3) Sobrecarga de trabalho (16%)
4) Trabalho em si (13%)
5) A maneira de pensar do entrevistado (8%)

E o trânsito? A violência? A péssima qualidade de vida nas grandes cidades?
Sim, esses ladrões de saúde apareceram entre as respostas espontâneas, mas foram muito menos citados que as dificuldades de relacionamento. A esfera privada, segundo os entrevistados, estressa mais que os fatores relacionados à coletividade.

De todos os tipos de relacionamento que provocam estresse, os mais frequentes foram os familiares (7,85%), os amorosos (7,01%), a convivência com colegas de trabalho (2,12%) e com o chefe (1,58%).

“Os brasileiros estão confusos em relação ao papel de cada um na família. Os valores mudaram e faltam limites. Os adolescentes não sabem mais o que é normal e o que não é. Isso tudo complica os relacionamentos e faz sofrer”, diz Marilda.
Dificuldades de relacionamento em casa afetam mais a autoestima e a segurança que os problemas no âmbito profissional. “Quando o foco do problema é o trabalho, a pessoa pode tentar deixá-lo lá quando vai embora Se o que vai mal é a família, tudo fica mais difícil.”

Difícil não quer dizer impossível. Sempre há como melhorar as habilidades de comunicação dentro de casa, discutir e rever valores e criar normas de acordo com a visão da família – e não por pressão social. É fundamental empreender um esforço para priorizar uma área da vida que é de suma importância para a saúde emocional e física.

Não por acaso, os participantes disseram sofrer de doenças que têm forte relação com o estresse, como hipertensão, asma, gastrite, depressão, ansiedade e doença do pânico.

Outros dados interessantes:
- 34% sentiam que o nível de estresse estava extremo no momento da pesquisa
- 37% relataram que o nível de estresse era maior em abril que no ano anterior
- 63% fazem atividade física para aliviar o estresse – o que é ótimo!
- 53% comem para aliviar o estresse – o que é péssimo!
- 75% conversam com amigos ou familiares para aliviar o estresse

“Se conversar com familiares e amigos é a primeira estratégia e as relações interpessoais estão conturbadas, a pessoa fica sem apoio”, diz a pesquisadora.
 
Outras estratégias podem ser cultivadas. Marilda sugere quatro pilares de combate ao estresse. Os três primeiros aliviam sintomas e dão sensação de bem-estar. O quarto pode debelar a pressão excessiva, aquela que compromete a saúde.

1) Mexer o corpo
Descubra a atividade física que você gosta. Se não pode pagar uma academia, encontre outra forma de praticar exercícios. Caminhar, correr, pular corda, jogar futebol não custa nada – ou muito pouco.

2) Relaxar
Cada pessoa relaxa a sua maneira. Se você relaxa depois de praticar ioga, ótimo. Se relaxa assistindo à TV, ótimo também. Não há uma receita única. O importante é reservar 20 minutos diários para descontrair e esvaziar a cabeça. Praticar respiração profunda várias vezes ao dia é uma boa estratégia. Não custa nada, é rápido e oxigena o cérebro. Marilda ensina como fazer isso no livro Relaxamento para todos.

3) Comer bem
Habitue-se a comer de forma equilibrada. Adote uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras. Em momentos de muita tensão, usamos os nutrientes para lidar com tudo o que nos ameaça.

4) Fazer terapia
Se não puder pagar um psicólogo, reflita sobre o que é prioritário e vida de acordo com essas prioridades. Respeite seus limites e aprenda a dizer “não”. Procure ter uma visão positiva da vida. Nem sempre o que nos faz sofrer são os acontecimentos em si, mas a leitura que fazemos deles.

Tudo isso parece autoajuda e, de fato, é. Ninguém melhor do que você para ajudá-lo a se relacionar e viver melhor.

SÁNDOR FERENCZI, UMA REFERÊNCIA PARA A PSICANÁLISE

Sándor Ferenczi 
ficou conhecido na história 
como o “enfant terrible” da psicanálise. 

Este maravilhoso homem da ciência nasceu em 7 de julho de 1873 na Hungria. Seu nome original era Alexander Fränkel. No entanto, seu pai adotou o sobrenome Ferenczi em 1880 e ele, por sua vez, ficou com o diminutivo de Alexander, “Sándor”.

Ferenczi tinha 11 irmãos e perdeu seu pai prematuramente. A partir desse momento a mãe teve que começar a trabalhar na livraria da família. Diz-se que boa parte das teses deste psicanalista vieram desse singular núcleo familiar. Freud, que depois seria seu professor, chegou a mencionar o “complexo fraterno de Ferenczi”.

“Coube à psicanálise a tarefa de exumar problemas
trazidos pela sexualidade que mofavam há séculos
no armário de venenos da ciência”.
-Sándor Ferenczi-

Segundo ele mesmo comentava, viveu sua infância no meio de uma grande falta de afeto. Sua mãe era muito estrita e na família as demonstrações de afeto eram praticamente proibidas. Ao mesmo tempo, a livraria permitiu-lhe adentrar o mundo da leitura desde muito cedo e tornar-se poeta precocemente. Ele se mudou para Viena quando era muito jovem e entrou na universidade para estudar medicina.

Sándor Ferenczi e seu encontro com a psicanálise
Sándor Ferenczi obteve seu diploma de médico aos 21 anos. Depois se especializou em neurologia e psiquiatria. Entre 1899 e 1907 publicou uma grande quantidade de artigos em uma revista húngara especializada em medicina. Essa produção ficou conhecida como Os escritos de Budapeste. Neles, o autor faz uma primeira aproximação com a psicanálise.

Primeiro, Ferenczi se impressionou com o trabalho e as ideias de Carl Gustav Jung. Quando este visitou a Hungria, tiveram a oportunidade de se conhecer. Jung fez com que Ferenczi e Sigmund Freud se conhecessem, já que pensava que os dois conseguiriam ter uma troca de ideias muito enriquecedora.

Desde então teve início uma amizade entre Ferenczi e Freud. Boa parte da biografia de ambos e da história da psicanálise advém da profusa correspondência que eles sustentaram durante vários anos.

Os dramas passionais de Ferenczi
Sándor Ferenczi teve uma vida amorosa cheia de tempestades e contradições. Muitos asseguram que essa vida exemplificou perfeitamente vários conceitos da psicanálise, como o complexo de Édipo e a compulsão à repetição. Aos 31 anos apaixona-se por Gizella, uma mulher casada e 8 anos mais velha do que ele. Ela quis o divórcio, mas seu esposo não, de modo que a relação com Ferenczi se manteve no plano da clandestinidade.

Elma, a filha de Gizella, se sentia profundamente deprimida e sua mãe a aconselhou a fazer psicanálise com Ferenczi. Este a recebeu como paciente e imediatamente começou a sentir que não poderia manter sua neutralidade analítica. Ele se apaixonou pela filha de sua amante, se negou a ser seu psicanalista e a enviou a Freud. Este a atendeu durante três meses e depois a devolveu aos cuidados de Ferenczi.

Enquanto isso, a relação entre Ferenczi e Gizella começou a renascer. Em consulta, Ferenczi convenceu Elma, a filha de Gizella, a ir para longe. Ele finalmente se casou com a mãe da garota, mas essa relação jamais conseguiu superar as cicatrizes desses anos. O que todo esse drama tem a ver com a psicanálise? O triângulo amoroso fez com que Ferenczi percebesse sua própria neurose. Muitas de suas conclusões saíram dessas vivências.

As teses de Ferenczi
Uma das obras mais memoráveis de Sándor Ferenczi é Psicanálise e Pedagogia. Nela, ele analisa o efeito que a chamada educação tem nos traumas e neuroses dos seres humanos. Chega a dizer que a pedagogia quer negar as emoções e as ideias das pessoas. A consequência é que isto leva a criança a aprender a enganar a si mesma, negando o que sabe, o que sente e o que pensa.

Sustenta que a psicanálise deve ser um processo que permita ao indivíduo romper com os preconceitos que o impedem de se conhecer realmente como é. Também introduz valiosas contribuições ao que deve ser uma técnica para  realizar o processo psicanalítico. Uma delas é o que se conhece como “psicanálise didática”. Ou seja, o princípio de que todo psicanalista deve passar por sua própria psicanálise antes de atender pacientes. Está claro porque ele pensava que isso era tão importante.

Criou também a “técnica ativa”, que considerava uma grande flexibilidade no enfoque psicanalítico, o qual depende das características do paciente e das circunstâncias específicas do problema. O conceito tem sido muito questionado, mas ainda hoje tem seus seguidores. Do mesmo modo, desenvolveu o conceito de “identificação com o agressor”, ainda que este geralmente seja atribuído a Anna Freud.

Um de seus biógrafos descreve Ferenczi como “um psicanalista peculiar, sonhador e sensitivo”. Muitos asseguram que sua obra não é suficientemente valorizada. Pode ser verdade. Suas vicissitudes amorosas conquistaram a antipatia e a rejeição de muitos de seus colegas. Talvez seja por isso que seu nome não receba menções honrosas dentro dessa escola.
Fonte: A mente é maravilhosa.
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PARA MELHOR CONHECER AS PESSOAS – Flávio Gikovate

A primeira condição para conseguirmos conhecer melhor as pessoas diz respeito a tratarmos de evitar o erro usual de buscarmos avaliá-las tomando por base a nós mesmos. Ou seja, um erro grave é o de pensar assim: “eu no lugar dela faria isso ou aquilo”; a verdade é que eu não sou ela e a forma de ser e de pensar não acompanha obrigatoriamente a nossa. Temos de nos afastar da nossa maneira de pensar e tentar, com objetividade, entender como funciona o psiquismo de quem queremos conhecer.

Um aspecto importante para quem quer efetivamente conhecer o outro consiste em prestar bastante atenção em seus atos, gestos, expressões corporais e faciais. Podemos saber muito de uma pessoa pela forma como se move dentro de casa, como pega o jornal, se ela serve ou não as pessoas que estão à sua volta, pelo sorriso, pela facilidade com que se irrita, como reage quando está com raiva e assim por diante. Esses traços são particularmente relevantes quando o observado está distraído, sem intenção de impressionar os interlocutores. A objetividade na avaliação é essencial e depende de critérios de valor claros na mente do observador.

É claro que se pode conhecer muito das pessoas por seus sentimentos: sua capacidade de amar e se dedicar, a forma como lidam com o ciúme, como se comportam quando sentem inveja, se têm controle sobre suas emoções ou não.

Um aspecto que me chamou a atenção mais recentemente e que considero extremamente relevante é que as pessoas mais egoístas – as que recebem mais do que dão e que, por isso mesmo, são mais dependentes – são mais realistas e objetivas para analisar o modo de ser das pessoas com as quais convivem. Elas buscam se aproximar de pessoas mais generosas, competentes para lhes dar o que necessitam. Elas sabem perfeitamente que os mais generosos são ricos em sentimentos de culpa, esta que, uma vez estimulada, faz com que não resistam e digam “sim” mesmo quando gostariam de dizer “não”.

É curioso, pois os mais egoístas não são muito empáticos, ou seja, não são competentes para se colocar no lugar das outras pessoas; porém, são objetivos e realistas na avaliação dos que os cercam. Isso nos leva a concluir que a atitude empática, a de se colocar no lugar do outro, pode nos induzir a erros de avaliação bem maiores do que aqueles que derivam da observação direta e objetiva.

Os mais generosos, aqueles que, por vaidade ou incapacidade de lidar com excesso de sentimentos de culpa, dão mais do que recebem, são os que mais erram na avaliação que fazem a respeito de seus interlocutores. A forma como exercem a empatia, a de imaginar o outro à sua imagem e semelhança, ofusca a objetividade que deveriam ter para perceber que os seres humanos não são tão parecidos conosco quanto gostaríamos. A verdadeira empatia deveria se assemelhar à dos “hackers”, aqueles que tentam entrar na mente do outro com isenção, buscando entender como é que ela funciona.

Perceberiam, por exemplo, que os mais egoístas não sentem culpa e não têm pudor em dramatizar situações com o intuito de provocar esse sentimento nos mais generosos. Perceberiam que a ausência de culpa gera uma diferença enorme entre as pessoas, de modo que os mais egoístas mentem com facilidade, inventam sofrimentos duvidosos apenas com o intuito de, pela via da chantagem sentimental, induzir os mais generosos a agir de acordo com sua vontade e satisfazer seus anseios e necessidades.

A conclusão a que devemos chegar é que o realismo e a objetividade são bons mecanismos de exploração do meio externo e que a avaliação das pessoas também deve ser regida pela observação dos fatos e não por ideias.

Os mais generosos tendem a ser idealistas nos dois sentidos da palavra: se baseiam mais em suas suposições do que nos fatos; e também tendem a ver beleza e virtude onde não existe: acreditam que, no fundo, todas as pessoas são boas e que têm coração de ouro.

A proposta de Freud, de que todos temos um Super Eu, uma censura moral interna, deriva de generalizações que ele fez tomando por base a si mesmo e algumas outras pessoas. Convém ser realista e objetivo: uma boa metade da humanidade não sente culpa. Assim, quem quiser aprender a conhecer melhor as pessoas deve se ater aos fatos mais que às ideias. 

O realismo só gera certo pessimismo numa primeira fase e para aqueles acostumados com o mundo das ideias onde tudo é belo e, principalmente, existe de acordo com seus gostos e vontades.
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O AMOR NÃO MORRE – Pedro Bial

O amor não morre. Ele se cansa muitas vezes. Ele se refugia em algum recanto da alma tentando se esconder do tédio que mata os relacionamentos. Não é preciso confundir fadiga com desamor.

O amor ama. Quem ama, ama sempre. O que desaparece é a musicalidade do sentimento. A causa? O cotidiano, o fazer as mesmas coisas, o fato de não haver mais mistérios, de não haver mais como surpreender o outro. São as mesmices: mesmos carinhos, mesmas palavras, mesmas horas…

O outro já sabe! Falta magia. Falta o inesperado. O fato de não se ter mais nada a conquistar mostra o fim do caminho. Nada mais a fazer. Muitas pessoas se acomodam e tentam se concentrar em outras coisas, atividades que muitas vezes não têm nada a ver com relacionamentos.

Outras procuram aventuras. Elas querem, a todo custo, se redescobrir vivas; querem reencontrar o que julgam perdido: o prazer da paixão, o susto do coração batendo apressado diante de alguém, o sono perdido em sonhos intermináveis e desejos infindos.

Não é possível uma vida sem amor. Ou com amor adormecido. Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume…

Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas… sabe de uma coisa?

Vale a pena! Vale muito a pena!
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AS MULHERES COM ANSIEDADE SÃO MAIS FORTES

Vivemos numa sociedade que pede mulheres multitarefas. Elas precisam ser mães, estudantes, donas de casa, profissionais, que dão conta de várias coisas ao mesmo tempo. Não é estranho que a ansiedade acometa muitas delas. São muitas as cobranças.

Holly Riordan, no site Thought Catalog, escreve para essas mulheres a importante mensagem de que elas são fortes. Que esses sentimentos ansiosos na verdade representam a força capaz de torná-las livres de cobranças e amarras desnecessárias.

“Ela é forte. Apesar de dizer para si mesma que não. Que ela deveria se calar, não sair da cama. Alguns dias, escuta tudo o que a voz ansiosa diz. Mas diversas vezes consegue silenciar esse tormento e se levanta. Para seguir sua vida, sorrir.

Ela é forte. Porque ela vai mesmo quando está com medo. Ela fala, mesmo quando está com a voz engasgada. Continuar a respirar, mesmo quando está ofegante.

Desistir de encontrar as amigas, deixar de trabalhar, às vezes, ela pensa nisso. A ideia de encontrar estar perto de algumas pessoas é difícil de lidar.

Mas na maioria das vezes, a mulher forte, mesmo ansiosa, faz o que é preciso ser feito. Desliga o alarme. Toma o banho. Se veste. E liga o “dane-se”.

Claro, durante o dia às vezes ela se distrai e fraqueja. A fala de alguém sobre seu corpo. Um comentário de um desconhecido. O olhar de alguém no trabalho ou em casa. Ela sofre com essas situações, mas ignora. Não quer dá espaço para olhares julgadores ou até mesmo sobre os julgamentos que ela própria tem de si. Ela se esforça para concentrar-se no que é importante.

A mulher forte, é tão forte, que se recusa a deixar que controlem sua vida. Mesmo que isso seja uma ansiedade. Luta para que pensamentos sombrios não façam um eclipse nos positivos. Está motivada para ser a melhor pessoa que pode ser consigo mesma.

Algumas vezes sua ansiedade faz ela se sentir fraca, inferior. Como se ela não merecesse está numa sala com pessoas que parecem ser muito mais seguras. Porém, mesmo que ela se sinta inferior, isto está longe de ser uma verdade. Ela é uma guerreira, potente. Como se esquece disso?

Para superar tantas barreiras, ela se esforçou muito e chega muito longe. As pessoas costumam ficar numa zona de conforto, por isso são pouco ansiosas. Para uma mulher forte a ansiedade por vezes faz parte, porque a força dela incomoda.

Ela está sempre aprendendo. Sempre crescendo. Todo dia.

Claro que há dias em que ela não quer mostrar sua força. Quer ficar quieta, de pijama, sem falar nada.
Mas isso não significa que lhe falta coragem para falar o que pensa. Fica surpreendida com tanta coragem que ela pode ter.

A mulher forte muitas vezes nem percebeu que aquilo que parece fraqueza, é sintoma de sua força.

Que a sua ansiedade é sinal de que ela está lutando e vencendo obstáculos que lhe disseram que eram naturais para uma mulher.
Fonte: Psicologias do Brasil - Texto adaptado e traduzido de Thought Catalog
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SOBREPESO MENTAL, AS CONSEQUÊNCIAS DE PENSAR DEMAIS

Se você sente que seu corpo está constantemente cansado, rígido ou dolorido, você pode estar sofrendo de excesso de peso. Mas não nos referimos a um aumento no volume físico, nem ao aumento do perímetro craniano, mas ao sobrepeso mental. Há um excesso de pensamentos negativos, inertes e improdutivos.

Durante o dia imaginamos, entendemos, refletimos, criamos, calculamos, tomamos decisões… Em suma, nós vivemos pensando. Mas nem todos os pensamentos são válidos ou úteis, na verdade, às vezes pensamos muito de maneira inútil e produzimos uma sobrecarga de pensamentos inúteis.

Se apresentarmos ideias que não contribuam com nada, ou não nos levem a qualquer lugar, no final a mente acaba ficando sobrecarregada. Torna-se pesada, fica bloqueada e renuncia a exercitar outros processos de aprimoramento.

Os pensamentos são a unidade básica da mente
Como vemos, pensar faz parte da natureza humana. Na verdade, é um dos processos que nos diferenciam do resto dos seres vivos. Mas nosso pensamento, ao contrário do que geralmente é considerado, não é apenas consciente, muito pelo contrário.

Pensemos em um iceberg. A ponta ou o que fica descoberto na superfície seria o pensamento consciente. Enquanto isso, o gelo que está submerso, que é a maioria, constitui a parte inconsciente.

De acordo com o Dr. Michael Shadlen, pesquisador principal do Brain Behavior Institute Mortimer B. Zuckerman, de Columbia (Estados Unidos), “A grande maioria dos pensamentos que circulam no nosso cérebro ocorre abaixo do radar de consciência, o que significa que mesmo que o nosso cérebro os processe, não temos consciência disso”.

Portanto, a qualidade dos nossos pensamentos determina o nosso dia a dia. Dependendo das ideias conscientes e inconscientes que passam pela nossa mente, assim será o resultado do nosso desenvolvimento.

Pensamentos inusitados engordam nossas mentes
Os pensamentos indesejados são aqueles cuja recorrência se desgasta porque eles não nos trazem nenhum tipo de benefício. Eles são um raciocínio vazio e até mesmo tóxico, e são originados em nossa mente consciente. Ou seja, o sobrepeso mental não é o resultado de processos mentais reprimidos, impulsos ou desejos, mas fruto de uma elaboração deliberada.

Eles são supérfluos e desnecessários, então, em vez de nos proporcionar maior autoconhecimento e vantagens cognitivas, eles nos corroem energicamente e diminuem o resto do processamento consciente. Eles nos impedem de serem criativos, compreendendo ou aprendendo novas habilidades. Eles nos bloqueiam e paralisam outras virtudes.

É por isso que, quando estamos com excesso de peso mental, nossos pensamentos atuam como uma refeição pesada, e provocam consequências físicas que até podem ser análogas às da obesidade. Entre elas, o esgotamento físico, que causa dificuldades para andar ou fazer esforços físicos. Também problemas para respirar normalmente, um aumento na sudorese, dores generalizadas nas articulações ou mesmo distúrbios da pele, como a acne.

Causas de sobrepeso mental
Existem muitos tipos de pensamentos tóxicos, mas alguns aos quais nós recorremos com mais frequência são os seguintes:

A crítica: quando repreendemos, julgamos ou condenamos outra pessoa, na realidade estamos nos negando. Há uma desvalorização de nossa própria autoestima e todas as nossas impotências são projetadas para outra pessoa.

A pena: a vitimização é um dos obstáculos criados pela nossa mente para que não possamos progredir. A mudança é sair daquele sofrimento autoimposto e não se envolver em pensamentos negativos, frustrantes ou impotentes.

As suposições: a única coisa que as suposições fazem é nos desgastar. As conjunturas, enigmas ou figurações apenas danificam e geram sobrepeso mental quase que automaticamente.

As condições: “Se eu tivesse feito isso, agora …”, “Talvez eu devesse ter ido …”. Se você não fez aquilo naquele momento, não se atormente. O que está feito está feito.

 Agora você só pode aprender com isso. Esses pensamentos só servem para julgar e destruir a si mesmo.

Como perder o peso mental?
Para evitar ser assediado pela toxicidade mental, não podemos deixar que os pensamentos nos dominem. Ou seja, é necessário aprender a controlá-los, e para isso você pode implementar as seguintes dicas:

Descanse sua mente: a meditação é um exercício fantástico para tentar atrair apenas ideias positivas. Outras práticas artísticas, como a pintura, podem ajudar a liberar tensão e a substituir os pensamentos por outros mais produtivos. A leitura, o cinema ou a realização de workshops e seminários também nos fazem descansar mentalmente.

Elimine as toxinas sociais: identifique as relações sociais que podem estar prejudicando você. Por exemplo, se você se cercar de pessoas que são muito críticas, acabará fazendo o mesmo. Procure um ambiente mais enriquecedor e que transmita força, energia e positividade.

Pare de pensar: ponha fim a essa recorrência tóxica. Por mais paradoxo que possa parecer, concentre-se nas ideias negativas ao máximo. E depois de alguns minutos dedicados inteiramente a elas, corte-as radical e bruscamente. Esvazie a mente.

Se os pensamentos negativos estão presentes de tempos em tempos, sua incidência física é praticamente imperceptível. Mas ao mantê-los constantemente presentes, eles podem inibir nossas capacidades e diminuir nossa qualidade de vida.

As pessoas com mentalidades excessivamente negativas buscam se afastar de sua própria realidade e se sobrepõem ao seu vazio interior com a riqueza pessoal dos outros. 

São indivíduos que precisam descarregar seus pensamentos improdutivos e libertar-se de todas as emoções desagradáveis ​​que eles produzem. Não se deixe contaminar e lute para prevenir o sobrepeso mental.

Se nos atentarmos para a qualidade de nossos pensamentos, estaremos cuidando da qualidade de nossas vidas.
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EUDAIMONIA E HEDONISMO: DUAS FORMAS DE EXPERIMENTAR A FELICIDADE

O que é a felicidade? 
Todo mundo fala dela e todos nós 
a conhecemos e a sentimos, mas é difícil de definir.

Muitos filósofos e pensadores de todos os tipos tentaram refletir sobre os mistérios dessa emoção. Entre eles podemos encontrar Aristóteles, que pensava que o fim último do homem era a felicidade, ou Epicuro, que acreditava que a felicidade era o fundamento da vida. Neste artigo, vamos rever o que a psicologia diz sobre a felicidade, mais especificamente, vamos falar da eudaimonia e do hedonismo.

A psicologia, através da revisão da literatura filosófica e da experimentação científica, observou que a felicidade poderia ser sentida de diferentes maneiras. É fácil pensar que se pode encontrar a felicidade ao ir para festas com os amigos ou ao aproveitar umas boas férias. Mas muitas pessoas também encontram a felicidade no esforço, estudando para determinada profissão, ao aprender um novo idioma, etc. E é aqui que entram os conceitos de eudaimonia e hedonismo.

Antes de explicar esses dois termos psicológicos, é importante ressaltar alguns detalhes. Eudaimonia e hedonismo são termos que vieram da filosofia. Por exemplo, já os encontrávamos em Aristóteles e Epicuro ao tentarem explicar a felicidade. E apesar desses termos terem sido apropriados pela psicologia devido à sua história, a concepção dos mesmos é significativamente diferente. Assim, é importante levar em consideração que a definição que vamos utilizar a seguir emana de uma vertente mais psicológica do que filosófica. 

Hedonismo, a felicidade baseada no prazer
O hedonismo é aquela felicidade mais tangível, é a alegria que sentimos na hora de realizar atividades gratificantes. Trata-se da sensação de prazer e da motivação por evitar o mal-estar. Podemos dizer que esse tipo de felicidade se baseia nas seguintes características:

Busca pelo prazer. É o aspecto central do hedonismo.
Consiste na busca da estimulação dos nossos sentidos e das nossas emoções. Divertir-se com os amigos, fazer uma viagem, ir a um espetáculo, etc.

Percepção baseada em um balanço afetivo. A maneira que temos de interpretar o hedonismo nas nossas vidas é através de um balanço das nossas emoções diárias. Dessa maneira, se estamos acostumados a experimentar mais emoções agradáveis do que desagradáveis, sentiremos uma felicidade hedonista superior.

Manutenção da satisfação vital. Para poder desfrutar do hedonismo, é necessário sentir que nosso ambiente é agradável. Se existem problemas na nossa família, com amigos, no trabalho, etc., isso vai gerar uma ansiedade que afetará a nossa felicidade hedonista.

Perseguição dos desejos e das necessidades. O hedonismo vai adquirir o prazer através da realização dos nossos desejos e das nossas necessidades. Realizar os desejos e satisfazer as necessidades vai nos proporcionar essas emoções agradáveis que decorrem da felicidade hedônica.

Felicidade a curto prazo. Um aspecto essencial do hedonismo é seu olhar focado no presente ou no futuro mais imediato. Estamos falando do prazer ou da felicidade espontânea que surge após a realização de certas condutas. À medida que o estímulo vai se afastando, a felicidade hedônica vai se dissipando.

Alta intensidade. A felicidade hedônica é uma emoção altamente gratificante e estimulante. Uma felicidade que se vive com grande intensidade e entusiasmo.
Mulher sorrindo feliz

Eudaimonia, a felicidade baseada no desenvolvimento pessoal 
Muitas condutas não nos proporcionam uma felicidade imediata e, inclusive, exigem esforço. Além disso, nos fazem experimentar em determinados momentos algumas emoções de valência negativa, características desse tipo de motivação. Mas apesar disso, continuamos realizando essas condutas com afinco e, inclusive, estamos satisfeitos com elas. Isso ocorre graças ao fato de que essas condutas nos proporcionam desenvolvimento pessoal, que se experimenta com uma felicidade eudaimônica. Exemplos dessa eudaimonia podem ser treinar para uma corrida, aprender um idioma, conhecer outras culturas, explorar a si mesmo, etc.

Para definir a eudaimonia podemos recorrer às seguintes características da mesma:

Busca do desenvolvimento pessoal. É o aspecto essencial desse tipo de felicidade. A eudaimonia é a motivação que nos incita a nos desenvolver como pessoas. É a satisfação que surge de estar orgulhoso com nosso crescimento cognitivo, moral, emocional, etc.
Realização das metas e dos objetivos. O grau de intensidade da felicidade eudaimônica vai depender de alcançarmos ou não as nossas metas e os nossos propósitos. Alcançar nossos objetivos vai nos trazendo essa felicidade que nos motiva a continuar no nosso crescimento.

O esforço e a motivação. Estes serão os motores da nossa autorrealização. Como em muitas situações nossa metas e nossos propósitos vão apresentar problemas e emoções desagradáveis, vamos precisar de esforço e motivação para alcançar a eudaimonia.

Felicidade a longo prazo. É uma felicidade que se representa com a satisfação consigo mesmo, a capacidade de observar a si mesmo e estar orgulhoso com seu crescimento pessoal. Representa mais uma percepção de si mesmo do que um estado temporário específico (como no caso do hedonismo).

Conclusões
O que é melhor: uma felicidade hedonista ou uma felicidade eudaimônica? A resposta é que ambas costumam ser uma motivação nas nossas vidas. Assim, são responsáveis por incentivar as condutas agradáveis e o desenvolvimento pessoal, respectivamente. Nesse sentido, parece essencial encontrar um equilíbrio pessoal entre as duas, de maneira que uma não acabe se transformando em um obstáculo para a outra.

Hoje em dia, devido em grande parte à sociedade de consumo na qual vivemos, baseamos nossa vida no hedonismo. Gastamos nossos recursos de maneira excessiva em prazeres de curto prazo e nos esquecemos do nosso desenvolvimento pessoal ou o buscamos de maneira indireta através desse consumo. Inclusive, grande parte da população detesta sua vida profissional e a única satisfação que podem encontrar se dá através dos prazeres hedônicos. É importante não esquecer ou deixar de lado a nossa autorrealização, já que é a única maneira de alcançar a eudaimonia.
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VOCÊ CONHECE A HIPERSONIA? SAIBA QUAIS SÃO OS SINTOMAS E O TRATAMENTO

Com certeza alguma vez você já dormiu mais do que deveria e ainda assim acordou com sono. Pode ser que em alguns casos tenha tido tanto sono durante o dia que quase não conseguiu ficar de pé. É possível que nessas ocasiões você estivesse com hipersonia.

Os distúrbios do sono incluem 10 transtornos ou grupos de transtornos. Entre eles encontramos a insônia, a hipersonia, a narcolepsia, os transtornos do sono relacionados à respiração, transtornos do ritmo cardíaco sono-vigília e a síndrome das pernas inquietas, entre outros.

Nesse artigo, falaremos de um deles: a hipersonia. De uma forma grosseira, a hipersonia significa muito sono ou sono demais. Quem sofre de hipersonia não se sente descansado e apresenta uma sonolência excessiva.

Quais são as características da hipersonia?
A hipersonia é um termo de diagnóstico amplo. Inclui sintomas de sono excessivo (por exemplo, sono noturno prolongado ou sono diurno involuntário), propensão ao sono durante o dia e inércia do sono.

As pessoas com hipersonia dormem rapidamente e têm uma boa eficiência de sono, superior a 90%. Podem ter dificuldade para acordar pela manhã. Às vezes parecem confusos, combativos ou atáxicos. A ataxia faz referência à descoordenação de algumas partes do corpo.

Essa alteração prolongada do alerta na transição sono-vigília às vezes é chamada de inércia do sono. Também pode ocorrer depois de despertar de uma soneca diurna.

Durante esse período, a pessoa parece desperta, mas apresenta uma diminuição da habilidade motora e a conduta pode ser muito inapropriada. Também são frequentes os déficits de memória, a desorientação temporal-espacial e a sensação de tontura.

Esse período pode durar alguns minutos ou até horas. A necessidade persistente de dormir pode levar a uma conduta automática que a pessoa tem pouca ou nenhuma lembrança posterior. Por exemplo, há pessoas que descobrem que dirigiram vários quilômetros de forma inconsciente depois de iniciar uma direção automática nos minutos anteriores.

Embora o sono seja longo, não é reparador 
Para algumas pessoas com hipersonia, o sono noturno tem uma duração de 9 horas ou mais. No entanto, o sono geralmente não é reparador e existe dificuldade para despertar depois dessas horas de sono.

Nesses casos, a sonolência excessiva se caracteriza por vários cochilos diurnos involuntários. Estas sonecas diurnas tendem a ser relativamente longas (uma hora ou mais) e não levam a um aumento da sensação de alerta (a pessoa continua se sentindo cansada).

Os cochilos diurnos ocorrem quase todo dia, apesar da prolongada duração do sono noturno. Por outro lado, a qualidade do sono pode ser boa ou não. Essas pessoas sentem uma sonolência durante um longo período de tempo. É diferente de um “ataque de sono”.

Os episódios involuntários de sono acontecem em situações de baixo estímulo e de baixa atividade. Por exemplo, acontecem durante conferências, leituras, assistindo televisão ou ao dirigir longos percursos. Nos casos mais graves pode se manifestar em situações que requerem uma grande atenção. Exemplos dessas situações são o trabalho, as reuniões ou os encontros sociais.

Que critérios existem para diagnosticar um transtorno de hipersonia?
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), os critérios de diagnósticos do transtorno de hipersonia são os seguintes:

A. O indivíduo relata sonolência excessiva (hipersonia) apesar de ter dormido durante um período principal que dura pelo menos sete horas, com um ou mais dos seguintes sintomas:

• Períodos recorrentes de sono ou de cair no sono no mesmo dia.
• Um episódio principal de sono prolongado, de mais de nove horas diárias, que não é reparador.
• Dificuldade em estar totalmente acordado depois de um despertar brusco.

B. A hipersonia acontece pelo menos três vezes na semana por no mínimo três meses.

C. A hipersonia não é melhor explicada por outro transtorno do sono e não ocorre exclusivamente no curso de outro transtorno do sono (por exemplo, narcolepsia ou uma parassonia).

D. A hipersonia não pode ser atribuída aos efeitos fisiológicos de uma substância (por exemplo, uma droga ou um medicamento).

E. A coexistência de transtornos mentais não explica adequadamente a presença de hipersonia.

Além disso, o DSM-5 especifica três tipos de gravidade de hipersonia:

• Leve: Existe dificuldade de se manter alerta durante o dia, 1-2 dias/semana.

• Moderada: Existe dificuldade de se manter alerta durante o dia, 3-4 dias/semana.

• Grave: Existe dificuldade de se manter alerta durante o dia, 5-7 dias/semana.

Características associadas à hipersonia que sustentam o diagnóstico
Embora a conduta automática, as dificuldades de despertar de manhã e a inércia do sono sejam frequentes em casos de hipersonia, esses fatos também podem ser identificados em outros transtornos, como na narcolepsia.

Aproximadamente 80% das pessoas com hipersonia afirmam que seu sono não é reparador e têm dificuldades de despertar pela manhã.

A inércia do sono, embora seja menos comum, é muito específica da hipersonia. Os cochilos curtos (de menos de trinta minutos) geralmente não proporcionam descanso.

As pessoas que sofrem de hipersonia frequentemente parecem sonolentas e podem inclusive dormir na sala de espera do médico.

Uma pequena proporção de indivíduos com hipersonia tem antecedentes familiares de hipersonia. De qualquer forma, apresentam sintoma de disfunção do sistema nervoso autônomo, como dores de cabeça do tipo vascular, reatividade do sistema vascular periféricos (síndrome de Raynaud) e desmaios.

Qual é a frequência do transtorno de hipersonia?
A hipersonia é diagnosticada em aproximadamente 5-10% das pessoas que vão às clinicas de transtornos do sono por problemas de sono diurno. Cerca de 1% da população da Europa e dos Estados Unidos tem episódios de inércia do sono.

A hipersonia afeta a homens e mulheres com uma frequência parecida.

Tratamento da hipersonia
O tratamento desse transtorno pode ser realizado em duas frentes. Por um lado, existe o tratamento farmacológico. O especialista do sono pode receitar medicamentos específicos para ajudar o paciente a manter-se desperto por mais tempo.

Isso é preferível a tomar uma grande quantidade de substâncias psicoativas, como o café. Um consumo excessivo de psicoestimulantes pode trazer consequências graves para a saúde, sobretudo do tipo cardíaco.

O tratamento não farmacológico da hipersonia consiste fundamentalmente na modificação dos padrões de sono. Para isso realiza-se um treinamento do controle de estímulos com o objetivo de que a pessoa aprenda a detectar quando começa sua sonolência. Então, é o momento de fazer uma série de exercícios que ajudem a estar alerta.

Também são utilizadas técnicas que facilitam a concentração. Nesse sentido, poderia ser indicado o mindfulness. Por último, são muito importantes as técnicas de higiene do sono, que ensinam o paciente a estabelecer algumas condições de sono que o ajudem a descansar melhor.

Essas pautas de higiene do sono fazem referência tanto a fatores ambientais (temperatura do quarto, iluminação, etc.) como a fatores alimentares (não ingerir certos alimentos antes de dormir), e a outros tipos de fatores relacionados ao descanso.

A hipersonia é uma condição médica ou psicológica que pode ser tratada. Se, depois de ler sobre os critérios de diagnóstico, você acredita que pode sofrer de hipersonia, então aconselhamos que vá a um médico. Lembre-se de que o diagnóstico só pode ser feito por um profissional habilitado para isso.

Referencias bibliográficas                                                  
American Psychiatric Association (2014). DSM-5. Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales. Editorial Médica Panamericana.
Belloch, A., Sandín, B. y Ramos, F. (Eds.) (2008). Manual de psicopatología (2 vols.), edición revisada. Madrid. McGraw-Hill.
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NÃO SE CULPE POR SE AFASTAR DE ALGUMAS PESSOAS E FECHAR ALGUMAS PORTAS - Fabíola Simões

 A vida precisa de faxina. 
De reciclagem. 
De ressignificação.

De tempos em tempos, precisa que a gente mude os móveis de lugar, troque o tapete, pinte a parede de uma cor diferente. Depois de algum tempo, precisa que a gente rasgue alguns papéis, libere espaço nas gavetas, ventile o ambiente, se desapegue daquilo que deixou de ter significado.

Eu costumava me sentir culpada de jogar a maioria dos cadernos antigos do meu filho fora. Porém, no ano seguinte, outra pilha de cadernos se somava à anterior, e eu acabava descartando aqueles que havia guardado. Hoje, conservo apenas um de cada ano, e pode ser que lá na frente eu descubra que não faz mais sentido guarda-los também. Porém, no momento ainda é importante para mim. No momento ainda faz sentido manter aqueles cadernos encapados com adesivos do Minecraft que mostram a evolução da letrinha cursiva e me lembram a fugacidade da infância.

Leva tempo até que a gente se sinta pronto para se desapegar de histórias, objetos, hábitos e pessoas que se quebraram. Como um vaso quebrado, insistimos em colar os cacos, imaginando que podemos manter a peça intacta, como era anteriormente. Nos apegamos aos fragmentos e esquecemos que coisas boas acontecem para quem libera espaços, para quem redimensiona o passado e dá uma chance ao futuro.

Não se trata de vingança. Mas às vezes você tem que parar de direcionar o seu afeto e a sua atenção para quem não é recíproco com você. Deixar de mandar mensagens para quem só aparece quando tem interesse, parar de insistir num encontro para um café com quem sempre arruma uma desculpa, manter distância de quem tenta te diminuir, deixar de ter expectativas após longos silêncios e prolongadas ausências, aprender a se proteger e se valorizar, entendendo que nem sempre gostar muito de alguém é pré-requisito para essa pessoa também gostar muito de você.

Nem sempre ter afeição por alguém é o suficiente para essa relação funcionar. De vez em quando você tem que ter feeling, sensibilidade e diplomacia para se resguardar e se afastar. Fomos educados a agir com tolerância e perdão, mas isso não significa autorizar que algumas pessoas nos subtraiam, ou que nossas vidas fiquem suspensas à espera de um gesto de reciprocidade que nunca ocorrerá. De vez em quando você tem que acordar e perceber que esteve remando o barco sozinho, e que já é hora de parar.

A vida precisa de faxina. E isso inclui fechar algumas portas e dar fim a algumas histórias. Nem tudo cabe em nossa nova etapa de vida, e temos que ser corajosos para abrir mão daquilo que um dia teve significado e hoje não tem mais. Nem sempre é fácil encerrar um capítulo. Porém, às vezes o capítulo já se encerrou faz tempo, só a gente não percebeu.

Por fim, não se esqueça do ditado que diz: “Não guarde lugar para quem não tem intenção de sentar ao seu lado”. Algumas pessoas não valem nosso esforço. Não valem nosso empenho nem intenção de proximidade. Elas simplesmente não fazem questão. E insistir em manter um laço sem reciprocidade só irá nos desgastar, cansar, decepcionar. Quanto antes você entender isso, mais cedo aprenderá a valorizar quem está ao seu lado, seus afetos verdadeiros, sua história bem contada.

E enfim adquirirá uma espécie de amor próprio que não lhe permitirá mais remendar porcelanas quebradas. Entenderá de finais e recomeços, e aprenderá a não sentir um pingo de culpa por se amar em primeiro lugar.

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COMO SE RECUPERAR DE UM ABUSO EMOCIONAL

Recuperar-se de um abuso emocional requer, em primeiro lugar, processar uma experiência traumática que minou nossa autoestima. Para isso, é necessário evitar atribui-se a culpa, porque o erro nunca é de quem confia, de quem dá tudo por uma relação. O “crime” é de quem mente, da pessoa narcisista e insana que faz tudo através de manipulação, chantagem e abuso psicológico.

Se enfatizamos a importância de não assumir total responsabilidade ou a culpa pelo que aconteceu, é porque é um fato muito concreto. 

Quando uma pessoa finalmente consegue deixar um relacionamento abusivo, é muito comum que ela mesma ou um membro de seu ambiente pense “Por que não deixou essa pessoa antes? Como é possível ser tão cega e não ver tudo o que estava acontecendo? “

“O caminho é acalmar a mente e fazer com que 
olhe para si mesma de maneira realista.
Uma mente madura, equilibrada e que saiba perder.
Uma mente humilde, mas não estúpida.
Uma mente aberta ao mundo, vigorosa 
com os pés no chão”.
-Walter Riso-

Não é tão simples. O abuso emocional não é fácil de desmascarar porque seus mecanismos são muitas vezes muito sutis e ao mesmo tempo sofisticados. Ainda devemos adicionar outro ingrediente, não menos importante: o amor. Porque não podemos esquecer que quem ama é teimoso, confia e se compromete. Por isso esses mecanismos não são visíveis a olho nu, e se eles são percebidos o cérebro aplica estratégias muito complexas para dissuadir dúvidas, para limpar um nevoeiro denso que impede que a pessoa veja claramente o que está acontecendo.

Até que finalmente o fazemos, já que no final se está plenamente consciente do que está acontecendo, porque, cedo ou tarde, quando olhamos no espelho já não nos reconhecemos mais. A pessoa que aparece refletida é praticamente uma sombra do que costumávamos ser.

Recuperar-se de um abuso emocional, uma batalha que nem todos conseguem vencer.

O ciclo de abuso emocional muitas vezes funciona como um vício. Há um sistema de castigo-recompensa em que estamos presos. Em um momento nos dão uma atenção desmedida, as carícias mais incríveis, são detalhistas e apaixonados; Depois, aparecem as demandas, a frieza, a humilhação e a censura que deixa sequelas.

O carinho está relacionado com o abuso em uma cadeia infinita onde nos instalamos como mais uma peça dessa máquina controlada pelo agressor. Abandonar essa dinâmica não é nada fácil. Além disso, não acreditemos que, ao acabar com esse relacionamento, acabamos com o sofrimento.

Muitas pessoas, homens e mulheres, que finalmente conseguem sair de uma relação abusiva julgam inocentemente que, com esse passo corajoso, tudo acabou. Eles pensam que, depois dessa decisão, tudo será melhor, que depois de chegar no fundo do poço tudo passará por uma melhora súbita e que a recuperação será imediata. Entretanto, não é assim.

Sintomas de que você não superou uma relação abusiva:

• Sentimento de culpa. Nós direcionamos a nós mesmos um pouco de raiva por não termos percebido antes e termos perdido tanto tempo com alguém que nos machucava e fazia mal.

• A culpa é acompanhada pela raiva. Nós acumulamos tanta frustração e raiva que às vezes projetamos esse sentimento nos outros, em alguns momentos.

• Nós nos tornamos desconfiados.

• Podemos passar por períodos de grande hiperatividade, queremos fazer muitas coisas, nos envolver em projetos diferentes, mas logo nos sentimos exaustos, sem energia.

• Nossa autoimagem, nossa percepção de nós mesmos e nossa autoestima ainda estão danificadas, violadas.

• Não temos mais emoções positivas com a mesma intensidade que antes, agora a alegria é menos alegre, a ilusão é menos motivadora e os sonhos menos esperançosos. É como se estivéssemos anestesiados…

Chave para se recuperar de um abuso emocional

Como dissemos anteriormente, para se recuperar do abuso emocional é necessário reinterpretar nossa condição de vítimas, de modo que ela não ocupe todo o nosso conceito de nós mesmos. Deixemos de lado o sentimento de culpa e o comportamento indefeso, a longo prazo ele pode tornar o estado traumático algo crônico. A identidade da vítima tira nosso poder e enfraquece nossa compreensão de nós mesmos.

Nesse sentido, falaremos de algumas abordagens e estratégias que devem ser exercitadas.

Foco: você é valente e deve tomar posse de sua própria vida

Você não é uma vítima, é uma pessoa corajosa que deve se recuperar de um passado traumático. Para fazer isso, deve se concentrar no momento presente e pegar as rédeas de sua vida. Você é responsável pela sua própria vida, e responsabilidade significa que você é “aquele que sabe como responder frente às situações “, portanto, esqueça o sentimento de culpa e seja o dono da sua realidade.

Diante da angústia existencial, tenha calma

Recuperar-se de um abuso emocional implica, como dissemos, aprender a ser responsáveis por nós mesmos nesta nova etapa de nossa vida. Ao dar este passo, é comum sentir angústia, medo, perplexidade… Ao ter esses sentimentos, a resposta é “calma”.

Tenha calma, entenda que ninguém vai apressá-lo para se recuperar, entender e assumir que toda cura leva tempo e, portanto, não há outra opção a não ser seguir seu próprio ritmo, ouvir a si mesmo e aceitar todas as suas emoções. Pouco a pouco, controlaremos tudo o que nos rodeia.

Gestão positiva da realidade

Depois de um relacionamento abusivo, é comum acumular raiva, sentir desconfiança, ter uma imagem negativa de nós mesmos porque nos sentimos vítimas de algo que deveríamos ter parado o mais rápido possível. Para evitar esses sentimentos, devemos aplicar uma abordagem mais positiva ao que nos rodeia.

• Se você sentir raiva, canalize-a, libere-a.

• Se você se sentir sozinho, fale com outras pessoas, com grupos de apoio que passaram pelo mesmo que você.

• Se você perceber que não está progredindo, que todas as tentativas retornam a esse ponto de partida onde há desamparo e frustração, busque ajuda profissional.

Controle positivo da realidade 
Para recuperar-se de um abuso emocional, é preciso fazer um controle positivo da realidade. Devemos aplicar uma abordagem construtiva onde não haja falta de recursos, suporte, abertura para o ambiente externo, fornecendo-nos terapias e pontos de vista adequados que nos permitam retornar a um “eu” mais leve e luminoso.

Todos podemos sair do ciclo de abuso, e nem sempre sairemos ilesos, é claro, mas podemos ressurgir fortalecidos através da construção de uma imagem muito mais digna, perseverante e valiosa de nós mesmos.
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