O AMOR FILTRADO - Guilherme Moreira Jr

Talvez seja verdade que a gente não possa escolher por quem transbordamos amor, mas isso não quer dizer que precisamos aceitar qualquer um e qualquer coisa, tudo em nome dele. O amor pode ser filtrado antes de servido.

Quando alguém diz que já sabe o que não quer passar em um relacionamento, essa pessoa não está sendo fria, calculista e muito menos descrente dos desdobramentos do amor. Pelo contrário, ela está demonstrando amadurecimento e um profundo entendimento das características do próprio. Porque ela sabe, por dentro e por fora, que o amor real não é um jogo de privações e sentimentos descabidos.

E falar do amor filtrado, também não é necessariamente falar sobre gostos pessoais. Sobre uma música, um filme ou um livro que o outro deveria gostar. Um relacionamento encaixado assim é daquelas sortes que não ninguém consegue planejar. O objetivo de filtrar o amor é não deixá-lo passar do ponto. Dos ciúmes até os toques mais sutis e agressivos – tanto emocionalmente quanto fisicamente. Mas você também pode acrescentar outras questões no filtro.

Reciprocidades ensaiadas e sem tesão, dispense. Saudades cobradas ou impostas, passe longe. Ausência de paciência, admiração de um lado só e meias verdades, desista. Aguentar certas situações na expectativa de que o amor melhore é postergar o inevitável. Tem relacionamento que se torna base pra gente não suportar ou ferrar com tudo. Aprenda com ele.

Quando você se encontra após tantos amores falidos, você aprende a identificar quem veio para ser causa ou consequência do amor. Se veio para somar, para trazer leveza e o novo, maravilha. Quer dizer que o filtro funcionou. Mas se chegou através de um carinho capenga, desinteressado e, principalmente, fingindo ser algo que não é, talvez seja o momento de rever o próprio amor.

Ficar ou não com quem amamos é uma escolha. Está ao alcance de todos olhar para o lado e sentir se é pra valer. Se o nosso sentimento está sendo bem recebido e cuidado. Encantos têm prazo de validade. Mas o amor filtrado, esse dura se preparado corretamente.
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PÁTRIA - Mário Sergio Cortella

 
Será que o conceito e a vivência de pátria, o estudo sobre pátria estão mais ligados à geografia ou à antropologia? 

Será que pátria é um conceito ligado a território ou à cultura? 

A resposta mais imediata seria “ambas as coisas”. Na escola, ao estudarmos noções sobre pátria, em grande medida, ela estava vinculada a um território, até se diria: “nossa pátria vai até onde vão nossas fronteiras”. 

Essa noção é muito limitadora, afinal, alguém que se considera pertencente a algum lugar, que diz “eu sou brasileiro” ou “brasileira”, se refere a um território, mas acima de tudo, ao fato de ter nascido, criado e se desenvolvido dentro de determinada cultura.

Portando, a noção de pátria vai muito além da própria ideia de território.

Um dia, talvez, não nos definamos como brasileiro, espalho, italiano, japonês, turco, mas como um terráqueo. O dia que nós vamos entender que vivemos no mesmo planeta, juntas e juntos, de algum modo no mesmo lugar, na mesma “casa”.

Nós somos, em última instância, terráqueos, isto é, a noção mais forte de humanidade, que é aquilo que nos agrega, que nos junta.

Caetano Veloso um dia disse “minha pátria é minha língua”, retomando Fernando Pessoa, a nossa cultura que é transportada pelo idioma, mas nossa pátria é nosso planeta.
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QUEM FOI GALILEU GALILEI? - Thiago Henrique

“Não se pode ensinar nada a um homem;
 só é possível ajudá-lo a encontrar 
a coisa dentro de si.”

Nascido na cidade italiana de Pisa, Galileu Galilei é considerado um dos fundadores da física moderna. Em suas investigações, confirmou ideias contidas na teoria de Copérnico, defendendo, por exemplo, a concepção de que a Terra gira em torno do Sol.

Ao ser advertido pelas autoridades católicas por suas ideias heréticas, Galileu teria comentado que, em se tratando de temas científicos, a Bíblia não era um manual a ser obedecido cegamente. Pode parecer um comentário de alguém não religioso, mas Galileu não apenas era católico como acreditava que suas teorias mais apoiavam do que contrariavam a crença em Deus.

O pioneirismo rebelde de Galileu atraiu a fúria da Inquisição. Em 1633, foi condenado por seus inquisidores, que lhe impuseram a dramática alternativa: ser queimado vivo em uma fogueira ou retratar-se publicamente, renegando suas concepções científicas. Galileu optou por viver e retratou-se perante o tribunal. Permaneceu, entretanto, fiel às suas ideias e, em 1638, quatro anos antes de morrer, publicou clandestinamente mais uma obra que contrariava os dogmas oficiais de sua época.

Na tradição grega aristotélica, para entender uma coisa não era preciso estudá-la experimentalmente. Bastava esforçar-se por compreender como essa coisa existe e funciona, para depois elaborar uma teoria sobre isso. Assim, para grande parte dos pensadores antigos e medievais, observar as coisas, agir sobre a natureza e pensar como matemático eram práticas incompatíveis.

Já Galileu – professor de matemática da Universidade de Pisa – decidiu, de forma inovadora, aplicar a matemática ao estudo experimental da natureza. Desse modo, alcançou grandes realizações, entre as quais :

A elaboração da lei da queda livre dos corpos, segundo a qual a aceleração de um corpo em queda é constante, independentemente de o corpo ser leve ou pesado, grande ou pequeno. A demonstração dessa lei exige condições ideias.

A construção e o aperfeiçoamento de um telescópio, com o qual efetuou observações astronômicas que o levaram a descobrir o relevo montanhoso da Lua, as formas diferentes de Saturno, as fases de Vênus e a existência das manchas solares.

Mas não é apenas por suas descobertas específicas que Galileu merece especial destaque na história das ciências. Uma de suas mais extraordinárias contribuições foi ter assumido uma nova postura de investigação científica, cuja metodologia tinha como base:
  • A observação paciente e minuciosa dos fenômenos naturais.
  • A realização de experimentações para comprovar uma tese. 

Assim, Galileu entrou em cena na história e fez ciência.
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EFEITO DUNNING KRUGER – OU PORQUE AS PESSOAS OPINAM SOBRE TUDO SEM SABER DE NADA

O efeito Dunning Kruger pode ser resumido em uma frase: Quanto menos sabemos, mais cremos saber. É um viés cognitivo que segundo o qual quanto menos uma pessoa domina determinada habilidade, mais ela superestima isto. Como resultado, pessoas assim tendem a ser “ultracrepidianos”. Pessoas que opinam em tudo mesmo sem saber direito do que se trata, mas acham que sabem muito mais que a média sabe.

O problema é que as pessoas vítimas do Efeito Dunning Kruger não se limitam a opinar ou sugerir, mas tentam impor suas ideias como se fossem verdades absolutas, fazendo com que os outros passem por incompetentes ou ignorantes. Lidar com essas pessoas é difícil porque elas tendem a ter o pensamento muito rígido.

O ladrão que tentou ficar invisível com suco de limão
Em 1990 um fato curioso aconteceu na cidade de 
Pittsburgh. Um homem de quase 44 anos, roubou um banco sem qualquer recurso que escondesse sua identidade. Obviamente, logo foi preso.

O ladrão “corajoso” chamava-se McArthur Wheeler, ele confessou que aplicou suco de limão em seu rosto, pois assim ficaria invisível para câmeras. “Mas eu passei suco de limão no rosto!”, falou surpreso.

Os policiais descobriram  que a sugestão do suco de limão para a invisibilidade foi de dois amigos de Wheeler, que brincavam sobre roubar um banco usando esta técnica. Wheeler para provar que era possível, tirou uma foto após aplicar o suco no rosto e não apareceu nela ( possivelmente por algum erro de posição da câmera, obviamente). Essa a prova de que estava certo e que era possível sim um assalto ao banco desta maneira.

A história chegou ao ouvido do psicólogo social e professor da Universidade de Cornell, David Dunning, que mal acreditava no que ouviu. Aquilo fez ele se questionar: É possível que minha própria incompetência me impeça de ver a minha incompetência?

Então, junto de Justin Kruger, realizou uma série de experimentos analisando a questão.

O estudo que deu origem ao efeito Dunning Kruger
Em uma série de quatro experimentos, esses psicólogos analisaram  a competência das pessoas no campo da gramática, raciocínio lógico e humor. Os participantes foram solicitados a estimar seu nível de competência em cada um desses campos. Em seguida, em seguida precisaram  realizar uma série de testes avaliando essas competências.

Os pesquisadores notaram que quanto maior a competência de uma pessoa, menos consciente ela estava disso. As pessoas mais competentes costumavam subestimar suas habilidades e conhecimentos. Assim surgiu o efeito Dunning Kruger.

Os psicólogos concluíram que pessoas incompetentes em certas áreas do conhecimento:

– São incapazes de detectar e reconhecer sua incompetência.

– Geralmente não reconhecem a competência das outras pessoas.

A boa notícia é que este efeito diminui a medida que a pessoa incrementa seu nível de competência, já que também passa a ser mais consciente de suas limitações.

Por que quanto menos sabemos, mais cremos saber?
O problema dessa percepção irreal é que
para fazer algo certo, precisamos de um grau mínimo de habilidades e competências que nos possibilite estimar com certo grau de precisão qual será nosso desempenho na tarefa.

Uma pessoa pode imaginar que canta lindamente porque não tem conhecimento sobre música, não sabe o que é estar no tom certo, nem o que seja harmonia. Isso fará ela dizer a si mesma que canta como os anjos, mesmo cantando mal.

O mesmo acontece com a gramática. Se nunca estudamos a fundo o assunto, acharemos que os fenômenos linguísticos são resumidos em certo ou errado. E faremos correções descontextualizadas dos textos alheios.

O efeito Dunning-Kruger pode ser visto em todas as áreas da vida. Um estudo realizado na Universidade de Wellington, aponta que 80 por cento dos motoristas se sentem acima da média. Isto é matematicamente impossível, pois se 80 por cento dos motoristas estão acima da média, eles formariam a média e portanto, estariam na média.

Na prática, acreditamos que tudo é necessário opinar como se já soubéssemos. Isto nos tornamos pessoas tendenciosas que se aproximam do conhecimento e emitem opiniões como se fossem verdades absolutas.

Como minimizar o Efeito Dunning Kruger para o nosso próprio bem
Todos cometemos erros por falta de cálculo, conhecimento e previsão. A história está repleta de erros épicos como a famosa Torre de Pisa, que começou a declinar antes mesmo da obra acabar.

Não faz muito tempo o Governo Francês gastou 15 milhões de euros para comprar 2 mil trens novos e descobriu que era demais para apenas mil e duzentas estações.

No nosso dia a dia, podemos cometer erros por falta de experiência e subestimarmos nossa capacidade. Os erros não são negativos e não devemos fugir deles, mas podemos transformá-los em ferramentas de aprendizado. Porém, você não precisa ficar tropeçando continuamente nos mesmo erros!

Devemos ficar atentos a esse viés cognitivo, porque a incompetência e falta de autocrítica não só farão  que cheguemos a conclusões precipitadas como também nos fará tomar atitudes que nos causaram danos.

Isso significa saber que a culpa por nossos fracassos nem sempre é dos outros, por vezes é de nossa falta de autocrítica. Para minimizar o efeito Dunning-Kruger  e não ser aquela pessoa que opina sobre tudo sem ter ideia de nada, o mais importante é aplicar estas regras simples.

– Estar consciente pelo menos desse efeito cognitivo.

– Deixar sempre um espaço para a dúvida, para as formas diferentes de saber e pensar as coisas.

– Opinar sempre com respeito ao demais. Por mais segura que esteja de sua ideia, expor sem precisar impor!

Devemos lembrar que ninguém é especialista em todas as áreas da vida. Todos temos carências e ignoramos muitas coisas. Por tanto, a melhor coisa é encarar a vida com humildade e atitude de um aprendiz.

Como lidar com pessoas que desconhecem suas incompetências e desconhecimentos
Pessoas que têm uma ideia muito clara sobre tudo sem ter qualquer embasamento e subestimam as outras pessoas geram grandes desconfortos. Nossa primeira reação é ficar irritados. O que é perfeitamente compreensível, mas isso não irá nos ajudar. No lugar disso, devemos aprender a permanecermos calmos. Lembre-se que somente aquilo que você dá poder, pode afetá-lo. E a opinião de uma pessoa que sabe mal de um assunto e nem sequer sabe do que está falando, não é significativa.

Se você não quer que a conversa vá adiante, apenas diga. “Eu ouvi a sua opinião.” Se você realmente quer ajudar, não adianta discutir, a única coisa a fazer é ajudá-lo a melhorar suas habilidades nessa área. Evite frases como “Você não sabe o que está falando”, pois isso apenas servirá como ataque e piorará as coisas. Ao invés disso, plante uma nova perspectiva. “Eu já te ouvi, agora posso expressar um pouco da minha visão?” O objetivo é deixar essa pessoa aberta a diferentes opiniões.

Você também pode enfatizar a ideia de que somos todos inexperientes ou até mesmo profundamente desconhecedores em alguns campos e isto não é uma coisa negativa! Mas uma incrível oportunidade de continuar aprendendo e crescendo como pessoas. 
Texto traduzido e adaptado de Rincon Psicologia.

CARÁTER E CASCA DE BANANA - Mário Sergio Cortella

O que se pensa quando se encontra uma casca de banana jogada numa calçada, na rua, num corredor?

Ela pode ajudar demais a avaliar o caráter de pessoas. Uma casca de banana atirada é a expressão de uma negligência. Uma casca de banana, que, ao ser encontrada, é ali deixada por alguém, indica alguém que é complacente, que é negligente, que se omite em relação ao que deveria ser feito. 

A retirada de uma casca de banana do chão mostra alguém que é cauteloso e bem-educado.

Uma antiga máxima lembra exatamente isso: “A casca de banana atira o negligente, deixa-a ali o complacente, a retira o cauteloso”. Uma casca de banana jogada no chão ajuda a entender o caráter das pessoas. Porque aquele que joa fora é uma pessoa negligente em relação à conduta coletiva.

Aquele que, ao encontrá-la, nada faz, acaba sendo omisso e põe em risco outras pessoas que poderão sofrer uma queda. E quem retira demonstra um caráter de maior cuidado consigo e com as outras pessoas.

Portando, casca de banana no chão, o que a leva a lá estar, se ali permanece ou dali é retirada, por incrível que pareça, é um indicador ético.
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COMO APRENDER A SE EXPRESSAR EM UMA DISCUSSÃO

Discutir serve para alguma coisa? É bom ou é ruim estar no meio de tantas discussões? É possível discutir sem brigar? Como aprender a se expressar em uma discussão?

Crescemos na cultura da discussão, de ficar irritados por tudo e não aceitar uma opinião diferente da nossa. Quase todos os dias discutimos por alguma coisa, e mais de uma vez no mesmo dia. Logo na primeira hora da manhã discutimos com o motorista que estacionou bem em cima da nossa calçada, ao meio dia discutimos com nosso filho porque ele fica com a cara enterrada no celular durante a refeição, à tarde pode ser a vez de discutir com aquela amiga que esqueceu de nos chamar para o programa do fim de semana, e para fechar de noite discutimos com nosso cônjuge…

Discutir nos aproxima dos outros
A ideia popularmente estabelecida é que discutir é um enfrentamento com outra pessoa e pressupõe ações como gritar, humilhar, brigar, falta de respeito ou desvalorização do outro. Se olharmos, no entanto, a definição do dicionário, veremos que discutir vem do latim discutere, que quer dizer “dissipar” ou “resolver”. A definição é a seguinte:
  • discutir > verbo

analisar questionando; levantar questões a respeito de (algo); examinar detalhadamente. Defender pontos de vista contrários sobre (algo); debater.

Como se expressar em uma discussão
  
Desse modo, discutir implica que duas ou mais pessoas tratem um assunto de maneira minuciosa, escutando o posicionamento do outro e levantando seus próprios pontos de vista a respeito do tema.

Como vemos, o conceito de discutir não deixa espaço para o enfrentamento hostil, muito pelo contrário.

Em sua definição básica discutir supõe uma conversa de demonstração de opiniões, fundamentando um tema pela confrontação através do esforço de ambas as partes para se comunicar.

“Muitos gritam e discutem até que o outro se cale.
 Acreditam que convenceram alguém. 
E estão sempre errados.”
-Noel Clarasó-

Discutir supõe aceitar as diferenças
A questão é: discutir é benéfico para as nossas relações? Geralmente, evitamos ter qualquer tipo de confronto com os outros. As relações humanas, no entanto, implicam interações e isso requer assumir que cada um tem sua própria forma de pensar e agir. Esse fato vira um problema em muitas ocasiões, já que é normal cair no erro de pretender que os outros ajam ou pensem da mesma forma que nós fazemos.

As expectativas sobre os comportamentos dos demais e os juízos de valor sobre o que está certo e o que está errado nos conduzem a enfrentamentos destrutivos. Esperar que os outros ajam como nós gostaríamos é querer que mudem seus pontos de vista, e isso estabelece uma comunicação desrespeitosa e dificulta o florescer das nossas relações. Porque no lugar de aceitar quem temos diante de nós, o que estamos fazendo nesse caso é exigir que sejam exatamente como somos e vivam de acordo com as nossas crenças. Não há nada de ruim em discordar e ter opiniões diferentes.

É preciso dizer que existem duas vantagens que são essenciais no fato de discutir, entendendo o termo do modo como definimos anteriormente. E elas são as seguintes:

Evitamos o isolamento social: discutir significa estabelecer uma comunicação, e toda comunicação leva ao estabelecimento de uma relação. Somos seres sociais e por isso precisamos das relações com os outros para ficarmos saudáveis do ponto de vista emocional. Temos o direito de expressar nossa opinião e também o direito de sermos respeitados por ela.

Nossos pontos de vista são enriquecidos: discutir de modo fluido nos permite abrir nossa mente para novas perspectivas. Ouvir diferentes opiniões, longe de nos distanciar do outro, nos coloca no lugar dele e nos traz uma visão distinta da nossa realidade. Isso não pressupõe que uma das pessoas deva mudar sua forma de pensar ou de agir, ainda que acordos facilitem aproximações. O simples entendimento da posição na qual o outro se encontra, com todas as emoções e atitudes que ele sente e tem, traz uma grande aprendizagem pessoal.

“Que estejamos sempre atentos para contradizer
 sem obstinação e nos deixarmos 
ser contrariados sem irritação.”
-Marco Tulio Cicerón-

Como aprender a se expressar em uma discussão
A maioria dos problemas em nossas relações nascem da ausência de reconhecimento mútuo. Discutir nos permite conhecer a diversidade de opiniões existentes.

Nem sempre é fácil lidar com pessoas que pensam tão diferente de nós e do nosso modo de agir. A chave está em saber expressar nossos pensamentos e gerir os sentimentos que os conflitos despertam em nós.

Ao discutir, é fundamental evitar respostas de ataque ou passividade e, é claro, respeitar e ser respeitado. Essa questão implica um esforço contínuo na construção dos limites saudáveis com quem estamos nos relacionando. Agora, como podemos expressar nossos ponto de vista ao mesmo tempo em que respeitamos o contrário? Existem três aspectos chave que facilitam o gerenciamento das discussões:

Escuta ativa e recíproca: para manter um diálogo é essencial escutar. Interromper, julgar, desqualificar ou rejeitar o que o outro sente elimina por completo a possibilidade de entendimento. Por isso, é importante mostrar atenção pela sua linguagem corporal, já que geralmente a carga emocional das mensagens é passada pelos nossos gestos. 

As incongruências entre a linguagem corporal e a verbal podem transmitir muitas informações. Também é importante silenciar nossa mente quando alguém está falando conosco, ou seja, evitar pensar no que vamos dizer a seguir, formulando nossa fala ao invés de prestar atenção. Isso impedirá uma escuta completa da mensagem do outro.

Assertividade: é a capacidade de expressar nossas convicções sem agredir a outra pessoa, mas também sem nos submetermos a sua vontade. Implica uma expressão direta e equilibrada de nossos pensamentos e emoções através da autoconfiança, e sem que outros estados emocionais nos limitem, como a ansiedade, a raiva ou a culpa. 

Envolve responder defendendo nossos direitos sem adotar uma posição de passividade nem uma atitude agressiva ou impositiva.

Empatia: capacidade de perceber, compartilhar e compreender o que o outro pode estar sentindo ou pensando. Permite uma compreensão da relação que favorece a comunicação profunda e a conexão com os estados pessoais internos de quem está na discussão. 

Como resultado, as posições polarizadas e egoístas são anuladas, já que a empatia permite valorizar o que a outra pessoa está sentindo.

Definitivamente, a solução para os conflitos nas relações não é evitar as discussões, e sim desenvolver a capacidade pessoal de manejar as diferenças com os outros mediante uma confrontação madura. O primeiro passo está em assumir que não possuímos a verdade absoluta, nem a razão total sobre nenhum fato. Ela, na verdade, nem existe.

“O objeto de toda discussão não deve ser o triunfo, mas sim o progresso”.
-Joseph Antoine René Joubert-
Fonte: A mente é maravilhosa
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DÁ PARA FINGIR SER LOUCO?

Seja para fugir da prisão ou para conseguir uma receita médica controlada, tem muita gente por aí tentando se passar por maluco. Mal sabem eles que teriam de ter os talentos dramáticos de um Al Pacino com uma direção de Hitchcock. Duvida? Nós explicamos aqui.

Por décadas o mafioso Vincent Gigante andou pelas ruas de Manhattan não em ternos italianos, mas de pijama ou roupão de banho. Era conhecido em Greenwich Village não por liderar os Genovese, uma das cinco famílias mafiosas de Nova York, mas por babar e murmurar de um lado para o outro. Seu disfarce começou em 1969, aos 40 anos, para escapar de uma acusação de propina. Deu certo, e assim continuou. Bastava que o FBI esquentasse a perseguição a mafiosos para que Gigante desse entrada numa clínica psiquiátrica. Certo dia, agentes o viram pelado na chuva, segurando um guarda-chuva. Noutro, o viram cair na calçada e começar a rezar. Segundo seu psiquiatra, Stanley Portnow, 34 outros médicos diagnosticaram esquizofrenia. Nos bastidores, o falso louco crescia na hierarquia dos Genovese. Em 1981 se tornou chefão. Na metade da década, subiu à chefia da Comissão, o comitê interfamílias da máfia.

Até que, em 1990, foi preso, acusado de extorsão e homicídio. Novamente, a defesa alegou que Gigante não tinha condições mentais para ser julgado. Em perícias, conseguiu engambelar um renomado psiquiatra de Harvard, cinco ex-presidentes da Academia Americana de Psiquiatria e Direito e o homem que inventou um teste padrão para reconhecer simulações de transtornos mentais. A acusação provavelmente não iria para frente se alguns mafiosos não tivessem começado a colaborar com a polícia. De fato, seis gângsters descreveram o seu papel na família Genovese. Gigante acabou condenado por extorsão, mas não por homicídio, e foi sentenciado a 12 anos. Somente em 2003 a mentira foi revelada. Acusado de obstruir a justiça, Gigante calmamente admitiu tudo - em troca de outra sentença menor.

Sim, fazer de conta que vai mal da cabeça pode trazer vantagens. Pode render aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença. Pode dar acesso a remédios controlados que ajudam a ser mais produtivo nos estudos e no trabalho. Ou pode evitar o julgamento por um crime, como no caso de Gigante. O princípio no caso penal é o seguinte: quando uma doença mental deixa a pessoa incapaz de controlar sua ação, ela se torna aquilo que o juridiquês chama de "inimputável". "Para a lei, não importa que doença a pessoa tenha, mas o impacto dela no dia a dia", diz Daniel Barros, professor de psiquiatria forense do Hospital das Clínicas da USP. Mesmo que um sujeito tenha esquizofrenia grave, se ele roubar dinheiro para comprar uma blusa, não terá feito isso por causa do transtorno, mas porque queria comprar a blusa. "Ele só deixaria de responder pelo crime se a doença torná-lo incapaz de entender o que está fazendo ou de se controlar", diz Barros. Assim, ele deixa de ter culpa pelo crime. A alegação de inimputabilidade é rara: segundo um estudo da Universidade da Pensilvânia, apenas 0,9% dos processos criminais parte para essa estratégia. Nesses casos, o acusado é internado em um hospital psiquiátrico.

O mafioso Gigante é uma prova de que não é impossível enganar um psiquiatra. Afinal, diferentemente de um câncer ou de um osso quebrado, um transtorno mental é diagnosticado a partir do comportamento e dos relatos do paciente, e não por um exame físico. Não existe raio-X de esquizofrenia. Mas, na prática, para enganar um psiquiatra é preciso mais do que bons talentos dramáticos. É necessária maestria como diretor, roteirista e ator.

Para desmascarar mentirosos, psiquiatras têm uma ferramenta principal: a boa e velha conversa. Eles partem para perguntas abertas. Assim, o paciente precisa relatar os sintomas com suas próprias palavras e experiências - de nada adianta ler os sintomas no Google. Na hora de detalhar a entrevista, o psiquiatra pode misturar perguntas relacionadas a transtornos opostos ou sintomas completamente improváveis (por exemplo, se vê palavras escritas surgirem quando pessoas falam). Com uma entrevista longa, é apenas uma questão de tempo para que ele se contradiga ou mostre um comportamento incoerente com as descrições. "Você pode estudar as cores e técnicas de Van Gogh", diz Barros. "Mas quando você faz um quadro, não sai um Van Gogh."

Agora, o roteiro. Digamos que a pessoa tenha forjado um quadro de esquizofrenia a partir do que ele viu em filmes. O problema é que esse transtorno é bem diferente do que mostram os filmes. Tem sintomas "positivos" - alterações das funções normais, como alucinações e delírios - e sintomas "negativos" - diminuição das funções normais, como falta de motivação, de emoções e isolamento social. Falsários tendem a ignorar os sintomas negativos, que são menos conhecidos. E, segundo o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, da Unifesp, o que confirma mesmo o diagnóstico de esquizofrenia não são vozes imaginárias ou pensamentos estranhos, mas a forma como a pessoa se vincula afetivamente com os outros. "Para conseguir imitar isso, o sujeito teria de ser digno de um Oscar."

Na hora de simular sintomas como alucinações, surgem os problemas de atuação. Tal como o mau ator num dramalhão barato, ele acha que quanto mais bizarro o comportamento, mais convincente será. Esforça-se para parecer louco e tomar o controle da entrevista, enquanto pacientes genuínos geralmente relutam em discutir seus sintomas, afirma Phillip Resnik, professor de psiquiatria da Universidade de Cleveland. Digamos que um falsário relate ter ouvido vozes. Como eram essas vozes? Em casos psicóticos legítimos, elas são bem claras - dá até para saber se são masculinas ou femininas. Ou seja, não existe essa de "não sei" quando o psiquiatra fizer perguntas. De onde vieram? Em 88% dos casos, parecem vir de fora da cabeça, como de objetos, da parede ou do ar. O que elas dizem? Embora seja comum que a voz dê instruções, raramente elas se limitam a comandos - e normalmente o paciente evita obedecê-las, principalmente se isso trouxer perigo. Então, se vozes de dentro da cabeça tiverem mandado um acusado ir até um banco e roubar dinheiro, dificilmente um psiquiatra acreditará nelas.

Junto às alucinações auditivas podem surgir as visuais. Mas nada de flashes, sombras, objetos voadores ou distorções de cores e tamanhos, comuns em alucinações causadas por LSD. Elas são em geral imagens de pessoas em escala normal e em cores. E aí está mais um erro comum de falsários. "Um réu acusado de roubo de banco disse calmamente ter visto um gigante de vermelho de dez metros derrubando uma parede durante a entrevista. Quando se perguntava a ele perguntas detalhadas, frequentemente dizia `Eu não sei¿. No final das contas, admitiu que mentia", escreve Resnik.

Para fechar o prêmio de mau ator para o falsário, a psicose não se limita ao que a pessoa pensa. Ela influi em como a pessoa pensa. Uma pessoa em estado psicótico muda abruptamente de assunto, inventa termos, faz uma salada de palavras. Ninguém vai enganar um psiquiatra dizendo de forma clara que está confuso. E para saber as características de confusão mental na esquizofrenia e reproduzi-las é necessário mais um Oscar. Ou então passar três décadas fingindo loucura de manhã à noite. Não é qualquer um que consegue ser Vincent Gigante.

ESQUIZOFRENIA
Por que tentam fingir: Inimputabilidade criminal.
Sintomas mais comuns: Alucinações, delírios, apatia, achatamento de emoções, isolamento social.
Tropeços de quem finge: Achar que quanto mais bizarro, mais convincente será, e acabar inventando alucinações e delírios muito diferentes dos legítimos. Ignorar sintomas menos cinematográficos, como a apatia e o achatamento de emoções.


DEPRESSÃO
Por que tentam fingir: Aposentadoria por invalidez, auxílio-doença.
Sintomas mais comuns: Perda de prazer nas atividades, sensação de inutilidade, insônia, ideias de morte ou suicídio.
Tropeços de quem fingeDizer que está triste, mas não aparentar a tristeza, ou exagerar num grau que não teria permitido sequer ir até a perícia. Dizer que chora, mas não saber responder direito em quais situações.


ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
Por que tentam fingir: Aposentadoria por invalidez, auxílio-doença, indenizações.
Sintomas mais comuns: Imagens de um trauma voltam à mente, o que dispara pânico.
Tropeços de quem fingeInventar um trauma trivial demais para causar o transtorno. Não conseguir simular a reação física (o suor, os tremores e a aceleração cardíaca) que vêm com a lembrança.


DÉFICIT DE ATENÇÃO
Por que tentam fingir: Conseguir medicamentos que aumentam a concentração.
Sintomas mais comuns: Comportamento desatento, desconcentrado, pouco persistente, desorganizado, esquecido.
Tropeços de quem fingeO psiquiatra pode não receitar estimulantes na primeira consulta e tentar outros tratamentos antes.
por Maurício Horta
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FAKENEWS: A BATALHA PELA REALIDADE ESTÁ COMEÇANDO – Ronaldo Lemos

Quem acha que o tempo das 'fakenews' está passando precisa pensar melhor.

O diretor Jordan Peele (Oscar de roteiro por "Corra!") disseminou um vídeo em que Barack Obama aparece xingando Donald Trump com um termo chulo ("deepshit"). Só um problema: o vídeo é falso.

Foi gerado por técnicas de inteligência artificial —e dublado por— Peele que cada vez mais permitem sintetizar imagens e vídeos indistintos do que chamamos de realidade.

Esse fenômeno é chamado de "deepfake" (falsificação profunda). Quem acha que o tempo das "fakenews" está passando precisa pensar melhor. Peele soltou o vídeo justamente para alertar sobre a popularização e o barateamento dessas novas ferramentas.

O que torna esse tema especialmente grave é que confiamos em imagens e em vídeos. Estamos culturalmente programados a aceitar o que vemos com nossos próprios olhos como real. Essa confiança pode agora ser abusada.

O pesquisador Giorgio Patrini dá em seu site um exemplo estarrecedor. Ele publicou quatro fotos de pessoas diferentes, perguntando para os leitores qual seria a imagem "falsa".

Para a surpresa de quem vê as imagens, a resposta é que todas são falsas. E mais importante: nenhuma daquelas pessoas retratadas nas fotos existe.

Os rostos foram sintetizados digitalmente, utilizando aprendizado de máquina, e são indistinguíveis da imagem de pessoas reais.

O que faltou discutir na semana passada quando o vídeo de Peeleviralizou é como combater as "deepfakes".Hoje, as ferramentas de análise forense de vídeos e imagens são facilmente enganadas por esse tipo de técnica.
Em outras palavras, se for preciso provar que uma imagem dessa natureza é falsa, há chance grande de a perícia ser inconclusiva.

Com isso, há dois enfoques principais sendo propostos como antídoto ao fenômeno. O primeiro é utilizar a própria inteligência artificial para detectar se uma imagem ou vídeo é falso. Esse enfoque fazia muito sentido até pouco tempo atrás.

A questão é que surgiu um novo método que transforma o antídoto em veneno. Chamado GAN (acrônimo de "redes adversárias generativas"), ele faz com que a criação de uma técnica para identificar imagens falsas com inteligência artificial contribua para tornar as falsificações ainda mais perfeitas. Com um GAN os falsificadores poderão aperfeiçoar sua técnica, tornando a identificação do que é falso ainda mais difícil.

O outro enfoque é o uso de blockchain para certificação da captação de imagens virtuais. Em outras palavras, toda imagem captada diretamente da realidade, com celulares ou câmeras profissionais, seria registrada num arquivo global, imutável e acessível em qualquer parte do mundo, certificando que aquela imagem é "real".

O problema desse enfoque é que ele é extremamente difícil de implementar. Além disso, qualquer edição na imagem ou no vídeo (por exemplo, colocando um filtro) tornaria a "certidão de realidade" inválida.

Essas duas estratégias são insatisfatórias. Até o momento, são o que há de mais concreto para combater "deepfakes". Se eu fosse pessimista, diria que estamos lascados. Como sou otimista, tenho confiança de que a inventividade humana irá superar também esse abacaxi.

Já era: 'Deepfakes' para gerar vídeos do ex-presidente Obama
Já é: 'Deepfakes' para transformar os atores e atrizes de todos os filmes em Nicholas Cage.
Já vem: O primeiro caso de uso político de 'deepfakes' em áudio, imagem ou vídeo.
 (Fonte: FSP 23/04/2018)

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DESABAFO DE UM BRASILEIRO – Edmir Silveira

O Brasil é, hoje, um país dividido. Não só entre correligionários desses arremedos de políticos. Mas, entre os que fazem parte do governo e TODO o resto do povo.

Resto? Como assim, se somos a maioria? Como assim, se somos os patrões de quem deveria governar em nosso nome? Mas, basta olharmos para nós mesmos que não teremos dúvidas, somos o resto...

Enquanto o povo brasileiro se digladia por políticos desonestos e corruptos (de TODOS os partidos), os mesmos celebram alianças para garantir que tudo continue como está. Em TODAS as esferas e instâncias, executivo, legislativo e judiciário.

Estamos regredindo de forma impressionante! Em tudo. Nos costumes, na cultura, nas crenças primitivas que se disseminam facilmente por uma população sem esperanças, criando um foco a mais de exploração da miséria brasileira.

Somos ignorantes, limitadíssimos intelectualmente. Afinal, como poderia ser diferente sem escolas e sem professores preparados, prestigiados e bem remunerados?

Discutimos e nos digladiamos por temas há muito ultrapassados na história do mundo civilizado. Estamos no século passado e caminhando a passos largos para o século XIX. 

Nossos melhores cientistas, pesquisadores, pensadores e expoentes, em todos os campos do conhecimento humano, foram para fora do país. Em busca de trabalho digno. Aqui, não têm incentivo, não têm verbas, não têm futuro algum.

E, sem as cabeças pensantes que nos impulsionariam para o futuro, nos tornamos ainda mais ignorantes e limitados. Condenados a piorar cada vez mais.

Dói, dói muito ver meu país assim. E, acredito que, como em mim, a dor esteja presente no dia a dia de milhões de brasileiros. Uma dor na alma.

Mas, por mais burros, limitados e covardes que sejamos não merecemos isso. Deveríamos, pelo menos, merecer a complacência com que se deve tratar os idiotas, ignorantes e fracos.

Mas, a classe política não tem mais nenhum escrúpulo e nem vergonha na cara. Solidariedade, humanidade, responsabilidade e verdade não existem no mundo deles. Praticam a mentira e o escárnio a luz do dia com transmissão ao vivo. A impunidade com requintes de crueldade, é repugnante. Dá nojo ver uma sessão do congresso ou do STF.

Passam o pau na nossa cara e nos enrabam em seguida. Diariamente. Em TODAS as instâncias de poder. Executivo, legislativo e judiciário. Em TODAS as cidades, municípios, estados e no governo federal.

É triste, muito triste.
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QUANTAS PESSOAS INCRÍVEIS JÁ CRUZARAM O SEU CAMINHO DESPERCEBIDAS? - Bruna Cosenza

Você já parou para pensar em quantas pessoas
 incríveis cruzam o seu caminho despercebidas? 

Quantas pessoas não recebem a atenção devida por estarmos com o nosso olhar desviado e o foco voltado pra outros indivíduos ou interesses? Isso acontece mais do que imaginamos.

Muitas vezes, as pessoas certas aparecem no momento errado e não conseguimos cuidar delas da maneira que merecem.

O problema é que na hora nem nos damos conta, mas a verdade é que elas não ficam para sempre nos esperando, pois a vida precisa continuar. Elas saem em busca de serem valorizadas e, às vezes, quando paramos para olhar para o lado e procurá-las, já é tarde demais.

Sabe, não é por mal que fazemos isso… É mais uma das armadilhas da vida, em que muitas vezes fixamos o nosso coração e olhar em quem não necessariamente tem a intenção de ficar e, enquanto isso, do outro lado da rua, há alguém que poderia ser tudo o que procuramos, mas que não encontrou espaço o suficiente em nossas vidas.

Esse alguém poderia ser um amigo, um conselheiro, um amor… Poderia ser alguém com uma participação muito mais relevante na nossa história, mas que passou despercebido.

Alguém que deixamos escapar não de propósito, mas porque não estávamos prestando atenção o suficiente. E a verdade é que talvez nunca mais tenhamos a oportunidade de recuperá-lo, pois a vida passa, as pessoas mudam e as prioridades se reorganizam.

Amanhã pode ser tarde demais, preste atenção hoje em quem está passando despercebido. Esse alguém pode mudar a sua vida.

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FICHA LIMPA: SEU VOTO É QUE VAI DECIDIR ESSA QUESTÃO - Edmir Silveira

Ouço, leio e assisto muito se falar em política e políticos, mas quase nada na próxima eleição que acontecerá daqui a pouco.

Fala-se ainda menos sobre o que aconteceu com aqueles tantos projetos sobre as regras dessa eleição. Ficou bem claro que os políticos queriam reduzir as opções do eleitorado a uma meia dúzia que, com certeza, seriam os paus mandados desses atuais eleitos que, corruptos, corruptores ou simples ladrões do erário, não poderão concorrer pelos motivos apresentados.

De que adiantará reclamar depois de sacramentadas as indicações de cada partido? Nada.

Estaremos novamente entre Dilmas X Aécios, Pezões X Garotinhos ou seus genéricos. Isso em todos os cargos que estarão sendo jogados.

MAS, existem as mídias sociais. Dentre tudo de novo que surgiu no cenário político brasileiro, sem dúvida, a força dessas mídias é a mais poderosa. Os partidos estão vigiando toda comunicação de Face, Twitter, Instagram e similares para construírem seus discursos em busca de votos. Isso mesmo. Quando você começar a ler na propaganda dos candidatos frases, pensamentos e idéias que te pareçam familiares, não estranhe. 

Eles virão com discursos renovados e renovadores. Iguais aos velhos, só que novos. Mas, não se iluda. 90% está ali só para fazer a mesma coisa que os antigos políticos sempre fizeram: mentir e enganar.

Não será, nem nunca foi, fácil a tarefa de escolher representantes entre políticos. A chance de erro é enorme. Por isso, todo cuidado é muito pouco.

Acredito que essa próxima seja a eleição da ficha limpa. E é muito bom que seja. Mas, não o ficha limpa que a justiça determinar. Pode ter certeza, serão poucas as impugnações de candidaturas além daquelas óbvias.

Cada um de nós é que vai determinar quem é ficha suja. Pra mim, por exemplo, nem precisa estar muito suja, se estiver com qualquer poeirinha já está fora. Porque na hora da eleição você é o único juiz. 

Não importa o que o Gilmar Mendes acha. Sua opinião é que vai decidir. É o único momento em que a sua opinião vale mais do que a dele. Ali, na hora do voto, ele não apita nada. É só você com você mesmo. Soberano.

Galera, vamos pensar. Pesar. Repensar e repesar. Vamos nos informar. Chega de eleger ladrões, mentirosos e gente com passado mais sujo que pau de galinheiro. Mas, que conseguiu aquela mágica brasileira de se livrar da justiça e ainda poder se candidatar de novo.
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TRAUMA TEM CURA

Para realizar um atendimento terapêutico com o cliente traumatizado é essencial “criar um ambiente um ambiente de segurança, uma atmosfera que transmita amparo, esperança e possibilidade”.

Ajudá-lo a ouvir a voz sem palavras do próprio corpo e torná-lo apto a sentir suas”emoções de sobrevivência” de raiva e pavor sem deixar que estes estados se apoderem dele.

O trauma não reside no acontecimento externo que induz dor física e emocional, nem mesmo na própria dor, mas no fato de nos aprisionarmos a reações primitivas a fatos dolorosos. O trauma acontece quando somos incapazes de liberar energias bloqueadas, de nos mover de forma plena pelas reações físicas/emocionais à experiência dolorosa. Trauma não é o que nos acontece, mas o que retemos dentro de nós na ausência de uma testemunha empática.

A maioria das pessoas pensa no trauma como um “problema mental”, ou como um “distúrbio cerebral”.Entretanto, o trauma é algo que acontece também no corpo.Na verdade, ele acontece primeiramente no corpo.Os estados mentais associados ao trauma são importantes, mas secundários.O corpo começa e a mente acompanha.Conseqüentemente, as curas pela fala que envolvem somente o intelecto ou as emoções não atingem a profundidade necessária.

Nós terapeutas, precisamos ser capazes de reconhecer os sinais psicoemocionais e físicos do trauma “congelado” no paciente. Portanto é necessário ouvir a “voz sem palavras” do paciente.Ajudá-lo a desenvolver a consciência e domínio de suas sensações físicas e de seus sentimentos.A chave da cura está no ato de” decifrar esse reino não verbal”.
Fonte:Uma Voz sem Palavras –Peter A. Levine
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O MEDO DA FELICIDADE – Flávio Gikovate

Venho tratando desse tema desde o final dos anos 1970 e ele surgiu em minha mente de uma forma estranha e surpreendente: de repente percebi que as pessoas, ao se apaixonarem, passavam a viver em estado de alarme, muitas vezes em pânico, como se algo de terrível estivesse para lhes acontecer.

Dormiam mal, perdiam o apetite, viviam obcecadas, pensando compulsivamente no que estava lhes acontecendo, querendo saber o tempo todo do amado e se ele ainda estava lá pronto para dar continuidade ao relacionamento.

Isso, em princípio, não fazia o menor sentido, pois afinal de contas se apaixonar era o anseio máximo daquelas pessoas que, depois, por motivos duvidosos, acabavam por se afastar de seus amados como que para se livrar desse estado de espírito próprio de quem vive num campo de batalha e pode ser alcançado por uma bomba a qualquer momento.

Percebi depois que a sensação de iminência de tragédia também se manifesta quando uma pessoa obtém um resultado excepcional em seu trabalho, em suas atividades esportivas, em seus ganhos financeiros… Ou seja, sempre que acontece alguma coisa muito boa, as pessoas passam a se sentir ameaçadas, como se elas aumentassem as chances do acontecimento de alguma desgraça.

Bem mais tarde constatei que esse mesmo tipo de sensação está na raiz de todo ritual supersticioso, presente em quase todos nós e tão antigo quanto as mais antigas civilizações: quando questionadas acerca de como estão indo as coisas, respondem que estão indo bem e imediatamente batem na madeira, como que se protegendo contra a inveja dos humanos e a ira dos deuses.

O medo da inveja, do “olho gordo”, estava presente no Egito antigo, em que as mulheres estéreis eram proibidas de olhar o ventre das que estavam grávidas, porque isso seria nocivo ao feto.

O medo da felicidade tem uma correlação direta com nossas tendências destrutivas: ao nos depararmos com a aflição que o sucesso provoca, tendemos a estragar uma parte do que conquistamos com a finalidade de preservar o principal: tendemos a raspar o paralama do carro novo para, com isso, diminuir a felicidade por ter podido adquiri-lo!

Muitos dos que tomam uma porção de pinga num bar despejam uma pequena parte – “para o santo” – e isso parece ser uma espécie de pagamento feito à divindade para que possam se deliciar com aquele prazer e bem-estar.

Freud, para tentar explicar nossas tendências agressivas e autodestrutivas acabou por formular a hipótese de que existe em nós uma “pulsão de morte”, um impulso permanente e definitivo que opera contra nós.

Penso que os mecanismos que sabotam nosso bem-estar são indiscutíveis, mas não concordo com a ideia de que possuímos uma força que nos impulsiona na direção da morte.

Tenho pensado cada vez mais no nascimento como um evento marcante e extremamente traumático, seguindo os passos de um psicanalista, discípulo e depois dissidente de Freud, que foi O. Rank. Para ele, o nascer é uma transição para pior, a “expulsão do paraíso” que correspondia à simbiose materno-fetal.

A ruptura dramática dessa condição de harmonia é vivenciada como um estado de pânico, manifesto claramente no rosto do que acaba de nascer. Assim, nosso primeiro registro cerebral é o da harmonia e o seguinte corresponde à dor da ruptura e o surgimento da sensação de desamparo que, de alguma forma, irá nos acompanhar por toda a vida.

Prefiro atribuir a essa vivência traumática, que se fixa em nossa mente de forma definitiva, a existência de tendências sabotadoras de nosso bem-estar e que nos acompanham por toda a vida.

Penso na formação de uma espécie de reflexo condicionado, de modo que, ao nos aproximarmos de um estado de harmonia e bem-estar semelhante ao que experimentamos no útero – e nada é mais parecido com isso do que o aconchego que acompanha um encontro amoroso de qualidade – imediatamente nos sentimos ameaçados, como se outra vez uma hecatombe viesse a nos atormentar; agora pensamos que a harmonia irá nos trazer a morte, destruindo nossa recém conquistada felicidade. Associamos a paz uterina à sua destruição, de modo que tememos o estar bem por temermos suas consequências nefastas.

A lógica dos processos psíquicos é peculiar, de modo que deve ser procurada de uma forma própria.

Se perguntarmos às pessoas que nunca se viram numa situação de grande felicidade se elas sentiriam medo, é claro que a maioria delas responderia negativamente. Porém, a verdade é que esse medo é universal e nunca conheci alguém que não o tivesse em alguma dose.

Aprender a conviver com ele e a não fugir das situações em que ele aparece corresponde a um ato de coragem adequado. Afinal de contas, apesar da aparência, felicidade não mata!
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