QUEM FOI TALES DE MILETO?

“O universo é feito de água”

Criado em uma época na qual a religião explicava todas as coisas, das guerras aos casamentos infelizes, Tales de Mileto rompeu com o pensamento mitológico e deu o pontapé inicial na filosofia. 

Foi o primeiro a usar o raciocínio puro para explicar as questões do homem e da natureza.

Nascido na colônia de Mileto, atual Turquia, Tales é considerado o responsável por tirar a civilização helênica das trevas intelectuais. A fama ia além das contribuições para a filosofia. 

Em 585 a.C., conseguiu prever um eclipse total do Sol. Sua aptidão para os negócios também era invejável. Certa vez, percebeu que as condições do tempo estavam favoráveis para a colheita e investiu no ramo das azeitonas prevendo que o clima turbinaria uma safra recorde. 

Dito e feito: Tales encheu os bolsos de dinheiro. Porém, o pensador ficou mais conhecido pelo Teorema de Tales, que ele formulou medindo a pirâmide de Quéops, no Egito, utilizando apenas uma estaca e as sombras dela e da pirâmide. 

Hoje, o teorema é fundamental para medições geométricas, utilizado desde a construção civil até a astronomia.

É apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Na filosofia, ele acreditava na existência de uma matéria-prima básica responsável pelo origem do Universo: a água. Em uma de suas frases mais conhecidas, Tales teria dito que “o Universo é feito de água”. Ele observou que, sem água, tudo morria. Logo, ela era a fonte da vida. 

Tales chegou a afirmar que a Terra flutuava sobre um disco de água a partir do qual tudo emergiu. Ironicamente ou não, a sede teria sido um dos motivos da sua morte, aos 78 anos.

Segundo Diógenes Laércio (historiador e biógrafo dos antigos filósofos), Tales se encontrava faleceu de um mal súbito enquanto assistia uma competição de ginástica. 

Segundo contam, Tales sentiu um calor repentino, seguido de uma sede e sensação de fraqueza.

Tales não deixou textos. Tudo o que se sabe sobre ele é baseado na tradição oral e em registros de outros pensadores. Teve uma vida isolada e íntima.
Não cobrava nada de seus discípulos e, humildemente, desafiava outros sábios a contestarem suas ideias.
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O MODO DE LEVAR A VIDA PODE TE TRANSFORMAR EM UM ANSIOSO

Como treinadora, eu trabalho com pessoas que têm dificuldade em administrar o seu stress e ansiedade. No entanto, elas encontram conforto na minha experiência e no fato de que eu também sofri com isso.

Há alguns anos atrás fui diagnosticada com ansiedade generalizada e transtorno do pânico, e foi colocada em uso de medicação. Dentro de dois anos, eu estava lutando contra um vício que me colocou em risco de vida: meus remédios de ansiedade e sobrevivi a uma overdose.

Para salvar a minha vida,embarquei em uma jornada pessoal de autodescoberta. Eventualmente, fui capaz de obter um melhor controle da minha ansiedade e largar mão dos remédios. Aprendi a fazer isso descobrindo que meu problema era o meu estilo de vida, e não a minha ansiedade.

Ao longo de anos de lidando com esse transtorno, eu aprendi que todos nós temos momentos de ansiedade (como quando temos que fazer um discurso em público), mas nem todos sofrem de transtorno de ansiedade.

Aqui estão 10 fatos que podem estar te deixando mais ansioso:

1. Você está bebendo muito café
O café tem sido associado ao aumento da ansiedade. Para lidar com a ansiedade crônica, é ideal evitar café e outros alimentos com cafeína. Ao invés de uma xícara de café na parte da manhã, experimente um suco verde. E tome cuidado com descafeinados: algumas cervejas têm mais cafeína do que os outros.

2. Você não é ativo o suficiente
Manter-se ativo é vital para reduzir o stress e ansiedade. Lembre-se: O exercício não precisa ser uma tarefa árdua. Faça uma aula de yoga. Um passeio no parque. Uma aula de dança. Apenas mexa-se! Isso trará maravilhas para a sua mente, corpo e espírito.

3. Você não está dormindo o suficiente
Ansiedade e depressão têm sido associadas à privação crônica de sono. Tenha em mente que o descanso e a recuperação são tão importantes quanto dieta e exercício, na busca de equilíbrio. Tenha pelo menos de sete a nove horas de sono.

4. Você está bebendo muito álcool
Depois de um dia longo e estressante, é comum relaxar com uma bebida. Beber ocasionalmente pode ter alguns benefícios para a saúde, porém o excesso de álcool aumenta sua ansiedade. Procure outras formas de relaxar que não envolvam bebidas. Uma xícara de chá de camomila sempre me acalma. Bônus: Reduzir o álcool vai ajudar o seu corpo e sua carteira.

5. Você não tem tempo para meditar ou administrar o estresse
A ansiedade se relaciona muito com a preocupação com o passado e / ou futuro. Meditação nos ensina a permanecer no momento presente, no qual a ansiedade é (muitas vezes) inexistente. Se você não tem uma prática regular, comece por sentar em silêncio por cinco minutos todos os dias. Adicione mais tempo gradualmente. Você ficará surpreso como pequenos passos podem ter um impacto incrível.

6. Você não tem amigos no trabalho
Ter uma forte rede social é uma ótima maneira de se sentir mais feliz e menos estressado. E ter amigos no trabalho é ótimo para o seu bem-estar. Muitos de nós passamos pelo menos oito horas por dia trabalhando, então por que não tornar essas oito horas agradáveis? Convide um colega de trabalho para tomar um suco ou fazer uma aula de yoga.

7. Você não tem tempo para se divertir
Cuidar de si não é um ato egoísta, e sim altruísta! Torne-se a sua maior prioridade. Mergulhe nas atividades que você gosta e delicie-se com as coisas que você ama. Faça do relaxamento uma prioridade, não um luxo. Passe um dia no spa. Arranje tempo para se divertir e apreciar a vida que você vive.

8. Você trabalha demais
Para muitas pessoas a maior fonte de estresse é o trabalho. Como não podemos controlar tudo em um local de trabalho, é importante nos concentrarmos no que podemos controlar. Quando seu dia de trabalho for cansativo, deixe-o ser cansativo! Mantenha seus problemas pessoais longe de seu trabalho. Administrar sua ansiedade não deve custar sua felicidade (ou do seu parceiro). Se você precisa discutir questões sobre o trabalho, encontre um profissional de saúde de confiança que pode ajudá-lo a encontrar estratégias de enfrentamento.

9. Você come muito açúcar
Estudos têm mostrado que comer muito açúcar o coloca em risco de doença cardíaca. Outros estudos compararam os efeitos do açúcar com o das drogas mais pesadas. Açúcar proporciona muitas vezes uma ruptura rápida de energia, seguido por um acidente – semelhante aos efeitos da cafeína. Isso faz com que seu corpo libere adrenalina e cortisol, que pode criar uma maior ansiedade e pânico. Ao invés de açúcar, são mais recomendados alimentos integrais.

10. Você está consumindo muita informação de televisão e mídias
Envolver-se nos assuntos triviais da vida de outras pessoas é uma maneira infalível para sentir stress, ansiedade e depressão. Um estudo recente da Fundação Pew descobriu que muitos usuários de mídias sociais absorvem o estresse que veem na mídia. (Sem mencionar o fato de que o tempo que você gasta na frente de uma tela pode ser usado para se exercitar ou meditar).

Livre-se de tudo que não esteja lhe servindo. Substitua sua obsessão pela novela das 21:00 por um bom livro ou uma aula de yoga.

A ansiedade é simplesmente uma forma de nossos corpos se comunicarem conosco. Nós devemos ouvi-lo. Temos que aprender a nos munir de ferramentas saudáveis ​​para nosso crescimento e desenvolvimento contínuo. Sua ansiedade está em suas mãos, o que você vai fazer com ela?
Texto traduzido do site Mind body green
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3 MITOS SOBRE A INFIDELIDADE

Existem muitos mitos sobre a infidelidade. É verdade que se trata de um acontecimento sério, que em muitos casais significa um ponto de virada. No entanto, a cultura também tem sido responsável por alimentar falsas convicções a respeito disso. Isso tem dado à infidelidade uma importância radical, que muitas vezes ela não merece.

É verdade que uma infidelidade causa grandes feridas. O casal nunca volta a ser o mesmo depois de um episódio como esse. Isso não significa que seja um problema sem solução, que deve originar traumas e tragédias pessoais.

Muitos dos mitos sobre a infidelidade nascem e são mantidos porque aqueles que os admitem ou os proclamam partem de um conceito idealizado do amor e do casal.  Pensemos que, no ser humano, nada é perfeito, muito menos um sentimento. Somos todos imperfeitos e estamos sujeitos a cometer erros, a não ser consequentes. O importante é saber como avaliar esses erros e voltar ao curso adequado a tempo.

“A infidelidade não é um ato de encontrar paixão em outros corpos, é um pretexto para reencontrar a paixão em si mesmo”.
-John Desiré-

1. Não há mais amor, um dos mitos sobre a infidelidade
Um dos mitos sobre a infidelidade diz que ela só acontece quando termina o amor pelo parceiro. Isso não é verdade. Neste caso, como em todos os outros, não se pode partir de uma perda para tentar entender o que aconteceu. É necessário avaliar a situação com cuidado e interpretá-la serenamente, especialmente se quisermos salvar a relação.

As circunstâncias e como a infidelidade ocorre dizem muito sobre isso. Pode ser algo acidental e irrelevante. Também pode ser um sinal de que há um conflito não resolvido no casal ou de que é o momento de fazer uma mudança. Não necessariamente de que já não há mais interesse pela relação.

O problema destes mitos sobre a infidelidade é que às vezes eles geram um sofrimento desnecessário. Ninguém gosta que seu parceiro seja infiel. No entanto, antes de sofrer uma tempestade interna, o importante é entender o que aconteceu.

2. Não há satisfação sexual na relação
Quando ocorre a infidelidade, também é comum que a autoconfiança da pessoa que a sofre seja prejudicada. Junto à raiva e a impotência causadas por algo que não se pode mais mudar, também se planta uma semente de dúvida sobre seu próprio valor e seu próprio desempenho na relação. “Será que eu não sou o suficiente?”

Um dos mitos sobre a infidelidade diz que você só procura um novo parceiro quando não há satisfação sexual com o parceiro atual. Isso pode ser verdade, mas na maioria das vezes não é. A maior parte das infidelidades é, acima de tudo, circunstancial. Ou seja, não compromete os aspectos da base do casal.

É possível que alguém busque a novidade ou simplesmente que se sinta lisonjeado por despertar o interesse de outra pessoa e queira recriar essa sensação, reforçando-a. Também é possível que se deixe levar pelo desejo de querer ser sedutor ou sedutora. Ao mesmo tempo, não têm dúvidas de que amam e desejam seu parceiro. É simplesmente uma questão de imaturidade e egoísmo, que às vezes não é ponderada com o tempo.

3. A infidelidade nunca deve ser perdoada
Outro dos mitos sobre a infidelidade diz que jamais devemos perdoá-la, sob quaisquer circunstância. Fazer isso seria perder o respeito no casal e só levaria a uma repetição desse comportamento, milhares de vezes. Isso também não é verdade, ou pelo menos não é verdade para muitos dos casais.

Uma infidelidade não deve ser tomada como se o outro tivesse simplesmente escovado os dentes. Mas tampouco deve ser elevada à categoria de uma tragédia grega sem solução. O que deve ser feito é avaliar as circunstâncias em que ocorreu e, mais especificamente, a qualidade da relação mantida com o parceiro.

Algo é certo: uma infidelidade terá o peso que atribuímos a ela, e as consequências dependerão de muitas variáveis, incluindo a gestão pessoal que fazemos dessa infidelidade. Pode ser um fato que exija atenção, reflexão e diálogo, causando feridas profundas que levam tempo para cicatrizar. O importante é que teremos muito a fazer nessa duração e na constituição da nova pele.

O realmente relevante em um casal é o sentimento que os une e a qualidade do vínculo. Até nos casais mais felizes pode haver momentos de crise. Os seres humanos são ambíguos e contraditórios. Somente se compreendermos e aceitarmos isso, poderemos entender que a realidade não se apresenta em preto e branco, e que os mitos sobre a infidelidade devem ser derrubados.
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QUEM FOI EPICURO ?

“A morte não é nada para nós”

Durante escavações em sítios arqueológicos gregos e romanos, foram encontrados várias estatuetas de Epicuro. Era normal que os intelectuais da época guardassem estátuas de filósofos, mas o que chamou a atenção é que as de Epicuro estavam presentes até nas casas humildes. Os seguidores do filósofo, acreditavam que contemplar seu rosto aquietava o espírito.

Epicuro nasceu cerca de 341 a.C. no Egeu, na ilha de Samos, que também foi berço de Pitágoras. Ele serviu o exército ateniense por dois anos, depois se dedicou a estudar e lecionar filosofia. Ele teve uma experiência inicial, na qual os filósofos às vezes se viam, quando foi expulso da cidade de Mytilene, na ilha de Lesbos. Epicuro viveu durante a época inquieta da história grega, no final do quarto século e começo do terceiro século a.C., quando as cidades-estado gregas estavam sob o açoite do império macedônico.

Então, ele e um punhado de amigos juntaram seus recursos e compraram uma casa na periferia de Atenas, perto de um rio, em meio às oliveiras, e fundaram uma comunidade filosófica que chamaram “O Jardim”. Uma placa acima da entrada do O Jardim dizia : “Estranhos, aqui vocês podem se demorar; aqui, nosso maior bem é o prazer”.

Epicuro adorava comparar seu pensamento à medicina. Proclamava-se um terapeuta do espírito, médico das almas e cirurgião das paixões. O Jardim, acolhia mulheres, escravos e até mesmo prostitutas para suas “consultas”.

Como Aristóteles, acreditava que o maior objetivo da vida era a felicidade. Mas ia além. Achava que a dificuldade em atingi-la estava no medo que sentimentos da morte. Epicuro se propôs a resolver o impasse: se a morte é o fim das sensações, ela não pode ser fisicamente dolorosa, e, se é o fim da consciência, não pode causar dor emocional.

Epicuro estava convencido que não havia vida após a morte, onde podemos ser reprendidos por uma vida de prazer. Uma parte importante de sua filosofia era o estudo da física, particularmente da astrofísica. Epicuro seguia Demócrito, o filósofo do quinto século, conhecido como o “filósofo risonho”, afirmando a física atômica : o universo é uma coleção de átomos girando segundo leis mecânicas, e quando os humanos morrem, nós simplesmente dos dissolvemos de volta a esse ensopado de átomos. 

No entanto, enquanto estamos vivos, através de uma destino incrivelmente bem, temos consciência e razão, e livre arbítrio, e isso significa que temos tudo que precisamos para seguirmos uma vida de felicidade e prazer.

Epicuro nos diz que só passamos alguns anos nesse planeta, antes de desaparecermos, e enquanto estamos aqui não há nada que tenhamos que fazer. Não há mandamentos que temos que seguir. Podemos optar por nos divertirmos, em vez de encontrar motivos para sermos infelizes. Podemos fazer a escolha radical da felicidade. Ele escreveu :

“Por prazer, nós queremos dizer ausência de dor no corpo, e pertubação na alma. Não é uma sucessão de bebedeiras ou festividades, nem amor sexual, nem o prazer do peixe e outra iguarias de uma mesa luxuosa, que produzem uma vida agradável; é a razão sóbria, a busca de base para cada coisa que escolher evitar, e o banimento das crenças, através da quais as maiores pertubações se apossam da alma”.

Os epicuristas captaram o quanto somos péssimos em sermos felizes e o quanto somos talentosos para arranjar motivos para sermos infelizes.

De todos os meios granjeados pela sabedoria para garantir a felicidade ao longo da vida, Epicuro diz “de longe, o mais importante é a aquisição de amigos”. Para ele isso era muito mais importante do que o amor sexual, que leva ao ciúmes e todos os tipos de distúrbios emocionais; ou família; ou o Estado. Os epicuristas rejeitavam a cidade-estado corrupta e faziam suas pequenas sociedades de amigos.

Segundo as palavras de um ditado epicurista: ” Por que você fica adianto sua alegria ? “. Ou podemos dizer que não conseguimos ser felizes por causa do passado. Não podemos ser felizes porque sofremos bullying no colégio, ou nossos pais foram maus para nós. Mas o autor do bullying ainda está aqui, provocando você, hoje ? Seus pais ainda controlam sua vida? Não são eles que estão sendo maus com você, no presente: é você mesmo. Você que está se fazendo infeliz. 

Então, por que não se dar uma chance e se permitir ser feliz ? De que adianta ficar arrastando sofrimentos que já passaram, de ser infeliz agora, só porque foi infeliz antes ?

Ou podemos arruinar nossa felicidade com ansiedades quanto ao futuro. “E se eu fracassar ? E se minha esposa me deixar ? E se eu cair doente ? E se eu morrer ?. Os epicuristas olham para esses “e se” e sacodem os ombros. E daí, se acontecer ? Por que estragar o presente se preocupando com possíveis futuros? 

Se algo ruim nos acontecer no futuro, a filosofia nos dá meios para lidar com isso, e se nós morrermos, deixamos de existir, portanto, isso realmente não é problema.

Superado todos esses medos, podemos dai sim ser felizes. Epicuro morreu aos 72 anos. Não sabemos se ele estava completamente destemido em relação ao juízo final, mas, em uma de suas últimas cartas, comemorou a vida doce, feliz e sempre digna de ser vivida.
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DESFORRA - Mario Sergio Cortella

A palavra “desforra”, ideia de desagravo, não significa “vingança”. Há várias pessoas que fazem identificação entre esses termos. 

A noção de desforra é quando você se liberta. “Forro”, de onde vem a palavra “alforria”, é aquele que está livre, portando, desforra é quando você se liberta do que te prejudicava, do que provocou algum sofrimento. Desforra é também quando se tem o desagravamento, isto é, em que se perde a gravidade de algo que te agravava, que te atingia.

Nesse ponto de vista, a ideai de desforra não necessariamente se conecta com vingança. Aliás, nem deve. Uma desforra está mais próxima da ideia de justiça, isto é, daquilo que é justo do que realmente algo que seja um troco para prejudicar a outra pessoa.

O jornalista francês Georges Benamou, que cobriu a Revolução Espanhola, em sua obra O caminho da Cruz das Almas, escrever que, “a partir de certa idade, a glória se chama desforra”. Isto é, quando nós, a partir de certa idade, percebemos que estávamos certos de algo e só agora as pessoas passam a entender e reconhecer aquilo.

Portando, esse desagravo, que de certa maneira a idade mais avançada pode trazer, dá, sim, alguma glória, algum gosto, alguma satisfação de ser daquele modo.
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OLHAR PELA JANELA: UM EXERCÍCIO DE REFLEXÃO E INTROSPECÇÃO

Olhar pela janela, deixar os olhos suspensos em um copo, não é sinônimo de perder tempo. Porque às vezes, quem olha através desse limiar não tem interesse em ver o mundo exterior. 

O que procura é percorrer seu reflexo para navegar através da introspecção, alcançar seus mundos internos em busca de novas possibilidades. Poucos exercícios mentais podem ser mais saudáveis.

Qualquer um que conheça o trabalho de Edward Hopper sem dúvida se lembrará de todas aquelas obras nas quais somos apresentados a uma mulher solitária diante de uma janela. Às vezes é um quarto de hotel, às vezes uma cama ou um refeitório … A imagem é sempre a mesma: um olhar feminino que parece transcender o vidro e ficar a quilômetros de distância daquele pequeno espaço que a rodeia.

Poucos enigmas despertaram esse interesse pictórico. O que essas mulheres olham? A resposta é simples: nada e tudo ao mesmo tempo. Hopper era um especialista em criar ambientes e atmosferas onde as emoções de definição pouco simples eram contagiosas. A luz, as formas, as cores, tudo tinha que propiciar uma certa sensação. Por esse motivo, ele costumava usar o recurso de uma janela perto de seus personagens.

As janelas são umbrais para a mente humana. Muitas vezes elas são um recurso indispensável para todos os sonhadores. Também para aqueles que precisam de uma pausa após um dia de estresse, e apoiam a testa no vidro frio de uma janela no metrô. É quando o olhar relaxa e nossa imaginação se apaga. É aquele momento em que começamos a sonhar e nosso cérebro encontra alívio, liberdade, bem-estar.

Olhar pela janela, um exercício de introspecção
Em qualquer sala de aula de uma escola primária ou secundária, é fácil encontrar uma criança olhando pela janela. Eles estão ausentes, desconectados dos seus arredores, mas conectados a suas divagações, a seus devaneios. À medida que crescemos, esse comportamento, longe de ser corrigido, persiste com entusiasmo. No entanto, ainda é desaprovado. Porque olhar pela janela é sinônimo de ser improdutivo, não está presente no imediatismo que nos rodeia, nas responsabilidades que nos exigem.

Vamos admitir, raramente podemos mergulhar em nossos estados mentais para saber o que está acontecendo lá. Porque quem faz isso fica imóvel, não gera nada, não mostra nada. E isso, numa sociedade orientada para resultados, é pouco mais que um sacrilégio. Talvez por esse motivo, olhar pela janela seja um exercício que preferimos fazer sozinhos. É deixar os olhos nesse limite sugestivo que o vidro forma para olhar, mas não para ver, o que acontece no mundo exterior.

O que fazemos é uma viagem ao contrário. Nós não nos importamos com o que está lá fora, porque o que está lá embaixo é bem conhecido: trânsito, aglomerados de pessoas, uma cidade que evolui na rotina habitual … Nosso cérebro nos puxa como a âncora que é coletada da parte inferior das profundezas para nos levar para o mar. E aí, algo tão maravilhoso quanto útil para nosso desenvolvimento emocional e psicológico acontece.

Vivemos em um mundo obcecado pela produtividade, nós sabemos. Talvez por esse motivo, nos esquecemos do enorme potencial existente no ato de sonhar acordado. Às vezes, as coisas mais importantes, as decisões mais importantes, surgem na frente de um painel da janela. É quase como uma rebelião de nossa mente ordenando que façamos algo diferente. É fazer contato com o nosso eu mais sábio – mas recôndito – para ouvir o que ele quer nos dizer.

O vidro onde sonhamos acordados
Psicólogos especialistas no mundo da criatividade, como Scott Barry Kaufman e Jerome L. Singer, explicam em um artigo da Psychology Today que hoje sonhar acordado permanece sendo um estigma. Quem quer que olhe pela janela por meia hora, em vez de continuar a trabalhar com o computador, é uma pessoa preguiçosa.

Em um estudo realizado por esses psicólogos, foi demonstrado que 80% dos gestores de empresas como a Adobe pensam que a criatividade é aprimorada através do trabalho e da atividade contínua. Assim, o trabalhador que em determinado momento escolhe deixar o resto para tomar café diante de uma janela é alguém que não aguenta a pressão, alguém improdutivo.

Até hoje, continuamos a associar movimento com desempenho e passividade com preguiça. Devemos, portanto, mudar essas perspectivas, essas idéias enferrujadas. Sonhar acordado representa a arte de rastrear maravilhas escondidas no cérebro de alguém. Está treinando a mente para expandi-la ainda mais por meio de introspecção, curiosidade, simbolismo e imaginação.

Tudo isso, todo esse potencial oculto em cada um de nós, pode ser encontrado perfeitamente na frente de um vidro. Olhar pela janela em algum momento do dia é incitar a nós mesmos. É atravessar o limiar para esse mundo interior tantas vezes negligenciado. Esse que não servimos ou alimentamos porque o exterior exige muito de nós. A sociedade de hoje nos quer hiperconectados, esperando estímulos infinitos.

Vamos aprender, portanto, a estabelecer limites e a ir a essa janela de vez em quando. Para essa reflexão onde estão contidos nossos sonhos, onde podemos espiar nossa beleza interior e um mundo cheio de infinitas possibilidades…
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O CINEMA COMO FERRAMENTA PSICOTERAPÊUTICA

Nunca aconteceu de, depois de ver um filme, o modo com você via um determinado problema mudar? Ou o filme fez você adotar uma perspectiva diferente para enfrentar novas situações? E o filme fez você se distanciar um pouco de algum momento difícil da sua vida? Os benefícios do cinema como ferramenta psicoterapêutica são múltiplos. Por isso, é cada vez mais utilizado pelos profissionais de saúde.

Assistir a filmes permite que os espectadores e, portanto, os pacientes, obtenham informação de uma natureza muito distinta: linguística, visão-espacial, interpessoal e intrapsíquica. Ou seja, a comumente conhecida como “cineterapia” pode fazer do tratamento psicológico um espaço de aprendizagem completo, integral e intersensorial.

O cinema como ferramenta psicoterapêutica
proporciona inúmeros benefícios.
A leitura e o cinema
Para Bruce Skalarew, psiquiatra e psicanalista co-presidente do Forum for Psychoanalytic Study of Film, a cineterapia seguiu os mesmos passos da biblioterapia. Ou seja, a utilização de livros e a leitura como uma prática clínica.

Este médico define a sétima arte como uma ferramenta que ajuda a melhorar a saúde mental. Da mesma forma, considera este meio terapêutico como um bom complemento para as tradicionais terapias.

Walz explica que utilizar o cinema como ferramenta psicoterapêutica permite ao psicólogo apoiar-se na imagem, na música, nas cores, nos personagens, nos espaços e nos elementos teatrais. Além disso, o cinema tem o poder de facilitar a compreensão de si mesmo e realizar o que é chamado de “descarga emocional”. Em última instância, esta arte, diz Walz, ajuda a mudar nossos hábitos e a evoluir.

“A cineterapia pode ser um poderoso agente catalisador para a cura e para o crescimento daquele que está aberto à possibilidade de aprender como os filmes nos afetam, e de se propor a ver certos filmes com verdadeira atenção”.
-Birgit Walz-

Reflexão pessoal
O que eu faria se isso acontecesse comigo? Como meu parceiro reagiria se este problema acontecesse com a gente? Às vezes, os filmes fazem com que nos coloquemos em situações que, de outra forma, seriamos incapazes de imaginar.

Frequentemente nos colocamos na pele dos personagens e tentamos pensar ou ver através deles. Isso ajuda as pessoas que estão em tratamento psicoterapêutico a realizar uma introspecção de seus pensamentos, sentimentos e emoções – tanto presentes como futuros.

A aplicação do cinema como ferramenta psicoterapêutica
A primeira coisa a ser feita, segundo Gary Solomon – um dos primeiros psicólogos a abordar o uso de filmes como terapia – é selecionar aqueles filmes ou curtas que refletem o problema do paciente. Ou seja, a situação deve ser o mais parecida possível com a situação atual ou traumática do paciente.

É fundamental que o terapeuta e a pessoa conversem antes da exibição do filme. Isso serve para que ambos entendam que é preciso realizar um exercício consciente de análise do filme, para que o profissional possa reconhecer e examinar as reações do paciente.

“Sonhe como se fosse eterno, 
e viva como se fosse seu último dia”.
-James Dean-

Após a exibição do filme, é conveniente que o paciente explique as conexões e as semelhanças que encontrou entre o filme e a sua vida. É bom que ele use a imaginação e que possa se identificar com algum personagem do filme (Berg-Cross, Jennings, e Baruch, 1990).

Empatia e nova perspectiva
Um dos pontos fortes desta técnica é que ela pode melhorar as habilidades sociais e de comunicação dos pacientes. Serve como exemplo prático de situações nas quais pode-se desenvolver empatia e tornar os sentimentos, emoções e desejos próprios conscientes.

Com isso, pode-se colocar em prática a conhecida teoria da mente, ou seja, a capacidade para entender nossos próprios processos emocionais e para compreender e refletir sobre os sentimentos ou pensamentos alheios. E tudo isso através de uma sequência de imagens e engenhosos diálogos, graças à magia do cinema.

Os conflitos que observamos em protagonistas criminais nos ajudam a fixar nossos valores morais.
Além disso, esta técnica permite trabalhar com cenas específicas, focalizando ainda mais a questão a ser tratada. E mais, os personagens podem ser analisados de forma detalhada, podendo apreciar cada mudança e detalhe quantas vezes forem necessárias, voltando e reassistindo cada cena. Isso permite que sejam encontradas mais semelhanças e diferenças entre o comportamento do paciente e do ator.

O cinema como ferramenta psicoterapêutica é ainda um pouco desconhecido. Apesar de estar sendo cada vez mais integrado como estratégia complementar na prática tradicional, ainda não é suficiente. No entanto, mesmo que funcione para a maioria dos pacientes, é necessário evitar a realização desta com pessoas que sofrem de transtornos psicóticos. Nestes casos, não é garantido que a cineterapia traga benefícios.
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POR QUE SENTIMOS VERGONHA ALHEIA? - Vanessa Vieira

Você pode até ser insensível, 
mas seus neurônios são solidários

Se a visão de um colchão com pulgas provoca coceira alheia e um acidente de trânsito gera dor alheia, natural que testemunhar uma situação embaraçosa cause a famosa vergonha alheia. 

Por trás dessas sensações solidárias estão as estrelas da neurologia contemporânea: os neurônios-espelho. Essas células são especialistas em copiar: simulam no nosso cérebro o que está acontecendo com outra pessoa. E isso vale para movimentos e emoções. 

Foi o que mostrou uma pesquisa do Institut de Neurosciences Physiologiques et Cognitives de la Mediterranée, na França, que escaneou o cérebro de voluntários enquanto sentiam um odor desagradável e enquanto apenas assistiam a um vídeo de outras pessoas sentindo nojo. 

Em ambas as situações, as áreas ativadas no cérebro foram as mesmas.

O resultado é que, ao ver alguém experimentando uma emoção, nossa tendência é simular em nós mesmos o mesmo medo, tesão, alegria e, claro, a mesma vergonha. 

Isso vale inclusive para aquelas vezes em que aquela que consideramos a vítima não está nem aí, mas você está. 

"É como se nosso cérebro, ao identificar uma situação desafiadora, nos desse uma provinha para degustação", diz Renata Pereira Lima, pesquisadora do Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP. 

Ou seja, se você vê alguém pagando mico em um reality show e sente vergonha alheia, é seu inconsciente avisando: "não é pra você".
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O QUE É SER PAPA? - Luiz Paulo Horta

A Jornada Mundial da Juventude espalha pela cidade uma eletricidade que é tudo de bom e de belo. Que experiência, ver a garotada pelas ruas do Rio com suas bandeiras e mochilas (algumas enormes), disposta a andar, a cantar, a confraternizar! Se o mundo fosse sempre assim ...

A chegada do Papa deu algumas voltas extras nesse parafuso. Tente imaginar alguma personalidade contemporânea sendo recebida como foi o Papa Francisco na segunda-feira. Duvido que você consiga achar.

De onde vem essa energia? Há o fenômeno religioso, talvez a maior de todas as paixões humanas. Mas, será só isso? Desde a renúncia de Bento XVI, esse fenômeno tem mobilizado, de maneira surpreendente, pessoas que não têm ligação direta, ou mesmo indireta, com a religião.

Há mistérios no Vaticano, muito além do alcance de um Dan Brown. Há uma tradição forte dizendo que naquela colina foi martirizado o primeiro Papa, e que uma primeira igreja teria sido construída, ali, sobre a própria sepultura de São Pedro. Há as palavras solenes do Cristo: “Pedro, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas”.

São Pedro fez o que pôde para cumprir sua missão. Depois, veio uma série de Papas de que sabemos muito pouco — Lino, Cleto, Clemente. Esses primeiros Papas eram os bispos de Roma (e é assim que gosta de se chamar o atual Francisco). Fora dos muros da cidade, tinham uma influência apenas relativa, como se vê pelo concílio de Nicéia, ano 300, crucial para a igreja primitiva, em que a presença de um legado pontifício passou quase desapercebida.

Depois, houve de tudo. Houve os grandes Papas da Roma antiga — São Leão, São Gregório —, houve os Papas posteriores a Carlos Magno, cujas histórias nos cobrem de vergonha (aquilo ainda era a Igreja de Cristo?), houve os pontífices majestosos da Alta Idade Média, os Papas corruptos da Renascença, contra os quais se rebelou Lutero, e por aí vai.

O que sobra dessa cavalgada histórica? Um mistério. Alguns Papas foram grandes personalidades, às vezes, até, santos. Outros foram medíocres, como os Papas do século XVIII (um deles, por pressão da França, decretou o fim da Companhia de Jesus). Mas cada um deles, de algum modo, sabia o que se esperava deles.

Conversando, uma vez, com dom Eugenio Sales, ele me disse que, estudando documentos pontifícios referentes à fundação do Brasil, encontrou textos do terrível Papa Borgia, Alexandre VI, pessoa sabidamente corrupta. Mas, disse dom Eugenio, quando tinha de falar como Papa, a voz (ou o texto) era de Papa.

A Igreja também se envolveu em mil confusões por causa de problemas políticos — como a existência dos Estados pontifícios. Durante séculos, o Papa era um chefe de estado com direito a território, a burocracia, a forças militares. Julio II, na Renascença, chegou a comandar tropas envergando armadura cintilante. Equívoco total, que terminou no século XIX com a emancipação da Itália. O Vaticano, hoje, é um Estado minúsculo. Mesmo assim, reporta-se ao Papa uma organização gigantesca, interferindo na vida de um bilhão de pessoas.

O Papa precisa de ajuda. Ele poderá pôr em prática um dos lemas do Vaticano II — a colegialidade, significando que o Papa, no fundo, é um bispo entre outros bispos, ainda que com prerrogativas especiais.

Essa prerrogativa é o mistério católico propriamente dito: um ponto de referência doutrinário, que o Papa divide com os concílios.

Desde a Renascença, católicos e protestantes tomaram caminhos divergentes. Os protestantes pregam o “livre exame”: cada cristão tem o direito de abrir a Bíblia e extrair, dali, as conclusões que quiser. Sem Papas, sem bispos, sem hierarquias. Também por esse caminho se pode ser cristão, e na literatura protestante há textos (e exemplos) da mais alta espiritualidade.

O católico tem um olho em Roma. E sabe que, quando o Papa fala, não está falando por si mesmo. É como se, de geração em geração, fosse passada adiante a experiência de fé da Igreja primitiva, das pessoas que conheceram o Cristo e que, quando necessário, deram a vida em nome do que acreditavam.

É como se, pelas mãos do Papa, corressem os fios inumeráveis dessas histórias. Dessa transmissão viveram os santos. Por ela é responsável o bispo de Roma, que hoje se chama Francisco.

PROCRASTINAÇÃO: O HÁBITO DE ADIAR A PRÓPRIA VIDA - André Cabette

Adiar cotidianamente responsabilidades pode fazer com que você chegue 20 minutos mais tarde no trabalho todo dia ou atrasar por anos a entrega de uma dissertação

PROCRASTINAÇÃO PODE 
CUSTAR HORAS DE ESTUDO 
OU ADIAR POR ANOS 
A TOMADA DE UMA DECISÃO 

 “Eu atraso todos os dias no trabalho. Faço pequenas coisas aleatórias que demoram de 5 a 10 minutos. Na internet. No banheiro. Na cozinha. Deus sabe o que acontece, mas todo dia eu chego no trabalho 9h20. E isso ocorre há anos.”

Esse post anônimo do fórum de discussões Reddit resume um problema enfrentado por muita gente na batalha diária entre trabalho e atividades paralelas, como discussões no Facebook, jogos on-line, um pulo naquele encontro de amigos e devoradores de tempo em geral: a procrastinação. A palavra quer dizer adiamento, delonga. 

Para quem sofre com o problema cotidianamente, em geral consiste em trocar a execução de uma tarefa importante, mas pouco prazerosa, por pequenas distrações. O hábito de perder o horário para o trabalho, apesar de ter consciência sobre o sofrimento que essa atitude pode gerar, mostra como pode ser difícil deixar de procrastinar. 

A prática pode servir para adiar atividades mais prosaicas, como arrumar o quarto ou responder a um e-mail. Mas também outras mais relevantes, como terminar um relacionamento, escrever a dissertação de mestrado ou dar os passos para mudar de carreira. 

Além do estresse cotidiano de chegar atrasado, a procrastinação pode tornar irrealizáveis atividades complexas que exigem constância e persistência, como aprender a tocar um instrumento, ou finalizar um livro. Os resultados são: frustração, baixa autoestima e uma gaveta abarrotada de projetos não realizados.

De onde vem a procrastinação?
De acordo com o professor Hélio Deliberador, do departamento de psicologia social da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a procrastinação vem da dificuldade de elencar e agir de forma prática de acordo com prioridades. Essa dificuldade é agravada pela oferta de distrações do mundo digital.

“Esse adiamento constante é um mal de nosso tempo, onde as pessoas têm várias maneiras de se perder. Elas deixam de fazer um planejamento adequado de suas vidas e se perdem em atividades secundárias.”  - Hélio Deliberador, Professor do departamento de psicologia social da Pontifícia Universidade Católica.

Medo de falhar Procrastinadores perfeccionistas
Uma causa de fundo constantemente associada à procrastinação é o medo de falhar. Segundo a psicóloga Sally-Anne McCormack, esse é o motivo pelo qual perfeccionistas são com frequência procrastinadores.

 “Perfeccionistas são grandes procrastinadores porque querem que tudo seja perfeito. Vão evitar realizar uma tarefa para a qual tiveram duas semanas até a noite anterior ao fim do prazo, para poderem dizer: ‘claro que eu não consegui um resultado 100%. Eu não tive tempo o suficiente para fazê-lo’." -  Sally-Anne McCormack,Psicóloga.

Procrastinador indeciso
Outro perfil comum de procrastinador é o procrastinador indeciso: aquele que adia, de propósito, a tomada de uma decisão. De acordo com Joseph D. Ferrari, psicólogo da universidade de DePaul, em Chicago, e autor de livros sobre a procrastinação, a indecisão é outra forma de justificar um fracasso.

“Claro que compilar fontes de informação é útil e produtivo, mas algumas pessoas parecem ser incapazes de tomar decisões - esses são os procrastinadores mais sérios. Eles deixam que outros decidam por eles, para que não haja culpa a ser atribuída a eles.” - Joseph Ferrari, Professor de psicologia adaptativa da DePaul University, em Chicago e autor de livros sobre a procrastinação.

Culpa e estresse.
Pequenos prazeres, como assistir a uma série na Netflix ou conversar com amigos no Facebook, evitam momentaneamente o estresse. Mas de forma parcial. Em geral, o procrastinador sabe que está apenas  desviando do trabalho da faculdade, da noite de estudos ou do processo de se arrumar para o trabalho e se sente culpado por isso.

Mesmo na hora em que são vividos, esses prazeres são maculados pelo remorso. Para quem se atrasa constantemente com a procrastinação, o sentimento é de que o tempo não basta. De que a vida é uma correria constante. No longo prazo, o sofrimento é maior, seja por entender que o tempo foi desperdiçado em uma tarefa improdutiva e pouco prazerosa, seja pelo estresse de não entregar o trabalho exigido.

 “Muitos não veem a procrastinação como um problema sério, mas como uma tendência comum a ser preguiçoso ou ocioso. Mas é muito, muito mais. Para os procrastinadores crônicos, não é uma questão de administração de tempo - é um estilo desajustado de vida.”  - Joseph Ferrari, Professor de psicologia adaptativa da DePaul University, em Chicago e autor de livros sobre a procrastinação.

 Como lidar com a procrastinação
 Para mudar seus hábitos, o procrastinador precisa treinar a própria mente a encarar as coisas de uma outra forma, um processo que pode demorar meses.

“Você literalmente tem que treinar a sua mente a lidar com as coisas de uma forma diferente do seu padrão - então você tem que estar preparado para realizar esse investimento.” - Guy Wich, Psicólogo e autor de ‘Primeiros-socorros emocionais’

Buscar um psicólogo ou um psiquiatra são recomendáveis para os casos de procrastinadores crônicos, afirma Deliberador, da PUC. 
Segundo Sally Anne McCormack, quem deseja parar de procrastinar deve seguir esses passos:

PARA DEIXAR DE ADIAR
  • Evitar distrações - Uma boa forma de evitar procrastinação é evitar distrações. Se for estudar, limpe sua mesa e se comprometa a não fazer paradas para um lanche, por exemplo. Se for difícil criar um ambiente para a concentração em casa, vá para outro local, como uma biblioteca pública, por exemplo.
  •  Dividir seus problemas - Um dos motivos pelos quais procrastinadores adiam vem do fato de imporem a si mesmos desafios grandes demais para abordar. Uma boa forma de lidar com esses desafios é dividi-los em pequenas etapas. Escrever uma dissertação é uma tarefa menos assustadora quando pensamos em um número de páginas por dia
  • Adotar prazos - Trabalhos escolares ou a declaração do Imposto de Renda têm prazos bem definidos, mas muitas outras tarefas pequenas, não. Se você tem um e-mail que precisa responder, ou precisa arrumar o seu quarto, defina um prazo final e se atenha a ele.

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BONITAS, CHEIROSAS E SOZINHAS - Ivan Martins

Por que sobram tantas 
mulheres no fim da festa?

Estou me acostumando a ver mulheres sozinhas ao meu redor. Não apenas mulheres sentadas no cinema ou lendo num café, em paz com elas mesmas. Penso em mulheres sem companhia masculina, em situações em que elas gostariam de ser cortejadas, mas não são.

Outro dia fui a um casamento. Havia na festa muita gente avulsa. As mulheres dançavam e olhavam ao redor, procurando companhia. Eram mulheres bonitas, cheirosas e bem arrumadas, a maioria delas com menos de 30 anos. Sozinhas. Onde estavam os homens? Acompanhados, muitos. Bêbados e desinteressados, outros. Ou superados em números pela quantidade de mulheres disponíveis.

Eu me pergunto o que isso significa.

Festas de casamento eram bons lugares para arrumar namoro, ou pelo menos um rolo que valesse a pena. As pessoas costumam estar embriagadas e felizes. Mulher adulta não vai sem depilação a esse tipo de evento. Os homens já saem de casa mal intencionados. Mesmo que a família esteja olhando, pode rolar um romance gostosinho. Por que, então, tanta mulher atraente dando sopa inutilmente?

Às vezes eu tenho a impressão que o mecanismo que regula a oferta de sexo e afeto na nossa sociedade emperrou.

Obviamente há muito sexo e muito romance por aí, mas a quantidade de gente sobrando é alta – e não são apenas mulheres. Conheço homens bacanas que não transam há meses. Eles saem, frequentam, xavecam, mas não rola. Podem ser casos isolados, mas eu duvido. Da festa de casamento deve ter saído mais de um sujeito macambúzio e rejeitado. As mulheres, afinal, estão disponíveis, mas não para qualquer um.

Quando todos se tornam superficiais e exigentes, acho que as mulheres sofrem mais.

Elas estão em desvantagem nesse tipo de disputa. São mais tolerantes com a aparência e a idade dos homens. Sãos mais flexíveis em seus critérios sociais. Enquanto elas se deixam seduzir por caras interessantes, mesmo que não se encaixam nos padrões de aparência e sucesso, boa parte dos homens continua apegada a dois critérios de escolha rígidos: beleza e gostosura. As mulheres que melhor preenchem esses requisitos escolhem os homens que desejam, inclusive fora do padrão. As outras, se não tiverem muita personalidade, correm o risco de dançar sozinhas.

Não há uma solução óbvia para esse tipo de desencaixe.

Com sorte, seremos capazes de perceber, em algum momento da existência, que correr atrás de padrões que todo mundo quer é uma tolice. Cada um de nós é tão específico, tão diferente dos demais. É impossível que um único modelo de beleza, personalidade ou sensualidade sirva a todos. Uma pessoa que nos preencha é mil vezes mais difícil de encontrar que um bom sapato. Tem de encaixar temperamento, química corporal, ideias, grupo social, desejos para o futuro, neuroses.

Como pode aquela menina boba e bonita da televisão ser a mulher da vida de 50 milhões de homens? Como o sedutor da faculdade pode ser o cara certo para todas as mulheres ao redor dele? Isso, obviamente, não existe. Quem andar pela vida de olhos abertos vai notar: os encaixes são pessoais. Às vezes, tremendamente exóticos.

Coletivamente também se aprende.

Uma sociedade não produz desencaixes indefinidamente. Se muita gente começa a sobrar, alguma coisa está errada, com os valores ou com as relações sociais. O mundo já foi organizado de forma que servia, sobretudo, ao propósito dos homens. Hoje não é mais assim. 

Se as mulheres sentirem que a sociedade as está prejudicando, vão parar de cooperar. Isso não pode. Nós sabemos que nada neste mundo funciona sem as mulheres – sobretudo boas festas de casamento.

FILOSOFIA, PRA QUE SERVE? - João Probst

De forma geral estou saturado de ouvir que a filosofia não serve para nada ou que é coisa de vagabundo.

Claro que tal linha de pensamento não me surpreende nenhum pouco no contexto social atual do qual nos encontramos, onde os bens materiais e o consumismo possuem maior valor do que o espiritual.
Ora, a vida não se resume a dinheiro, há coisas ainda mais importantes, como sua felicidade e inteligência!!
Inicialmente, você considera-se um filósofo?
Como diria Descartes: Penso, Logo Existo. Se você está pensando sobre ser filósofo, por mais que não tenha nenhum diploma ou vasto conhecimento sobre filosofia, o simples fato de pensar sobre já te torna um filósofo.

Não confunda filósofo com professor de filosofia!

Não é necessário ter formação ou saber o que cada filosofo pensa, embora isso ajuda, basta pensar.

Mas de forma resumida o que é a filosofia?
Em respeito a sua inteligência, não vou ser chato e te explicar a origem da palavra nem o seu significado.

Vários filósofos já passaram a sua vida com o objetivo de definir o que é filosofia, basicamente trata-se de amor a verdade, é o eterno questionamento da vida e de si mesmo.

Sócrates quando disse “só sei que nada sei” não estava dando uma lição de humildade, e sim que cada resposta levava diretamente à próxima pergunta.

E é estes um dos motivos que Sócrates e seus companheiros gregos faziam mais perguntas do que afirmações, até porque queriam que seus alunos pensassem por si próprios.

Então, ser apaixonado pela verdade é ter a noção que na verdade ela não existe, ou no mínimo que nunca será encontrada, pois a caminhada da sabedoria não tem fim nem paradas técnicas.

Tá, mas para que serve, então?
A filosofia nos dá uma melhor percepção da realidade, nos tornamos mais conscientes, com ela percebemos que nem sempre algo é o que parece ser, ser filosofo, portanto, é desmanchar “conhecimentos”.

Agora você consegue perceber o porquê que ela é tão desprezada, principalmente pelos governantes?

A filosofia é uma arma poderosa e muito perigosa, possui um papel social muito claro: a libertação do indivíduo e a transformação da sociedade.

Eu costumo dizer que filosofar e adquirir conhecimento provoca a nossa morte.

Sim, porque a cada livro terminado não somos mais a mesma pessoa do início do livro, Heráclito, filosofo grego antecessor de Sócrates, desde de seu tempo já dizia que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio.

Por que ao entrar no rio pela segunda vez, tanto o rio como a pessoa já não são o que antes eram. Sobre mais filosofia pré-socrática leia este texto: Origem da Vida.

Para concluir, filosofar não é apenas adquirir conhecimento que te motive a ser alguém melhor, isso se chama auto-ajuda, um filosofo vai além, ele compartilha seu conhecimento e sabedoria porque ele sabe que é isso que um sábio faz.

Um sábio nunca considera-se um sábio, tendo a humildade de reconhecer que o conhecimento é plural, isto é, o aprendizado se torna muito mais eficiente quando compartilhado, ensinamos e aprendemos.

Além de ser apaixonado pela sabedoria, o filósofo é apaixonado pelas pessoas e pela sociedade, possui uma constante força de vontade de provocar mudanças positivas.

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POR QUE É TÃO DIFÍCIL EXPRESSAR SENTIMENTOS?

Alguma vez você já sentiu ou pensou que alguns sentimentos são difíceis de serem expressados? Acho que todos nós já pensamos nisso alguma vez. Não costuma ser fácil expressar alguns sentimentos como raiva, tristeza, amor, etc. Se conhecermos o motivo que torna difícil expressar nossos sentimentos para o mundo externo, será mais fácil resolver a questão.

Habitualmente, não expressar o que se sente cria frustração, e se formos guardando as coisas, no final, isso pode virar estresse. A seguir, listamos os 6 motivos mais habituais que dificultam dizermos o que sentimos:

1. Perfeccionismo
Muitas pessoas pensam que os sentimentos negativos não deveriam ser sentidos, quando, na realidade, todo ser humano já sentiu alguma vez medo, raiva, ansiedade, tristeza, etc. Algumas pessoas os reconhecem e colocam para fora o que sentem, enquanto outros escondem pois pensam que é ruim se sentir mal.

O perfeccionismo neste sentido é um pensamento irracional, porque não há seres humanos perfeitos que não se sintam mal alguma vez. A maior valentia é reconhecê-lo. Esconder e guardar o que se sente, a longo prazo, poderia causar problemas para a saúde. Caso não seja possível se expressar dentro de um ambiente de confiança, pelo menos seria bom escrever e liberar toda a negatividade sentida.

2. Medo da rejeição
Com frequência, o medo da rejeição está por trás da incapacidade de mostrar sentimentos, sobretudo os relacionados ao amor. Costumamos acreditar que se nos declaramos e não formos correspondidos, será humilhante, quando, na realidade, não sermos correspondidos não é algo tão ruim, não tem nada a ver com valor pessoal.

Também, com frequência, as pessoas deixam de expressar as discordâncias por medo da rejeição, quando, na verdade, é muito melhor que alguém nos rejeite por mostrarmos nossas opiniões verdadeiras do que se cale para nos contentar, pois assim poderemos ver se tal pessoa nos aceita como realmente somos.

3. Medo de entrar em conflito
O medo de entrar em conflito consiste em não expressar as opiniões pessoais para não causar dano ou incomodar os outros. Esse medo de incomodar costuma ser das pessoas que não se veem capazes de enfrentar uma discussão calorosa, e temem não estar à altura quando o outro perder o controle das emoções.

Com esse medo, a tendência é fugir dos problemas em vez de enfrentá-los com as nossas opiniões, o que poderia afetar a autoestima, já que ficar quieto para não incomodar ou não causar danos indica que damos mais importância aos demais do que a nós mesmos.

4. O poder da adivinhação
Consiste em se manter em silêncio. Não falamos sobre os nossos pensamentos porque acreditamos que os demais são obrigados a saber o que acontece conosco. Sem expressar o que sentimos, desejamos que os outros adivinhem e nos ajudem sem precisarmos pedir.

Isso costuma acontecer em famílias ou amizades íntimas, pois acreditamos que, pelo fato de nos conhecerem bem, deveriam saber o tempo todo o que ocorre conosco, e por isso deveriam nos ajudar justamente no momento em que precisamos.

É um pensamento muito errôneo, porque por mais que nos conheçam, é difícil adivinhar do que cada um precisa e o que sente em cada momento.

5. Dar tudo como perdido
Consiste em ter um pensamento tão negativo que acreditamos que, por mais que expressemos nossos sentimentos, o caso não terá solução. Então, a pessoa não libera o que sente porque não acredita que algo possa ser solucionado.

Essa falta de esperança pode desencadear um grande mal-estar e tristeza, porque sem uma visão positiva e esperançosa, pode-se cair no estancamento. A pessoa se deixa levar pela corrente sem fazer esforço, porque pensa que nada poderá ser feito, por mais que se diga o que sente.

6. Baixa autoestima
Uma baixa autoestima provoca a incapacidade de expressar sentimentos. Quem sofre com ela pensa que não tem o direito de pedir nada e que a sua opinião própria não interessa aos demais, de forma que é preferível guardar as coisas.

Se a própria pessoa não enxergar seu valor, não acreditará que vale a pena expressar-se diante do mundo. Devemos lembrar que cada ser humano desse planeta pode fazer algo valioso e pode ser importante para alguém. Sempre é possível ser brilhante em alguma faceta, então dê-se o valor que você merece, já que temos os mesmos direitos de qualquer outra pessoa.
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A psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência...