EXISTE CIÚME SAUDÁVEL? - Luiz Mateus Pacheco

 O ciúme é um daqueles sentimentos que a gente veste de monstro e prefere varrer para baixo do tapete. É algo negativo, na opinião da maioria das pessoas, difícil de olhar e constrangedor.

Há quem diga que é um verdadeiro veneno para os relacionamentos – e realmente pode ser! Mas será mesmo que o ciúme é sempre negativo?

Existe uma medida de ciúmes que não apenas é saudável, como também vital para um relacionamento. Amor nenhum dura por muito tempo sem ele, ou pelo menos não o desejo.

O desejo é uma estrutura delicada; é uma força sempre em tensão, pois necessita de elementos em oposição para existir. Sem dúvidas, é preciso alguma proximidade: para que o amor possa nascer, torna-se necessária alguma semelhança e intimidade. Afinal, é do desejo de união que nasce o amor. Por outro lado, ele precisa do completo oposto: distância. 

Sim, o desejo exige certa diferença. Sem que algo me escape, não posso desejar, não é mesmo? Pois é a própria falta o seu motor.

O ciúme, nesse sentido, nos lembra que o outro não é nosso. Faz recordar que há sempre algo nele que nos escapa, um instigante mistério. Ele abala nosso chão e acrescenta uma pitada de risco na relação – na estrutura triangular, corresponderia ao calor necessário para acender esse fogo.

O ciúme nos lembra que sempre temos algo a conquistar, que sempre é possível haver um território novo a desbravar. 

Ele é um lembrete constante do valor de nossos amores, pois, se não houver o risco, o excesso de segurança pode ser tornar entediante e desestimulante.

Este ciúme é diferente do ciúme patológico. Ele não almeja controlar e não busca uma proximidade sufocante. 

Pelo contrário: tolera a distância, porque sabe que nela é que brota sua razão de existir, o amor.
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