DRAUZIO VARELLA - Viagem ao passado

 Fui há pouco a Portugal e à Espanha. 
Não existe comparação com a vida que forçou meus avós a emigrar.
Nasci no Brás durante a Segunda Guerra Mundial. Não havia outro bairro que encarnasse a quintessência da vida paulistana daquele tempo: imigrantes italianos, portugueses e espanhóis, operários e casas de cômodos.
As ruas eram de paralelepípedos, cinzentas como os muros das fábricas. Para achar uma árvore era preciso andar até a igreja de Santo Antônio, em que meus pais e meus tios casaram e batizaram seus filhos.
Meu avô paterno emigrou sozinho para o Brasil com a sabedoria dos 12 anos de idade. Nos ombros, a responsabilidade de enviar dinheiro à mãe e aos irmãos mais novos, que haviam acabado de perder o pai na Galícia, norte da Espanha. Em São Paulo, casou com uma conterrânea e tiveram três filhos. Homem à antiga, proibiu minha avó de falar espanhol em casa, com medo de que os filhos um dia quisessem mudar para o país ibérico.
Meus avós maternos chegaram jovens e nunca mais retornaram a Portugal. Ele, baixo e atarracado, tinha uma escrivaninha com tampo de correr e uma caligrafia bordada que lhe havia garantido o posto de telegrafista no glorioso Corpo de Bombeiros. Ela, mulher de presença forte, andava sempre de preto. Todo fim de tarde, entretida com o bordado, ouvia as poesias de Bocage e os romances de Eça de Queiroz que o marido lia em voz alta.
Minha infância foi marcada pelo futebol na calçada da fábrica em frente de casa, pelos operários que saíam cedo com a marmita, pelas mães que berravam o nome dos filhos na hora das refeições e pelas brigas das mulheres nos cortiços aos domingos, ocasião em que se tornava mais acirrada a disputa pela posse do tanque, do varal e do banheiro coletivo.
Por descender de imigrantes que romperam laços com a península Ibérica, jamais tive nenhum compromisso com seus países de origem. Com exceção da afinidade cultural transmitida pelos costumes familiares, nunca me passou pela cabeça que, além de brasileiro, eu pudesse estar associado a outra nacionalidade.
Muitos anos atrás, fui ver "Bodas de Sangue", filme do espanhol Carlos Saura. Fiquei espantado diante daqueles bailarinos esguios com o mesmo tipo de calvície que eu e com a semelhança física entre eles e as pessoas que frequentavam a casa dos meus avós. Evidentemente, meus genes chegaram até mim graças à competição e à seleção natural que deu origem aos povos ibéricos.
Consciente dessa aventura evolutiva, estive há pouco tempo em Portugal e no norte da Espanha. Não existe comparação entre a vida nesses lugares e aquela que forçou meus avós a emigrar. A adesão à Comunidade Europeia revitalizou a economia, tornou as cidades seguras e bem cuidadas, criou empregos e mecanismos sociais para amparar os mais frágeis.
Se no início do século passado esses países dispusessem de tais recursos para proteger seus agricultores, meus avós teriam permanecido em suas aldeias.
Nessas circunstâncias, caro leitor, quem sairia prejudicado?
Este que vos escreve. Primeiro, porque meus pais teriam vivido a quilômetros de distância um do outro, circunstância pouco favorável à minha concepção. Depois, porque, ainda que tal encontro porventura ocorresse, eu não teria experimentado as alegrias e agruras de ser brasileiro.
Você argumentará que eu não viveria num país com tanta desigualdade, corrupção institucionalizada, impunidade, falta de educação e violência urbana.
É verdade, nos países ricos esses problemas são incomparavelmente menos graves, mas há outro lado: eles estão empenhados em manter a qualquer preço o bem-estar já conquistado. O futuro deles é lutar pela preservação do passado, enquanto o nosso está em construção.
Entre eles, as relações humanas são mais cerimoniosas, e o cotidiano, repetitivo e previsível. Não lhes sobra espaço para o inesperado, o encontro com a felicidade exige planejamento prévio: o e-mail para visitar um irmão, as férias na praia em 2014, o ingresso para um espetáculo que acontecerá dez meses mais tarde. A vida lá não pulsa como aqui.
Organização, serviços públicos de qualidade, leis rigorosas e aposentadorias decentes são privilégios que asseguram conforto e segurança, bens invejados pelos que não têm acesso a eles, mas que não parecem trazer alegria aos povos que deles desfrutam. 

MINHA POESIA - Edmir Silveira


Fiz as pazes com a poesia
Resolvi ser feliz com ela
Se é assim que a vida insiste em se mostrar 
                                                para mim
Porque lutar
Se a maioria luta é para exergar assim
Para mim ela brota fácil
Às vezes nem tanto
Às vezes é só o pranto
Que não consigo chorar
É como um dom rejeitado
Como se fosse um engano
Terem me dado o coitado
Agora vejo bem claro
Como tão iluminado
Pelas palavras tenho sido
Diria até mesmo ungido
Com esse talento nato.
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PARA NÃO SE PERDER DE SI MESMO - Gláucia Leal

Nos últimos anos, cada vez mais pessoas têm deparado com a necessidade de amparar pessoas próximas – idosos ou acometidas por doenças e limitações severas – sem que tenham se preparado para tal

A palavra “cuidado” tem origem latina, cogitatu, vocábulo do qual derivam também “pensamento”, “reflexão” e “cura”. Pode parecer estranho à primeira vista, mas basta nos determos um pouco para nos darmos conta do quão intimamente ligadas estão essas ideias. 

Em suas várias facetas, o cuidar requer, por um lado, o planejamento racional e, por outro, recursos emocionais que ofereçam suporte a essa tarefa tão complexa. Nos últimos anos, cada vez mais pessoas têm deparado com a necessidade de amparar pessoas próximas – idosos ou acometidas por doenças e limitações severas – sem que tenham se preparado para tal. 

E não porque não saibamos que o imprevisto, a incapacidade (permanente ou momentânea) nos rondam. 

Como em outras épocas as pessoas evitavam pronunciar a palavra “câncer” numa tentativa pueril de afastar a patologia, muitas vezes, ainda hoje, postergamos conversas, decisões e providências, na tentativa de adiar a angústia – embora tenhamos conhecimento dos processos inerentes ao envelhecimento, por exemplo.

Obviamente não é prazeroso pensar em como queremos atravessar situações dolorosas, mas nos aproximarmos dessa realidade e nos familiarizarmos com ela pode ser a maneira mais saudável de enfrentar esse momento. 

Caso contrário, quando surge uma situação “repentina” em que as limitações de um parente se impõem, em geral uma única pessoa termina se sobrecarregando com os cuidados – e, não raro, adoecendo tanto física quanto mentalmente, já que esse tipo de acontecimento tende a mobilizar profundamente a família, muitas vezes trazendo à tona mágoas e conflitos não resolvidos. 

Nos últimos anos, algumas linhas de pesquisa na área da psicologia buscam não apenas enfatizar a importância de preparar as pessoas para momentos de crise, mas também encontrar maneiras de aliviar o profundo cansaço e a solidão, tantas vezes vinculados ao ato de cuidar do outro – em geral, deixando de cuidar de si mesmo.

Temas árduos, delicados, mas que pedem reflexão e cuidado, em nome de nossa saúde física e mental. 

E de uma possibilidade de cura – não como na medicina, privilegiando a erradicação dos sintomas, mas no sentido tomado pela psicanálise, que privilegia o acompanhamento e a possibilidade de transformação por meio do encontro e do afeto.  

AS 10 MELHORES FRASES DE WILLIAM JAMES


As contribuições de William James para a filosofia e a psicologia deram origem a uma grande quantidade de teorias e modelos explicativos de ambas as disciplinas. Ele é considerado o pai da psicologia americana por sua abordagem pragmática e funcionalista. Estas são as frases de William James que resumem sua concepção de Psicologia.

Ele nasceu nos Estados Unidos em uma família rica. A década de 70 foi um ponto crucial de virada em sua vida. Ele experimentou uma profunda crise emocional, casou-se e iniciou sua atividade de ensino na Universidade de Harvard em 1872. Desde então, dedicou-se a estudar em profundidade a relação entre a consciência e os estados emocionais.

Seu primeiro livro, “Princípios da Psicologia”, o sagrou como um pensador muito influente. Além disso, tornou-se sua maior contribuição para a pesquisa em psicologia. Da mesma forma, este autor deixou para a posteridade uma série de grandes citações com grande significado e sabedoria.

“Qualquer coisa que você pode manter firmemente
em sua imaginação pode ser sua”.

Frases de William James: a mente como objeto de conhecimento
William James fundou um laboratório de psicologia em Harvard, onde iniciou a escola de psicologia funcional. Este modelo concentrou-se em estudar a mente como uma parte funcional, essencialmente útil do organismo humano.

“A maior descoberta da minha geração é: um ser humano pode mudar sua vida mudando sua atitude mental.”

Ele definiu a consciência como um rio, algo como um fluxo contínuo de pensamentos, idéias e imagens mentais. Portanto, não há nada na mente que pode ser isolado ou armazenado para estudar, já que tudo nela está vinculado a um contexto.

“A barreira mais imóvel da natureza é entre o pensamento
de um homem e o de outro.”

Com estas frases de William James é evidente como o funcionalismo acolhe os princípios da psicologia do ato, compreendendo a consciência como um todo.

“Nós interpretamos o mundo com base nos
nossos conhecimentos e nossas crenças.”

A inacessibilidade dos nossos pensamentos
William James acredita que as crenças, as idéias e os pensamentos são de cada um, algo que os tornaria inacessíveis aos outros. Essa ideia de privatização ou hermetismo teve um grande impacto na concepção filosófica da psicologia.

“Sempre que duas pessoas se encontram, há seis pessoas presentes. Como cada pessoa olha para si mesma, como uma pessoa olha para outra, e cada pessoa como ela realmente é.”

De certo modo, significava reconhecer uma limitação: admitir que a psicologia experimental não poderia compreender plenamente como o pensamento humano funciona. Isso pressupõe que, ao estudar a mente humana, estamos estudando uma construção abstrata, o “eu”.

“Nossa visão do mundo é formada pelo que decidimos ouvir.”

Abordagem pragmática: a função da mente
A ideia principal deste modelo é que o verdadeiro é o que realmente funciona. O seu conceito de verdade é baseado na utilidade. Que dizer, em termos pragmáticos, o verdadeiro é o útil. São as conseqüências, as repercussões e o que recebemos de algo que nos permitem categorizá-lo como verdadeiro ou falso.

“Não há maior mentira do que a verdade incompreendida.”

Esta é uma das grandes frases de William James que, embora bombástica, deixa a sua concepção da patente da verdade. Para ele, não há uma verdade absoluta, mas diversos pontos de vista.

“Os decimais não calculados de PI dormem em um misterioso reino abstrato, onde gozam de uma realidade fraca, até que não sejam calculados, não se tornam totalmente reais, e mesmo assim sua realidade é meramente uma questão de grau.”

Este pragmatismo alude e defende que modificamos ou elaboramos significados de experiências ou comportamentos de acordo com os resultados. Os acórdãos emitidos mais tarde, por sua vez, nos dão uma ideia relativa do que pode ser a elaboração deste significado.

“Se você acha que se sentir mal ou se preocupar vai mudar o passado ou o futuro, você está vivendo em outro planeta, com uma realidade diferente.”

Ele propôs uma das principais teorias psicofisiológicas sobre as emoções
Especificamente, a teoria de James-Lange. Uma teoria que foi proposta simultaneamente por Carl Lange e o próprio James, mas independentemente, em 1884. Baseia-se na ideia de que a emoção é o resultado da percepção interna das mudanças fisiológicas. Quer dizer, não choramos porque estamos tristes, estamos tristes porque percebemos que choramos.

“Parece que a ação é seguida pela emoção, mas na realidade a ação e o sentimento vão junto; E regulando a ação, que está sob controle da vontade, podemos diretamente regular a emoção.”

Seu modelo é mecanicista porque postula uma relação direta entre as mudanças do corpo e a percepção dos estímulos que causam a emoção.

Desta forma, fechamos a revisão das frases de William James que simbolizam o que há de mais notável em seu pensamento, o pensamento daquele que, para muitos, é o pai da psicologia.
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A CRIANÇA TROFÉU: OS EFEITOS DO FAVORITISMO ENTRE IRMÃOS

A criança troféu é um boneco de porcelana sorrindo diante da câmera fotográfica. 

É, além do mais, o favorito entre todos os irmãos e quem é obrigado a ser a extensão de um pai ou mãe que anseia que seu filho perfeito satisfaça suas necessidades emocionais, suas fantasias ou desejos não cumpridos.

Infelizmente, este favoritismo entre irmãos deixa sequelas.

Em nossa sociedade, nós gostamos de pensar que todas as famílias que têm mais de um filho valorizam e amam as suas crianças de igual maneira e sem preferências. No entanto, são vários os estudos que demostram que isso não é assim. O tratamento preferencial na criação existe. Quase 70% dos pais e das mães admitiram que, em algum momento, demostraram um tratamento diferente para um determinado filho.

“O melhor presente que nossos pais podem nos dar é um só: acreditar em nós”.
– Jim Valvano –

Fazer isso, em um dado momento, seja em razão da idade ou pelas necessidades particulares de um filho, não é algo reprovável. Agora, o problema chega quando essa parcialidade é desmedida e constante. Deste modo, quando os progenitores começam a dar um tratamento diferente a uma das crianças, elogiando, ressaltando e dirigindo a ela toda a atenção, estamos diante de um claro favoritismo entre irmãos.

O favoritismo entre irmãos e as famílias narcisistas
O filho favorito nem sempre é o mais velho, nem o caçula. Assim, algo que muitos especialistas em Psicologia Infantil e em dinâmicas familiares dizem é que as relações entre pais e filhos não são estáveis, elas costumam mudar devido à interação, pela idade dos filhos e por um ou outro acontecimento.

A razão pela qual ocorre esse tratamento preferencial nem sempre está clara. Os pais podem se ver refletidos em um dos seus filhos e não em outros. Também podem escolher um deles pelas suas características físicas ou pelas suas habilidades ou, simplesmente, perceber que uma das crianças é mais submissa. Seja como for, algo que devemos ter bem claro é que essa situação de favoritismo também não é fácil para a criança-troféu.

Essa criança entenderá desde muito cedo que, para conseguir a consideração positiva de seu progenitor, deve reprimir os seus próprios desejos e necessidades para se encaixar neste brilhante ideal, nesse alto nível às vezes desmesurado estabelecido pelos seus pais. Assim, é comum que eles orientem a criança-troféu para uma série de objetivos: praticar um esporte, tocar um instrumento, ser modelo, etc.

Por outro lado, algo que costuma ocorrer com especial frequência é que, por trás de uma criança-troféu, existe um pai ou uma mãe narcisista. São pessoas que fazem dessa criação preferencial seu maior prazer e sua obsessão. Estes filhos são o seu abastecimento emocional cotidiano, um modo de cumprir desejos frustrados e metas não cumpridas do passado, que a criança é obrigada a conseguir para eles no presente.

Deste modo, o pai ou a mãe narcisista não será capaz de reconhecer que esse filho tem as suas próprias necessidades, suas próprias preferências, nem ao menos que o resto dos irmãos ficou em segundo plano. Uma situação complexa que, sem dúvida, nenhuma criança merece experimentar.

A criança troféu e seus irmãos, crianças igualmente descuidadas

Quando uma criança tem dois anos, começa a ter um senso de identidade e de pertencimento. É então que aparecem as primeiras comparações, quando surge o “você tem isso e eu não tenho”, “você pode fazer isso e eu não”… Os ciúmes marcam os territórios de combate entre irmãos, e as coisas se intensificam muito mais quando eles notam que existe um tratamento preferencial por parte dos pais.

Tudo isso deixa marcas a partir de uma idade muito precoce. Quando um pai escolhe o seu filho favorito e o enche de privilégios emocionais e materiais, fará com que o resto dos irmãos comece a desenvolver problemas de autoestima e segurança. No entanto, eles serão capazes, à medida que crescem, de controlar o rancor, as emoções contraditórias e a má qualidade do vínculo afetivo com os pais. Assim, a criança desprotegida poderá se tornar um adulto seguro de si.

Agora, cabe destacar, uma vez mais, que a posição da criança-troféu também não é fácil. Esse tratamento preferencial onde ele é o beneficiário tem um alto custo: a negociação de seu próprio projeto vital em muitos casos. É comum que ela desenvolva uma personalidade imatura, uma baixa autoestima e pouca tolerância à frustração.

Para concluir, algo que temos claro é que esta situação não é fácil nem para a criança supervalorizada e nem para a criança desprotegida. Ambas as situações são o resultado de uma criação ineficiente, imatura e, em alguns casos, narcisista. A criação e a educação devem ser equitativas em todos os casos, devem ser coerentes, respeitosas e atentas para evitar que nenhum de nossos filhos se sinta deslocado ou menosprezado.

Devemos lembrar que a nossa identidade se constrói a partir da consideração positiva, do olhar onde nos vemos refletidos e reforçados através do carinho e do afeto sem fissuras, nem preferências.
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A INSPIRADORA PARÁBOLA DAS FLORES SEM PERFUME

A parábola das flores sem perfume nos conta a história de um velho samurai, muito sábio, que era muito respeitado por todos. O homem ancião sempre fazia reuniões em sua casa para compartilhar seus ensinamentos com os mais jovens, que sempre o escutavam com muito interesse e atenção.

Diz-se que sua fama se espalhou por todas as cidades próximas, e começaram a chegar pessoas de diversos lugares para ouvi-lo. O velho samurai falava principalmente da importância do desapego e da importância de saber erradicar as emoções egoístas de dentro do nosso ser.

“Tudo o que te incomoda nas outras pessoas é só
uma projeção do que você não resolveu dentro de si mesmo”.
-Buda-

Seu discípulo mais assíduo era um jovem chamado Alino. Ele queria aprender tudo que pudesse do mestre, e por isso ia sem falta, todos os dias, as suas reuniões. Também preparava chá para todos e se caracterizada por gostar muito de ajudar os outros. O samurai o via com bons olhos por sua humildade e seu interesse pelos outros. Ele seria o principal aprendiz da parábola das flores sem perfume.

A raiva e a parábola das flores sem perfume
Um dia, em plena reunião, um dos presentes derramou seu chá sobre as roupas de outra pessoa que também estava assistindo. O que foi atingido não demorou nem um segundo para reagir. Ele imediatamente empurrou agressivamente o homem que havia causado o acidente. “Como você é desastrado!”. E logo acrescentou que sua roupa era de seda proveniente da China e que agora estava completamente manchada e arruinada.

O velho samurai permaneceu impassível. Continuou como se nada tivesse acontecido. Alguns dos presentes murmuraram em voz baixa. Todos ficaram muito surpresos que o mestre tivesse permitido uma discussão dentro da sua própria casa. A maioria opinava que ele deveria intervir, fazer algo diante da soberba daquele homem.

Alino estava confuso. Quando a reunião acabou, ele não conseguiu se segurar e perguntou para seu mestre. “Por que você permitiu aquela injustiça, sabendo que bastava apenas uma palavra sua para colocar aquele orgulhoso no lugar dele? Por que você não o expulsou da sua casa em represália?”.

O mestre apenas sorriu. “Há algumas flores que não têm perfume, e elas não devem estar em nosso jardim”, foi o que ele respondeu para Alino. Ele ficou ainda mais confuso. Não entendeu a mensagem do mestre. Então, o velho samurai completou: “A raiva é uma flor sem perfume, que só cresce nos jardins em que não há liberdade”. E essa foi a primeira lição da parábola das flores sem perfume.

Alino e a parábola das flores sem perfume
Uma semana depois do acidente com o homem e o chá, aconteceu algo que ninguém esperava. O mesmo homem voltou para a casa do mestre, mas desde o momento em que entrou, mostrou-se muito hostil com todos os presentes. Ele abriu caminho entre os presentes empurrando quem estava em seu caminho. Também falava quase gritando, sem se dar conta de que o mestre já estava transmitindo seus ensinamentos.

Então ele fez algo que deixou todos completamente chocados. Ele se levantou, foi até o lugar onde o mestre estava e, sem falar nenhuma palavra, cuspiu na sua cara. O mestre ficou em silêncio por alguns segundos. Todos estavam atônitos. Em um primeiro momento ninguém reagiu, mas logo surgiram várias vozes ao mesmo tempo.

Alino se levantou em alerta. Pegou um dos sabres que estavam na casa. Logo disse para o velho samurai: “Permita-me mestre dar a lição que esse homem merece!”. O mestre se manteve impassível e só levantou sua mão para indicar que ninguém iria fazer nada. Parecia que Alino ainda não havia entendido a parábola das flores sem perfume.

Um final inesperado
O mestre pediu calma. Mantinha-se completamente sereno. O agressor estava pronto para responder e agir se qualquer um tentasse atacá-lo. Havia em seu rosto um certo sorriso de satisfação em ter desafiado o homem mais conhecido de toda a região. Então finalmente o velho samurai rompeu seu silêncio. Dirigindo-se ao homem que havia cuspido nele, ele disse: “Obrigado”.

Ninguém conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Alino não sabia nem o que pensar. Por isso ele perguntou para o ancião: “O que você disse mestre? Como pode agradecer esse indivíduo que pela segunda vez veio para sua casa e te afrontou dessa maneira? Como é possível que você esteja agradecendo a ele?”

O mestre serenamente se dirigiu para o agressor dizendo: “Seu gesto me permitiu comprovar que a raiva desapareceu do meu coração. Não tenho como te pagar por isso. As flores sem perfume não crescem em meu jardim”. Alino então compreendeu e se sentiu envergonhado.

O mestre estava há meses lhes ensinando a se desapegar das armadilhas do ego. Também a evitar as emoções como a raiva. As pessoas que ofendem os outros, as agressões e críticas negativas são como flores sem perfume. A única resposta sensata é ignorá-las e não permitir que destruam nosso jardim interior como ervas daninhas. 

Esse é o ensinamento da parábolas das flores sem perfume.
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SONO: VOCÊ TEM ALGUM DESSES TRANSTORNOS DO RITMO CIRCADIANO?

Você não sabe o que são transtornos do ritmo circadiano do sono – vigília? Não se preocupe, neste post nós explicamos. Certamente você já sofreu de insônia alguma vez, pois é algo comum na população.

Há momentos em que temos problemas para dormir. Você vai para a cama e só consegue dar voltas, mas não consegue pegar no sono. Outras vezes acordou antes do que gostaria e não conseguiu voltar a dormir. Nestes casos, falamos de insônia.

Isto pode ocorrer devido a uma série de razões. Na maioria das vezes é um produto de maus hábitos de higiene do sono (dormir assistindo TV, tomar estimulantes pouco antes de dormir…) Outras vezes isso pode ser devido ao estresse e a altos níveis de ativação do sistema nervoso.

No entanto, os transtornos do ritmo circadiano são caracterizados precisamente por interrupções do ritmo circadiano. O ritmo circadiano é o nome dado ao “relógio interno do corpo”, que regula o ciclo de 24 horas de processos biológicos em animais e plantas.

O que são os ritmos circadianos?
Ritmos circadianos são ritmos biológicos intrínsecos de natureza periódica que se manifestam com um intervalo de 24 horas. Eles são baseados na rotação diária da Terra ao redor do Sol (ciclo dia-noite). Esse termo vem da palavra latina “circa”, que significa “ao redor”, e “Dian” significa “dia”. Então, seu significado é “por todo o dia”. Nos mamíferos, o ritmo circadiano mais importante é o ciclo de vigília-sono.

Os ritmos circadiano não são encontrados apenas em humanos. Praticamente todas as formas de vida, incluindo plantas, moscas, peixes e bactérias, têm ritmos circadianos. Os processos envolvidos com o sono natural funcionam em ritmos circadianos. Como seres humanos, somos projetados para ter um ciclo natural de sono que está em consonância com o ciclo do dia-noite. Então, podemos dormir durante a noite e estar acordados durante o dia.

Os ritmos circadianos são importantes não só para determinar os padrões de sono e alimentação de animais. Eles também são fundamentais para a atividade de todos os eixos hormonais, regeneração celular e atividade cerebral, entre outros.

Nosso relógio biológico
Vários investigadores chegaram à conclusão de que deve haver uma estrutura no organismo que é responsável por estabelecer o nosso ritmos circadianos.

Na verdade, essa estrutura existe e é chamada núcleo supraquiasmático. O núcleo supraquiasmático é encontrado na região do hipotálamo do cérebro. Está localizada bem atrás dos seus olhos. Esta região é a encarregada de dormir à noite e acordar durante o dia.

Os transtornos do ritmo circadiano
Se você dormir ou acordar algumas horas antes, este não costuma ser um problema. Entretanto, pode se transformar em um problema quando você é incapaz de acordar ou não consegue permanecer acordado durante sua jornada de trabalho.

Assim, o calendário do seu sono se torna um problema e você pode ser diagnosticado com a presença de transtornos do ritmo circadiano.

Critérios de diagnóstico
Para diagnosticar um transtorno no ritmo circadiano, alguns requisitos ou conjuntos de sintomas precisam ser apresentados:

A. Padrão contínuo ou recorrente da interrupção do sono. Um padrão que se deve a uma alteração no sistema circadiano ou a um alinhamento defeituoso entre o ritmo circadiano endógeno e a sincronização de sono-vigília necessária. Uma necessidade que vai de acordo com o ambiente físico do indivíduo ou a programação social ou profissional do mesmo.

B. A interrupção do sono causa sonolência excessiva ou insônia, ou ambos.

C. A alteração no sono causa desconforto clinicamente significativo ou deterioração no âmbito social, de trabalho, ou outras áreas importantes em que a pessoa tem um papel ativo.

Que tipos de transtornos do ritmo circadiano existem?
Existem vários tipos de distúrbios do ritmo circadiano de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5):
  • ·         Fases atrasadas do sono.
  • ·         Fases avançadas do sono.
  • ·         Sono-vigília irregular.
  • ·         Sono-vigília não ajustado em 24 horas.
  • ·         Associados a turnos de trabalho.
  • ·         Não especificado.

Fases atrasadas do sono
É baseado principalmente em um histórico de atraso no período de sono principal (geralmente mais de duas horas) em relação ao tempo desejado para dormir e acordar. Isso causa sintomas de insônia e sonolência excessiva.

Quando podem ajustar sua própria programação, as pessoas com este problema apresentam uma qualidade e duração do sono normais para sua idade. Os sintomas incluem insônia no início do sono, dificuldade para acordar de manhã e sonolência excessiva no início do dia.

Os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta. Eles podem persistir por vários meses ou até anos antes do diagnóstico ser estabelecido. A gravidade pode diminuir com a idade, e os sintomas vão frequentemente reaparecendo. Uma mudança na escola ou no horário de trabalho que requer acordar mais cedo tende a tornar a situação pior.
  
Fases avançadas do sono
Caracteriza-se por tempos do sono-vigília diversas horas antes dos tempos pretendidos ou convencionais. O diagnóstico é baseado principalmente no histórico do avanço do período de sono principal (geralmente mais de duas horas) com relação ao tempo desejado para dormir e para levantar.

Isso causa sintomas de despertar precocemente e sonolência diurna excessiva. Quando podem ajustar sua própria programação, as pessoas com tipo de fases avançadas do sono têm uma qualidade e duração normais do sono para sua idade. Este transtorno pode ser documentado com o especificador “familiar”. Costuma haver um histórico familiar de fases avançadas do sono neste tipo de alteração.

O início do distúrbio geralmente ocorre no final da idade adulta. O curso é persistente e dura mais de 3 meses.

Sono-vigília irregular
O tipo de sono-vigília irregular é baseado principalmente no histórico dos sintomas da insônia durante a noite (período normal do sono) e da sonolência excessiva (sonecas) durante o dia. Este tipo é caracterizado pela ausência de um ritmo circadiano reconhecível do sono-vigília. Não há nenhum período de sono principal e o sono é fragmentado em pelo menos três períodos ao longo das 24 horas.

Sono-vigília não ajustado em 24 horas
O diagnóstico deste tipo é baseado principalmente em um histórico dos sintomas da insônia ou da sonolência excessiva relacionada à sincronização anormal entre o ciclo luz-escuridão de 24 horas e o ritmo circadiano endógeno. Pessoas com este transtorno têm períodos de insônia, sonolência excessiva, ou ambos, alternando com curtos períodos sem sintomas.

Este tipo é mais freqüente entre os cegos e as pessoas com distúrbios de visão. A razão é que eles têm menos percepção de luz. Em pessoas com visão, há também um aumento na duração do sono.

Associados a turnos de trabalho
Neste tipo há a presença do histórico de antecedentes de trabalho fora da programação diária normal das 8:00 às 18:00 (especialmente à noite) em uma base regular.

São relevantes os sintomas persistentes de sonolência excessiva no trabalho e o sono alterado em casa. Os sintomas desaparecem quando a pessoa retorna para uma rotina de trabalho diário. Por outro lado, as pessoas que viajam para diferentes fusos horários muitas vezes podem ter efeitos semelhantes.

Se você apresenta qualquer um desses tipos de transtornos do ritmo circadiano, recomendamos que volte a estabelecer hábitos “normais” de sono o quanto antes. Se isso parece complicado ou se você não consegue sozinho, então é aconselhável ir a um psicólogo para lidar com o seu problema.
Referências bibliográficas:
Associação Americana de Psiquiatria (2014). Manual de diagnóstico e estatística de transtornos mentais (DSM-5), 5º Ed. Madrid: Editoria Médica Panamericana.
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VENCEU APOSTANDO EM SEXO - Marina Colasanti ‏

"Demorava-se o mínimo indispensável
 com cada um"

Ela se achava feia, odiava a pequena cidade do Arkansas, onde nasceu, tinha fome de ascensão. Helen Gurley Brown, editora da revista Cosmopolitan, uma das mulheres mais importantes da imprensa americana, morreu semana passada, aos 90 anos. Suspeito que ainda usasse perucas e tenho certeza de que continuava pensando em sexo.

Eu a conheci em 1981. Trabalhando na revista Nova, havia ganho um prêmio que me levou, junto com a editora de Nova, Fátima Ali, para um encontro de editoras internacionais de Cosmopolitan, em Nova York. Durante uma semana, Helen nos acolheu e conduziu.

Uma mulher de método, e vontade férrea. Assim ela era, debaixo do amplo sorriso profissional. Magérrima, durante infindáveis anos seu almoço na redação limitou-se a um iogurte e uma lata de atum. Dizia estar acima do seu peso ideal. Trabalhava o tempo todo, mesmo quando fingia divertir-se. Nos restaurantes elegantíssimos onde nos levou, nos encontros que tivemos com outras pessoas, seu olhar não estava a passeio mas à caça, atento e móvel, sempre dirigido para o objeto que mais valesse a pena.

Profissional em tudo. Eu a vi chegar ao trabalho, como fazia todos os dias, portando uma sacola de papelão daquelas de butique. Continha o necessário para enfrentar o evento da noite. Findo o expediente, ela abria o espelho de três faces estrategicamente colocado no seu escritório, retirava da sacola um aplique ou peruca, um par de sapatos de salto bem alto, um casaquinho elegante, alguma bijuteria vistosa. E, armada de maquiagens e pentes, refazia a imagem. No evento, não bebia álcool, pedia água com gelo e uma fatia de limão, e mantinha o copo na mão, para não destoar. Demorava-se o mínimo indispensável com cada um. Considerava que agradar era sua tarefa e procurava sempre algo que pudesse elogiar. Eu a vi, anos mais tarde, quando veio ao Rio, aproximar-se de José Lewgoy em um coquetel no Copa e chegando a ele descalçar rapidamente os sapatos, para não ultrapassá-lo em altura. Circulando de um a outro, sua presença não durava mais de meia hora. Tinha pressa de chegar em casa, levava trabalho para fazer.

Audácia e sexo foram a alavanca do seu sucesso. Quando em 1962 lançou seu primeiro livro, Sex and the single girl, a América conservadora estremeceu e o escândalo transformou o livro em best-seller. Helen entendeu o recado. Chamada para editar a então morna e doméstica revista Cosmopolitan, surpreendeu as donas de casa tascando na capa uma loura decotada e chamadas de sexo. As vendas garantiram seu cargo nos 32 anos seguintes.

As ideias de Helen sobre sexo estão longe de ser unanimidade. Pragmática em tudo, aconselhava utilizar o sexo não apenas para diversão, mas para subir na vida – há sempre um chefe generoso no caminho de uma funcionária. Ela própria o fez e o contou em livro de memórias. Dizia que vale a pena não almoçar, para comprar um terninho de grife bem acima das próprias posses. Haverá no elevador um executivo importante que se perguntará que mulher é aquela, tão poderosa, que ele não conhece. O mesmo em relação a carro. E o comprovava: saindo de um superautomóvel, chamou a atenção de David Brown, – mais tarde importante produtor de Hollywood – que se casou com ela e com ela viveu pelo resto da vida.

FLORBELA ESPANCA - O Nosso Mundo


Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…



PESQUISAS SOBRE OS BENEFÍCIOS DAS BEBIDAS ALCÓOLICAS

Beber vinho melhora o resultado da atividade física, comprovaram pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá. Altas doses de resveratrol, composto natural presente no vinho, melhorou o desempenho físico, a função do coração e a força muscular em testes em laboratório. O composto teve resultado similar à extensivos treinos aeróbicos. A ideia porém é fazer pílulas, para que elas simulem os benefícios dos exercícios para quem não pode fazê-los.

A beleza está em quanto você bebeu?
Pode ser, mas não a beleza do outro, mas a sua própria. Um estudo publicado no jornal da Sociedade Britânica de Psicologia concluiu que quem acredita estar bebendo álcool se avalia como mais atraente, brilhante, original e engraçado do que realmente é. A pesquisa separou 86 homens franceses em quatro grupos: aqueles que beberam álcool achando que era álcool; os que beberam álcool, mas acharam que não; os que não beberam álcool, mas acharam que estavam bebendo um drink alcoólico; e aqueles que não beberam álcool e também não achavam que estavam. A surpresa vem aí: a auto-percepção foi melhor naqueles que pensaram estar ingerindo álcool e não nos que de fato beberam.

Beber álcool deixa as pessoas mais criativas, concluiu um estudo da Universidade de Illinois, em Chicago, nos EUA. Isso porque a substância melhora a resolução criativa de problemas, reduzindo a capacidade de concentrar a atenção em algo. Em outras palavras, o álcool diminui o que os cientistas chamam de capacidade de memória de trabalho. A psicóloga Jennifer Wiley explica que a memória de trabalho é a capacidade de lembrar de uma coisa, enquanto você está pensando em outra coisa. No passado, os cientistas descobriram que o aumento nesta capacidade melhora a resolução de problemas de análise, mas o mesmo não pode ser dito quando se trata de resolver problemas que requerem criatividade. Isso porque o álcool ajudou os participantes do estudo - que beberam vodka com suco de cranberry - a acessar idéias remotas, idéias que se formam por associação não por análise linear. Na verdade, o raciocínio linear pode manter as pessoas focadas em idéias que elas acham que são importantes, mas não são. Por exemplo, qual palavra vem a seguir? Azul, cottage, suíço. Se você disser "queijo" estará acessando suas ideias remotas.

O sabor da cerveja, mesmo sem qualquer efeito alcoólico, ativa o sistema de recompensas do cérebro e proporciona bem-estar. Neurologistas da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, pediram a 49 homens que escolhessem entre beber sua cerveja favorita e um isotônico, enquanto seus cérebros eram escaneados. Mesmo com uma quantidade irrisória de álcool ingerida, o sistema químico da dopamina, relacionado ao bem-estar e recompensas, foi ativado.

Mulheres casadas bebem mais álcool do que as solteiras ou viúvas. Se você pensou que elas bebem para aguentar o marido, você quase acertou. Na verdade, elas bebem mais para acompanhar os maridos. Estes, por sua vez são os que menos bebem comparados a solteiros e divorciados, também para acompanhar as esposas.

Casais que bebem álcool juntos são mais felizes, segundo pesquisa da Universidade de Otago, na Nova Zelândia. A pesquisa feita com mais de 1,5 mil casais mostrou que aqueles em que o dois bebiam mais ou menos a mesma quantidade e juntos eram mais felizes. As mulheres eram quatro vezes mais felizes se elas bebiam pelo menos uma vez por semana com seus parceiros; já os homens são três vezes mais satisfeitos com a relação.

O álcool está diretamente ligado a acidentes, já que as pessoas perdem concentração e habilidades motoras e podem acabar fazendo "besteiras", mas o álcool no sangue também está associado a uma redução da mortalidade nos hospitais para aqueles que sobrevivem tempo suficiente para receber tratamento especializado. Para os pacientes que sofreram ferimentos penetrantes a associação é mais forte, segundo pesquisa da Universidade de Illinois publicada no jornal "Alcohol".

Já essa pesquisa é com vermes, mas talvez um dia se prove que também vale para humanos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA descobriram que pequenas doses de etanol dobra a expectativa de vida de um metazoário chamado "Caenorhabditis elegans": de 15 dias eles passaram a viver de 20 a 40 dias e ainda tinham uma aparência mais saudável.

Já para se curar de um fora, as moscas de frutas ensinam a lição: álcool. Machos da mosca drosófila consomem mais álcool quando rejeitados sexualmente pela parceira, indica estudo publicado pela revista Science.

TERAPIA GENÉTICA PODE CURAR DEPRESSÃO - Natasha Romanzoti

Uma terapia genética que já cura ratos de sintomas de depressão pode ser a chave para o tratamento da mesma doença em humanos.

A terapia gênica é um método de tratamento através da inserção de genes funcionais em células ou tecidos onde há genes mutados ou “quebrados” que estão causando problemas.

Embora a terapia gênica ainda seja experimental, ela tem tido sucesso na cura do daltonismo em macacos e em testes iniciais para tratar a cegueira humana, o câncer e uma rara doença cerebral fatal chamada adrenoleucodistrofia.

No entanto, a terapia gênica ainda não tinha sido usada no tratamento de transtornos psiquiátricos humanos. A terapia, que agora está sendo testado em primatas, pode ser aprovada para testes clínicos em humanos em menos de dois anos, se tudo correr bem.

O estudo centra-se em uma proteína chamada p11. Esta proteína é importante para o funcionamento do neurotransmissor serotonina, que, por sua vez, desempenha um papel na depressão.

Os ratos sem o gene que produz a p11 tendem a ficar deprimidos. No caso deles, a depressão significa pouquíssimo interesse em petiscos como água açucarada, e falta de motivação para sair de situações assustadoras, como ficar preso pela cauda.

Os pesquisadores tentaram descobrir se os ratos agiram desta forma porque ficar sem o gene na fase de embrião tinha retardado o seu desenvolvimento, ou se a proteína continuava a ser importante no cérebro adulto.

O objetivo era primeiro mostrar qual a importância da p11 para a função normal do cérebro adulto e, depois, tentar identificar a parte do cérebro onde ela é importante.

Para isso, os pesquisadores usaram um vírus inofensivo para injetar um fragmento de ácido ribonucléico (RNA), similar ao DNA, no cérebro de ratos normais. O RNA bloqueou a expressão de um gene que é essencial para a produção de p11, portanto ela parou nas áreas da injeção.

O experimento revelou uma mancha de p11 no cérebro do rato, em uma região conhecida por desempenhar um papel no prazer e na recompensa. Os ratos sem produção de p11 nessa região apresentaram todos os sinais de depressão.

Isso respondeu às perguntas dos pesquisadores sobre se e quando a p11 era importante. Então eles testaram a terapia gênica. A equipe usou ratos com deficiência na proteína. Então injetaram um gene p11 que reparou a produção da proteína em cada rato. O comportamento dos animais foi totalmente revertido. De repente, eles deixaram de ser depressivos e voltaram a ter um comportamento normal.

Nos estágios finais do estudo, os pesquisadores procuraram saber se a p11 desempenhava um papel semelhante em cérebros humanos. Eles compararam os cérebros de 17 pessoas mortas que tiveram depressão com os cérebros de 17 pessoas mortas que não tiveram depressão. Depois de controlar idade e sexo, os pesquisadores descobriram que as pessoas deprimidas também tinham níveis mais baixos da proteína p11.

Isso sugere que a depressão humana está associada a baixos níveis de p11 no cérebro, e a terapia genética pode ser capaz de reverter essa condição.
Segundo os pesquisadores, outros genes também têm um papel na depressão, a p11 é apenas um desses fatores. No entanto, a proteína é um alvo particularmente atraente para a terapia por causa de seu papel no cérebro. Ela atua quase como um “rebocador”, trazendo um receptor de serotonina importante para a superfície da célula, onde ele pode interagir com o neurotransmissor.

Sem a p11, as células do cérebro não respondem adequadamente à serotonina. Como o papel da p11 é bem especializado, aprimorar os seus níveis é menos susceptível de provocar resistência ou efeitos secundários observados em outros tipos de tratamentos.

O estudo aponta um caminho para uma nova terapia para a depressão, além de fornecer novas evidências de que doenças psiquiátricas como a depressão não são diferentes de outros tipos de distúrbios neurológicos.
Natasha Romanzoti [LiveScience]

PRA QUE SERVE OS HOMENS? - Danuza Leão

Para conversar, dormir abraçado, namorar...

Afinal, homem serve pra quê?
Ah, para uma porção de coisas, e todas ótimas. Para namorar, por exemplo, ainda não se descobriu nada melhor. Pensar neles, sonhar com eles, fantasiar a vida ao lado deles às vezes é quase tão bom quanto estar com eles.

Homem é para realçar a vida das mulheres. Mas como saber se ele está cumprindo sua função? Simples. É quando você começa a se enfeitar; troca de penteado, capricha na depilação, compra um sapato de salto alto, faz ginástica e passa fome só para agradar. Se você faz tudo isso – e com a maior alegria – é porque ele merece. Um homem que nota quando você está triste, se a perna está mais durinha e se o vestido é novo é muito, muito estimulante. Um homem para quem você volta do trabalho correndo e, mesmo exausta, passa no supermercado para comprar a manteiga sem sal de que ele gosta, até umas flores (se estivesse sozinha, comia pão de fôrma gelado com margarina salgada e um copo de água). Um homem que desperta até a vontade de cozinhar é apenas a melhor coisa do mundo. Se ele, além de alegrar sua vida, ainda dirige o carro, procura vaga e paga o flanelinha, é a felicidade total.

Um homem que sabe, em caso de necessidade, pregar um prego, trocar um fusível, matar uma barata, sinceramente, tem melhor? Tem, sim, e ainda tem muito mais. Um homem que faz você gostar dele apaixonadamente, que dorme abraçado com você (no inverno), que ouve seus problemas sem bocejar, que conversa, ajuda. Com quem você quer ter filhos e com quem faz os planos mais loucos, ah, isso é bom. Um homem que lhe oferece um ombro para você chorar, com quem dá risada, que te faz pensar: “Não consigo viver sem ele”. Se encontrar um que faça você sentir tudo isso, agradeça a Deus: é tudo que uma mulher pode querer da vida.

Só que nem todas pensam assim. Algumas acham que homem só serve para duas coisas: para entrar com elas nas festas (elas odeiam entrar sozinhas) e para pagar as contas. Amor? E quem está falando disso?

Pela vida dessas mulheres nunca passou nenhum de verdade, esse é o problema. Elas nunca imaginaram a possibilidade de encontrar um homem, mesmo modesto, com sobrenome menos famoso, com quem pudessem tentar uma relação sincera e feliz. Nem podem: nunca ouviram falar que isso existe, veja você.

Quando têm a sorte de arranjar um que cumpra as funções com que sempre sonharam, como se passam as coisas? Quando jantam sozinhos, falam de quê? Quando terminam de jantar, acontece o quê? Ninguém sai da mesa direto para a cama (quartos separados, claro); e, como nem todo dia têm festa (nos jantares elegantes, ficam sempre em mesas separadas), fotógrafos, champanhe, então como fazem? Como eles vivem? Mistério.

É que nunca aconteceu a nenhuma delas de, um dia, num jantar enorme e bem chique, de repente perceber um homem interessante conversando num grupo, bem longe, mas olhando para ela com aquela firmeza. Fica claro que o que ele quer é sumir com ela, no ato, dane-se a festa, que a melhor, a melhor festa, seriam os dois, juntos e sozinhos. Se acontecer, será que ela percebe? E, se perceber, será que vai aceitar o convite?

Provavelmente, não. Ela nunca vai entender que homem só existe para uma coisa: fazer a gente feliz.

QUAL O MOTIVO DA NOSSA CONSTANTE INSATISFAÇÃO PERANTE A VIDA? - Michel de Montaigne

Se ocasionalmente nos ocupássemos em nos examinar, e o tempo que gastamos para controlar os outros e para saber das coisas que estão fora de nós o empregássemos em nos sondar a nós mesmos, facilmente sentiríamos o quanto todo esse nosso composto é feito de peças frágeis e falhas. 

Acaso não é uma prova singular de imperfeição não conseguirmos assentar o nosso contentamento em coisa alguma, e que, mesmo por desejo e imaginação, esteja fora do nosso poder escolher o que nos é necessário?

Disso dá bom testemunho a grande discussão que sempre houve entre os filósofos para descobrir qual é o soberano bem do homem, a qual ainda perdura e perdurará eternamente, sem solução e sem acordo:

Enquanto nos escapa, o objecto do nosso desejo sempre nos parece preferível a qualquer outra coisa; vindo a desfrutá-lo, um outro desejo nasce em nós, e a nossa sede é sempre a mesma. (Lucrécio).

Não importa o que venhamos a conhecer e desfrutar, sentimos que não nos satisfaz, e perseguimos cobiçosos as coisas por vir e desconhecidas, pois as presentes não nos saciam; em minha opinião, não que elas não tenham o bastante com que nos saciar, mas é que nos apoderamos delas com mão doentia e desregrada:

Pois ele viu que os mortais têm à sua disposição praticamente tudo o que é necessário para a vida; viu homens cumulados de riqueza, honra e glória, orgulhosos da boa reputação de seus filhos; e entretanto não havia um único que, em seu foro íntimo, não se remoesse de angústia e cujo coração não se oprimisse com queixas dolorosas; compreendeu então que o defeito estava no próprio recipiente, e que esse defeito corrompia tudo de bom que fosse colocado de fora em seu interior (Lucrécio).

O nosso apetite é indeciso e incerto: não sabe conservar coisa alguma, nem desfrutar nada da maneira certa. 

O homem, julgando que isso seja um defeito dessas coi­sas, acumula e alimenta-se de outras coisas que ele não sabe e não conhece, em que aplica os seus desejos e espe­ranças, honrando-as e reverenciando-as; como diz César:
Por um vício comum da natureza, acontece termos mais con­fiança e também mais temor em relação às coisas que não vimos e que es­tão ocultas e desconhecidas.
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