NÃO SEJAS DEMASIADO JUSTO - Rubem Alves


ERA UM DEBATE sobre o aborto na TV. 
A questão não era "ser a favor"ou 
"contra o aborto". 
O que se buscava eram diretrizes éticas 
para se pensar sobre o assunto.

Será que existe um princípio ético absoluto que proíba todos os tipos de aborto? Ou será que o aborto não pode ser pensado "em geral", tendo de ser pensado "caso a caso"? Por exemplo: um feto sem cérebro. É certo que ele morrerá ao nascer. Esse não seria um caso para se permitir o aborto, para poupar a mulher do sofrimento de gerar uma coisa morta por nove meses?

Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais. Todos os abortos são assassinatos.
Terminando o debate, o teólogo concluiu com esta afirmação: "Nós ficamos com a vida!"

O mais contundente nessa afirmação está não naquilo que ela diz claramente, mas naquilo que ela diz sem dizer: "Nós ficamos com a vida. Os outros, que não concordam conosco, ficam com a morte..."
Mas eu não concordo com a posição teológica da igreja -sou favorável, por razões de amor, ao aborto de um feto sem cérebro- e sustento que o princípio ético supremo é a reverência pela vida.

Lembrei-me do filme a "Escolha de Sofia". Sofia, mãe com seus dois filhos, numa estação ferroviária da Alemanha nazista. Um trem aguardava aqueles que nele seriam embarcados para a morte nas câmaras de gás. O guarda que fazia a separação olha para Sofia e lhe diz: "Apenas um filho irá com você. O outro embarcará nesse trem..." E apontou para o trem da morte.

Já me imaginei vivendo essa situação: meus dois filhos -como os amo-, eu os seguro pela mão, seus olhos nos meus. A alternativa à minha frente é: ou morre um ou morrem os dois. Tenho de tomar a decisão. Se eu me recusasse a decidir pela morte de um, alegando que eu fico com a vida, os dois seriam embarcados no trem da morte... Qual deles escolherei para morrer? Acho que a ética do teólogo católico não ajudaria Sofia.

Você é médico, diretor de uma UTI que, naquele momento, está lotada, todos os leitos tomados, todos os recursos esgotados. Chega um acidentado grave que deve ser socorrido imediatamente para não morrer. Para aceitá-lo, um paciente deverá ser desligado das máquinas que o mantém vivo. Qual seria a sua decisão? Qual princípio ético o ajudaria na sua decisão? Qualquer que fosse a sua decisão, por causa dela uma pessoa morreria.

Lembro-me do incêndio do edifício Joelma. Na janela de um andar alto, via-se uma pessoa presa entre as chamas que se aproximavam e o vazio à sua frente. Em poucos minutos as chamas a transformariam numa fogueira. Para ela, o que significa dizer "eu fico com a vida"? Ela ficou com a vida: lançou-se para a morte.

Ah! Como seria simples se as situações da vida pudessem ser assim colocadas com tanta simplicidade: de um lado a vida e do outro a morte. Se assim fosse, seria fácil optar pela vida. Mas essa encruzilhada simples entre o certo e o errado só acontece nos textos de lógica. O escritor sagrado tinha consciência das armadilhas da justiça em excesso e escreveu: "Não sejas demasiado justo porque te destruirás a ti mesmo..."

CONVERSANDO COM DEUS - Arthur da Távola

Nestes tempos de loucura guerreira, a gente deve buscar refúgio também nas crianças. Elas são sempre a conseqüência trágica das guerras. Mesmo quando não estão no campo das mesmas. Fui criança em 1940 e hoje, sessenta anos depois ainda me recordo do rádio de meu pai, com notícias da Segunda Guerra Mundial e do meu susto pois não sabia o que queria dizer "lá longe". Acreditava que “longe” era o que ficava além do Túnel Novo.
                                  
Mas recebi de um mensageiro da Internet chamado Müller (não deu outras informações acerca de si mesmo) esta deliciosa tradução de algumas frases de crianças. Nada tem a ver com a guerra. É só para vermos como são criativas as crianças e pensarmos nas que morrem por causa dos delírios humanos, o maior dos quais é a guerra e seu estúpido cortejo de destruição.
                                  
CARTINHAS PARA DEUS: cartas reais para Deus escritas por crianças
(traduzidas de original em inglês):
                                  
1. Querido Deus, Eu não pensava que laranja combinava com roxo
  até que eu vi o pôr-do-sol que Você fez terça- feira. Foi demais! (Eugene)
                                  
 2. Querido Deus, Você queria mesmo que a girafa se parecesse assim ou foi um acidente? (Norma)

3. Querido Deus, Em vez de deixar as pessoas morrerem e ter que fazer outras novas, porquê você não mantêm aquelas que você tem agora? (Jane)

4. Querido Deus, Eu fui a um casamento e eles beijaram dentro da igreja. Tem algum problema com isso? (Neil)
                                  
5. Querido Deus, Obrigado pelo meu irmãozinho, mas eu orei por um cachorrinho. (Joyce)

6. Querido Deus, Choveu o tempo todo durante as nossas férias e como meu pai ficou zangado! Ele disse algumas coisas sobre você que as pessoas não deveriam dizer, mas eu espero que você não vá machucá-lo. Seu amigo (mas eu não vou dizer quem eu sou)

7. Querido Deus, Por favor, me mande um poney. Eu nunca te pedi nada antes, Você pode checar. (Bruce)
                                  
8. Querido Deus, Eu quero ser igualzinho ao meu pai quando eu crescer, mas não com tanto cabelo no corpo. ( Sam)

9. Querido Deus, Eu penso em Você de vez em quando, mesmo quando não estou orando.(Elliott)

10. Querido Deus, Eu aposto que é muito difícil para você amar a todas as pessoas no mundo. Na nossa família tem só quatro pessoas e eu nunca consigo... (Nan)
                                  
11. Querido Deus, Meus irmãos me falaram sobre nascer de novo, mas soa muito estranho. Eles estão só brincando, não é? (Marsha)
                                                                     
12. Querido Deus, Se Você olhar para mim na igreja domingo, eu vou te mostrar meus sapatos novos. (Mickey)

13. Querido Deus, Nós lemos que Thomas Edison fez a luz. Mas na escola dominical nós aprendemos que foi Você. Eu acho mesmo que ele roubou sua idéia. Sinceramente, (Donna)
                                  
14. Querido Deus, Eu não acho que alguém poderia ser um Deus melhor que você. Bem, eu só quero que saiba que não estou dizendo isso porque você já é Deus. (Charles)

 15. Querido Deus, Talvez Caim e Abel não matassem tanto um ao outro se eles tivessem seu próprio quarto. Isso funciona com meu irmão. (Eddie)

SEU APARTAMENTO É FELIZ - Martha Medeiros

Dia desses, fui acompanhar uma amiga que estava procurando um apartamento para comprar. Ela selecionou cinco imóveis para visitar, todos ainda ocupados por seus donos, e pediu que eu fosse com ela dar uma olhada. Minha amiga, claro, estava interessada em avaliar o tamanho das peças, o estado de conservação do prédio, a orientação solar, a vizinhança. Já eu, que estava ali de graça, fiquei observando o jeito que as pessoas moram.

Li em algum lugar que só há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz. O referido é verdade e dou fé.

Não existe um único objeto na minha casa que não me faça feliz, pelas mais variadas razões: ou porque esse objeto me lembra de uma viagem, ou porque foi um presente de uma pessoa bacana, ou porque está comigo desde muitos endereços atrás, ou porque me faz reviver o momento em que o comprei, ou simplesmente porque é algo divertido e descompromissado, sem qualquer função prática a não ser agradar aos olhos.

Essa regra não tem nada a ver com elitismo. Pessoas riquíssimas, aristocráticos e maçantes com suas torneiras de ouro, quadros soturnos que valem fortunas e enfeites arrematados em leilões. São locais classudos, sem dúvida, e que devem fazer seus monarcas felizes, mas eu não conseguiria morar num lugar em que não me sentisse à vontade para colocar os pés em cima da mesinha de centro.

A beleza de uma sala, de um quarto ou de uma cozinha não está no valor gasto para decorá-los, e sim na intenção do proprietário em dar a esses ambientes uma cara que traduza o espírito de quem ali vive. E é isso que me espantou nas várias visitas que fizemos: a total falta de espírito festivo daqueles moradores. Gente que se conforma em ter um sofá, duas poltronas, uma tevê e um arranjo medonho em cima da mesa, e não se fala mais nisso.

Onde é que estão os objetos que os fazem felizes? Sei que a felicidade não exige isso, mas pra que ser tão franciscano? Em estímulo visual torna o ambiente mais vivo e aconchegante, e isso pode existir em cabanas no meio do mato e em casinhas de pescadores que, aliás, transpiram mais felicidade do que muito apê cinco estrelas. Mas grande parte das pessoas não está interessada em se informar e em investir na beleza das coisas simples.

E quando tentam, erram feio, reproduzindo em suas casas aquele estilo showroom de megaloja que só vende móveis laqueados e forrados com produtos sintéticos, tudo metido a chique, o suprassumo da falta de gosto. Onde o toque da natureza? Madeira, plantas, flores, tecidos crus e, principalmente, onde o bom humor? Como ser feliz numa casa que se leva a sério?

Não me recrimine, estou apenas passando adiante o que li: pra onde quer que se olhe, é preciso alguma coisa que nos deixe feliz. Se você está na sua casa agora, consegue ter seu prazer despertado pelo que lhe cerca? Ou sua casa é um cativeiro com o conforto necessário e fim?

Minha amiga ainda não encontrou seu novo lar, mas segue procurando, só que agora está visitando, de preferência, imóveis já desabitados, vazios, onde ela possa avaliar não só o tamanho das peças, a orientação solar, o estado geral de conservação, mas também o potencial de alegria que ela pretende explorar. 

A PESSOA QUE PARTIU SEU CORAÇÃO NÃO PODE SER A MESMA QUE VAI CONSERTÁ-LO.

Lembre-se disso: a pessoa que partiu seu coração não pode voltar para remendá-lo. Não cometa esse erro, não pense que o seu retorno é a solução.

Não volte atrás pelo medo de ficar só, pelo medo de não saber se desenvolver pela vida sem essa pessoa ao seu lado. Porque os relacionamentos disfuncionais, se não forem trabalhados da forma adequada, não perdem esta característica da noite para o dia como num passe de mágica.

Lembre-se de que, quando você foi quebrado, sua mente se encheu de argumentos que falavam a favor de uma vida sem essa pessoa. Continuava doendo e você continuava tendo razões para querer estar ao lado dela, mas você queria se convencer de que sua companhia não era o melhor para você.

Tudo aquilo de que fugimos está condenado a se repetir
O tempo passa e os conflitos se repetem. Humilhações, desconfianças, a dor de uma ferida mal cicatrizada. Tudo aquilo do que fugimos sem resolver está condenado a se repetir. Freud teorizou este fato em 1920 em seu livro O princípio do prazer, chamando-o de compulsão pela repetição.

Isso significa que as pessoas tendem a tropeçar na mesma pedra (cada um na sua, é claro). Significa que quando nossa pedra é o estabelecimento de um tipo de relação, tropeçamos nela de forma sistemática.

O fato de que a pedra na qual tropeçamos tem “um nome” ou “um tipo”, simboliza que tendemos a nos relacionar da mesma maneira, a gerar dependências emocionais, a procurar o amor de uma forma determinada e, muitas vezes, em uma pessoa específica.

Portanto, com frequência enfrentamos problemas parecidos apesar de estarmos em etapas diferentes de nossas vidas. Por que isso acontece conosco? Porque tudo aquilo do que fugimos está condenado a se repetir. Se não refletirmos, se não fizermos um replanejamento de nossas decisões ou nossa maneira de nos relacionarmos, estamos condenados a cometer os mesmos erros novamente.

“Sempre é preciso saber quando uma etapa da nossa vida acaba. Se você insiste em permanecer nela por mais tempo do que foi necessário, perde a alegria e o sentido. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, como quiser chamar. Não podemos estar no presente desejando o passado. O que aconteceu, aconteceu, e é preciso soltar, é preciso se desprender. Não podemos ser crianças eternamente, nem adolescentes tardios, nem empregados de empresas inexistentes, nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.
Os fatos passam, e é preciso deixá-los ir!” 
– Paulo Coelho –

Quando algo se quebra por dentro, nada mais é igual
Quando nos quebramos, quando temos uma dor muito intensa por dentro, desejamos a estabilidade, o bem-estar que ter essa pessoa ao nosso lado gerava. A incerteza gera a certeza de que “todo o tempo passado foi melhor quando estávamos juntos”.

Evidentemente, estas relações de dependência de um vínculo afetivo têm um passado construído sobre um estilo de apego disfuncional, mas isso é algo que podemos mudar graças à reelaboração contínua que nossas experiências e reflexões nos oferecem.

Precisamos focar a formação de novos vínculos de apego, a perda de certas relações e a mudança. Se as experiências são muito diferentes e significativas, o próprio conteúdo das representações, as estratégias e os sentimentos podem mudar a tendência a procurar relações fundamentadas na dependência.

Consertar nossos buracos emocionais deve ficar por conta de nós mesmos. Reconstruir-se é um trabalho próprio; ninguém tem o poder e nem a responsabilidade de fazê-lo por nós. Sejamos conscientes de que todo processo de mudança leva consigo dor e esforço.

Conseguir dizer adeus a uma pessoa não significa retroceder, significa separar o que nos enriquece do que nos desgasta, cuidar de nossa valia e deixar de perseguir as migalhas de um amor que não é saudável.

Desapegar-se da dor ajuda a nutrir a autoestima
Desapegar-nos de egoísmos, interesses e ausências injustificadas nos ajudará a começar uma nova etapa, a semear e colher sustento para a nossa autoestima e crescer emocionalmente.

Soltar, se afastar de vínculos que nos machucaram, significa se libertar, crescer e criar uma nova vida. Uma nova vida que se lança como própria, que cresce respirando oxigênio psicológico de uma atmosfera fértil para a mudança.

Cobrir a dor com terra não é garantia de prosperidade em um relacionamento. Há vezes em que as histórias precisam ter um ponto final.

Isso pode nos angustiar, mas a consequência imediata é a reconstrução de nós mesmos e a harmonia com o nosso interior. Trata-se de sermos honestos e exigentes com nossas companhias e emoções. Nem sempre é fácil, mas é necessário.
Fonte: a mente maravilhosa
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4 CARACTERÍSTICAS DAS FAMÍLIAS TÓXICAS

As famílias disfuncionais, normalmente conhecidas como famílias tóxicas, são criadas através de padrões de comportamento prejudiciais que não respeitam a individualidade de todos os seus membros.

Entre outras questões, é comum que nestas famílias os filhos sejam o alvo de agressões psicológicas ou físicas que prejudicam o desenvolvimento e o crescimento saudável de um clima afetivo e estável. Seja como for, as famílias tóxicas são tão diversas quanto o número de atitudes destrutivas.

Contudo, quando aparecem certas características dentro de um mesmo sistema familiar é possível que estejamos diante de um ambiente de emotividade ambivalente, o que é possível de identificar. Mas… quais são essas características? Vejamos algumas delas…

1 – A ausência de individualidade
As famílias contaminadas não são exatamente especialistas em respeitar o espaço vital dos seus membros. Por isso, no fim das contas acabam transformando dinâmicas afetivas livres em dinâmicas afetivas coercitivas.

As pessoas dessa família terminam unidas pela obrigação, não pela devoção. Onde dizemos unidos, leia-se presentes. Curto e grosso. Uma pessoa contaminada por contatos tóxicos que comprometem a sua individualidade termina sendo vítima da necessidade de aprovação.

Isto leva à suposição de responsabilidades dissonantes e pouco saudáveis. Os membros tomam atitudes extremas de superproteção ou de agressão, o que impede o desenvolvimento socioafetivo saudável.

2. A superproteção ou o desleixo total
Novamente falamos de extremos. Como se sabe, nenhum deles é bom. Entenda-se então que a superproteção é o polo oposto da autonomia e da liberdade, de modo que cria grande dependência e dano emocional.

Se resgatamos nossos seres queridos de todo mal, então os privamos da oportunidade de crescer e de aprender a desenvolver suas próprias estratégias resolutivas. Assim, cria-se um sentimento de inutilidade intenso e devastador.

As pessoas superprotetoras obtêm grandes ganhos secundários pelo excesso de cuidado, pois assim tornam dependentes os superprotegidos e mantêm a sua vida controlada em todos os aspectos. Isto é, de certa forma, sinônimo de manipulação.

Em outro ponto oposto está a falta de interesse total para com a criação ou o contato emocional dentro da família. Isto é quase a mesma coisa que falar de abandono, uma das grandes feridas da infância que persiste quando somos adultos.

3. A regra de não falar sobre os problemas
Evitar a abordagem de um problema é uma das características mais comuns e prejudiciais. Esta é a comunicação deteriorada em estado puro. Na verdade, a incomunicação verbal não implica uma não comunicação, pois mesmo o silêncio comunica.

Nestes casos, o que o silêncio transmite é tensão e perigo, o que convive com a mensagem discordante e autodestrutiva de “não é nada”.

Não falar dos conflitos gera verdadeiras bombas emocionais. Estas bombas tornam-se maiores com o tempo, chegando a destruir todo o castelo quando um dia, de repente, explodem. Isto leva à destruição de todo o bem-estar, mesmo que este seja pura miragem.

4. Falta de flexibilidade e limites difusos
A falta de flexibilidade em todos os aspectos impacta na ausência de limites saudáveis. Se um dos membros muda, o dramatismo se eleva ao máximo. Nitidamente os integrantes da família ativarão todos os alarmes se alguém começar a gostar de si mesmo e a mudar a sua atitude.

Os papéis estão estabelecidos por meio de regras não escritas, de modo que tudo que colocar em perigo o conforto familiar provocará atitudes extremas e dramáticas.

Também podem nos deparar com uma ausência total e absoluta de limites, o que provoca a falta de equilíbrio emocional dos membros. Novamente, encontramos a tendência ao dramatismo, aconteça de forma oculta ou não.

Estas quatro características são pilares nos quais se sustenta a engrenagem das famílias intoxicadas ou disfuncionais. Ganhar consciência disso pode nos ajudar a resgatar nossa individualidade e a das pessoas que nos rodeiam.
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A JUVENTUDE DA MATURIDDE - Martha Medeiros

Foi só ela ouvir o cumprimento e virou o rosto como se estivesse sendo agredida. “Não repita isso de novo. Não sei o que há de feliz em ficar mais velha”.

Respondi: “Você diz isso porque está fazendo 34 anos. Quando fizer 52, vai sentir vontade de pendurar balões pela casa”.

Ela desvirou o rosto e voltou a me encarar como se eu estivesse tendo algum surto de insanidade. Exatamente como aquelas expressões que ilustram a coluna da Mariana Kalil aqui no Donna, com um baloon escrito “HÃ?”.

Só quem atravessa ao menos cinco décadas de vida pode entender a bênção que é entrar na segunda juventude.

Claro que antes é preciso passar pelo purgatório. Poucos chegam aos 50 anos sem fazer uma profunda reflexão sobre a finitude, e dá um frio na barriga, claro. Amedronta principalmente quem ainda não fez nem metade do que gostaria de já ter feito a essa altura. Será que vai dar tempo?

Passado o susto, a resposta: vai. E se não der, não tem problema. Você não precisa morrer colecionando vontades não realizadas. Troque de vontades e siga em frente sem ruminar arrependimentos. Você finalmente atingiu o apogeu da sua juventude: é livre como nunca foi antes.

Sendo assim, não passe mais nem um dia ao lado de alguém que lhe esnoba, lhe provoca ou que não se importa com seus sentimentos. Pare de inventar razões para manter seus infortúnios, você já fez sacrifícios suficientes, agora se permita um caminho mais fácil. Se ainda dá trela a fantasmas, se ainda pensa em vingançazinhas ordinárias, se ainda não perdoou seus pais e seu passado, se ainda perde tempo com vaidades e ambições desmedidas, se ainda está preocupado com o que os outros pensam sobre você, está pedindo: logo, logo vai virar um caco.

Para alcançar e merecer a segunda juventude, é preciso se desapegar de todas aquelas preocupações que existiam na primeira. Quando essa Juventude Parte 2 terminar, não virá a Juventude Parte 3, mas o fim. Então, esta é a última e deliciosa oportunidade de abandonar os rancores, não perder mais tempo com besteiras e dar adeus à arrogância, à petulância, à agressividade, ou seja, adeus às armas, aquelas que você usava para se defender contra inimigos imaginários. Agora ninguém mais lhe ataca, só o tempo – em vez de brigar contra ele, alie-se a ele, tome o tempo todo para si.

Eu sei que você teve problemas, e talvez ainda tenha – muitos. Eu também tive, talvez não tão graves, depende da perspectiva que se olha. Mas isso não pode nos impedir a graça de sermos joviais como nunca fomos antes. Lembra quando você dizia que só gostaria de voltar à adolescência se pudesse ter a cabeça que tem hoje? Praticamente está acontecendo.

Essa é a diferença que tem que ser comemorada. Na primeira juventude, tudo vai acontecer. Na segunda, está acontecendo.

LOJAS SÃO ALÍVIO A CURTO PRAZO - Zigmunt Bauman

O estudioso polonês fala 
sobre tédio, frustração e insatisfação

É difícil falar sobre características da contemporaneidade, das transformações culturais e do universo do consumo permeado por projeções e distorções sem citar o nome do sociólogo polonês Zigmunt Bauman, professor emérito das universidades de Leeds e Varsóvia. Com quase 60 livros publicados, 32 deles no Brasil, o pensador se tornou uma referência em dissertações, teses e reflexões nas variadas áreas das ciências humanas: há mais de uma década, a ideia de “liquidez” das relações, apresentada por ele, incorporou-se à linguagem de psicólogos, psicanalistas, educadores, filósofos e antropólogos. 

Em sua obra mais recente, A cultura no mundo líquido moderno (Zahar), com lançamento previsto para este mês, o pensador – que completa 88 anos dia 19 de novembro – retoma o tema das relações voláteis, detendo-se em perspectivas históricas da cultura.

Na entrevista a seguir, Bauman fala a respeito de frustrações, tédio e do que chama de “substitutos de satisfação”: “Viagens oferecem fuga e descanso momentâneo; no entanto, por mais que nos aventuremos pelo mundo das compras ou façamos viagens exóticas, aquilo que procuramos continuará ausente”. Confira:

Mente e Cérebro: Hoje em dia, com tantos recursos tecnológicos, podemos fazer mais coisas em menos tempo, mas o mundo enfrenta uma epidemia sem precedentes de estresse e depressão. Parece que certas conquistas tecnológicas não nos deixaram necessariamente mais felizes.

Zigmunt Bauman: É verdade que podemos fazer mais em menos tempo. O problema é quão efetivas são nossas ações... Estresse e depressão decorrem da experiência generalizada de infelicidade e desesperança, o que nos relembra da comprovada (ou pelo menos suspeita) ineficácia de nossas ações. A maioria de nós se sente ignorante ou impotente a respeito do que o futuro reserva e, mesmo se soubéssemos que uma catástrofe se aproxima, poderíamos fazer muito pouco ou nada para evitar sua chegada. A inadequação de recursos diante dos impressionantes desafios e das grandiosas tarefas que enfrentamos é o que mais nos assombra e atormenta. Faltam-nos meios de ações conjuntas capazes de conter perigos coletivos. Como disse Ulrich Beck (sociólogo e psicólogo alemão, autor do conceito de “sociedade do risco”), atualmente temos buscado soluções individuais para problemas produzidos coletivamente – uma demanda superior às habilidades e aos recursos que a maioria de nós possui.

P: Em seus últimos livros o senhor tem feito reflexões sobre juventude e educação. De que maneira pais, professores e terapeutas podem ajudar as novas gerações a se afastar da banalidade do consumismo, das soluções individuais e buscar formas mais autênticas e criativas de lidar com conflitos?

ZB: Afastar-se da percepção de mundo consumista e desse tipo de atitude individualista contra o mundo e as pessoas (uma postura que, aliás, somos incitados, seduzidos ou forçados a assumir) não é uma questão a ponderar, mas uma obrigação determinada pelos limites de sustentabilidade desse modelo da vida que pressupõe a infinidade de crescimento econômico (em outras palavras, a redução cada vez mais dos recursos do planeta). 

Segundo esse modelo a felicidade está obrigatoriamente vinculada ao acesso a lojas e ao consumo exacerbado. Mais cedo ou mais tarde (na verdade, muito antes do que imaginamos) esse “afastamento” da percepção consumista terá de acontecer... No entanto, as dores e os dramas do jovem atual estão relacionados ao fato de ser a primeira geração pós-guerra que precisa enfrentar esse ponto em branco. Ou seja, tem de se preocupar em defender aquilo que foi deixado pelos pais em vez de usar esses recursos como ponto de partida para mais conquistas. 

E precisam fazer isso no momento em que as habilidades exigidas para pensar em alternativas para lidar com os desafios da vida, buscar a felicidade e conferir sentido às vivências foram esquecidas ou estão enferrujadas...

P: Apesar da crescente quantidade de estímulos externos (como TV e internet), as pessoas estão cada vez mais entediadas. Parece que estamos perdendo a capacidade de encontrar estímulos internos. Por quê?

ZB: Ao longo de várias décadas, e particularmente nos últimos 30 anos da orgia consumista, temos sido treinados e forçados a buscar o sentido da vida no entretenimento e prazer. Fomos condicionados a ser intolerantes a todo desconforto e inconveniên-cia em qualquer área da vida ou tarefa que exija determinação, força de vontade, esforço árduo e prontidão para a privação pessoal. Aceitamos informações somente do tipo infotainment (expressão que designa mensagens midiáticas que integram elementos de caráter jornalístico e de entretenimento) e estamos dispostos a aprender apenas por edutainment (“education” + “entertainment”: metodologia aplicada a treinamentos que recorre à pedagogia e ao entretenimento por meio do uso intensivo de jogos e de atividades lúdicas).

P: É comum buscarmos fugas que deixam a impressão de que falta tempo para viver e desfrutar de tudo o que poderíamos. E o mais provável é que cada vez tenhamos mais opções. Qual a consequência disso?

ZB: Embora seja tentador poder “escolher” entre essa aparente profusão de opções, o problema é que a maioria delas leva a lugares distantes da raiz dos nossos conflitos e aflições, impedindo que os enfrentemos. Lojas vendem alívio de curto prazo, substitutos das satisfações que buscamos e precisamos, como viagens que oferecem fuga e descanso momentâneo… 
No entanto, por mais que nos aventuremos pelo mundo das compras ou façamos viagens exóticas, aquilo que procuramos continuará ausente.


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QUANDO A CRÍTICA É CONSTRUTIVA E QUANDO NÃO É?

Em uma de minhas conferências sobre esse tema, tão comum nas ciências e nas artes, fiquei surpreso ao constatar que boa parte do público presente não tinha clareza sobre o conceito, e entendia a crítica como sendo a “arte de apontar defeitos” ou mesmo algo como um direito insofismável de achincalhar o outro.

Tenho observado, também, em muitas escolas, onde alunos e pais de alunos concorrem em “criticar” o trabalho do professor, principalmente quando chamados à coordenação em virtude do péssimo rendimento escolar, seja pelo mau comportamento em sala de aula, seja pelos resultados desalentadores nos exames.

E nesse caso a “crítica” tem sabor de desforra e produz a ilusão de isenção.

Ao apontar os defeitos do professor, quando não da escola, alguns alunos e pais de alunos acreditam que podem, a partir daí, se eximir do cumprimento de seu papel como protagonistas do processo de ensino-aprendizagem.

Na crença popular essa ideia fica patente com o bordão:
Se meu filho tirou dez – é um gênio! Agora, se tirou zero é porque o professor e/ou a escola não presta!

Esse “criticar” mal executado presta um desserviço à comunidade, pois esvazia seu potencial de aprimoramento, tanto do professor quanto do aluno. Ao mesmo tempo, que, ao banalizar um dos principais direitos e atributos que tem o ser humano, que é o de criticar – expõe o que há de pior no ser humano:
- O egocentrismo.

E isso é manifestado, e de forma eloquente, na sua incapacidade de aplicar em si mesmo o rigor da severa crítica que prodigaliza aos demais.
E em muitas outras áreas isso é observado.
A pseudo-crítica das falhas estruturais como desculpa para não se cumprir com o seu papel!

Também tenho percebido em muitos fóruns na internet, onde o anonimato obtido pelo uso de um nickname e o trato impessoal usado em e-mails ou posts , transforma esse direito de criticar num pretexto para atacar, para achincalhar ou menosprezar a pessoa do outro lado.

Alguns pela simples diversão de discordar por discordar.
Outros pela necessidade de propagandear sua ideologia, sua crença, etc. e por essa razão atacar decididamente, não o artigo, mas o articulista.
Ou, ainda, esse ataques se darão por simples vaidade:
– “Afinal com que direito o articulista desse site ousa ser mais inteligente e/ou mais informado que eu”?

Ora, o termo “crítica” deriva etimologicamente do grego Kritikè e significa “discernir”.
Assim, criticar é em seu conceito político-filosófico, a faculdade de discernir o valor das coisas, dos eventos, dos feitos e das pessoas.
Está intimamente ligado ao juízo de valor e ao exercício da razão.

Segundo Kant, a crítica é uma avaliação ou um julgamento de mérito.
E tal julgamento pode ser:
• Estético, se contempla uma obra de arte;
• Lógico, se contempla um raciocínio;
• Intelectual, se contempla um conceito, uma teoria ou um experimento e
• Moral, quando contempla uma conduta.

Ao julgar, busca-se a equanimidade e a justiça.
O julgamento para ser equânime, deve ser isento da intencionalidade de provocar dano e pleno de recursos da razão, fundamentado evidentemente no conhecimento e no anseio pelo bem.

Na crítica, busca-se apontar não só os defeitos, mas também as qualidades e valores e com isso avaliar a extensão dessa mesma qualidade seja da obra de arte, do trabalho científico, do conceito, do argumento ou da conduta objetivando o seu reconhecimento, aprimoramento e/ou superação;

A crítica propriamente dita nunca é dirigida à pessoa. Sempre à suas ideias, obras, argumentos ou comportamentos.
Mais que um exercício de sintaxe, esse fato diferencia a crítica verdadeira do achincalhe.
Pois ideias, obras, comportamentos e argumentos não são a identidade.

A pessoa é categoria moral e é infinitamente maior que seu simples comportamento episódico ou somatório de algumas de suas ideias e argumentos ou o somatório de todas as suas obras.

O achincalhe, que significa humilhar, ridicularizar e debochar não é considerado em termos jurídicos ou filosóficos como “crítica” e sim uma perversão de seu significado.

Em caso público pode ter consequências sérias, tais como processos por perdas e danos, derivando o achincalhe para a injúria, calúnia e difamação – todos previstos pelo código penal.

De acordo com Dr. Ricardo Antônio L. Camargo, “também se configura o achincalhe quando se imputa a alguém fato depreciativo e inverídico ou quando se lhe diz algo gratuitamente ofensivo à dignidade e ao decoro”.

“O achincalhe é sempre corrosivo, é sempre destrutivo, é sempre a base de todos os conflitos que extrapolem motivos puramente materiais. Estereótipos, preconceitos e mesmo ódios passam a ser considerados como o metro pelo qual se medirá a bondade ou a maldade das condutas.”

“Quando o fato imputado constitui crime, estamos diante do tipo calúnia. Quando o fato é ofensivo à reputação, estamos diante da difamação. E quando se ofende a dignidade e o decoro de alguém, sem lhe imputar fato, o que se faz é injuriá-lo”.

Em resumo, a verdadeira crítica vale-se de argumentos consistentes, fundamentados no conhecimento e que objetivam julgamentos e avaliações sobre o valor (ou a falta dele) de uma obra, conceito, argumentos, experimentos ou conduta e nada tem a ver com ataques pessoais e achincalhes. Isso se denomina agressão.

A crítica, juntamente com o ceticismo e o princípio da falseabilidade, tem um papel preponderante na evolução da ciência.

Nesse contexto, sem a crítica muitos erros científicos seriam perpetuados.
Daí, propugnarmos na sociedade o desenvolvimento do espírito crítico e a defesa da liberdade para exercê-lo.

E ter espírito crítico é preconizar a capacidade humana de julgamento visando o bem comum. Criticar é julgar para escolher, para selecionar, para promover a melhora e a superação e exaltar o útil, o criativo, o ético e o estético, para o bem e evolução da humanidade.

Dessa forma, a crítica propriamente dita, corretamente praticada é sempre construtiva.
Mas, para tal necessita-se:
• Humildade;
• Senso de humanidade;
• Tato e polidez;
• Adequação;

E acima de tudo:
• Conhecimento.

Não há como criticar algo que não se conhece:
• Um crítico literário deve ter conhecimento sobre literatura.
• Um crítico de trabalhos científicos deve ter conhecimento pelo menos sobre a área científica objeto de sua crítica.

E assim por diante.
Ora, isso é óbvio!
No entanto, parece que no mundo de hoje as obviedades não são percebidas assim tão obviamente.
P/ Mustafa Ali Kanso

ESTRAGOU A TELEVISÃO - Luis Fernando Verissimo



― Iiiih...
― E agora?
― Vamos ter que conversar.
― Vamos ter que o que?
― Conversar. É quando um fala com o outro.
― Fala o que?
 ― Qualquer coisa. Bobagem.
― Perder tempo com bobagem?
― E a televisão o que é?
― Sim, mas aí é a bobagem dos outros. A gente só assiste. Um falar com o outro,assim, ao vivo... Sei não...
― Vamos ter que improvisar nossa própria bobagem.
― Então começa você.
― Gostei do seu cabelo assim.
― Ele está assim há meses, Eduardo. Você é que não tinha...
― Geraldo.― Hein?― Geraldo. Meu nome não é Eduardo, é Geraldo.
― Desde quando?
― Desde o batismo.
― Espera um pouquinho. O homem com quem eu casei se chamava Eduardo.
― Eu me chamo Geraldo, Maria Ester.
― Geraldo Maria Ester?!
― Não, só Geraldo. Maria Ester é o seu nome.
― Não é não.
― Como, não é não?
― Meu nome é Valdusa.
― Você enlouqueceu, Maria Ester?
― Por amor de Deus, Eduardo...
― Geraldo.
― Por amor de Deus, meu nome sempre foi Valdusa. Dusinha, você não se lembra?
― Eu nunca conheci nenhuma Valdusa. Como é que eu posso estar casado com uma mulher que eu nunca... Espera. Valdusa. Não era a mulher do, do... Um de bigode.
― Eduardo.
― Eduardo!― Exatamente. Eduardo. Você.
― Meu nome é Geraldo, Maria Ester.
― Valdusa. E, pensando bem, que fim levou o seu bigode?
― Eu nunca usei bigode!
― Você é que está querendo me enlouquecer, Eduardo.
― Calma. Vamos com calma.
― Se isto for alguma brincadeira sua...
― Um de nós está maluco. Isso é certo.
― Vamos recapitular. Quando foi que nós casamos?
― Foi no dia, no dia...
― Arrá! Está aí. Você sempre esqueceu o dia do nosso casamento. Prova de quev ocê é o Eduardo e a maluca não sou eu.
― E o bigode? Como é que você explica o bigode?
― Fácil. Você raspou.
― Eu nunca tive bigode, Maria Ester!
― Valdusa!
― Está bom. Calma. Vamos tentar ser racionais. Digamos que o seu nome sejamesmo Valdusa. Você conhece alguma Maria Ester?
― Deixa eu pensar. Maria Ester... 
Nós não tivemos uma vizinha chamada MariaEster?
― A única vizinha que eu me lembro é a tal de Valdusa.
― Maria Ester. Claro. Agora me lembrei. E o nome do marido dela era... Jesus!― O marido se chamava Jesus?
― Não. O marido se chamava Geraldo.
― Geraldo...
― É.
― Era eu. Ainda sou eu.
― Parece...
― Como foi que isso aconteceu?
― As casas geminadas, lembra?
― A rotina de todos os dias...
― Marido chega em casa cansado, marido e mulher mal se olham...
― Um dia marido cansado erra de porta, mulher nem nota...
― Há quanto tempo vocês se mudaram daqui?
― Nós nunca nos mudamos. Você e o Eduardo é que se mudaram.
― Eu e o Eduardo, não. A Maria Ester e o Eduardo.
― É mesmo...
― Será que eles já se deram conta?
― Só se a televisão deles também quebrou.
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