🙄 20 PENSAMENTOS DE CARL JUNG SOBRE AUTOCOMPREENSÃO

Podemos dizer que Carl Gustav Jung foi um psicólogo positivo e filósofo.

Em qualquer neurose ou depressão, ele via um impulso para a expansão da consciência.

Essas 20 frases deste discípulo de Freud, podem lhe ajudar a se compreender e se aceitar melhor, da forma como você é:

•1. Não prenda quem se afasta de você. Assim, quem deseja se aproximar de você não irá conseguir fazê-lo.

•2. Tudo aquilo que nos irrita nos outros nos leva a um melhor entendimento de nós mesmos.

•3. Se você é uma pessoa talentosa, não quer dizer que tenha recebido algo. Quer dizer que você pode dar algo.

•4. O encontro de duas pessoas é como o contato entre duas substâncias químicas: quando há uma reação, ambas se transformam.

•5. Nada tem uma influência psicológica mais forte em seu ambiente, e especialmente em seus filhos, do que a vida não vivida de um pai.

•6. A vida não vivida é uma doença que pode levar à morte.

•7. Sua visão só ficará mais clara quando você olhar para dentro do seu coração. Aquele que olha para fora, sonha.
Quem olha para seu interior, desperta.

•8. A solidão não chega por você não ter pessoas ao seu redor, e sim por não conseguir comunicar as coisas que são importantes para você, ou por manter certos pontos de vista que os outros consideram inadmissíveis.

•9. Me mostre uma pessoa sã e eu a curarei para você.

•10. Temos a tendência de olhar para o passado, para nossos pais; e para a frente, para nossos filhos, para um futuro que nunca iremos ver, mas do qual queremos tomar conta.

•11. Aquilo a que você resiste, persiste.

•12. A depressão é como uma senhora vestindo preto. Se ela chegar, não a expulse. É melhor convidá-la para a mesa e ouvir o que ela tem a dizer.

•13. Às vezes, as mãos resolvem um mistério com o qual o intelecto lutou em vão.

•14. O sonho é uma pequena porta secreta abrindo-se durante a noite cósmica que a alma era muito antes do surgimento da consciência.

•15. Um homem que não cruzou o inferno de suas paixões, nunca as superou.

•16. As pessoas fazem o que for, não importa o absurdo que seja, para evitar o confronto com sua própria alma.

•17. Eu não sou o que me aconteceu. Sou o que escolhi ser.

•18. Podemos chegar a pensar que não controlamos nada por completo. Porém, um amigo pode facilmente nos contar algo sobre nós de que não fazíamos nem ideia.

•19. “Mágico” é apenas outra palavra para definir a alma.

•20. De uma forma ou de outra, somos partes de uma só mente que tudo engloba, um único ’grande homem (…)’.

 🤔

EXISTE RECEITA PARA A FELICIDADE? – Edmir Silveira


Todos os dias pipocam dúzias de  textos sobre o tema Felicidade. Livros são lançados, artigos escritos, vídeos e todo tipo de arquivos são produzidos e vem se juntar a uma incontável biblioteca sobre o assunto. 

Ao refletirmos sobre isso, vemos que existem dezenas de rótulos cujo cerne é a felicidade: psicologia, filosofia, autoajuda, meditação, sexoterapias, práticas tântricas,  yogas e outras centenas de "cadeiras" da matéria. 

"Felicidade não existe, 
o que existe são momentos felizes".
Peninha

Por mais óbvia e simplória que essa frase pareça, a princípio, trás uma verdade incômoda e nem um pouco romântica. Em seu enunciado, já determina sua finitude inexorável. 

Que tipo de felicidade transcendental é essa que a humanidade tanto busca? Uma felicidade perene e inalterável, onde cessa a tristeza e a contrariedade?
Um "foram felizes para sempre..."

Assim colocado, fica fácil vermos que, sob esse ângulo, a felicidade é uma utopia absoluta

Mas, se a pensarmos como um gozo da existência, a filosofia "Peninha" é absolutamente verdadeira. 

A maioria de nós, que já passou de certa idade, tem plena certeza de que existem muitos momentos onde nos sentimos plenos. Pelos mais variados motivos. 

Saber perceber esses momentos, enquanto eles estão acontecendo, é fundamental. Porque a melhor parte de aprendermos com a vida, é que esse aprendizado pode determinar ser seremos ou não capazes de alcançar esses  momentos. Se desenvolvemos ou não a capacidade ser feliz. 

Ser feliz é um mérito pessoal. Uma conquista.

Quando nos damos conta de que, naquele segundo, estamos vivendo um desses momentos, eles se completa. Isso é saber viver o momento e requer um longo aprendizado. 

É por ele que a humanidade vive. Para sermos palco, em nosso interior,  de uma explosão espetacular de sentimentos e sensações que são absurdamente compensadora. 

Ás vezes, sua exteriorização não passa de um leve sorriso. Outras, é, literalmente, um gol do seu time num estádio lotado só com torcida a favor. Um espetáculo!

Para que esses momentos ocorram, é preciso que aconteça uma evolução sincronizada dos acontecimentos provocadores, únicos em cada ser.

Esse conjunto de fatores, muito pessoais e individualizados, se juntam e fazem nosso sistema orgânico produzir uma série de hormônios, em quantidades e proporções únicas, de tal forma que o resultado é a descarga daquelas sinapses únicas que provocam a sensação de Felicidade.

Esse processo é extremamente individual e único. Sequer no mesmo indivíduo acontece exatamente da mesma forma duas vezes. O simples fato de já ter ou de nunca ter acontecido já determina essa originalidade. 

Pensando assim, na felicidade como um conjunto de fatores que nos faz sentir bem por um período  de tempo, podemos sim encontrar esses ingredientes em atitudes diárias que nos proporcionem mais prazer do que incômodos. Com a frequência dos momentos prazerosos estaremos aumentando a possibilidades de que os fatores disparadores daquela sensação estejam presentes por mais tempo aumentando a chance de ser feliz.

Para que tenhamos o discernimento necessário para saber o que nos agrada, o que não faz diferença e o que realmente nos contraria profundamente , é preciso um autoconhecimento bem razoável.

Prestar atenção nos próprios sentimentos e reações é fundamental. Ter a capacidade de perceber onde estão nossos limites requer uma boa dose de autocrítica, sempre incomoda e perturbadora. Ninguém gosta de reconhecer limitações.

Depois dessa etapa, vem uma tão difícil quanto: estipular os nossos limites externos. 

Até onde deixar que os outros opinem,  influam e nos cobrem por nossas decisões de âmbito pessoal? Até onde deixar, e quem vamos deixar, "se meter na nossa vida".

Até onde dar satisfação de nossos atos, e a partir de onde nossas motivações e propósitos são questões sobre as quais não devemos satisfação a ninguém?

É complicado. Mas ninguém disse que não seria. 

Para procurar a receita, primeiro é preciso descobrir quais os ingredientes e que quantidades devem ser usadas para que o resultado nos traga a satisfação da vida com sabor. 

E, como seria  bom, se  pudéssemos deixar essa receita como herança para nossos filhos. Como a receita de um bolo da vovó.


Mas, infelizmente, essa receita só vai servir para você. É pessoal e intransferível. 

E, quando a gente pensa que está chegando a uma conclusão, entra mais alguém na história e dana-se tudo de novo. 

Se sozinho já é difícil, imagina a dois...

A FIDELIDADE SÓ É VERDADEIRA QUANDO É ESPONTÂNEA

A modernidade nos trouxe muitas benesses, porém, ao mesmo tempo, acabou por extrapolar alguns limites, em vários setores da vida. 

Quase mais nada se mantém em segredo, misturando-se público e privado, intimidade e ostentação, enquanto somos constantemente vigiados por câmeras de segurança, seguidores virtuais, hackers e curiosos de plantão.

O fato de haver uma nova modalidade de famosos, os quais conseguem amplos rendimentos apenas sendo quem são, lotando as redes virtuais de vídeos, fotos e dicas várias, leva muitas pessoas a visarem à fama cibernética, expondo-se nos canais da internet. Infelizmente, essa superexposição acaba por provocar vulnerabilidades na vida da pessoa, cuja intimidade passa a dispor de pouco tempo para se desenvolver longe dos holofotes.

Nesse contexto, em que os contatos se multiplicam, através das redes virtuais e dos aplicativos de celular, as chamadas tentações, as possíveis puladas de cerca, aumentam em quantidade e oportunidades. 

Por essa razão, muitos relacionamentos acabam por conta do que o parceiro acabou descobrindo no celular ou no computador do ex, o que motiva, inclusive, muitos casais a terem uma conta conjunta nas redes sociais. 

Saber as senhas do companheiro, para muitos, chega a ser quase que uma obrigação, uma vez que predomina a máxima de que quem não deve não teme.

Na verdade, quem quiser trair, irá trair, porque nada é capaz de segurar as rédeas de alguém que desconhece regras mínimas de um relacionamento a dois. Não será uma aliança no dedo, ou uma conta virtual conjunta, que inibirá o comportamento do outro, uma vez que o caráter é uma característica que se encontra dentro de cada um. 

Trata-se de princípios que a pessoa carrega dentro de si, os quais não são internalizados de uma hora para outra.

Vigiar, chantagear, prender, apertar, nada disso adiantará, caso a fidelidade não seja algo espontâneo, que já exista dentro do coração. Nada daquilo que for forçado durará por muito tempo, pois apertar demais espana, ou seja, uma ou outra hora, a verdade vence o fingimento e o que se é triunfa sobre tudo o mais. Se o parceiro realmente entender a importância da fidelidade, conseguindo colocar-se no lugar do outro minimamente, então a fidelidade poderá até vir. 

Do contrário, ninguém mudará e quem tentou forçar o que não era vontade própria sairá perdendo. É isso.
Marcel Camargo

AS VANTAGENS DE LER EM PAPEL

Os dispositivos digitais surgiram como uma alternativa a ler em papel. Não é incomum ver pessoas lendo na rua usando um telefone celular, um tablet ou um e-reader. 

No entanto, apesar das facilidades oferecidas por este tipo de dispositivo, como a integração de várias funções, o formato impresso ainda é o preferido da maioria dos leitores.

A que se deve essa preferência por ler em papel? Uma das causas está na facilidade para entender os textos. Ler um texto no papel parece facilitar a compreensão em comparação com ler em um meio digital. Em outras palavras, os meios digitais representam uma desvantagem quando se trata de entender textos. 

Mas de onde vem essa desvantagem?

Muitas pessoas previram a morte dos livros em papel. No entanto, a passagem do tempo tem negado essa afirmação. Embora seu uso tenha diminuído, os livros impressos ainda são os favoritos. A palavra impressa é preferida para ler em profundidade, inclusive por pessoas que dedicam a maior parte do tempo de leitura ao meio digital.

Isso se deve ao fato de que entendemos melhor o que lemos quando lemos no papel, especialmente quando temos pouco tempo para ler. Além do que intuiríamos, parece que as novas gerações entendem mais precisamente quando comparamos a leitura no papel a ler em um meio digital.

Ficou provado que quando as pessoas que leem no papel são avaliadas em relação às que leem em um meio digital, as primeiras obtêm melhores resultados. Também foi descoberto que aqueles que leem em um meio digital superestimam seu nível de aprendizagem. 

Ou seja, imaginam que seu nível de aprendizagem será maior do que realmente é.

Os benefícios da leitura

A explicação das vantagens de ler em papel em relação a ler em um meio digital deve-se a um déficit nos processos metacognitivos. 

Especificamente, em um déficit nos processos metacognitivos que são responsáveis ​​por monitorar a quantidade e qualidade da aprendizagem alcançada. Isto é, o que pensamos sobre os recursos cognitivos que serão necessários para aprender.

Portanto, quando lemos em um meio digital, fazemos estimativas mais distantes da realidade ao determinar os recursos cognitivos de que precisamos.

Os mesmos resultados comentados na seção anterior foram encontrados quando se limitava o tempo de leitura. Assim, quando havia um limite de tempo, tanto a estimativa quanto o aprendizado eram maiores quando se lia no papel do que quando se lia em um meio digital. Isso permitiu concluir que, de fato, a causa é um déficit metacognitivo.

Em resumo, é mais fácil aprender lendo textos no papel do que lendo textos em uma tela. A causa é a dificuldade no monitoramento metacognitivo, que provoca uma maior superestimação de aprendizagem e leva o aluno a uma atribuição insuficiente de esforço cognitivo. Em suma, a leitura na mídia digital nos leva a pensar que aquilo é mais fácil do que parece, e atribuímos menos recursos cognitivos do que realmente precisamos.

Por outro lado, o meio digital favorece um processamento mais superficial da informação. Isso afeta negativamente a leitura e a aprendizagem. Talvez o uso dos meios digitais para interações rápidas e apressadas nos leve a repeti-lo quando lemos.

A coisa não para por aí, já que fazer anotações à mão é mais eficiente do que escrever no computador. As anotações à mão tendem a ser mais elaboradas, e aqueles que as fazem obtêm melhores resultados nas provas.

Benefícios de ler em papel

Esses resultados têm importantes consequências na educação. A introdução da tecnologia digital nas salas de aula pode reduzir ou dificultar a aprendizagem. Talvez antes de optar diretamente pela tecnologia devido aos seus benefícios, devêssemos considerar os efeitos negativos para avaliar melhor as mudanças.

CIENTISTAS ENVIAM MENSAGEM DE UM CÉREBRO PARA OUTRO A 7.000 KM DE DISTÂNCIA


As interfaces cérebro-máquina são fascinantes. Elas apontam para um futuro no qual você pensará em comandos e eles serão enviados para outras pessoas através de um computador. Um novo estudo nos aproxima mais desse futuro.

Uma equipe de cientistas, liderada por Giulio Ruffini, conseguiu enviar uma mensagem do cérebro de uma pessoa na Índia para o cérebro de outra pessoa na França, a mais de 7.000 km de distância.

Como nota a Popular Science, o processo envolve diversos passos, mas não usa tecnologia de ponta: trata-se de software e hardware de neurorrobótica já criados nos últimos anos.

Na Índia, uma pessoa usa um capacete EEG (eletroencefalográfico), que mede a atividade elétrica do cérebro. Ele é conectado a um laptop, que exibe na tela um círculo branco em um fundo preto.

A pessoa então move esse círculo usando a mente. Se ele for para cima e para a direita, isso corresponde ao valor 1; se for para o canto inferior direito, o valor é 0.


Isso serve para codificar palavras na cifra de Bacon. Criado pelo filósofo e cientista Francis Bacon em 1605, o sistema transforma cada letra do alfabeto em um código binário de cinco algarismos. Por exemplo:

A = 00000
 B = 00001
 C = 00010
 D = 00011
 E = 00100

… e assim vai. Portanto, se você move o círculo cinco vezes para o canto inferior direito (valor 0), você “digita” a letra A.

Após digitar a mensagem, ela é enviada através da internet. Ao chegar à França, ela foi levada a uma máquina de estimulação magnética transcraniana. Esta máquina consegue enviar impulsos magnéticos através do crânio das pessoas.

Esses impulsos fazem você enxergar lampejos de luz no ar, e um braço robótico mira em diferentes partes do seu cérebro para esses lampejos aparecerem em locais diferentes – acima e abaixo do horizonte, por exemplo. Isso é um sistema binário, tal qual a cifra de Bacon.

Assim, se o lampejo aparece em um lugar, trata-se do valor 0; se aparecer em outro, é o valor 1. A pessoa vai listando esses valores e decifra a mensagem. As palavras “hola” e “ciao” foram decodificadas com sucesso através deste método.

Sim, tudo isso é muito complicado, e provavelmente não vamos nos comunicar assim no futuro. Mas é um começo, e bastante promissor.

E ele pode ir ainda mais longe: nós falamos por aqui sobre um experimento no qual o dedo de uma pessoa era controlado pelo cérebro de outra pessoa. Imagine poder enviar mensagens e até comandos para alguém! É mais uma vitória para as interfaces cérebro-máquina.
[PLOS One via Popular Science]

AS CONSEQUÊNCIAS DA IGNORÂNCIA: SAÚDE

Desde que me entendendo por gente, ouço pessoas esclarecidas falarem “só a educação salva o Brasil”, “Aos políticos é muito mais interessante que o povo continue ignorante”, “È fácil colocar cabresto em um povo ignorante”, e milhares de variáveis sobre esse mesmo tema. 

Hoje, as consequências estão aí para quem tinha alguma dúvida.

Isso só é Óbvio, para a minoria letrada,para outros foi motivo de cruzadas de uma vida inteira, no caso do saudoso, genial e brilhante Darcy Ribeiro.

Muito poucas personalidades notáveis, na política ou na cultura, se dedicaram tão profundamente e por tanto tempo, a vida inteira, a essa causa. E, talvez, por isso, poucos tinham ou tem idéia da importância vital dos pensamentos do professor. Ideologias à parte. Considero Darcy Ribeiro e o filósofo, escritor e professor de espantos Rubem Alves, os maiores pensadores sobre a educação na história do Brasil. Infelizmente, os dois já falecidos.

Iniciando essa série sobre as conseqüências nefastas e danosas, tanto a cada cidadão (seja ou não ignorante, todos sofremos essas conseqüências) quanto à evolução do Brasil como pátria e como nação.

Após séculos lutando contra os símbolos do sofrimento humano, as doenças endêmicas como sarampo, poliomielite, meningite, catapora e outras responsáveis por devastações de populações até o século 19/20, vemos que, no Brasil, essas doenças estão reaparecendo!

E, essa verdadeira e terrível ameaça a toda a população brasileira e, em última análise, mundial, deve-se diretamente a profunda disseminação da ignorância. E, pior, com essa enorme ignorância revestida de sofisticação evolutiva chamada “politicamente correto”. Sob alguns aspectos, louvável. Mas, apenas sob alguns.

Em sua maioria, essa prática está se mostrando desastrosa quando tira dos indivíduos a capacidade de fazer seu próprio juízo de valor, sem ser linchado publicamente. Todos temos nossas tabelas de classificação de valores e princípios. E, mais do que patrulhar os julgamentos alheios, devíamos nos dedicar mais a agregar informações que nos permitam angariar mais subsídios intelectuais e assim termos julgamentos melhores formados. 

Mas, hoje, basta juntar-se a algum grupo, assimilar o discurso daquele agrupamento e sair discutindo com todos que não pensem igual. Na dúvida, é só falar que seu interlocutor é burro e não sabe do que está falando. E, na maioria das vezes, ninguém sabe mesmo. Nos tornamos um país de ignorantes arrogantes. Seres insuportáveis que sequer tem uma vaga noção de quanto somos ignorantes como povo. E, além de ignorantes, manipuláveis com uma facilidade assustadora.

É muito fácil manipular quem mal sabe assinar o nome. Os que sabem, não conseguem entender o que mal conseguem ler. Quem não lê, mal pensa, mal fala, mal vê...

Só sabe de “ouvir falar”, que é a forma mais primitiva de aprendizado. A transmissão oral do conhecimento. No Brasil, constante vítima da brincadeira “telefone sem fio” ou do ditado popular “quem conta um conto aumenta um ponto”. Quem não sabe  ler, tem que confiar no que dizem para ela.

Então, não é de se espantar que doenças da idade média estejam voltando a atingir os brasileiros do século 21.

As pestes endêmicas que aleijaram, mataram e inutilizaram milhões de crianças no mundo, encontraram no Brasil um local perfeito para renascer. A Ignorância, não só dos analfabetos, mas também dos crentes de todas as espécies, que acreditam em “notícias e informações” produzidas por pessoas igualmente ignorantes ou, pior, muitíssimo mal intencionadas.

 Não podemos nos espantar com o surgimento de líderes políticos ou religiosos que sejam o retrato fiel de seus seguidores, ou seja, ignorantes e arrogantes. Mas, de  todos, o da pior espécie, e que mais mal faz a todos, é o ignorante líder. Os líderes políticos ou religiosos gerados por essa ignorância reinante são capazes dos maiores absurdos. São capazes de arrastar um país inteiro para a degradação e a miséria. Para o sofrimento intenso de seu povo até a morte. Seja por motivos idiotas ou fome.

Não tenho dúvidas. A Ignorância de nosso povo e a ganância corrupta e assassina de nossos governantes, são as maiores causas de mortes entre brasileiros de todas as idades, em todas as regiões. Os números dessa matança são devastadores. Inacreditáveis.

Só um choque de educação vai dar um novo gás ao país. Intenso, profundo, contínuo e cientificamente planejado, parar gerar cidadãos que consigam pensar. Esse é um grave problema de sobrevivência. Um grave problema de saúde.

Só com essa prioridade inalienável – prioridade é só 1, se forem duas, não é prioridade - obrigatória para todos os governantes do país, em todos os níveis de governo(municipal, estadual e federal), podemos sonhar com uma população que, pelo menos, entenda que se vacinar e vacinar os filhos contra doenças devastadoras não é uma escolha pessoal. 

É um dever como Ser Humano.
Edmir Silveira

SENSAÇÃO DE DÉJÀ VU. O QUE A CIÊNCIA JÁ SABE?

Déjà vu é matéria de discussão, filmes, livros, mistérios. Mas o que é exatamente déjà vu? “É o sentimento que você já fez exatamente a mesma coisa antes – já esteve naquele lugar ou já realizou aquela atividade em particular – quando você sabe que não fez”, explica a especialista no assunto, Anne M. Cleary.


Segundo Cleary, nem todo mundo experimenta a sensação, mas a maioria das pessoas sim. Talvez seja um curto-circuito no cérebro. Ou uma memória distante que escorregou para o presente. Ou as duas coisas e algo mais. Seja qual for o caso, o déjà vu não é apenas um sentimento estranho e irrelevante na vida: a melhor compreensão do fenômeno quase certamente levará a uma melhor compreensão de como nosso cérebro funciona.


Akira O’Connor, que estuda déjà vu na Universidade de St. Andrews, na Escócia, afirma que os jovens, da adolescência a meados dos 20 anos, experimentam mais déjà vu. Pessoas cansadas também têm a sensação com mais frequência, como aqueles que viajam muito. Mesmo com muitos mais anos armazenados em seus bancos de memória, as pessoas mais velhas não são tão propensas a déjà vu.


Quando a maioria de nós sente um déjà vu, achamos um pouco esquisito ou mesmo significativo – quem nunca pensou que poderia ser uma lembrança de uma vida passada?

A maioria simplesmente continua com seu dia. Outros não são tão sortudos: algumas pessoas sofrem de déjà vu, uma sensação de já ter vivido antes.


“Parece louco, até divertido, mas na realidade é extremamente inquietante e muda drasticamente o comportamento das pessoas”, conta O’Connor. “As pessoas acham que experimentam a sensação mais fortemente com novas experiências. Como eles acham essa situação inquietante, tendem a evitar a novidade, com a triste consequência de que podem retirar-se do mundo para um pequeno universo de familiaridade, assistindo reprises de filmes e programas de TV o tempo todo porque isso lhes traz menos angústia”, explica.


Não há nenhum tratamento para pessoas com essa condição, que é muitas vezes relacionada com problemas de memória e envelhecimento.

Mas como pode ter um tratamento se não há nem uma compreensão clara do que causa o déjà vu e sentimentos relacionados a ele?


Cleary afirma que algumas possíveis causas da sensação estranha incluem erros na forma como o cérebro processa o mundo que nos rodeia ou breves disfunções neurológicas, como uma atividade cerebral espontânea que desencadeia um sentimento inadequado de familiaridade, ou uma pequena convulsão. Também, múltiplas causas podem trabalhar juntas.


Por enquanto, os pesquisadores estão encontrando novas maneiras de analisar o déjà vu. Cleary está usando realidade virtual para ver se pode acionar o sentimento nas pessoas e descobrir exatamente o que em uma “cena” faz o déjà vu acontecer. Já se sabe que visão não é necessária, pois pessoas cegas têm déjà vu também.


“Os pesquisadores precisam descobrir o que causa a desconexão entre o sentimento de que algo é familiar, e saber que esse algo não pode ser familiar”, diz O’Connor. “Quero entender quais partes do cérebro estão associadas com o sentimento de familiaridade e quais partes estão associadas com o saber que algo deve ou não deve evocar memórias”, conta.
Por Natasha Romanzoti

A QUALIDADE DO SEU FUTURO - Edmir Silveira


TODOS NÓS DANÇAMOS UMA MÚSICA MISTERIOSA - Albert Einstein

“A escola fracassou comigo, e não eu com ela”.

Ela me deixou entediado. Os professores se comportavam como Feldwebel (sargentos). Eu queria saber o que eu queria saber, mas eles queriam que eu aprendesse para o exame. O que eu mais odiava era o sistema competitivo lá, e especialmente dos esportes. Devido a isso, eu não valia nada, e várias vezes eles sugeriram que eu saísse.

Era uma escola católica em Munique. Eu senti que a minha sede de conhecimento estava sendo estrangulada por meus professores; as notas eram sua única medição. Como pode um professor a compreender a juventude com tal sistema?

A partir de doze anos comecei a suspeitar da autoridade e desconfiar de meus professores. 
Eu aprendi principalmente em casa, primeiro do meu tio e, em seguida, de um estudante que vinha para comer com a gente uma vez por semana. Ele me mostrava livros sobre física e astronomia.

Quanto mais eu lia, mais confuso eu era pela ordem do universo e pela desordem da mente humana, pelos cientistas que não concordaram sobre o como, o quando, ou o porquê da criação.

Então, um dia esse aluno me trouxe ‘Crítica da Razão Pura’ de Kant. Lendo Kant, comecei a suspeitar de tudo o que me foi ensinado. Eu já não acreditava no Deus conhecido da Bíblia, mas sim no Deus misterioso expresso na natureza.

As leis básicas do universo são simples, mas porque nossos sentidos são limitados, não podemos compreendê-las. Há um padrão na criação.

Se olharmos para uma árvore lá fora com raízes buscando pela água por debaixo do pavimento, ou uma flor que exala o seu cheiro doce às abelhas polinizadoras, ou até mesmo nós mesmos e as forças interiores que nos impulsionam a agir, podemos ver que todos nós dançamos uma música misteriosa, e o flautista que toca a melodia de uma distância, com qualquer nome que queiramos dar-lhe: Força Criativa ou Deus, escapa todo o conhecimento dos livros.

Todos nós dançamos uma música misteriosa

A ciência nunca está terminada porque a mente humana utiliza apenas uma pequena parte de sua capacidade, e a exploração do mundo pelo homem também é limitada.

A criação pode ser espiritual na origem, mas isso não significa que tudo criado é espiritual. Como eu posso explicar essas coisas para você? Vamos aceitar o mundo é um mistério. A natureza não é nem exclusivamente material, nem inteiramente espiritual.

Homem, também, é mais do que carne e sangue

Caso contrário, nenhuma religião teria sido possível. Por trás de cada causa há outra causa; o fim ou o começo de todas as causas ainda não foi encontrado.

No entanto, apenas uma coisa deve ser lembrada: não há efeito sem causa, e não há nenhuma ilegalidade na criação.

Se eu não tivesse uma fé absoluta na harmonia da criação, eu não teria tentado por trinta anos expressá-la em uma fórmula matemática. É só a consciência do homem sobre o que ele faz com sua mente que o eleva acima dos animais, e permite-lhe tornar-se consciente de si mesmo e sua relação com o universo.

Eu acredito que eu tenho sentimentos religiosos cósmicos. Eu nunca poderia entender como alguém poderia satisfazer estes sentimentos ao orar a objetos limitados. A árvore do lado de fora é a vida, uma estátua está morta. Toda a natureza é vida, e vida, como eu a observo, dura e complexa,  rejeita um homem semelhante a Deus.

O homem tem infinitas dimensões e encontra Deus em sua consciência. [A religião cósmica] não possui outro dogma senão ensinar ao homem que o universo é racional e que o seu destino mais elevado é ponderar-lo e co-criar com suas leis.

Eu gosto de experimentar o universo como um todo harmonioso. Cada célula possui vida. A matéria, também, possui vida; É energia solidificada. Nossos corpos são como prisões, e estou ansioso para ser livre, mas eu não especulo sobre o que vai acontecer comigo.

Eu gosto de experimentar o universo como um todo harmonioso

Eu vivo aqui e agora, e minha responsabilidade é neste mundo agora. Eu lido com as leis naturais. Este é o meu trabalho aqui na Terra. O mundo precisa de novos impulsos morais que, temo, não virão das igrejas, fortemente comprometidas como têm sido ao longo dos séculos.

Talvez esses impulsos devem vir de cientistas na tradição de Galileu, Kepler e Newton. Apesar de falhas e de perseguições, estes homens dedicaram suas vidas para provar que o universo é uma entidade única, em que, creio eu, um Deus humanizado não tem lugar.

O cientista genuíno não é movido pelo louvor ou culpa, nem prega. Ele desvenda o universo e as pessoas vêm ansiosamente, sem ser empurradas, para contemplar uma nova revelação: a ordem, a harmonia, a magnificência da criação!

E conforme o homem se torna consciente das leis estupendas que governam o universo em perfeita harmonia, ele começa a perceber o quão pequeno ele é. Ele vê a pequenez da existência humana, com as suas ambições e intrigas, o seu crer em ‘eu sou melhor do que você’.

Este é o começo da religião cósmica dentro dele; a comunhão e o serviço humano tornar-se seu código moral. Sem tais fundamentos morais, estamos irremediavelmente condenados.

Se queremos melhorar o mundo não podemos fazê-lo com o conhecimento científico, mas com ideais. Confúcio, Buda, Jesus e Gandhi fizeram mais para a humanidade do qualquer ciência jamais fez.

Temos que começar com o coração do homem – com a sua consciência – e os valores da consciência só podem ser manifestados por um serviço altruísta para a humanidade.

A religião e a ciência caminham juntas. Como eu disse antes, a ciência sem religião é manca e religião sem a ciência é cega. Eles são interdependentes e têm um objetivo comum – a busca da verdade.

Por isso, é um absurdo para a religião proscrever Galileu ou Darwin ou outros cientistas. E é igualmente absurdo quando os cientistas dizem que não há Deus. O verdadeiro cientista tem fé, o que não significa que ele deve se inscrever em um credo.

O verdadeiro cientista tem fé, o que não significa que ele deve se inscrever em um credo

Sem religião não há caridade. A alma que é dada a cada um de nós é movida pelo mesmo espírito vivo que move o universo.

Eu não sou um místico. Tentar descobrir as leis da natureza não tem nada a ver com misticismo, embora em face da criação eu me sinta muito humilde. É como se um espírito se manifestasse infinitamente superior ao espírito do homem. Através da minha busca na ciência conheço os sentimentos religiosos cósmicos. Mas eu não me importo de ser chamado um místico.

Eu acredito que nós não precisamos nos preocupar com o que acontece depois desta vida, enquanto nós fazemos o nosso dever aqui, para amar e servir.

Eu tenho fé no universo, porque ele é racional. Leis ditam cada acontecimento. E eu tenho fé no meu propósito aqui na Terra. Tenho fé em minha intuição, a língua da minha consciência, mas não tenho fé em especulações sobre o Céu e o Inferno. Estou preocupado com este tempo aqui e agora.

Muitas pessoas pensam que o progresso da raça humana está baseado em experiências de natureza empírica, crítica, mas eu digo que o verdadeiro conhecimento está a ser obtido apenas através de uma filosofia da dedução. Pois é a intuição que melhora o mundo, não apenas seguir um caminho trilhado do pensamento.

A intuição nos faz olhar para os fatos não relacionados e depois pensar sobre eles, até que tudo possa ser traduzido em uma lei. Procurar por fatos relacionados significa manter o que se tem em vez de procurar novos fatos.

A intuição é o pai de novos conhecimentos, enquanto que o empirismo nada mais é que um acúmulo de conhecimento antigo. A intuição, não o intelecto, é o “abre-te sésamo” de si mesmo.

Na verdade, não é o intelecto, mas a intuição que leva a humanidade adiante. A intuição diz ao homem o seu propósito nesta vida.

Eu não preciso de qualquer promessa de eternidade para ser feliz. Minha eternidade é agora. Eu tenho um único interesse: cumprir o meu propósito aqui onde estou.

Este propósito não me é dado por meus pais ou meu ambiente. É induzido por certos fatores desconhecidos. Esses fatores tornam-me uma parte da eternidade”.  
Albert Einstein

Fonte do texto: Einstein e o poeta: Em Busca do Homem Cósmico (1983). A partir de uma série de reuniões William Hermanns teve com Einstein em 1930, 1943, 1948, e 1954. Você pode encontrar este e outros artigos de Einstein em “Einstein, o enigma do Universo”.
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O PERFUME DO RIO - Heloisa Seixas

Eu estava na praia quando caiu o temporal. Era um meio de tarde, não mais de quatro horas, e lembro-me de que estava deitada de frente para o mar do Leblon, lendo. De repente, senti uma chicotada nas costas. A areia me fustigou com tal violência que a revista me foi arrancada das mãos. Tapei os olhos, esperando que a ventania passasse. Mas não passou. Depois de me levantar com dificuldade, enquanto o vento me empurrava em direção ao mar, recolhi minhas coisas como pude e virei-me em direção à rua – justamente de onde vinha o vento. Enfrentei-o, caminhando quase agachada e ouvindo a algazarra dos banhistas que, sem exceção, corriam para se abrigar.

Num brevíssimo intervalo entre duas lufadas, olhei para cima. O céu, por trás dos prédios, era de um negro profundo, parecia saído de um filme de ficção científica. Um raio e um trovão simultâneos me fizeram baixar a vista e apertar o passo.

Não tinha ainda alcançado o outro lado da Delfim Moreira quando a chuva caiu. Uma chuva desalmada, de instintos assassinos, que me ensopou em segundos.

Corri para uma das ruas transversais, procurando abrigo. A rua estava deserta, ninguém à vista. Nem qualquer lugar que pudesse me servir de refúgio. No Rio, os prédios se cercaram todos de grades de ferro e suas marquises ficaram para além das lanças pontiagudas, em território proibido. Já não servem a ninguém em dia de chuva.

Eu estava a poucos quarteirões de casa, mas água e vento me batiam com tamanha violência que eu mal podia caminhar. Não havia alternativa a não ser parar em algum lugar e esperar passar a tormenta. Lembrei-me, então, do pequeno largo, um recuo, do lado direito da rua, que imaginei abrigado, senão da chuva, pelo menos da força do vento. Ainda com dificuldade e sentindo a água me açoitar as costas nuas, caminhei até lá.

O largo, cercado de prédios baixos e amendoeiras, me acolheu. De fato, ali ventava menos. Tremendo de frio e susto, esperei que a chuva passasse, encostada ao muro de um prédio antigo, cujas pedras ainda emanavam o calor da tarde. Abraçada à minha bolsa de lona, tão molhada quanto eu, fiquei ali, pensando em toda sorte de histórias sobre raios fulminantes.

Foram muitos minutos até que a tormenta recuasse. Mas, quando isso aconteceu, foi como se o mundo emergisse de uma paixão avassaladora e respirasse, salvo. Fechei os olhos.

E foi então que o cheiro das amendoeiras me invadiu.
Um cheiro ácido, verde, úmido – a alma das árvores delas se desprendendo, leve e lavada. Um aroma que a chuva acentuara, sem dúvida, mas que eu reconheci porque já o sentira antes, muitas vezes, sem que disso me desse conta. Agora ele estava apenas mais forte, mas a verdade é que sempre estivera lá. O cheiro das amendoeiras.

É esse o perfume do Rio.
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O DIA EM QUE NOSSA HISTÓRIA VIROU FUMAÇA - Edmir Silveira

Faz parte de algumas lembranças e descobertas mais queridas da minha infância. Foi aí que vi, pela primeira vez, o tamanho e a beleza da história do planeta e do universo. O dinossauro, a múmia, o meteorito. Sinto uma tristeza do tamanho do mundo. É muito difícil dizer adeus à nossa própria história. O Rio chora uma tristeza sem precedentes. A maior tragédia da história da nossa maltratada cidade. Te amo meu Rio de Janeiro. 
Edmir Silveira

A RELAÇÃO ENTRE PAIXÃO E CRIATIVIDADE - Erane Paladino

Essas duas forças intensas, capazes de romper as barreiras da razão, muitas vezes parecem caminhar juntas; o resultado dessa associação são obras de arte, música e literatura de inestimável valor não só para artistas e suas musas, mas para toda a humanidade.

“Pois toda essa beleza que te veste
Vem do meu coração que é teu espelho;
O meu vive em teu peito, e o teu
me deste.”
Soneto XXII – Shakespeare, 1609

“Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do seu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu.”
Eu te amo – Chico Buarque e
Tom Jobim, 1980

Quantas poesias, contos e romances têm falado de amor e de dor ao longo dos tempos? Encontros ardentes e avassaladores e paixões impossíveis, permeiam o imaginário de homens e mulheres e afetam pessoas de diferentes classes sociais, em variados contextos históricos e culturais. Parece haver um paradoxo entre forças intensas capazes de romper as barreiras da razão para jogar no infinito um oceano desordenado de sentimentos que, ao mesmo tempo, inundam a alma de amor... e medo.

Quem nunca se viu, pelo menos uma vez, inesperadamente apaixonado? A condição pode parecer única àquele que a vive, mas as referências a esse estado aparecem de inúmeras formas, representadas por diferentes povos. Numa dimensão sociológica, podem-se discutir os limites entre movimentos históricos e culturais e/ou crenças como elementos propulsores de processos psíquicos inerentes a essa condição humana de “apaixonamento”.

Ao lembrar os referenciais existentes desde a Grécia Antiga, o sentido do amor vem associado a algo bom, belo e verdadeiro. Em seu livro Sem fraude nem favor (1998), o psicanalista Jurandir Freire Costa refere-se a O banquete, de Platão e define o texto como representante do amor/sentimento único, inconfundível, universal e intrínseco à natureza do ser humano; um impulso dirigido a um outro, homem ou mulher, do sexo oposto ou do mesmo sexo, “um composto afetivo feito de desejo”. Na narrativa sobre o tema, Platão cria um encontro entre amigos num banquete onde o anfitrião, Agaton, chama a todos para um debate. Em seu discurso, Aristófanes apresenta seu conceito de amor: “...Porventura é isso que desejais, ficardes no mesmo lugar o mais possível um para o outro, de modo que nem de noite e nem de dia vos separeis? Pois se é isso que desejais, quero fundir-vos e forjar-vos numa mesma pessoa, de modo que de dois vos torneis um só e, enquanto viverdes, como uma só pessoa, possais viver ambos em comum, e depois que morrerdes, lá no Hades, em vez de dois serem um só, mortos numa morte comum.”

A ideia de falta e busca da completude presentes neste texto, escrito nos idos de 360 a.C., remete aos princípios do amor romântico. Tristão e Isolda, lenda celta com alguns escritos que datam do século XI, assim como Romeu e Julieta, de Shakespeare (século XVI), também seriam exemplos das histórias do amor impossível e arrebatador, que para ser eterno conduz ao desespero e à morte.

Mas, de qual amor falamos? Discutir esta ideia traz controvérsias. Na visão do filósofo André Comte Sponville, apresentada em Pequeno tratado das grandes virtudes (1999), há três manifestações: Philia, Ágape e Eros. De forma sintética, podemos definir Philia como o amor associado à amizade, ao companheirismo e reciprocidade, enquanto Ágape traz a ideia de benevolência e caridade de forma humanitária e desinteressada. Por esta ótica, a paixão se instala onde surge Eros, um amor a serviço deste deus ciumento e possessivo. O tormento e o prazer vêm juntos, pois este desejo, às vezes incontrolável, brota da falta.

Na origem da palavra Pathos, no grego, contempla-se a ideia de sofrimento, paixão e catástrofe. O filósofo francês René Descartes (1596-1650) agrega um cunho singular ao conceito, articulando-o ao contato com o novo e associando-o ao padecer e ao agir. Diante da surpresa, somos impelidos a alguma reação que nos desacomoda. A vida, assim como a paixão, inevitavelmente pedem movimento e imperfeição. Se o que for passional sugere passividade, vê-se nessa manifestação amorosa o padecimento e algum tipo de subserviência a sentimentos intensos e também angustiantes. Afinal, o que seria de Tristão e Isolda se não houvesse uma espada a separá-los? Ou de Romeu e Julieta se não existisse a forte interdição entre as famílias? É fascinante observar (e sentir) no amor/Eros uma força inconfundível de prazer num encontro amoroso aparentemente único, carregado de momentos de plenitude, porém sempre acompanhados de forte angústia.

TEXTURA DA ILUSÃO
Quem é o objeto da paixão? Talvez aquele que traga a esperança do resgate de um elo perdido. A psicanalista Melanie Klein, inspirada em Freud, diz que o bebê, desde o seu nascimento, sofre uma angústia de morte diante de sensações como dor, fome e frio. Sua fragilidade física e biológica o leva ao desamparo emocional. O encontro com o prazer de ser acalentado e cuidado gera uma sensação de bem-estar vivida como plena. O mundo para um bebê seria traduzido por Klein em termos absolutos: a gratificação gera sensações prazerosas totalmente boas, assim como a frustração leva a sensações de dor, ameaça e sofrimento. “Bom e mau” representariam o maniqueísmo do universo psíquico do bebê em seus primeiros meses de vida.

A paixão faz reviver instabilidades deste vínculo frágil e primitivo de dependência e apego. O escolhido, objeto da paixão, geralmente, é alguém que representa a esperança de alcançar o objeto bom idealizado. Muitas vezes, a pessoa pela qual nos apaixonamos tem atributos sutis, capazes de ativar e trazer para o presente experiências afetivas de modelos da primeira infância. Detalhes como o tom de voz, a forma de olhar ou a textura da pele, por exemplo, podem ser mais importantes como elementos catalisadores da paixão do que outros atributos aparentemente bastante significativos. A imagem e as expectativas valem mais. Daí sua associação com a ilusão. Sensações de entorpecimento, carregadas de fantasias que parecem preencher por completo os enamorados, os levam a perder o apetite e o sono e a diminuir sua capacidade de concentração nas divagações quase surreais.

MEMÓRIA DA DOR
Diante da solidão e da incompletude inevitáveis da condição humana, surge a paixão com a fantasia e a promessa de uma vida plenamente feliz, numa tentativa emocional de retorno a algum estágio anterior que negue o desamparo, o medo e os limites impostos pela vida. O paradoxo, porém, está na força que acompanha o desejo – já presente nas palavras de Platão – de um encontro perfeito, onde duas metades se unem e se fundem – livrando-nos da dor. Mas só existe o desejo quando há a constatação da falta.
A paixão denuncia, tanto no adolescente quanto no adulto, a expectativa de uma vida sem dor, separação ou solidão. Este ideal de amor total emerge do vazio e do desamparo que ainda pulsa, grita e traz a memória de dor. Há nos primórdios do desenvolvimento uma lembrança do vazio, fruto da sempre dolorida separação mãe/bebê.

E como a vida surpreende, a depender das condições, é possível encontrar possibilidades, criar-se. Segundo o psicanalista Donald Winnicott, há um espaço potencial, uma espécie de área infinita de separação: o bebê, a criança, o jovem ou o adulto podem preenchê-lo criativamente com o brincar que, com o tempo, transforma-se na herança cultural. Pode-se pensar nas dores da separação como bases psíquicas para a expressão artística e para o trabalho criativo como meio de reparar e atribuir outro significado à dor. As telas de Frida Kahlo, por exemplo, retratam explicitamente seu sofrimento físico e suas perdas afetivas, assim como as obras de Pablo Picasso ou Camille Claudel expõem as angústias de amores difíceis.

Apaixonados incansáveis são os poetas, os pintores, os escritores, os músicos, ou mesmo os médicos, professores, psicanalistas... Em comum têm o fato de construírem um universo a partir de um mundo interior muitas vezes dolorido. De alguma forma, deve-se a eles toda a gratidão por terem a generosidade de expor ao mundo suas almas sofridas, num movimento criativo de reavaliação que acaba por tocar no âmago de cada um de nós, construir novos paradigmas, traçar sempre um novo olhar para as infinitas e, por vezes, impensáveis possibilidades.

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