POR QUE GOSTAMOS DE MÚSICAS TRISTES?

Por que gostamos tanto de músicas tristes? Há algo magnético e atraente em canções como Tears in Heaven de Eric Clapton ou em Hallelujah de Leonard Cohen.

Trata-se de uma emoção musical que, longe de nos deprimir ou causar mal-estar, desperta nossos sentimentos mais profundos fazendo com que o mundo pare, que naveguemos em uma introspecção do nosso próprio ser.

Não estamos errados ao dizer que nas listas de músicas que fazem mais sucesso sempre existe uma com tons melancólicos.

Um exemplo é o da cantora britânica Adele. Sua carreira musical se baseia nessa quintessência, em uma tristeza, em um perfume permanente no qual a aceitação, as separações, a angústia e a solidão impregnam letras como as contidas na conhecida Hello.

Nós somos masoquistas? Por que sentimos tanto prazer ao ouvir Everybody Hurts, do REM, e todos aqueles outros títulos que ouvimos em um loop infinito mesmo que estejamos passando por um momento ruim?

O próprio Aristóteles já havia dito que a música tem o dom de “purificar”. Nessa primeira ideia já crescia o que hoje conhecemos como “catarse emocional”, um mecanismo através do qual permitimos a nós mesmos liberar sentimentos, sensações e emoções complexas.

Ninguém é imune ao efeito da música. A música é fascinante para o cérebro, e estudos como o realizado na Universidade McGill, em Quebec, e dirigido pela neuropsicóloga Valorie Sampoor, explicam que a atividade neuronal em áreas como o núcleo accumbens (relacionada com as recompensas) demonstraria que a música é tão importante para o ser humano quanto o alimento ou as relações sociais.

Nós gostamos de músicas tristes porque o nosso cérebro precisa delas

Os especialistas em músicas tristes dizem que uma das canções que teve maior impacto na história foi Nothing Compares 2 U, interpretada por Sinead O’Connor e escrita por Prince em 1985.

A música, a letra e um rosto feminino chorando em primeiro plano impactam quase imediatamente o mais profundo do nosso cérebro emocional.

É quase impossível não ficar impactado por inúmeras sensações, sentimentos que arrastam consigo lembranças do passado, sequências com as quais nos sentimos identificados.

É quase contraditório o fato de que podemos “desfrutar” sentindo emoções tristes. Esta premissa ou essa dúvida foi o que levou uma equipe de psicólogos, músicos, filósofos e neurologistas da Universidade de Tóquio a realizar uma série de estudos. Os dados foram publicados na revista Frontiers in Psychology e não poderiam ser mais interessantes. 

As músicas tristes produzem “emoções positivas” em nós

A maioria das pessoas gosta de músicas tristes, sabemos disso. No entanto, há algo que todos nós podemos comprovar: depois de ouvi-las não nos sentimos mal, muito pelo contrário.

Ou seja, não nos contagiamos pelo mal-estar, pelas perdas, pela dor de um término ou por uma decepção. Curiosamente, o que sentimos depois de ouvir músicas assim é bem-estar, alívio, tranquilidade.

Assim, uma das pesquisadoras deste trabalho, a doutora Ai Kawakami, especialista em música e emoções, diz que é necessário diferenciar a emoção sentida da emoção percebida ou indireta.

A música tem a qualidade de nos fazer perceber emoções indiretas: nos conectamos a ela, mas não “a sofremos”. Em outras palavras, não sentimos a música com a mesma intensidade de quando a vida nos pega de surpresa, com algo inesperado e desolador.

As músicas tristes têm a curiosa qualidade de nos conectar com as emoções mais profundas para depois sairmos delas sem danos. E não somente isso, nós emergimos com uma sensação de bem-estar.

As músicas tristes são “vacinas” para a vida
Leonard Cohen dizia que sempre que interpretava a música Hallelujah, de Jeff Buckley, sentia algo especial. Era como encontrar o equilíbrio em um mundo de caos, como buscar a reconciliação em todo conflito.

Assim, uma das razões pelas quais nós gostamos de músicas tristes é porque elas nos proporciona um pouco de paz, de introspecção e também de catarse emocional.

Esse tipo de música é uma vacina para as dificuldades da vida. De fato, recorremos a elas como fazemos com os livros que contam histórias dramáticas, ou quando escolhemos assistir a filmes tristes porque sempre nos transmitem algum ensinamento.

A magia destas emoções indiretas geradas por esse tipo de coisa tem dimensões genuínas e incrivelmente úteis.

Esses tipos de experiências artísticas nos libertam das emoções reais, mais cruas e dolorosas, que frequentemente nos paralisam em estados desagradáveis.

Nós gostamos de músicas tristes porque elas nos permitem ter contato com o nosso “eu” emocional de uma forma mais segura e, é claro, bonita.

Nós podemos viajar através das letras para momentos do nosso próprio passado; podemos chorar, desabafar e voltar intactos.

Nós podemos, inclusive, nos deixar levar pela beleza da música e pela letra para ter empatia com o artista, apreciar um instante de intimidade no qual podemos caminhar por este universo alheio cheio de profundas tristezas.

Seja como for, sempre saímos reconfortados, prontos para encarar nossas jornadas com mais temperança.

DELÍCIAS CONJUGAIS – Eliane Brum

A gente tem várias aqui em casa. Pelo menos uma vez por dia eu tenho vontade de afogar meu marido na pia. E vice-versa. Toda manhã, ele se irrita porque eu deixo cair um pouco de erva-mate no balcão da cozinha ao preparar meu sagrado chimarrão. Ele chama de “pozinho verde”, e uma vez teve o desplante de usar a bomba para tomar leite com toddy. Pela heresia ficou um ano sem pisar no Rio Grande do Sul. Ele diz que não me custa nada limpar o “pozinho verde”, e não me custa mesmo, mas eu respondo que é um ato de resistência contra a globalização. E, desde que ele implicou a primeira vez, oito anos atrás, se não cair na hora, eu mesma derrubo, só para manter posição.

Já eu implico que ele não desvira as mangas das camisas quando bota as ditas no cesto de roupa suja, o que me dá mais trabalho, porque apertar os botões da máquina de lavar é uma das minhas árduas tarefas na agenda doméstica. Tenho certeza de que ele faz de propósito, mas ele inventa uma cara de vira-lata toda vez que eu reclamo. E então denuncia que eu lambuzo o chão de amaciante. Eu tento não lambuzar, mas não consigo. Tenho duas mãos esquerdas e elas não se entendem.

Deixo tudo cair no chão e deveria mesmo ser proibida de comer em público, porque sempre derrubo metade na roupa. Na primeira vez em que fui levada para comer comida japonesa, quando me mudei para São Paulo, foi uma humilhação. Estava com o povo chique da redação da revista e eu, que me atrapalho com o garfo e a faca, não conseguia pilotar aqueles pauzinhos. Aqui em casa só temos facas sem fio, uma precaução para eu manter os meus dez dedos por pelo menos mais uns cinco anos.

Ele rouba minha escova de cabelo super máster plus. Eu sumo com a tesourinha de unha. Eu empesto a casa com a minha mania de comer sardinha em lata, ele sempre esquece o celular quando já estamos dentro do elevador. Eu faço um supermercado ao lado da cama, ele enche o banheiro com revistas de moto (!!!). 

Ele liga o ar-condicionado até quando lá fora faz menos de 10 graus, eu desligo o ar-condicionado mesmo que faça mais de 30. Eu durmo cedo e acordo cedo. Ele vira a noite e dorme de dia.

Ele gosta de ficar com os pés descobertos mesmo no inverno, eu durmo de meia até no verão. Eu falo de menos, ele demais.

E assim vamos nós pela vida, discutindo por coisas bobas porque não nos desentendemos por nada fundamental.

 Como hoje, quando ambos estávamos com preguiça de cozinhar. “Comida chinesa ou frango com polenta?”, ele pergunta. Mas sabe muito bem que eu prefiro frango com polenta porque o moço do restaurante da esquina traz junto feijão com arroz. 

Eu cedo, porque sei que ele adora comida chinesa e eu adoro ele, mas solto um humpft para marcar meu sacrifício. Aí ele diz: “Que bom que a gente não precisa sair para caçar um mamute, né?”. É, bem bom mesmo. E já entramos numa digressão absolutamente irrelevante sobre nosso papel na pré-história. Nem digo a ele que quem teria de sair atrás do mamute era ele, porque já estou rolando no tapete da sala.

Depois dou um suspiro bem feliz. Sim, o futuro do planeta é incerto e o nosso é terrivelmente certo. Mas, amanhã, pelo menos amanhã, eu tenho certeza de que ele vai implicar comigo por causa do “pozinho verde”.

O FASCÍNIO DO MOVIMENTO - Gláucia Leal

Nossa história é marcada pela ação antes mesmo da concepção, quando os espermatozoides empreendem uma corrida desesperada em direção ao óvulo com o objetivo de fecundá-lo. Ou seja, todos nós somos resultado desse primeiro movimento

Nossa história é marcada pela ação antes mesmo da concepção, quando os espermatozoides empreendem uma corrida desesperada em direção ao óvulo com o objetivo de fecundá-lo. Ou seja, todos nós somos resultado desse primeiro movimento – e ao longo da vida outros tantos pautam cada etapa do desenvolvimento. 

Abrimos e fechamos as pálpebras, movemos a língua para pronunciar sons e nos fazermos entender, sorrimos, exibimos no rosto o que sentimos, agitamos os braços, engatinhamos, andamos, pulamos, dançamos, chutamos, digitamos, atiramos objetos para longe e os trazemos para perto. 

Dentro do corpo o sangue corre, o ar entra e sai dos pulmões e os sinais eletroquímicos transmitidos pelos neurônios estão em constante atividade, acionando redes sinápticas e promovendo associações.

Também fora de nós nada parece estar parado. O ir e vir ao nosso redor – e a necessidade constante de nos deslocarmos – associa-se à energia vital, à busca da agregação. A tendência a simplesmente deixar-se ficar, sem ligar-se a nada (sem mover-se em direção a nada), aproxima-se da ideia de pulsão de morte, proposta por Freud.

Num outro plano, os movimentos (não por acaso chamados assim) sociais, culturais e econômicos são transformadores e afetam a maneira como as pessoas sentem, pensam e desejam. 

Nessa íntima comunicação entre o dentro e o fora, exemplos concretos ancoram ideias abstratas; sensações e ações que parecem triviais como franzir a testa, segurar objetos macios ou ásperos ou fazer sinal de positivo influenciam operações cognitivas complexas, julgamento social, linguagem, percepção e raciocínio.

Quando observamos gestos, certas regiões cerebrais impedem a transmissão de sinais do córtex pré-motor para os neurônios motores executores, um mecanismo parcialmente inexistente em pessoas com ecopraxia (imitação repetitiva de movimentos). 

Quando nos curvamos diante de um paciente com essa síndrome neurológica, ele também se curva – simplesmente imita o gesto, sem saber por que o fez. O limiar entre a simulação interna e a atividade motora concreta, porém, muitas vezes é reduzido também em pessoas saudáveis – como no caso do bocejo, altamente contagiante. E sim, há movimento no bocejo, assim como nas expressões faciais, no sorriso, no pensamento. 

É dessa gama de movimentos, mais ou menos sutis, intimamente conectados ao cérebro e à mente que trata esta edição especial Corpo e cérebro em movimento. 

Por mais quietos que estejamos – como neste momento, lendo este texto – universos físicos e mentais se movem em nós. Para dar continuidade a esse processo fascinante, basta continuar deslizando os olhos linha após linha pela edição.

DE ONDE VEM A NOSSA DOR? - Martha Medeiros

A dor nas costas vem das costas, a dor de estômago vem do estômago, a dor de cabeça vem da cabeça. E sua dor existencial, vem de onde?

Ela vem da história que você meio que viveu, meio que criou – é sabido que contamos para nós mesmos uma narrativa que nem sempre bate com os fatos. Nossa memória da infância está repleta de fantasias e leituras distorcidas da realidade. Mesmo assim, é a história que decidimos oficializar e passar adiante, e dela resultam muitas de nossas fraturas emocionais.

Nossa dor existencial vem também do quanto levamos a sério o que dizem os outros, o que fazem os outros e o que pensam os outros – uma insanidade, pois quem é que realmente sabe o que pensam os outros? Pensamos no lugar deles e sofremos por esse pensamento imaginado. Nossa dor existencial vem dessa transferência descabida.

Nossa dor existencial, além disso, vem de modelos projetados como ideais, a saber: é melhor ser vegetariano do que comer carne, fazer faculdade de medicina do que hotelaria, namorar do que ficar sozinho, ter filhos do que não ter, e isso tudo vai gerando uma briga interna entre quem você é e entre quem gostariam que você fosse, a ponto de confundi-lo: existe mesmo uma lógica nas escolhas?

Como se não bastasse, nossa dor existencial vem do que não é escolha, mas destino: quem é muito baixinho, ou tem cabelo muito crespo, ou é pobre de amargar, ou tem dificuldade de perder peso vai transformar isso em uma pergunta irrespondível – por que eu? – e a falta de resposta será uma cruz a ser carregada.

Nossa dor existencial vem da quantidade de nãos que recebemos, esquecidos que somos de que o “não” é apenas isso, uma proposta negada, um beijo recusado, um adiamento dos nossos sonhos, uma conscientização das coisas como elas são, sem a obrigatoriedade de virarem traumas ou convites à desistência.

Nossa dor existencial vem do bebê bem tratado que fomos, nada nos faltava, éramos amamentados, tínhamos as fraldas trocadas, ninavam nosso sono, até que um dia crescemos e o mundo nos comunicou: agora se vire, meu bem. Injustiça fazer isso com uma criança – alguém aí por acaso deixou totalmente de ser criança?

Nossa dor existencial vem da incompreensão dos absurdos, da nossa revolta pelos menos favorecidos, da inveja pelos mais favorecidos, da raiva por não atenderem nossos chamados, por cada amanhecer cheio de promessas, pela precariedade das nossas melhores intenções e pela invisibilidade que nos outorgamos: por que nunca ninguém nos enxerga como realmente somos?

Dor de dente vem do dente, dor no joelho vem do joelho, dor nas juntas vem das juntas. Nossa dor existencial vem da existência, que nenhum plano de saúde cobre, de tão difícil que é encontrar seu foco e sua cura.

ASSUMIR O CONTROLE DAS NOSSAS VIDAS

Você já leu A Metamorfose, de Franz Kafka? Nesse romance, um menino se levantou uma manhã e se transformou em uma espécie de barata. Nós também queremos um passe de mágica como este, mas ao contrário: queremos acordar uma manhã e ter todos os nossos problemas resolvidos. Seria ideal, não? No entanto, esse pensamento não é muito funcional. Portanto, o melhor plano é assumir o controle da vida.

“Um dia tudo vai mudar e ficar melhor”, “Você vai ver como tudo vai melhorar”… quantas vezes repetimos esse tipo de frase? Por alguma estranha razão, quando a vida não vai bem, tendemos a pensar que algo externo produzirá a mudança. De repente, algo vai mudar a direção dos eventos e tudo vai melhorar.

Parece que estamos convencidos de que todos os problemas serão resolvidos. No entanto, as coisas não funcionam dessa maneira: sua vida depende de você.

“Felicidade não é algo feito. Ela vem das suas próprias ações”.
-Dalai Lama-

Um ótimo segredo

Outro grande segredo é que a vida não se resolve sozinha. Se queremos assumir o controle da vida, isso significa fazer a nossa parte. Conheci muitas pessoas que querem deixar um relacionamento ou deixar para trás uma situação desconfortável, mas são incapazes de tomar decisões. Eu também conheço muitas pessoas que reclamam repetidas vezes de como tudo está indo mal, no entanto, elas não são capazes de ver seu papel neste jogo. No romance de Kafka tudo parece acontecer por mágica, mas a realidade não é assim.

Quando esse tipo de situação começa a ocorrer com frequência, podemos estar falando do conceito de vitimização, através do qual tendemos a pensar que somos vítimas de tudo que acontece ao nosso redor. Não somos conscientes do poder que temos em nossas mãos e culpamos os eventos externos pelo mal que nos acontece e o quão azarados somos. Sem dúvida, uma das atitudes mais prejudiciais que podemos ter.

Se você às vezes se lamenta com frases do tipo “tudo de ruim acontece comigo” ou repete expressões semelhantes como se fossem mantras cada vez que acontece de algo negativo, você vai acabar acreditando que isso é verdade e se transformará em agente passivo da sua vida, ou seja, uma pessoa sem capacidade de agir. Todos passamos por situações diferentes, às vezes melhores, às vezes piores. Inclusive, às vezes vários eventos adversos ou situações favoráveis acontecem de forma sucessiva uma após a outra.

Assumir o controle da vida
Uma grande parte da vida depende de como decidimos encará-la, por piores que as coisas estejam. Existem pessoas que, diante da adversidade, sempre mostram um sorriso de orelha a orelha, e outras que só dizem frases cheias de negatividade e assumem gestos hostis em relação a si mesmos, aos outros e a tudo ao seu redor.

O melhor de tudo é que, embora pareça mentira, você também pode escolher. Você tem o poder de escolher viver sua vida com serenidade, aconteça o que acontecer, ou escolher viver com um alto nível de ansiedade e frustração.

Que comece a mudança
No budismo, há um termo cuja descrição poderia preencher centenas de páginas mas, resumidamente, é conhecido como a Lei da Causa e Efeito, isto é, o Karma. De acordo com o Karma, se você plantar uma semente positiva, colherá frutos positivos.

E o que isso tem a ver com a mudança em nossa vida? Muito simples. Aqueles que querem uma mudança têm que agir. Nada externo virá para resgatá-los. Toda a energia que você gasta sonhando com uma vida melhor pode ser investida para começar a percorrer um novo caminho, para assumir o controle da sua vida. Porque o novo caminho só depende de você, de mais ninguém. Então, se você começar a plantar as sementes da mudança, a mudança virá.

A mudança custa, requer um esforço e nem todos estão dispostos a realizá-lo. Não podemos fingir mudar nossas vidas sem modificar absolutamente nada no dia a dia. Por muitos anos agimos de uma forma específica e isso deixa padrões de comportamento muito marcantes em cada um de nós. O que isso significa? Que tentamos solucionar os problemas na mesma direção, embora muitas vezes percebamos que não é a melhor forma.

Você já teve colegas de classe que, apesar de passarem o dia estudando, reprovaram? A grande maioria de nós conhece casos de pessoas muito próximas que insistem em usar os mesmos métodos, apesar de obterem resultados insatisfatórios. Suas crenças residem no fato de que o esforço não foi suficiente, no entanto, geralmente o problema está na base.

Se você estudar muito e reprovar, qual pode ser o problema? O método. É aí que devemos trabalhar, em mudar a abordagem e o método através do qual queremos alcançar nossos objetivos.

Assumir o controle da vida implica ação, esforço e consciência.

Os primeiros passos para assumir o controle da vida

O primeiro passo para assumir o controle da nossa vida é analisar o que queremos mudar. Que aspectos da nossa vida gostaríamos de melhorar? É muito importante sermos honestos com nós mesmos.

Nós tendemos ao autoengano, à mentira, para não reconhecer nossos fracassos ou a não trabalhar no que é necessário. Mas isso é um erro. A sinceridade é importante, além disso, é um trabalho que faremos internamente, por isso não precisamos contar a ninguém.

O segundo passo é observar o que fizemos até agora para que tudo permanecesse igual. Como têm sido nossas estratégias? Por que acabamos da mesma maneira? Por que não houve uma mudança no aspecto que gostaríamos de mudar? Devemos observar se nossa tendência tem sido repetir as mesmas estratégias várias vezes e, se esse for o caso, é hora de mudar.

O terceiro passo para assumir o controle da vida vida, quase mais importante que as anteriores, é superar o medo. O medo é uma emoção primária muito necessária que pode salvar nossas vidas em momentos de perigo, mas quando ele invade a vida diária, começa a representar um problema.

Essa emoção tende a nos paralisar e a nos deixar presos em nossa zona de conforto. Preferimos continuar indo mal ao invés de enfrentar algo novo pelo simples fato de que sentimos medo do que pode acontecer ou de ter que deixar para trás certos aspectos da nossa vida.

O que você acha de, se em vez de ficar no sofá esperando a vida mudar, você se levantar e começar a mudar você mesmo? Tenha autoconfiança. Garanto que você começará a ver resultados que nunca teria imaginado. Como diz um famoso ditado: para percorrer mil quilômetros, é preciso dar o primeiro passo.

PARAR DE FALAR COM ALGUÉM COMO PUNIÇÃO

O silêncio às vezes cumpre a função de castigo. Parar de falar com alguém é uma saída que muitas pessoas utilizam para “expressar” sua raiva, sua insatisfação ou suas reprovações. Até que ponto esse método é eficaz para resolver um problema ou fazer a outra pessoa mudar? O que significa a decisão de evitar as palavras quando há um ressentimento queimando por dentro?

Estabelecer um diálogo com alguém não é fácil, especialmente se houver um conflito que não parece ter possibilidades de solução. Mas se, em vez de abordar o tema diretamente, o que se faz é parar de falar com a outra pessoa, a única coisa que se consegue é criar uma tensão adicional. Ao conflito não resolvido se soma um limbo que pode se tornar uma verdadeira incubadora de veneno.

“Fale para que eu te veja.”
-Sócrates-

Muitas pessoas, porém, no fundo não têm interesse de resolver o conflito por meio do diálogo. O que elas desejam é que o outro se submeta ao ponto de vista delas. Então, utilizam o silêncio como castigo para que o outro desista. Por fim, trata-se de uma atitude infantil e o pior é que não resolve nada. Isso proporciona apenas uma recompensa egoísta.

As razões para castigar com o silêncio
Há todo tipo de argumento para defender a ideia de que parar de falar com alguém é válido. No fundo, o que se busca é castigo. Fazer a pessoa entender que há uma reprovação nessa ausência de palavras. Mas por que não dizer em vez de querer demonstrar por meio do silêncio? Essas são as principais razões que defendem aqueles que preferem tal medida:

• É melhor parar de falar com uma pessoa do que participar de uma discussão na qual há troca de insultos.
• Essa pessoa não me escuta. Por mais que eu peça que ela mude, não me dá ouvidos. Então, é melhor não dizer nada porque não faz diferença.

• Ela precisa se desculpar comigo pelo que fez (ou me disse, ou não fez, ou deixou de dizer). Até que ela o faça vou ficar sem falar.

• Qual é o sentido de falar se sempre chegamos ao mesmo ponto? Melhor parar de falar para ver se ela entende que eu não vou ceder.

Em todos os casos se afirma que o silêncio é a melhor opção para lidar com o conflito. Por uma razão ou outra, a palavra se mostrou ineficaz. Recorre-se, então, à decisão de parar de falar com alguém para que essa atitude seja entendida como um castigo e, como consequência, fazer o outro reconsiderar sua atitude.

Parar de falar com alguém é agressivo
Um silêncio pode ter inúmeros significados. Alguns deles são realmente violentos. Parar de falar com alguém é assumir uma atitude passivo-agressiva.

Isso quer dizer que é uma violência com a outra pessoa, mas de maneira implícita. Na maioria das vezes, esse tipo de atitude é tão ou mais nocivo que a agressão direta. Isso é verdadeiro porque a violência se transforma em um vazio suscetível a qualquer tipo de interpretação.

Para quem para de falar com outra pessoa há motivos claros. Também existe uma expectativa clara frente ao que essa situação deve ter como desfecho. Mas quem utiliza esse tipo de recurso deveria tentar responder a algumas perguntas, como: Você tem certeza de que a outra pessoa realmente compreende o significado do seu silêncio? Você realmente acredita que a melhor maneira de conseguir uma mudança ou fazer a pessoa agir como você quer é por meio da ausência de diálogo?

O silêncio aumenta as distâncias. E a distância não costuma ser uma boa aliada para a compreensão ou para restabelecer laços partidos. Pelo contrário, contribui ainda mais para aumentar as diferenças.

Por outro lado, parar de falar com alguém pode funcionar momentaneamente. O castigo é imposto e a outra pessoa reage: volta para se desculpar, promete mudanças ou fazer o que você quiser. Mas, a longo prazo acaba incubando pequenos ressentimentos que podem crescer. O silêncio raras vezes resolve um conflito ou dá lugar a uma solução, apenas encobre.

As funções saudáveis do silêncio
É verdade que às vezes é melhor não falar nada. Quando estamos muito exaltados, por exemplo. A ira nos faz exagerar e nos traz mais preocupações por ferir o outro do que por expressar realmente o que pensamos ou sentimos. Nessas condições, nada melhor que parar de falar enquanto recuperamos a compostura. Em circunstâncias assim, acaba sendo uma decisão inteligente.

Por outro lado, parar de falar para castigar ou tentar fazer a outra pessoa “se render”, como dissemos, raramente traz bons resultados. Às vezes enfrentamos o desafio de expressar a nossa ira ou a nossa irritação, mas sem ferir o outro. A saída não está em parar de falar, mas em buscar e encontrar os meios para construir pontes na direção da compreensão.

A ausência de palavras pode fazer o outro ceder, o que não significa que o conflito desapareceu. Por outro lado, também pode acontecer de a outra pessoa não agir como o esperado, e o que no início era um floco de neve se transforma em uma avalanche.

Talvez seja necessário encontrar melhores condições para conversar. E também uma forma diferente de expressar a nossa insatisfação. Trocar o espaço cotidiano por outro mais aconchegante e amável às vezes contribui para uma renovação na comunicação.

Falar com o coração, sempre se referindo às coisas que você sente e não ao que você supõe que o outro sente, é uma fórmula que não costuma falhar. Experimente.
Fonte: Rincón de la psicología
____________________

MELATONINA: O HORMÔNIO DO SONO E DA JUVENTUDE

A melatonina sempre despertou muito interesse no meio científico. Além de ser responsável pelos nossos ciclos de sono e vigília, ela também é a chave para o funcionamento do nosso relógio biológico. Na verdade, para muitas pessoas é aqui que se encontraria o tão buscado segredo para impedir o envelhecimento, para frear a deterioração e atingir idades mais avançadas gozando de um melhor estado físico e psicológico.

Uma coisa dessas pode parecer à primeira vista pouco mais que uma quimera, uma coisa impossível. No entanto, o neuroendocrinologista Walter Perpaoli nos explica no seu livro “O milagre da melatonina” que suas pesquisas no departamento de Medicina da Universidade de Richmond (Virgínia) estão apresentando bons resultados em nível laboratorial.

“A melatonina é o hormônio da serenidade,
do equilíbrio interno e da juventude.”
-Walter Pierpaoli-

Vale dizer que ainda precisaremos esperar algumas décadas para obter resultados mais conclusivos, mas isso não impediu que desde então a febre pela melatonina aumentasse ainda mais desde que as indústrias farmacêuticas enxergaram nela uma mina de ouro. Sabe-se que nos Estados Unidos, por exemplo, chegam a ser produzidos mais de 20.000 frascos de melatonina sintética por dia.

Muitas das pessoas que a consomem não o fazem apenas para regular um pouco melhor seus ciclos de sono. Foi demonstrado que a melatonina diminui na puberdade e que na chegada dos 40 anos nosso corpo reduz sua síntese de forma bastante drástica. Portanto, o segredo para conservar um pouco mais a nossa juventude estaria – aparentemente – em repor esse déficit de melatonina.

No entanto, os benefícios desse hormônio vão muito além de impedir o aparecimento de uma ou outra ruga ou dos cabelos brancos, já que seu papel na nossa saúde e no equilíbrio psicológico é simplesmente incrível.

O que é a melatonina?

A melatonina ou o N-acetil-5-metoxitriptamina é um hormônio sintetizado a partir do triptofano que é produzido na glândula pineal. Ao mesmo tempo, é interessante saber que não são apenas as pessoas e os animais que possuem esse sofisticado e precioso elemento biológico, já que ele também está presente nas bactérias, nos fungos e em algumas algas. É, por assim dizer, o segredo da vida.

Por outro lado, e para que a melatonina possa ser produzida normalmente, o corpo precisa receber os diferentes padrões de luz e sombra que ocorrem ao longo do dia. Essa combinação entre o estímulo luminoso que chega pela retina, os pinealócitos na glândula pineal e o núcleo supraquiasmático do hipotálamo são os elementos que orquestram a síntese.

Sabe-se, por exemplo, que por volta das 20 horas nosso nível de melatonina começa a subir. Ele vai aumentar de forma progressiva até mais ou menos 3 horas da manhã, momento em que nossa temperatura corporal costuma ser mais baixa. É o que os cientistas chamam de “tempo biológico zero”. A partir desse momento, o nível de melatonina decai de novo.

Como curiosidade, vale dizer que se conseguiu isolar a melatonina da glândula pineal há pouco tempo. Foi em 1958 que se descobriu a importância desse hormônio no nosso ritmo circadiano. Desde então, a ciência tem se aprofundado ainda mais, estudando seu papel na depressão, na obesidade e nas doenças neurodegenerativas.

Qual é a sua relação com o sono?

Patrícia tem 52 anos e há alguns meses tem sofrido de insônia. Como a maioria de nós já ouviu e leu em várias fontes, “a melatonina nos ajuda a dormir”. Assim, sem pensar, vamos à farmácia e compramos um frasco para ver como isso funciona. Não é preciso receita médica para comprar melatonina, fazer isso nas farmácias é simples, econômico e à primeira vista parece ser o “remédio perfeito”.

No entanto… Será que é mesmo verdade que a melatonina pode nos ajudar a acabar com a insônia?

Bem, é importante entender que a melatonina, na realidade, induz ao sono, mas não nos mantém nesse estado.  Ou seja, quando Patrícia tomar sua primeira cápsula de melatonina às 23 horas é muito provável que ela durma, mas certamente vai acordar após algumas horas.

Os suplementos de melatonina na realidade podem ser muito úteis para lidar com as mudanças de fuso horário, assim como para nos ajudar com aqueles turnos de trabalho em que frequentemente não temos outra opção senão dormir de dia para trabalhar à noite.

Também é muito eficaz para pessoas com déficits visuais.

Além disso, foi demonstrado que também é útil para reduzir a dor associada a diferentes tipos de dores de cabeça.

Paralelamente, vale levar em consideração outro aspecto importante sobre esses suplementos de melatonina. Geralmente cada comprimido contém entre 3 e 10 miligramas de melatonina, quando na realidade nosso organismo já reage com meio miligrama.

Regular a melatonina para dormir bem.

Os únicos estudos que apoiam a eficiência do uso da melatonina sintética para tratar da insônia o fazem quando a pessoa sofre do que se conhece como síndrome do atraso das fases do sono (SAFS). Trata-se de um transtorno no ritmo circadiano que provoca insônia, mudanças de temperatura, problemas hormonais e de atenção.

A melatonina nas pessoas que sofrem de estresse.

A melatonina pode ser uma bênção para pessoas que costumam levar uma vida com alto nível de estresse e que, além disso, devido ao trabalho, são obrigadas a passar muitas horas em ambientes onde há apenas luz artificial. Vamos pensar por exemplo nos médicos, nas enfermeiras, nos auxiliares de enfermagem ou em qualquer operário que trabalhe durante longos turnos, perdendo a noção do dia ou da noite.

Há muitas pessoas que, devido à pressão do trabalho acabam dormindo muito pouco e comendo mal. Esse estilo de vida provoca uma queda preocupante do nível de melatonina. Com isso, surge o risco de depressão e de outras doenças associadas.

Ao mesmo tempo, uma pequena quantidade de melatonina liberada no nosso corpo faz com que nosso ritmo circadiano se altere ainda mais. O sistema imunológico se enfraquece e passamos a não ter mais um dos melhores antioxidantes biológicos que possuímos, que é capaz de reparar o dano celular e frear o envelhecimento precoce.
Estresse do dia a dia

Se nos encontramos em alguma dessas situações, é vital consultar um médico sobre a pertinência de utilizar a melatonina sintética ou se é melhor a nos limitarmos a melhorar nossa dieta e ajustar um pouco melhor nosso estilo de vida.

Melatonina contra o envelhecimento e os processos degenerativos

Assim como afirmamos no início do artigo, à medida que vamos nos tornando mais velhos, a melatonina para de ser produzida na mesma quantidade. No entanto, essa baixa não se traduz apenas em uma produção noturna um pouco mais deficiente ou em abrir caminho a um envelhecimento progressivo.

Há um dado que não podemos menosprezar: esse hormônio também sincroniza os ritmos dos nossos neurotransmissores cerebrais. Assim, o que experimentamos ao longo do tempo é uma perda das nossas capacidades cognitivas, como a atenção ou a memória.

Paralelamente, a falta de melatonina contribui para o aparecimento de algumas doenças como o Alzheimer ou o Parkinson.

Isso explica o fato de muitos profissionais da saúde recomendarem aos seus pacientes com mais de 55 anos o consumo de complementos à base de melatonina com o objetivo de prevenir – e até mesmo reverter – o processo neurodegenerativo associado ao dano mitocondrial que a queda da melatonina provoca.

Esse é um dado interessante que é conveniente considerar.

Como podemos melhorar nossos níveis de melatonina de maneira natural?

É muito provável que, após ler todos esses benefícios associados à melatonina, nossa primeira reação seja ir até uma farmácia e comprar um frasco. Devemos ressaltar que isso não é recomendado. São os médicos que devem recomendar ou não o uso da melatonina, assim como a dose e o intervalo da administração. Não podemos nos esquecer de que cada pessoa precisa de uma dose específica e é só assim que poderemos perceber sua eficiência.

Portanto, e antes de se automedicar, sempre está nas nossas mãos estimular a produção de melatonina de maneira natural através de algumas simples estratégias.

Na medida do possível, e se nossas obrigações diárias permitirem, é bom viver em harmonia com os ciclos de luz. Um erro que a maioria das pessoas comete é deixar as noites sobrecarregadas com a luz artificial dos aparelhos eletrônicos, como o computador, o tablet, o celular… Tudo isso afeta a nossa glândula pineal.

Ao mesmo tempo, é importante que nossa dieta seja rica em um tipo de aminoácido muito especial: o triptofano. Graças a ele sintetizaremos quantidades adequadas de melatonina e também de serotonina.

Esses são alguns dos alimentos: 
A gema do ovo.
Banana, abacaxi, abacate e ameixa.
O chocolate amargo é bom para elevar o nível de triptofano para sintetizar melatonina de forma neutra.
Alga spirulina.
Agrião, espinafre, beterraba, cenoura, aipo, alfafa, brócolis, tâmaras.
Oleaginosas (amêndoas, nozes, pistache, castanha de caju…).
Sementes (gergelim, abóbora, girassol).
Cereais integrais.
Levedura de cerveja.
Leguminosas (grão-de-bico, lentilha, feijão, soja…)
Chocolate produz melatonina

Para concluir, assim como vimos, a melatonina é muito mais que um hormônio que regula nosso ciclo de sono e vigília. Também é a molécula da juventude, do bem-estar psicológico e, por sua vez, a ponte que nos une aos ritmos naturais do nosso planeta para viver em sintonia com ele.
Um aspecto da vida que aparentemente estamos esquecendo.

Referências bibliográficas: 
Lewis, Alan (1999). Melatonin and the Biological Clock. McGraw-Hill 
Pierpaoli, Walter (1996) El milagro de la melatonina. Barcelona: Unrano 
Buscemi N, Vandermeer B, Pandya R, Hooton N (2004), Melatonin for treatment of sleep disorders. McGraw-Hill
Turek FW, Gillette MU (2004). Melatonin, sleep, and circadian rhythms. Lancet

AS NECESSIDADES HUMANAS E O SIGNIFICADO DA CULTURA - Ashley Montagu

Todo ser humano nasce com certas necessidades básicas, ingênitas, que precisam ser satisfeitas para que o organismo sobreviva. As necessidades básicas são as de: oxigênio, alimento, líquido, repouso, atividade, sono, exoneração dos intestinos e da bexiga, fuga de situações amedrontadoras e evitação da dor.

Em conexão com cada uma delas, todo ser humano está sujeito aos ensinamentos da sua cultura. Todos respiramos, comemos, bebemos, descansamos, dormimos e eliminamos segundo as formas costumeiras do nosso grupo, seja qual for o costume que prevaleça nos demais. Até certo ponto, somos todos feitos sob medida, de acordo com o modelo que predomina em nossa sociedade.

O significado de cultura
Em virtude da sua grande capacidade de adaptação e do seu engenho notável, o homem pode aperfeiçoar de muitíssimos modos a forma pela qual os outros animais satisfazem as suas necessidades. Possui capacidade de criar o próprio meio, em vez de ser obrigado, como no caso de outros animais, a sujeitar-se ao meio em que se encontra. Dentro de cada sociedade existem maneiras especiais de satisfação das necessidades. 

As origens dessas maneiras, em regra geral, estão “perdidas na névoa dos tempos” ou, como dizem os aborígines australianos, “pertencem ao tempo do sonho”. Com efeito, uma das coisas mais difíceis em Antropologia é traçar a origem de um costume. De ordinário, não existe ninguém com idade suficiente para lembrar-se da sua origem porque, por via de regra, ele surgiu há muito tempo, muito antes da tradição oral ou da história escrita.

A cultura representa a resposta do homem às suas necessidades básicas. É o modo que tem o homem de colocar-se à vontade no mundo. É o comportamento que aprendeu como membro da sociedade. Podemos defini-la como o modo de vida de um povo, o meio, em formas de idéias, instituições potes e panelas, língua, instrumentos, serviços e pensamentos, criado por um grupo de seres humanos que ocupam um território comum.

É esse meio feito pelo homem, a cultura, que todas as sociedades humanas impõem ao meio físico e no qual todos os seres humanos são adestrados. De tal forma se identifica a cultura com a própria vida que se pode dizer perfeitamente não ser ela tanto sobreposta à vida quanto uma extensão da mesma vida. 

Assim como o instrumento amplia e estende as capacidades da mão, assim a cultura acentua e estende as capacidades da vida.

São os seguintes critérios pelos quais se reconhece a cultura: 
(1) precisa ser inventada, 
(2) precisa ser transmitida de uma geração a outra, 
(3) precisa ser perpetuada em sua forma original ou numa forma modificada. 

Ao passo que outros animais são capazes de um restrito comportamento cultural, só o homem parece possuir uma capacidade virtualmente ilimitada de cultura. 

O processo de criar, transmitir e manter o passado no presente é cultura – a capacidade que o semantista norte-america Alfred Korybski denominou vinculadora do tempo. As plantas vinculam as substâncias químicas, os animais vinculam o espaço, mas só o homem é capaz de vincular o tempo.

A cultura é a criação conjunta do indivíduo e da sociedade, que interagem mútua e reciprocamente, para se servirem, manterem, sustentarem e desenvolverem um ao outro.

A cultura, portanto, é o complexo de configurações mentais que, em forma de produtos de comportamento e produtos materiais, constitui de modo principal que tem o homem de adaptar-se ao meio total, controlando-o, mudando-o e transmitindo e perpetuando os modos acumulados de fazê-lo.

A mudança evolutiva se processa em todos os animais por mutação e pela armazenagem, nos genes, das mutações adaptativamente valiosas. 

No homem, a mudança evolutiva também se processou dessa maneira, mas a adição de um sem-número de mudanças não genéticas, que também representam mudanças evolutivas sociais. 

Essas mudanças culturais ou de comportamento, não genéticas, não estão armazenadas nos genes, porém na parte do meio feita pelo homem, na parte aprendida, na cultura, nos instrumentos, nos costumes, nas instituições, nas baladas, etc., nas lembranças dos homens, assim como em outros dispositivos não genéticos de armazenamento e recuperação de informações.

A natureza humana é o que se aprende do meio feito pelo homem; não é alguma coisa com que se nasce.

O ser humano nasce, isso sim, com as possibilidades de aprendizagem, que, mediante o ensino adequado, podem ser transformadas nas capacidades unicamente humanas.

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL PARA CURAR AS FERIDAS PSICOLÓGICAS

Perdas, decepções, rejeições, traições, desamor, etc.
 Sabemos que os relacionamentos, 
assim como os ossos, também se quebram. 

No entanto, essas fraturas nem sempre curam tão rápido quanto pensamos. O tempo, por si só, não nos reabilita, tudo dói e quase nada proporciona alívio. Por isso, a inteligência emocional é um bom recurso para ajudar a fechar um pouco as cicatrizes internas e curar as feridas psicológicas.

Franklin D. Roosevelt dizia que, quando chegamos ao fim de uma corda, só temos uma opção: fazer um nó e esperar. Terminar algo que até pouco tempo nos mantinha presos a algo firme e seguro sempre provoca angústia.

Sentimos como se todo o nosso ser caísse em um vazio sem fundo. No entanto, em vez de deixar as coisas para a sorte e nos descuidar, é preciso fazer um nó de segurança e aguardar. Esta sensação de medo e desamparo vai acabar se dissolvendo.

“Não se precipite, tenha calma. Trabalhe em si mesmo antes de cair em desespero após um término. Sente-se, cure-se, permita-se um tempo e ame-se o bastante para continuar respirando, de forma que você não precisará mais de quem não está nem deseja estar perto”.
-Russ Von Hoelscher-

A vida é uma experiência imprevisível, nós sabemos disso. A vida é uma viagem na qual temos que pular de um obstáculo para o outro. Às vezes o trajeto é doloroso, tanto que chegamos a pensar que não podemos suportar tantas pancadas, tantas reviravoltas no caminho. Querendo ou não, somos obrigados a ter um kit básico de sobrevivência para desviar com mais agilidade dos imprevistos.

A inteligência emocional nos proporciona, como sempre, valiosos recursos com os quais podemos transitar muito melhor por estes eventos vitais tão adversos. Vejamos a seguir.

Inteligência emocional para curar as feridas psicológicas dos relacionamentos amorosos

A inteligência emocional para curar as feridas psicológicas procedentes dos nossos relacionamentos falhos, quebrados ou despedaçados por perdas inesperadas ou outros eventos traumáticos vai nos proporcionar dois tipos de ferramentas.

A primeira é poder lidar com a dor de forma mais saudável, criativa e vívida.

A segunda é recuperar (e melhorar) nossa capacidade curativa para continuar desfrutando das relações e interações positivas.

A dor emocional gerada pelos eventos citados antes faz com que, frequentemente, fiquemos presos a padrões de comportamento e de pensamento muito negativos. Nós corremos o risco de acabar sofrendo algum transtorno psicológico (depressão, ansiedade, etc.).

Além disso, essa dor costuma afetar nosso desenvolvimento interpessoal: deixamos de confiar nos demais, entramos em ciclos de frequente frustração onde acaba sendo muito complicado voltar a criar vínculos fortes e saudáveis com outras pessoas.

Assim, algo que costuma ser visto com frequência na prática clínica é que muitas pessoas que buscam terapia o fazem precisamente por problemas em seus relacionamentos amorosos.

Uma boa parte dos pacientes enfrentam a sombra quase constante do abandono (“é que sempre me deixam, há algo em mim que acaba afastando as pessoas que mais amo…”). Outras sofrem por um amor não correspondido e muitos se encontram presos a relacionamentos nocivos e tóxicos sem saber como agir.

Vamos nos aprofundar, portanto, em estratégias que podem nos ajudar a enfrentar melhor estas situações.

Vamos nos conectar de forma saudável com as nossas emoções

A inteligência emocional para curar feridas psicológicas diz que devemos aprender a nos conectar com nossos universos internos de forma mais saudável. Um fato recorrente que costumamos viver quando enfrentamos um término, uma perda ou uma situação afetiva complexa é nos concentrarmos de forma exclusiva na dor. No sofrimento. A decepção é névoa, fere e bloqueia.

  • ·        Com este enfoque, só conseguimos afundar ainda mais a agulha no palheiro da amargura.
  • ·        Sabemos, portanto, que essas emoções negativas estão presentes e que têm uma origem muito específica. Portanto, uma vez identificadas e aceitas, é a hora de canalizá-las e transformá-las para colocá-las a nosso favor. Nunca contra nós. É hora de regulá-las, de impedir que nos bloqueiem. É preciso dar a elas dinamismo para que nos permitam reagir.
  • ·        Se você sente raiva, é hora de canalizá-la. Se sente tristeza, desabafe para ir aliviando seu peso um dia após o outro até que doa menos e possa se recompor. Se o que você sente é medo (por um relacionamento nocivo), deve pedir ajuda e apoio para enfrentar esta fonte de angústia e se sentir a salvo.

Nós devemos nos lembrar de que o acúmulo desordenado e caótico de emoções nos leva a mostrar padrões de comportamento disfuncionais e cheios de sofrimento. Devemos ser capazes de aplicar a inteligência emocional para curar e colocar ordem, identificar, canalizar e usar as emoções a nosso favor.

Empatia consigo mesmo e segurança pessoal

A inteligência emocional para curar feridas psicológicas costuma colocar uma ênfase especial em uma parte da empatia. No entanto, nos referimos à capacidade de se conectar consigo mesmo. A capacidade de ver as próprias feridas com mais compaixão, de forma mais minuciosa e focada em uma solução, em uma cura.
  • ·        Após um término ou qualquer outro evento doloroso ou traumático, é preciso recuperar a segurança pessoal. Assim, a determinação firme, aberta e consciente de reparar cada canto ferido, cada peça fragmentada através do perdão e do afeto por nós mesmos é o segredo para avançar cada dia um pouco mais.

  • ·        Se nos concentrarmos exclusivamente em nosso próprio sofrimento, vamos nos limitar a caminhar em círculos. A dor, no fim, acabará pouco a pouco se separando de nós para tomar o controle, para preencher cada espaço, cada fibra e cantinho da nossa realidade. E isso é algo que devemos evitar ao máximo. Devemos ter empatia com nós mesmos e estabelecer um plano de ação.

A cura emocional como combustível do crescimento pessoal

As pessoas fazem muito bem quando se concentram nos sentimentos e sensações à medida que eles aparecem. Deve ser algo fluido, algo que desperte a inteligência curativa inata que reside em nosso corpo e mente. É um processo semelhante à digestão, no qual conseguimos que cada experiência possa servir de combustível para o crescimento pessoal.

Se permitirmos que a raiva, a decepção ou o desespero fiquem presos, vamos acabar adoecendo. Nossa missão é mostrar a saída para os efeitos de um abandono, de um amor não correspondido ou de uma angústia de estar em um relacionamento infeliz. Devem ser processados de forma saudável para nos mantermos habilitados, com a possibilidade de crescer em maturidade e responsabilidade.

Para concluir, assim como pudemos ver, a inteligência emocional para curar feridas psicológicas é um recurso necessário para lidar melhor com as situações difíceis. É um modo de domesticar nossos medos para nos lembrar dos valores e da necessidade imperiosa de nos sobrepor, nos permitindo sair à frente com maior vantagem.

Cabe dizer que não é um processo simples, não é algo que podemos conseguir em dois dias ou em um mês. Aplicar efetivamente estas estratégias implica, frequentemente, promover uma mudança de consciência.

Gerar uma mudança revolucionária que, sem dúvidas, vai nos fazer mudar qualquer âmbito de nossas vidas. Afinal, quando entendemos e colocamos as nossas emoções a nosso favor, tudo muda.

Anúncio

Anúncio