FÉRIAS - Edmir Silveira

Primeiro dia de férias. 

Depois de doze prestações mensais de trabalho, finalmente adquiri minhas férias próprias. Primeira manhã, férias novinhas, zero quilômetro, toda equipada com reveillon, verão e um monte de surpresas que eu espero que aconteçam.

Chego a conclusão de que, sem dúvida, o verdadeiro fruto do trabalho são as férias. Uma vadiagem remunerada, sem culpa ,  admirada e almejada  por todos.  Sinto que o cérebro está em festa, animado.

O sinal demora a abrir. Tudo bem, estou de férias, tenho tempo.

Não é à toa que, quando os médicos não sabem mais o que fazer por um paciente estressado, receitam férias. Até hoje a ciência farmacológica não descobriu nenhum remédio melhor. Nem homeopatia, nem shiatsu, nem rivotril. Férias.

O melhor dia das férias é o primeiro. Tudo ainda está por acontecer. Não existe nem tempo para haver  frustação, as expectativas todas possíveis.

Fico surpreso, pois depois de longo afastamento seria natural um certo período de adaptação, mas, surpreendentemente, já no primeiro minuto sinto-me totalmente à vontade. É minha praia. A textura da areia, nem muito fina nem muito grossa. A textura da areia das praias dessa orla, do final do Leblon até o Lemetem uma consistência única. 

Numa rápida passagem de olhos, analiso as condições de vento, mar e a melhor posição para minha cadeira de praia. Isto tudo exige uma certa ciência, não é para qualquer um.

A praia do Leblon, às terças-feiras de um dia de útil qualquer, é meu paraíso particular. Tem cheiro de férias desde que me entendo por gente. Esse mesmo cheiro, nessa mesma praia, me fazem ter a sensação de colo de mãe acalentando. Um carinho da vida. Meu lugar especial.

Agora, com licença, estou de férias e já escrevi muito. Tenho mais o que não fazer. 

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