MEU AMIGO QUE VOAVA – Edmir Silveira

Sim, eu tive um amigo que voava. De verdade. Daqueles amigos inesquecíveis que qualquer um gostaria de ter. Acima de tudo, amigo.

Um cara muito engraçado, que sabia rir de si próprio como só as boas pessoas sabem.  Uma combinação incomum que misturava coragem e um jeito atrapalhado. Se a sorte não tivesse se juntado nesse tempero, teria ido muito mais cedo pro outro lado.

Uma pessoa aberta a novos pensamentos. Um viajante desbravador, sempre que ouvia falar em algum lugar novo, fora do “circuito descolado”, punha-se a caminho para conhecer. De moto, de Kombi ou de Brucutu.  

Morador do Leblon, depois Ipanema, curiosamente era a montanha que o seduzia. Não a vida na montanha, era saltar lá de cima. E Lá em cima ele encontrou sua praia

E decidiu passar o resto da vida voando. E passou.

E conservou até o fim a mesma curiosidade adolescente.
Um aventureiro por natureza. 

As muitas décadas que convivemos me deram a honra conhecer um ser humano autêntico e admirável. Trocou a comodidade de um engenheiro com estabilidade do funcionalismo público para viver, literalmente, ao sabor do vento.
E foi muito feliz com sua escolha. Uma verdadeira lição de vida.

O mais cativante nesse pequeno grande homem, era seu coração bom. Um amigo para todas as horas. Colocava carinho e gentileza em pequenos gestos o tempo todo.

Amava a vida e sabia apreciar a natureza como poucos. Se existisse essa entidade a qual se dá o nome de "homem comum", ele não seria um desses. Dentro de sua simplicidade, soube ir além da mediocridade dominante. Nunca se perdeu de si mesmo.  

Foi feliz

Um dos maiores orgulhos que tenho é ter podido expressar, com todas as letras, pessoalmente, a minha admiração.

A lembrança já não machuca tanto depois de alguns anos. Só dá muita saudade. Mas, ao mesmo tempo, muita alegria de ter tido esse meu amigo que voava.

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