O TEMPO E O TÉDIO – Thomas Mann

Com respeito à natureza do tédio encontram-se
 frequentemente conceitos errôneos.

Acredita-se em geral que a novidade e o caráter interessante do seu conteúdo "fazem passar mais rápido" o tempo, quer dizer, abreviam-no, ao passo que a monotonia e o vazio retardam o seu curso. Mas não é absolutamente verdade. O vazio e a monotonia alargam por vezes o instante ou a hora e tornam-nos "aborrecidos"; porém, as grandes quantidades de tempo são por elas abreviadas e aceleradas, a ponto de se tornarem um quase nada.

Um conteúdo rico e interessante é, pelo contrário, capaz de abreviar uma hora ou até mesmo o dia, mas, considerado sob o ponto de vista do conjunto, confere amplitude, peso e solidez ao curso do tempo, de tal maneira que os anos ricos em acontecimentos passam muito mais devagar do que aqueles outros, pobres, vazios, leves, que são varridos pelo vento e voam.

Portanto, o que se chama de tédio é, na realidade, antes uma simulação mórbida da brevidade do tempo, provocada pela monotonia: grandes lapsos de tempo quando o seu curso é de uma ininterrupta monotonia chegam a reduzir-se a tal ponto, que assustam mortalmente o coração; quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos.

O hábito é uma sonolência, ou, pelo menos, um enfraquecimento do senso do tempo, e o fato dos anos de infância serem vividos vagarosamente, ao passo que a vida posterior se desenrola e foge cada vez mais depressa, esse fato também se baseia no hábito.

Sabemos perfeitamente que a intercalação de mudanças de hábitos, ou de hábitos novos, constitui o único meio de manter a nossa vida, de refrescar a nossa sensação de tempo, de obter um rejuvenescimento, um reforço, um atraso da nossa experiência do tempo, e com isso, a revolução da nossa sensação da vida em geral.

Tal é a finalidade da mudança de lugar e de clima, da viagem de recreio: nisso reside o que há de salutar na variação e no episódio. Os primeiros dias num ambiente novo têm um curso juvenil, quer dizer, vigoroso e amplo - seis ou oito dias. Depois, na medida em que a pessoa se "aclimata", começa a senti-los abreviarem-se: quem se apega à vida, ou melhor, quem gostaria de apegar-se à vida nota, com horror, como os dias começam a tornar-se leves e furtivos; e a última semana - de quatro, por exemplo - é de uma rapidez e fugacidade inquietante.

Verdade é que a vitalização do nosso senso de tempo faz-se sentir para além do momento, e desempenha o seu papel ainda quando a pessoa já voltou à rotina; os primeiros dias que passamos em casa, depois desta variação, afiguram-se também novos, amplos e juvenis, mas somente uns poucos: porque a gente acostuma-se mais rapidamente à rotina do que à sua suspensão, e quando o nosso senso do tempo está fatigado pela idade, ou nunca o possuímos desenvolvido em alto grau - o que é sinal de pouca força vital - volta a adormecer muito depressa, e ao cabo de vinte e quatro horas já é como se a pessoa jamais tivesse partido e a viagem não passasse de um sonho de uma noite.
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FIDELIDADE OU LEALDADE? - Ivan Martins

A gente se preocupa demais com uma e esquece da
outra, que talvez seja mais importante

Nos últimos dias, ando apaixonado pela palavra “lealdade”. Deve ser por causa de um livro que estou terminando, um romance sobre antigos amigos e amantes que voltam a se encontrar e precisavam acertar suas diferenças. Eles já não se gostam, mas confiam um no outro. Eles deixaram de se amar, mas ainda se protegem mutuamente. Isso é lealdade, em uma de suas formas mais bonitas. Lealdade ao que fomos e sentimos.

Ao ler o romance, me ocorreu que amar é fácil. Tão fácil que pode ser inevitável. A gente ama quem não merece, ama quem não quer nosso amor, ama a despeito de nós mesmos. Tem a ver com hormônios, aparência e sensações que não somos capazes de controlar. A lealdade não. Ela não é espontânea e nem barata. Resulta de uma decisão consciente e pode custar caro. Ela é uma forma de nobreza e tem a ver com sacrifício. Não é uma obrigação, é uma escolha que mistura, necessariamente, ideias e sentimentos. Na lealdade talvez se manifeste o melhor de nós.

Antes que se crie a confusão, diferenciemos: lealdade não é o mesmo que fidelidade, embora às vezes elas se confundam. Ser fiel significa, basicamente não enganar sexual ou emocionalmente o seu parceiro. É um preceito, uma regra que se cumpre ou não se cumpre, uma espécie de obrigação. O custo da fidelidade é relativamente baixo: você perde oportunidades românticas e sexuais. Não tem a ver, necessariamente, com sentimentos. Você pode desprezar uma pessoa e ser fiel a ela por medo, coerência, falta de jeito ou de oportunidade. Assim como pode amar alguém perdidamente e ser infiel. Acontece todos os dias.

Lealdade é outra coisa. Ela vai mais fundo que a mera fidelidade. Supõe compromisso, conexão, cuidado. Implica entender o outro e respeitá-lo no que é essencial para ele - e pode não ser o sexo. Às vezes o outro precisa de cumplicidade intelectual, apoio prático, simples carinho. Outras vezes, a lealdade requer sacrifícios maiores.

A primeira vez que deparei com a lealdade no cinema foi num filme popular de 1974, Terremoto. No final do drama-catástrofe, o personagem principal – um cinquentão rico, heroico e boa pinta – tem de escolher entre tentar salvar a mulher com quem vivia desde a juventude, com risco da sua própria vida, ou safar-se do desastre com a jovem amante. Ele escolhe salvar a velha companheira e morre com ela. Parece apenas um dramalhão exagerado, mas desde Shakespeare o drama ocidental está repleto de escolhas desse tipo. É assim que nos metem conceitos elevados na cabeça. Vi esse filme com 16 e 17 anos e nunca mais deixei de pensar na lealdade em termos drásticos.
       
A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance. Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. Ela dura mais do que os sentimentos eróticos porque se estende além deles.

O romantismo, embora a gente não o veja sempre assim, é uma forma exacerbada de egoísmo. Meu amor, minha paixão, minha vida. Minha família, inclusive. Tem a ver com desejo, posse e exclusividade, que tornam a infidelidade insuportável, a perda intolerável. As pessoas matam por isso todos os dias. Porque amam. É um sentimento que não exige elevação moral e pode colocar à mostra o pior de nós mesmos, embora pareça apenas lindo.

Minha impressão é que o mundo anda precisado de lealdade. Estamos obcecados pela ideia da fidelidade porque a infidelidade nos machuca. 

Sofremos exacerbadamente porque o mundo, o nosso mundo, não contém nada além de nós mesmos, com nossos sentimentos e necessidades. Quando algo falha em nossa intimidade, desabamos.

Talvez devêssemos pensar de forma mais generosa. Talvez precisemos nos apaixonar por ideias, nos ligar por compromissos, cultivar sonhos e aspirações que estejam além dos nossos interesses pessoais. Correr riscos maiores que o de ser traído ou demitido. O idealismo, que tem sido uma força de mudança na conduta humana, precisa ser resgatado. Não apenas para salvar o planeta e a sociedade, mas para nos dar, pessoalmente, alguma forma de esperança. A fidelidade nos leva até a esquina. A lealdade talvez nos conduza mais longe, bem mais longe.

ESGOTAMENTO PSICOLÓGICO: QUANDO A ÚLTIMA GOTA ENCHE O COPO

O esgotamento psicológico nos enfraquece física e mentalmente. É uma dimensão que surge como resultado dos “muitos”: muitas decisões, muitos pensamentos invasivos, muito trabalho, muitas obrigações, muitas interrupções, muita ansiedade… Ao mesmo tempo, também é reflexo de muitos “poucos”: pouco tempo de qualidade para si mesmo, poucas horas de sono, pouca paz interior…

Todos já passamos por essa situação alguma vez na vida, esse desgaste em todos os níveis. É importante ter consciência de que um cérebro cansado, esgotado psicologicamente, trabalha e responde aos estímulos de outra maneira. Assim, e como um dado curioso, o neurocientista Matthew Walker conseguiu demonstrar a nível laboratorial que as pessoas mentalmente cansadas têm uma percepção mais negativa da sua realidade. Além disso, elas são muito mais sensíveis a nível emocional.

ÀS VEZES VOCÊ SIMPLESMENTE SE CANSA, FICA ESGOTADO E SEM FORÇAS NESSE CANTO SOLITÁRIO DO DESÂNIMO, ONDE TUDO PERDE SUA RAZÃO DE SER, SEU BRILHO, SUA ESPONTANEIDADE…

Por outro lado, um aspecto que às vezes nos leva a cometer erros é pensar que esse esgotamento psicológico se deve, em essência, a uma acumulação fatídica de erros, de más decisões, de fracassos ou decepções. Não é verdade. Na maior parte das vezes, o cansaço é o resultado direto de um volume excessivo de tarefas e atividades que assumimos sem perceber.

Todos nós já ouvimos aquela frase que diz que a percepção da nossa realidade depende às vezes de como enxergamos o copo, se meio cheio ou meio vazio. No entanto, e em relação a esse tema, poderíamos formular a pergunta de outro modo. E você, quanto de água você conseguiria aguentar se estivesse com esse copo na mão? Às vezes basta apenas uma gota a mais para encher o copo e chegar ao limite das nossas forças.

Esgotamento psicológico, um problema muito comum

Carlos se sente satisfeito com a sua vida. Na verdade, não poderia querer mais nada. Ele é designer gráfico, gosta do seu trabalho, tem uma companheira de quem gosta muito e, além disso, acaba de ser pai. Tudo ao seu redor é gratificante e não há nenhum problema importante na sua vida. No entanto, a cada dia que passa, ele percebe que está mais difícil tomar decisões, seu humor está mais errático, não consegue se concentrar e, inclusive, está com problemas para pegar no sono.

Ele se sente incapaz de entender o que está acontecendo. Tudo está bem, na verdade ele deveria se sentir mais feliz do que nunca. No entanto, há na sua mente um tipo de sensor que indica que “alguma coisa está errada”. Se tivéssemos um observador externo nessa história, ele poderia explicar várias coisas que seriam uma boa ajuda para o nosso protagonista.

Uma delas é que Carlos está com a sensação de que estão acontecendo muitas coisas ao mesmo tempo na sua vida: uma promoção no trabalho, novos projetos profissionais e clientes aos quais atender, um filho, uma hipoteca, a consolidação de uma fase pessoal na qual deseja (e exige) que tudo seja “perfeito”… Tudo isso forma uma constelação na qual “muitos poucos” fazem um “excesso” na sua cabeça, colocando em perigo a sua capacidade de controle. O esgotamento mental dele é evidente, além de desgastante. Vamos ver a seguir como a fadiga mental impacta a nossa vida.

Sinais e consequências do esgotamento psicológico

Fadiga física e perda de energia. A sensação de esgotamento chega às vezes a um nível que é comum nos levantarmos pela manhã com a firme convicção de que não vamos conseguir lidar com a nossa jornada.

Insônia. No início é comum acordar subitamente durante a noite, mas posteriormente podemos sentir grande dificuldade para pegar no sono.

Perdas de memória. Segundo um artigo publicado na revista “The Journal of Forensic Psychiatry & Psychology”, o esgotamento psicológico costuma produzir uma alteração cognitiva chamada “efeito de desinformação”. Isso nos faz confundir dados, lembrar de informações de forma incorreta, misturando imagens, pessoas, situações…

Entre os sintomas físicos, é comum sentir palpitações, problemas digestivos, dores de cabeça, perda ou aumento excessivo de apetite…

A nível emocional, é bastante comum nos sentirmos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, apáticos, irritados e pessimistas.

Além disso, outra característica comum é a anedonia, ou seja, a incapacidade de sentir prazer, de aproveitar as coisas tanto quanto antes, já não temos mais esperança, a vida se torna mais cinzenta e o mundo fica suspenso num horizonte distante, onde ouvimos seu barulho ao longe…

 “O SONO É UM BOM COLCHÃO 
PARA O CANSAÇO.”
-JUAN RULFO-

Como enfrentar o esgotamento psicológico

Eric Hoffer disse que o pior cansaço vem do trabalho não realizado. Essa é uma grande verdade. Às vezes, o verdadeiro esgotamento é formado por tudo o que queremos fazer e não fazemos. Por todos aqueles objetivos cotidianos que nos propomos e que não conseguimos realizar, que ficam frustrados porque nosso nível de exigência ou as pressões do ambiente são muito altas.

No fim, a gota enche o copo e o copo já está bastante cheio. É nesse momento que tudo escapa das nossas mãos. Assim, o que deveríamos fazer nesses casos, antes de mais nada, é tomar consciência do que está acontecendo. O esgotamento psicológico está aí e devemos evitar que a “criatura” se torne maior, mais obscura e opressiva. Vamos refletir, portanto, sobre as seguintes dimensões, nesses passos que deveríamos colocar em prática.

3 permissões que você deve conceder a si mesmo para escapar da fadiga mental

Dar permissão para se reencontrar. Pode parecer irônico, mas o esgotamento psicológico tende a nos aprisionar em camadas de preocupações, autoexigências, pressões, deveres e ansiedades até chegarmos ao ponto de nos esquecermos de nós mesmos. Dê permissão a si mesmo para se reencontrar. Para isso, nada melhor do que separar uma hora por dia para reduzir ao máximo todo tipo de estímulo (sons, luzes artificiais…). Devemos ficar um tempo num ambiente tranquilo, onde nos limitamos a “ser e estar”.

Dê permissão a si mesmo para priorizar. Esse é, sem dúvidas, um ponto essencial. Lembre-se do que é prioritário para você, o que o identifica, o que você ama, o que o faz feliz. O resto será secundário e não será merecedor de tamanho investimento emocional e pessoal da sua parte.

Dê permissão a si mesmo para ser menos exigente. O dia tem 24 horas e a vida, queiramos ou não, é limitada. Vamos aprender a ser realistas, aproveitar o tempo sem colocar pressões em nós mesmos e sem exigir que tudo seja perfeito. Às vezes basta que tudo seja igual a ontem, com seu equilíbrio humilde e tranquilo.

Para concluir, sabemos que a nossa realidade é cada vez mais exigente, que às vezes queremos fazer tudo. No entanto, nunca é demais se lembrar de uma ideia. Somos feitos de pele, carne, coração e tendões psicológicos que devem ser alimentados com tempo de qualidade, descanso, tranquilidade e lazer. Vamos aprender a nos priorizar, a cuidar de nós mesmos como merecemos…
fONTE: Psicologias do Brasil

3 VERDADES ABSOLUTAS

Muitas verdades religiosas, assim como as ideológicas e até mesmo científicas, têm mostrado ao longo do tempo que não são tão absolutas assim. Há várias histórias que nos mostram que algo que é considerado absolutamente verdadeiro, de repente, “cai por terra” devido a uma nova descoberta.

O tema “verdade” tem sido motivo de muita controvérsia e até mesmo de guerras sangrentas e grandes abusos. Galileu foi obrigado a se retratar por uma verdade comprovada porque contradizia a verdade da igreja naquela época.

A Biblioteca de Alexandria foi incinerada porque, na opinião dos invasores, poderia conter verdades que contradiziam o Alcorão. Da mesma forma, muitos homens e mulheres no mundo sofreram exílio, perseguição e até a morte por defender verdades que desagradavam a algumas pessoas.

“Cada lágrima ensina uma verdade aos mortais”.
Platão

Nas últimas décadas tem prevalecido a ideia de que a verdade é um conceito relativo. Embora isto seja verdade (a verdade é relativa a uma série de fatores), também é verdade que ainda existem verdades absolutas. São fatos incontestáveis que nos mostram que também é relativo o fato de que a verdade é relativa. Citamos aqui três verdades absolutas.

Uma das verdades absolutas: todos nós morreremos

Esta é uma daquelas verdades que nos acompanham desde o início dos tempos e que, mesmo com todos os avanços da tecnologia, e com todas as explicações religiosas, não podemos contestar. É um fato absolutamente verdadeiro: todos nós morreremos. Você, eu, e todas as pessoas que amamos, aquelas que vemos andar na rua ou assistimos pela televisão.

Os religiosos podem argumentar que depois desta vida terrena existe uma outra vida que é eterna. Ou que reencarnaremos como outra pessoa e, portanto, a vida é eterna. Mas a única certeza que temos é de que esta vida terminará e não sabemos o que acontecerá depois. A certeza de que esse corpo e essa pessoa que somos morrerá um dia é inquestionável.

Uma das verdades absolutas que devemos ter sempre em mente é que todos nós morreremos. O último capítulo da nossa história é a morte. Se fôssemos mais conscientes disso, talvez pudéssemos perceber que cada dia de existência tem um valor inestimável, porque ele também é um dia a menos para viver.

Todos nós nascemos da união entre um homem e uma mulher

Independentemente da orientação sexual de cada um, e sem entrar no debate de que pode haver famílias com pais do mesmo sexo, o fato é que para que haja uma vida humana é necessária a união do óvulo e do espermatozoide. Isto é, da célula sexual feminina e da masculina.

Uma nova vida pode ser projetada em um laboratório, no ventre da mãe ou em uma “barriga de aluguel”. No entanto, sempre exigirá a união de um gameta feminino e outro masculino para que seja possível gerar um novo ser humano.

Alguém pode argumentar que a clonagem também é uma forma de reprodução, e existem alguns rumores de que já está sendo utilizada. A verdade é que, no caso improvável de que isso seja verdade, o que é produzido com a clonagem não é um novo ser no sentido restrito, mas a cópia de um ser que já existe.

Nascemos de uma mulher

Todos os seres humanos são gerados no útero de uma mulher. Mesmo com todos os avanços da ciência isto não mudou, pelo menos até agora. A fertilização “in vitro” é apenas isso: uma fertilização. No entanto, o produto dessa fertilização deve ser implantado no útero de uma mulher para que um novo ser humano se desenvolva.

Apesar de toda discriminação sofrida pelas mulheres ao longo dos anos, todos nós devemos o início da vida a elas. Nenhum homem pode conceber e dar à luz e, até o momento, não é possível que este processo ocorra em um útero artificial.

Como é evidente, estas três verdades absolutas tocam a essência da existência humana.

Todos morreremos, todos nós nascemos da união entre um homem e uma mulher, e todos nós nascemos de uma mulher são verdades absolutas. Independente de qualquer segmentação que se faça. Elas falam dos momentos mais importantes da vida: o início e o final. As conclusões que cada um tirará dessas verdades são completamente pessoais, mas elas estão aí, para refletirmos e tirarmos as nossas conclusões.

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QUANDO O CÉREBRO ESCOLHE NÃO SENTIR PARA NÃO SOFRER

O sofrimento não é uma escolha pessoal; 
ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional 
por vontade própria. 

Infelizmente não existe nenhuma anestesia para não sofrer; as épocas escuras devem ser confrontadas com integridade, valentia e ilusões renovadas.

A vida nem sempre é fácil. Esta frase é dita a nós com muita frequência, e quem até o momento teve a sorte de não ser “tocado” pela adversidade não compreende ainda o realismo destas palavras.

Viver é confrontar provocações, construir um, dois, seis ou mais projetos, é permitir que a felicidade abrace nossas vidas, e aceitar que, de vez em quando, o sofrimento baterá na nossa porta para nos colocar à prova.

E não, nem todos assumimos esses golpes que a vida nos traz da mesma maneira. Há quem confronte melhor as decepções e quem, por outro lado, as interiorize permitindo que minem sua autoestima.

Nenhuma tristeza é vivida de igual maneira, assim como nenhuma depressão tem a mesma origem, nem é sentida igualmente por todas as pessoas.

Mas existe um sintoma muito comum que, de algum modo, todos teremos que experimentar alguma vez: a anedonia.

A anedonia é a incapacidade de sentir prazer e aproveitar as coisas boas. Nosso cérebro, por assim dizer, “decide se desconectar”. Não sentir para não sofrer, isolar-se, ficar anestesiado.

Pode ser que você já tenha sentido isso durante alguns dias, quando é consumido pela apatia e pelo desânimo, mas o que acontece quando isso se torna crônico? O que acontece quando deixamos de “sentir a vida” por completo de forma crônica?

Hoje queremos tratar desse assunto para oferecer a você informações que nos aprofundem no conhecimento deste aspecto tão importante.

A anedonia, quando perdemos o prazer de viver
Como indicamos no início, não existe nenhuma anestesia adequada para a dor da vida. Quando a anedonia aparece em nosso cérebro, como um mecanismo de defesa, ela não está nos causando nenhum bem. Pelo contrário.

Vamos começar esclarecendo alguns aspectos:

A anedonia não é uma doença, nem um transtorno: é um sintoma de algum processo emocional ou de algum tipo de doença.

Embora seja certo que, na grande maioria dos casos, ela está relacionada de forma íntima com a depressão, ela também pode se manifestar como resultado de uma esquizofrenia ou de demências como o Alzheimer.

Todos, em maior ou menor medida, experimentamos anedonia alguma vez: falta de interesse pelas relações sociais, pela comida, pela comunicação com os outros…

O verdadeiro problema chega quando a anedonia levanta um muro a nossa volta e nos tira todas as nossas características de humanidade: não sentimos nada diante das expressões de carinho, não precisamos de ninguém do nosso lado e nenhum estímulo nos produz prazer, nem a comida, nem a música… nem nada.

Se escolhemos deixar de sentir para não sofrer, 
não estaremos nos protegendo de nada. 
Estaremos fechando as portas à vida, 
seremos almas que vão definhando aos poucos…

A anedonia no nível cerebral

Esta baixa receptividade frente aos estímulos exteriores tem seu claro reflexo em um cérebro deprimido.

É importante levarmos em conta que tipo de processos se desencadeia em nosso interior quando experimentamos a anedonia:

Se esse estado  se tornar crônico e se prolongar no tempo, nossas estruturas cerebrais sofrem mudanças, e isso afeta nossos julgamentos, pensamentos e emoções.

O lóbulo frontal, relacionado com a tomada de decisões, se reduz.

Os gânglios basais, relacionados com o movimento, ficam afetados até o ponto em que até nos levantarmos da cama exige um grande esforço.

O hipocampo, relacionado com as emoções e a memória, também perde volume. É comum que tenhamos falhas de lembranças, que soframos sem defesa, que fiquemos obcecados por pensamentos negativos.

Frequentemente, a depressão é conhecida como a doença da tristeza. Mas na realidade, ela é uma coisa  que vai mais além, ela é a prisão de um cérebro emocional que não encontra respostas para os vazios da vida, a decepção, a perda da ilusão.

Estratégias para enfrentar a anedonia e a depressão

A depressão não se “cura”, não se enfrenta de um dia para outro. Ela requer múltiplos enfoques, dependendo, como sempre, da realidade de cada pessoa.

Os medicamentos, as terapias, o apoio familiar e, acima de tudo, os recursos próprios que cada um possa usar são elementos fundamentais.

Além disso, queremos convidá-los a refletirem sobre os seguintes aspectos:

Não sentir para não sofrer não é um mecanismo adequado com o qual viver. Ele permitirá que você “sobreviva”, mas estando vazio/a por dentro. Não se permita ser um prisioneiro eterno do sofrimento.

Se há alguma coisa positiva que podemos tirar da anedonia, é que você deixou de lado a capacidade de sentir. Agora que está “anestesiado/a” em relação à dor, é o momento de se perguntar do que você PRECISA.

Precisa que a tranquilidade e a felicidade voltem para a sua vida? Volte a criar ilusões consigo mesmo.

Precisa deixar de ser prisioneiro do passado? Faça uma mudança rumo ao futuro.

Precisa deixar de sofrer? Atreva-se a viver de novo, abra as portas do seu coração, permita-se ser feliz outra vez.

Pense nestes aspectos durante alguns momentos e lembre-se sempre de que viver é SENTIR em toda sua intensidade. Seja no seu lado positivo ou no negativo.

CHARLES DARWIN, O CIENTISTA QUE REVOLUCIONOU A MANEIRA COMO VEMOS O MUNDO

Quando falamos em evolução biológica, geralmente o primeiro nome que nos vem à mente é o de Charles Darwin. Entretanto, não podemos atribuir todos os méritos a ele, já que Alfred Wallace também havia percebido muitos dos aspectos que Darwin apontou em suas observações e que guardou basicamente em segredo por mais de vinte anos.

Apenas quando Wallace enviou a Darwin seus manuscritos – devemos nos lembrar de que este voltou da expedição bastante reconhecido como cientista – é que ele foi impulsionado a publicar suas ideias. Seguindo o conselho de amigos, a teoria foi revelada com a autoria dos dois em 1858.

O diferencial de Darwin era o conjunto de evidências e argumentos a favor da evolução que possuía. Esse fato, somado à sua posição de destaque no meio científico e à publicação do livro “A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida”, é o que faz com que, na maioria das vezes, apenas ele seja lembrado.

Naquela época, os mecanismos de hereditariedade e mutação não eram conhecidos e, por isso, temos a teoria sintética da evolução (ou neodarwinismo) como uma versão aprimorada desses princípios desenvolvidos por Darwin e Wallace.

Agora que já sabemos quem são os autores, vamos conhecer os aspectos dessa teoria:

Principais aspectos da Teoria da Evolução

– Em qualquer grupo de espécies, todos os indivíduos possuem ancestrais em comum em algum momento da história evolutiva. Assim, são descendentes deles com modificações e resultam da seleção natural;

– Indivíduos da mesma espécie, mesmo que parentes próximos, possuem variações entre si, o que é resultado de mutações e/ou reprodução sexuada. Algumas dessas variações são hereditárias, ou seja, podem ser transmitidas para a geração seguinte;

– A limitação na disponibilidade de recursos faz com que indivíduos de uma população lutem, direta ou indiretamente, por esses recursos e pela sua sobrevivência. Dessas variações, algumas podem ser vantajosas, permitindo que alguns, nesse cenário, destaquem-se e outros não. Esses últimos podem não sobreviver e, tampouco, reproduzir-se;

– Aqueles que sobrevivem (os mais aptos) podem transmitir à prole a característica que permitiu sua vitória, caso seja hereditária;

– Esse processo, denominado de seleção natural, resulta na adaptação de determinados indivíduos ao ambiente e também no surgimento de novas espécies.

A seleção natural é bastante parecida com a artificial, só que essa última é o resultado de ações humanas (diretas ou indiretas) sobre determinado organismo. A penicilina, por exemplo, foi bastante usada há algumas décadas como principal agente de combate a bactérias e, atualmente, não é eficaz no tratamento de algumas doenças, uma consequência da seleção das bactérias resistentes em razão do uso indiscriminado dessa substância.

SEU CONFLITO CONJUGAL É COLUSIVO? – Ignez Limeira

 
Em primeiro lugar, vamos esclarecer o que seria
colusão quando falamos de conflitos conjugais.

Colusão significa que o casal se engajou em uma batalha neurótica em que os parceiros não conseguem avaliar objetivamente e resolver suas diferenças.

Ao invés disso, se engajam em uma luta de poder em que ambos têm um medo irracional de desistir e se sentir humilhados como consequência.

Uma discussão inicialmente saudável sobre aonde passar as férias pode virar uma batalha quando os dois começam a impor rigidamente um ao outro a sua vontade, sem nem perceber ou entender porquê. No fim das contas, percebe-se que a discussão foi para um lado que nada tem a ver com a questão original.

Mas por quê isso acontece?
Normalmente as pessoas ficam presas, sem perceber, em conflitos vivenciados na infância, quando aprenderam que só teriam suas opiniões respeitadas na condição de mestre-escravo, fazendo aflorar um forte desejo por argumentar infinitamente e manter o controle da situação.

Quando crescemos, acabamos buscando parceiros que “nos completem” de alguma forma, mas, com o tempo, muitas vezes o que nos atraiu, principalmente quando é vivenciado no dia-a-dia de forma exacerbada, acaba gerando problemas. Em função da falta de autoconhecimento, começamos a agir com o outro como se estivéssemos em nosso passado…

Por outro lado, a colusão pressupõe um processo dinâmico, em que a predominância de determinados traços de personalidade de um, é uma função de sua ressonância no outro. Ou seja, as pessoas são mutuamente influenciadas em seus comportamentos e sempre temos a escolha de não entrar em uma colusão.

A maioria dos conflitos conjugais se origina em problemas íntimos entre os parceiros, mas isso não significa que esses problemas sejam necessariamente neuróticos.

Quanto maior a liberdade e autonomia dos cônjuges, maior maturidade será necessária ao casal, pois liberdade traz incertezas, diferenças de opinião e a busca de soluções. Vários tipos de confrontos cotidianos aparecem e não há soluções simples, além da cooperação no processo de busca de uma saída para a crise.

Assim, não é tão fácil distinguir conflitos não neuróticos de colusões neuróticas; entretanto quando uma crise conjugal é muito difícil em função de medos irracionais e mecanismos de defesa, pode-se pensar em uma colusão neurótica.

Sua qualidade defensiva, sem liberdade de interação entre os cônjuges engajados em uma busca destrutiva por soluções, é o que faz desse conflito, um jogo neurótico.

Ambos ficam presos num rito de luta que esgota a energia mental deles por longos períodos, não permitindo que cheguem a uma solução ou que fujam da armadilha.

Agem de maneira meio insana, mantendo suas atitudes, acusações e demandas estereotipadas em relação ao outro sem chegar à causa básica do conflito.

Se isso acontece em seu casamento, provavelmente você vive este tipo de conflito e precisa buscar ajuda através da terapia de casal.
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Ignez Limeira
Psicóloga CRP 05/13555
Atendimento individual, a casais e famílias.
Psychotherapy for native English speakers.
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HUMOR DEPRIMIDO, CORPO DEPRIMIDO

Você já observou como o mau humor afeta o seu corpo? Já reparou que o desânimo influencia a maneira como, por exemplo, você anda?

O psicólogo Johannes Michalak16 e outros pesquisadores da Universidade do Ruhr, em Bochum, Alemanha, usaram um sistema óptico de captura de movimentos para ver como pessoas deprimidas e não deprimidas diferem ao caminhar. 

Para o estudo, convidaram voluntários para andar pelo laboratório, escolhendo livremente a velocidade e o estilo da caminhada. Os movimentos foram rastreados de forma tridimensional, usando mais de quarenta pequenas marcas reflexivas afixadas ao corpo deles.

Os pesquisadores descobriram que os deprimidos caminhavam mais devagar, balançando menos os braços. 

A parte superior do corpo deles não subia e descia muito, mas tendia a balançar de um lado para outro. Além disso, constataram que os voluntários deprimidos andavam com a postura curvada, inclinada para a frente.

É claro que a má postura não é apenas o resultado de estar deprimido.

Faça o teste: sente-se por alguns instantes com os ombros caídos e a cabeça baixa, e observe como está se sentindo. Se perceber que seu humor piorou, sente-se ereto, com a cabeça e o pescoço equilibrados sobre os ombros, e veja a diferença.
Trecho do Livro ATENÇÃO PLENA – MINDFULNESS  – Mark Williams & Danny Penman

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