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ACHO QUE FIZ UM MONTE DE GENTE FELIZ – Rita Lee Jones

Sei que ainda há quem me veja malucona, doidona, porra-louca, maconheira, droguística, alcoólatra e lisérgica, entre outras virtudes.
Confesso que vivi essas e outras tantas, mas não faço a ex-vedete-neo-religiosa, apenas encontrei um barato ainda maior: a mutante virou meditante.
Se um belo dia você me encontrar pelo caminho, não me venha cobrar que eu seja o que você imagina que eu deveria continuar sendo. Se o passado me crucifica, o futuro já me dará beijinhos. […]
Enquanto isso, sigo sendo uma septuagenária bem ‑vivida, bem‑experimentada, bem‑amada, careta, feliz e… bonitinha. Lucky, lucky me free again*.
Tempo para curtir minha casa no mato, para pintar, cuidar da horta, paparicar meus filhos, acompanhar minha neta crescer, lamber meus bichinhos, brincar de dona de casa, escrever historinhas, deixar os cabelos brancos, assistir novela, reler livros de crimes que já esqueci quem eram os culpados, ler biografias de celebridades com mais de setenta anos, descolar adoção para bichos abandonados, acompanhar a política planetária, faxinar gavetas, aprender a cozinhar, namorar Roberto e, se ainda me sobrar um tempinho, compor umas musiquinhas.
[…]Ter a sorte de ter sido quem sou, estar onde estou, não é nada comparado ao meu maior gol: sim, acho que fiz um monte de gente feliz.
– No livro “Rita Lee – Uma autobiografia“.Globo Livros, 2016.



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2020 VEIO - Poesia e Vídeo - Edmir Saint-Clair


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RITA LEE – Recuerdos (Como nasceu o Bauretz)

Entre os shows Mutantescos, minha memória guarda essa polaróide:

Um festival de Rock em Bauru na mesma noite de Tim Maia, quando mais uma vez dividimos o camarim com ele e a banda. Todo mundo ali fazendo o comportadinho sob o olhar de um par de meganhas que dava plantão nos bastidores do evento. Camarim secura total. De repente, Tim Maia começa a gritar: “ Porra, aqui é a terra do bauru, alguém vai ter que me comprar um Bauru. Tô com fome. Não entro no palco se não rolar um bauru!”.

A produção entra no camarim preocupadacom os gritos. Os dois meganhas entram atrás e Tim interpreta a situação:

 - “Eu só canto se me descolarem um bauru, entendeu? Bauru! Bauretz! Eu quero um Bauretz, sacou? Bauretz!

Sim, a produção “sacou” perfeitamente. A solução foi dar uma grana para os dois meganhas com a missão de comprar o famoso sanduíche antes que a apresentação daquela noite fosse pro brejo. “ Ni qui” a rapaziada de uniforme saiu, a rapeize do beise deitou e rolou.  

Naquele momento histórico, a cannabis foi oficialmente batizada nos meios artísticos de Bauretz. 
Trecho do livro “Rita Lee – uma autobiografia.”
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RACISTA: NÃO QUEREMOS VOCÊ AQUI!

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