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12 de out. de 2017

AVE DE RAPINA - Ana Anaissi

No inicio do século passado eu era uma jovem nascida no Rio de Janeiro e com uma situação financeira muito precária. Sonhando com um príncipe encantado, eu gostava de colocar minha roupa mais bonita, aos domingos, e ir à missa pra depois ficar passeando diante de lojas e belas casas que me enchiam os olhos com tanto requinte e bom gosto. Um dia, durante uma forte chuva, tive que me abrigar em uma marquise pra esperar uma ocasião de voltar pra casa. Entre as pessoas que também se abrigavam na marquise pude avistar um belo rapaz que me olhava também muito intensamente.

 Logo nos aproximamos e eu pude perceber, encantada, que o jovem era estrangeiro e que viera ao Brasil a negócios. Em pouco tempo nos apaixonamos e como não podia deixar de ser, fui, com os poucos pertences que tinha, ao encontro de Paris com meu príncipe encantado. Também como não podia deixar de ser, em poucas semanas estava eu em Paris dormindo nas praças e, pior (pode? Pode!) tendo que disputar comida com os pombos que ali habitavam (Muito antes de mim). 

Eu, que já tinha fobia de pássaros, vivi momentos aterrorizantes quando precisava ficar a menos de dois metros desses serezinhos assustadores. Pois bem, de lixo em lixo acabei fazendo amizades com alguns mendigos-artistas que por outros motivos (nenhum tinha fugido do seu país de origem com um francês pois já eram todos franceses)residiam nas ruas do centro de Paris. Enquanto aperfeiçoava minha arte, aperfeiçoava também minha fobia; Qualquer coisa que voasse me deixava embaraçada na tênue linha que separa a sanidade da loucura. 

Como se não bastasse meus problemas (Pobre, enganada, abandonada num país estranho, convivendo com pombos que me intimidavam, descobrindo que não tinha talento algum para as artes, tá bom?), um belo dia estava eu pintando esse quadro quando de repente, ao olhar para o céu, deparei-me com o que eu chamei (para o psiquiatra que me atendeu de emergência) de “grande pombo desgovernado”. Devidamente medicada e de volta ao meu espaço parisiense favorito, arredores da Torre Eiffel, continuei minha arte, minha procura do que comer e minha fobia aos pássaros. 

Mal havia me recuperado do trauma e numa bela tarde de ventania sinto sobre mim uma grande sombra desgovernada que logo (graças a Deus) foi levada, ao sabor do vento, pra longe das minhas vistas.

Aterrorizada com os acontecimentos (invasão de pássaros gigantes desgovernados) me abriguei, decidida a ali ficar, num café cujo dono tentou em vão me expulsar com insultos e gestos agressivos (pros insultos eu fazia cara de quem não entendia francês e pros gestos eu fazia cara de que interpretava como se fossem gestos de boas vindas, ou seja, me fiz de louca). Um dia, um desses pássaros desgovernados, numa reviravolta brusca do vento e do raciocínio do próprio pássaro, estatelou-se em uma construção e explodiu diante de um grande número de pessoas que, eu não entendia porque, ficavam sempre aplaudindo qualquer proeza que esses pássaros invasores faziam. (achava que era de medo, como simples mortais que fingem adorar um deus com medo de represálias). Me aproveitei da falta de mobilidade de gigante voador e me aproximei devagar do pássaro caído. 

Embora não entendesse a preocupação no rosto das pessoas ao redor (deveriam estar comemorando o pássaro vencido), comecei a, sozinha, bater palma esfuziantemente para comemorar a morte do inoportuno. Em meio à caras zangadas e resmungos franceses, vi que de dentro do pássaro morto saía um homem, sorrindo apesar dos percalços e que, pra minha surpresa, falava alguns impropérios em português, minha língua. Impressionada e penalizada por aquele conterrâneo que escapara de ser engolido pelo pássaro gigante, eu corri para abraçá-lo por pura solidariedade. Orgulhosa por meu conterrâneo ter libertado o mundo da grande ameaça voadora, lhe falei:
-O senhor agora vai ficar com fobia de pássaros, fobia essa muito mais justificável do que a minha!

Depois de estrondosa gargalhada, o homem me abraçou e disse: - Ao contrário, minha jovem, agora é que eu vou entrar na barriga desse pássaro e fazer com que ele voe cada vez melhor!

Posso dizer com certeza que aquela foi a tarde em que eu troquei a minha fobia por um orgulho imeeeeeeeeeenso de ter conhecido em momento tão importante um gênio brasileiro que contribuiu com sua determinação e inteligência para o desenvolvimento de todas as nações. Minha admiração e respeito àquele que é um orgulho para o povo brasileiro; Alberto Santos Dumont, o pai da aviação.
Não tem mesmo uma palavra melhor que “orgulho” pra expressar o que cada brasileiro sente ao ler a biografia desse homem.

RACISTA: NÃO QUEREMOS VOCÊ AQUI!

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