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BARÃO DE ITARARÉ - Um plano genial

Joaquim Rebolão estava desempregado e lutava com grandes dificuldades para se manter. A sua situação ainda mais se agravava pelo fato de ter que dar assistência a um filho, rapaz inexperiente que também estava no desvio.

Joaquim Rebolão, porém, defendia-se como um autêntico leão da Núbia, neste deserto de homens e idéias.

O seu cérebro, torturado pela miséria, era fértil e brilhante, engendrando planos verdadeiramente geniais, graça; aos quais sempre se saía galhardamente das aperturas diárias com que o destino cruel o torturava.

Naquele dia, o seu grude já estava garantido. Recebera convite para um banquete de cerimônia, em homenagem a um alto figurão que estava necessitando de claque. Mas o nosso herói não estava satisfeito, porque não conseguira um convite para o filho.

À hora marcada, porém, Rebolão, acompanhado do rapaz, dirige-se para o salão, onde se celebraria a cerimônia. Antes de penetrar no recinto, diz a seu filho faminto:

— Fica firme aqui na porta um momento, porque preciso dar um jeito a fim de que tu também tomes parte no festim. Já estavam todos os convidados sentados nos respectivos lugares, na grande mesa em forma de ferradura, quando, ao começar o bródio, Rebolão se levanta .e exclama:

— Senhores, em vista da ausência do Sr. Vigário nesta festa, tomo a liberdade de benzer a mesa. Em nome do Padre e do Espírito Santo!

— E o filho? — perguntou-lhe um dos convivas.

— Está na porta — responde prontamente. E, voltando-se para o rapaz, ordena, autoritário e enérgico:

— Entra de uma vez, menino! Não vês que estes senhores te estão chamando?
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SELHO BARÃO DE ITARARÉ - Conselho Médico

Como devemos tomar nossos remédios

Quando estamos doentes, afinal não temos outro remédio senão tomar remédio.

O remédio, aliás, sempre faz bem. Ou faz bem ao doente que o toma com muita fé; ou ao droguista que o fabrica com muito carinho; ou ao comerciante que o vende com um pequeno lucro de 300 por cento.

Mas apesar do bem que fazem, devemos convir que há remédios verdadeiramente repugnantes, que provocam engulhos e violentas reações de repulsa do estômago.

Como devemos tomar esses remédios repugnantes? Aí está o problema que procuraremos resolver para orientar os nossos dignos e anêmicos leitores.

O melhor meio de vencer as náuseas, quando temos que ingerir um remédio repelente, consiste em recorrer à lógica dos rodeios, adotando os métodos indiretos, até chegar à auto-sugestão, transformando assim o remédio repugnante numa coisa que seja agradável ao paladar. Numa palavra, devemos tomar o remédio com cerveja, por exemplo.

Como devemos proceder para chegarmos a esse magnífico resultado?

É indispensável comprar, antes do remédio, uma garrafa de cerveja. Depois, é necessário bebê-la devagar, saboreando-a, para sentir-lhe bem o gosto. Liquidada a primeira garrafa, pedimos outra cerveja. Esta   vamos tomá-la de outra forma, também devagar, mas com a idéia posta no remédio, cuja lembrança naturalmente nos provocará asco. Para voltarmos ao normal, encomendamos uma terceira garrafa, com a qual, lembrando-nos sempre do remédio, iremos dominando e vencendo a repugnância. Na altura da quinta ou undécima garrafa, nós já estaremos convencidos de que o gosto do remédio deve ser muito semelhante ao da cerveja e, assim, já poderíamos beber calmamente o remédio como cerveja. 

Mas, como não temos o remédio no momento e já não temos muita força nas pernas para ir à farmácia, então continuamos a beber a infusão de lúpulo e cevada, até chegarmos a esta notável conclusão: se é possível chegar a se tomar um remédio tão repugnante como cerveja, muito mais lógico será que passemos a tomar cerveja como remédio, porque a ordem dos fatores não altera o produto, quando está convenientemente engarrafado.

BARÃO DE ITARARÉ - Observações Morais, Satíricas e Irônicas


O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.

Quem foi mordido de cobra até de minhoca tem medo.

Sabendo levá-la, a vida é bem melhor do que a morte.

As criança atingem aos sete anos a idade da razão. 
Depois disso, começam a praticar toda espécie de loucura, até o juízo final.

É mais fácil sustentar dez filhos do que um vício.

Diplomata é um homem inteligente que consegue convencer a senhora que,
 com um casaco de pele, pareceria muito mais gorda.

A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.

Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio.

O mal alheio pesa como um cabelo.

El vivo vive del sonzo y el sonzo, de su trabajo.

Há Cadillacs de oitenta cavalos, sem contar com o proprietário.

Aquele senhor era tão tímido que até tinha vergonha de proceder honestamente.

Desgraça de jacaré são essas bolsas de couro.

A primeira ação de despejo de que se tem memória 
foi a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, fundamentada 
na falta de pagamento de aluguel e comportamento irregular.

Esporte é tudo aquilo que fazemos para deixar de fazer 
justamente aquilo que deveríamos fazer.

Os homens são sempre sinceros. O que acontece, porém, 
é que às vezes trocam de sinceridade.

Quem é mais porco? O porco ou o homem que come o porco?

O médico militar é um doutor que examina rigorosamente o soldado 
para ver se ele está em perfeito estado de saúde para ir morrer no front.

Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar 
que um dia ficará cacete como o pai.

Barão de Itararé (Apparício Torelly)

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NEUROCIÊNCIA SUPEROU A PSICANÁLIE - Ivan Izquierdo

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A psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência...