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PSICONEUROIMUNOLOGIA: A INTRIGANTE TÉCNICA DE ESCREVER SOBRE TRAUMAS QUE AJUDA A CURAR O CORPO - BBC Future

Segundo a neurociência, 
há ligação entre saúde e escrita

Em 1986, o professor de Psicologia James Pennebaker descobriu algo extraordinário, que inspirou uma geração de pesquisadores a fazer centenas de experimentos. 

Ele pediu a estudantes que passassem 15 minutos escrevendo sobre o maior trauma de suas vidas ou, caso não tivessem passado por um, sobre o momento mais difícil que viveram.

Eles tinham que se soltar e incluir seus pensamentos mais profundos, mesmo que nunca os tivessem compartilhado antes. Eles realizaram essa mesma tarefa por quatro dias consecutivos. Não foi fácil. Pennebaker disse que, em média, um a cada 20 alunos acabou chorando, mas, quando questionados se queriam continuar o experimento, sempre disseram que sim. Enquanto isso, um grupo de controle passou o mesmo número de sessões escrevendo descrições de coisas neutras, como uma árvore ou seus quartos.

Escrever sobre seus sentimentos não aumenta seu sistema imune para sempre

O pesquisador então passou seis meses monitorando a frequência com que os estudantes iam ao médico. No dia em que viu os resultados, ele saiu do laboratório, encontrou um amigo que o esperava no carro e lhe disse que havia descoberto algo grande. Os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos secretos foram muitas vezes menos ao médico nos meses seguintes.

Desde então, a área da psiconeuroimunologia tem explorado a ligação entre o que agora é conhecido como "escrita expressiva" e o funcionamento do sistema imune.

Os estudos seguintes examinaram o efeito dessa escrita em tudo, de asma e artrite até câncer de mama e enxaqueca.

Por exemplo, em um estudo pequeno, conduzido no Kansas (EUA), foi descoberto que mulheres com câncer de mama tinham menos sintomas incômodos e iam a menos consultas médicas relacionadas ao câncer nos meses seguintes ao experimento.

O objetivo do estudo não era observar o diagnóstico de câncer a longo prazo e os autores não sugerem que o câncer poderia ser afetado. Mas a curto prazo, outros aspectos da saúde da mulher pareciam melhores que aqueles nos grupos de controle que escreveram sobre outra coisa além de seus sentimentos em relação ao câncer.

No entanto, isso nem sempre funciona. Uma meta-análise de Joanne Fratarolli, da Universidade da Califórnia em Riverside, apontou que há um efeito em geral, mas que este é pequeno. Para uma intervenção livre e positiva, é um benefício que vale a pena. Alguns estudos tiveram resultados decepcionantes, mas há uma área em que os resultados são mais consistentes: a da cura de ferimentos.

Nesses estudos, voluntários corajosos fazem a escrita expressiva e alguns dias depois recebem um anestésico local e, então, uma biópsia no braço. O ferimento geralmente mede 4 milímetros e cura em algumas semanas. Essa cura é monitorada repetidamente e é mais rápida se os voluntários escrevem sobre seus pensamentos mais secretos.

Simplesmente imaginar um acontecimento traumático e escrever uma história a respeito já pode desencadear benefícios

O ato de colocar palavras no papel faz o que, afinal? Inicialmente se assumia que isso estava ligado à catarse, ao fato de que as pessoas se sentiam melhor porque colocavam seus sentimentos para fora. Mas então Pennebaker começou a olhar com atenção para a linguagem usada pelas pessoas na escrita.

Ele descobriu que os tipos de palavras usadas mudam no transcorrer das quatro sessões. Aqueles cujos ferimentos curavam mais rápido começaram a usar mais a palavra "eu", mas nas últimas sessões usavam "ele" ou "ela" com maior frequência, sugerindo que eles estavam olhando para o acontecido com outras perspectivas. Eles também usaram palavras como "porque", implicando que estavam dando sentido aos acontecimentos e os colocando em uma narrativa. Pennebaker acredita que o simples ato de rotular seus sentimentos e colocá-los em uma história pode afetar o sistema imune de alguma forma.

Mas há uma descoberta curiosa sugerindo que pode haver outra coisa acontecendo. Imaginar um acontecimento traumático e escrever uma história a respeito dele pode fazer a ferida curar mais rápido, então talvez a diferença esteja menos relacionada com a resolução de questões passadas e mais com encontrar uma maneira de regular suas próprias emoções.

Após o primeiro dia de escrita, a maioria das pessoas disse que remoer o passado as fez se sentir pior. Será que o estresse fez as pessoas liberarem hormônios de estresse como o cortisol, que também é benéfico a curto prazo e pode fortalecer o sistema imune? Ou será que é a melhora do humor depois de vários dias escrevendo que traz os benefícios para a imunidade? Até agora, ninguém sabe.

Seja qual for o mecanismo, apesar de várias décadas de pesquisa mostrando que funciona, a técnica raramente é usada clinicamente. Dá até para imaginar uma situação em que pessoas com cirurgia marcada sejam instruídas a praticar a escrita expressiva nas semanas anteriores ao procedimento, mas poucos estudos usaram populações clínicas com ferimentos reais e cirúrgicos em vez de aplicar ferimentos artificialmente em estudantes saudáveis.

Também funciona melhor para algumas pessoas em relação a outras e tudo depende do quanto elas se engajam no processo. Além disso, o efeito é a curto prazo, então você teria que calcular bem o tempo. Escrever sobre seus sentimentos não aumenta sua imunidade para sempre. Se as mesmas pessoas se machucarem de novo alguns meses após o estudo inicial, elas não vão se curar mais rápido que outra pessoa qualquer.

A escrita pode funcionar depois que você se machucar, como quando você está se recuperando de uma cirurgia.

Agora, uma pesquisa recente da Nova Zelândia sugeriu que não é necessário realizar a escrita antes de você se machucar. Pode funcionar do mesmo jeito se você fizer a escrita expressiva depois. Isso abre um leque de possibilidades para a prática não apenas quando a cirurgia é planejada, mas para ferimentos que não podemos prever.

Kavita Vedhara, da Universidade de Nottingham, e sua equipe na Nova Zelândia fizeram um experimento com 120 voluntários saudáveis e pediram a eles para escrever ou sobre um evento estressante ou sobre o que fizeram no dia anterior. Isso foi feito antes ou depois de uma biópsia no braço. As pessoas que estavam no grupo da escrita expressiva (que escreveram sobre op evento estressante) tinham uma tendência seis vezes maior de ter o ferimento curado em 10 dias na comparação com as outras.

Ainda é preciso realizar mais estudos com pacientes reais, mas talvez um dia, quando passarmos por uma operação, poderemos ir para casa com instruções sobre escrita expressiva. Como diz Kavita Vedhara, o efeito "é de curto prazo, mas poderoso".
Por Claudia Hammond - Fonte: BBC Future.

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COMO FORTALECER SUA MEMÓRIA SEM O MENOR ESFORÇO - BBC Future

Passar algum tempo sem fazer nada pode ser forma mais eficiente para memorizar algo novo.

Ao tentar memorizar algo novo, é normal partir da premissa de que, quanto mais nos concentramos, melhor será nosso desempenho.

Contudo, passar algum tempo sem fazer nada pode ser exatamente o que você precisa. Escureça o ambiente, sente-se e desfrute de 10 a 15 minutos de contemplação silenciosa, e você vai perceber que sua memória estará muito melhor do que tivesse tentado usar o momento de forma mais produtiva.

Uma nova pesquisa revela que devemos buscar "interferências mínimas" durante essas pausas - evitando deliberadamente qualquer atividade que possa interferir na delicada missão de formação da memória. Por isso, evite executar tarefas pequenas, verificar seus emails ou mexer no seu smartphone. Você realmente precisa dar ao seu cérebro a oportunidade de uma recarga completa sem distrações.

Uma desculpa para não fazer nada pode parecer uma técnica mnemônica perfeita para o estudante preguiçoso, mas essa descoberta também pode fornecer algum alívio para pessoas com amnésia e algumas formas de demência, sugerindo novas maneiras de liberar uma capacidade latente e não reconhecida de aprender e lembrar.

Recarregando as baterias
Os extraordinários benefícios de estimulação à memória durante um repouso tranquilo foram documentados em 1900 pelo psicólogo alemão Georg Elias Muller e seu aluno Alfons Pilzecker.

Em uma de suas muitas experiências sobre consolidação da memória, Muller e Pilzecker pediram aos participantes que memorizassem uma lista de sílabas sem sentido. Após um curto período de estudo, metade do grupo recebeu imediatamente uma segunda lista para memorizar - enquanto o resto pôde descansar por seis minutos antes de continuar com a tarefa.

Testados novamente uma hora e meia depois, os dois grupos apresentaram diferentes padrões de memorização. Os participantes que puderam descansar por seis minutos lembraram de quase 50% de sua lista, em comparação com uma média de 28% do grupo que não pôde "recarregar" suas baterias mentais.

A descoberta indicou que nossa memória para novas informações é especialmente frágil logo após a codificação, tornando-a mais suscetível a interferências.

Apesar de vários psicólogos terem revisitado o tema ao longo dos anos, foi apenas no início dos anos 2000 que suas implicações mais amplas começaram a ser conhecidas, a partir de uma pesquisa de Sergio Della Sala, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e Nelson Cowan, da Universidade de Missouri, nos EUA.

Benefícios de estimulação à memória durante repouso tranquilo foram documentados em 1900.

Os pesquisadores estavam interessados em descobrir se uma interferência reduzida poderia melhorar as memórias de pessoas que sofreram uma lesão neurológica, como um acidente vascular cerebral.

Usando uma configuração semelhante ao estudo original de Muller e Pilzecker, eles deram aos participantes listas de 15 palavras. Dez minutos depois, testaram a memória deles. Em alguns testes, os envolvidos permaneceram ocupados realizando alguns testes cognitivos. Em outros, foram convidados a se deitar em um quarto escuro e evitar cair no sono.

O impacto dessa pequena intervenção foi mais profundo do que qualquer um poderia supor. Embora os dois pacientes mais gravemente amnésicos não tenham se beneficiado, os outros triplicaram o número de palavras que poderiam lembrar - de 14% para 49%, colocando-os quase na faixa de pessoas saudáveis sem danos neurológicos.

Os resultados seguintes foram ainda mais impressionantes. Os participantes foram convidados a ouvir algumas histórias e a responder perguntas sobre elas uma hora depois. Sem poder descansar, eles só conseguiam lembrar apenas 7% dos fatos das histórias; com o resto, essa taxa saltou para 79% - um aumento astronômico de 11 vezes na informação que eles conseguiram memorizar.

Os pesquisadores também encontraram um benefício semelhante, embora menos pronunciado, para participantes saudáveis em cada caso, aumentando a proporção do que lembraram entre 10 e 30%.

Memória espacial
Della Sala e a ex-aluna de Cowan, Michaela Dewar, da Universidade Heriot-Watt, nos Estados Unidos, realizaram diversos estudos complementares desde então, replicando a descoberta em contextos muito diferentes.

Em participantes saudáveis, descobriram que esses curtos períodos de descanso também podem melhorar nossas memórias espaciais - ajudando, por exemplo, os participantes a lembrar a localização de diferentes pontos de referência em um ambiente de realidade virtual. Essa vantagem permaneceu uma semana após a tarefa de aprendizado original, e parece beneficiar tanto os jovens quanto os idosos.

Além dos sobreviventes de acidentes vasculares cerebrais, os pesquisadores também encontraram benefícios semelhantes para pessoas nos estágios mais leves do mal de Alzheimer.

Estamos sempre vulneráveis à distração
Em cada caso, eles simplesmente pediram aos participantes que se sentassem em uma sala com luz reduzida e silenciosa, sem seus celulares ou distrações semelhantes.

"Não demos a eles instruções específicas em relação ao que deveriam ou não deveriam fazer enquanto descansavam", diz Dewar.

"Mas os questionários preenchidos no final de nossos experimentos sugerem que a maioria das pessoas simplesmente deixou suas mentes vagar", acrescenta.

Mesmo assim, devemos ter cuidado para não nos esforçar demais enquanto sonhamos acordados. Em um estudo, por exemplo, os participantes foram convidados a imaginar um evento passado ou futuro durante a pausa, o que pareceu reduzir a memorização do que acabaram de aprender.

Portanto, pode ser mais seguro evitar qualquer esforço mental empreendido durante nosso tempo de inatividade.

Nossa memória para novas informações é especialmente frágil logo após a codificação, tornando-a mais suscetível a interferências

Por que isso acontece?
O mecanismo exato ainda é desconhecido, embora algumas pistas venham da crescente compreensão da formação da memória.

É sabido, por exemplo, que, uma vez inicialmente codificadas, as memórias passam por um período de consolidação que as cimenta no armazenamento a longo prazo.

Antigamente, pensava-se que isso acontecia principalmente durante o sono, com uma maior comunicação entre o hipocampo - onde as memórias são formadas pela primeira vez - e o córtex, um processo que pode construir e fortalecer as novas conexões neurais que são necessárias para a lembrança posterior.

Essa intensa atividade noturna pode ser a razão pela qual muitas vezes aprendemos coisas de forma mais eficaz antes de dormir. Mas, em linha com a pesquisa de Dewar, um estudo realizado em 2010 por Lila Davachi, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, descobriu que a solidificação da memória não se limitava ao sono, e que atividade neural semelhante ocorre também durante períodos de repouso.

Na pesquisa, os participantes foram primeiro convidados a memorizar pares de imagens - combinando um rosto com um objeto ou uma cena. Então, puderam se deitar e deixar suas mentes vagarem por um curto período de tempo.

Como era de se esperar, Davachi revelou uma maior interação entre o hipocampo e as áreas do córtex visual durante o repouso. Segundo ela, as pessoas que mostraram um maior aumento de conectividade entre essas áreas foram aquelas que se lembraram mais da tarefa.

Talvez o cérebro tenha algum tempo de inatividade potencial para cimentar o que acabou de aprender - e reduzir qualquer estímulo complementar neste momento pode facilitar esse processo. Parece que o dano neurológico pode tornar o cérebro especialmente vulnerável a essa interferência depois de aprender uma nova memória, razão pela qual o período de descanso provou ser particularmente importante para vítimas de AVC e pessoas com alzheimer.

Na era do excesso de informação, vale a pena lembrar que nossos smartphones não são os únicos que precisam ser recarregados de vez em quando. Nossos cérebros também.

Na era do excesso de informação, vale a pena lembrar que nossos smartphones não são os únicos que precisam ser recarregados de vez em quando

Estratégias
Se você está interessado em maneiras mais rápidas e de baixo esforço para impulsionar sua memória, pode se beneficiar das seguintes estratégias:

Desafie-se: ativamente se empenhar em memorizar informações é muito mais efetivo do que apenas ler passivamente.

Dê um tempo: espere algumas semanas antes de voltar a visitar um material.

Converse consigo mesmo: o ato de simplesmente descrever um evento ajuda a fixá-lo na memória.

Mude o foco: às vezes pode ser benéfico misturar e fazer um rodízio dos assuntos, em vez de estudá-los em bloco.
David Robson
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COMO FOI CRIADA A HETEROSSEXUALIDADE COMO A CONHECEMOS HOJE - BBC Future

A heterossexualidade não "estava simplesmente lá" 
desde sempre - e não há por que imaginar que sempre estará

O dicionário médico Dorland, de 1901, definiu a heterossexualidade como "um apetite anormal ou pervertido em relação ao sexo oposto".

Mais de duas décadas depois, em 1923, o dicionário Merriam Webster definia a orientação sexual como "paixão sexual mórbida por alguém do sexo oposto". Apenas em 1934 a heterossexualidade teve o significado atualizado: "manifestação de paixão sexual por alguém do sexo oposto".

Pessoas costumam reagir com incredulidade ao conhecer essas definições: "Isso não pode ser verdade", dizem. A sensação é de que a heterossexualidade sempre "esteve presente".

Há alguns anos, circulava na internet um vídeo de um homem que perguntava às pessoas na rua se achavam que homossexuais nascem com essa orientação sexual. As respostas variavam, mas a maioria dizia que era uma "combinação de natureza e criação".

O entrevistador então fazia outra pergunta na sequência, fundamental ao experimento: "Quando você decidiu ser hétero?" A maioria confessou nunca ter pensado nisso.

Ao sentir que seus preconceitos ficaram à mostra, as pessoas acabavam concordando com o ponto do entrevistador: as pessoas nascem gays, assim como nascem heterossexuais.

O vídeo parecia sugerir que todas as sexualidades "simplesmente estão aí", ou seja, não precisamos de uma explicação para a homossexualidade assim como não precisamos de uma para a heterossexualidade.

Parece não ter passado pela cabeça dos produtores do vídeo, ou das milhões de pessoas que o compartilharam, que precisemos de uma explicação para ambas.

Enquanto sexo heterossexual é tão antigo quanto a humanidade, o conceito de heterossexualidade como uma identidade é algo muito recente

Há trabalhos muitos bons, tanto acadêmicos quanto populares, sobre a construção social do desejo e da identidade homossexuais. Na verdade, a maioria de nós aprendeu que a identidade homossexual passou a existir em um momento específico da história humana. O que não aprendemos porém, é que um fenômeno parecido aconteceu com o surgimento da heterossexualidade.

Há várias razões para essa omissão educacional, incluindo viés religioso e outros tipos de homofobia. Mas a principal razão pela qual não fazemos perguntas sobre a origem da heterossexualidade é provavelmente porque ela parece natural. Normal.

Mas a heterossexualidade não "estava simplesmente presente" desde sempre. E não há por que imaginar que sempre estará.

Quando a heterossexualidade era anormal
A primeira contestação de que a heterossexualidade foi inventada geralmente envolve um apelo à reprodução: parece óbvio que o sexo entre genitais diferentes existiu desde o início da humanidade - e não teríamos sobrevivido até aqui sem isso. Mas essa contestação presume que heterossexualidade é a mesma coisa que sexo reprodutivo. Não é.

"O sexo não tem história", escreve o teórico queer David Halperin, professor da Universidade de Michigan, "porque é baseado no funcionamento do corpo". A sexualidade, por outro lado, tem uma história, precisamente porque é uma "construção cultural".

Em outras palavras, enquanto o sexo parece ser algo programado na maioria das espécies, a nomeação e classificação desses atos e de quem os pratica é um fenômeno histórico que pode e deve ser estudado como tal.

O casal transgênero em que o pai deu à luz um menino
Em outras palavras: sempre houve instintos sexuais no mundo animal (sexo). Mas em um momento específico na história, os humanos criaram significados para esses instintos (sexualidade). Quando humanos falam sobre heterossexualidade, estamos tratando da segunda definição.

Hanne Blank trouxe uma maneira útil de discutir isso em seu livro Hétero: A Surpreendentemente Curta História da Heterossexualidade, com uma analogia da história natural.

Em 2007, o Instituto Internacional para Exploração das Espécies listou o peixe Electrolux addisoni na lista das "top 10 novas espécies" do ano. Mas é claro que essas espécies não passaram simplesmente a existir havia dez anos - foi apenas quando elas foram descobertas e cientificamente nomeadas.

"Documentos escritos de um certo tipo, por um certo tipo de autoridade, transformaram o Electrolux de uma coisa que já existia para uma coisa que ficou conhecida", conclui Blank.

O julgamento de Oscar Wilde por "indecência" frequentemente é considerado um momento chave para a formação da identidade gay.

Algo parecido aconteceu com os heterossexuais, que, ao final do século 19, passaram da mera existência para o conhecimento público. "Antes de 1868, não havia nenhum heterossexual", escreve Blank. Nem homossexuais.

Os humanos não haviam pensado ainda que eles poderiam ser diferenciados entre si de acordo com o tipo de amor ou desejo sexual que sentiam. Comportamentos sexuais, é claro, haviam sido identificados e catalogados, e até proibidos em certos momentos. Mas a ênfase estava no ato, não em quem o praticava.

Então o que mudou?
A linguagem. No final dos anos 1860, o jornalista húngaro Karl Maria Kertbeny criou quatro termos para descrever experiências sexuais: heterossexual, homossexual e dois termos que hoje não são usados mas que na época descreviam masturbação e bestialidade, monossexual e heterogenit.

Kertneby usou o termo heterossexual uma década depois quando foi convidado a escrever um capítulo de um livro a favor da descriminalização da homossexualidade. O editor do livro, Gustav Jager, decidiu não publicá-lo, mas acabou usando os termos de Kertneby em um livro que ele publicou em 1880.

A vez seguinte em que a palavra foi publicada foi em 1889, quando o psiquiatra austríaco-alemão Richard von Krafft-Ebing a incluiu em um catálogo de "doenças sexuais" chamado Psicopatia Sexualis. Mas, em quase 500 páginas, a palavra "heterossexual" é usada apenas 24 vezes, e nem sequer consta no índice.

Isso se deu porque Krafft-Ebing estava mais interessado em "instinto sexual contrário" ("perversões") do que em "instinto sexual", sendo que o último é o que ele considerava "normal" em termos de desejo sexual de humanos.

"Normal" é uma palavra cheia de significado, e foi usada de maneira errônea na história. A ordenação hierárquica de raças que levou à escravidão já foi aceita como normal, assim como a cosmologia geocêntrica. Os fundamentos desses consensos vistos como fenômenos normais perderam suas posições de privilégio apenas após serem alvo de questionamentos.

Para Krafft-Ebing, desejo sexual normal estava situado em um contexto maior de utilidade de procriação, uma ideia que combinava com as teorias dominantes sobre sexo no Ocidente. No mundo ocidental, muito antes dos atos sexuais serem divididos em hétero e homo, já havia uma ordem binária: sexo procriativo e não-procriativo.

A Bíblia, por exemplo, condena o sexo homossexual pela mesma razão que condena a masturbação: porque a "semente" é desperdiçada no ato.

Enquanto essa visão foi amplamente ensinada, mantida e reforçada pela Igreja Católica e depois por outras religiões cristãs, é importante sublinhar que ela não vem originalmente das escrituras judaicas ou cristãs, mas do estoicismo - doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a.C.) que se caracteriza por uma ética em que a eliminação das paixões e a aceitação do destino são características do homem sábio.

Karl Maria Kertbeny criou o rótulo 'heterosexual"

Como a teórica católica Margaret Farley explica, os estoicos "tinham fortes pontos de vista sobre o poder dos humanos de regular emoções e sobre o desejo dessa regulamentação para encontrar a paz interior". O filósofo estoico Musonius Rufus, por exemplo, argumentava que as pessoas deveriam se proteger contra autoindulgências, incluindo excesso sexual.

Para evitar sua indulgência sexual, diz o teólogo Todd Salzman, Rufus e outros estoicos tentaram classificá-la em "um contexto mais amplo de significado humano" - argumentando que o sexo só poderia ser moral se buscasse a procriação. Antigos teólogos cristãos adotaram essa ética conjugal-reprodutiva e o sexo reprodutivo virou a única forma normal de sexo já época de Agostinho (354-430).

Apesar de Krafft-Ebing tomar essa lógica procriativa como natural, ele a expandiu bastante. "No amor sexual, o verdadeiro propósito do instinto, a reprodução da espécie, não é consciente", escreveu.

Em outras palavras, o instinto sexual contém algo como um objetivo reprodutivo programado - um objetivo que está presente até mesmo nos que fazem "sexo normal" e não o percebem.

Em seu livro A Invenção da Heterossexualidade, Jonathan Ned Katz vê um grande impacto na abordagem de Krafft-Ebing. "Ao colocar o reprodutivo separado do inconsciente, Krafft-Ebing criou um espaço pequeno e obscuro onde uma nova forma de prazer começou a se desenvolver."

A importância desse movimento - de instinto reprodutivo para desejo erótico - não pode ser diminuída, já que é crucial para as noções modernas de sexualidade.

Em geral, quando as pessoas hoje pensam em heterossexualidade, imaginam algo como: João sabe desde muito pequeno que é eroticamente atraído por garotas. Certo dia ele canaliza essa energia erótica em Suzana e ele a conquista. O casal se apaixona, dá expressões sexuais e físicas aos seus desejos eróticos e os dois vivem felizes para sempre.

Foi apenas na virada do século 20 que os pensadores começaram a separar desejo sexual da reprodução

Sem o trabalho de Krafft-Ebing, essa narrativa talvez nem fosse considerada "normal". Não havia qualquer menção, mesmo que implícita, à procriação. Definir instinto sexual como normal de acordo com desejo erótico foi uma revolução fundamental para pensar sobre sexo.

O trabalho de Krafft-Ebing deu base para uma mudança cultural que aconteceu entre a definição de 1923 de heterossexualidade como "mórbida" para a de 1934 como "normal".

O sexo e a cidade
Ideias e palavras frequentemente são produtos de sua época. Esse certamente é o caso da heterossexualidade, que nasceu em um momento em que a vida americana estava ficando mais regulamentada. Segundo afirma Blank, a invenção da heterossexualidade corresponde com o surgimento da classe média.

No final do século 19, as populações nas cidades na Europa e na América do Norte começaram a explodir. Em 1900, por exemplo, a cidade de Nova York tinha 3,4 milhões de moradores - 56 vezes sua população apenas um século antes.

Conforme as pessoas se mudavam para os centros urbanos, traziam consigo suas "perversões sexuais". Ao menos era o que parecia. "Em comparação com os vilarejos rurais, as cidades pareciam antros de excessos sexuais", escreve Blank.

Quando as populações nas cidades eram menores, diz Blank, era mais fácil controlar esse tipo de comportamento, assim como era mais fácil controlá-lo quando acontecia em áreas rurais onde a familiaridade entre vizinhos era uma norma. A fofoca das cidades pequenas podia ser um grande motivador.

Devido ao conhecimento maior dessas práticas sexuais em paralelo com o fluxo de classes mais baixas às cidades, "a culpa pelo comportamento sexual urbano impróprio geralmente era jogada sobre as classes mais baixas", diz Blank.

Era importante para uma classe média emergente se diferenciar desses excessos. A família burguesa precisava de uma forma de proteger seus membros da "decadência aristocrática por um lado e dos horrores da cidade lotada do outro". Isso demandava "sistemas reproduzíveis e universalmente aplicáveis para uma administração social que pudesse ser implementada em larga escala".

No passado, esses sistemas podiam ser baseados na religião, mas o "novo Estado secular exigia uma justificativa secular para suas leis", diz Blank. Aí entram especialistas como Krafft-Ebing, que deixou claro que a classe média ascendente não podia considerar o desvio da sexualidade normal (hétero) como simplesmente um pecado, mas como uma degeneração moral - um dos piores rótulos que alguém poderia ter então.

O anonimato da vida urbana no século 19 frequentemente era culpada por um comportamento sexual mais "imoral e livre".

"Chame um homem de 'canalha' e você define seu status social", escreveu William James em 1895. "Chame ele de 'degenerado' e você o colocou no grupo mais repugnante da raça humana". Como diz Blank, degeneração sexual se tornou uma régua para medir as pessoas.

A degeneração, afinal de contas, era o processo contrário do darwinismo social. Se o sexo procriador era fundamental para a evolução contínua das espécies, desviar dessa norma era uma ameaça para toda a sociedade. Por sorte, esse desvio poderia ser revertido, se fosse observado cedo o bastante, pensavam os especialistas da época.

A formação da "inversão sexual" acontecia, para Krafft-Ebing, em vários estágios e era curável já no primeiro. "Krafft-Ebing enviou uma mensagem clara contra a degeneração e a perversão. Todas as pessoas com dever cívico deveriam se tornar observadoras", escreve Ralph M. Leck, autor do livro Vita Sexualis.

E isso certamente era uma questão de civilidade: a maioria do efetivo colonial vinha da classe média, que era grande e estava em crescimento.

Freud
Apesar de Krafft-Ebing ter ficado relativamente conhecido, foi Freud quem deu ao público maneiras científicas de pensar sobre sexualidade. Por mais que seja difícil reduzir as teorias do médico a algumas frases, seu maior legado é a teoria psicossexual do desenvolvimento, segundo a qual as crianças desenvolvem suas sexualidades por meio de uma dança psicológica elaborada dos pais.

Para Freud, heterossexuais não nascem assim, mas são feitos assim. Como diz Katz, a heterossexualidade para Freud foi uma conquista, aqueles que a conquistavam com sucesso navegavam por seu desenvolvimento infantil sem sair da linha.

Ainda assim, como diz Katz, exigia muita imaginação classificar essa navegação em termos de normalidade. Segundo Freud, o caminho convencional para a normalidade heterossexual é pavimentado com o tesão incestuoso do menino e da menina pelo pai ou mãe, com o desejo das crianças de assassinar seus rivais - ou seja, o pai no caso do menino e a mãe no caso da menina - e com o desejo de exterminar qualquer irmão ou irmã rivais.

Ou seja, a estrada para a heterossexualidade é pavimentada de tesão e desejo de sangue. A invenção do heterossexual, na visão de Freud, é uma criação profundamente perturbada.

O fato dessa visão de Édipo ter sobrevivido por tantos anos, assim como a explicação para a sexualidade normal, "é uma das maiores ironias da história da heterossexualidade", diz Katz.

Alfred Kinsey (no centro da foto) pode ter diminuído o tabu sobre o sexo, mas seus estudos reafirmaram as categorias já existentes de comportamento homo e heterossexual

Ainda assim, a explicação de Freud parecia satisfazer a maioria do público, que, continuando com sua obsessão com a regulação sobre todo e qualquer aspecto da vida, aceitou de bom grado a nova ciência sobre a normalidade.

Essas atitudes tiveram um novo embasamento científico com o trabalho de Alfred Kinsey, cujo estudo Comportamento Sexual do Macho Humano, de 1948, classificava a sexualidade dos homens em uma escala de zero (exclusivamente heterossexual) a seis (exclusivamente homossexual).

Suas descobertas o levaram a concluir que grande parte da população masculina "tem ao menos uma experiência homossexual entre a adolescência e a idade avançada".

Enquanto o estudo de Kinsey ampliou as categorias de homo e hétero ao permitir um certo contínuo sexual, ele também "reafirmou enfaticamente a ideia de que a sexualidade é dividida entre dois polos", como diz Katz.

O futuro da heterossexualidade
Essas categorias permanecem até hoje. "Ninguém sabe exatamente por que heterossexuais e homossexuais seriam diferentes", escreveu Wendell Rickets, autor do estudo Pesquisa Biológica sobre Homossexualidade, de 1984.

A melhor resposta que temos é um tanto tautológica: "Heterossexuais e homossexuais são considerados diferentes porque eles podem ser divididos em dois grupos com base na crença de que eles podem ser divididos em dois grupos".

Apesar da divisão hétero/homo parecer eterna e um fato indestrutível da natureza, ela não o é. Trata-se meramente de uma gramática recente que os humanos inventaram para falar sobre o que o sexo significa para nós.

A heterossexualidade, afirma Katz, "é inventada no discurso como algo que está fora do discurso. Ela é construída como se fosse um discurso que é universal e fora da temporalidade". Ou seja, é uma construção, mas é apresentada como se não fosse.

Como qualquer filósofo francês ou criança com um lego poderá lhe dizer, qualquer coisa que foi construída pode ser desconstruída também. Se a heterossexualidade não existia no passado, ela não precisa existir no futuro.

Jane Ward, autora de Not Gay ("Não Gay", em tradução livre), questiona o futuro da sexualidade. 
"O que significaria pensar sobre a capacidade das pessoas para cultivar seus desejos sexuais da mesma maneira em que cultivam um gosto por uma certa comida?"

Apesar da preocupação de alguns com a possibilidade de uma fluidez sexual, é importante lembrar que vários argumentos na linha Born This Way ("eu nasci assim", em tradução livre) não são aceitos por boa parte dos cientistas.

Eles não sabem exatamente qual é a "causa" da homossexualidade e eles certamente rejeitam qualquer teoria que proponha uma origem simples, como um "gene gay".

Desejos sexuais, como todos os nossos desejos, mudam e são reorientados ao longo de nossas vidas - e é o que eles fazem, frequentemente nos sugerem novas identidades. Se isso for verdade, então a sugestão de Ward de que podemos cultivar preferências sexuais parece fazer sentido.

Por trás da pergunta de Ward há um desafio sutil: se estamos desconfortáveis com o quanto de poder temos - se é que temos algum - sobre a nossa sexualidade, qual é o motivo? Da mesma maneira, por que estaríamos desconfortáveis ao questionar a crença de que a homossexualidade, e por extensão a heterossexualidade, são verdades eternas da natureza?

O escritor James Baldwin criticou a definição das pessoas como hétero ou gay, dizendo que se trata de "um falso argumento, uma falsa acusação"

Em uma entrevista ao jornalista Richard Goldstein, o romancista e dramaturgo James Baldwin disse ter fantasias boas e ruins sobre o futuro. Uma das boas era que "ninguém teria que se definir como gay", um termo para o qual Baldwin dizia não ter paciência. "Ele responde a um argumento falso, a uma acusação falsa", dizia.

Que acusação é essa?
"A de que você não tem o direito de estar aqui, que você precisa provar seu direito de estar aqui. Eu estou dizendo que não tenho o que provar. O mundo também pertence a mim."

Era uma vez em que a heterossexualidade era necessária porque os humanos modernos precisavam provar quem eram e por que eram, e eles precisavam defender seu direito de estar ali. Conforme o tempo foi passando, porém, esse rótulo parece na verdade limitar o leque de maneiras pelas quais os humanos entendem seus desejos, amores e medos.

Talvez essa seja uma razão pela qual uma pesquisa britânica recente descobriu que menos da metade dos jovens de 18 a 24 anos se identificam como "100% heterossexual".

Isso não sugere que a maioria desses jovens sejam bissexuais ou homossexuais, mas que eles não precisem mais desse termo como as gerações passadas precisavam no século 20.

Debates a respeito de orientação sexual tendem a focar em um conceito mal definido de "natureza". Porque o sexo entre genitais diferentes geralmente resulta na reprodução da espécie, damos a ele um status moral especial.

Mas a "natureza" não nos revela nossas obrigações morais - somos responsáveis por determiná-las, mesmo quando não percebemos que estamos fazendo isso. Como observou o filósofo David Hume, pular de uma observação de como é a natureza para uma fórmula do que a natureza deve ser é uma falácia lógica.

Conforme os direitos LGBT se tornam mais reconhecidos, muitas pessoas também descrevem seus desejos sexuais como parte de um espectro

Por que julgar o que é natural e ético para um ser humano de acordo com sua natureza animal? Muitas das coisas que os humanos valorizam, como medicina e arte, não são naturais. Ao mesmo tempo, humanos detestam muitas coisas que são naturais, como doenças e morte.

Se considerarmos alguns fenômenos naturais como éticos e outros como não-éticos, isso significa que as nossas mentes (os que observam) estão determinando o que fazer com a natureza (o que é observado). A natureza não existe em algum lugar "lá fora", independentemente de nós - sempre estamos interpretando-a de dentro dela.

Até este momento da história do planeta, a espécie humana se multiplicou por meio do coito de sexos diferentes. Cerca de um século atrás, demos significados específicos a esse tipo de relação sexual, parcialmente porque queríamos encorajá-las.

Mas o nosso mundo está bastante diferente hoje. Tecnologias como a implantação de diagnóstico genético e fertilização in vitro (FIV) estão sendo cada vez mais desenvolvidas. Em 2013, mais de 63 mil bebês nasceram a partir de FIV. Na verdade, mais de cinco milhões de crianças nasceram através de tecnologias reprodutivas. Esse número ainda mantém esse tipo de reprodução como minoria, mas toda evolução tecnológica começou com os números contra ela.

Socialmente, também, a heterossexualidade está "perdendo terreno". Se havia um tempo em que indiscrições homossexuais eram o escândalo do dia, mudamos para um outro mundo cheio de casos heterossexuais de políticos e celebridades, com fotos, mensagens de texto e vários vídeos de sexo. A cultura popular está repleta de imagens de relações e casamentos heterossexuais disfuncionais.

Além disso, entre 1960 e 1980, a taxa de divórcio aumentou em 90%, lembra Katz. E enquanto ela caiu consideravelmente durante nas últimas três décadas, ela não se recuperou ao ponto em que seja possível falar que "instabilidade de relacionamento" seja algo exclusivo dos homossexuais, diz Katz.

A tênue linha entre heterossexualidade e homossexualidade não é apenas borrada, como alguns interpretam a partir da pesquisa de Kinsey - é uma invenção, um mito, que já está defasado, diga-se. Homens e mulheres continuarão fazendo sexo entre genitais diferentes até o fim da espécie humana. Mas a heterossexualidade enquanto marcador social, estilo de vida e identidade pode morrer muito antes disso.
Brandon Ambrosino
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