Mostrando postagens com marcador CÉREBRO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CÉREBRO. Mostrar todas as postagens

ANSIEDADE TÓXICA: O QUE É E COMO RECONHECÊ-LA

Sentir-se ansioso não é necessariamente algo ruim, mas quando este sentimento se transforma em uma ansiedade tóxica, crônica e dolorosa, pode prejudicar muito o nosso dia a dia.

O que queremos destacar é que a princípio a ansiedade é normal e saudável, pois nos ajuda a manter uma certa ativação para nos proteger de perigos iminentes ou para desempenhar algumas tarefas.

Contudo, apesar da sua natureza protetora, ela aparece pelo simples fato de termos medo de que a angústia, a preocupação, o nervosismo, as palpitações, os pensamentos intensos, o suor, etc, se perpetuem.

Então, permitimos a criação de um tipo de círculo vicioso por meio do qual sentimos ansiedade quando antecipamos a mesma. Ou seja, o mesmo temor que a emoção em si mesma nos provoca possibilita as mesmas sensações e a mesma realidade que tanto nos causa medo.

Ansiedade tóxica e os monstros da adrenalina e do cortisol

Este estado que denominamos “círculo vicioso da ansiedade” vem acompanhado da atividade de dois hormônios principais: a adrenalina e o cortisol. Para entender como funcionam podemos pensar em como respondemos quando tropeçamos em uma escada. Automaticamente o coração dispara e costumamos procurar o corrimão para proteger a nossa própria integridade física.

Este conjunto de sensações, as quais correspondem à ansiedade saudável, nos dão energia e força para nos proteger. São momentos de intensa e desagradável excitação nos quais o corpo admite, por necessidade, a liberação de uma boa quantidade de adrenalina e de cortisol.

Também poderíamos pensar em um passeio de montanha-russa no qual as sensações o tornam desagradável e violento, ao contrário de divertido. Acontece que quando estamos a ponto de cair da escada ou quando subimos na montanha-russa, sabemos que as sensações são passageiras e que assim como vêm, também vão.


Contudo, quando os perigos respondem a expectativas ou pensamentos que procuram antecipar perigos futuros, não permitimos que o simpático monstro da adrenalina adormeça. Como não deixamos que ele adormeça, o monstro se alimenta de nossas preocupações em forma de adrenalina, o que nos prende cada vez mais nessas sensações de angústia sem que exista nada que o justifique.

Significa dizer que a adrenalina e o cortisol ficam sem nada, nem ninguém para salvar do dragão. Estão ali presentes porque nós os alimentamos com pensamentos de futuro que antecipam más experiências.

Tudo isso fica preso em nosso próprio interior, apesar de procurar sair e se libertar. Por isso acontecem os ataques, por isso a insônia persiste, os pensamentos negativos e as sensações de bloqueio não vão embora.

Algumas máscaras que a ansiedade tóxica usa para se manifestar:

Preocupação crônica

A ansiedade pode se revelar através de uma preocupação incessante sobre a família, a saúde, as metas acadêmicas ou profissionais, a situação financeira, etc. É provável que diante destas preocupações sintamos que o estômago está em plena centrifugação e que exista a sensação de que alguma coisa ruim acontecerá mesmo desconhecendo o que e por quê.

Medos e fobias
Um medo excessivo e irracional de agulhas, do sangue, dos procedimentos médicos, de altura, de elevadores, do dentista, da água, de bichos como aranhas ou répteis, dos cães, das tempestades, dos lugares fechados, etc. Este tipo de máscara é outra dura imagem que a ansiedade escolhe para se mostrar.

Ansiedade quanto à atitude
Às vezes a ansiedade faz com que fiquemos paralisados diante de uma prova acadêmica, uma atuação, uma competição esportiva ou qualquer outra situação que demande o bom desempenho na execução de uma tarefa.

Ansiedade de falar em público
O medo desproporcional de falar em público é outra das “formas favoritas” que a ansiedade tem de se mostrar. Sentimos que o mundo dá voltas, trememos, ficamos nervosos e achamos que a nossa própria mente ficará em branco na hora em que qualquer deslize evidente ocorrer.

Fobia social
Sentir-se nervoso, tenso e incapaz de articular uma palavra nas reuniões sociais é outra máscara que a ansiedade usa para nos cumprimentar. Pela nossa mente passam coisas como “não tenho nada interessante a dizer”, “não consigo falar com ninguém”, “vão pensar que sou uma pessoa esquisita e fracassada”, “não vale a pena porque ninguém se interessa por mim”, etc.

Ataques de pânico
Suor, tontura, bloqueio, rigidez, fortes palpitações, medo intenso… Você já sentiu isto alguma vez de forma repentina e achou que iria morrer? Se é o caso, nessa ocasião a ansiedade se vestiu com uma fantasia cruel: o ataque de pânico.

Agorafobia
Você tem medo de estar fora de casa? Você tem a clara convicção de uma coisa horrível pode acontecer com você na rua, na fila do supermercado ou no ônibus? Você, por exemplo, sente que vai sofrer um ataque de pânico e que ninguém poderá ajudá-lo? A ansiedade se vestiu de agorafobia ou, o que é a mesma coisa, de um medo intenso de estar em espaços públicos.

Obsessões e compulsões
Existem pensamentos que atormentam você de forma incessante e que você não consegue tirar da cabeça. Ao mesmo tempo, alguma coisa no seu íntimo obriga você a realizar constantes rituais supersticiosos com o objetivo de controlar seus medos.

Por exemplo, você pode sentir a necessidade de lavar constantemente as mãos, de checar várias vezes se fechou a porta com chave ou de rezar 10 pais nossos para proteger a sua família. A ansiedade se disfarçou de obsessões e compulsões, um dos seus trajes mais obscuros.


Transtorno de estresse pós-traumático
Você já viveu um evento traumático (abuso sexual, maus-tratos, presenciar um assassinato, etc.) faz meses ou anos e as imagens dessa situação horrível voltam repetidamente na sua cabeça? Você não dorme bem e não se sente seguro diante disto? Consulte um especialista em saúde mental porque talvez a ansiedade esteja se manifestando como transtorno do estresse pós-traumático.

Preocupação com a aparência física (transtorno dismórfico corporal)
A sua aparência física lhe parece tremendamente anormal, mas só você enxerga o que você sente. O resto das pessoas que o rodeiam dizem que “não é para tanto”, que o seu nariz, seu corpo ou seu cabelo são normais.

É provável que você sinta necessidade de passar por uma cirurgia plástica e que constantemente se olhe no espelho com a intenção de corrigir o seu defeito. Talvez a ansiedade se manifeste na forma de transtorno dismórfico corporal. Considere isto e procure um especialista em saúde mental para consultá-lo.

Preocupação com a saúde (hipocondria)
Dores, fadiga, tonturas, desconforto… Você tem certeza de que existe alguma doença que coloca em risco a sua saúde, mas o médico não enxerga nada nos exames que realiza. Pode até ser que as explicações que ele oferece não tranquilizem mais a sua mente.

É possível que você esteja sendo vítima da ansiedade em forma de hipocondria, e para você curar a sua saúde precisa procurar um bom profissional de psicologia que avalie as suas crenças e o seu jeito de pensar sobre a saúde.

A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA HUMANA - António Damásio

Entrevista com um dos maiores neurologistas da atualidade

No campus da Universidade de Iowa, Estados Unidos, o neurologista português António Damásio gasta boa parte do tempo tentando compreender uma das áreas mais nebulosas do conhecimento: a consciência humana. É difícil encontrar um desafio mais instigante para um cientista, diz Damásio. Afinal, o que poderia ser mais fascinante do que conhecer o modo como conhecemos?
Em seus dois livros, O Erro de Descartes e O Mistério da Consciência (editados no Brasil pela Companhia das Letras), Damásio descreve como a consciência abriu caminho para uma verdadeira revolução na natureza, tornando possível o surgimento da religião, da moral, da organização social e política, das artes, da ciência e da tecnologia. Ele tenta encontrar as respostas para as questões mais antigas da filosofia pesquisando o que há de mais novo no conhecimento do cérebro. Depois da polêmica em torno da clonagem humana, ele prevê que os debates mais fervorosos da ciência estarão ligados à possibilidade de manipularmos nossas emoções por meio de uma melhor compreensão da mente.

Qual a origem da consciência humana?
A consciência é fruto da necessidade básica de nos mantermos vivos. É claro que, na natureza, existe uma série de organismos simples que vivem de uma forma basicamente automática. Desde que mantenham cuidados básicos, como evitar perigos e adquirir a energia por meio dos alimentos, a vida desses organismos pode ser preservada. Os seres humanos são mais complexos: além de precisarem manter a vida de uma forma simples, eles têm que se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter energia e se expõem a inúmeros perigos e oportunidades. Nesse ambiente que não é apenas físico, mas também cultural, precisamos de um sistema complexo de imaginação, criatividade e planejamento. A consciência surge dessa necessidade.

Existe uma primeira forma de consciência?
Uma forma de consciência inicial aparece quando o homem sente que ele é um ser em si mesmo. É difícil encontrar uma palavra, em português, para definir o processo. Chamo essa consciência de self. É ela que faz que não sejamos um robô, uma máquina manipulável. Podemos guiar a imaginação e conduzir a criatividade por meio dessa consciência. Para compreendermos o que é a dor, o sofrimento, e também o prazer das outras pessoas, precisamos antes ter uma idéia de quem somos. E a consciência self é fundamental para que possamos respeitar os outros.

Como o estudo da consciência pode melhorar a vida das pessoas?
Grande parte do sofrimento humano é causado por conflitos das pessoas consigo mesmas. Quando conhecemos mais a natureza biológica do homem, encaramos esses problemas com outro olhar. Se conhecemos os mecanismos que acionam a ansiedade, a tristeza e a alegria, podemos entender melhor como cada pessoa é e evitar certos problemas. Pense nos conflitos religiosos, políticos e de grupos sociais. É claro que há bases econômicas para eles mas acredito que a compreensão das emoções pode ajudar a mudar a maneira pela qual as pessoas tentam resolver essas disputas. Entender a tendência para a violência, para a competição ou o funcionamento do medo é fundamental para o autocontrole. Posso soar otimista, mas acredito que, quando admitirmos que nossa razão é influenciada por essas emoções, o mundo poderá tornar-se melhor.

A compreensão detalhada da consciência não pode nos tornar mais céticos ao descobrirmos, por exemplo, que há, no cérebro, uma região responsável pelo amor ou outra pela fé?
Mesmo que venhamos a compreender a mente com mais profundidade, será muito difícil desvendar mistérios como a origem do universo ou o que faz com que nos apaixonemos por outra pessoa. É possível que nunca cheguemos a desvendar essas questões talvez nosso cérebro não tenha capacidade para compreender certos enigmas...

Como a crença em Deus...
Exatamente. Acho improvável que a neurociência consiga, um dia, apresentar razões para que as pessoas tenham ou deixem de ter fé numa inteligência superior. Elas podem até deixar de acreditar em milagres. Mas a ciência não tem como concluir que o Criador existe ou deixa de existir. A fé e a origem do universo não são problemas científicos passageiros. Mesmo assim, o conhecimento da mente pode mudar a forma como nos relacionamos com a vida. As pessoas tendem a aceitar a morte em função da complexidade do universo. Acho que deveria ser o contrário: constatando como a vida é frágil, podemos dar mais importância a ela e trabalhar para que seja a melhor possível enquanto dure.
A cada ano surgem um novo antidepressivo e drogas que provocam emoções artificiais.

Você acredita que, no futuro, teremos uma droga que possa acabar com as emoções ruins?
Acho que sim. É uma questão importante, que precisaremos discutir cada vez mais. Imagine uma superpopulação tomando Prozac diariamente. Esse grupo de pessoas alteraria um sistema natural e poderia causar diversos problemas é claro que alguns problemas seriam resolvidos, mas as conseqüências da proliferação dessa medicação poderiam levar à ruína de uma sociedade. Tem que haver mais investigação sobre como essas drogas serão usadas. É claro que as pessoas deprimidas devem ser tratadas, mas pode ser um erro tomar o medicamento apenas para inibir a timidez e impulsionar a vida social. A ciência precisa trazer mais informações para que esses temas não sejam discutidos pela simples opinião ou intuição de algumas pessoas.

Chegaremos, um dia, a manipular tão bem as áreas do cérebro que poderemos reproduzir com uma pílula a sensação de voar ou de passear numa montanha russa?
É bem provável que isso seja possível. E, sem dúvida, para a sociedade esse será um assunto tão polêmico quanto o da clonagem genética. Vamos ter que decidir o que deve e não deve ser permitido exatamente como na regulamentação da indústria do cinema e da televisão. Há um ponto em que tanto a criação artística quanto a científica precisam ser filtradas pela sociedade. Mas não podemos deixar que um burocrata decida isso. Quanto mais informações forem divulgadas no futuro, inclusive por meio desta revista, mais condições a sociedade terá para tomar suas decisões.

Que outro tipo de realidade virtual poderá ser criada, no futuro, manipulando o cérebro?
Prefiro não especular, tudo ainda não passa de teoria.

O estudo da consciência humana é um campo da ciência à espera de um novo Newton?
O problema da consciência é um tema complexo, que tem sido mal abordado. É evidente que é necessário avançar muito mais. Acho que meu livro O Mistério da Consciência traz alguns avanços importantes sobre o assunto, mas não devemos ter a ingenuidade de acreditar que tudo está resolvido. Há imensos problemas à espera de mais investigação e trabalho. Nos próximos dez ou 20 anos, talvez seja possível resolver boa parte deles.

Como escrever sobre assuntos tão complexos para o público leigo?
Os temas sobre os quais escrevo são importantes demais para ficarem restritos aos cientistas. Escrever sobre o pâncreas ou o fígado pode ser atraente apenas para os médicos, mas o público tem interesse quando falamos da mente, do pensamento, da emoção e do sentimento. É fantástico o retorno que tenho recebido dos leitores dos meus livros em todo o mundo. Interessados em arte, literatura e cinema dizem que essa pesquisa os ajuda a compreender melhor o que fazem nas suas próprias áreas.

DESCUBRA AS MENTIRAS QUE O SEU CÉREBRO CONTA PARA VOCÊ

Você não toma as próprias decisões - e boa parte do que vê não é real. É apenas uma ilusão criada pelo seu cérebro, que passa pelo menos 4 horas por dia enganando você. Conheça os truques que ele aplica - e saiba o que realmente acontece dentro da mente.

Você fica cego 4 horas por dia. Já foi enganado por um rótulo nesta semana...CONTINUAR LENDO.

DESCOBERTA INCRÍVEL: CÉLULAS DOS FILHOS ESTÃO ALOJADAS NOS CÉREBROS DAS MÃES

Os avanços tecnológicos estão ajudando a entender a complexidade biológica da reprodução humana.

Descobertas recentes confirmam que o “milagre da vida” envolve questões que vão muito além da gestação de uma criança no útero materno...CONTINUAR LENDO.

A PERCEPÇÃO DO TEMPO MUDA DE ACORDO COM A LÍNGUA - Juliana Domingos de Lima

Estudo recente feito por linguistas mostra que os idiomas influenciam nossa forma de vivenciar o tempo.

Línguas diferentes descrevem o tempo de maneiras distintas - e as palavras usadas para falar sobre ele moldam nossa percepção de sua passagem.

O estudo “The Whorfian Time Warp: Representing Duration Through the Language Hourglass” (Distorção temporal whorfiana: representando duração por meio da ampulheta da língua, em português), publicado no jornal da APA (Associação Americana de Psicologia), mostra que conceitos abstratos, como a percepção da duração do tempo, não são universais.

Ao contrário, a forma como pensamos e representamos mentalmente esses conceitos temporais varia de acordo com a língua (ou as línguas) que se fala. “A língua pode ter um papel poderoso na transformação da experiência psíquica e física do tempo pelos seres humanos”, escrevem os pesquisadores no estudo. Para o artigo, os linguistas Emanuel Bylund, da Universidade de Estocolmo (Suécia), e Panos Athanasopoulos, da Universidade de Lancaster (Reino Unido), realizaram experimentos com falantes bilíngues e monolíngues de espanhol e sueco.

Os autores não só verificaram uma mudança da percepção temporal conforme a língua falada como observaram que a transição de uma língua para outra por um mesmo indivíduo modificava sua estimativa de uma duração de tempo. Isso implica que visões diferentes de tempo convivem no cérebro de um indivíduo bilíngue.

Noções distintas de tempo

Como não vemos o tempo, temos uma tendência a associá-lo a conceitos espaciais, diz o estudo. Ao mesmo tempo, ele estabelece diferenças entre a representação do tempo em algumas línguas. Falantes de inglês e sueco, por exemplo, falam de tempo usando os termos “longo” e “curto”, que remetem a distância. Quem fala grego e espanhol, por outro lado, se refere a uma duração de tempo em termos de quantidade e volume, usando palavras como “grande” ou “pequeno”. 

Essa variação de termos é que faz variar também a representação mental e a percepção que se tem do tempo. Para os três experimentos realizados no estudo, os participantes — nativos em língua sueca, nativos em língua espanhola ou bilíngues — eram solicitados a avaliar a duração de dois vídeos animados. Um deles mostrava um contêiner ser preenchido gradualmente com líquido, e o outro, uma linha que ia aumentando de tamanho na tela. A expectativa dos pesquisadores era que, se falantes de língua espanhola falam de duração como quantidade, sua estimativa de tempo sofreria maior impacto pelo preenchimento do contêiner do que no caso dos suecos.

Analogamente, a distância da linha que crescia na animação deveria impactar mais a estimativa dos suecos do que dos espanhóis.

Etapas do estudo:

EXPERIMENTO 1 -  
Nessa primeira etapa, 40 falantes nativos de espanhol e 40 falantes nativos de sueco foram aleatoriamente designados a assistirem a uma das animações. Individualmente, eram perguntados, em sua própria língua, quanto tempo o estímulo da animação havia durado. Em um computador, deveriam assinalar a duração estimada, e o símbolo da ampulheta aparecia acompanhado da palavra “duração” (“tid” em sueco e “duración” em espanhol). Também deveriam descrever o que tinham assistido, o que indicaria a percepção de tempo que possuem.

EXPERIMENTO 2 -  
Outros 40 falantes nativos de espanhol e 40 de sueco foram submetidos ao mesmo procedimento, com os mesmos materiais do procedimento anterior, sem que fossem usadas palavras junto aos símbolos com que, no computador, deveriam assinalar uma resposta às perguntas. O objetivo, nesse caso, era suprimir a indicação verbal.

EXPERIMENTO 3 -  
Dessa vez, 74 falantes bilíngues de espanhol e sueco foram submetidos aos vídeos do contêiner e da linha. No momento de responderem à pergunta, alguns se depararam com palavras em sueco, e outros, em espanhol. A interação com os estímulos mudou significativamente dependendo da língua na qual o participante era induzido a pensar.

Os resultados comprovaram influência da língua usada na representação da passagem do tempo. E que aprender uma segunda língua beneficia o falante com uma percepção nova do tempo.

“Ao aprender uma língua nova, você se adapta de repente a dimensões da percepção às quais não tinha acesso antes”, diz Athanasopoulos, um dos autores do estudo. Os participantes bilíngues se mostraram capazes de perceber a passagem do tempo como distância e como volume simultaneamente.

“O fato de que pessoas bilíngues transitam entre essas diferentes formas de estimar o tempo sem esforço e inconscientemente se encaixa nas evidências crescentes que demonstram a facilidade com que a linguagem se entremeia furtivamente em nossos sentidos mais básicos, incluindo nossas emoções, percepção visual e, agora, ao que parece, nossa sensação de tempo”, disse o pesquisador ao site Quartz.

IMAGENS DO CÉREBRO MOSTRAM O PODER TRANSFORMADOR DO EMDR

Pela primeira vez na história, os cientistas têm acesso a tecnologias de imagem que podem investigar o funcionamento do cérebro humano com altos níveis de detalhe. Com as novas técnicas avançadas de varredura, como as varreduras por imagem SPECT e a fMRI (ressonância magnética funcional), temos uma compreensão mais profunda de nosso computador interno do que jamais imaginamos ser possível. E são esses tipos de tecnologia que nos dão uma visão direta de como a terapia EMDR muda o cérebro humano e pode fazê-lo funcionar com mais eficiência.


Dê uma olhada nas imagens abaixo. Olhe a imagem esquerda. Veja a cor vermelha espalhada pelo cérebro. Essas são as áreas que não estão funcionando como deveriam, na verdade, estão funcionando demais! Agora confira a imagem no lado direito. Esta imagem foi tirada depois que a pessoa passou por uma série de sessões de EMDR. Observe como a área afetada diminuiu substancialmente ao ponto de quase desaparecer completamente – é assim que um cérebro deve funcionar.
Agora vamos ver um segundo conjunto de imagens.
Aqui você pode ver uma varredura do cérebro de dois ângulos diferentes e em uma pessoa diferente. A área vermelha mostra excesso de atividade doentia no cérebro. Agora observe as duas imagens à direita tiradas após a terapia EMDR. O vermelho quase desapareceu e o cérebro está funcionando de maneira normal e eficiente.
Usando o EMDR para mudar o cérebro, as pessoas podem transformar pensamentos prejudiciais e autodestrutivos em crenças e comportamentos saudáveis ​​e positivos que melhorarão suas vidas. Esta informação sobre como o EMDR pode transformar uma pessoa tem como base dezenas de estudos científicos. 

O EMDR está sendo usado para tratar coisas como depressão, medo e ansiedade, baixa auto-estima, vício, dor e perda, e também trauma e TEPT. Como um dos tratamentos psicoterapêuticos mais pesquisados, o EMDR foi estudado entre muitos grupos de pacientes, incluindo veteranos militares e vítimas de agressão sexual. Em alguns estudos, mais de 70% dos indivíduos não demonstraram mais seus sintomas após apenas três sessões de EMDR

Em um estudo com pessoas deprimidas, a terapia com EMDR foi mais eficaz que o Prozac para tratamento de longo prazo. Estudos clínicos mostraram que o EMDR ajuda os pacientes a curar ou alterar comportamentos problemáticos em uma fração do tempo exigido por outras formas de terapia. A Clínica Menninger, em Houston, no Texas, controlou o estudo da dessensibilização e reprocessamento dos movimentos oculares (EMDR) e concluiu que “três sessões de 90 minutos de EMDR eliminaram o transtorno de estresse pós-traumático em 90% das vítimas de estupro”.

Um segundo estudo publicado pelo Journal of Traumatic Stress descobriu que, após apenas 12 sessões de terapia EMDR, os sintomas foram eliminados em 77,7% dos veteranos de combate estudados. Descobriu-se também que, mesmo com o passar do tempo, os veteranos permaneceram bem e não voltaram aos sintomas e os efeitos foram mantidos no acompanhamento. “Isso significa que os veteranos que foram estudados não só melhoraram com o EMDR, mas também mantiveram seu estado de bem-estar a uma taxa de 100% após a conclusão do estudo. 

A Dra. Francine Shapiro, fundadora da Terapia EMDR como um tratamento de saúde mental, disse que, de alguma forma, o EMDR parece interromper a memória de trabalho. Isso significa que depois de passar pelo processo de Terapia EMDR, as pessoas perceberão suas memórias negativas, sentimentos e até mesmo suas compulsões comportamentais, como o vício de forma diferente. “Cerca de uma dúzia de estudos usando imagens cerebrais observaram mudanças neurofisiológicas significativas na terapia pré-pós EMDR, incluindo um aumento no volume do hipocampo”, disse Shapiro.

CIENTISTAS ENVIAM MENSAGEM DE UM CÉREBRO PARA OUTRO A 7.000 KM DE DISTÂNCIA


As interfaces cérebro-máquina são fascinantes. Elas apontam para um futuro no qual você pensará em comandos e eles serão enviados para outras pessoas através de um computador. Um novo estudo nos aproxima mais desse futuro.

Uma equipe de cientistas, liderada por Giulio Ruffini, conseguiu enviar uma mensagem do cérebro de uma pessoa na Índia para o cérebro de outra pessoa na França, a mais de 7.000 km de distância.

Como nota a Popular Science, o processo envolve diversos passos, mas não usa tecnologia de ponta: trata-se de software e hardware de neurorrobótica já criados nos últimos anos.

Na Índia, uma pessoa usa um capacete EEG (eletroencefalográfico), que mede a atividade elétrica do cérebro. Ele é conectado a um laptop, que exibe na tela um círculo branco em um fundo preto.

A pessoa então move esse círculo usando a mente. Se ele for para cima e para a direita, isso corresponde ao valor 1; se for para o canto inferior direito, o valor é 0.


Isso serve para codificar palavras na cifra de Bacon. Criado pelo filósofo e cientista Francis Bacon em 1605, o sistema transforma cada letra do alfabeto em um código binário de cinco algarismos. Por exemplo:

A = 00000
 B = 00001
 C = 00010
 D = 00011
 E = 00100

… e assim vai. Portanto, se você move o círculo cinco vezes para o canto inferior direito (valor 0), você “digita” a letra A.

Após digitar a mensagem, ela é enviada através da internet. Ao chegar à França, ela foi levada a uma máquina de estimulação magnética transcraniana. Esta máquina consegue enviar impulsos magnéticos através do crânio das pessoas.

Esses impulsos fazem você enxergar lampejos de luz no ar, e um braço robótico mira em diferentes partes do seu cérebro para esses lampejos aparecerem em locais diferentes – acima e abaixo do horizonte, por exemplo. Isso é um sistema binário, tal qual a cifra de Bacon.

Assim, se o lampejo aparece em um lugar, trata-se do valor 0; se aparecer em outro, é o valor 1. A pessoa vai listando esses valores e decifra a mensagem. As palavras “hola” e “ciao” foram decodificadas com sucesso através deste método.

Sim, tudo isso é muito complicado, e provavelmente não vamos nos comunicar assim no futuro. Mas é um começo, e bastante promissor.

E ele pode ir ainda mais longe: nós falamos por aqui sobre um experimento no qual o dedo de uma pessoa era controlado pelo cérebro de outra pessoa. Imagine poder enviar mensagens e até comandos para alguém! É mais uma vitória para as interfaces cérebro-máquina.
[PLOS One via Popular Science]

COMO AJUDAR O CÉREBRO A TOMAR MELHORES DECISÕES - Ana Carolina Prado

Você é capaz de imaginar o que acontece com o seu cérebro quando você está prestes a tomar uma decisão importante? O que nos leva a escolher aquele produto mais caro no supermercado ou qual filme assistir na sexta à noite? A ciência tem se esforçado para entender melhor o processo de tomada de decisões. Um artigo na Scientific American trouxe estudos revelando que, ao contrário do que muita gente pensava, ter muitas opções de escolha nos leva a tomar decisões piores – ou não tomar decisão nenhuma.
O mais divertido deles foi um realizado pelos pesquisadores Alison P. Lenton, da Universidade de Edimburgo, e Marco Francesconi, da Universidade de Essex. Eles analisaram as escolhas feitas em 84 speed-dates (eventos em que a pessoa participa de vários miniencontros com desconhecidos, um após o outro, para no final escolher – ou não – os parceiros de que mais gostou). O resultado mostrou que os participantes fizeram menos propostas (muitas vezes, nenhuma!) para um segundo encontro quando tinham maior variedade de opções. Essa variedade, em vez de possibilitar melhores decisões, na verdade confunde e prejudica a qualidade da escolha.
Mostramos esse estudo para Camile Maria Costa Corrêa, que estuda fatores que influenciam a tomada de decisão no Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP, e batemos um papo com ela sobre isso. Quer saber como você pode dar uma forcinha para o seu cérebro tomar decisões mais acertadas? A Camile deu boas dicas.

O que a ciência já sabe sobre a maneira como tomamos decisões?
Sabe-se que a maioria das nossas decisões são automáticas, pois são fruto de processamento inconsciente. Descer uma escada ou retirar a mão de uma chapa quente são decisões que precisam ser rápidas, sem interferência da verbalização interna. Mas há decisões complexas que envolvem situações de risco e exigem racionalização. Em tomada de decisões, simples ou complexas, é o sistema nervoso que avalia as alternativas possíveis, geralmente de forma a maximizar os ganhos e minimizar as perdas. A neurociência vem desenvolvendo métodos para avaliar como a cognição, emoção, atenção e memória e outras variáveis contribuem para o processo. A decisão não é uma simples escolha entre alternativas, mas um processo que depende da experiência do indivíduo e de sua capacidade de identificar os principais fatores da situação.

Como o cérebro atua nesse processo?
Processos inconscientes, expressos no estado de motivação de um indivíduo, dependem, grosso modo, do funcionamento do tronco encefálico e dos gânglios da base. Já as reações emocionais são fruto de processamento do sistema límbico: elas são o pano de fundo, o cenário em relação ao qual as decisões são tomadas. Finalmente a atividade de áreas frontais (córtex pré-frontal) é associada ao planejamento decisório, ao controle dos impulsos e à decisão racional. Mas é importante lembrar que não existe essa aparente compartimentalização do cérebro na hora de decidir. Todas as áreas têm sua contribuição relativa e interdependente, só que umas são mais recrutadas do que outras.

O estudo indicou que ter muitas opções pode nos atrapalhar. Por que isso acontece?
Antes se pensava que quanto mais alternativas tivéssemos, melhor seria a nossa decisão. As opções eram vistas como promotoras da nossa liberdade de avaliar A melhor opção. Entretanto, escolher dentre inúmeras alternativas de marcas de produtos no supermercado, celulares, carros etc. virou um processo tão custoso que as pessoas sentem-se aliviadas quando não precisam decidir. Quando temos que escolher uma alternativa, é necessário abrir mão de muitas outras potencialmente boas também. Isso gera um sentimento de perda e situações de impasse cuja resolução é tão difícil que pode ser mais fácil desistir.

Como o estresse afeta a tomada de decisões?
O estado de estresse claramente prejudica várias funções cognitivas, como memória, atenção e a tomada de decisões. O estresse pode levar a decisões impulsivas ou mesmo perseverativas. Pode restringir a busca por soluções, pode impedir a flexibilização do raciocínio.

Que outros fatores dificultam o ato de fazer escolhas?
Geralmente, acreditamos que não somos responsáveis por decisões tomadas em situações de coerção, ignorância, intoxicação involuntária, insanidade ou ausência de controle. Além dessas situações, o excesso de opções, pouco tempo para decidir, falta de atenção, existência de distrações, apelos por decisões impulsivas, vieses emocionais ou excesso de racionalização, são empecilhos à decisão.

Como as propagandas e outras influências externas podem afetar as nossas escolhas e o que podemos fazer para não sermos tão influenciáveis?
As propagandas sabem usar elementos que apelam às nossas motivações. O que se vende numa propaganda geralmente é só contexto e as promessas de bem-estar associadas a um produto. Oferecê-lo pode ser satisfatório por dois motivos: suprir uma necessidade ou suprir um desejo. Para não sermos tão influenciáveis, mais importante do que saber que essas estratégias existem é conhecer os seus valores pessoais. A instrospecção (exercício de saber sobre si mesmo) pode ajudar a filtrar o bombardeamento de oportunidades imperdíveis, promoções e liquidações. Valorizar mais objetivos a longo-prazo do que os imediatos são escolhas geralmente conservadoras, mas que impedem ceder à tentação das propagandas.

Que outras atitudes ajudam a tomar decisões melhores?
Ser capaz de prever eventos fornece tempo para preparar reações, de forma a melhorar as escolhas que se venha a fazer no futuro. Por outro lado, raciocinar sobre as próprias decisões, exercitar a introspecção pode ser uma boa estratégia para identificar valores e objetivos a curto e longo prazo, ajudando a construir critérios sobre suas necessidades e motivações. Deixar a “intuição” falar também pode ser uma boa opção em vários casos. Saber que, em alguns casos, as decisões “impensadas” geram resultados melhores não significa necessariamente agir impulsivamente. A força da intuição está nas experiências. Às vezes elas bastam, às vezes não.

PESQUISA RELACIONA ANSIEDADE E INTELIGÊNCIA

Pessoas nervosas são mais inteligentes que as demais. A afirmação é polêmica e foi feita por cientistas do Suny Downstate Medical Center, em Nova York. Depois de examinar o QI de portadores de distúrbios da ansiedade, como síndrome do pânico, transtorno pós-traumático e medo de lugares fechados, a equipe do psiquiatra Jeremy Coplan concluiu que esses indivíduos têm um coeficiente de inteligência maior comparando-se ao restante da população. De acordo com os cientistas que participaram do estudo, nos humanos, inteligência e preocupação evoluíram juntas.

Além de testar o QI de 16 pessoas extremamente ansiosas, os pesquisadores realizaram o exame de imagem, que revela as conexões dos neurônios. Eles descobriram que os preocupados têm menor concentração de colina, um nutriente regulador do metabolismo presente na massa branca do cérebro. “A preocupação nos deixa mais alertas, algo que garante a sobrevivência. No processo evolutivo, a ansiedade, portanto, pode ter sido um benefício”, diz Coplan. “No cérebro dos indivíduos ansiosos que investigamos, além do QI mais alto constatamos que o metabolismo funciona de maneira diferente. Essas duas características — ansiedade e inteligência —, portanto, estão relacionadas”, diz.

O pesquisador, cujo estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, usa o exemplo dos judeus ashkenazi, conhecidos por ter uma inteligência bem acima da média da população. Oriundo da Europa, esse grupo étnico, ao qual pertencia Albert Einstein, sofreu perseguições intensas no último milênio, incluindo a inquisição espanhola e o Holocausto comandado por Adolf Hitler. “É um povo que, obviamente, passou por períodos sucessivos de ansiedade, onde a vida deles era constantemente colocada em risco. Essas pessoas têm uma mutação genética que resulta em uma doença devastadora, chamada de síndrome de Tay-Sachs. A mesma variante também pode estar ligada, segundo pesquisas recentes, a uma atividade neural mais intensa, o que leva ao aumento da inteligência”, afirma.

Crítica Especialista em distúrbios da ansiedade, a psicóloga Linda J. Metzger, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, tem sérias dúvidas sobre a conclusão do estudo de Coplan. “É certo que o medo foi importante na evolução da humanidade. Ainda hoje, sabemos que uma dose de preocupação é essencial para que as pessoas não se arrisquem demais. Daí a correlacionar a ansiedade extrema à inteligência, creio que são necessários estudos mais amplos”, diz. Ela lembra que o excesso de medo é um problema grave, com sérias consequências sociais e até econômicas. “As fobias fazem com que muitas pessoas percam sua vida produtiva e o tratamento desse problema requer gastos no sistema de saúde”, diz.

Coplan concorda que a ansiedade aguda é algo preocupante, mas defende seu estudo. “Preocupar-se pouco pode ser problemático também, tanto para os indivíduos quanto para a sociedade. Algumas pessoas são incapazes de reconhecer o perigo, mesmo quando ele é iminente, e creio que isso chega a ser algo pouco inteligente. Se pessoas assim assumem uma posição de liderança, elas acabam influenciando a população em geral, no sentido de acharmos que nunca há motivo para nos preocupar. Em algumas situações, como o estouro da bolha estatal que vivenciamos nos Estados Unidos, a falta de preocupação da sociedade teve consequências sérias”, argumenta.
Paloma Oliveto‏
______________________

_______________

Gostou?
Compartilhe, o Cult agradece.

A BELEZA ESTÁ NO CÉREBRO: ESTÍMULO ELÉTRICO PODE MUDAR SEUS PADRÕES.

Quem já exagerou no álcool sabe como ele pode mudar temporariamente os padrões de beleza de alguém. Usando um método diferente (e que não causa ressaca), uma equipe de pesquisadores conseguiu atingir um efeito similar, abrindo portas para novos tratamentos de doenças neurológicas.

A técnica, chamada estimulação transcraniana por corrente direta (tDCS, na sigla em inglês), usa dois eletrodos e uma pequena corrente elétrica (2 miliampères) para estimular áreas específicas do cérebro. Embora seja possível conseguir efeitos parecidos por meio de medicamentos, a tDCS tem a vantagem de ser mais direcionada (enquanto drogas podem afetar diversas áreas) e de não ter efeitos colaterais negativos.

Ela já é usada para tratar pessoas com depressão e ajudar na reabilitação das que sofreram derrame. “Contudo, até onde sabemos, praticamente nenhum dos estudos anteriores [envolvendo tDCS] examinou e correlacionou comportamento com atividade neural”, aponta o pesquisador Shinsuke Shimojo.

No estudo, 99 voluntários foram divididos em seis grupos, cada um com um padrão de estímulo diferente – com exceção de um grupo de controle, todos receberam estímulo em uma região cerebral ligada a recompensa. 

Enquanto eram monitorados por meio de ressonância magnética, os participantes viam fotos de rostos e diziam o quão atraente achavam as pessoas retratadas. Depois do estímulo, as “notas” dadas por eles subiram. Os autores acreditam que isso aconteceu por causa da liberação de dopamina (ligada, entre outras coisas, a emoções) influenciada pela tDCS.

Como os níveis desse neurotransmissor não podiam ser medidos por ressonância magnética, a equipe pretende fazer novos testes com a tDCS, mas desta vez com outra técnica de monitoramento.
Em relação ao tratamento de doenças, o estudo de Shimojo e seus colegas mostrou que o alcance do tDCS é maior do que se imaginava até então.
Guilherme de Souza [Medical Xpress, Translational Psychiatry]

CIENTISTA RUSSO REVELA O QUE OCORRE CONOSCO APÓS A MORTE


Yuri Serdiukov é doutor em filosofia e neurocientista com formação na Rússia, país onde nasceu. Por anos, se dedicou à analise de processos psíquicos e fisiológicos da morte clínica.

Por conta desses estudos, Yuri é um dos mais respeitados especialistas da área. E em uma conferência internacional sobre neurofilosofia, que ocorreu na Universidade Estatal de Moscou, ele explicou o que ocorre com nosso cérebro após a morte.

Segundo o cientista, é justamente nesse ponto que nossa experiência de morte se relaciona com a ideia de paraíso e inferno. Após morrermos, nossa atividade cerebral se mantém ativa por tempo indeterminado, explica Yuri.

Assim, nesses estados, o sujeito acaba perdendo sua capacidade lógica e verbal, mergulhando num profundo estado onírico prolongado, que é criado por atividade espontânea de nosso cérebro. Os conteúdos variam de pessoa a pessoa, de acordo com sua condição psíquica.

Por conta disso, afirma ele, certas experiências relatadas por pacientes que chegaram ao estado de quase-morte são relatadas como prazerias e outras como mais obscuras.

O cientista russo ainda afirma que é possível treinar nosso cérebro para termos uma morte prazerosa. Ele ressalta, ainda, que uma vez que não há existência de noção de tempo nesse estado, essa experiência pode parecer infinita.

EXERCÍCIOS FÍSICOS DEIXAM NOSSO CÉREBRO MAIS INTELIGENTE – Entrevista com o Neuropsiquiatra de Harvard John Ratey

Exercícios frequentes são mais potentes que remédio

Os exercícios nos deixam mais inteligentes. Quem afirma é o neuropsiquiatra John Ratey, professor da Harvard Medical School e autor do livro “Corpo ativo, mente desperta” (Editora Objetiva). Em entrevista ao GLOBO, ele diz que os exercícios são mais importantes que qualquer remédio para as funções cerebrais:
Fabricamos novas células cerebrais todos os dias e os exercícios ajudam mais que qualquer outra atividade.

1 - O que atraiu seu interesse para esta área?
JOHN RATEY: Inicialmente os exercícios eram vistos como menos potentes que as drogas antidepressivas, mas hoje sabemos que são tão bons quanto e, em alguns casos, até melhores que os remédios. Sempre fui um atleta e percebi em mim a importância dos exercícios para manter meu cérebro, humor e motivação nos melhores níveis.

2 - Como os exercícios melhoram as funções cerebrais?
RATEY: Os exercícios regulam ansiedade e níveis de estresse, além de otimizar o aprendizado de três maneiras: melhoram os sistemas de atenção, a memória, a capacidade de aprendizado e a habilidade de perseverar e superar as frustrações que o processo de aprendizado eventualmente produz; criam o ambiente certo para nossas cem bilhões de células nervosas, fabricando mais neurotransmissores e receptores para registrar novas informações; e promovem o surgimento de novas células no cérebro, um processo chamado neurogênese.

3 - Então a atividade física regular também nos deixa mais inteligentes?
RATEY: Sim. O exercício otimiza as chances de aprendizado ao nos deixar mais prontos para aprender, ao fazer com que o cérebro esteja preparado para se desenvolver e talvez até adicionando novas células nervosas às áreas envolvidas com a memória e o aprendizado. Mas é especialmente importante por aumentar a liberação do fator neurotrófico BNDF, um verdadeiro fertilizante para o cérebro por encorajar nossas células nervosas a crescerem, que é a maneira como aprendemos.

4 - Os exercícios estão ganhando respeito como uma opção de tratamento?
RATEY: As pessoas estão gradualmente reconhecendo o fato de que a atividade física é uma terapia auxiliar útil para desordens mentais e médicas. Hoje o primeiro tratamento para a depressão ou a ansiedade são exercícios regulares. Há dez anos a Câmara dos Comuns do Reino Unido disse que os exercícios deveriam ser o tratamento primário para a depressão, então eles estão na mente das pessoas e começando a ter aceitação na comunidade médica.

5 - Os exercícios também podem aliviar o estresse?
RATEY: Sim, tanto em termos de diminuir a resposta a situações de estresse quanto aumentando a resistência ao estresse. À medida em que a pessoa melhora o condicionamento, é preciso uma ameaça maior para disparar seu alarme de estresse, pois a atividade física muda a neuroquímica do cérebro, assim como trabalha no nível celular para proteger as próprias células do estresse.

6 - Quais são os melhores exercícios?
RATEY: É muito bom juntar artes marciais com dança, como na brasileira capoeira. A questão é aumentar os batimentos cardíacos e mantê-los altos por um tempo, adicionando complexidade e coordenação que vão desafiar mais áreas do cérebro, estimulando a liberação de fatores neurotróficos e desenvolvimento. Outras atividades que ganharam popularidade, como a ioga, também ajudam a desafiar o corpo e a mente, provocando mudanças magníficas no cérebro.
Ana Lúcia Azevedo – O Globo

AFINAL, OS ANIMAIS SÃO OU NÃO CAPAZES DE PENSAR?

Imagine um animal em situação de perigo. Antes de se aproximar do objeto ameaçador, ele apenas observa de longe seus movimentos. Depois, vencido pela curiosidade, se aproxima, não sem saltar para trás em apreensão – e precaução. Quando considera que não há perigo, ganha confiança e volta a agir normalmente.

Esse comportamento certamente parece inteligente. Os humanos poderiam muito bem se comportar de forma similar quando se deparassem com algo estranho e potencialmente perigoso. Mas o que realmente acontece com os animais: um processo de pensamento deliberado ou mero instinto animal?

A questão é antiga. Aristóteles e René Descartes acreditavam que o comportamento animal era governado puramente por reflexos. Já Charles Darwin e o psicólogo William James argumentaram que os animais deveriam ter uma vida mental complicada.

Agora, estamos mais perto do que nunca de resolver esse debate. Uma grande quantidade de relatos de comportamentos animais está fazendo muitos biólogos acreditarem que certas criaturas realmente têm pensamentos rudimentares.

Enquanto isso, as últimas imagens cerebrais de experimentos estão ajudando os cientistas a compreender que tipo de anatomia é necessária para um cérebro pensante.
Embora seja improvável que as vidas mentais dos animais sejam tão complexas quanto a nossa, há muito mais acontecendo em suas cabeças do que se pode imaginar.

Na década de 1970, o zoólogo americano Donald Griffin começou a esquentar esse debate. Ele foi uma das primeiras pessoas a descobrir a “ecolocalização” dos morcegos, e comportamentos tais como a capacidade dos castores de cortar pedaços de madeira para encaixar precisamente nos furos particulares de suas barragens, bem como a capacidade dos macacos de usar suas vozes (chamadas diferentes) para enganar os outros – tudo sugeria que os animais podiam pensar.

Os céticos achavam que isso era muito subjetivo. As observações de Donald perderam credibilidade por ele achar que todos os animais eram conscientes – ele queria provar que, cada vez que qualquer animal fazia qualquer coisa com qualquer ingenuidade, tão primitivo quanto um vaga-lume brilhando no escuro, ele estava consciente.

Hoje, no entanto, apesar do valor do trabalho de Donald, a pesquisa está mais objetiva e sistemática. Mais popular é a ideia de que as experiências mentais de outros animais se encontram em uma espécie de espectro, variando de um tipo primitivo de consciência ao fluxo rico e complexo de pensamentos da mente humana.

A mosca da fruta é o animal perfeito para explorar uma das extremidades desse espectro. Ao longo dos últimos anos, cientistas mostraram que esses insetos têm um pré-requisito essencial para a consciência: ao invés de responder aleatoriamente a tudo à sua volta, eles podem selecionar em que prestam atenção com base em suas memórias.

Por exemplo, as moscas são mais propensas a explorar novos objetos adicionados ao ambiente do que coisas que estiveram lá por um tempo. Quando os pesquisadores reduziram a capacidade da mosca da fruta de formar memórias, isso prejudicou sua capacidade de atender a novidade, de modo que os insetos responderam mais ao acaso.

Atenção flexível existe, provavelmente, até no mais simples cérebro, o que significa que muitas criaturas, incluindo peixes, anfíbios e répteis, também pode ter esse tipo de consciência. Sendo assim, quais animais, se houver algum, mostram sinais mais avançados de experiência mental?

Os melhores indícios até agora são de animais que exibem formas particularmente complexas de comportamento, como a capacidade de planejar o futuro.

Até recentemente, os cientistas acreditavam que essa característica era unicamente humana. No final de 1990, pesquisadores descobriram que o pássaro gaio-azul pode usar memórias específicas de acontecimentos do passado para fazer planos para os tempos à frente.

Em 2006, pesquisadores descobriram que essa capacidade se estendia aos beija-flores. Eles podem se lembrar da localização de certas flores e quão recentemente estiveram em um local, e usar essas informações para orientar seu comportamento futuro.

Desde então, os estudos sugerem que primatas, ratos e polvos mostram alguma aptidão para o planejamento futuro, também.

O problema é se esse comportamento é flexível. Se não, o ato pode ser apenas um instinto evoluído, por mais complexo que pareça ser. Por exemplo, corvos conseguem usar uma ferramenta “antiga” para um novo uso (um galho para verificar objetos potencialmente perigosos foi usado mais tarde para pegar comida dentro de um tubo).

Corvídeos podem até ser capazes de adivinhar o comportamento de outra ave. Por exemplo, experiências constataram que os corvos tomam medidas para proteger alimentos de outros corvos que poderiam tê-los visto escondendo-os, mas ficam despreocupados com corvos presos atrás de um obstáculo que teriam bloqueado a sua visão (e assim não teriam visto onde eles esconderam a comida). Em outras palavras, eles têm uma “teoria da mente” básica, que não é possível sem algum tipo de processo de pensamento.

Algumas outras criaturas também devem ter essa capacidade; não surpreendentemente os primatas estão entre essa elite. Se os chimpanzés roubam comida, por exemplo, são extremamente silenciosos se outro membro do grupo estiver ao alcance de sua voz. Mais impressionante ainda, eles parecem ser capazes de adivinhar como outro pode ter agido no passado.

Durante uma caça à comida, os chimpanzés tentam adivinhar onde seus concorrentes poderiam ter procurado primeiro, para que eles possam procurar em locais menos óbvios. Baleias, ursos e cães ainda não provaram suas habilidades neste tipo de tarefa, mas não deixam de mostrar alguns sinais de empatia que sugerem que eles também devem ter uma vida mental relativamente avançada.

No entanto, ainda falta uma característica importante do pensamento humano nos animais, chamada de “metacognição”: a habilidade de monitorar e controlar memórias e percepções, permitindo-nos pensar, por exemplo, “eu sei que eu sei isso” ou “eu não tenho certeza de que estou certo”, ou ainda sentir que o nome de alguém está na ponta de sua língua.

A importância disso para o pensamento humano é comparável ao uso da linguagem e das ferramentas. Evidência de metacognição em outros animais, portanto, seria uma grande prova da existência da mente animal.

Alguns cientistas começaram a explorar o assunto no início de 2000. Por exemplo, em um experimento, um grupo de macacos observou uma imagem e, depois de um tempo, tiveram que tentar selecionar a imagem de um grupo de quatro. Para quem acertasse, o prêmio era um amendoim.

Em um fluxo de experiências, no entanto, os macacos poderiam perder a chance de ganhar o amendoim, em troca de um prêmio garantido – um alimento processado de macaco menos desejável. Os cientistas suspeitam que os macacos deixavam “passar” essa opção quando não tinham certeza da resposta.

Ele estava certo. Macacos que tinham a oportunidade de “passar” para a frente desempenharam muito melhor nos testes do que 0s do experimento “tudo-ou-nada”. Isto sugere que, quando dada a oportunidade, eles eram totalmente capazes de avaliar a sua confiança na tarefa, fornecendo evidências convincentes para a metacognição no macaco.

Novas pesquisas sugerem que eles são parte de um conjunto selecionado com essa capacidade. Os chimpanzés, como os macacos, demonstraram metacognição, mas os macacos-prego, embora inteligentes em outras áreas, parecem cair nesse obstáculo. Os resultados para os golfinhos não são claros, mas já ficou certo que criaturas como o pombo não estão à altura do desafio.

Descobrir se outras espécies inteligentes como os golfinhos e, talvez, os corvos, possuem metacognição é crucial para nosso entendimento da mente.

Os cientistas precisam saber se a metacognição desenvolveu apenas uma vez, na linha dos primatas (que leva a macacos e humanos), ou se a característica se desenvolveu repetidamente e convergentemente, com picos de sofisticação cognitiva, em golfinhos, corvos, macacos e pessoas. Se esse for o caso, mudaria toda a nossa compreensão da evolução do cérebro dos primatas.

Muitos cientistas, entretanto, continuam achando que os humanos estão em um nível completamente diferente e muito maior de pensamento. Os chimpanzés, por exemplo, simplesmente não entendem conceitos físicos abstratos, como peso, gravidade e transferência de força.

Tente colocar uma banana perto da gaiola um chimpanzé e fornecer-lhe algumas ferramentas para alcançar seu potencial lanche. Ele estará tão propenso a tentar usar um material desajeitado e mole quanto um objeto rígido para alcançar a banana.

Ou seja, os chimpanzés podem raciocinar sobre coisas diretamente perceptíveis, mas somente os seres humanos têm um nível superior de pensamento que não depende apenas de estímulos sensoriais, permitindo-os formar conceitos mais abstratos, como gravidade ou força.

Esses cientistas céticos são minoria, mas continuam achando que os animais não têm consciência. Como Descartes, eles chegaram à conclusão de que a linguagem é essencial para o pensamento. Isso porque mesmo um comportamento engenhoso – que não envolva linguagem – pode ser feito sem estar consciente (veja os humanos dirigindo um carro sem nem pensar nisso). Os comportamentos que eles não concebem fazer inconscientemente são os que envolvem o uso de linguagem.

Um dos problemas nessa área é que os estudos de comportamento só podem chegar a um cerrto ponto: você poderia mostrar um animal como uma mosca colocando chapéu e vestindo roupas, e ainda algumas pessoas poderiam dizem que é apenas uma série de reflexos.

Por essa razão, alguns pesquisadores estão tentando novas abordagens que possam resolver o argumento de uma vez por todas. Imagens do cérebro é uma das possibilidades mais promissoras.

Por exemplo, pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para estudar assinaturas de consciência do cérebro humano. Eles descobriram que existe um padrão similar de atividade neural cada vez que nos tornamos conscientes da mesma imagem de uma casa ou de um rosto, mas não processamos a informação da imagem inconscientemente. O trabalho sugere que o pensamento consciente não depende de qualquer região exclusivamente humana do cérebro, ou seja, não há nenhuma razão anatômica para dizer que o pensamento é exclusivo das pessoas.

Outro trabalho neurocientífico revelou alguns pré-requisitos importantes para a consciência que podem estar presentes em alguns animais. Conexões neurais que permitem que o tálamo transmita informações de sentidos para o córtex, por exemplo, parecem ser vitais para a percepção consciente. Outros mamíferos além de nós possuem tal conexão, por isso, eles têm pelo menos substratos para a consciência. Provavelmente podemos dizer o mesmo sobre as aves, o que parece se encaixar com as conclusões dos estudos comportamentais.

Algumas pessoas nunca vão se convencer do pensamento animal, já que acham que não há dados que possam responder a essa pergunta. Já outros estão otimistas com a procura dos equivalentes animais ao tálamo e córtex para resolver de vez o argumento. O que você acha?
Por Natasha Romanzoti [NewScientist]

Anúncio

Anúncio

NEUROCIÊNCIA SUPEROU A PSICANÁLIE - Ivan Izquierdo

NEUROCIÊNCIA SUPEROU A PSICANÁLIE - Ivan Izquierdo
A psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência...