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IMBECILIDADE: AGRAVANTES E ATENUANTES - Francisco Daudt

“Os imbecis perderam a modéstia”; “Os idiotas vão dominar o mundo; 
não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

As famosas frases de Nelson Rodrigues constatam uma triste realidade da espécie. Não à toa Churchill disse que a democracia era o pior dos regimes (com exceção de todos os outros).

Mas queixar-se da imbecilidade humana é como queixar-se da chuva: é um dado da natureza e não há nada a fazer, exceto proteger-se dela.

Minha questão aqui é que a ninguém a imbecilidade é alheia, não há quem esteja imune a ela; todo Einstein tem seu momento de Eremildo, o personagem idiota do Elio Gaspari. 

O que quero comentar são os fatores que agravam a imbecilidade, e os que a atenuam, para que todos nós possamos lidar melhor com ela.

Você pensará que “lidar melhor com ela” visa apenas atenuá-la, mas não; eu acredito que há muita gente mal intencionada querendo aumentá-la. Se não, como explicar o descalabro da educação pública?

Esta, que é o pilar da busca da igualdade de oportunidades; esta, que transformou a Coreia do Sul em potência econômica em poucas décadas, em nossa terra é entregue às baratas. Deve haver muito político temendo um povo esclarecido, preferindo pobres mendigando por uma bolsa-esmola a troco de votos…

A chave psicológica do aumento/diminuição da imbecilidade está na capacidade humana de reflexão/reação. Se somos induzidos à reatividade, nossa burrice aumenta. Se temos espaço para a reflexão, o que aumenta é a nossa inteligência.

É verdade que nossa espécie não teve muito estímulo para a reflexão em suas origens: imagine um ancestral nosso na savana africana vendo um bando de amigos em correria. Se ele parasse para refletir sobre o pânico público, provavelmente teria sido devorado por um predador, não deixando descendentes. A reatividade de sair correndo junto salvou sua vida. A filosofia teve mais chance de existir quando o grego clássico pôde tranquilamente conversar e refletir com seus pares na Ágora.

Eis que nesse cenário acima está o que determina a reatividade, e o que possibilita a reflexão: sentir-se – ou não – ameaçado; precisar – ou não – de se defender. De fato, todos os mecanismos de defesa psíquicos são emburrecedores. 

Tomemos apenas a negação como exemplo: todos nós estamos fadados a morrer. A morte e os impostos são as duas únicas certezas da vida. 

Agora considere a quantidade de energia que a humanidade investe na negação da morte. Considere o aluguel mental que isso traz, todas as derivações dessa negação (Galileu e a rejeição ao heliocentrismo, p.ex.), e você terá uma pálida ideia da influência emburrecedora dos mecanismos de defesa.

Para um exemplo mais recente, considere os nossos “debates” políticos. Há espaço para reflexão neles?

Todos se ocupam de atacar o oponente através dos piores adjetivos, pois sabemos que “a melhor defesa é o ataque”. Claro, todos estão sob a ameaça dos rótulos horríveis que cada parte lhes lança. Eis porque só fazem reagir. É a imbecilidade desfilando em toda sua glória.

Algo em âmbito mais próximo? Pense nas D.R. (Discussões de relação). A ameaça de rompimento, de desamparo, de perda de amor está tão presente que a reatividade defensiva impera, é por isso que não se vai muito longe nelas… 

Se elas começassem com uma declaração apaziguadora (“eu te amo e quero me entender bem com você”), as chances de reflexão seriam maiores.

Todas as doenças psíquicas – neuroses, psicoses, perversões, depressão, psicopatia – derivam de se estar aprisionado a mecanismos de defesa contra as ameaças do mundo (i.e., do Superego), e sabemos como elas nos reduzem a capacidade de raciocinar.

Eis porque adoro a conversa calma e amigável; o ambiente que acolhe e não acusa; a amizade que não pressupõe malícia da outra parte; a autoridade do saber, e não a de mando; a democracia parlamentar, e não a tirania.

SINCRONICIDADE: A CIÊNCIA DAS COINCIDÊNCIAS

 “O mundo é um ovo” ou “Que mundo pequeno!” são expressões que certamente você já usou ou ouviu em algum momento. Essas expressões são usadas quando uma situação de coincidência acontece. Um encontro de surpresa com alguém que você conhece em uma cidade diferente da sua pode ser um exemplo de  coincidência. Mas o que aconteceria se soubéssemos que, na verdade, isso tem a ver com uma ciência chamada “sincronicidade”?

Mesma que pareça incrível, importantes pesquisadores estudaram e tentaram identificar as relações que podem existir entre dois fenômenos taxados como muito improváveis ou que parecem não ter conexão alguma. E não foram nomes muito desconhecidos os que tentaram dar alguma explicação para estes acontecimentos. Podemos falar de gente de renome, como Carl Jung, por exemplo, que inventou o termo “sincronicidade”.

“Uma vez é acidente, duas é coincidência, 
e três é ação do inimigo”.
– Ian Fleming –

O que é a sincronicidade?

Às vezes pensamos que o universo está nos enviando sinais quando acontecem coincidências que são muito surpreendentes. No entanto, para Jung, era simplesmente a sincronicidade, que poderia ser definida como a simultaneidade de diferentes eventos vinculados por um sentido que não é o da coincidência.

Ou seja, podemos resumir esta singular ciência em uma coincidência temporal de uma série de eventos (dois ou mais), que apesar de estarem relacionados entre si, não são influenciados um pelo outro. No entanto, existe uma relação de conteúdo.

Para tentar tornar isso mais fácil, imagine que você tem um bom amigo. Um dia, conversando com o seu pai, você fala para ele sobre essa amizade e comenta seu nome com ele, quem são seus familiares, etc. Assim, do nada, seu pai percebe que seu amigo tem uma relação familiar distante com a sua, porque o avô de seu amigo e a sua avó eram primos de segundo grau.

Observemos no exemplo que o fato de você e do seu amigo serem parentes distantes não tem nada a ver com a sua amizade e nem com como ela aconteceu. No entanto, há uma relação de conteúdo, mas não de coincidência.

Mais detalhes curiosos sobre a sincronicidade

Muitos autores estudaram ou falaram, inclusive sem saber, sobre essa peculiar ciência. Para Friedrich Schiller, por exemplo, o acaso surge de fontes profundas, por isso a coincidência não existe. No entanto, o surrealista André Bretón considerava a existência do acaso objetivo, quando seus desejos convergem com o que o mundo oferece.

Porém, de acordo com Jung, quando falamos de sincronicidade, nos referimos à união de acontecimentos internos e externos. Sendo assim, o indivíduo que vive determinados acontecimentos encontra sentido na unificação de ambos.

Apesar de acudirmos à metafísica para justificar estes acontecimentos, como pode ser o acaso ou a sorte, inclusive a magia, na realidade aconteceriam em forma de atração inconsciente. Uma atração inconsciente que faz com que as coisas aconteçam, pelo menos de acordo com o que Jung considera. Isso nos leva ao reconhecimento de padrões.

É por isso que esta teoria do autor, que nasce da psicanálise, choca-se com movimentos racionalistas e materialistas. Entretanto, o famoso psicólogo estabelecia épocas mais ou menos propícias para o aparecimento das sincronicidades..

O reconhecimento de padrões

Cabe destacar que Jung estabelecia a sincronicidade ou ocorrência como uma busca de padrões reconhecíveis. Por essa razão, segundo o psicanalista, fases após a morte de pessoas queridas ou mudanças no trabalho provocam uma maior energia para a coincidência. Tudo isso se deve às mudanças provocadas em nós após essas situações, que nos levam a buscar padrões reconhecíveis que deem sentido a nossa busca. Assim, este impulso de reconhecimento que parece que todos nós temos, é a base da sincronicidade.

De acordo com alguns estudos, em momentos de elevada quantidade de dopamina no cérebro, caso de situações estressantes ou de grande profundidade emocional, nós tendemos ao pensamento mágico. Porém, essa magia, que seria a coincidência, é na realidade a sincronicidade.

No entanto, não se deve desprezar a necessidade de busca por padrões. Isso é algo natural que temos na mente humana desde o tempo das cavernas. E mais, este tipo de pensamento está ligado à anedonia, cuja inexistência poderia provocar a incapacidade de sentir prazer. Ou seja, essa é, na realidade, uma habilidade que nos ajudou a sobreviver durante milhares de anos.

“Não acredito na coincidência 
nem na necessidade. 
Minha vontade é o destino”.
– John Milton - 

Então não pense na loucura da coincidência e do acidente. Somos propensos a procurar padrões e, em muitas ocasiões, nosso cérebro lida com essa informação de forma inconsciente. Entretanto, é um mecanismo valioso que nos ajuda a tomar decisões. Talvez a magia da coincidência não exista, mas pode ser bonito e útil pensar que sim.

AS COISAS PERDERAM O SENTIDO PARA VOCÊ? ALGUMAS ATITUDES PODEM AJUDAR

Todos nós passamos por momentos difíceis. 
No entanto, alguns passam por esses momentos difíceis melhores do que outros.

Então, qual é o segredo? A maior parte tem a ver com atitude. Então, aqui estão 13 coisas para se lembrar quando a vida ficar difícil.

#1. As coisas são o que são
O famoso ditado de Buda nos diz que “é a nossa resistência às coisas que causa nosso sofrimento”.

Pense nisso por 1 minuto. Isso significa que o nosso sofrimento só ocorre quando resistimos às coisas como elas são. Se você pode mudar alguma coisa, então aja em conformidade. Mude.

Mas, se você não pode mudar, então nos restam 2 opções:

Aceitar e deixar a negatividade para lá.
Nos tornarmos miseravelmente obcecados com o sofrimento.

#2. Se você acha que tem um problema, você tem um problema
Muitas vezes nós somos o nosso pior inimigo. A felicidade depende realmente de nossa perspectiva.

Se você acha que algo é um problema, então seus pensamentos e emoções serão negativos. Mas você acha que está passando por algo que pode aprender, então, de repente, isso não é mais um problema.

#3. A mudança começa em você mesmo
O seu mundo exterior é um reflexo do seu mundo interior. Você não conhece pessoas que as vidas são caóticas e estressantes? E não é verdade que, em grande parte elas se sentem assim por dentro?

Nós gostamos de pensar que as mudanças em nossa rotina nos mudam. Mas, dando um passo atrás, precisamos mudar a nós mesmos antes que as circunstâncias mudem.

#4. Não existe aprendizagem maior do que falhar
Você deve eliminar a palavra fracasso de seu vocabulário. Todas as grandes pessoas que já alcançaram alguma coisa falharam.

Thomas Edison disse algo como “eu não falhei em inventar a lâmpada, eu encontrei primeiramente, 99 maneiras de que a ideia não funcionava”.

Tire as chamadas falhas do caminho e aprenda alguma coisa com elas. Depois disso, aprenda como fazer melhor da próxima vez.


Lembre-se que falhar é uma lição de aprendizado.

#5. Se algo não acontece como planejado, significa que o melhor aconteceu
Isso é bem difícil de acreditar, mas é a mais pura verdade. Normalmente, quando olhamos para trás em nossa vida, somos capazes de ver por que essa era a melhor alternativa.

Talvez o trabalho que você não conseguiu teria feito você passar mais tempo longe da sua família, e o que você conseguiu era mais flexível.

Apenas tenha fé que tudo acontece exatamente do jeito que deveria.

#6. Aprecie o presente
Este momento nunca voltará. E há sempre algo preciso a cada momento. Então não deixe passar por você em branco.

Em breve será apenas uma lembrança. Mesmo que momentos que não parecem felizes possam ser encarados como algo que você pode perder, algum dia.

#7. Deixe o desejo de lado
A maioria das pessoas vivem com a mente anexada a desejos. Isso significam que nossas mentes ficam ligadas a um desejo e quando não realizamos esses desejos, nossas emoções despencam em negatividade.

Em vez disso, tente praticar uma mente isolada. Isso significa que, quando você quer algo, você ainda será feliz conseguindo ou não. Faça com que suas emoções permaneçam felizes ou neutras.

#8. Compreenda e seja grato por seus medos
O medo pode ser um grande professor. E vencer o medo também pode fazer você se sentir vitorioso.

Por exemplo, muita gente tem medo de falar em público (esse é um dos 3 principais medos dos seres humanos). Então, quando você perder o medo e conseguir falar de maneira bem humorada na frente de todos, vai se sentir vitorioso.

Superar seus medos requer apenas prática. O medo é apenas uma ilusão e, acima de tudo, é opcional.

#9. Experimente a alegria
Acredite ou não, muitas pessoas não deixam de se divertir com o que acontece ao seu redor. E, muitas vezes essas pessoas nem sabem porque se divertem nessas situações.

Algumas pessoas são realmente viciadas em seus problemas e o caos envolvido nisso tudo faz com que eles nem saibam quem são.

Portanto, permita-se ser feliz. Mesmo que seja apenas por um breve momento, é importante se concentrar em alegria, e não em dificuldades.


Não tenha medo de experimentar a alegria.

#10. Não se compare com os outros
Mas se você se comparar, compare com quem tem menos do que você. Está desempregado? Seja grato por viver em um país que dá seguro desemprego, porque a maioria das pessoas do mundo vivem com menos de 750 dólares ao ano.

Você não se parece com a Angelina Jolie? Acredito que existem mais pessoas que não se parecem do que pessoas que parecem.

#11. Você não é uma vítima
Você precisa parar de ver tudo pelo seu próprio ponto de vista. Você é apenas uma vítima de seus próprios pensamentos, palavras e ações.

Ninguém faz alguma coisa contra você. Você é o criador de sua própria experiência. Assuma a responsabilidade pessoal e perceba que você pode sair de suas dificuldades.

Nós só precisamos começar a mudar pensamentos e ações. Abandone a sua mentalidade de vítima e torne-se um vitorioso.

#12. Tudo muda
E isso também vai passar. Quando estamos presos em uma situação ruim, pensamos que não há nenhuma maneira de resolver os problemas.

Achamos que nada vai mudar. Mas uma hora tudo muda. Nada é permanente, exceto a morte. Então, saia do hábito de pensar que as coisas serão sempre assim. Elas não serão.

Mas você precisa agir para que as coisas mudem. Isso não vai acontecer magicamente por conta própria.

#13. Tudo é possível
Milagres acontecem todos os dias. E realmente eles acontecem. Confie e acredite que tudo é possível. Coisas incríveis acontecem o tempo todo.

Você só precisa acreditar nisso e, agir em conformidade. Uma vez que você fizer isso, você já ganhou a batalha.

Este artigo foi adaptado do original, “13 Things to Remember When Life Gets Rough”, do Lifehack.

A IMPORTÂNCIA DO CONTATO FÍSICO PARA UMA VIDA SADIA - Giselle Richardson

        
Desprezamos o valor dos contatos físicos, para uma vida sadia. Tocar e ser tocado é uma necessidade atávica que, se não for atendida, nos leva ao stress e à depressão crônica. 

Sabe qual é a diferença entre a sua necessidade de sexo e sua necessidade de tocar e ser tocado? Se a resposta é não, você está entre a maioria. Muito pouco tem sido dito sobre o assunto e muitas pessoas nem imaginam o quanto isso afeta suas relações, decisões e qualidade de vida.

Instintivamente, todos nós sabemos sobre nossas necessidades, sobre o conforto e segurança que o contato físico proporciona. Poucos, no entanto, têm uma compreensão intelectual dessa necessidade. 

O entendimento disso pode melhorar a qualidade do relacionamento com os companheiros, reduzir a necessidade de Jogos Psicológicos, facilitar a descoberta de nós mesmos e ampliar a habilidade para obter o que queremos sem explorar os outros. 

Depressão crônica – A necessidade de contato com outros corpos humanos é primária, herdada fisiologicamente e esse instinto governa boa parte de nossos comportamento, mesmo que a gente não perceba. Geralmente se considera que o calor humano não passa de expressão simbólica, que significa gentileza ou consideração. Calor humano, porém, tem um significado muito real. É uma necessidade biológica básica: questão de vida ou morte para as crianças (bebês não suficientemente tocados não se desenvolvem normalmente, em casos extremos podem até morrer).  
Para os adultos, o contato físico é tão importante quanto o sexo. Não é uma questão vital, mas a falta de toques pode fazer-nos viver num estado de depressão meio crônica (com menos energia, menos alegria e menos entusiasmo).

O apelo sexual – com a conseqüente satisfação física, biológica e emocional – é igualmente importante para uma vida equilibrada. O sexo, no entanto, ganha importância exagerada quando se espera que atenda às duas necessidades. Mas, quando se compreende a diferença entre as duas, a própria união sexual pode ser enriquecida.  

Massagem x stress – Pesquisas médicas registram a melhora de todos os sinais vitais (batimentos cardíacos, pressão sanguínea, etc) quando a mão do paciente é segura ou acariciada, mesmo por um estranho (médico ou enfermeira); e mesmo quando o paciente está inconsciente. Os executivos com a clássica síndrome de personalidade tipo A (líder, com grandes riscos cardíacos, tipo entusiasta, na constante luta contra o relógio, tendendo à impaciência, irritação, ansiedade e hostilidade; altamente competitivo) sentem-se agradavelmente calmos quando aumenta a quantidade de contatos físicos. Por exemplo, após uma massagem. Ela pode mesmo modificar a pressão sanguínea, se feita de forma sistemática. O contato físico é um dos antídotos mais poderosos contra o stress. 

Contatos proibidos –Deliberadamente ou não, reagimos às nossas necessidades em formas que variam da benigna (muita gente passa mais tempo estimulando a pelo no chuveiro do que seria preciso para se lavar) à destrutiva (casos amorosos impulsivos, rapidíssimos ou intermináveis). Um desejo sexual obsessivo ou compulsivo geralmente é sintoma de falta de contatos físicos; as pessoas que conseguem atender essas necessidades tendem a colocar a atividade sexual em melhor perspectiva.

Nossa sociedade criou uma série de tabus, o que praticamente nos proíbe de obter nossa cota e, conseqüentemente, aumenta a taxa de manipulação dos contatos disponíveis. O contato sexual é praticamente a única maneira socialmente aceita para os adultos serem tocados. Desde que o poder de manipulação está na relação direta da necessidade, o sexo raramente é disponível sem um “negócio”. Casais fiéis, onde cada parceiro detém o monopólio da quantidade de contato físico que o outro recebe, ou casais onde um tem “permissão” para atividades extraconjugais e o outro não, são particularmente vulneráveis aos jogos de poder, a não ser que estejam dispostos a reconhecer suas necessidades e concordem em atendê-las.
Com muitos casais, a falta de comunicação resultará em falta de contatos físicos e sexuais. Sentirá mais, claro, aquele que valoriza a fidelidade. Para este e para os outros, há algumas receitas ao final do texto

Toque brasileiro – Os tabus geralmente nos limitam aos contatos rituais (um aperto de mão, tapinhas nas costas, o abraço superficial). Em parte devido à nossa dificuldade em imaginar contato físico sem implicação sexual.

O Brasil é um dos raros países do mundo ocidental onde existe uma larga faixa de toques socialmente aceitáveis. Particularmente, e felizmente, no que se refere às crianças. Mas certos aspectos comuns na América se encaixam aqui também. Alguma das afirmações seguintes lhe parece familiar? Um homem não toca outro homem, e eles param de tocar os filhos tão logo cheguem à puberdade, por medo de implicações homossexuais. Os pais param de tocar as filhas tão logo cheguem à puberdade, porque morrem de medo dos reflexos sexuais dessa experiência (não sabem que é um fenômeno absolutamente normal). Um homem não toca uma mulher que não seja sua própria esposa, a não ser que pretenda levá-la para a cama. Os adultos não tocam seus pais idosos, embora esta seja provavelmente a única fonte de contato que lhe sobra.

 O mito de que as mulheres se tocam mais pode ser destruído em 3 minutos de observação empírica – num coquetel: os braços abertos, no ar, um passo adiante, dois beijinhos na face e um passo para trás.

Por tudo isso, muitos de nós crescemos confusos. Alguns clientes que tivemos não conseguiam sequer distinguir entre solidão e desejo sexual.

O preço do toque – O sexo é geralmente usado como maneira de pagar pela satisfação de ser tocado. Ninguém pode ter uma relação sexual sem se deixar tocar. Mas todos podem se tocar sem ter uma relação sexual; o problema é que a maioria de nós não sabe fazer isso. Muitos casais só conseguem quando um dos dois está doente.

O toque é muitas vezes mais íntimo do que uma relação sexual. É mais difícil se despersonalizar nesse caso (exceto em situações profissionais, como o da enfermeira ou massagista, e mesmo assim a intenção é de ajuda e não de troca). Muitos concordarão que é mais fácil encontrar alguém para manter uma relação sexual do que confiar em alguém para abraçar e tocar sem objetivos sexuais.

Os homens acham mais difícil pedir conforto físico do que convidar alguém para a cama. E em ocasiões de crise, quando tudo o que querem é carinho, acabam pagando com uma relação sexual e correm o rico adicional de quebrar a cara. Se reconhecessem a natureza de suas necessidades, eles simplesmente pediriam um carinho.

O que fazer? Antes de tudo, procure entender seu corpo, suas respostas, e gradualmente compreenda a diferença de sensações entre uma necessidade e outra. irritação e desconforto geralmente atribuídos à falta de  sexo, podem ser examinados de forma diferente. Tente um contato não sexual (uma massagem pode ser o jeito mais simples de começar) e veja como se sente. Aprenda a distinguir entre solidão, insegurança, necessidade de conforto e apetite sexual.

Se você vive uma relação monogâmica, há algumas maneiras de compensar uma ausência eventual: um belo chuveiro, ou banho de imersão, banho de sol, sauna, exercícios físicos. E uma nutritiva massagem. Alguns psicoterapeutas fornecem massagens específicas para necessidades emocionais.
Cuide-se nas crises. Quando houver qualquer quebra numa relação amorosa, o período de transição pode ser muito facilitado pela mesma medicina preventiva. A quantidade de toque que a gente recebe fornece a medida da qualidade de nosso sistema social de sustentação. Uma falta muito grande de toque pode indicar uma necessidade de desenvolver amizade dentro e fora da família.
Tire o pijama – É ilusão romântica dizer que apenas as pessoas que se atraem sexualmente podem ter um contato físico gratificante. É possível trocar toques com um amigo ou mesmo um estranho, ou alguém com quem a gente se encontre casualmente. Será mais fácil para pessoas tranqüilas com sua própria sexualidade (não têm que provar nada a ninguém) e que acreditam na sua habilidade de entender os outros. Isto – claro – é mais difícil numa sociedade chauvinista.
Para os casais, uma gama muito mais profunda de contatos íntimos pode surgir do esclarecimento de cada parceiro sobre suas próprias necessidades  e da exploração de novas maneiras de tocar carinhos não sexuais. Cada um deve identificar áreas especialmente gostosas: costas, pés, cabeça, a parte interna dos braços (freqüentemente relacionada com padrões de carícias recebidas na infância).
E que tal dormir sem pijamas ou camisola? Você pode aprender – se ainda não sabe – a dormir em íntimo contato, sem expectativas sexuais. Durante o dia, aumentar o contato físico também é possível: um cutucão, um tapinha nas costas, sentar-se um ao lado do outro, tocar-se com os pés.

Os casais podem ainda experimentar ir para a cama e abraçar-se quando tiverem que discutir alguma coisa. Concordem – quando se sentirem bem, abraçados – que, durante uma discussão emocional, nenhum dos dois se recusará a “levar o assunto para a cama”. É muito difícil brigar quando o contato físico confirma a cada um que o relacionamento tem prioridade muito maior que o assunto em discussão.

UM ET NA TV - Francisco Daudt

No planeta do senso comum, é fascinante observar as reações 
diante de um pensamento diferente

Fernando Lobo, pai do Edu, comandava um talk-show na falecida TV Continental do Rio, na década de 1960, quando um convidado lhe declarou: "Bem, Fernando, não sei se posso responder sua pergunta aqui na TV". E Lobo: "Pode sim, ninguém vê esse programa, mesmo!"

Assim, Fernando Lobo se tornou meu santo padroeiro de qualquer apresentação pública: sou de uma desimportância atroz, de modo que posso falar o que quiser, onde quiser, que amanhã tudo vira papel de embrulhar peixe.

É nesse espírito que tenho frequentado um programa de TV aberta nas manhãs de segunda-feira, como um antropólogo no planeta do senso comum, o viés das audiências matinais. É fascinante observar as reações que causo ao apresentar um pensamento diferente. A seguir, algumas coisas que aprendi lá sobre a natureza humana.

1. A predominância maciça do pensamento "ou isto ou aquilo", a dificuldade de sair do "bandido ou mocinho".

2. A completa absorção do "politicamente correto" como nova versão do senso comum.

3. A dificuldade de pensar estatisticamente ("Ele generaliza tudo"). Passei a fazer um reparo antes de qualquer afirmação: "O que falarei diz respeito à maioria. Estou seguro de que você conhece famílias de 11 filhos homens, mas a maioria é próxima do meio a meio".

Paixão dura uns quatro anos? Revolta na plateia. "Sou apaixonado há quarenta anos!". 

"Ok, então o sr. é um dos felizardos da MINORIA." Ele não percebe que a paixão se transformou em amor e companheirismo (o mais comum).

4. Forte preconceito contra o preconceito (o politicamente correto incorporado ao senso comum). "O que causa mais medo? Um pitboy branco tatuado ou um negro de terno, com uma pasta?", perguntei.

Um músico multitatuado me interpelou dizendo que, em Brasília, um homem de terno lhe meteria mais medo que um tatuado. Não notou que só trocava de preconceito.

Nesse caso, ajudado pela apresentadora, consegui que a maioria aceitasse que há sempre uma primeira impressão e que o problema é se aferrar a ela.

3. A força da frase populista de efeito. Eu mesmo já me utilizei dela quando, numa discussão sobre a felicidade, disse que ela não era um porto a se chegar, mas um jeito de viajar. Fui aplaudido em cena aberta.

Mas a minha "felicidade" durou pouco. Quando afirmei que a fé é o dom para aceitar e se entregar ao ilógico e ao absurdo, como crer que um defunto ressuscitou no terceiro dia, um ator me interpelou: "Isto não é fé, é dogma. Fé eu tenho no milagre da vida, no saber de uma pessoa que se cria e respira no líquido, no ventre de uma mulher".

Foi ovacionado de pé! Confundiu o absurdo (dogma) com sua aceitação (fé).

Mesmo quando disse que, como médico, não precisava de fé para entender o processo de reprodução, e saber que fetos não "respiram no líquido", e sim, que se abastecem de oxigênio através do sangue da mãe, a plateia me ouviu com indiferença, pois estavam encantados com a frase de efeito do ator.

Mas alguém em casa deve ter me ouvido, e eu aprendi um pouco mais sobre a natureza humana, e isso me basta.

A PESSOA QUE PARTIU SEU CORAÇÃO NÃO PODE SER A MESMA QUE VAI CONSERTÁ-LO.

Lembre-se disso: a pessoa que partiu seu coração não pode voltar para remendá-lo. Não cometa esse erro, não pense que o seu retorno é a solução.

Não volte atrás pelo medo de ficar só, pelo medo de não saber se desenvolver pela vida sem essa pessoa ao seu lado. Porque os relacionamentos disfuncionais, se não forem trabalhados da forma adequada, não perdem esta característica da noite para o dia como num passe de mágica.

Lembre-se de que, quando você foi quebrado, sua mente se encheu de argumentos que falavam a favor de uma vida sem essa pessoa. Continuava doendo e você continuava tendo razões para querer estar ao lado dela, mas você queria se convencer de que sua companhia não era o melhor para você.

Tudo aquilo de que fugimos está condenado a se repetir
O tempo passa e os conflitos se repetem. Humilhações, desconfianças, a dor de uma ferida mal cicatrizada. Tudo aquilo do que fugimos sem resolver está condenado a se repetir. Freud teorizou este fato em 1920 em seu livro O princípio do prazer, chamando-o de compulsão pela repetição.

Isso significa que as pessoas tendem a tropeçar na mesma pedra (cada um na sua, é claro). Significa que quando nossa pedra é o estabelecimento de um tipo de relação, tropeçamos nela de forma sistemática.

O fato de que a pedra na qual tropeçamos tem “um nome” ou “um tipo”, simboliza que tendemos a nos relacionar da mesma maneira, a gerar dependências emocionais, a procurar o amor de uma forma determinada e, muitas vezes, em uma pessoa específica.

Portanto, com frequência enfrentamos problemas parecidos apesar de estarmos em etapas diferentes de nossas vidas. Por que isso acontece conosco? Porque tudo aquilo do que fugimos está condenado a se repetir. Se não refletirmos, se não fizermos um replanejamento de nossas decisões ou nossa maneira de nos relacionarmos, estamos condenados a cometer os mesmos erros novamente.

“Sempre é preciso saber quando uma etapa da nossa vida acaba. Se você insiste em permanecer nela por mais tempo do que foi necessário, perde a alegria e o sentido. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, como quiser chamar. Não podemos estar no presente desejando o passado. O que aconteceu, aconteceu, e é preciso soltar, é preciso se desprender. Não podemos ser crianças eternamente, nem adolescentes tardios, nem empregados de empresas inexistentes, nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.
Os fatos passam, e é preciso deixá-los ir!” 
– Paulo Coelho –

Quando algo se quebra por dentro, nada mais é igual
Quando nos quebramos, quando temos uma dor muito intensa por dentro, desejamos a estabilidade, o bem-estar que ter essa pessoa ao nosso lado gerava. A incerteza gera a certeza de que “todo o tempo passado foi melhor quando estávamos juntos”.

Evidentemente, estas relações de dependência de um vínculo afetivo têm um passado construído sobre um estilo de apego disfuncional, mas isso é algo que podemos mudar graças à reelaboração contínua que nossas experiências e reflexões nos oferecem.

Precisamos focar a formação de novos vínculos de apego, a perda de certas relações e a mudança. Se as experiências são muito diferentes e significativas, o próprio conteúdo das representações, as estratégias e os sentimentos podem mudar a tendência a procurar relações fundamentadas na dependência.

Consertar nossos buracos emocionais deve ficar por conta de nós mesmos. Reconstruir-se é um trabalho próprio; ninguém tem o poder e nem a responsabilidade de fazê-lo por nós. Sejamos conscientes de que todo processo de mudança leva consigo dor e esforço.

Conseguir dizer adeus a uma pessoa não significa retroceder, significa separar o que nos enriquece do que nos desgasta, cuidar de nossa valia e deixar de perseguir as migalhas de um amor que não é saudável.

Desapegar-se da dor ajuda a nutrir a autoestima
Desapegar-nos de egoísmos, interesses e ausências injustificadas nos ajudará a começar uma nova etapa, a semear e colher sustento para a nossa autoestima e crescer emocionalmente.

Soltar, se afastar de vínculos que nos machucaram, significa se libertar, crescer e criar uma nova vida. Uma nova vida que se lança como própria, que cresce respirando oxigênio psicológico de uma atmosfera fértil para a mudança.

Cobrir a dor com terra não é garantia de prosperidade em um relacionamento. Há vezes em que as histórias precisam ter um ponto final.

Isso pode nos angustiar, mas a consequência imediata é a reconstrução de nós mesmos e a harmonia com o nosso interior. Trata-se de sermos honestos e exigentes com nossas companhias e emoções. Nem sempre é fácil, mas é necessário.
Fonte: a mente maravilhosa
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A AMIZADE TEM QUE SER EXERCITADA - Simone Weil

É um erro desejar ser compreendido antes de se ser elucidado por si mesmo a seus próprios olhos. É procurar prazeres na amizade, e não méritos. É qualquer coisa de mais corruptor ainda do que o amor. Venderias a tua alma por amor.

Aprende a repelir a amizade, ou melhor, o sonho da amizade. Desejar a amizade é um grande erro. A amizade deve ser uma alegria gratuita como as que a arte ou a vida oferecem. É preciso recusá-la para se ser digno de recebê-la: ela é da categoria da graça («Meu Deus, afastai-vos de mim...»). É dessas coisas que são dadas por acréscimo. Toda a ilusão de amizade merece ser destruída. Não é por acaso que nunca foste amado... Desejar escapar à solidão é uma covardia.

A amizade não se procura, não se imagina, não se deseja; exercita-se (é uma virtude). Abolir toda esta margem de sentimento, impura e enevoada. Schluss!

Ou melhor (pois não é necessário desbastar-se a si mesmo rigorosamente), tudo o que, na amizade, não passe por alterações efetivas deve passar por pensamentos ponderados. É absolutamente inútil privar-se da virtude inspiradora da amizade. O que deve ser severamente proibido é sonhar com os prazeres do sentimento. É corrupção. E é tão estúpido como sonhar com a música ou com a pintura.

A amizade não se deixa afastar da realidade, tal como o belo. E o milagre existe, simplesmente, no fato de que ela existe. Aos vinte e cinco anos é mais que tempo de acabar radicalmente com a adolescência...

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A ANATOMIA DAS EMOÇÕES - Anna Paula Buchalla

Uma pequena estrutura do cérebro, 
a ínsula, estás surpreendendo 
os cientistas, que ali descobrem 
a sede de diversos sentimentos humanos

Numa das regiões mais recônditas do cérebro, os neurocientistas encontraram uma nova peça para um dos mais instigantes quebra-cabeças da medicina é o mapeamento das emoções humanas. Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula trabalha em parceria com outras duas estruturas cerebrais, o córtex pré-frontal e a amígdala (estes, sim, velhos conhecidos dos estudiosos no controle de diversas emoções). A ínsula funciona como uma espécie de intérprete do cérebro ao traduzir sons, cheiros ou sabores em emoções e sentimentos como nojo, desejo, orgulho, arrependimento, culpa ou empatia. "Ela dá colorido psíquico às experiências sensoriais", diz o neurocirurgião Arthur Cukiert. Ou, como definiu o psiquiatra americano Martin Paulus, professor da Universidade da Califórnia, é na ínsula que o corpo e a mente se encontram.

Descrita pela primeira vez no fim do século XVIII, pelo anatomista e fisiologista alemão Johann Christian Reil, a ínsula sempre foi negligenciada pelos pesquisadores. A dificuldade de acesso impedia estudos mais minuciosos sobre sua fisiologia. Nos últimos dez anos, graças ao aperfeiçoamento dos exames de imagens, como a ressonância magnética funcional, a ínsula despertou a atenção dos neurocientistas. Flagrada em pleno funcionamento, já se viu que ela é ativada toda vez que alguém ri de uma piada, ouve música, reconhece expressões de tristeza no rosto de outra pessoa, quer se vingar ou decide não fazer uma compra (veja o quadro) "Os estudos já mostraram também que a superativação da ínsula está relacionada a diversos distúrbios psiquiátricos, sobretudo as fobias e o transtorno obsessivo-compulsivo", diz o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo. Imagens do cérebro indicam que lesões na ínsula podem levar à apatia, à perda de libido, a alterações na memória de curto prazo e à incapacidade de alguém distinguir pelo cheiro um alimento fresco de outro estragado.

O trabalho mais fascinante sobre a ínsula foi divulgado recentemente pela revista científica Science. Tudo começou com a história do senhor N., de 38 anos. Tabagista compulsivo, ele fumava cerca de quarenta cigarros por dia. Um derrame, no entanto, fez com que ele instantaneamente abandonasse o vício e "esquecesse a vontade de fumar", como descreveu aos pesquisadores das universidades de Iowa e do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Com o derrame, a ínsula do senhor N. havia sido lesionada. Outros pacientes, também fumantes e com danos na mesma região cerebral, foram avaliados. A maioria deles perdeu a vontade de fumar. Esse estudo foi o primeiro a relacionar uma área específica do cérebro ao vício. "O tabagismo não pode ser explicado apenas pela ação da nicotina no cérebro", diz Nasir Naqvi, um dos autores da pesquisa. "O vício deflagra uma série de mudanças comportamentais e fisiológicas e o aumento dos batimentos cardíacos, a elevação da pressão, a alteração do paladar e a sensação da fumaça entrando nos pulmões, entre outras." Todas essas informações são processadas na ínsula e traduzidas na ânsia de acender mais um cigarro. Trabalhos como esse abrem o caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o tabagismo e outros vícios, como a dependência de drogas e o alcoolismo.

Como se trata de uma área de pesquisa relativamente nova, a ciência ainda não conseguiu esmiuçar todas as funções da ínsula. As diferentes partes do cérebro não agem isoladamente, mas por meio de circuitos múltiplos, que interagem entre si e o que torna o estudo do cérebro extremamente complexo. De qualquer forma, as descobertas recentes sobre a ínsula são uma fonte preciosa de informações sobre a anatomia das emoções. Um dos grandes estudiosos do tema é o neurocientista português António Damásio. Ele busca em seus estudos a base biológica das emoções e da consciência humanas. "Os sentimentos não são nem inatingíveis nem ilusórios. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das emoções teatrais do corpo", escreveu Damásio no livro O Erro de Descartes.

A ponte entre o corpo e a mente

ONDE FICA 

Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula está localizada numa das áreas mais profundas do cérebro, na face interna do lobo temporal, um dos sistemas envolvidos no processamento da memória, do pensamento e da linguagem


O QUE SE SABIA SOBRE A ÍNSULA... 

Até dez anos atrás, a ínsula era caracterizada como uma das áreas mais primitivas do cérebro, envolvida em atividades básicas como alimentar-se e fazer sexo

  
...E O QUE REVELAM AS DESCOBERTAS MAIS RECENTES 

• Na porção frontal da ínsula, experiências sensoriais são transformadas em emoções e sentimentos como nojo, desejo, decepção, culpa, ressentimento, orgulho, humilhação, arrependimento, compaixão e empatia 

• Ela prepara o organismo para situações que ainda estão por vir. Quando, por exemplo, alguém tem de sair de casa e lá fora faz frio, a ínsula é ativada de modo a ajustar o metabolismo para enfrentar a situação 

• A ínsula modula a resposta do organismo a estímulos dolorosos 

• Em pacientes vítimas de fobias e de transtorno obsessivo-compulsivo, a ínsula registra atividade intensa 
Fontes: Mauro Muszkat, neurologista, e revista Science
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PROVOCAR ATÉ OUVIR O INSUPORTÁVEL - Christian Ingo Lenz Dunker

Algumas pessoas provocam 
o outro até ouvir algo insuportável, 
criando discursos repetitivos que reforçam ciclos de ressentimento.

– Eu te ligo.

– Mas eu vou ficar tão nervosa esperando você ligar que eu preferia que você não ligasse.

– Tá bom, eu não te ligo.

– Legal! Assim eu não preciso ficar desesperada, pensando que eu podia ligar para você enquanto você não liga para mim. Nem imaginar por que você ainda não ligou. Mas... Você vai ligar, não é?

– Eu te ligo.

Esta adaptação de “diálogo impossível” poderia ter vindo do livro homônimo de Luis Fernando Verissimo (Objetiva, 2012). Um trabalho que parece retomar as pesquisas, dos anos 70, feitas pelo antropólogo Gregory Bateson e da Escola de Palo Alto, sobre a comunicação paradoxal.

O chefe que diz uma coisa e faz outra contrária, o pai que “mostra” seu amor ao filho repetindo reclamações e críticas, o discurso liberal com a prática autoritária, são exemplos de situações discursivas patológicas.

Duplicidades entre mensagens e códigos, dissonância entre o que pensamos e o que dizemos, disparidades entre a forma como “representamos” ações e a maneira “real” como nos comportamos, têm aparecido nas pesquisas do psicólogo Daniel Kahneman, a do Nobel de Economia em 2002, e em uma vasta gama de investigações sobre a filosofia moral “prática”.

De todos os diálogos impossíveis, o meu favorito ao “prêmio” de alienação discursiva é, sem dúvida, a conversa entre casais. A temida DR (discussão de relacionamento) é um caso particular do que Freud chamava de “a mais generalizada degradação do objeto na vida amorosa”, ou seja, um dos signos clínicos típicos e inevitáveis da desagregação da retórica amorosa.

Como a piada que nos lembra que os Beatles falavam de amor e não duraram mais que dez anos juntos, os Rolling Stones, que louvam o gozo, estão até hoje cantando Satisfaction.

Também entre amigos as chamadas “mesmas conversas” são fonte de gradual irritação, mas isso não contraria a regra, pois a amizade é uma forma de amor. O grande enigma é saber por que, mesmo sabendo que se dissermos A ouviremos B, não conseguimos resistir à força impelente do discurso que nos degrada, arrastando o outro junto.

O caso típico é o daquela pessoa que não consegue se conter até ouvir aquilo que lhe é insuportavelmente repetitivo. Ela dá voltas, provoca e parece forçar o outro a perder a paciência e dizer o que sempre diz, machucando e reforçando o ressentimento que a conversa inicialmente tinha o objetivo de reparar.

Há, nesses diálogos, aquele acento traiçoeiro que nos faz ter a certeza delirante de que só com um “pouquinho“ (o diminutivo é aqui essencial) mais de tempo, dinheiro ou compreensão tudo estaria resolvido. Devia haver um “Discursivos Anônimos” para nos lembrar que nessa matéria é preciso evitar sobretudo a “primeira palavra”. E reunião sistemática para recordarmos que estamos há tantos dias sem pronunciá--la.

Em uma época na qual se insiste tanto na importância da criatividade e da inovação, pouco ou quase nada se ouve sobre a  renovação do discurso. Não há nenhum personal trainer para a palavra, não conheço receita, manual, regime ou educação dirigida que seja eficiente neste assunto (não confundir com oratória, sedução e coisas do gênero).

A cura para isso anda escassa. É na poesia que aprendemos o trabalho de dizer com cuidado e escutar com precisão.

Mas quem defenderá a utilidade da poesia como gênero de primeira necessidade da vida relacional?


Na verdade, as tentativas de disciplinar de modo “autoconsciente” nosso discurso têm resultados muito parciais – quando não desastrosos. Portanto, seria melhor que aprendêssemos a respeitar o adversário que parece tão fácil de ser derrotado: a palavra. E a palavra de amor, que com amor se faz.
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