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NATAL, A ESTÓRIA DO MENININHO - Rubem Alves

Minhas netas: o Natal está chegando. Todo mundo fica agitado, é preciso comprar presentes no cartão de crédito, fazer dívidas a serem pagas no outro ano, preparar comilanças... Mas, afinal de contas, por que tanto agito? Eu acho que a maioria se agita sem saber porque. E, se soubessem, não se agitariam... Pois eu vou dizer o que penso do por que do Natal. O Natal é o dia em que se para tudo a fim de se contar e a fim de se ouvir uma estória, a mais bela e a mais simples jamais contada. Todo esse agito por causa de uma estória? É. 

Vocês, que gostam do Harry Potter, fiquem sabendo: a estória do Natal é uma estória do mundo dos mágicos, dos bruxos, das fadas, das varinhas de condão, dos encantamentos. As estórias têm poderes mágicos. Vocês já notaram que, quando a gente ouve uma estória que nos comove, ela entra dentro da gente, faz a gente rir, faz a gente chorar, faz a gente amar, faz a gente ficar com raiva? As estórias dos mundos dos mágicos saltam das páginas dos livros onde estão escritas, entram dentro da gente e se alojam no coração. 


Quando isso acontece a estória fica viva, toma conta do nosso corpo e da nossa alma, e nós passamos a ser parte dela. Pois a estória do Natal faz isso com a gente. Quando vai chegando o Natal eu fico com saudade das músicas antigas de Natal (tem de ser das antigas; as modernas não servem) e começo a folhear meus livros de arte, onde estão as pinturas do presépio. É muito simples: um menininho que nasceu em meio aos bois, vacas, ovelhas, cavalos, jumentos... Era menininho pobre. 


Mas diz a estória que quando ele nasceu aconteceu uma mágica com o mundo: tudo ficou diferente: as árvores se cobriram de vaga-lumes, as estrelas brilharam com um brilho mais forte, e até uns reis deixaram os seus palácios e foram ver o nenezinho. A visão do menininho os transformou: eles largaram suas coroas, jóias e mantos de veludo junto com os bichos, na estrebaria. Quem vê o menininho fica curado de perturbação. Perturbados são os adultos que, ao falar sobre Deus, imaginam um ser muito grande, muito poderoso, muito terrível, ameaçador, sempre a vigiar o que fazemos para castigar. 


Pois o Natal diz que isso é mentira. Porque Deus é uma criancinha. Ele está muito mais próximo de vocês do que dos adultos. E foi essa mesma criancinha que, depois de crescida, disse que para estar com Deus bastava voltar a ser criança. Se os adultos, antes de comprar presentes e preparar ceias, se lembrassem da estória, eles ficariam curados da sua doidice. Na noite do Natal que se aproxima, antes de abrir os presentes, antes de começar a comedoria, peça ao seu pai ou à sua mãe: “Por favor, conte a estória do menininho...“ E, se eles não souberem contar, peça que eles leiam esse poema sobre o Menino Jesus escrito por um poeta que queria ser menino, por nome de Alberto Caeiro.

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver.
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta.
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales.
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
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O QUE É O PENSAMENTO ABSTRATO?

 

O que é o pensamento abstrato? Descubra através de uma revisão das suas características, funções, exemplos e diferenças em comparação com o pensamento concreto.

Certamente você já ouviu falar em pensamento abstrato, mas… você realmente sabe o que é? É um tipo de pensamento que nos permite refletir sobre coisas que não estão presentes no espaço e no momento atual. Também nos permite refletir sobre conceitos e princípios gerais, tanto em nosso dia a dia quanto em um ambiente mais acadêmico ou profissional.

O pensamento abstrato tem alguma vantagem? Um estudo de 2006 da Universidade de Amsterdã descobriu que as pessoas se sentem mais poderosas quando têm permissão para pensar de forma abstrata. Isso poderia ser uma evidência a favor da vantagem do pensamento abstrato sobre o pensamento concreto, que seria mais restritivo.

Quer saber mais sobre esse tipo de pensamento? Como ele é diferente do seu “oposto”, o pensamento concreto? Para que serve e quais benefícios apresenta? Contaremos tudo a seguir!

O que é o pensamento abstrato e para que ele serve?

De acordo com o Psychology Dictionary, o pensamento abstrato é a capacidade de compreender as propriedades essenciais e comuns. Serviria para manter em mente diferentes aspectos de uma situação, para prever e planejar o futuro, para pensar simbolicamente e tirar conclusões. Seria o oposto do pensamento concreto, que neste caso é aquele pensamento literal baseado no tempo e no espaço presentes.

Para que serve esse tipo de pensamento? O pensamento abstrato, como já vimos, nos permite perceber as relações entre diferentes ideias, crenças ou elementos do ambiente externo e interno. Além disso, nos ajuda a inovar, criar, imaginar, desenvolver novas ideias, aprender com as experiências do passado e refletir sobre o futuro.

Este tipo de pensamento também constitui uma habilidade cognitiva. Mais especificamente, é uma das últimas habilidades cognitivas que os seres humanos adquirem a um nível evolutivo. Sem mais delongas, aprenderemos mais sobre esse tipo de pensamento por meio de uma síntese das suas características.

“O pensamento é a principal faculdade do homem, 

e a arte de expressar pensamentos é a primeira das artes.”

-Etienne Bonnot de Condillac-

 

Características

Podemos listar uma série de características do pensamento abstrato que se referem à sua forma, conteúdo e funções:

  • Focaliza os elementos que não estão presentes (vai além do ambiente atual).
  • Permite imaginar, criar e inovar.
  • Estimula o pensamento reflexivo e profundo.
  • Ajuda-nos a encontrar significados diferentes para cada situação.
  • Permite-nos pensar de forma abstrata, criando ideias do mesmo tipo.
  • É um pensamento hipotético-dedutivo (permite-nos construir hipóteses sem a necessidade de testá-las empiricamente).
  • É um pensamento flexível, que estimula o debate.

Exemplos de pensamento abstrato

Para entender melhor esse tipo de pensamento, vamos pensar em exemplos concretos, como uma pessoa que pensa além do que está bem na sua frente. De forma ilustrada, imagine uma pessoa pensando em um livro específico. Ela usará o pensamento abstrato ao pensar em vários livros, livros que não precisam estar no mesmo cômodo ou na sua frente.

Ela também pode pensar nos livros que a representam, nos livros que leu, nos livros que representam os temas “X”… Isto é, no pensamento abstrato, de certa forma, também se usa a imaginação. Outro exemplo de pensamento abstrato seria aquele utilizado por um artista ao escolher as melhores cores para a sua pintura, ou por um músico que escolhe a melhor nota para finalizar a sua sinfonia.

Outros exemplos: um compositor que usa as suas ideias para criar a letra de uma música, um matemático que analisa os números para tirar alguma conclusão (da mesma forma que um físico ou estatístico pode extrair relações significativas dos seus dados), etc. Também o utilizamos no dia a dia quando devemos analisar certas situações que envolvem pensar no passado ou no futuro (além do presente). Resumindo: encontramos o pensamento abstrato em múltiplas situações e cenários.

Quando ele aparece? A hipótese de Piaget

O epistemólogo e biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) já falava, na sua época, do pensamento abstrato. Especificamente, ele desenvolveu a hipótese segundo a qual o pensamento abstrato, bem como o raciocínio, se desenvolvem no último estágio de desenvolvimento (o estágio das operações formais). Na verdade, Piaget chamou de pensamento abstrato o pensamento formal, porque pertencia a esse estágio evolutivo.

A fase das operações formais começa entre os 11 e 15 anos e dura até a idade adulta. Os seguintes elementos são centrais nesta etapa:

  • O raciocínio hipotético.
  • O raciocínio abstrato.
  • Resolução sistemática de problemas.
  • Pensamento abstrato.

Esse tipo de pensamento, segundo Piaget, está intimamente relacionado à lógica e à capacidade de resolver problemas. Nesse sentido, seria uma das características distintivas do ser humano, aquilo que nos distingue das demais espécies animais.

Como aplicar o pensamento abstrato?

Podemos aplicar esse tipo de pensamento em nossa vida diária? Em quais áreas? Ele pode ser útil para o nosso desenvolvimento pessoal, em áreas tão abstratas quanto a espiritualidade.

Por outro lado, dominar o pensamento abstrato (assim como a sua linguagem) também pode ser útil em campos como matemática ou ciências, uma vez que o raciocínio analítico requer o uso do pensamento abstrato. Não esqueçamos que, para entender um determinado assunto ou conhecimento, devemos ser capazes de relacioná-lo com a vida real, para que fique muito mais próximo e prático.

Diferenças entre pensamento abstrato e pensamento concreto

No início do artigo, aludimos ao pensamento concreto como um tipo de pensamento oposto ao abstrato, mas como esses dois tipos de pensamento são diferentes? O pensamento abstrato nos permite processar, descrever e manipular a informação mental, enquanto o pensamento concreto faz o mesmo, mas com objetos no mundo físico.

Por outro lado, dissemos que o pensamento abstrato era hipotético dedutivo. Isso significa que nos permite criar hipóteses sem ter que testá-las empiricamente. Por outro lado, por meio do pensamento concreto, o conhecimento só pode ser formulado através da experiência direta com o fenômeno em questão (ou seja, seria um tipo de pensamento indutivo).

Esse pensamento vai do geral ao particular (o que permite a formulação de leis e teorias, por exemplo); pelo contrário, o concreto vai do particular ao geral. Por fim, o pensamento abstrato permite a reflexão e o debate (é um pensamento flexível), e o pensamento concreto, por outro lado, não permite variações, uma vez que se baseia no tangível e no óbvio.

Como vimos, esse tipo de pensamento “está em toda parte” e tem vantagens notáveis ​​quando se trata de estimular outros tipos de pensamento, como a reflexão ou o raciocínio. Existem vários tipos de pensamento: convergente, divergente, prático, teórico, literal… Qual é o melhor? Todos e nenhum; será sempre aquele que melhor se adaptar à tarefa que queremos desenvolver, por isso a flexibilidade é muito importante na nossa cognição.

“O sábio não diz tudo que pensa, 

mas sempre pensa tudo que diz.”

-Aristoteles-

Fonte: A mente maravilhosa

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HÁ ABUSOS QUE NÃO DEIXAM FERIDAS NA PELE, MAS NA ALMA

 

Há abusos que não deixam vestígios físicos, mas emocionais, abrindo feridas difíceis de cicatrizar e curar.

Situações protagonizadas pelo domínio de uma pessoa sobre outra, onde o desprezo, a ignorância ou a crítica são os principais elementos de um relacionamento.

Uma palavra, um gesto ou simplesmente um silêncio pode ser suficiente para lançar uma adaga direta em nosso coração. Um coração que vai se debilitando pouco a pouco, sendo anestesiado antes de qualquer possibilidade de rebelião, porque o medo e a culpa foram estabelecidos.

O abuso emocional é um processo de destruição psicológica no qual a força emocional de uma pessoa é completamente violada.

Seduzir para aprisionar
O abuso emocional é uma realidade muito presente em nossos dias que não entende idade, sexo ou status social. Seja no casal ou na família ou até no trabalho, todos nós podemos ser vítimas dessa situação em qualquer momento de nossas vidas.

O perigo de abuso desse tipo são suas conseqüências e sua capacidade de passar despercebida. O abuso emocional é um processo silencioso que, quando dá a cara, já faz muito tempo desde que se originou, tendo consequências devastadoras para a pessoa que foi vítima.

Seu início é lento e silencioso, exercido por uma pessoa disfarçada de encanto, com o objetivo de seduzir suas vítimas para capturá-las, principalmente nos relacionamentos. Desta forma, a realidade que o abusador mostra é uma realidade falsa, cheia de promessas e desejos que nunca se tornarão realidade.

“O abusador vai preparando o terreno para que a outra pessoa caia em suas rédeas pouco a pouco e assim ter êxito finalmente em influenciá-la, dominá-la e privá-la de qualquer liberdade possível.”

O poder da prisão mental
O abuso emocional é um potente veneno que destrói a identidade da pessoa, roubando-lhe a força emocional. Ocorre indiretamente, através das grades abertas, que deixam entrar a insinuação que busca culpar e instilar a dúvida nas vítimas.

A vítima do abuso emocional encontra-se presa em uma prisão mental de deficiência e insegurança em que sua auto-estima enfraquece pouco a pouco.

Assim, quando a vítima já foi aprisionada, o abusador começa a se descobrir na frente dela por meio de desprezo, críticas, insultos ou até silêncios. Portanto, os traços desses abusos não são físicos e não há ferimentos visíveis na pele da vítima, porque o abuso emocional é exercido através de palavras, silêncios ou gestos.

Tanto é o dano que é exercido nestas situações que o medo de agir para libertar-se é visto em muitos casos como um impossível. A prisão mental é tão sólida que a vítima entra em uma situação profunda de desamparo, que não consegue imaginar sair.

As feridas invisíveis na alma
As feridas do abuso emocional são feridas profundas que atingem os recessos mais profundos do interior da vítima. Elas não podem ser vistas ou ouvidas, mas são terrivelmente sentidas pela pessoa que as sofre. Feridas escondidas para os outros, mas profundamente dolorosas para a pessoa que sofre.

“As feridas do abuso emocional criam um profundo buraco na auto-estima da pessoa, quebrando toda avaliação positiva de si mesma.”

São feridas originadas pelo desprezo e desqualificações que o abusador dirige à vítima. Feridas invisíveis e enraizadas no medo, culpa e dúvida que arrebatam a crença de qualquer possibilidade de agir para se livrar da situação em que a vítima está.

Essas feridas sangram não apenas em cada encontro, mas também na expectativa de que possam ocorrer. O importante é que a pessoa não dê por perdida a possibilidade de abandonar a situação em que se encontra e que leve em conta que essas feridas podem ser consertadas com ajuda.

Como consertar as marcas do abuso emocional na alma?
Nestes casos, o fator mais importante é que a vítima possa identificar a situação em que se encontra presa, onde carrega toda a responsabilidade e culpa que o agressor a induziu. Portanto, tornar-se consciente de que estamos em um processo de abuso emocional é o primeiro passo para sermos livres.

Uma vez que sabemos onde estamos imersos, recuperar nossos entes queridos e apoiá-los para que eles possam facilitar a saída desta situação nos ajudará a avançar. Pouco a pouco, com seus gestos de amor e carinho, podemos preencher algumas lacunas que surgiram em nosso interior.

Além disso, buscar ajuda de um profissional especializado nos facilitará a reconstruir nossa identidade e auto-estima, para reparar todas aquelas feridas emocionais invisíveis que habitam nosso interior. Dessa forma, podemos nos encontrar novamente com nós mesmos.

Reparar as marcas do abuso emocional em nossa alma não será um processo simples e rápido, mas complexo e lento. No entanto, a satisfação de nos encontrarmos novamente sempre valerá a pena.

Finalmente, não podemos esquecer que cada um de nós também pode causar feridas na alma dos outros quando desprezamos, ignoramos ou criticamos sem ter que chegar a situações de abuso emocional. 

As palavras e os nossos gestos são uma espada de dois gumes que deve ser cuidada …
Do site La Mente es Maravillosa

 

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SOLIDÃO A DOIS - Bruno Inácio

Sobre uma geração que insiste em não ouvir, 
em não falar e em não aprender

Com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão Vermelho.

São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.

O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.

Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.

Elas se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.

Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. "Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será", concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.

E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros.

O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.
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COMO É UMA RELAÇÃO SAUDÁVEL? – Augusto Cury

Ser individualmente inteligente não significa construir uma relação inteligente e saudável. Pessoas cultas podem construir uma relação irracional, falida emocionalmente, saturada de atritos, destituída de sensibilidade e troca. Casais saudáveis amam-se com um amor inteligente e não apenas com a emoção. Quem usa apenas o instrumento da emoção para sustentar um relacionamento corre o risco de ver os seus sentimentos a flutuar entre o deserto e os glaciares. Num momento, a pessoa vive as labaredas da paixão, noutro vive os glaciares dos atritos. Numa altura troca juras de amor, noutra troca golpes de ciúme. Hoje é dócil como um anjo, amanhã implacável como um carrasco.

A relação «desinteligente» é intensamente instável, enquanto a relação saudável, ainda que golpeada por focos de ansiedade, tem estabilidade. A relação desinteligente é saturada de tédio, enquanto a saudável tem uma aura de aventura. Na relação desinteligente, um é perito em reclamar do outro, enquanto, na relação saudável, um curva-se em agradecimento ao outro. Na relação desinteligente, os atores são individualistas, pensam apenas em si, enquanto, na saudável, os participantes são especialistas em tentar fazer o outro feliz. Na relação doente cobra--se muito e apoia-se pouco, na saudável dá-se muito e cobra-se pouco. Que tipo de casal o leitor forma: saudável ou doente, inteligente ou desinteligente?

Casais inteligentes têm uma mente madura, focam-se no essencial, na grandeza do afeto, na preferência pelo diálogo, pelo espetáculo do respeito mútuo, enquanto casais desinteligentes valorizam o trivial, discutem por tolices, dissipam a sua energia psíquica com pequenos estímulos stressantes, são rápidos a acusar-se e lentos a abraçar-se.

Casais inteligentes enriquecem o território da emoção, valorizam o que o dinheiro não pode comprar, enquanto casais desinteligentes, mesmo quando enriquecem, empobrecem. Como? Empobrecem dentro de si, pois dão uma importância excessiva àquilo que o dinheiro consegue conquistar e não a si próprios.

Casais inteligentes mapeiam e domesticam os vampiros emocionais que sugam a sua alegria, espontaneidade e romance, enquanto os casais desinteligentes escondem os fantasmas nos porões da sua mente.

ESTUPIDIFICAÇÃO HUMANA - Isabela Spínola

Este é precisamente o momento em que realizamos que a concentração de poder tem apenas por fim a manipulação de sociedades, pela necessidade de ordem social que o ser humano necessita. Se assim não o fosse, ainda hoje seríamos um neandertal. Quem não chegou a esta fronteira de pré-loucura jamais identificará a manipulação diária de que é alvo.

Algumas das características que os aprendizes de vida possuem, são a certeza de que nunca saberão demasiado, a busca da verdade na sua essência e um acesso ilimitado aos mais diversos e coloridos mundos.

Aprender é uma vontade inata e natural, não se aprende a ter vontade de aprender, é preciso ser curioso, é preciso não se bastar, é preciso constatar, é preciso conhecer, é preciso ver as formas na sua forma original. A fome de conhecimento desemboca num cérebro em contínua expansão, para quem não bastam as verdades comunitárias e colectivas.

Nietzsche, um dos meus aprendizes preferidos, foi para muitos um insano, para outros um génio. Incapaz de lidar com a sua condição de ser emocional, enveredou pela misoginia, passando mais tarde por diversos estados de loucura, pela frustração que lhe causava o não reconhecimento público das suas obras.

Nietzsche dedicou toda a sua vida ao aprendizado, deixando hábeis e preciosos escritos, que apenas traduzem o comportamento humano e o impacto deste na sociedade. Aponta como sendo o exercício mais difícil o auto-conhecimento, não pela carga reflectiva que tal implica, mas antes pela necessidade de superar os nossos próprios limites, para que seja possível identificá-los e assim balizá-los.

As saídas da zona de conforto, são desconfortáveis efectivamente, mas sem passar por elas, nunca saberemos do que somos capazes, e não tendo este conhecimento, nunca nos conheceremos realmente.

O auto-conhecimento está aberto a todos, todavia, apenas os aprendizes lá chegarão. Não por serem melhores, apenas porque são mais curiosos, e esta viagem é sempre traçada na vida de um aprendiz. Cedo ou tarde algum caminho desembocará no auto-conhecimento. O que move os aprendizes na vida é apenas um motor: a busca da essência. Este tema interessa a alguém? Possivelmente não, nem tão pouco é sujeito a juízos de valor a inércia intelectual.

A essência da verdade apenas interessa aos aprendizes, que com o seu espírito inconformista e analítico esmiúçam a fundo qualquer tema que lhe desperte interesse. Este é o patamar onde os conceitos se confundem, e frequentemente duvidamos deles, sendo necessário um mergulho ainda mais profundo nos pântanos do conhecimento.

O homem reduzido à sua essência, é um animal controlado. Questiona-se qual a necessidade de racionalidade, porque não vivemos apenas como os animais irracionais, porque tivemos de dar este uso à nossa racionalidade, qual o objectivo da racionalidade afinal.

Este é seguramente um patamar irreversível e onde identificamos que somos sempre essência pura não formatada sem necessidade física ou mental de produtos massificados (neste ponto recomendo vivamente a leitura de José Saramago no seu "Ensaio de Cegueira").

A zona de perigo (se é que assim poderei chamar) desta constatação
reside apenas no isolamento social que tal pode provocar, podendo chegar já a um estado de pré-loucura nietzschiana. Este é precisamente o momento em que realizamos que a concentração de poder tem apenas por fim a manipulação de sociedades, pela necessidade de ordem social que o ser humano necessita.

Se assim não o fosse, ainda hoje seríamos um neandertal. Quem não chegou a esta fronteira de pré-loucura jamais identificará a manipulação diária de que é alvo.

Um dos grandes pilares que fomentou a manipulação nas sociedades ocidentais, foi sem dúvida a religião católica, que criou raízes há já vinte séculos com seus dogmas e ainda hoje perdura como a grande linha orientadora da consciência humana. Baseada no Cristianismo, surge num contexto político em que se verificava uma necessidade revanchista de fuga ao império romano. A natural defesa pelas minorias, a necessidade humana de mártires comuns, fez com que o cristianismo se propagasse exponencialmente durante os três séculos em que foram perseguidos pelos romanos.

No século IV, os romanos passam a tolerar o Cristianismo, passando a religião católica de uma seita de minorias para uma religião de massas. A decadência do próprio império romano vem a fortalecer as figuras cristãs da época, elegíveis desde logo pelas multidões, passando estas a assumir funções de destaque na sociedade civil.

Faltava dar um corpo e fundamento à igreja cristã, e é a partir deste momento que são fundados os mais profundos pilares comportamentais da sociedade ocidental. Baseada na doutrina da Trindade, e considerando-se mandatados por entidades divinas, dividem a sociedade ao meio, admitindo apenas em raras excepções, a salvação aos seus infiéis. Não existindo à data um código civil baseado em valores emocionais, o cristianismo é rapidamente absorvido como forma de gratificação emocional (boas acções garantem um lugar no paraíso), tendo até hoje perdurado na consciência humana, inibindo-a de qualquer valor divergente implicando tal a punição de consciência no indíviduo.

Actuando como super-ego na consciência humana, a religião actua sobre emoções, constituindo um padrão comportamental já racionalizado e que se transmite através das gerações.

Existe realmente esta necessidade de ordem na vida comunitária, não obstante todo o fanatismo e comércio envolto na matéria. Se a linha de valores cristãos é a mais adequada à nossa sociedade? Não sei responder. Considero ser tão válida como seria outra linha de valores qualquer, na verdade a mina de ouro foi descoberta pelos poucos que perceberam a capacidade de manipulação das massas.

Os membros alfa da sociedade rapidamente teriam de enveredar por caminhos onde pudessem comandar as suas alcateias, a religião terá sido apenas uma via para atingir um fim. Nos dias de hoje, a tendência é a de baixar a fasquia ainda mais. Foram substituídos valores morais por valores líquidos, e a experiência em sabotagem social é sem dúvida superior, e na actualidade comandada por dois grandes exércitos: poder político e mediático.

O acesso total a informação não filtrada e de fraca qualidade intelectual, exponencia a estupifidicação humana, na medida em que não propicia o crescimento intelectual, despromovendo assim as capacidades e liberdades individuais. Receio que as próximas gerações, apresentem uma percentagem inferior de neurónios, pelo seu desuso em crescendo e consequente não replicação via adn.

O que acontecerá ao nosso mapa neurológico dentro de 3 séculos? Isto leva-me a pensar que inevitavelmente as sociedades auto-conduzem-se a este patamar de estupidificação ao ponto de não restar nada. Será desta forma que regressarmos à nossa essência, a tempos pré-históricos, para depois recomeçar de novo. Será esta a explicação para já termos tido civilizações mais evoluídas do que nossa?
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JOGOS PSICOLÓGICOS NOS RELACIONAMENTOS DE CASAL

Muitos dos jogos psicológicos que usamos nos nossos relacionamentos são o resultado do nosso roteiro de vida. Um padrão emocional e comportamental que elaboramos na infância sob a influência dos nossos pais e que nos acompanha por muitos anos.

O roteiro da vida e os jogos psicológicos no casal são fenômenos sobrepostos. São esses jogos psicológicos que determinam como gastamos o nosso tempo nos relacionamentos e acabamos moldando o roteiro do casal.

O roteiro de vida
O roteiro de vida (script) é um termo criado pelo psiquiatra Eric Berne, fundador da Escola Transacional, e se refere ao papel que desempenhamos no nosso relacionamento com os outros, como se estivéssemos atuando em uma peça de teatro. É um papel que desenvolvemos porque nos foi dado e acaba se tornando uma máscara da qual não somos conscientes. Além disso, muitas vezes reforçamos este roteiro de vida através da experiência.

Ele age como uma marca que nos colocaram em uma idade precoce e que direcionará a nossa vida, a menos que nos tornemos conscientes disso e trabalhemos para modificá-lo.

“As pessoas nascem príncipes e princesas,
até que os seus pais as transformam em sapos”.
-Eric Berne-

O roteiro de vida é estabelecido com base em dois elementos:
  • ·  Os mandatos ou “maldições”. As proibições ou inibições impostas à criança. Eles fazem referência à negação de uma determinada atividade e são projeções dos medos e desejos dos pais.
  • ·  As atribuições: são os “rótulos” que todos nós carregamos e que nos foram impostos quando éramos crianças. Eles também são o resultado das projeções das nossas figuras de referência e nos moldam desde muito cedo. Limitam a criança a ser ou fazer de uma certa maneira: “você é como seu pai” ou “você é bobo, desajeitado…”, “não se pode confiar em você”.

Roteiros de casal: os jogos psicológicos
Na idade adulta, e quando nos relacionamos com os outros, o roteiro de vida de casal se define pelos jogos psicológicos que o casal usa para envolver o outro com base no roteiro de vida de cada um.

Os jogos psicológicos determinam o modo de viver o relacionamento. Eles preenchem a vida do casal porque é com esses jogos que ambos ocupam o tempo que passam juntos. São uma forma de troca muito destrutiva. Nestes jogos psicológicos são dados scripts de submissão, dominação e isolamento.

Roteiro de submissão
Um membro do casal exerce o papel de vítima e exige a proteção do outro. Se ele não percebe ou não recebe do outro a proteção e a atenção de que necessita, ou seja, se a manipulação não funciona, surgem os ataques de raiva e começa o roteiro de perseguição e culpabilização do parceiro.

Essa variante do roteiro de submissão pode durar pouco tempo, porque coloca em risco o relacionamento do casal. O roteiro de vítima é reassumido rapidamente e o ciclo continua, em uma escalada crescente, dando lugar a uma agressividade cada vez maior.

Roteiro de dominância
Nos casais que utilizam o seu tempo em jogos psicológicos de dominação, um dos dois exerce o papel de dominador ou perseguidor. É um roteiro baseado no exercício do poder e competência com o outro. A pessoa faz isso com o propósito de impor os seus valores, seus critérios e suas opiniões. Este membro do casal precisa provar que é ele quem manda, e não o outro.

Nos momentos do jogo em que o dominador perde, a insegurança aparece rapidamente. Ele se tornará hostil até o ponto de “guardar” a perda para uma revanche subsequente. É um jogo psicológico que acaba esgotando o relacionamento.

Roteiro de isolamento
Esses casais desenvolvem o jogo psicológico de permanecerem distantes de compromissos emocionais. Eles controlam a indiferença e a frieza até que um deles precise se aproximar, o que geralmente ocorre em encontros sexuais apaixonados, e volte a ficar distante novamente com qualquer desculpa, seja uma briga ou um trabalho. É um relacionamento de ‘vai e vem’.

Por fim, observe que mudar esses roteiros de vida e acabar com os jogos psicológicos no casal é um processo que passa pelo reconhecimento dos mesmos e pelo desejo de querer mudá-los. Caso contrário, esses jogos psicológicos levarão à separação do casal.
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18 EXPRESSÕES RACISTAS QUE VOCÊ USA SEM SABER

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Entre sutilezas, brincadeiras e aparentes elogios, a violência simbólica se amplia quando expressões como estas são repetidas:

RACISMO AQUI NÃO!

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