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SIM, EXISTEM VERDADES ABSOLUTAS - Edmir Saint-Clair

Existem verdades que independem de ponto de vista ou opinião. Se impõe porque são fatos e independem de vontade. E, sobre os quais, nada podemos fazer para alterar sua efetiva realização. Vai acontecer e não existe nada que possa impedir. 

Nem religião, nem Deus, nem qualquer outra entidade criada pela imaginação humana. São fatos muito simples, ordinários e ao alcance de qualquer um a qualquer momento. E são todos igualmente banais e tão ordinários que nos desconcertam pela simplicidade e frequencia que acontecem. 

Um exemplo: não importa se você acredita ou não em algum tipo de divindade, também não importa o quanto se dedica e o quanto alcançou de "desenvolvimento espiritual" , se você se atirar da Pedra da Gávea sem para-quedas vai morrer. E, não existe nenhuma forma de alguém mudar isso. Isso é uma verdade, é uma realidade e independe de qualquer ponto de vista ou crença. Qualquer ser humano que pular terá o mesmo fim. E, essa é só uma das milhares de verdades absolutas que nos cercam, e, que por terem essa natureza, não deveriam nos fazer perder tanto tempo fantasiando possibilidades de alterá-las. Serão sempre só fantasias, mentiras, que por mais mirabolantes ou sofisticadas que pareçam não irão alterar em nada a realidade que se impõe. Melhor aceitá-las e seguir em frente. 

Ter consciência disso significa entender esse limite óbvio entre a abstração e a realidade. Entre a utopia e a verdade.

Parece simples, e é.
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O CLIQUE – Edmir Saint-Clair

Um clique embaixo do chuveiro e nada foi como antes.
Não estou me referindo a nenhum clique eletrônico ou virtual. Refiro-me aquele clique que acontece dentro de nós. Aquele raro momento em que percebemos o instante exato em que alguma coisa muda.

É o segundo logo após uma mudança interna. Aquele ponto em que percebemos que uma mudança interna acabou de acontecer. É uma mudança no cruzar dos braços de uma forma diferente de como sempre a fizemos antes. Tão diferente, que gera a sua percepção pela surpresa que nos causa. Não me lembro de ter sentido inúmeras vezes como era de se esperar para quem já viveu várias décadas. Senti isso apenas algumas vezes na vida e nem sempre quando era de se esperar.

A última vez que isso me aconteceu foi há pouco. Talvez pela consciência do agora, que só conquistamos através da passagem do tempo e do acúmulo de experiências, dessa vez percebi esse clique de forma absolutamente nítida e clara. No banho, embaixo chuveiro.

O banho é um dos momentos em que mais me ocorrem pensamentos “filosóficos” e transcendentais.  Adoro água, de preferência do mar, mas a do chuveiro também é ótima. O banho, para mim, é sempre um momento muito agradável. Desde adolescente... mas, com o tempo o foco foi mudando.

Sentindo a água morna batendo na cabeça e escorrendo pelo corpo, nem me lembro sobre o que divagava. Lembro-me apenas de ter mudado de posição embaixo do chuveiro. Assumi uma posição diferente de todas as outras até então, em todas as minhas décadas de vida. Nada espetacular ou perceptível para qualquer outra pessoa que estivesse me observando. Se estivesse sendo gravado por uma câmera, nem assim seria perceptível para qualquer outra pessoa. Mas, para mim foi tão diferente que me surpreendeu de imediato. Quase um susto. Foi um cruzar de braços e um reposicionamento de todo corpo e cabeça embaixo do chuveiro, que culminou com uma postura geral do corpo completamente diferente de todas as outras vezes na minha vida. Chegou a soar estranho. 

Naquele momento, senti perfeitamente uma mudança profunda, definitiva e surpreendente. Algo aconteceu que me fez diferente do que era segundos antes. E gostei muito do que percebi. A mudança foi para melhor, sem dúvida alguma.
O acúmulo desses cliques durante a vida causa maturidade e sabedoria.
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CHEGA – Poesia - Edmir Saint-Clair


Chega de deixar tudo para amanhã
Chega de reclamar e não mudar
Chega de se omitir e não lutar
Chega de prometer e não cumprir
Chega de errar e repetir
Chega de chorar e não mostrar
Chega de julgar sem entender
Chega de não procurar saber
Chega de preferir ignorar
Chega de roubar sem precisar
Chega de mentir para se eleger
Chega de se eleger só para roubar
Chega de estudar só para mandar
Chega de saber para enganar
Chega de achar que é só você
Chega de achar que nunca vai mudar.
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RECOMEÇAR - Poesia - Edmir Saint-Clair

O passo difícil, hesitante
O passo maior que o instante
Maior que todas as distâncias

Recomeçar sem ter para onde ir
Porque ontem não é um lugar
Para onde se possa seguir

Por instinto, caminhando, 
procurando atalhos
Bebendo água no gargalo, 
Errante

Recomeçar; um tentar constante
Sabendo que há sempre um fim 
em cada instante
E também o minuto avante
Que transforma tudo em novo instante.
Sempre.

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O MEDO DA MUDANÇA – Edmir Saint-Clair

O medo está nos rondando o tempo todo,
nos fazendo engolir sapos maiores que a boca.
Mas, por outro lado, foi o que nos manteve vivos até aqui...

Sem nos dar conta, lá está o medo tentando encaixar nossas atitudes em modelos que nem sabemos mais quais são. Tudo para termos a sensação de segurança.

Quanto mais previsível, quanto menos mudanças na rotina, mas seguro o ser humano se sente. É a chamada zona de conforto, que de conforto não tem nada. O nome certo seria zona de tédio.

Esse estado é uma consequência não desejada do medo que a simples ideia de mudança provoca. Mas as mudanças ocorrem o tempo todo, percebamos ou não. Não dependem da nossa vontade.

Esse é o cenário desse nosso conflitos interno, provocado pelo antagonismo entre o medo transcendental e a capacidade de raciocinar adquirida ao cabo de milhares de anos de evolução, que, por fim, nos permitiram controlar os perigos reais aos quais aquele medo servia como alerta fundamental para a sobrevivência.


Mesmo com todo essa evolução, o medo da mudança continua a ser uma força muito poderosa no ser humano, só que, atualmente,  é menos explícito e vive escondido nas pequenas coisas, sendo um dos responsáveis por diversos tipos de sofrimento em nossas vidas. 

Platão tratou brilhante e definitivamente disso no "Mito da Caverna". Há milhares de anos. Não é nenhuma novidade, mas permanecemos os mesmos. Disfarçados...para nós mesmos.

Ouvi de um amigo psicanalista algo que me ficou na cabeça e que os anos só reforçam a verdade que traduz:

- "O ser humano só se sente seguro vivendo uma rotina previsível, mesmo que isso signifique viver em péssimas condições, aparentemente insustentáveis se vistas de fora, mas que ele já conhece e está acostumado. É péssimo, mas é um péssimo que ele conhece. Essa força é tão poderosa que a simples idéia de romper com a situação e partir para algo novo causa pânico. Resumindo, a natureza do ser humano o impele a ficar no sofrimento conhecido, mas que ele sabe não o mata, a arriscar qualquer outra coisa que ele não conhece. A origem desse comportamento é aquele mesmo medo necessário e primitivo que o fez permanecer vivo para contar e fazer história há milhares de anos. O que diferencia cada indivíduo é o nível de coragem para enfrentar esse medo, que hoje já não é tão necessário quanto na época em que fugíamos de predadores nas florestas”.

Não raras vezes, nos deparamos com essa realidade em vários aspectos da vida. Nas relações familiares, profissionais, amorosas e fraternas.

Admiro muito as pessoas que conseguem se desvencilhar rápido de situações incomodas da vida.

É claro que tudo tem sua particularidade e nada pode ser posto numa mesma sacola. Mas, existe uma linha, que pode ser tênue, de onde, a partir dali qualquer um tem certeza do dano que aquela situação que está sendo vivida está trazendo a um ou a quantos mais estiverem envolvidos.

Seja em que âmbito for, chega um momento em que o desgaste da relação é tão forte e nítido que a mudança é absolutamente inevitável e urgente. E isso sempre gera insegurança, que é outro nome para o medo.

Nas relações entre casais isso é muito nítido. Do início da descida até se esborrachar no fim do relacionamento, a gente vem se ralando todo como numa ladeira abaixo. E, não raras vezes, essa ladeira dura anos. Imagine quanta ralação, quantos machucados daqueles bem ardidos poderiam ser evitados.

É bem doloroso. Quanto mais tempo dura a ladeira com mais machucados a gente chega no final. O que esquecemos é que podemos, a qualquer momento, interromper essa descida e evitar mais machucados.

Saber interromper antes que os machucados se aprofundem demais e deixem cicatrizes indeléveis é o que decide nossa possibilidade de ser feliz nos próximos. Ou seja, essa decisão é das mais sérias: a hora de pararA hora de dar um fim a uma situação infeliz e não olhar mais para trás. A hora de decidir, de se cuidar, de se proteger.

Saber a hora de parar de viver uma situação de sofrimento é fundamental para não perder a crença em si mesmo. 
É necessário acreditar que podemos cuidar de nós mesmos e que somos capazes produzir e lutar por nossa própria felicidade. É quando a autoestima racional deve atuar soberanamente. 

É importante ser sincero ao responder nossas próprias perguntas. Precisamos saber, pelo menos, o que pensamos de verdade sobre nossos próprios assuntos. Precisamos estipular nossos limites.

A Tolerância é necessária, sem ela não se vive, não se aprende e nem se evolui. Mas, a partir de um limite, passa a ser submissão, conformismo e covardia.

Mudar dá medo. Principalmente quando a decisão da mudança envolve coisas básicas como mudar de casa, ficar sozinho, trocar um emprego mais ou menos, mas que paga as contas, por um projeto que se der certo vai te dar a vida que você deseja (e isso não está ligado a dinheiro necessariamente!). Mas, que também pode dar errado.

E daí? Tudo pode dar errado, principalmente o que, aparentemente, está dando certo. Já que o que está dando errado, se mudar, só pode mudar para dar certo. E isso nunca incomoda ninguém!

Se der errado é porque não mudou. Então, vai ter que continuar mudando até dar certo.

Ou seja, veja-se por que ângulo for, é preciso mudar sempre.

Até para que o que já está dando certo continue dando. Certo?

*Essa crônica faz parte do livro A Casa Encanta - Contos do Leblon, Edmir Saint-Clair

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A RECEITA DA FELICIDADE – Edmir Saint-Clair

Todos os dias pipocam dúzias de  textos sobre o tema Felicidade. Livros são lançados, artigos escritos, vídeos e todo tipo de arquivos são produzidos e vem se juntar a uma incontável biblioteca sobre o assunto. 

Ao refletirmos sobre isso, vemos que existem milhares de rótulos cujo cerne é a felicidade: psicologia, filosofia, autoajuda, meditação, sexoterapias, práticas tântricas,  yogas e outras centenas de "cadeiras" da matéria. 

"Felicidade não existe, 
o que existe são momentos felizes".
Peninha

Por mais óbvia e simplória que essa frase pareça, a princípio, trás uma verdade incômoda e nem um pouco romântica. Em seu enunciado, já determina sua finitude inexorável. 

Que tipo de felicidade transcendental é essa que a humanidade tanto busca? Uma felicidade perene e inalterável, onde cessa a tristeza e a contrariedade.
Um "foram felizes para sempre..."

Assim colocado, fica fácil vermos que, sob esse ângulo, a felicidade é uma utopia absoluta. 

Mas, se a pensarmos como um momento de pleno gozo da existência, a filosofia "Peninha" é absolutamente verdadeira. 

A maioria de nós, que já passou de certa idade, tem plena certeza de que existem muitos momentos onde nos sentimos plenos, felizes. Pelos mais variados motivos. 

Saber perceber esses momentos, enquanto estão acontecendo, é fundamental no processo de ser feliz.

Esse processo é desenvolvido intuitivamente durante a vida, e a forma como esse aprendizado se consolida em cada um é o que determina a capacidade ou a incapacidade de alcançar esses  momentos. Se desenvolveremos ou não a capacidade ser feliz. 

Ser feliz é um mérito pessoal. Uma conquista.

 Essa consciência do agora, esse momento no qual nos damos conta de que, naquele segundo, estamos sendo felizes, a felicidade se completa e explode como um gozo total do ser, pleno. Isso é o resultado de um processo, é a consciência do momento e requer aprendizado. 

É por ele que a humanidade vive. Para sermos palco, em nosso interior,  de uma explosão espetacular de sentimentos e sensações que são absurdamente compensadora. 

Ás vezes, sua exteriorização não passa de um leve sorriso. Outras, é, literalmente, um gol do seu time num estádio lotado só com torcida a favor. Um espetáculo!

Para que esses momentos ocorram, é preciso que aconteça uma evolução sincronizada dos acontecimentos provocadores, únicos em cada ser.

Esse conjunto de fatores, muito pessoais e individualizados, se juntam e fazem nosso sistema orgânico produzir uma série de hormônios, em quantidades e proporções únicas, de tal forma que o resultado é a descarga daquelas sinapses únicas que provocam a sensação de Felicidade.

Esse processo é extremamente individual e único. Sequer no mesmo indivíduo acontece exatamente da mesma forma duas vezes. O simples fato de já ter ou de nunca ter acontecido já determina essa originalidade. 

Pensando assim, na felicidade como um conjunto de fatores que nos faz sentir bem por um período  de tempo, podemos sim encontrar esses ingredientes em atitudes diárias que nos proporcionem mais prazer do que incômodos. Com a frequência dos momentos prazerosos estaremos aumentando a possibilidades de que os fatores disparadores daquela sensação estejam presentes por mais tempo, aumentando a chance de sentir aquelas sensações.

Para que tenhamos o discernimento necessário para saber o que nos agrada, o que não faz diferença e o que realmente nos contraria profundamente , é preciso um autoconhecimento bem razoável.

Prestar atenção nos próprios sentimentos e reações é fundamental. Ter a capacidade de perceber onde estão nossos limites requer uma boa dose de autocrítica, sempre incômoda e perturbadora. Ninguém gosta de reconhecer limitações.

Depois dessa etapa, vem uma tão difícil quanto: estipular os nossos limites externos. 

Até onde deixar que os outros opinem, influam e nos cobrem por nossas decisões de âmbito pessoal? Até onde deixar, e quem vamos deixar, "se meter na nossa vida".
Até onde dar satisfação de nossos atos, e a partir de onde nossas motivações e propósitos são questões sobre as quais não devemos satisfação a ninguém?

É complicado. Mas ninguém disse que não seria. 

Para procurar a receita, primeiro é preciso descobrir quais os ingredientes e que quantidades devem ser usadas para que o resultado nos traga a satisfação da vida com sabor.

E, como seria  bom, se  pudéssemos deixar essa receita como herança para nossos filhos. Como a receita de um bolo da vovó.
Mas, infelizmente, essa receita só vai servir para você. 
É pessoal e intransferível. 
E, quando a gente pensa que está chegando a uma conclusão, entra mais alguém na história e dana-se tudo de novo.

Se sozinho já é difícil, imagina a dois...


     

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