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OUVIR, NÃO ENTENDER E CONTINUAR AO LADO - Edmir Silveira

 

Sentado na areia, perto do mar, ainda meio sonolento, penso como adoro acabar de acordar já na praia. Ainda me espreguiçando. Abril é um dos meses do ano que eu mais gosto no Rio. A luz é belíssima e dias de sol, como o de hoje, deixam a temperatura perfeita para um dia de semana na praia. Na minha rua, Alm. Pereira Guimarães, a praia só dos amigos e conhecidos se torna um lugar muito familiar pra mim. O Dois Irmãos com essa luz de outono carioca fica ainda mais imponente. Sempre penso no meu irmão quando olho.

Havia muito tempo que eu encontrava a Claudia. Eu a reconheci ainda de longe, vindo do fim do Leblon, e ela também. Ao se aproximar deu-me um longo e carinhoso abraço. Ela é uns três anos mais velha que eu, sempre andou com os caras mais velhos, mas tínhamos uma empatia recíproca, que nos tornava amigos, vamos dizer assim, avulsos, um não conhecia os amigos do outro. Amigos de praia. Por ser mais velha, sempre me dava conselhos, como uma irmã. Hoje, ela me pareceu ainda mais velha e com ar sofrido. A última notícia que havia tido era sobre sua separação. Há mais de um ano. Sentou-se ao lado e começou a falar.

        -Culpa, culpa, culpa. Até quando sou esbofeteada sinto culpa. Racionalmente sei que, como todo ser humano fui educada para sentir culpa, mas isto não me faz deixar de senti-la. Lembro-me que quando estava grávida, dentre as muitas novas teses psico- educacionais que elaborei para criar meu filho sem traumas, tinha especial predileção pelo capítulo que abordava a culpa. A partir de algo que li, desenvolvi todo um raciocínio de como educar meu filho para que ele não carregue todas as culpas que não tem. Pena que só me lembre disso agora, quando meu filho já está com 6 anos. Se todas as pessoas colocassem em prática aquilo que pensam e criam de melhor, a evolução seria mais rápida. Dentro de cada pessoa existe um revolucionário e um reacionário, e a evolução depende da vitória do primeiro. No meu caso, não sei. Estou me sentindo completamente perdida...”

Continuou falando e contando coisas durante algum tempo e, quando tentei falar-lhe, ela levantou-se, me deu um beijo e um abraço, enquanto agradecia minha amizade. E seguiu seu caminho.

Fiquei ali parado, olhando o mar, pensando nas minhas culpas e no meu lado revolucionário e no reacionário. Nem tive tempo de dizer nenhuma palavra. Melhor assim, aquilo tudo me pegou tão de surpresa, que nem tinha tido tempo de pensar no que ela havia dito. Não tinha muito a ver com meu momento, me deixou meio “sei lá”. Sorri sem perceber e só então eu percebi que estava leve. Acabara de praticar uma das coisas mais importantes da amizade: Ouvir, tentar entender mesmo quando tá difícil, oferecer o ombro e simplesmente estar ao lado. Ser amigo. Se sentir sendo um bom amigo de um amigo faz um bem danado...

 

CRESCER - Edmir Silveira


 

Temos ódio de nossos sonhos de criança, são eles que nos impõe todas as desilusões. E, quando elas acontecem, e não sabemos lidar adequadamente com os sentimentos que as decpeções nos impõe, nos distanciamos de nós mesmos, às vezes tanto, que nos tornamos ninguém. 

Apenas seres sem sonhos, buscando os sonhos que não têm
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Somos o que sonhamos. Somos o que sentimos. Somos o que amamos. Eternas crianças com uma enorme capacidade de amar, sorrir e sonhar. Ansiosos, por dividir nosso amor, nossos sorrisos, nossos medos e nossos sonhos.  

Podemos agir como nossos próprios anjos, ou como os demônios que tememos. Nos assombrando, e aos outros, eternamente.
 

MEU AMIGO QUE VOAVA – Edmir Silveira

Sim, eu tive um amigo que voava. De verdade. Daqueles amigos inesquecíveis que qualquer um gostaria de ter. Acima de tudo, amigo.

Um cara muito engraçado, que sabia rir de si próprio como só as boas pessoas sabem.  Uma combinação incomum que misturava coragem e um jeito atrapalhado. Se a sorte não tivesse se juntado nesse tempero, teria ido muito mais cedo pro outro lado.

Uma pessoa aberta a novos pensamentos. Um viajante desbravador, sempre que ouvia falar em algum lugar novo, fora do “circuito descolado”, punha-se a caminho para conhecer. De moto, de Kombi ou de Brucutu.  

Morador do Leblon, depois Ipanema, curiosamente era a montanha que o seduzia. Não a vida na montanha, era saltar lá de cima. E Lá em cima ele encontrou sua praia

E decidiu passar o resto da vida voando. E passou.

E conservou até o fim a mesma curiosidade adolescente.
Um aventureiro por natureza. 

As muitas décadas que convivemos me deram a honra conhecer um ser humano autêntico e admirável. Trocou a comodidade de um engenheiro com estabilidade do funcionalismo público para viver, literalmente, ao sabor do vento.
E foi muito feliz com sua escolha. Uma verdadeira lição de vida.

O mais cativante nesse pequeno grande homem, era seu coração bom. Um amigo para todas as horas. Colocava carinho e gentileza em pequenos gestos o tempo todo.

Amava a vida e sabia apreciar a natureza como poucos. Se existisse essa entidade a qual se dá o nome de "homem comum", ele não seria um desses. Dentro de sua simplicidade, soube ir além da mediocridade dominante. Nunca se perdeu de si mesmo.  

Foi feliz

Um dos maiores orgulhos que tenho é ter podido expressar, com todas as letras, pessoalmente, a minha admiração.

A lembrança já não machuca tanto depois de alguns anos. Só dá muita saudade. Mas, ao mesmo tempo, muita alegria de ter tido esse meu amigo que voava.

LEBLON - O ROUBO QUE NUNCA ACONTECEU - Edmir Silveira

Tudo dentro do planejado. Com alguma folga. Ótimo, dá tempo de tomar um coco apreciando esse pôr do sol maravilhoso. Realmente, a meditação tem me feito muito bem, pensou Jair.

Ele avista seu alvo a uma distância perfeita. Levanta-se e mistura-se entre os “corredores” que passam. Regula seus passos no ritmo dos mais lentos.

Quando percebe a aproximação esperada, reduz ainda mais um pouco seu ritmo de modo que durante a ultrapassagem do alvo possa haver alguma troca de expressões. Após a ultrapassagem a distância aumenta apenas um pouco, o suficiente. E assim foram e voltaram até o arpoador. Na volta, a distância ficara bem maior, poderia despertar suspeitas manter uma distância próxima. Ele sabe onde o alvo vai parar.

Nos últimos metros ele dá um pique mais puxado e quando para no quiosque está bem ofegante, como deveria. Não foi difícil surgir um assuntos entre os dois enquanto tomam um coco. Quando o alvo se despede, já existe uma certa camaradagem carioca entre corredores de praia.

A partir daquele momento tudo tinha que ser preciso. Assim que o alvo atravessa as duas pistas da praia, na direção da Rua Cupertino Durão, ele apressa o passo e rapidamente está  do outro lado da rua, onde sabe que o alvo tem de passar. Encosta-se numa das árvores, entre dois carros estacionados, e aguarda. Ninguém vindo de nenhum dos lados.
O alvo passa e é abordado.

 - Sérgio, isso aqui é uma arma. Fica quieto e ouve com atenção. Vamos até a sua casa, andando devagar e conversando como dois amigos. Se você fizer qualquer coisa errada morre na hora. Ouviu? Responde! Ouviu?

Sérgio estava paralisado. Apenas balbuciou um sim quase inaudível.

Jair continua.

- Quanto mais nervoso você ficar mais perigoso fica para nós dois. Então fica calmo e tudo vai dar certo. Prometo pra você.

Com a arma dentro do agasalho, mas já devidamente apresentada a Sérgio, os dois começam a andar na direção do elegante prédio do jovem deputado.

Sobem direto sem parar na portaria. Morador não precisa se identificar. E a maioria, nesses prédios, não dá boa noite a porteiros.

Sérgio mora sozinho.

Na ampla sala, Sérgio ainda não sabe o que estava realmente acontecendo. Um assalto comum não é. Está na cara.

Sérgio nunca fora dos mais corajosos, por isso estava acostumado a ser submisso sem questionar. Jair o manda sentar no sofá da sala e ele obedece.

À essa altura, por todo o contexto percebido, Sérgio tem quase certeza que sabe porque Jair está ali.

Sérgio ainda bastante nervoso tenta amenizar o clima.

- Fica tranqüilo, pode levar tudo o que você quiser. Não vou causar nenhum problema. Só quero ficar vivo.

Sérgio ainda tem a voz bastante trêmula.

- Sérgio, sei que você tem 3 milhões de dólares em dinheiro vivo aqui no seu apartamento. Sei a que horas, onde e a mando de quem você pegou essa grana. Sei que ninguém pode saber que esse dinheiro existe e muito menos que está aqui na sua casa.

Sérgio ficou completamente branco. Pensou que seria roubado, mas aquilo era bem mais do que isso. Definitivamente não era um simples assalto. Tinha algo a mais por trás.

- Você é policial federal? Perguntou Sérgio.

- Sorte sua que não!!  Respondeu Jair soltando um riso.

Mesmo sem ainda entender direito, Sérgio já está um pouco mais calmo. Já percebera que não está lidando com ladrãozinho pé de chinelo. Pelo linguajar e pela postura, Jair é profissional. Talvez até da rede pública. Na verdade, não dava para fazer idéia de quem se trata e de onde surgiu aquele Jair.

Jair pega seu celular e começa a filmar Sérgio.

- Você vai gravar? O quê? Pergunta Sérgio.

- Se levanta e vai pegar a mala com o dinheiro. Diz Jair apontando o celular.

Sérgio hesita e fala:
- Não está mais aqui... o secretário do senador já pegou...
A voz de Sérgio falha e irrita Jair, que rapidamente troca o celular pela pistola e aponta para ele.

O corajoso deputado começa a chorar, e revela que a mala está dentro do armário no quarto dele.

Jair não segura o riso. Os dois se Recompõe, Jair volta a falar manso e nota que o deputado havia mijado nas calças.

Enquanto Sérgio entra em seu quarto, abre o armário, pega a mala, coloca-a sobre sua cama e a abre, Jair grava tudo ininterruptamente com o celular. Enquandrando o quarto inteiro, alternando com closes da mala e dos retratos no quarto do deputado, para caracterizar com detalhes onde estão.

A seguir, vão para a sala onde Jair também o grava com a mala aberta sobre a mesa de jantar e a sala inteira ao fundo.

Pronto, aquele vídeo não deixa dúvidas de que aquele dinheiro esteve com o deputado dentro de sua casa.

Jair recolhe a mala com o dinheiro. Diante do atônito e corajoso deputado mijado, recoloca seu agasalho esportivo e guarda o celular e a pistola no bolso.

- Bem Sérgio, agora vai ser o seguinte. Daqui a duas horas vou enviar para você, pelo seu whatsApp, o vídeo que fizemos agora. Ou seja, eu tenho a prova de que você estava com 3 milhões de dólares em dinheiro vivo e que não tem como explicar como vieram parar aqui sem comprometer muita gente graúda. Mostre esse vídeo para a sua “galera”, porque isso também garante que você não pode ser preso para não delatar. Ou seja, não aconteceu nada. Se eu souber que tem alguém atrás de mim, jogo esse vídeo na internet na hora.

Sérgio ouvira calado e calado permanecia. Não tinha nada a dizer. Não podia fazer nada. A não ser aguardar o vídeo para garantir que continuaria vivo e interessante para o poder que representava.

Jair sai do prédio tranquilamente, não sem antes perguntar ao porteiro quanto estava o jogo no Maraca.


Edmir Silveira

O QUE É MODERNIDADE LÍQUIDA? - Edmir Silveira

Forjado Por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que residiu a maior parte da vida na Inglaterra, o termo Modernidade Líquida veio para substituir o termo pós-modernidade com o qual ele trabalhava originalmente.

A noção de Mundo líquido, mundo sem forma.

Na minha infância todas as coisas geravam certezas. Me criaram com certezas absolutas. 

O ideal era fazer o concurso para o Banco do Brasil ou coisas semelhantes. Ou seja, era fazer isso a vida inteira e depois morrer.  As certezas eram dadas e, na maioria das vezes, colhidas por aqueles que lhes acatavam as regras.

O mundo dos meus pais já não existe mais, um mundo de certezas. Mães e pais batiam nos filhos certos de que estavam fazendo o que era correto, essa era a regra que eles haviam aprendido. Batiam sem culpa alguma. Sem trauma, sem psicologia e sem questionamentos porque era o “certo”. Era assim desde as avós das minhas avós. Era época de certezas absolutas.

Sob o prisma da liquidez de Bauman, essa época está irremediavelmente obsoleta. 

Zygmund Bauman simboliza em seus escritos a sociedade conectada, permanentemente ligada a internet e que  desconhece a noção de individualidade e intimidade

A sociedade líquida é essa que comunica a foto do almoço, que posta “estou indo deitar”, “partiu academia”, que troca mensagens sobre tudo que faz o tempo todo. Não tem mais vida interna, vida interior, íntima. Quanto mais jovem, mais assim estão sendo.

Já que a morte por idade avançada é inevitável, por conseqüência teremos num futuro próximo uma geração inteira com essas características.

A liquidez que Bauman identifica atinge todos os setores das relações humanas, principalmente, os valores.  As antigas definições de valores e circunscrições morais deixaram de ter utilidade. O Filho bastardo tem o mesmo grau de legitimidade do que qualquer outro. A leitura é genética e não de valores. Os valores não são mais vistos como definitivos. Essa é uma mudança muito significativa e relevante. Na mesma linha, as relações amorosas passaram e passam pelo mesmo processo.  

A meu ver, em ambos os casos, em direção a uma “verdade” essencial. Mais verdade e menos fantasia. Como deve ser tratado para o entendimento real dos fatos.

A ideia do mundo líquido espalha de forma abrangente esse conceito de constante mutação a todas as interações humanas e crenças individuais.  A inconstância modificando e se impondo em todos os campos.

As relações líquidas não estabelecem nenhuma garantia. Se você tentar pegar na sua mão o que se entende como sua família, você não consegue. Não existe nenhuma garantia de que a sua relação com aquelas pessoas não podem se acabar a qualquer momento. Não há garantia de que uma pessoa que está ao seu lado agora vai estar com você em qualquer futuro próximo. Seja que tipo de parentesco você tenha com ela. 

Segundo Bauman, nenhum tipo de relação, atualmente, tem qualquer tipo de idéia de solidez. São como água, se você apertar nas mãos, ela escorrerá por entre os dedos. A qualquer momento ela pode acabar não há nenhuma garantia de continuidade. Principalmente, porque as relações são alimentadas pelo mesmo princípio que rege cada vontade individual. Ou seja, eu mereço ser feliz e nada pode me impedir disso. Nem que seja só por um curto período. A idéia de doação para algo futuro parece ter desaparecido.

 Quando a pessoa que estiver do meu lado não preencher os requisitos da felicidade a qual eu tenho direito eu a troco.

O mundo líquido é uma visão do mundo sob a perspectiva de que nada está concretamente definido em sua própria definição.

Tudo pode e vai mudar. Necessariamente. É claro que, em se tratando de interações humanas, a mente e o pensamento é que vão determinar essas intensidades e direções. Essa visão, segundo o próprio Bauman, nos ajuda a tomar cuidado com essa ingenuidade de que você consegue ser uma entidade absolutamente individualizada e que isso vá solucionar todos os seus dilemas de vida. Os fatores são absolutamente voláteis e impossíveis de serem previstos. As variáveis são incontáveis. Isso detona qualquer idéia de estabilidade possível.

Sob essa perspectiva, todas as relações estão fadadas ao fracasso por serem determinadas por um sentimento individualista legitimado pela máxima de que ninguém é obrigado a suportar nada que não o faça “feliz”. Em momento algum. Ou seja, qualquer ponto de atrito liquefaz a relação. E, ele surgirá necessariamente, e com isso todos concordamos. O que antes era suportado como “fazendo parte”, hoje é visto como ponto de ruptura intransponível.

É difícil saber se esses movimentos são apenas um intermezzo entre a visão anterior e  um outro pacto que ainda não vislumbramos.

O que me parece bastante claro é que Bauman é o pensador que melhor consegue compreender e descrever o que está ocorrendo no mundo, hoje.

FÉRIAS - Edmir Silveira

Primeiro dia de férias. 

Depois de doze prestações mensais de trabalho, finalmente adquiri minhas férias próprias. Primeira manhã, férias novinhas, zero quilômetro, toda equipada com reveillon, verão e um monte de surpresas que eu espero que aconteçam.

Chego a conclusão de que, sem dúvida, o verdadeiro fruto do trabalho são as férias. Uma vadiagem remunerada, sem culpa ,  admirada e almejada  por todos.  Sinto que o cérebro está em festa, animado.

O sinal demora a abrir. Tudo bem, estou de férias, tenho tempo.

Não é à toa que, quando os médicos não sabem mais o que fazer por um paciente estressado, receitam férias. Até hoje a ciência farmacológica não descobriu nenhum remédio melhor. Nem homeopatia, nem shiatsu, nem rivotril. Férias.

O melhor dia das férias é o primeiro. Tudo ainda está por acontecer. Não existe nem tempo para haver  frustação, as expectativas todas possíveis.

Fico surpreso, pois depois de longo afastamento seria natural um certo período de adaptação, mas, surpreendentemente, já no primeiro minuto sinto-me totalmente à vontade. É minha praia. A textura da areia, nem muito fina nem muito grossa. A textura da areia das praias dessa orla, do final do Leblon até o Lemetem uma consistência única. 

Numa rápida passagem de olhos, analiso as condições de vento, mar e a melhor posição para minha cadeira de praia. Isto tudo exige uma certa ciência, não é para qualquer um.

A praia do Leblon, às terças-feiras de um dia de útil qualquer, é meu paraíso particular. Tem cheiro de férias desde que me entendo por gente. Esse mesmo cheiro, nessa mesma praia, me fazem ter a sensação de colo de mãe acalentando. Um carinho da vida. Meu lugar especial.

Agora, com licença, estou de férias e já escrevi muito. Tenho mais o que não fazer. 

A PRIMEIRA DE FLÓRIS - Edmir Silveira

 

A emoção de compor uma música é uma das mais prazerosas que existem. Compor uma música pode acontecer de várias maneiras.

Uma música pode ser feita para atender a uma encomenda comercial. Para um filme, para uma novela, um jingle para produtos ou serviços. Um sertanejo universitário produzido em série...

Mas, existem certas músicas que tem alma própria. Desde que nascem. Já nascem estreando em alto estilo, estrelas com brilho próprio. 

Todos os músicos, que também compõe, sabem exatamente do que estou falando. Existem músicas que chegam sem pedir licença e se aproveitam da gente para nascer. Do nada. De Tudo.

Às vezes nascem de um só músico, outras em parcerias fantásticas, telepáticas.
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Hoje, foi assim. Sem que ninguém esperasse. No meio de um ensaio, onde 3 músicos que se conhecem e tocam juntos há décadas estavam tocando.

Dois começaram a tocar, na metade do ensaio, enquanto o terceiro reafinava seu instrumento. 

A música surgiu instantaneamente, brotando dos dois. Completa,já arranjada, perfeitamente sincronizada do começo ao fim. Todas as nuances, a harmonia, a melodia, a combinação de notas, tempo, ritmo e dinâmicas. Nasceu andando e falando. Doce, linda e segura, sem vacilos, sem receios. Mágica, inexplicável.

Não sei qual de nós dois começou a tocar primeiro. Não trocamos sequer um olhar, um aceno ou expressão durante a execução/composição da música. Absolutamente sincronizados nas intenções, nos silêncios.

O terceiro músico teve uma sensibilidade musical fantástica. Apenas fez silêncio e observou. Teve a extrema sensibilidade de perceber o momento. O silêncio é fundamental para a música.

O prazer de compor uma música inesperada é inexplicável.

A primeira de Flóris foi inesquecível.  

 

UFOS: 1.250 KM EM MENOS DE 1 MINUTO – Edmir Silveira

Desde que me entendo por gente, esse é um assunto que me encanta. Não vou escrever sobre os milhões de galáxias, cada uma com milhões de estrelas e cada estrela com sua família de planetas, luas e asteróides.

Quem está lendo esse texto sabe disso tudo e um pouco mais. E, pode ter certeza, com relação a esse assunto muito gente sabe tudo que se sabe. Uns, com algumas histórias testemunhais próprias ou de pessoas mais próximas, outros só de ouvir falar, mas todos já ouviram histórias sobre discos voadores.

Não considero um assunto de malucos, também não acredito nas histórias que só alimentam os “encanados” e adoradores de teorias da conspiração.

Minha opinião é que se houvesse alguma prova cabal de contato, queda de naves ou captura de ETs, todos já saberíamos.

Se o ser humano não consegue guardar segredos sobre si mesmo, porque guardaria sobre ETs? Uma prova cabal sobre qualquer episódio valeria muito dinheiro para se conservar em sigilo. Dinheiro compra qualquer segredo. Ainda mais se valer milhões de dólares como esse valeria. Mas, tudo é possível.

O fato é que é muito difícil se posicionar de forma objetiva sobre esse tema. Continuo com tantas dúvidas quanto na primeira vez que pensei sobre o assunto.

O que posso, é contar minhas experiências pessoais.
Indo diretamente ao ponto: não tenho nenhuma experiência como testemunha de avistamento ou situação semelhante. Sequer algum conhecido mais chegado ou familiar que tenha presenciado algo do gênero.

O que não me faltaram foram oportunidades para que isso acontecesse. Durante mais de uma década, transitei pelas estradas entre Rio de Janeiro e Brasília, viajando quase que exclusivamente durante a noite, e com os olhos atentos e ansiosos por um avistamento de objetos voadores não identificados. Nunca vi absolutamente nada de estranho. 

Uma luzinha sequer que descrevesse um trajeto pouco comum nos céus das 3 e meia da manhã, no meio do nada, no meio de Minas Gerais, Goiás ou Rio de Janeiro. Nada, nunca.

No entanto, tenho histórias intrigantes para contar.

Tive um professor no Colégio Militar do Rio de Janeiro, um major da aeronáutica, que contou em sala de aula, que fazia parte do projeto Livro Azul, do governo dos USA. Esse projeto, levado a cabo nos anos 70 até meados dos 80, pretendeu reunir relatos de avistamentos/contatos com OVNIS e investigações a respeito.

Um dos relatos que mais me impressionaram foi o de um casal de professores da rede municipal de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Segundo o Major, o casal saiu de casa logo após o almoço. Estavam a caminho dos respectivos trabalhos no carro da família, indo em direção ao centro de Porto Alegre.
Apenas 15 minutos após saírem de casa, foram encontrados, com o carro, numa Rua de São José dos Campos, no estado de São Paulo, por uma patrulha da polícia civil. 

O carro apareceu no meio de uma rua residencial, em cima da calçada e com uma estranha poeira branca que cobria todo o carro. Só a distância de 1.2250 km que separam as duas cidades já seria estranho o suficiente para arrepiar qualquer um. 

O casal foi encontrado por moradores que estranharam o surgimento do carro sobre a calçada em frente à entrada da garagem de uma das casas da rua. 

O carro estava espremido entre uma árvore e o muro da casa, atrapalhando o portão de entrada. Uma posição transversal a rua, uma posição muitíssimo estranha e difícil para se estacionar. Foram os moradores dessa casa que chamaram a polícia. 

Segundo o boletim de ocorrência, ao chegar ao local, os policiais encontraram o carro coberto por um pó branco, com marcas no teto e o casal desacordado dentro. Outro detalhe, o relógio do homem dentro do carro estava exatos 5 minutos adiantado. Marcava, segundo o casal, o mesmo horário em que eles teriam entrado no carro em Porto Alegre.

Segundo o relato do nosso professor major, o casal foi levado a uma instalação da aeronáutica na cidade de São José dos Campos e, em seguida, examinados por médicos por apresentarem confusão mental, temperatura abaixo do normal, vômitos e dores de cabeça.

As investigações que foram feitas, tendo o nosso professor major à frente, comprovaram fatos desconcertantes:

- Por serem professores da rede municipal de ensino de Porto Alegre, e trabalharem em tempo integral no mesmo colégio, ficou fácil comprovar que os dois, o marido e a esposa, haviam comparecido normalmente para dar aulas no turno da manhã e que haviam saído para o almoço ao meio-dia daquela segunda-feira.

- Compareceram à saída de outra escola na mesma cidade para pegar os filhos em idade pré-escolar, o que possibilitou a existência de testemunhas que comprovaram esse comparecimento.

- A empregada doméstica, o porteiro do prédio e, pelo menos, uns 4 vizinhos haviam cruzado com o casal e os filhos naquele dia até a hora do desaparecimento. Juntando com os alunos e funcionários do colégio onde o casal dava aulas, mais de 50 pessoas confirmaram os horários checados. A possibilidade de ter sido combinado entre elas era muitíssimo remota.

- Os filhos estavam em casa, em Porto Alegre, conforme confirmação realizada naquela mesma tarde.

No carro, encontraram algumas marcas no teto do carro, como se algo houvesse se prendido ao carro em quatro pontos. Fora isso, nada mais havia de errado. O tanque de gasolina apresentava-se quase cheio.

O casal de professores não se lembrava de absolutamente nada. Foram, inclusive, submetidos à hipnose sem que se conseguisse nenhuma informação adicional.

Foram reencaminhados para Porto Alegre, num vôo da FAB algumas semanas depois. Foram monitorados e examinados regularmente nos meses seguintes, sem que se verificasse nada anormal na vida cotidiana da família. Os exames médicos realizados não apresentaram nenhuma alteração significativa.

Nunca foi comprovada nenhuma alteração na vida da família ou do marido e da esposa individualmente. Suas vidas voltaram ao normal sem nenhuma alteração.

A não ser que, numa determinada tarde de segunda-feira, haviam saído de casa às 14h00 horas no carro da família e foram encontrados às 13h55h, há 1.250 km de distância, perfeitamente encaixado entre uma árvore e o muro da casa de outra família, em São José dos Campos, no estado de São Paulo.

O SOLITÁRIO - Edmir Silveira

Eu o conheci apenas por bebermos cerveja no mesmo bar, nos fins de tarde após o trabalho. Nisso, ele era iniciante na turma. Sempre calado, falando apenas necessário ou respondendo. Não se alongava ou emitia opiniões muito pessoais, sempre esquivo. Mas, era  simpático.  Morava sozinho, e nunca o víamos acompanhado.  Ninguém sabia nada a seu respeito, a não ser que tinha um filho, que só via nas férias. O molequinho era bem simpático, bem mais extrovertido que o pai. Nas poucas vezes em que o vi, estava sempre rindo e solícito com todos os amigos do bar, que davam atenção especial a ele.

Ele era contador e trabalhava num escritório no centro da cidade, o que não colaborava em nada para que conseguíssemos formar uma quadro mais profundo sobre nosso amigo tímido. Ele sempre recusava convites para festas ou qualquer outro evento. A princípio, pensávamos que tinha amigos em outro lugar, mas com o tempo percebemos que nunca estava sequer arrumado para sair. Sempre só. Vestia-se discretamente e sempre que chegava ao bar o fazia de forma tímida. Chegava, encostava-se no balcão e pedia uma cerveja. Sempre esperava que alguém o chamasse, não se chegava por livre iniciativa.

Ante véspera de natal. Estava na fila dos correios para despachar alguns cartões  quando o vi na fila de encomendas com uma caixa grande. Acenei e ele retribuiu, logo que despachou-a veio fazer-me companhia.
- Tudo bem ? Mandando presentes ?   Perguntei.
 - Para meu filho. Ele ta morando em S.Paulo. Respondeu olhando para baixo.
- Paizão hein ? Falei.
Ele sorriu e tornou a olhar para o chão.
        - Aonde você vai passar o natal ? Perguntei.
 - Por aí, não gosto muito dessas datas...
Aproveitei para convidá-lo.
            - Vai um pessoal passar lá em casa. Todos os solteiros, separados e largados em geral. Vai passar lá com a gente. A gente tinha mesmo ficado de te convidar, o convite é da galera toda. Quem te encontrasse primeiro convidaria.
Ele agradeceu, baixando novamente a cabeça, me pareceu pudesse estar emocionado. Só achei. Voltamos caminhando juntos pelo Leblon, da Praça Antero de Quental até a Afrânio, e poucas vezes em minha vida, lembro-me de ter percebido tanta solidão em uma pessoa, quanto a que percebi nele durante este curto trajeto. A solidão era visível em sua forma de caminhar, na sua maneira de falar de futebol ou no desânimo de suas tentativas de risos. E, principalmente no olhar. Uma pessoa tão fechada que  não sabia como dizer-lhe que durante esses anos todos de cervajadas, sentia-me seu amigo. Não falei. Ao passarmos pelo bar, parei e o chamei para tomarmos uma cerveja, mas ele disse que tinha de ir. Parou um pouco adiante e me chamou:
            - Quero te agradecer o convite para o natal. Muito obrigado. 
Desta vez, sua a emoção não foi tão imperceptível, deu-me um forte aperto de mão, e vi que seus olhos se avermelharam. Olhou para baixo seguiu seu caminho.

 Comentei com os amigos que havia feito o convite  e como ele agradecera. Todos mostraram-se alegres com por ele ter aceitado, e percebi que todos ali também gostavam dele.  Papo vai, papo vem, desce mais 6 geladas, e decidimos comprar um presente de Natal para ele. A Tininha se prontificou a escolher e comprar. Fizemos uma vaquinha ali mesmo.  
            Na noite véspera do natal, estavamos lá em casa, animados, como sempre que passamos com quem gostamos. Lá pelas duas da madrugada, percebemos que ele não viria. Lamentamos, mas isto em nada alterou nossa grande noite. Violões rolando até de manhã, e aqueles papos doidos que só acontece entre grandes e queridos amigos.

            Uma semana depois, a Tininha aparece no bar chorando :
            - Estava descendo de casa, agora, e vi alguns móveis sendo colocados numa Kombi de mudança e perguntei, pro Seu João, porteiro, de quem era. Ele disse que eram do Ricardo, e que ele havia morrido na noite de Natal, atropelado quando caminhava na rua.

Todos ali choraram a morte daquela pessoa solitária, que morreu sem saber que tinha amigos e que ganharia um presente de natal. E, nunca soubemos para onde ele estava indo.

AS IMAGENS QUE VEM DAS NUVENS – Pareidolia - Edmir Silveira


O que é Pareidolia
Pareidolia é um fenômeno psicológico comum em todos os seres humanos, conhecido por fazer as pessoas reconhecerem imagens de rostos humanos ou animais em objetos, sombras, formações de luzes e em qualquer outro estímulo visual aleatório.

Mesmo sendo mais comum a pareidolia de imagens, este fenômeno também engloba os sons, fazendo com que uma sequência de ruídos seja interpretada como palavras ou frases com algum significado para o ouvinte.

Por exemplo, em músicas que são reproduzidas ao contrário, muitas pessoas alegam ouvir mensagens que são supostamente consideradas mensagens subliminares, quando na verdade pode não passar de uma simples pareidolia sonora.

Pessoas que alegar ver fantasmas, discos voadores, monstros e outros acontecimentos inexplicáveis, podem ser "vítimas" de uma pareidolia. Vale lembrar que a pareidolia não é uma doença.

De acordo com pesquisadores e estudiosos da mente humana, uma provável explicação para este fenômeno esteja relacionada com a evolução da espécie humana.

A necessidade do ser humano em viver em sociedade para sobreviver, fez com que desenvolvesse essa facilidade em identificar rostos de seus pares.

Pessoas que apresentam níveis altos de sociopatia ou outros distúrbios mentais que afetam as habilidades sociais, apresentam maior dificuldade em identificar pareidolias, ou seja, não conseguem ver rostos ou formas humanas com facilidade em nuvens, manchas, e demais objetos.

Um exemplo de como a pareidolia está presente no cotidiano das pessoas são os populares emoticons. Os desenhos dos emoticons são entendidos pelo cérebro humano como representações de rostos. Estes símbolos utilizados nas comunicações através de mensagens de texto pela internet e celulares, são úteis para transmitir sentimentos e emoções.

O que é Apofenia
Apofenia é o nome dado para um fenômeno cognitivo, quando alguém consegue identificar padrões e significados em coisas aleatórias, vagas e sem nenhum sentido real.

Em suma, a apofenia consiste na ação inconsciente de achar um significado ou chegar à uma conclusão que parte de informações incompletas ou coincidências. É uma tentativa do ser humano de achar um significado para aquilo que desconhece. Pode, por exemplo, levar um indivíduo a acreditar em teorias fantásticas de conspiração.

Para os psicólogos, a apofenia é entendida como um erro de percepção, uma característica que o ser humano desenvolveu ao longo de anos de evolução, tendo inicialmente um papel vital para a sobrevivência da espécie.

Em termos estatísticos, a apofenia pode ser classificada como um Erro do tipo I, ou seja, quando determinada ideia é concluída a partir de hipóteses ou de informações incompletas.

Proposto inicialmente em 1959, pelo neurologista e psiquiatra alemão Klaus Conrad, as apofenias são responsáveis pelo surgimento das superstições, mitos, crenças em atividades paranormais e etc.
Todos os seres humanos apresentam níveis de apofenia – assim como de pareidolia – sendo este fenômeno um limite que pode caminhar para dois aspectos distintos: a paranoia ou a criatividade.

A diferença entre Apofenia e Pareidolia
Entende-se que a pareidolia é um tipo de apofenia, mas num sentido mais restrito.
A pareidolia é um fenômeno psicológico presente em todos os seres humanos, quando estes conseguem identificar imagens ou sons familiares em coisas aleatórias.
Ao contrário da pareidolia, a apofenia vai além da identificação de padrões sonoros ou imagéticos, e está relacionada com todo o tipo de padrões, mesmo com aqueles que são puramente coincidência.
O fenômeno da pareidolia é pessoal, isso significa que mesmo que um indivíduo esteja enxergando um rosto humano numa determinada forma geométrica, outra pessoa pode não ver a mesma imagem.

A pareidolia reflete as crenças de um indivíduo, por isso que as pessoas religiosas alegam ver o rosto de Jesus Cristo em determinados lugares, enquanto os ateus não conseguiria identificar a mesma imagem com facilidade.
Fonte de pesquisas: google
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EXISTE RECEITA PARA A FELICIDADE? – Edmir Silveira


Todos os dias pipocam dúzias de  textos sobre o tema Felicidade. Livros são lançados, artigos escritos, vídeos e todo tipo de arquivos são produzidos e vem se juntar a uma incontável biblioteca sobre o assunto. 

Ao refletirmos sobre isso, vemos que existem dezenas de rótulos cujo cerne é a felicidade: psicologia, filosofia, autoajuda, meditação, sexoterapias, práticas tântricas,  yogas e outras centenas de "cadeiras" da matéria. 

"Felicidade não existe, 
o que existe são momentos felizes".
Peninha

Por mais óbvia e simplória que essa frase pareça, a princípio, trás uma verdade incômoda e nem um pouco romântica. Em seu enunciado, já determina sua finitude inexorável. 

Que tipo de felicidade transcendental é essa que a humanidade tanto busca? Uma felicidade perene e inalterável, onde cessa a tristeza e a contrariedade?
Um "foram felizes para sempre..."

Assim colocado, fica fácil vermos que, sob esse ângulo, a felicidade é uma utopia absoluta

Mas, se a pensarmos como um gozo da existência, a filosofia "Peninha" é absolutamente verdadeira. 

A maioria de nós, que já passou de certa idade, tem plena certeza de que existem muitos momentos onde nos sentimos plenos. Pelos mais variados motivos. 

Saber perceber esses momentos, enquanto eles estão acontecendo, é fundamental. Porque a melhor parte de aprendermos com a vida, é que esse aprendizado pode determinar ser seremos ou não capazes de alcançar esses  momentos. Se desenvolvemos ou não a capacidade ser feliz. 

Ser feliz é um mérito pessoal. Uma conquista.

Quando nos damos conta de que, naquele segundo, estamos vivendo um desses momentos, eles se completa. Isso é saber viver o momento e requer um longo aprendizado. 

É por ele que a humanidade vive. Para sermos palco, em nosso interior,  de uma explosão espetacular de sentimentos e sensações que são absurdamente compensadora. 

Ás vezes, sua exteriorização não passa de um leve sorriso. Outras, é, literalmente, um gol do seu time num estádio lotado só com torcida a favor. Um espetáculo!

Para que esses momentos ocorram, é preciso que aconteça uma evolução sincronizada dos acontecimentos provocadores, únicos em cada ser.

Esse conjunto de fatores, muito pessoais e individualizados, se juntam e fazem nosso sistema orgânico produzir uma série de hormônios, em quantidades e proporções únicas, de tal forma que o resultado é a descarga daquelas sinapses únicas que provocam a sensação de Felicidade.

Esse processo é extremamente individual e único. Sequer no mesmo indivíduo acontece exatamente da mesma forma duas vezes. O simples fato de já ter ou de nunca ter acontecido já determina essa originalidade. 

Pensando assim, na felicidade como um conjunto de fatores que nos faz sentir bem por um período  de tempo, podemos sim encontrar esses ingredientes em atitudes diárias que nos proporcionem mais prazer do que incômodos. Com a frequência dos momentos prazerosos estaremos aumentando a possibilidades de que os fatores disparadores daquela sensação estejam presentes por mais tempo aumentando a chance de ser feliz.

Para que tenhamos o discernimento necessário para saber o que nos agrada, o que não faz diferença e o que realmente nos contraria profundamente , é preciso um autoconhecimento bem razoável.

Prestar atenção nos próprios sentimentos e reações é fundamental. Ter a capacidade de perceber onde estão nossos limites requer uma boa dose de autocrítica, sempre incomoda e perturbadora. Ninguém gosta de reconhecer limitações.

Depois dessa etapa, vem uma tão difícil quanto: estipular os nossos limites externos. 

Até onde deixar que os outros opinem,  influam e nos cobrem por nossas decisões de âmbito pessoal? Até onde deixar, e quem vamos deixar, "se meter na nossa vida".

Até onde dar satisfação de nossos atos, e a partir de onde nossas motivações e propósitos são questões sobre as quais não devemos satisfação a ninguém?

É complicado. Mas ninguém disse que não seria. 

Para procurar a receita, primeiro é preciso descobrir quais os ingredientes e que quantidades devem ser usadas para que o resultado nos traga a satisfação da vida com sabor. 

E, como seria  bom, se  pudéssemos deixar essa receita como herança para nossos filhos. Como a receita de um bolo da vovó.


Mas, infelizmente, essa receita só vai servir para você. É pessoal e intransferível. 

E, quando a gente pensa que está chegando a uma conclusão, entra mais alguém na história e dana-se tudo de novo. 

Se sozinho já é difícil, imagina a dois...

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