APRENDA FAZENDO COM QUEM FAZ.

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CHIQUE É SER EDUCADO - Leda Nagle

Ainda tem gente que acha que educação de jeitos e de gestos é frescura. Ainda tem gente que acha que uma pessoa educada é pessoa enjoada, entojada ou metida à besta. Ainda tem gente que pensa que delicadeza é dever do outro, ou que saber dos limites é função do outro. Mas não é não. 

É dever de todos e é prazer para todos. A cada dia que passa a pessoa que faz o tipo “eu nasci assim, eu cresci assim” está mais fora de moda e é um incômodo para todos. 

Todo mundo pode aprender a se comportar melhor e a ter atitudes mais generosas. Antigamente, um vizinho batia na porta da casa do outro sem telefonar antes, aparecia quando queria. Hoje em dia, pra muita gente isto é impensável. O interfone pode ajudar você a se educar e a aprender a perguntar se pode dar uma chegadinha na casa da outra pessoa, amiga ou conhecida.

A mesma coisa vale para o telefone. Com o advento do celular você é atendido nos lugares mais improváveis. Custa muito perguntar se o outro pode falar? Na verdade não custa nada,basta pensar antes de começar a falar. 

Com pequenas mudanças, discretas adequações, todo mundo pode ficar mais educado. Para que perguntar a amiga que está mais gorda se ela está grávida, por que não olhar o relógio antes de telefonar? Um dia destes li que um prefeito de uma pequena cidade na Espanha, chamada La Toba, fez uma espécie de decreto educação. Proibiu, por lei, que os 119 moradores da cidade que fica a 120 quilômetros de Madri venham a tossir, espirrar ou bocejar na frente de outras pessoas, sem tapar a boca.

Ah, ia me esquecendo: ele também proibiu soltar pum perto de outras pessoas! Claro que eu sei que não é atribuição do prefeito este conjunto de regras, mas acho que as pessoas podem melhorar se adotarem as regras deste inusitado decreto. 

E a nova “lei” manda não cutucar o nariz, nem chupar os dedos, não debochar de quem tem defeitos físicos nem colocar apelidos, não dar as costas a quem estiver falando, ajudar a quem necessita e a retribuir gestos e ações.

E tem mais no tal decreto: não chupar a colher da sopa fazendo barulho, não falar mal dos outros, ajudar a quem precisa, cumprimentar as pessoas quando chega a um ambiente pequeno, agradecer favores recebidos e não revelar segredos dos outros. 

Quanto a nós, que moramos aqui, poderíamos acrescentar outras regras tipo: atravessar na faixa de pedestre, não avançar sinal, não beber antes de dirigir, dar passagem no trânsito, não usar alto-falantes pra se comunicar, não falar tão alto, não xingar a mãe do outro diante de qualquer insatisfação, respeitar a sexualidade dos outros, não fazer barulho a noite toda. 

Basta querer aprender. É bacana ser educado.

COM QUE DIREITO? - Leda Nagle

 
O outro não importa mais. 
E a gente percebe isto nos acontecimentos 
do dia a dia, 
das coisas mais bobas às mais sérias

O escritor Oswald de Andrade tem uma frase que eu gosto muito, que diz: “O erro do homem é pensar que é o fim do barbante; o barbante não tem fim”. A maldade humana também não. O egoísmo e o individualismo também não. No trânsito, no trabalho, na vida real ou nas telas da TV e do cinema a ideia parece uma só: ganhar do outro, agora, já. A urgência de vencer, de ser famoso, de ganhar dinheiro não tem limites.

Atropela, elimina, destrói numa voracidade de dar medo. O outro não importa mais. E a gente percebe isto nos acontecimentos do dia a dia, das coisas mais bobas às mais sérias e até criminosas. Quer um exemplo? O padre famoso está almoçando, a senhora da mesa do lado quer uma foto para colocar nas redes sociais. Como ela quer fazer a foto naquele momento e, naturalmente, não pode esperar, interrompe a garfada do peixe que o padre está levando à boca e, com o telefone na mão, praticamente o intima a fazer a foto. Quer outro? A pessoa está parada no sinal de trânsito, que está fechado, e descobre que ele abriu pelo som da buzina do carro que está a seguir.

O motoqueiro passa xingando, esbravejando, porque quer passar, e o motorista ousou seguir seu caminho, normal, sem se espremer para facilitar a passagem dele. Mas não pense que nesses casos banais a urgência ou o não querer prevalecem. A mulher engravida, o filho nasce e ela não o quer. Joga no mato, abandona, esquece e segue adiante, provavelmente fazendo outros filhos. O dentista não tem dinheiro suficiente para atender o assaltante? Coloca-se fogo nele. Eu leio as estatísticas divulgadas sobre nós, brasileiros e brasileiras, e elas dizem que a violência diminui. Que me desculpem os pesquisadores, mas não acredito. Pelo que leio, sou obrigada a achar que a situação só piora.

Que, bandidos ou não, as criaturas ficam cada dia mais violentas. Veja o caso do cabeleireiro assassinado no banheiro da boate. Me recuso a discutir se ele era gay ou não. Se era gay ou não estava no direito dele, vivendo a vida dele. Era uma pessoa, um ser humano, que saiu de casa para se divertir. Por que é que tem que acabar assim? Por que a Justiça sempre dá seu jeito para soltar os acusados de um crime, como no caso da boate Kiss, em Santa Maria? Por que um crime praticado por um ‘de menor’ merece punição diferente, mesmo que seja igual ao praticado por um ‘de maior’?

Por que é que ainda existem brancos que acham que têm mais direitos que os negros? Por que fizeram uma lei para as empregadas domésticas e, agora, ficam discutindo um jeito de burlá-la? Porque todo mundo quer se dar bem, todo mundo se acha especial, diferente, egoisticamente mais merecedor. Num certo sentido, todo mundo se acha o fim do barbante.

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