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LENDA DE COPACABANA - Luís Fernando Veríssimo

Contam os antigos que há muitos anos, antes mesmo do Eskibon e do Jajá de côco, quando Copacabana ainda era uma praia e não um deserto que acabava no mar, quando ainda havia os postos pintados de branco e calçadão era um sapato grande, um rapaz, um dia, encontrou uma concha à beira-mar. 

Era no tempo em que ainda havia conchas, e não bisnagas de plástico, à beira-mar. Uma daquelas conchas grandes e retorcidas que você levava ao ouvido e ouvia o ruído do mar, mesmo que estivesse longe do mar. Mas o rapaz levou a concha ao ouvido e não ouviu o ruído do mar. Ouviu uma voz que dizia “Preto dezessete”.

Era um rapaz humilde mas ambicioso que morava numa vila de Botafogo e vinha a Copacabana de bonde sempre que podia. Estava estudando, com sacrifício. Não tinha dinheiro para jogar na roleta. Não tinha nem idade para entrar no Cassino da Urca. Mas toda vez que levava a concha ao ouvido ouvia o mesmo sussurro. “Preto dezessete”.

Guardou a concha em casa. Não deixava ninguém chegar perto dela, nem a mãe. Volta e meia, ia lá e botava a concha contra o ouvido. Para ter certeza de que não tinha sonhado que ela falava. E ouvia claramente: “Preto dezessete”.

Vendeu o que podia (e o que não podia) e com um terno emprestado que o fazia parecer mais velho tocou-se para a Urca. Foi aquela vez que o preto dezessete deu dezessete vezes seguidas. Voltou para casa - de táxi, pela primeira vez na vida - e colocou a concha sobre o ouvido, rindo sozinho.

 Que número deveria jogar agora? A concha disse para ele aplicar o dinheiro na compra de uma casa em Copacabana, e deu o endereço. Ele conhecia a casa, das suas caminhadas na praia. Estava caindo aos pedaços. Mas a concha insistia. Ele então gastou todo o dinheiro da roleta na compra da casa. Dias depois, recebeu uma oferta de uma construtora pelo terreno. Três vezes o que ele tinha gasto na compra da casa. Aceitou, com uma condição. A cobertura do prédio seria dele. Conselho da concha.

Durante quatro, cinco anos, a concha administrou o seu dinheiro. Compra e venda de ações, jóias, imóveis, títulos de mineração. Aos poucos, sua fortuna foi crescendo. Ele tornou-se conhecido como gênio das finanças e playboy. Reinava sobre Copacabana da sua cobertura aberta ao mar. 

Era visto em passeios solitários pela praia - só ele, seus dálmatas, algumas mulheres e o mordomo com o champanha - com seu talismã, a concha, encostada ao ouvido. De volta ao apartamento despachava telegramas para vários pontos do país e do mundo - isto foi antes do DDD - com ordens para comprar, vender, liquidar, multiplicar. Nunca errava. Não tinha assessores, não consultava ninguém, não lia nada, não trabalhava, apenas ouvia a sua concha e enriquecia. Um gênio, diziam todos.

Até que um dia encostou a concha no ouvido e ouviu a voz dizer:
- Vende tudo.
Vender tudo? Não podia ser. Deu uma sacudida na concha e voltou a encostá-la ao ouvido.
- Vende tudo.

Pela primeira vez, duvidou de um conselho da concha. Mas não a contrariou. Vendeu tudo. Não foi fácil, mas em poucas semanas tinha transformado todas as suas posses em dinheiro vivo e na mão. E então, de olhos arregalados, ouviu a concha dizer:
- Aposta tudo no Uruguai.
- No Uruguai?! Essa não.
Brasil e Uruguai decidiriam uma Copa do Mundo dali a dias no Maracanã. O Brasil não podia perder. Resolveu desobedecer a concha.

Depois disso, durante anos, a concha permaneceu em silêncio. Ele a colocava no ouvido e não ouvia nada. Nem o ruído do mar. Desorientado, aplicou mal seu dinheiro e em pouco tempo acabou sem nada. Tornou-se um vagabundo. Perambulava pela praia, com a concha apertada contra a barriga. Vivia de esmolas e, quando tinha sorte, tatuíras. Até que um dia resolveu atirar a concha de volta ao mar. Ela era um símbolo do seu azar. Levou-a ao ouvido pela última vez... e ouviu, de novo, a voz!
- Avestruz.
Avestruz! Roubou os óculos raiban que um americano deixara na praia para dar mergulho, vendeu e jogou no bicho. Foi aquela vez que deu avestruz dezessete vezes seguidas. Ele recomeçou sua ascensão. Terrenos. Títulos. Joint-ventures.

 Aprendera sua lição. Seguia fielmente todas as recomendações da concha. Quando a concha disse para ele vender tudo e aplicar na Bolsa, ele nem piscou. Vendeu e aplicou. Quando a concha disse para ele liquidar suas ações e pular fora, rápido, mesmo com a Bolsa disparando, ele liquidou e pulou. No dia seguinte a Bolsa estourou e ele ficou com sua fortuna. E então a concha disse:
- Constrói um edifício.

E ele construiu. Na Avenida Atlântica, conforme instruções da concha. Com grandes janelas para o mar. Os apartamentos não tinham divisões. Eram enormes salas, altas, largas e ressonantes. Ele não entendeu, mas não discutiu. Os arquitetos e engenheiros também não entenderam.
- Sabe o que é que parece esse edifício? - disse um dos engenheiros. - Uma enorme caixa de som.
E quando o edifício estava pronto, ele colocou a concha no ouvido e ouviu ela dizer: “Som”.

Com o dinheiro que sobrara depois da construção, e seguindo minuciosas instruções da concha, ele comprou e instalou em todas as grandes salas do edifício, com suas janelas altas para o mar, a mais sofisticada aparelhagem de som que encontrou. Grandes alto-falantes que iam do chão ao teto em todos os andares. E a concha mandou que ele instalasse um painel central de controle do som no saguão do prédio. E quando o painel foi instalado, a concha mandou que ele ligasse a chave. E ele ligou a chave. E de todos os alto-falantes de todos os andares do edifício com suas grandes janelas viradas para a praia saiu um ruído ensurdecedor que fez estremecer o próprio calçadão e, dizem, as próprias paredes do forte. 

Era o ruído do mar, só que muito mais alto do que o mar. Ele compreendeu então - enquanto vinha a prefeitura e interditava o seu edifício e vinha a polícia e o acusava de ameaçar o sossego público - que fora usado pela concha, cuja ambição era muito maior do que a dele. E compreendeu alguma coisa sobre a vida e o mundo e a razão cega de todas as coisas.
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ESTRAGOU A TELEVISÃO - Luis Fernando Verissimo


― Iiiih...
― E agora?
― Vamos ter que conversar.
― Vamos ter que o que?
― Conversar. É quando um fala com o outro.
― Fala o que?
 ― Qualquer coisa. Bobagem.
― Perder tempo com bobagem?
― E a televisão o que é?
― Sim, mas aí é a bobagem dos outros. A gente só assiste. Um falar com o outro,assim, ao vivo... Sei não...
― Vamos ter que improvisar nossa própria bobagem.
― Então começa você.
― Gostei do seu cabelo assim.
― Ele está assim há meses, Eduardo. Você é que não tinha...
― Geraldo.― Hein?― Geraldo. Meu nome não é Eduardo, é Geraldo.
― Desde quando?
― Desde o batismo.
― Espera um pouquinho. O homem com quem eu casei se chamava Eduardo.
― Eu me chamo Geraldo, Maria Ester.
― Geraldo Maria Ester?!
― Não, só Geraldo. Maria Ester é o seu nome.
― Não é não.
― Como, não é não?
― Meu nome é Valdusa.
― Você enlouqueceu, Maria Ester?
― Por amor de Deus, Eduardo...
― Geraldo.
― Por amor de Deus, meu nome sempre foi Valdusa. Dusinha, você não se lembra?
― Eu nunca conheci nenhuma Valdusa. Como é que eu posso estar casado com uma mulher que eu nunca... Espera. Valdusa. Não era a mulher do, do... Um de bigode.
― Eduardo.
― Eduardo!― Exatamente. Eduardo. Você.
― Meu nome é Geraldo, Maria Ester.
― Valdusa. E, pensando bem, que fim levou o seu bigode?
― Eu nunca usei bigode!
― Você é que está querendo me enlouquecer, Eduardo.
― Calma. Vamos com calma.
― Se isto for alguma brincadeira sua...
― Um de nós está maluco. Isso é certo.
― Vamos recapitular. Quando foi que nós casamos?
― Foi no dia, no dia...
― Arrá! Está aí. Você sempre esqueceu o dia do nosso casamento. Prova de quev ocê é o Eduardo e a maluca não sou eu.
― E o bigode? Como é que você explica o bigode?
― Fácil. Você raspou.
― Eu nunca tive bigode, Maria Ester!
― Valdusa!
― Está bom. Calma. Vamos tentar ser racionais. Digamos que o seu nome sejamesmo Valdusa. Você conhece alguma Maria Ester?
― Deixa eu pensar. Maria Ester... 
Nós não tivemos uma vizinha chamada MariaEster?
― A única vizinha que eu me lembro é a tal de Valdusa.
― Maria Ester. Claro. Agora me lembrei. E o nome do marido dela era... Jesus!― O marido se chamava Jesus?
― Não. O marido se chamava Geraldo.
― Geraldo...
― É.
― Era eu. Ainda sou eu.
― Parece...
― Como foi que isso aconteceu?
― As casas geminadas, lembra?
― A rotina de todos os dias...
― Marido chega em casa cansado, marido e mulher mal se olham...
― Um dia marido cansado erra de porta, mulher nem nota...
― Há quanto tempo vocês se mudaram daqui?
― Nós nunca nos mudamos. Você e o Eduardo é que se mudaram.
― Eu e o Eduardo, não. A Maria Ester e o Eduardo.
― É mesmo...
― Será que eles já se deram conta?
― Só se a televisão deles também quebrou.
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A CIDADEZINHA NATAL - Luís Fernando Veríssimo

Idéia para uma história. 
Homem chega num carro com motorista a uma cidadezinha do interior. Manda estacionar o carro na única praça da cidadezinha, em frente à única igreja, e diz para o motorista ficar esperando no carro enquanto ele inspeciona a cidadezinha a pé. Não leva muito tempo. A cidadezinha é quase nada. A praça, a igreja, a prefeitura, algumas casas em volta da praça, poucas ruas. O prédio mais alto da cidadezinha tem quatro andares. É o que fica em cima da maior loja da cidade, a Ferreira e Filhos, que vende de tudo.
O homem entra no único boteco da praça, pede uma cerveja e puxa conversa. Quer saber quem é que manda na cidadezinha. Há quatro ou cinco pessoas no boteco, que não pararam de observar os movimentos do homem desde que ele desceu do seu carro com motorista. O maior carro que qualquer uma delas jamais tinha visto. Ninguém fala. O homem repete a pergunta. Quem é que manda na cidadezinha? As pessoas se entreolham. Finalmente o dono do boteco responde.
― O prefeito é o dr. Al...
― Não, não. Não perguntei o prefeito.
O que manda mesmo.
― É o Ferreira Filho.
― O da loja?
― É.
― Ele manda na cidade?
 Não tem alguém mais alto?
― Tem o delegado Fro...
― Polícia, não. Alguém mais alto.
― Tem o padre Túlio.
― O padre Túlio manda no Ferreira Filho?
― Bom... ― começa a dizer o dono do boteco.
― Só quem manda no Ferreira Filho é a dona Vicentina ― interrompe alguém, e todos caem na risada.
― A esposa dele?
Mais risadas. Não, não é a esposa. Nem a mãe. Dona Vicentina é uma costureira que não costura. O atelier da dona Vicentina ocupa uma pequena sala na frente da sua casa, mas está sempre vazio. O verdadeiro negócio da dona Vicentina, e suas sobrinhas, acontece nos fundos da casa. É lá que ela recebe o Ferreira Filho, e o prefeito, e o delegado e, desconfiam alguns, até o padre Túlio. Se alguém manda no Ferreira Filho, e na cidadezinha, é a dona Vicentina. Portanto é na sala dos fundos da casa da dona Vicentina que o homem reúne as autoridades, oficiais e reais, da cidadezinha, naquela mesma noite, e faz a sua oferta. 
Quer comprar a cidadezinha. Como comprar? Comprar. Cash. Tudo. A praça, os prédios, a população, tudo. E os arredores até o cemitério. Mas como? Não é possível. Há impecilhos legais, há...Todos os protestos cessam quando o homem revela a quantia que está disposto a pagar por tudo, e por todos. É uma quantia fabulosa. Em troca, pede pouca coisa. Um retoque na praça, onde ele quer que seja construído um coreto sob uma árvore milenar, que também deve ser providenciada. Cada habitante da cidade, ao receber o seu dinheiro, receberá junto instruções sobre o que dizer, quando forem perguntados. Dirão que se lembram, sim, do homem. Que ele nasceu e cresceu, sim, na cidadezinha. Que era filho da dona Fulana e do seu Sicrano (os nomes serão fornecidos depois). Que muito brincou na praça, sob a árvore milenar. Que estudou na escola tal, com a professora tal, que terá muitas boas lembranças dele. Uma das habitantes mais antigas da cidadezinha será escolhida para fazer o papel da professora tal. Cada habitante da cidadezinha terá seu papel. Só o que precisarão fazer, quando forem perguntados, é contar histórias sobre a infância e a adolescência do homem na cidadezinha. As histórias também serão fornecidas depois. 
― Mas perguntados por quem? ― quer saber Ferreira Filho.
― Por repórteres. Virão muitos repórteres aqui.
― Por quê? 
O homem não diz. Pergunta se está combinado. Se pode contar com a cidadezinha e com seus habitantes. Todos concordam. Está combinado. Dona Vicentina diz que se alguém não concordar, vai ter que se ver com ela.
No dia seguinte, depois de dizer que o dinheiro e as instruções virão em poucos dias e antes de entrar no carro, o homem olha em volta da praça, examinando cada uma das casas ao seu redor. Finalmente, escolhe uma, aponta, e diz:
― Se perguntarem, eu nasci ali. 
Entra no carro e vai embora. Poucos dias depois chegam o dinheiro e as instruções, ou os papéis a serem distribuídos entre os habitantes. É feito o combinado. Constroem o coreto no meio da praça e transplantam uma grande árvore milenar para lhe fazer sombra. E quando a cidadezinha é invadida por repórteres querendo saber da vida do homem, todos respondem de acordo com as instruções. Alguns até improvisam, como a dona Vicentina, que conta que foi a primeira namorada dele. 
Mas por que tantas perguntas?
― Vocês não souberam? ― diz um dos repórteres.
― Ele se matou, ontem. 
O último pedido dele foi para ser enterrado aqui, na sua cidadezinha natal. No dia seguinte, chega o corpo para ser enterrado no cemitério. Depois da cerimônia, as autoridades, oficiais e reais, da cidadezinha se reúnem na casa da dona Vicentina para decidir o que fazer. O fato de ele ter se suicidado complica um pouco a coisa, mas no fim fica decidido. Colocarão um busto dele na praça, ao lado da árvore que amava tanto, com uma placa de agradecimento. Afinal, era o filho mais ilustre da cidadezinha.
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CONTO DE FADAS DO SÉCULO XXI - Luis Fernando Verissimo


Era uma vez, numa terra muito distante uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então a rã pulou no seu colo e disse:

- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bom. Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformou-me nessa rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo e poderemos casar e constituir um lar feliz em teu lindo castelo. A minha mãe pode vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre!

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

“- Imagina, largar essa vida de princesa pra ser doméstica!”
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SIM, EXISTEM VERDADES ABSOLUTAS 

Edmir Saint-Clair

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APELIDOS - Luis Fernando Verissimo

Minha tese é a seguinte: 
o que falta para qualquer relacionamento dar certo é o apelido. 

O homem e a mulher – ou o homem e o homem e a mulher e a mulher, ninguém aqui tem preconceito – devem providenciar apelidos um para o outro assim que o relacionamento der sinais de que vai ser sério. Não valem apelidos já existentes, de infância. Os dois devem se dar apelidos novos, só deles. Pichuchinha. Gongonzongo. Não importa que sejam
ridículos.

O apelido é uma forma de você tomar posse de outra pessoa. Dos dois anularem suas identidades anteriores e assumirem outras, só deles. Por isso a troca de apelidos entre namorados deveria ter a solenidade de um batizado, sem padre nem testemunhas. Deveria ser um sacramento secreto, um ritual particular de apropriação mútua, para toda a vida. Uma união só é indissolúvel com apelidos. O único amor verdadeiro é o amor com apelido.

– Sei não. Romeu e Julieta...

– Não tiveram tempo de ser “Ro” e “Juju”.

– O Duque e a Duquesa de Windsor?

– “Bobsky” e “Bubsky”. Li em algum lugar.

O importante é não esperar para se darem apelidos. Achar que com o tempo os apelidos virão. É um erro pensar que uma união feliz produz apelidos carinhosos. É o contrário: apelidos carinhosos produzem uniões felizes.

Claro, há sempre o perigo de um apelido entre casais ser usado para chantagem. Um homem chamado de

“Tiquinho” em segredo pela mulher jamais se separará dela com medo que ela espalhe o apelido e explique sua origem.

E há casos pungentes.

– Bem, posso lhe pedir um favor?

– Qual é?

– Em vez de “Chururuca”...

– Sim?

– Pode ser “Morenão”?

– “Morenão”?!

– Ninguém vai ficar sabendo.

– Mas você nem moreno é!

– Eu sei. Mas eu prefiro “Morenão”.

– Tá bem.

Ela passaria a chamá-lo de “Morenão” quando estivessem sozinhos. Mas com uma ressalva:

– Sem efeito retroativo.
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A ORIGEM FEMININA - Luís Fernando Verissimo

Existem várias lendas sobre a origem da Mulher.

Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher.

E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e agüentar o seu mau humor, enquanto ele convalescia da operação.

Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez o homem às pressas, pensando “Depois eu melhoro”, e mais tarde, com tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou Mulher, que é “melhor” em aramaico.

Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas, e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só para não jogar barro fora.

Zeus teria arrancado a mulher de sua própria cabeça.
Alguns povos nórdicos cultivam o mito da Grande Ursa Olga, origem de todas as mulheres do mundo, o que explica o fato das mulheres se enrolarem periodicamente em pêlos de animais, cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço.

Em certas tribos nômades do Meio Oriente ainda se acredita que a mulher foi, originariamente, um camelo, que na ânsia de servir seu mestre de todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma atual.

No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já de kimono.

E em certas partes do Ocidente persiste a crença de que mulher se compra através dos classificados, podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de massagem.

Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica. Hoje se sabe que o Homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primevo, e é o descendente direto de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estágio atual e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda sabe de onde veio.

É certamente ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos. A minha mãe, não!
Uma das teses mais aceitáveis sobre o papel da mulher na evolução do homem é a de que o primeiro encontro entre os dois se deu no período paleolítico, quando um homo-sapiens mas não muito, chamado, possivelmente, Ugh, saiu para caçar e avistou, sentado numa pedra, penteando os cabelos, um ser que lhe provocou o seguinte pensamento, em linguagem de hoje:
Isso é que é mulher e não aquilo que tenho na caverna”.

Ugh aproximou-se da mulher e, naquele seu jeitão, deu a entender que queria procriar com ela.

Agh maakgrom grom”, ou coisa parecida. A mulher olhou-o de cima a baixo e desatou a rir.

É preciso lembrar que Ugh, embora fosse até bem apessoado pelos padrões da época, era pouco mais do que um animal aos olhos da mulher. Tinha a testa estreita e as mandíbulas pronunciadas e usava gordura de mamute nos cabelos.

A mulher disse alguma coisa como “Você não se enxerga, não?” e afastou-se, enojada, deixando Ugh desolado. Antes dela desaparecer por completo, Ugh ainda gritou: “Espera uns 10 mil anos pra você ver!”, e de volta à caverna exortou seus companheiros a aprimorarem o processo evolutivo.

Desde então, o objetivo da evolução do homem foi o de proporcionar um par à altura para a mulher, para que, vendo o casal, ninguém dissesse que ela só saía com ele pelo dinheiro, ou para espantar assaltantes.

Se não fosse por aquele encontro fortuito em alguma planície do mundo primitivo, o homem ainda seria o mesmo troglodita desleixado e sem ambição, interessado apenas em caçar e catar seus piolhos, e um fracasso social.

Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?

Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta.

Venho observando-as durante anos - inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter colecionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo. Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. 

Têm uma lógica completamente diferente da nossa. Ultimamente têm tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e
fazendo coisas - como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado - impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar nossas diferenças, que estavam começando a dar na vista.

Quando comentamos o fato, nos acusam de ser machistas, presos a preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então roçam a nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como “ioink, ioink” que nos deixam arrepiados e sem argumentos.

Claramente combinaram isto. Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra.

É o que fazem, quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás para ouvir.

Muitas vezes, mesmo na nossa presença, falam uma linguagem incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para transmitir instruções do Planeta Mãe.

E têm seus golpes baixos. Seus truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros, suas bocas.

Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles mísseis inteligentes. Aquela curva suave da coxa, quando está chegando no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso!

E as armas químicas - perfumes, loções, cremes. São de uma civilização superior, o que podem nossos tacapes contra os seus exércitos de encantos?
Breve dominarão o mundo. Breve saberemos o que elas querem. Se depois de sair este artigo, eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente asfixiado, como um sorriso, minha tese está certa. 

Se nada me acontecer, sinal de que a tese está certa, mas elas não temem mais o desmascaramento.

O que elas querem, afinal?

Se a mulher realmente veio ao mundo para inspirar o homem a melhorar e ser digno dela, pode ter chegado à conclusão de que falhou, que este velho guerreiro nunca tomará jeito. Continuaremos a ser mulheres com defeito, uma experiência menor num planeta inferior. O que sugere a possibilidade de que, assim como veio, a mulher está pronta a partir, desiludida conosco.

E se for isso que elas conspiram nos banheiros? A retirada? Seríamos abandonados à nossa própria estupidez. Elas levariam as suas filhas e nos deixariam com caras de Ugh.

Posso ver o fim da nossa espécie. Nossos melhores cientistas abandonando tudo e se dedicando a intermináveis testes com a costela, depois de desistir da mulher sintética. Tentando recriar a mágica da criação.

Uma mulher, qualquer mulher, de qualquer jeito! 

Prometemos que desta vez não as decepcionaremos!

Uma mulher! Como é que se faz uma mulher?
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O Leblon pré-novelas do Manoel Carlos.
Contos e crônicas.
 O cotidiano do bairro.
 Clipper, Pizzaria Guanabara, BB Lanches, Jobi, Bracarense
e outros lugares tradicionais do Leblon
são os palcos dessas histórias.

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A DANÇA DA MAÇA - Luís Fernando Verissimo

 
Antônio chegou na hora marcada. Ainda tinha a chave do apartamento, mas preferiu bater. Luiza abriu a porta. Os dois se cumprimentaram secamente.
― Oi.
― Oi.
Antônio fez um gesto indicando os dois homens que estavam com ele. 
Um senhor e um mais moço.
― Este é o seu Molina e este... 
Como é seu nome mesmo?
― Arlei disse o mais moço.
― Arlei. 
Eles vieram me ajudar com a mudança.
― Bom dia 
― disse Luiza. ― Já está tudo mais ou menos separado. Algumas caixas de papelão e sacolas de plástico, uma lâmpada articulada de mesade desenho, a mesa de desenho desmontada, uma taça de metal. Tudo junto perto da porta.
― Eu resolvi levar a poltrona ― disse Antônio.
― Tudo bem ― disse Luiza.
― É isso aí, pessoal ― disse Antônio, abrindo os braços para mostrar o que seria levado. Isto, e aquela poltrona ali. 
Seu Molina estava examinando a taça.
― É para o casal ― disse.
A inscrição na taça era "Campeões do Declaton dos Casais, Hotel das Flores, 1992― Antônio e Luiza". O Declaton dos Casais incluía corrida do saco, corrida de pedalinho nolago do hotel e a dança da maçã. Uma maçã era colocada entre os joelhos do casal e elestinham de fazê-la chegar à boca sem usar as mãos.
― Eu não quero a taça ― disse Luiza.
― Eu também não ― disse Antônio.
― 1992... disse o seu Molina. 
― Era a lua-de-mel?
Luiza e Antônio se entreolharam, mas só por um segundo.
― Mais ou menos ― disse Antônio.
― Quem diria, não é? ― disse o seu Molina.
― O quê?― Em 1992. Que ia acabar assim.
Antônio não podia dizer para o seu Molina não se meter na vida deles. Afinal, era um senhor. Pediu para o Arlei:
― Vamos começar?
Mas o Arlei estava mostrando um álbum que tirara de uma das sacolas de plástico.
― Álbum de fotografia. Vai também?
― Vai ― disse Luiza. 
Tudo que está nas sacolas vai embora. Arlei estava olhando o álbum. Mostrou para o seu Molina:― Olha os dois na praia.
E fez um aceno de cabeça para Luiza, com as pontas da boca puxadas para baixo,querendo dizer "Sim senhora, hein?", e que a Luiza de biquíni não era de se jogar fora. Mas o seu Molina estava sério, olhando para Luiza.
― Você não quer ficar com o álbum?
Luiza perdeu a paciência.― Não quero ficar com nada disto, entende? O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora. São dele.
― Podemos começar? ― pediu Antônio.
Arlei estava examinando os CDs dentro de outra sacola.
― A divisão dos CDs... ― disse. 
― Foi de comum acordo ou...
― Eu fiquei só com os que já eram meus.― Você não quer examinar? A pergunta de Arlei era para Antônio.
― Não. Isso tudo já estava combinado ― respondeu Antônio. E, pegando uma dassacolas do chão para dar o exemplo, pediu. 
- Vamos começar a levar para o caminhão?
Mas Arlei continuava a examinar os CDs e seu Molina continuava com a taça nas mãos.
― E a taça? ― perguntou o seu Molina.
― O senhor quer ficar com ela? Pode ficar.
― Foi vocês que ganharam ― disse o seu Molina. E depois: 
― O que era o Declaton dos Casais?
― Tinha de tudo. Corrida de saco, corrida de pedalinhos, dança da maçã...
Seu Molina e Arlei, um uníssono:― Dança da maçã?
― É. Colocaram uma maçã entre as pernas de cada casal, na altura dos joelhos, eganhava quem conseguisse que a maçã chegasse na boca, para ser mordida, sem usar as mãos. Lembra, Lu? 
Luiza então estava sorrindo com a lembrança.
― É. A gente tinha de se contorcer toda, para fazer a maçã andar. Quem deixasse cair no chão, perdia.
― E vocês conseguiram morder a maçã?
― Conseguimos. Não foi fácil, mas conseguimos.― Lembra do casal cearense, Lu?
― Lembro! Ela foi ajudar com o joelho e acabou acertando o marido bem no...Bem ali.
― E ele saiu pulando e gritando "Mulher, não maltrate o que é seu!"
Os dois deram risadas, depois Antônio ficou sério e disse:
― Bom, mas chega de lembranças. Vamos fazer essa mudança. Se o senhor quiser pode ficar com a taça, seu Molina.
― Eu não. Uma lembrança destas, de um tempo tão alegre... Nenhum de vocês quer ficar com ela, mesmo?
― Está bem, eu fico.
Antônio e Luiza tinham falado ao mesmo tempo. E se corrigiram ao mesmo tempo:
― Fica você.
― Fica você.
Seu Molina perguntou:
― Vocês têm certeza que não querem pensar mais um pouquinho sobre isto?
― Sobre a taça?― Sobre a separação. Só mais alguns dias. Depois nos chamem para fazer amudança. Ou não nos chamem. Arlei sacudiu a sacola com os CDs e acrescentou:― Assim vocês têm mais tempo para pensar na divisão dos CDs. Na minha experiência, a divisão dos CDs é sempre o que dá mais problemas, depois. Luiza e Antônio estavam se olhando. 
― O que você acha? ― perguntou Luiza.
― Não sei... ― disse Antônio.
Seu Molina e Arlei saíram e fecharam a porta em silêncio e deixaram os dois conversando.... 
Naquela noite, depois do amor, Luiza perguntou a Antônio de onde tinha saído aqueles dois, Arlei e seu Molina, e Antônio respondeu que os escolhera ao acaso, na rua. Eles tinham um caminhão com uma placa do lado: "Mudanças, carreto e etc."
― Bendito etcetera ― disse Luiza, puxando o Antônio de novo.
 

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