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VOCÊ É TUDO QUE PODERIA SER? – Patrícia Saint-Clair

A vida é muito mais o que acontece dentro da gente do que o que acontece fora.

A nossa vida não é o que os outros veem, mas como nós a vemos de dentro de nós. Sempre me chamam a atenção os casos de homicídio seguido de suicídio em que pessoas que conheciam o autor dizem que nem suspeitavam do que acontecia com ele.

A dor psíquica nem sempre se vê de fora. Aliás, visto de fora, dá pra errar feio. Quantas vezes o cenário é maravilhoso, você pode estar em um lugar paradisíaco, mas visto de dentro, nada disso é sequer notado. Por isso fico vendo com certo enfado tantas frases de autoajuda tão em moda nas redes da vida, nada contra. Muitas são muito bacanas, mesmo! Mas me soam como se nossas questões, aquelas que mais nos afligem, fossem por falta de informação sobre como nos comportar ou falta de força de vontade nossa.

Será que a gente tem tanto poder assim sobre como nos comportamos? Sobre como vemos o mundo e as coisas que nos acontecem? Nosso cérebro e nossa mente parecem que têm vontade própria e não a NOSSA vontade.

Principalmente quando se tratam das questões que nos são mais difíceis. Então parece que não adianta aprender a teoria, porque quando nos vemos na situação de fato, não conseguimos aplicá-la. Você já sentiu isso? Quantas vezes o discurso é perfeito, mas a reação é outra. Por quê? Porque tudo o que nos acontece, depende do nosso olhar, da nossa lente. De como nos acostumamos a enxergar o mundo. As situações que vivemos na primeira infância, principalmente, e também ao longo da maturação do nosso sistema nervoso central, de como nosso cérebro foi se configurando, moldam esse nosso olhar. As situações boas e ruins que nos aconteceram ficam impregnadas na nossa lente. Na forma subjetiva como vemos e vivenciamos o mundo. E o temperamento com o qual a gente nasce também influencia a nossa forma de reagir ao que nos acontece, desde sempre, desde que nascemos. E o que a gente traz de gerações anteriores à nossa? Aquela cultura familiar, as crenças que nos são passadas, até de forma subliminar . Fora outras formas de transmissão transgeracional, hoje estudadas, até pelo DNA.

É uma soma de fatores que intriga até hoje a ciência, mas que, sem dúvida, nos constituem.

Não que a gente não tenha nenhum poder sobre isso, absolutamente. Mas conhecer de que somos feitos, o que nos constitui e o que nos limita, é fundamental. E a partir daí, sim, fazer as escolhas possíveis. Pensar o que você realmente quer na sua vida. O que você realmente gostaria de ser e tudo o que você poderia ser. Ou pelo menos, não andar a esmo, mas andar nessa direção. Porque enquanto estamos vivendo estamos fazendo essas duas coisas sem parar, buscando o querer e o ser. Nunca termina. E a terapia é uma das formas de resolver essa equação. Sempre repito que foi um dos melhores investimentos que fiz na vida. Por isso, recomendo.

Patrícia Saint-Clair -  Psicóloga clínica com especialização em Análise Reichiana, EMDR e Neuropsicologia.
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A TEORIA DO 100⁰ MACACO DE RUPERT SHELDRAKE

Entenda, por que padrões familiares 
tendem a se repetir e como se modificam.

Rupert Sheldrake é um dos cientistas mais controversos de nosso tempo. As suas teorias não só estão revolucionando o ramo científico de seu campo (biologia), mas estão transbordando para outras áreas ou disciplinas como a física e a psicologia.

Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco. 
Eram uma vez duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha "A" descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira.

Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. Esta é uma história fictícia, não um relato verdadeiro.

Numa versão alternativa, em vez de quebrarem cocos, os macacos aprendem a lavar raízes antes de comê-las. De um modo ou de outro, porém, ela ilustra uma das mais ousadas e instigantes idéias científicas da atualidade: a hipótese dos "campos mórficos", proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados.

A analogia termina aqui, porém. Porque, ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos de Sheldrake não envolvem transmissão de energia. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacionais e eletromagnéticos. O que se transmite através deles é pura informação.

É isso que nos mostra o exemplo dos macacos. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.

Até os cristais
O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de "ressonância mórfica". Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos chegasse à ilha "B", sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações.

Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.

Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório - diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.

Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como "uma importante pesquisa científica", a Nature o considerava "o melhor candidato à fogueira em muitos anos".

Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica".

Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida. A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.

Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?

A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma "explicação" dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível?

Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível. Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes.

Ação modesta
A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto.

"A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos, e, portanto, as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente."

A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados "campos morfogenéticos". Se as proteínas correspondem ao material de construção, os "campos morfogenéticos" desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.

Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo.

Forma original
Como mostra a ilustração da página ao lado, o sucesso da operação independe da forma como o pequeno verme é seccionado. O paradigma científico mecanicista, herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650), capota desastrosamente diante de um caso assim. Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas.

A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.

Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas (veja o quadro na página ao lado). Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.

Aprendizado
Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado", conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.

Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.

"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal", afirma Sheldrake.

"Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas".

Assista - RUPERT SHELDRAKE explica os Campos Mórficos.


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A TEIMOSIA DO CÉREBRO - Gláucia Leal


A maioria das pessoas não percebe é que um aspecto que nos faz nos apegarmos a certos pontos de vista (em detrimento de outros, mais eficientes) está diretamente relacionado com nosso próprio funcionamento cerebral.

Todo mundo quer acertar. Não importa a área da vida – ansiamos por ter ideias inteligentes, fazer a melhor escolha, tomar a decisão mais acertada.  

Não é difícil perceber que vários fatores podem nos atrapalhar no momento de privilegiar determinada linha de pensamento e seguir esse caminho. 

O que a maioria das pessoas não percebe é que um aspecto que nos faz nos apegarmos a certos pontos de vista (em detrimento de outros, mais eficientes) está diretamente relacionado com nosso próprio funcionamento cerebral.

Essa espécie de “teimosia” é resultado do que os neurocientistas denominaram efeito Einstellung (fixação funcional). 

Trata-se da “persistente tendência do cérebro de se ater a uma solução familiar para resolver um problema – aquela que primeiro vem à mente – e ignorar outras possibilidades”, explicam os cientistas Merim Bilalić e Peter McLeod, ambos doutores em psicologia.

Eles sabem do que falam: a pesquisa de Bilalić sobre esse fenômeno ganhou o Prêmio da Sociedade Psicológica Britânica para Contribuições Excepcionais de Pesquisa Médica para a Psicologia e McLeod,presidente da Fundação Oxford para Neurociência Teórica e Inteligência Artificial, tem feito importantes incursões nesse assunto. 

Os dois reconhecem que, na maioria das vezes, tipo de raciocínio é um processo cognitivo útil, já que por meio dele desenvolvemos métodos bem-sucedidos para resolver os mais variados problemas do cotidiano, desde descascar uma fruta até resolver uma equação matemática. 

E, se funciona, não há motivo para tentar várias técnicas diferentes toda vez que precisamos novamente desempenhar aquela atividade. 

O problema com esse atalho cognitivo é que ele pode inibir a busca de soluções mais eficientes ou apropriadas.

Diante disso, podemos pensar: se nosso cérebro nos faz acreditar em certas abordagens, a ponto de ignorar outras mais adequadas, ou mesmo desconsiderar que elas existam, o que podemos fazer? 

Ficamos reféns desse órgão tão sofisticado, com o qual nos confundimos? 

Simples: desconfie de suas certezas e não se contente logo de cara com as boas soluções. É claro que, ao compreender como esse curioso processo ocorre em sua cabeça, fica muito mais fácil acreditar – e apostar – que, não raro, seu cérebro poderá encontrar outras saídas ainda melhores que a primeira.
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SEM EDUCAÇÃO, OS HOMENS VÃO MATAR-SE UNS AOS OUTROS - António Damásio


  

O neurocientista António Damásio advertiu que é necessário “educar massivamente as pessoas para que aceitem os outros”, porque “se não houver educação massiva, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”.

O neurocientista português falou no lançamento do seu novo livro A Estranha Ordem das Coisas, na Escola Secundária António Damásio, em Lisboa, onde ele defendeu perante um auditório cheio que é preciso educarmo-nos para contrariar os nossos instintos mais básicos, que nos impelem a pensar primeiro na nossa sobrevivência.

“O que eu quero é proteger-me a mim, aos meus e à minha família. E os outros que se tramem. […] É preciso suplantar uma biologia muito forte”, disse o neurocientista, associando este comportamento a situações como as que têm levado a um discurso anti-imigração e à ascensão de partidos neonazis de nacionalismo xenófobo, como os casos recentes da Alemanha e da Áustria. 

Para António Damásio, a forma de combater estes fenômenos “é educar maciçamente as pessoas para que aceitem os outros”.

Em ” A Estranha Ordem das Coisas”(editora: Temas e Debates), Damásio volta a falar da importância dos sentimentos, como a dor, o sofrimento ou o prazer antecipado.

“Este livro é uma continuação de O Erro de Descartes, 22 anos mais tarde. Em ‘O Erro de Descartes’ havia uma série de direções que apontavam para este novo livro, mas não tinha dados para o suportar”, explicou António Damásio, referindo-se ao famoso livro que, nos finais da década de 90, veio demonstrar como a ausência de emoções pode prejudicar a racionalidade.

O autor referiu que aquilo que fomos sentindo ao longo de séculos fez de nós o que somos hoje, ou seja, os sentimentos definiram a nossa cultura. António Damásio disse que o que distingue os seres humanos dos restantes animais é a cultura: “Depois da linguagem verbal, há qualquer coisa muito maior que é a grande epopeia cultural que estamos a construir há cem mil anos.”

O neurocientista acredita que o sentimento – que trata como “o elefante que está no meio da sala e de quem ninguém fala” – tem um papel único no aparecimento das culturas. “Os grande motivadores das culturas atuais foram as condições que levaram à dor e ao sofrimento, que levaram as pessoas a ter que fazer alguma coisa que cancelasse a dor e o sofrimento”, acrescentou António Damásio.

“Os sentimentos, aquilo que sentimos, são o resultado de ver uma pessoa que se ama, ou ouvir uma peça musical ou ter um magnífico repasto num restaurante. Todas essas coisas nos provocam emoções e sentimentos. Essa vida emocional e sentimental que temos como pano de fundo da nossa vida são as provocadoras da nossa cultura.”

No livro o autor desce ao nível da célula para explicar que até os microrganismos mais básicos se organizam para sobreviverem. Perante uma plateia com centenas de alunos, o investigador lembrou que as bactérias não têm sistema nervoso nem mente mas “sabem que uma outra bactéria é prima, irmã ou que não faz parte da família”.

Perante uma ameaça, como um antibiótico, “as bactérias têm de trabalhar solidariamente”, explicou, acrescentando que, se a maioria das bactérias trabalha em prol do mesmo fim, também há bactérias que não trabalham. “Quando as bactérias (trabalhadoras) se apercebem que há bactérias vira-casaca, viram-lhes as costas”, concluiu o neurocientista, sublinhando que estas reações são ao nível de algo que possui “uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção”, ou seja, “nada disto tem a ver com consciência”.

E é perante esta evidência que o investigador conclui que “há uma coleção de comportamentos – de conflito ou de cooperação – que é a base fundamental e estrutural de vida”.

Durante o lançamento do livro, o investigador usou o exemplo da Catalunha para criticar quem defende que o problema é uma abordagem emocional e não racional: “O problema é ter mais emoções negativas do que positivas, não é ter emoções.”

“O centro do livro está nos afetos. A inteira realidade dos sentimentos e a ciência dos sentimentos e do que está por baixo dos sentimentos. O sentimento é a personagem central. É também central uma coisa que me preocupa muito, o presente estado da cultura humana. Que é terrível.

Temos o sentimento de que não está apenas a desmoronar-se, como está a desmoronar-se outra vez e de que devemos perder as esperanças visto que da última vez que tivemos tragédias globais nada aprendemos. 

O mínimo que podemos concluir é que fomos demasiado complacentes, e acreditamos, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, que haveria um caminho certo, uma tendência para o desenvolvimento humano a par da prosperidade. Durante um tempo, acreditamos que assim era e havia sinais disso”

  
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QUAIS SÃO OS TIPOS DE INTELIGÊNCIA?

 

Einstein foi mais inteligente do que Tesla? O que existe em Messi e outras grandes estrelas da atualidade? Realmente é possível definir quem é o "mais inteligente de todos"? Veremos a seguir.

Até pouco tempo atrás, ninguém falava nos diferentes tipos de inteligência. A inteligência era considerada algo inato e absoluto. Acreditava-se que uma pessoa podia nascer inteligente ou não e que era impossível que isso pudesse mudar por meio da aprendizagem. Acreditava-se também que a pessoa inteligente era excepcional em todos os âmbitos da sua vida.

Howard Gardner colocou isso em dúvida e, com o tempo, expôs o que conhecemos como Teoria das Inteligências Múltiplas (1983), que indica a existência de diferentes tipos de inteligência e sugere que muitas delas podem ser desenvolvidas por meio da inteligência emocional.

Ser inteligente não significa fazer tudo com perfeição

Gardner define a inteligência como a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que sejam valiosos em uma ou mais culturas. Ele não estabelece uma só inteligência com diferentes características, mas um conjunto de inteligências múltiplas, diferentes e independentes entre si. Desta maneira, amplia o campo do que considera inteligência e afirma que o sucesso científico não quer dizer que a pessoa seja mais inteligente em todos os aspectos da sua vida.

Ser bem-sucedido em finanças, negócios, esportes ou análises, etc., requer ser inteligente, mas em cada campo utiliza-se um tipo específico de inteligência. Pode ser que, para uma determinada disciplina, seja necessário possuir uma das inteligências, mas nenhuma é melhor ou menos relevante do que as outras. Consequentemente, na hora de se desenvolver na vida, o currículo acadêmico tem uma importância relativa.

Stephen Hawking não é mais ou menos inteligente que Seu João, o verdureiro do bairro, que é uma pessoa amorosa com os vizinhos e com seus clientes e tem uma linda família. Nem Einstein é mais inteligente que Lionel Messi, nem Bill Gates que Picasso. Essas pessoas simplesmente possuem inteligências diferentes.

Se a inteligência é entendida como uma capacidade, implica uma forma de construir o mundo, de traçar distinções, de olhar a vida. De centralizar a atenção em certos aspectos do fenômeno que se nota de acordo com o tipo de inteligência predominante na pessoa.

“Não temos apenas uma inteligência. Cada ser humano possui uma combinação única”.

– Howard Gardner-

Os oito tipos de inteligência

Todos os seres humanos são capazes de conhecer o mundo a partir de oito modos diferentes, já que são oito os tipos de inteligência descritos por Gardner.

As pessoas aprendem e implementam o sabem de diferentes maneiras. De fato, Gardner acredita que todos os seres humanos têm a capacidade de desenvolver amplamente a sua inteligência.

Essas diferenças mostram a preferência por uma área de conhecimento e constituem um desafio ao sistema de educação, que estrutura seu plano de estudos de maneira universal sob a crença de que todas as pessoas podem aprender as mesmas matérias da mesma maneira.

Vejamos, a seguir, quais são os diferentes tipos de inteligência.

Inteligência linguística

A inteligência linguística é predominante entre os líderes políticos, os escritores, os poetas, os bons redatores, etc. Utiliza os dois hemisférios do cérebro, e parece que ambos contribuem para o processamento e a compreensão da linguagem:

O hemisfério esquerdo processa o significado linguístico da prosódia. A prosódia é a cadência da fala, o ritmo, os tons e as ênfases.

O hemisfério direito processa as emoções comunicadas pela prosódia. Implica a capacidade de compreender a ordem e o significado das palavras na leitura, na escrita, e também ao falar e escutar.

No cérebro, a área de Broca está envolvida no processamento da gramática, ou seja, na produção de orações gramaticais, e a área de Wernicke na compreensão da fala.

Inteligência lógico-matemática

A inteligência lógico-matemática é a que historicamente foi considerada como a “única inteligência”. Mostra a habilidade na resolução de problemas matemáticos e de lógica.

Possui um predomínio do hemisfério esquerdo e é a inteligência dos cientistas, engenheiros, economistas, etc., pois permite a dedução, sistematização na construção de hipóteses e avaliação das mesmas, o processamento da informação e a contemplação de inúmeras variáveis ao mesmo tempo.

Nos testes mentais, principalmente os que exploram o quociente de inteligência (QI), são avaliadas a inteligência lógico-matemática associada com a linguística, já que a primeira é não verbal e se desenvolve mais no campo das ideias.

Inteligência espacial

A inteligência espacial é a que consiste em formar um modelo mental do mundo em três dimensões: é a inteligência predominante nos artistas, principalmente nos escultores, arquitetos, marinheiros, engenheiros, cirurgiões, decoradores, fotógrafos, desenhistas e publicitários, entre outros.

 

O hemisfério direito é a parte do cérebro encarregada do cálculo espacial. Quando ocorre uma lesão na parte posterior do cérebro no hemisfério direito, a pessoa tende a ficar desorientada, não reconhecendo rostos ou cenas.

A resolução de problemas espaciais é uma capacidade utilizada da navegação, no ato de dirigir um carro em direção a um lugar desconhecido, no uso de mapas, até no jogo de xadrez e, é claro, nas artes gráficas e visuais, e no uso de três dimensões. Permite criar imagens mentais, representar ideias e, consequentemente, permite desenhar mostrando a representação ideal. A seletividade na atenção está depositada em detalhes visuais.

Inteligência musical

A inteligência musical é a que possibilita a expressão adequada de músicos, cantores, bailarinos, compositores, críticos musicais, etc. Permite escrever, criar e analisar a música. É a capacidade de cantar, dançar, escutar, tocar instrumentos.

No hemisfério direito encontram-se algumas áreas que não estão totalmente localizadas, e que estão relacionadas à percepção e à produção musical. No desenvolvimento infantil, existe uma habilidade natural e uma percepção auditiva (ouvido e cérebro) inata na primeira infância. Esta é a habilidade para aprender sons, tons, tocar instrumentos.

Inteligência corporal cinestésica

A inteligência corporal cinestésica é a capacidade de se expressar através do corpo e desenvolver ações que exijam força, coordenação e equilíbrio, rapidez, flexibilidade, fazer reparos ou criar por meio das mãos, etc.  É a inteligência dos artesãos, esportistas, cirurgiões, escultores, atores, modelos, bailarinos, etc.

 

O controle de movimento e domínio do próprio corpo está localizado no cérebro, mais precisamente no córtex motor: cada hemisfério domina ou controla os movimentos corporais correspondentes ao lado oposto.

Além da motricidade grossa, a evolução dos movimentos corporais específicos (motricidade fina) é de grande importância para o desenvolvimento da espécie humana, desde a habilidade de coordenar o macro, até resolver problemas que implicam a habilidade de manusear ferramentas.

Está claro que existe uma distinção entre conduzir cineticamente para solucionar um problema e utilizar o corpo para competir ou praticar um esporte, ou expressar emoções em dança ou criar esculturas, já que enquanto a primeira é combinada com uma inteligência lógico-matemática, o restante ingressa no universo da intuição.

Inteligência intrapessoal

A inteligência intrapessoal é a que permite conhecer e entender a si mesmo. É a que possibilita realizar uma introspecção sobre os aspectos internos, conscientizar-se a respeito da própria identidade, acessar o universo das emoções, interpretar as próprias condutas nas ações, conectar-se com o próprio sistema de crenças, em síntese, tudo o que envolve se relacionar com o mundo interno.

São os lobos frontais que proporcionam a quota analítica e crítica sobre nós mesmos, e os pré-frontais os que nos proveem dos valores morais que nos guiam sobre o que está certo e o que está errado.

A inteligência intrapessoal é a capacidade de planejar objetivos, entender as próprias habilidades para desenvolvê-las, conhecer o próprio potencial de acordo com as metas. Implica poder refletir sobre si mesmo gerando autoconhecimento com o intuito de dar o melhor à sua volta. Em outras palavras, permite se compreender melhor e trabalhar consigo mesmo.

Fundamentalmente, esta análise e reflexão sobre si é a base que acentua a identidade pessoal (quem sou), é o que nos possibilita ter um lugar nos sistemas.

A inteligência interpessoal é a que permite compreender outras pessoas, e inclusive trabalhar com elas, assim como ajudar as pessoas a identificar e superar problemas. Por esta razão, é possível encontrar bons vendedores, líderes políticos e religiosos, professores ou terapeutas e mestres.

É a capacidade de detectar nos outros seu estado de espírito, características de personalidade, expectativas, até mesmo sua intencionalidade. É a habilidade de alcançar a interação humana, de captar intenções, ler a linguagem implícita, mensagens paraverbais, conseguir agir da maneira mais efetiva, tendo empatia nas relações.

Dentro dos aspectos neurofisiológicos, os lobos frontais e pré-frontais desempenham um papel importante no conhecimento interpessoal. Os seres humanos integram sistemas que implicam a interação social, cooperação, solidariedade, ajuda, liderança, elementos que geram coesão e harmonia em grupo.

Inteligência naturalista

A inteligência naturalista é a capacidade de observar e estudar a natureza com o objetivo de conhecê-la, classificá-la e ordená-la. É própria dos biólogos e botânicos, que agrupam espécies ou grupos de objetos e pessoas e estabelecem diferenças e semelhanças entre eles.

Gardner afirma que esta inteligência teve suas origens nas necessidades do homem primitivo de se adaptar ao contexto, já que deveria reconhecer quais eram as espécies permitidas para alimentação e quais eram prejudiciais, além da necessidade de construir elementos para a caça, adaptar-se ao clima e às suas mudanças, poder se refugiar e se proteger dos perigos.

Os naturalistas são hábeis para observar, identificar e classificar os membros de um grupo ou espécie, ou criar novas tipologias. Possuem a habilidade de reconhecer fauna e flora. Isso também pode ser aplicado em qualquer âmbito da ciência e cultura, pois as características desta inteligência são as características de pessoas que se dedicam à pesquisa e aplicam sistematicamente o método científico.

Em maior ou menor medida, as pessoas aplicam este tipo de inteligência quando se ocupam de plantas, animais, mudanças climáticas, etc., mas essa capacidade se une à classificação científica. A inteligência naturalista é uma revisão posterior de Gardner (1986) e foi adicionada às inteligências múltiplas, razão pela qual atualmente são 8 os tipos de inteligência descritos.

Ser inteligente é ter consciência de quem somos

“A inteligência, o que consideramos ações inteligentes, são modificadas ao longo da história. A inteligência não é uma substância na cabeça, como a gasolina é para um tanque [de carro]. É uma coleção de potencialidades que se completam”.

– Howard Gardner-

Certamente, quando você leu cada um dos tipos de inteligência e suas descrições, sentiu-se mais identificado com uma ou várias. Isso é algo perfeitamente normal e, além disso, muito útil.

Ser consciente do tipo ou tipos de inteligência que possuímos nos dá a possibilidade de reconhecer nossas limitações e capacidades, bem como treinar as inteligências nas quais não nos consideramos tão hábeis.

Polir a inteligência que temos e melhorar nosso déficit é uma forma de melhorar a nós mesmos e nosso universo de vínculos.

Ser inteligente não é somente ser hábil em matemática, saber classificar melhor todas as espécies de animais, fazer uma escultura monumental bem detalhista ou ter um bom currículo ao se candidatar a um emprego. Na vida real, ser inteligente é muito mais do que isso.

Fonte: a mente é maravilhosa

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HUMOR DEPRIMIDO, CORPO DEPRIMIDO

Você já observou como o mau humor afeta o seu corpo? Já reparou que o desânimo influencia a maneira como, por exemplo, você anda?

O psicólogo Johannes Michalak e outros pesquisadores da Universidade do Ruhr, em Bochum, Alemanha, usaram um sistema óptico de captura de movimentos para ver como pessoas deprimidas e não deprimidas diferem ao caminhar. 

Para o estudo, convidaram voluntários para andar pelo laboratório, escolhendo livremente a velocidade e o estilo da caminhada. Os movimentos foram rastreados de forma tridimensional, usando mais de quarenta pequenas marcas reflexivas afixadas ao corpo deles.

Os pesquisadores descobriram que os deprimidos caminhavam mais devagar, balançando menos os braços. 

A parte superior do corpo deles não subia e descia muito, mas tendia a balançar de um lado para outro. Além disso, constataram que os voluntários deprimidos andavam com a postura curvada, inclinada para a frente.

É claro que a má postura não é apenas o resultado de estar deprimido.

Faça o teste: sente-se por alguns instantes com os ombros caídos e a cabeça baixa, e observe como está se sentindo. Se perceber que seu humor piorou, sente-se ereto, com a cabeça e o pescoço equilibrados sobre os ombros, e veja a diferença.
Trecho do Livro ATENÇÃO PLENA – MINDFULNESS  – Mark Williams & Danny Penman

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