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É VERDADE QUE UTILIZAMOS APENAS 10% DE NOSSO CÉREBRO? - Claudia Hammond

Usando uma técnica chamada imagem de ressonância magnética funcional, neurocientistas podem identificar as partes to cérebro que são ativadas quando uma pessoa faz ou pensa em algo.

Um dos mitos mais conhecidos sobre o cérebro é o de que utilizamos apenas 10% de sua capacidade. É uma ideia atraente, pois sugere que poderíamos ser muito mais inteligentes, bem sucedidos e criativos se conseguíssemos aproveitar os outros 90% que podemos estar desperdiçando.

Infelizmente, isso não é verdade.
Não é bem claro a que se referem esses tais 10% de utilização. Se a afirmação se refere a 10% de regiões cerebrais, é fácil de ser refutada.

Usando uma técnica chamada imagem de ressonância magnética funcional, neurocientistas podem identificar as partes to cérebro que são ativadas quando uma pessoa faz ou pensa em algo.

Uma simples ação, como abrir e fechar a mão ou dizer algumas poucas palavras, requer uma atividade de muito mais de uma décima parte do cérebro. Mesmo quando se supõe que a pessoa não está fazendo nada, o cérebro está trabalhando bastante, controlando funções como respiração, atividade cardíaca ou memória.

Nada ocioso
Se os 10% mencionados se referirem ao número de células do cérebro, ainda assim a afirmação não procede.

Quando qualquer célula nervosa deixa de ser utilizada ela se degenera e morre ou é colonizada por outras áreas vizinhas. Não permitimos que as células de nosso cérebro fiquem ociosas. Elas são valiosas demais.

Segundo o neurocientista Sergio Della Sala, o cérebro necessita de muitos recursos. Manter o tecido cerebral consome 20% de todo o oxigênio que respiramos.

Como pode então uma ideia sem fundamento biológico ou fisiológico ter conseguido se espalhar desse jeito? É difícil rastrear a fonte original do mito.

O psicólogo e filósofo norte-americano William James escreveu no livro As energias do homem que "utilizamos somente uma pequena parte de nossos possíveis recursos mentais e físicos".

Ele pensava que as pessoas podiam progredir mais, porém não se referia ao volume do cérebro nem à quantidade de células, tampouco a uma porcentagem específica.

A referência aos 10% é feita em um prólogo da edição de 1936 do popular livro de Dale Carnegie Como ganhar amigos e influenciar pessoas. Algumas pessoas dizem que Albert Einstein foi a fonte da afirmação.

Della Sala tem tentado encontrar essa citação, mas ninguém que trabalha no arquivo Albert Einstein pôde sequer confirmar que tenha existido. Parece mais um outro mito.

Zona duvidosa
Existem dois fenômenos que talvez possam explicar o mal-entendido. Nove de cada dez células do cérebro são do tipo neuróglias ou células gliais, que são células de apoio, que provêm assistência física e nutricional. Os outros 10% das células são os neurônios, que se encarregam de "pensar".

Assim, talvez as pessoas tenham interpretado que os 10% das células que se ocupam do trabalho duro de pensar poderiam aproveitar também as neuróglias para aumentar a capacidade cerebral pensante. Só que essas células são totalmente distintas e não podem simplesmente se transformar em neurônios para nos dar mais potência mental.
Existem os 10% que pensam, e os 90% que ajudam a pensar.

Há, no entanto, um grupo de pacientes, cujas imagens do cérebro revelaram algo extraordinário.

Em 1980, um pediatra britânico chamado John Lorber mencionou na revista Science que alguns dos pacientes com hidrocefalia, que tinham muito pouco tecido cerebral, ainda assim tinham um cérebro que podia funcionar.

O caso, sem dúvida, demonstra que todos nós podemos usar nossos cérebros para fazer mais coisas do que sabemos, já que é sabido que as pessoas se adaptam a circunstâncias extraordinárias.

É certo, claro, que se nos propusermos, podemos aprender coisas novas. E cada vez há mais evidência que mostra que nosso cérebro muda. Porém, não é que estejamos explorando uma nova área do cérebro. Acredita-se que quando novas conexões entre as células nervosas são feitas, perdemos velhas conexões quando já não as necessitamos.

O que mais intriga neste mito é que ele pode ter nascido e se cristalizado com base em informação que não é correta.

Talvez falar em 10% seja uma forma atrativa porque oferece um potencial enorme para se melhorar. Todos queremos ser melhores. E podemos, se nos cuidarmos.

Porém nunca vai acontecer de encontramos uma porção de nosso cérebro em desuso.

O CÉREBRO ENTENDE A REJEIÇÃO COMO DOR FÍSICA - Universidade de Michigan

Igualar rejeição à dor física é algo comum em nossa linguagem social – você leva um fora num bar, seus amigos dizem “Essa doeu!” e você experimenta a ferroada dessa sensação.

Mas as duas dores também têm uma conexão neurológica. Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Michigan descobriram que nosso cérebro responde à rejeição social liberando analgésicos naturais da mesma maneira que faz quando encara a dor física.

Quando uma pessoa sente dor física, seu cérebro libera substâncias químicas chamadas opioides (ou opiáceos) nos espaços entre os neurônios, amortecendo os sinais da dor. A equipe de Michigan descobriu que é possível estimular a mesma área do cérebro, conhecida como sistema receptor de opioides, fazendo as pessoas sentirem que foram rejeitadas num site de encontros.

Os pesquisadores fizeram 18 voluntários visualizarem perfis pessoais falsos – com fotos e interesses – e levaram os voluntários a selecionar algumas pessoas inexistentes com quem gostariam de sair. Depois, enquanto os voluntários passavam por uma tomografia, eles ficavam sabendo que as pessoas que eles tinham escolhido não estavam tão a fim deles.

 “Os voluntários visualizavam os perfis falsos (esquerda) e os seus próprios (direita). Enquanto passavam por uma tomografia cerebral que rastreava a resposta de opioides de seus cérebros, os voluntários ficavam sabendo que as pessoas que eles tinham escolhido não gostavam deles (como na última linha dessa imagem).”

Mesmo estando claro antes do teste que esses perfis não eram de pessoas reais, a falsa rejeição já era o suficiente. As tomografias feitas enquanto as fantasias românticas dos voluntários eram esmagadas, mostraram a liberação de opioides no corpo estriado ventral, amídala, tálamo medial e substância cinzenta periaquedutal – áreas do cérebro que também estão envolvidas na dor física.

“Este é o primeiro estudo a se aprofundar no cérebro humano para mostrar que o sistema opioide é ativado durante a rejeição social”, disse David T. Hsu, pesquisador e professor assistente de psiquiatria.

Não somente isso, como parte da maneira pela qual o cérebro lida com a dor e parte de seu sistema de recompensa, a liberação de opioides também acompanhou a notícia de que uma pessoa inexistente estava interessada nos participantes. Sim, eram opiniões de pessoas que nunca existiram e, ainda assim, garantiram uma reação neurológica.

Os testes também descobriram correlações químicas entre certos traços de personalidade. Parece que as pessoas que logo se levantam depois de cair de um cavalo são aquelas que recebem uma dose saudável de opioides quando caem. “Indivíduos que pontuaram alto no traço de resistência de um questionário de personalidade tendiam a ser capazes de liberar mais opioides durante a rejeição social, especialmente na amídala”, disse Hsu.

Quando mais opioides liberados em outras áreas, como o córtex cingulado pregenual, menos o participante relatava ter ficado perturbado por causa da rejeição.

Ao determinar como lidamos com a dor no cérebro, os cientistas esperam chegar a drogas e tratamentos mais eficazes para pessoas que sofrem de desordens sociais, ou aquelas que não conseguem se recuperar de rejeições.

“É possível que aqueles com depressão ou ansiedade social sejam menos capazes de liberar opioides em situações sociais difíceis e, portanto, não se recuperam tão rapidamente ou completamente de uma experiência social negativa. De maneira similar, esses indivíduos liberam menos opioides durante interações sociais positivas e, portanto, podem não se beneficiar tanto com apoio social”, disse Hsu.

Os resultados do estudo podem ser lidos na íntegra na publicação Molecular Psychiatry. Além disso, o estudo também provou que, por mais que os relacionamentos pela internet tentem nos isolar da dor da rejeição, ainda sentimos o golpe de um fora – mesmo sabendo que a pessoa que rejeita não existe. Olhando pelo lado positivo, se você precisar daquela dose básica de opioides, só o fato de saber que uma pessoa fictícia gostou de você já é o suficiente.
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COMO A MÚSICA PODE ESTIMULAR A CRIATIVIDADE

Em 1993, uma psicóloga da UCLA propôs um experimento para comprovar esta ideia com um grupo de 36 estudantes: primeiro ouviram uma sonata de Mozart, depois instruções de relaxamento dadas por uma voz monótona e por último passaram minutos sem som algum. Após cada período desses, os estudantes foram submetidos a testes de raciocínio. O resultado foi que, após a sessão musical, os testes foram considerados consideravelmente melhores que os outros. Este fenômeno foi batizado de “The Mozart Effect”, ou o Efeito Mozart.

Grandes mentes como Albert Einstein, Steve Jobs e Woody Allen já declararam que utilizam a música para estimular o cérebro e você também pode estimular seu lado criativo.

O método é simples: logo antes de iniciar algum trabalho, faça uma playlist do que você considera ser a trilha sonora daquele job. Não importa que tipo de job seja, o que importa é a associação que você faz entre a música e a temática daquela função.

Coloque seus headphones, aperte o play e comece a trabalhar! Se você for uma daquelas pessoas que só consegue trabalhar em silêncio, não se preocupe! Fazendo isso 15minutos antes de suas tarefas, o seu cérebro se mantém estimulado.

Musica como café
Além de estimular a criatividade, a música pode também gerar efeitos psíquicos e físicos. O pesquisador Don Campbell chama este efeito de Cafeína Sônica.

“A música pode ser usada para ativar, estimular e relaxar a mente e o corpo”, diz Campbell. Há evidências de que grandes acordes e BPM alto ativam partes do cérebro ligadas à alegria. Estudos comprovam também que a música pode ativar partes do cérebro relacionadas aos sentimentos de motivação e excitação. Tais regiões são as mesmas estimuladas com a ingestão de substâncias como comida, sexo e drogas.

Criatividade tem muito a ver com estado emocional. E a música tem enorme capacidade de provocar emoções adequadas a cada momento.
MedicalXPress

NEUROCIENTISTAS MOSTRAM QUE A PAIXÃO PODE DURAR DÉCADAS - Suzana Herculano-Houzel

gonçalo viana (ilustração

Pesquisas neurocientíficas mostram 
que é possível sentir-se encantado
 pela mesma pessoa por décadas
Você já se imaginou vivendo 10, 20 ou 50 anos com a mesma pessoa? Sentindo sempre o mesmo prazer em sua companhia, o mesmo conforto em seus braços? Se a perspectiva parece interessante, agradeça ao seu cérebro (e se não lhe agrada, a culpa é dele, também). De certa forma, é curioso que laços afetivos fortes, como os amorosos, sejam tão importantes para nossa espécie. Tecnicamente, viver em sociedade, ou mesmo em pares, não é obrigatório para a sobrevivência de nenhum animal – vide tantos mamíferos, aves e outros bichos que procuram um par somente para o acasalamento e imediatamente depois seguem cada um o seu caminho.
Se gostamos de formar pares a ponto de investir boa parte de nossa energia, tempo e esforços cognitivos em convencer um belo exemplar do sexo interessante de que nós somos a pessoa mais sensacional e desejável na face da Terra, é porque o sistema cerebral humano, como o de outros animais sociais, é capaz de atribuir um valor positivo incrível à companhia alheia. Isso é função do sistema de recompensa, conjunto de estruturas no centro do cérebro especializadas em detectar quando algo interessante acontece, premiar-nos com uma sensação física inconfundível de prazer e satisfação e ainda associar esse prazer com o que levou a ele – o que pode ser uma ação, uma situação, um objeto ou... alguém.
Conforme o prazer se repete na companhia dessa pessoa, o valor positivo que atribuímos a ela é reforçado (enquanto torcemos para que o mesmo aconteça no cérebro dela, associando um valor cada vez mais positivo à nossa própria companhia, claro). É o que fazemos no período de namoro, quando conversas interessantes, passeios agradáveis, boa música, boa comida e carinho oferecem prazeres que vão sendo associados à companhia do outro. Se rola sexo, então, melhor ainda: o prazer do orgasmo funciona como uma cola extraordinária para o sistema de recompensa, que atribui (corretamente!) a satisfação incrível àquela pessoa específica (mas é verdade que isso não funciona tão bem em alguns cérebros...).
Com a repetição, o sistema de recompensa vai aprendendo a ficar ativado não apenas em resposta, mas também em antecipação à presença daquela pessoa. Esse prazer antecipado é a motivação, que nos dá forças para alterar compromissos, abrir espaço na agenda e ficar acordado madrugada adentro. Essa é a paixão, estado de motivação enorme em que se faz tudo em nome de mais tempo na presença do ser amado.
Quando vira amor? Essa questão é complicada, mas existe ao menos uma definição operacional curiosa: passado o ardor da paixão, descobre-se que se ama alguém quando pensar em uma vida sem ela causa angústia sincera e profunda. O amor é esse laço que faz seu cérebro achar que sua felicidade está vinculada à presença e à felicidade do outro e que fazê-lo feliz dá novo sentido à sua vida. Nesse estado, desejar o casamento é apenas natural.
Se é para sempre? Depende de vários fatores, alguns deles fora de nosso alcance, como ser traído (e não apenas sexualmente). A boa notícia da neurociência sobre a longevidade dos relacionamentos amorosos é que eles não estão necessariamente fadados ao esgotamento: é, sim, possível se sentir apaixonado décadas a fio pela mesma pessoa. E não é mero acaso de sorte: você pode fazer sua parte. É uma questão de continuar inventando e descobrindo novos prazeres a dois. Tudo para manter o sistema de recompensa do outro interessado em você...

A ANATOMIA DAS EMOÇÕES - Anna Paula Buchalla

Uma pequena estrutura do cérebro, 
a ínsula, estás surpreendendo 
os cientistas, que ali descobrem 
a sede de diversos sentimentos humanos

Numa das regiões mais recônditas do cérebro, os neurocientistas encontraram uma nova peça para um dos mais instigantes quebra-cabeças da medicina é o mapeamento das emoções humanas. Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula trabalha em parceria com outras duas estruturas cerebrais, o córtex pré-frontal e a amígdala (estes, sim, velhos conhecidos dos estudiosos no controle de diversas emoções). A ínsula funciona como uma espécie de intérprete do cérebro ao traduzir sons, cheiros ou sabores em emoções e sentimentos como nojo, desejo, orgulho, arrependimento, culpa ou empatia. "Ela dá colorido psíquico às experiências sensoriais", diz o neurocirurgião Arthur Cukiert. Ou, como definiu o psiquiatra americano Martin Paulus, professor da Universidade da Califórnia, é na ínsula que o corpo e a mente se encontram.

Descrita pela primeira vez no fim do século XVIII, pelo anatomista e fisiologista alemão Johann Christian Reil, a ínsula sempre foi negligenciada pelos pesquisadores. A dificuldade de acesso impedia estudos mais minuciosos sobre sua fisiologia. Nos últimos dez anos, graças ao aperfeiçoamento dos exames de imagens, como a ressonância magnética funcional, a ínsula despertou a atenção dos neurocientistas. Flagrada em pleno funcionamento, já se viu que ela é ativada toda vez que alguém ri de uma piada, ouve música, reconhece expressões de tristeza no rosto de outra pessoa, quer se vingar ou decide não fazer uma compra (veja o quadro) "Os estudos já mostraram também que a superativação da ínsula está relacionada a diversos distúrbios psiquiátricos, sobretudo as fobias e o transtorno obsessivo-compulsivo", diz o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo. Imagens do cérebro indicam que lesões na ínsula podem levar à apatia, à perda de libido, a alterações na memória de curto prazo e à incapacidade de alguém distinguir pelo cheiro um alimento fresco de outro estragado.

O trabalho mais fascinante sobre a ínsula foi divulgado recentemente pela revista científica Science. Tudo começou com a história do senhor N., de 38 anos. Tabagista compulsivo, ele fumava cerca de quarenta cigarros por dia. Um derrame, no entanto, fez com que ele instantaneamente abandonasse o vício e "esquecesse a vontade de fumar", como descreveu aos pesquisadores das universidades de Iowa e do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Com o derrame, a ínsula do senhor N. havia sido lesionada. Outros pacientes, também fumantes e com danos na mesma região cerebral, foram avaliados. A maioria deles perdeu a vontade de fumar. Esse estudo foi o primeiro a relacionar uma área específica do cérebro ao vício. "O tabagismo não pode ser explicado apenas pela ação da nicotina no cérebro", diz Nasir Naqvi, um dos autores da pesquisa. "O vício deflagra uma série de mudanças comportamentais e fisiológicas e o aumento dos batimentos cardíacos, a elevação da pressão, a alteração do paladar e a sensação da fumaça entrando nos pulmões, entre outras." Todas essas informações são processadas na ínsula e traduzidas na ânsia de acender mais um cigarro. Trabalhos como esse abrem o caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o tabagismo e outros vícios, como a dependência de drogas e o alcoolismo.

Como se trata de uma área de pesquisa relativamente nova, a ciência ainda não conseguiu esmiuçar todas as funções da ínsula. As diferentes partes do cérebro não agem isoladamente, mas por meio de circuitos múltiplos, que interagem entre si e o que torna o estudo do cérebro extremamente complexo. De qualquer forma, as descobertas recentes sobre a ínsula são uma fonte preciosa de informações sobre a anatomia das emoções. Um dos grandes estudiosos do tema é o neurocientista português António Damásio. Ele busca em seus estudos a base biológica das emoções e da consciência humanas. "Os sentimentos não são nem inatingíveis nem ilusórios. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das emoções teatrais do corpo", escreveu Damásio no livro O Erro de Descartes.

A ponte entre o corpo e a mente

ONDE FICA 

Do tamanho de uma ameixa seca, a ínsula está localizada numa das áreas mais profundas do cérebro, na face interna do lobo temporal, um dos sistemas envolvidos no processamento da memória, do pensamento e da linguagem


O QUE SE SABIA SOBRE A ÍNSULA... 

Até dez anos atrás, a ínsula era caracterizada como uma das áreas mais primitivas do cérebro, envolvida em atividades básicas como alimentar-se e fazer sexo

  
...E O QUE REVELAM AS DESCOBERTAS MAIS RECENTES 

• Na porção frontal da ínsula, experiências sensoriais são transformadas em emoções e sentimentos como nojo, desejo, decepção, culpa, ressentimento, orgulho, humilhação, arrependimento, compaixão e empatia 

• Ela prepara o organismo para situações que ainda estão por vir. Quando, por exemplo, alguém tem de sair de casa e lá fora faz frio, a ínsula é ativada de modo a ajustar o metabolismo para enfrentar a situação 

• A ínsula modula a resposta do organismo a estímulos dolorosos 

• Em pacientes vítimas de fobias e de transtorno obsessivo-compulsivo, a ínsula registra atividade intensa 
Fontes: Mauro Muszkat, neurologista, e revista Science
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A TEIMOSIA DO CÉREBRO - Gláucia Leal


A maioria das pessoas não percebe é que um aspecto que nos faz nos apegarmos a certos pontos de vista (em detrimento de outros, mais eficientes) está diretamente relacionado com nosso próprio funcionamento cerebral.

Todo mundo quer acertar. Não importa a área da vida – ansiamos por ter ideias inteligentes, fazer a melhor escolha, tomar a decisão mais acertada.  

Não é difícil perceber que vários fatores podem nos atrapalhar no momento de privilegiar determinada linha de pensamento e seguir esse caminho. 

O que a maioria das pessoas não percebe é que um aspecto que nos faz nos apegarmos a certos pontos de vista (em detrimento de outros, mais eficientes) está diretamente relacionado com nosso próprio funcionamento cerebral.

Essa espécie de “teimosia” é resultado do que os neurocientistas denominaram efeito Einstellung (fixação funcional). 

Trata-se da “persistente tendência do cérebro de se ater a uma solução familiar para resolver um problema – aquela que primeiro vem à mente – e ignorar outras possibilidades”, explicam os cientistas Merim BilalićePeter McLeod, ambos doutores em psicologia.

Eles sabem do que falam: a pesquisa de Bilalić sobre esse fenômeno ganhou o Prêmio da Sociedade Psicológica Britânica para Contribuições Excepcionais de Pesquisa Médica para a Psicologia e McLeod,presidente da Fundação Oxford para Neurociência Teórica e Inteligência Artificial, tem feito importantes incursões nesse assunto. 

Os dois reconhecem que, na maioria das vezes, tipo de raciocínio é um processo cognitivo útil, já que por meio dele desenvolvemos métodos bem-sucedidos para resolver os mais variados problemas do cotidiano, desde descascar uma fruta até resolver uma equação matemática. 

E, se funciona, não há motivo para tentar várias técnicas diferentes toda vez que precisamos novamente desempenhar aquela atividade. 

O problema com esse atalho cognitivo é que ele pode inibir a busca de soluções mais eficientes ou apropriadas.

Diante disso, podemos pensar: se nosso cérebro nos faz acreditar em certas abordagens, a ponto de ignorar outras mais adequadas, ou mesmo desconsiderar que elas existam, o que podemos fazer? 

Ficamos reféns desse órgão tão sofisticado, com o qual nos confundimos? 

Simples: desconfie de suas certezas e não se contente logo de cara com as boas soluções. É claro que, ao compreender como esse curioso processo ocorre em sua cabeça, fica muito mais fácil acreditar – e apostar – que, não raro, seu cérebro poderá encontrar outras saídas ainda melhores que a primeira.

SONO: VOCÊ TEM ALGUM DESSES TRANSTORNOS DO RITMO CIRCADIANO?

Você não sabe o que são transtornos do ritmo circadiano do sono – vigília? Não se preocupe, neste post nós explicamos. Certamente você já sofreu de insônia alguma vez, pois é algo comum na população.

Há momentos em que temos problemas para dormir. Você vai para a cama e só consegue dar voltas, mas não consegue pegar no sono. Outras vezes acordou antes do que gostaria e não conseguiu voltar a dormir. Nestes casos, falamos de insônia.

Isto pode ocorrer devido a uma série de razões. Na maioria das vezes é um produto de maus hábitos de higiene do sono (dormir assistindo TV, tomar estimulantes pouco antes de dormir…) Outras vezes isso pode ser devido ao estresse e a altos níveis de ativação do sistema nervoso.

No entanto, os transtornos do ritmo circadiano são caracterizados precisamente por interrupções do ritmo circadiano. O ritmo circadiano é o nome dado ao “relógio interno do corpo”, que regula o ciclo de 24 horas de processos biológicos em animais e plantas.

O que são os ritmos circadianos?
Ritmos circadianos são ritmos biológicos intrínsecos de natureza periódica que se manifestam com um intervalo de 24 horas. Eles são baseados na rotação diária da Terra ao redor do Sol (ciclo dia-noite). Esse termo vem da palavra latina “circa”, que significa “ao redor”, e “Dian” significa “dia”. Então, seu significado é “por todo o dia”. Nos mamíferos, o ritmo circadiano mais importante é o ciclo de vigília-sono.

Os ritmos circadiano não são encontrados apenas em humanos. Praticamente todas as formas de vida, incluindo plantas, moscas, peixes e bactérias, têm ritmos circadianos. Os processos envolvidos com o sono natural funcionam em ritmos circadianos. Como seres humanos, somos projetados para ter um ciclo natural de sono que está em consonância com o ciclo do dia-noite. Então, podemos dormir durante a noite e estar acordados durante o dia.

Os ritmos circadianos são importantes não só para determinar os padrões de sono e alimentação de animais. Eles também são fundamentais para a atividade de todos os eixos hormonais, regeneração celular e atividade cerebral, entre outros.

Nosso relógio biológico
Vários investigadores chegaram à conclusão de que deve haver uma estrutura no organismo que é responsável por estabelecer o nosso ritmos circadianos.

Na verdade, essa estrutura existe e é chamada núcleo supraquiasmático. O núcleo supraquiasmático é encontrado na região do hipotálamo do cérebro. Está localizada bem atrás dos seus olhos. Esta região é a encarregada de dormir à noite e acordar durante o dia.

Os transtornos do ritmo circadiano
Se você dormir ou acordar algumas horas antes, este não costuma ser um problema. Entretanto, pode se transformar em um problema quando você é incapaz de acordar ou não consegue permanecer acordado durante sua jornada de trabalho.

Assim, o calendário do seu sono se torna um problema e você pode ser diagnosticado com a presença de transtornos do ritmo circadiano.

Critérios de diagnóstico
Para diagnosticar um transtorno no ritmo circadiano, alguns requisitos ou conjuntos de sintomas precisam ser apresentados:

A. Padrão contínuo ou recorrente da interrupção do sono. Um padrão que se deve a uma alteração no sistema circadiano ou a um alinhamento defeituoso entre o ritmo circadiano endógeno e a sincronização de sono-vigília necessária. Uma necessidade que vai de acordo com o ambiente físico do indivíduo ou a programação social ou profissional do mesmo.

B. A interrupção do sono causa sonolência excessiva ou insônia, ou ambos.

C. A alteração no sono causa desconforto clinicamente significativo ou deterioração no âmbito social, de trabalho, ou outras áreas importantes em que a pessoa tem um papel ativo.

Que tipos de transtornos do ritmo circadiano existem?
Existem vários tipos de distúrbios do ritmo circadiano de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5):
  • ·         Fases atrasadas do sono.
  • ·         Fases avançadas do sono.
  • ·         Sono-vigília irregular.
  • ·         Sono-vigília não ajustado em 24 horas.
  • ·         Associados a turnos de trabalho.
  • ·         Não especificado.

Fases atrasadas do sono
É baseado principalmente em um histórico de atraso no período de sono principal (geralmente mais de duas horas) em relação ao tempo desejado para dormir e acordar. Isso causa sintomas de insônia e sonolência excessiva.

Quando podem ajustar sua própria programação, as pessoas com este problema apresentam uma qualidade e duração do sono normais para sua idade. Os sintomas incluem insônia no início do sono, dificuldade para acordar de manhã e sonolência excessiva no início do dia.

Os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta. Eles podem persistir por vários meses ou até anos antes do diagnóstico ser estabelecido. A gravidade pode diminuir com a idade, e os sintomas vão frequentemente reaparecendo. Uma mudança na escola ou no horário de trabalho que requer acordar mais cedo tende a tornar a situação pior.
  
Fases avançadas do sono
Caracteriza-se por tempos do sono-vigília diversas horas antes dos tempos pretendidos ou convencionais. O diagnóstico é baseado principalmente no histórico do avanço do período de sono principal (geralmente mais de duas horas) com relação ao tempo desejado para dormir e para levantar.

Isso causa sintomas de despertar precocemente e sonolência diurna excessiva. Quando podem ajustar sua própria programação, as pessoas com tipo de fases avançadas do sono têm uma qualidade e duração normais do sono para sua idade. Este transtorno pode ser documentado com o especificador “familiar”. Costuma haver um histórico familiar de fases avançadas do sono neste tipo de alteração.

O início do distúrbio geralmente ocorre no final da idade adulta. O curso é persistente e dura mais de 3 meses.

Sono-vigília irregular
O tipo de sono-vigília irregular é baseado principalmente no histórico dos sintomas da insônia durante a noite (período normal do sono) e da sonolência excessiva (sonecas) durante o dia. Este tipo é caracterizado pela ausência de um ritmo circadiano reconhecível do sono-vigília. Não há nenhum período de sono principal e o sono é fragmentado em pelo menos três períodos ao longo das 24 horas.

Sono-vigília não ajustado em 24 horas
O diagnóstico deste tipo é baseado principalmente em um histórico dos sintomas da insônia ou da sonolência excessiva relacionada à sincronização anormal entre o ciclo luz-escuridão de 24 horas e o ritmo circadiano endógeno. Pessoas com este transtorno têm períodos de insônia, sonolência excessiva, ou ambos, alternando com curtos períodos sem sintomas.

Este tipo é mais freqüente entre os cegos e as pessoas com distúrbios de visão. A razão é que eles têm menos percepção de luz. Em pessoas com visão, há também um aumento na duração do sono.

Associados a turnos de trabalho
Neste tipo há a presença do histórico de antecedentes de trabalho fora da programação diária normal das 8:00 às 18:00 (especialmente à noite) em uma base regular.

São relevantes os sintomas persistentes de sonolência excessiva no trabalho e o sono alterado em casa. Os sintomas desaparecem quando a pessoa retorna para uma rotina de trabalho diário. Por outro lado, as pessoas que viajam para diferentes fusos horários muitas vezes podem ter efeitos semelhantes.

Se você apresenta qualquer um desses tipos de transtornos do ritmo circadiano, recomendamos que volte a estabelecer hábitos “normais” de sono o quanto antes. Se isso parece complicado ou se você não consegue sozinho, então é aconselhável ir a um psicólogo para lidar com o seu problema.
Referências bibliográficas:
Associação Americana de Psiquiatria (2014). Manual de diagnóstico e estatística de transtornos mentais (DSM-5), 5º Ed. Madrid: Editoria Médica Panamericana.
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TERAPIA GENÉTICA PODE CURAR DEPRESSÃO - Natasha Romanzoti

Uma terapia genética que já cura ratos de sintomas de depressão pode ser a chave para o tratamento da mesma doença em humanos.

A terapia gênica é um método de tratamento através da inserção de genes funcionais em células ou tecidos onde há genes mutados ou “quebrados” que estão causando problemas.

Embora a terapia gênica ainda seja experimental, ela tem tido sucesso na cura do daltonismo em macacos e em testes iniciais para tratar a cegueira humana, o câncer e uma rara doença cerebral fatal chamada adrenoleucodistrofia.

No entanto, a terapia gênica ainda não tinha sido usada no tratamento de transtornos psiquiátricos humanos. A terapia, que agora está sendo testado em primatas, pode ser aprovada para testes clínicos em humanos em menos de dois anos, se tudo correr bem.

O estudo centra-se em uma proteína chamada p11. Esta proteína é importante para o funcionamento do neurotransmissor serotonina, que, por sua vez, desempenha um papel na depressão.

Os ratos sem o gene que produz a p11 tendem a ficar deprimidos. No caso deles, a depressão significa pouquíssimo interesse em petiscos como água açucarada, e falta de motivação para sair de situações assustadoras, como ficar preso pela cauda.

Os pesquisadores tentaram descobrir se os ratos agiram desta forma porque ficar sem o gene na fase de embrião tinha retardado o seu desenvolvimento, ou se a proteína continuava a ser importante no cérebro adulto.

O objetivo era primeiro mostrar qual a importância da p11 para a função normal do cérebro adulto e, depois, tentar identificar a parte do cérebro onde ela é importante.

Para isso, os pesquisadores usaram um vírus inofensivo para injetar um fragmento de ácido ribonucléico (RNA), similar ao DNA, no cérebro de ratos normais. O RNA bloqueou a expressão de um gene que é essencial para a produção de p11, portanto ela parou nas áreas da injeção.

O experimento revelou uma mancha de p11 no cérebro do rato, em uma região conhecida por desempenhar um papel no prazer e na recompensa. Os ratos sem produção de p11 nessa região apresentaram todos os sinais de depressão.

Isso respondeu às perguntas dos pesquisadores sobre se e quando a p11 era importante. Então eles testaram a terapia gênica. A equipe usou ratos com deficiência na proteína. Então injetaram um gene p11 que reparou a produção da proteína em cada rato. O comportamento dos animais foi totalmente revertido. De repente, eles deixaram de ser depressivos e voltaram a ter um comportamento normal.

Nos estágios finais do estudo, os pesquisadores procuraram saber se a p11 desempenhava um papel semelhante em cérebros humanos. Eles compararam os cérebros de 17 pessoas mortas que tiveram depressão com os cérebros de 17 pessoas mortas que não tiveram depressão. Depois de controlar idade e sexo, os pesquisadores descobriram que as pessoas deprimidas também tinham níveis mais baixos da proteína p11.

Isso sugere que a depressão humana está associada a baixos níveis de p11 no cérebro, e a terapia genética pode ser capaz de reverter essa condição.
Segundo os pesquisadores, outros genes também têm um papel na depressão, a p11 é apenas um desses fatores. No entanto, a proteína é um alvo particularmente atraente para a terapia por causa de seu papel no cérebro. Ela atua quase como um “rebocador”, trazendo um receptor de serotonina importante para a superfície da célula, onde ele pode interagir com o neurotransmissor.

Sem a p11, as células do cérebro não respondem adequadamente à serotonina. Como o papel da p11 é bem especializado, aprimorar os seus níveis é menos susceptível de provocar resistência ou efeitos secundários observados em outros tipos de tratamentos.

O estudo aponta um caminho para uma nova terapia para a depressão, além de fornecer novas evidências de que doenças psiquiátricas como a depressão não são diferentes de outros tipos de distúrbios neurológicos.
Natasha Romanzoti [LiveScience]

ERGOFOBIA OU MEDO DO TRABALHO: CARACTERÍSTICAS E CAUSAS

Existem centenas de fobias, umas mais conhecidas e outras menos. Entre elas, nós encontramos a ergofobia. A ergofobia é uma fobia específica, caracterizada por um temor irracional e excessivo relacionado ao trabalho.

As pessoas que padecem de ergofobia experimentam com frequência sintomas de ansiedade muito grandes quando elas se preparam para ir ao trabalho. O sofrimento que isso provoca é tão grande, que esse temor as impede de ir ao seu lugar de trabalho ou força a sua volta para casa no meio do expediente.

Quais são as características das fobias específicas?
As fobias são definidas como um temor intenso e irracional com respeito a uma pessoa, objeto ou situação que envolve pouco ou nenhum perigo. A palavra deriva do termo grego fobos, que significa pânico.

Na mitologia grega, Fobos também era o filho de Ares, o deus da guerra, e de Afrodite, a deusa do amor. Ele personificava o medo. Alexandre Magno rezava para Fobos antes de cada batalha para se afastar do medo.

Quando falamos de ergofobia, estamos nos referindo a uma fobia específica, que se caracteriza pelo medo ou a ansiedade relacionada a objetos ou situações claramente delimitadas, que podem se denominar estímulos fóbicos. Neste caso, seriam todos aqueles estímulos relacionados com a situação de ir ao trabalho ou estar no lugar de trabalho.

A ergofobia, do mesmo jeito que o resto das fobias específicas, possui algumas características, como as seguintes:

⧫ O medo ou ansiedade intensa por um objeto ou uma situação específica (por exemplo, voar, lugares altos, animais, tomar uma injeção, ver sangue, etc.).

 O objeto ou situação fóbica quase sempre provoca medo ou ansiedade imediata.

 A situação fóbica é evitada ou resiste-se ativamente a ela com medo ou ansiedade intensa.

 O medo ou a ansiedade é desproporcional se analisarmos o perigo real que representa o objeto ou a situação específica e o contexto sociocultural.

 O medo, a ansiedade ou a evitação é persistente, e dura tipicamente seis meses ou mais.

 A ansiedade, o medo ou a evitação causam um mal-estar clinicamente significativo ou deterioração na dimensão social, profissional ou outras áreas importantes para o funcionamento do indivíduo.

É comum que as pessoas tenham várias fobias específicas. Aproximadamente 75% das pessoas com alguma fobia específica temem mais de uma situação ou objeto.

Características específicas da ergofobia
Pode-se experimentar a sensação de ansiedade no trabalho em diferentes graus. Isto não é patológico e chega a ser inclusive normal dependendo do tipo de trabalho que desempenhamos. Ou seja, essas sensações têm uma certa relação com as características do nosso emprego.

No entanto, a pessoa que padece de ergofobia apresenta um temor excessivo e irracional do seu lugar de trabalho. Este temor é muito maior que aquele de qualquer outro funcionário. Além disso, as pessoas com ergofobia reconhecem que o seu temor não é racional, ele é totalmente desproporcional.

Quem têm ergofobia é consciente de que a sua ansiedade diante do trabalho é irracional, ele não precisa que ninguém o convença disso. No entanto, ele não pode evitar sentir um medo paralisante na maioria das ocasiões. Estas pessoas são incapazes de controlar a sua ansiedade. Ela surge de forma automática quando o estímulo ameaçador aparece, e a pessoa vira refém do pânico, sem poder fazer praticamente nada para remediar essa situação.

Para poder diagnosticar a ergofobia, a pessoa tem que sentir medo do trabalho de forma persistente. Isto significa que ela sempre vai sentir temor ou medo, independentemente de que ocorram mudanças nas características do seu emprego.

Outra das características da ergofobia é a evitação. A pessoa que sofre de fobia do trabalho se esforça para evitar a todo custo qualquer estímulo que esteja relacionado com isso, o que pode provocar a perda do emprego nos casos mais graves.

Causas da ergofobia
Do mesmo jeito que acontece com as fobias específicas, a ergofobia se desenvolve devido a alguns mecanismos comuns ao resto das fobias. Pode ocorrer que a pessoa que padece de ergofobia tenha sofrido algum acontecimento negativo no trabalho. Porém, as fobias também podem ser “aprendidas” por outros mecanismos.

As fobias podem ser adquiridas de forma direta (mediante alguma experiencia negativa vivida pela pessoa que sofre dela), ou indireta (a pessoa ou alguém conta para ela algum acontecimento traumatizante). O mais comum é que a ergofobia tenha sido causada por uma experiência direta de condicionamento.

Uma experiência de condicionamento é uma associação entre dois estímulos. Quando se apresenta o estímulo 1, aparece o estímulo 2. No caso tratado, uma pessoa pode ter sofrido uma má experiência no seu lugar de trabalho por falta de sorte. Então, a pessoa associa o lugar de trabalho a essa experiência negativa.

Como resultado dessa associação, os estímulos relacionados com o lugar de trabalho ganham propriedades negativas a partir da experiencia sofrida. Então, cada vez que a pessoa está diante de um estímulo relacionado com o trabalho, ela reage diante desses estímulos com sintomas de ansiedade (inquietude, medo, pensamentos catastróficos, suor, etc.).

Como a pessoa quer evitar ou escapar dessas respostas de ansiedade, evitará qualquer estímulo relacionado com o seu lugar de trabalho. Cada vez que ela evitar ou escapar, se sentirá melhor. Então, aprenderá que evitar ou escapar desses estímulos lhe proporciona tranquilidade e bem-estar.

A ergofobia pode ser curada?
O tratamento da ergofobia, assim como o do resto das outras fobias específicas, é bem definido. O tratamento escolhido para qualquer tipo de fobia é a exposição com a prevenção de resposta. O fato de nos expor ao estímulo que tememos fará com que a nossa ansiedade diminua e nós possamos romper a associação explicada anteriormente.

Se você acredita que pode estar sofrendo de ergofobia, aconselhamos você a consultar um psicólogo especialista. Ele lhe dará as pautas para voltar à normalidade, e assim você poderá ir ao seu lugar de trabalho como sempre havia feito antes.
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IDENTIFICADO O MAIOR NÚMERO DE VARIANTES GENÉTICAS ASSOCIADAS À DEPRESSÃO

Equipe com cerca de 200 cientistas de todo o mundo descobriu 30 novas mutações genéticas relacionadas com a depressão.

Acabam de ser apresentadas as conclusões daquele que é considerado um dos maiores estudos sobre a influência da genética na depressão. Num artigo científico publicado na revista Nature Genetics esta quinta-feira, uma equipa de cientistas revela que 44 zonas do nosso genoma podem estar associadas à depressão, 30 das quais agora descobertas. Estes resultados podem ser usados para, no futuro, melhorar ou descobrir novos tratamentos para esta doença tão incapacitante.

Estudos anteriores já tinham descoberto 14 variantes genéticas associadas à depressão. E investigações em gêmeos também mostraram que 40% da variabilidade no risco de depressão também pode resultar da genética.

Mas os cientistas queriam ir mais além. Por isso, cerca de 200 investigadores de todo o mundo reuniram-se no Consórcio de Genômica Psiquiátrica para concretizar esse objetivo, num estudo liderado por Patrick Sullivan (do Instituto Karolinska, na Suécia) e Naomi Wray (da Universidade de Queensland, na Austrália). Usando sete bases de dados diferentes, a equipa analisou dados de cerca de 135 mil pessoas com depressão e mais de 344 mil de pessoas sem a doença.

Percebeu-se então que há no genoma humano 44 variantes genéticas que estão significativamente associadas à depressão. No mesmo estudo também se confirmou que o giro do cíngulo anterior e o córtex pré-frontal são as regiões do cérebro mais envolvidas no desenvolvimento desta doença.

Concluiu ainda que a depressão partilha zonas do genoma que também estão associadas à esquizofrenia ou à doença bipolar. E ainda se sugere que quem tem um índice de massa corporal mais elevado e um menor nível de educação possa estar mais sujeito à depressão.

 “Esta meta-análise da associação de todo o genoma está entre as maiores já conduzidas na genética psiquiátrica e fornece um conjunto de resultados que ajuda a redefinir a base fundamental da depressão”, consideram os autores no artigo científico. “O estudo ajuda a esclarecer a base genética da depressão, mas é apenas um primeiro passo”, avisa por sua vez Cathryn Lewis, do King’s College de Londres, em comunicado.

A depressão afeta cerca de 14% da população mundial em algum momento da sua vida e apenas metade dos doentes responde positivamente aos tratamentos existentes. Esta doença é ainda uma das maiores causas de incapacidade a longo prazo.

Poderá esta investigação ajudar a resolver esse problema? “Este estudo é decisivo. Compreender a base genética da depressão pode ser realmente difícil. Um grande número de investigadores em todo o mundo colaborou para fazer este artigo científico, e agora temos um olhar mais aprofundado do que tínhamos antes sobre a base desta doença humana terrível e prejudicial”, explica Patrick Sullivan, num comunicado da Universidade de Carolina do Norte, nos Estados Unidos. 

“Com mais trabalho, deveremos ser capazes de desenvolver ferramentas importantes para tratamento e até prevenção da depressão.”
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A TÉCNICA DE FEYNMAN PARA APRENDER MAIS RÁPIDO

Talvez você já tenha sentido que não progride quando está estudando. Se este for o seu caso, vai gostar de conhecer a técnica de Feynman que apresentaremos neste artigo.

Pode ser que alguma vez você já tenha se perguntado por que seu ritmo de aprendizagem é tão lento, ou até mesmo tenha se desesperado depois de várias tentativas fracassadas de memorizar o significado de um conceito. Reter informações em nossa mente às vezes não é tão simples.

Para ajudá-lo nesse aspecto, apresentamos a técnica de Feynman, uma estratégia simples e eficiente para adquirir novos conhecimentos de forma mais rápida e profunda. Continue lendo para descobrir em que consiste.

“Se você não pode explicar algo de forma simples,
não entendeu o suficiente.”
-Albert Einstein-

Quem foi Richard Feynman?
Richard Feynman era um físico teórico americano. É conhecido pelo seu trabalho na formulação por meio das integrais de linha da mecânica quântica, a teoria da eletrodinâmica quântica e a física da superfluidez do hélio líquido sub-resfriado, assim como pelo modelo Parton na física de partículas.

Por suas contribuições para o desenvolvimento da eletrodinâmica quântica, Feynman, junto com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1965. Além disso, de acordo com uma pesquisa de 1999 da revista britânica Physics World, dos 130 principais físicos citados de todo o mundo, Feynman foi classificado como um dos dez maiores físicos de todos os tempos.

“Eu não sei o que acontece com as pessoas: elas não aprendem pela compreensão; aprendem de alguma outra forma, pela rotina ou de algum outro modo. Quão frágil é o seu conhecimento!”
-Richard Feynman-

Em que consiste a técnica de Feynman?
A técnica de Feynman foi explicada por seu biógrafo James Gleick no livro Genius: The Life Science of Richard Feynman. Usando esta técnica, qualquer pessoa pode adquirir novos conhecimentos de forma eficiente se assim se propuser. Na verdade, também é uma poderosa ferramenta de estudo para se preparar para qualquer prova.

“O que eu não posso criar, não entendo”.
-Richard Feynman-

James Gleick conta como Feynman abriu seu novo caderno e escreveu na capa “Caderno de coisas que ainda não conheço“. Feynman estava reorganizando seus conhecimentos. E o fato é que o físico sempre tentava chegar ao núcleo de cada assunto que estudava. O que ele pretendia era escrever neste caderno todas as explicações dos conceitos que estava desenvolvendo em sua pesquisa.


Talvez possamos pensar que poderíamos fazer o mesmo com um amigo. Teríamos que lhe dizer aquilo que aprendemos com o objetivo de memorizá-lo e compreendê-lo melhor toda vez que explicarmos para tal amigo. No entanto, nem sempre temos um amigo tão útil e paciente. Portanto, Feynman desenvolveu uma técnica variante, mas igualmente eficaz: aprender explicando.

A ideia básica dessa técnica consiste em ler ativamente o material de estudo e depois tentar explicá-lo de maneira simples, como se estivéssemos nos dirigindo a uma criança ou a uma pessoa com menos conhecimento do que nós sobre esse assunto. Assim, esta forma de aprendizagem se valoriza como uma metodologia ativa, pois ao explicar a matéria que estamos estudando, teremos que usar outra linguagem e estratégias diferentes. Desta forma, será muito mais fácil percebermos os erros e aprender de maneira mais eficiente.

“A melhor maneira de entender algo é explicá-lo.”
-Richard Feynman-

Os 4 passos da técnica de Feynman
A técnica de aprendizagem de Feynman é composta de 4 simples etapas. Vamos ver em que consistem.

Primeiro passo
Para começar, devemos pegar uma folha de papel e escrever na parte superior o nome do conceito que estamos estudando. Por exemplo, se estamos estudando o teorema de Pitágoras, devemos escrevê-lo no topo da página ou papel.

Segundo passo
Uma vez escrito o conceito, ele deve ser descrito com nossas próprias palavras e usando uma linguagem simples, como se estivéssemos explicando para outra pessoa.

Se seguirmos com o exemplo do teorema de Pitágoras, teríamos que escrever algo como “em um triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos”.

Terceiro passo
O terceiro passo consiste em revisar tudo o que escrevemos com o objetivo de identificar aquelas partes que não estão perfeitamente explicadas, que são confusas ou que não estão bem escritas. Para isso, podemos retornar às nossas anotações ou até procurar novas informações a respeito do assunto. Também é útil usar exemplos que reforcem o conhecimento.

Quarto passo
O último passo consiste em fazer uma revisão final do que foi escrito. Assim, se usamos uma linguagem muito complexa, podemos reescrever o texto para torná-lo mais simples e inteligível. Para isso, podemos usar metáforas ou analogias. O importante é nos certificarmos de que o discurso possa ser compreendido por qualquer pessoa.

Se depois de seguir esses quatro simples passos nossa explicação ainda não for compreendida, talvez não tenhamos entendido completamente o que estudamos. Nesse caso, devemos iniciar o processo novamente.
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