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SEXO É COLA – Suzana Herculano-Houzel

Escolha com cuidado quem você leva para a cama, 
pois seu cérebro pode se amarrar mais do que você gostaria

Você é convidado a entrar em uma sala desconhecida. No quarto à sua esquerda você vê, à sua disposição, um belo exemplar do sexo feminino com quem você viveu, poucas horas antes, tórridas e repetidas cenas de amor. No quarto à sua direita há uma beldade igualmente atraente, mas que você nunca viu antes. A escolha é toda sua, e ninguém ficará sabendo. Esquerda ou direita?

A cena é um “teste de fidelidade”, e em 80% dos casos, o candidato escolhe a parceira com quem ele havia feito sexo anteriormente. Se os papéis dos sexos se invertem, as fêmeas são ainda mais fiéis ao parceiro anterior, e o escolhem 90% das vezes.

Os candidatos bem que poderiam ser humanos, mas o ser em questão é o arganaz-do-campo (Microtus ochrogaster), um tipo de rato corpulento fortemente social e monogâmico. Arganazes-do-campo vivem em colônias onde os indivíduos vivem agarradinhos. Após o acasalamento, macho e fêmea dividem o mesmo ninho, cuidam juntos da prole, mantêm os filhos adolescentes por perto, preferem a companhia um do outro à de qualquer desconhecido, e os “maridos” tornam-se agressivos em relação a outros machos. Basta uma sessão de sexo e dali para a frente outros candidatos a parceiros serão recusados, no melhor estilo “felizes para sempre” dos contos de fadas.

Em comparação, um primo próximo, o arganaz-montanhês (Microtus montanus), é associal, promíscuo, não busca contato físico com seus semelhantes, e não divide seu ninho. A fêmea cuida sozinha da prole e abandona os filhotes cedo. E novos parceiros serão sempre bem-vindos.

A diferença entre as duas espécies tão próximas está na maneira como seu sistema de recompensa responde ao sexo – mais especificamente, a hormônios liberados no cérebro durante o orgasmo: oxitocina nas fêmeas, e vasopressina nos machos. Indivíduos da espécie monógama possuem numerosos receptores para os hormônios no estriado ventral do sistema de recompensa, que permitem que o sistema seja ativado pelos hormônios liberados no orgasmo. Já o estriado ventral da espécie promíscua é insensível aos hormônios.

O resultado? A ativação do sistema de recompensa pelos hormônios do orgasmo não só estende o prazer do sexo como faz com que o bichinho associe o prazer àquele parceiro em particular, formando um vínculo afetivo com ele (ou ela). Quando o estriado ventral é sensível aos hormônios do orgasmo, o sexo funciona como uma baita cola – e querer estar na companhia do outro, como a gente sabe, é o primeiro passo para a formação de um casal estável.

Mas se o estriado ventral é insensível aos hormônios do orgasmo, como nos arganazes-montanheses, nada feito: o sexo não leva à formação de vínculos afetivos. A não ser que eles recebam uma injeção no cérebro de um vírus que força a expressão de receptores no sistema de recompensa, o que transforma esses animais promíscuos em monógamos. Parece mágica – mas é ciência.

Humanos têm receptores para oxitocina e vasopressina em seu estriado ventral, o que nos coloca no grupo dos arganazes fiéis, ainda que a sensibilidade aos hormônios seja diferente entre indivíduos. De qualquer forma, considerando que nada disso acontece sem uma sessão de sexo, duas conclusões são certas. 

Primeira: escolha com cuidado quem você leva para a cama – porque periga o seu cérebro acabar mais amarrado do que você gostaria. 

E segunda: se você ficar mesmo amarrado, garanta a estimulação frequente do sistema de recompensa do (a) seu (ua) parceiro (a). É a maneira mais certa de assegurar o seu acesso permanente. E a sua exclusividade também…

A PAIXÃO REVELADA - SAIBA O QUE A CIÊNCIA JÁ DESCOBRIU

Nunca se pesquisou tanto sobre esse sentimento arrebatador. 
Veja o que os estudos já descobriram 
e o que eles revelam sobre a mente humana.

Se existe algo que não combina com ciência, matemática e laboratórios, essa coisa é a paixão. Pois não é que esse sentimento imprevisível e espontâneo é hoje um dos principais objetos de estudo científico? É verdade. Os apaixonados estão na mira de psicólogos, antropólogos, sociólogos e historiadores. 

E as expectativas das pesquisas são grandes. Espera-se que os suspiros dos amantes desvendem, entre outras coisas, a evolução humana, mudanças sociais e até o funcionamento do cérebro.

Achou pouco? Pois tem mais. A antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, diz que o modo como a paixão é vista nas diferentes sociedades é a chave para se entenderem mecanismos como liberdade, poder e submissão feminina. 

Para outro renomado estudioso do tema, o sociólogo italiano Francesco Alberoni, a paixão entre duas pessoas é feita do mesmo combustível que move as grandes revoluções. Entendê-la seria um passo importante na compreensão dos movimentos de massa. 

E o psiquiatra James Leckman, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, acha que a maneira como as pessoas lidam com a paixão é um indicador de saúde mental.

O interesse científico pelo tema começou nos anos 60. A paixão passou a ser mais valorizada e respeitada pela academia. “Antes da Segunda Guerra, a paixão era vista como um sentimento de segundo escalão, mais para ser vivida por adolescentes do que por adultos. A ciência não prestava muita atenção nela”, diz Helen Fisher.

O primeiro estudo sério surgiu há apenas 40 anos. A psicóloga americana Dorothy Tennov examinou 400 apaixonados e concluiu que eles funcionavam todos do mesmo jeito, porque a paixão provoca os mesmos sintomas em todos.

Bem, para quem nunca sentiu isso, seguem as descobertas da pesquisa: na presença do objeto da paixão, os apaixonados sentem o coração bater mais rápido e um frio na barriga. Eles passam noites sem dormir e perdem o apetite. 

“Nesse ponto, a paixão é bem diferente do amor, que é um sentimento muito mais voltado para a estabilidade, sem grandes sobressaltos, que as pessoas não vivem de forma igual”, diz Helen.

Uma pesquisa recente da psiquiatra italiana Donatella Marazziti, da Universidade de Pisa, mostrou que diversas substâncias cerebrais são liberadas quando estamos apaixonados, o que ajuda a explicar, do ponto de vista químico, as noites maldormidas e a perda de apetite. 

É tudo culpa de estimulantes naturais como a dopamina e a norepinefrina, produzidas em quantidades maiores que o usual por quem se apaixona. Essas substâncias são as mesmas utilizadas em moderadores de apetite.

Segundo Donatella, o estudo da paixão é importante para o entendimento do mecanismo que aciona determinados circuitos cerebrais a partir de uma forte emoção. “É mais fácil examinar o cérebro dos apaixonados porque a paixão é um sentimento poderoso, que mexe com a química do organismo mais do que todos os demais”, explica. 

O estudo, realizado há dois anos, é resultado de uma nova tecnologia. Até então, não havia como examinar as substâncias cerebrais em detalhe.

É por causa dessa revolução química no cérebro, aliás, que nenhuma paixão dura muito. Apesar de ser um sentimento delicioso, uma paixão que durasse dez anos acabaria com a vida de um sujeito. “Isso seria biologicamente impossível. Nenhum ser humano agüentaria ficar anos a fio sem comer ou dormir direito”, diz o psiquiatra James Leckman. Em média, o prazo de validade da paixão é de dois a três anos. “Mas isso não é uma regra, já que a paixão por definição é imprevisível”, diz Leckman.

Segundo Helen, o ser humano tem vivido esse sentimento cada vez mais. Para ela, isso é sinal de evolução do comportamento humano. Segundo a antropóloga, uma pesquisa recente da Organização das Nações Unidas mostrou que, em dois terços dos países, as pessoas declararam ter estabelecido um relacionamento com base na paixão, tanto no Ocidente como no Oriente. 

Há 50 ou 60 anos, diz ela, o número não chegaria a 50%. Ela atribui a mudança a dois fenômenos. O primeiro é a crescente independência econômica da mulher, que com isso pode escolher livremente seus parceiros.

O segundo é que, em muitos países, caíram as proibições de casamentos entre pessoas de classes, raças ou religiões diferentes. Significa que o fim do apartheid na África do Sul, em 1994, e a ascensão da classe média na Europa, depois da Segunda Guerra, fizeram da Terra um lugar mais apaixonado. “Não existe paixão sem liberdade de escolha”, diz ela.
Mas isso não basta. 

Para apaixonar-se é preciso estar com o coração predisposto, segundo o psicoterapeuta e psicólogo Eduardo Ferreira-Santos, do Serviço de Psicoterapia do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Ao contrário do que diz o senso comum, não nos apaixonamos por acaso. É preciso estar pronto para essa experiência”, diz ele. 

Pessoas com medo de dar esse mergulho no escuro inconscientemente criam barreiras para não se apaixonar. “Isso não é saudável, já que se deixa de viver a vida”, afirma o psicoterapeuta.

Mas existem pessoas que, mesmo que quisessem, nunca se apaixonariam. É o caso dos autistas, que desconhecem os sentimentos de ligação com outro ser, de acordo com Leckman. Para o psiquiatra, quem é dependente de drogas também perde a capacidade de experimentar a paixão. “Algumas substâncias químicas acabam impossibilitando qualquer troca, o que mata a paixão.”

No outro extremo, o excesso de ligação pode se tornar doentio, como no caso de pessoas que deixam de cuidar da própria vida para viver em função do outro. “Isso é uma doença, uma desordem que na psiquiatria chamamos de obsessiva-compulsiva e precisa ser tratada”, diz Leckman. Também há um limite saudável para o desejo de ser correspondido na paixão. 

Quando é evidente que não existe um interesse do outro e mesmo assim o apaixonado continua a acreditar que é correspondido, isso também é sinal de doença. “Patologias assim podem levar até a assassinatos e suicídios”, diz o psiquiatra.

O adulto que curte uma paixão por alguém inacessível, como um artista famoso, também está na contramão da boa saúde mental, segundo o psicoterapeuta Eduardo Ferreira-Santos. Na primeira fase da adolescência, até 14 anos, é normal um garoto se apaixonar pela Fernanda Lima e ficar horas olhando o pôster dela. (E fazendo outras coisas, também. Mas é melhor não entrar em detalhes.) 

Mas um adulto que continua idolatrando uma pessoa inacessível sofre de algum distúrbio. “Geralmente, isso é sinal de que a pessoa não consegue viver um amor de verdade com uma pessoa de carne e osso, por conflitos mal resolvidos com o pai ou a mãe”, explica o psicoterapeuta. Casos de fanatismo e adoração religiosa também entram nessa categoria.

 “É sempre paixão sublimada, que, em vez de ser direcionada para um ser humano com o qual é possível ter um relacionamento, acaba desviada para um objeto inalcançável.”


Já apaixonar-se pelo vizinho, pelo colega de trabalho ou o amigo do curso de inglês é sinal de um bom desenvolvimento psicológico, segundo Eduardo Ferreira-Santos.

Mas por que nos apaixonamos por uma pessoa e não por outra? A ciência ainda não tem resposta para essa pergunta. Mas há pesquisa a respeito. O que já se sabe é que isso não tem nada a ver com os melhores genes para a evolução da espécie. 


A paixão não tem raízes biológicas, segundo o biólogo evolucionista James Weinrich, da Universidade da Califórnia. Afinal, esse sentimento nunca foi nem será necessário para a procriação. Portanto, a sobrevivência da espécie não depende dela. “Como os animais, que fazem sexo por um impulso biológico, o ser humano também pode ter relações sexuais sem estar apaixonado”, diz o biólogo. A escolha do objeto da paixão, portanto, tem explicações mais centradas no coração e na alma do que na ciência.

Geralmente, nos apaixonamos pelas pessoas que correspondem a um conjunto de expectativas que formamos ao longo da vida, muitas vezes com base em experiências vividas na infância. “Somos influenciados por experiências amorosas que tivemos na infância, seja com os adultos que participavam da nossa vida ou com outras crianças, pelas relações amorosas da vida adulta e até por filmes, músicas e livros”, afirma Leckman. Esse tema, aliás, é o objeto de estudo de sua pesquisa atual: o quanto os namoros infantis podem influenciar as escolhas do adulto. 

“É um estudo inédito, partindo do princípio que as crianças também vivem amor e paixão, em algum grau”, diz o psiquiatra. Mas ele lembra que será impossível explicar cientificamente por que nos apaixonamos por uma determinada pessoa. “Os motivos são inconscientes, inacessíveis.”

Em Fragmentos de um Discurso Amoroso, o filósofo Roland Barthes faz um longo e poético estudo sobre a paixão e o amor. Escrita em 1977, a obra expõe tautologias aparentemente insuperáveis, como “Adoro você porque você é adorável”. Mas essa inspiração é milenar. 

O ser humano vem cantando sua adoração pela cara-metade há pelo menos 3 mil anos, data dos primeiros registros de poemas românticos.

Muito antes disso porém, na pré-história, o ser humano já se apaixonava. Segundo o historiador francês Jean Courtin, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França, o Homo sapiens sente paixão desde seus primeiros passos na Terra. Tudo teria começado há 40 mil anos, quando o homem começou a exercer sua sensibilidade pintando as paredes das cavernas, fabricando adornos e fazendo funerais.

“Essas manifestações indicam um cérebro dotado de emoção”, diz o historiador. Segundo ele, não há por que não crer que os primeiros humanos se apaixonavam, já que a paixão faz parte da nossa natureza. A arte das cavernas, considerada um testemunho histórico, não retrata apenas bisões e outros animais, mas também casais, algumas vezes até em posições, digamos, românticas.

Diferentemente de animais como lobos, esquilos e corvos, que formam pares para a vida toda por instinto, o ser humano dotou de significado afetivo suas escolhas e se apaixonou.

Para a antropóloga Helen Fisher, a paixão possivelmente era vivida de forma bastante intensa e sem amarras nos primórdios da humanidade, já que não havia regras sociais que pudessem influir no comportamento das pessoas. “Quando o homem era coletor e caçador, os recursos eram naturais e não havia propriedade e hierarquia. A paixão florescia com a toda a força, e as pessoas tinham relações livres umas com as outras”, diz ela.

A coisa mudou de figura há 10 mil anos, quando o homem inventou a agricultura, a casa e o aglomerado urbano. Desde então, a preocupação com a herança e a propriedade passou a ser mais importante que a paixão. Esse período desapaixonado, no entanto, teve suas exceções. 

Na sofisticada cultura grega, por exemplo, a paixão teve um lugar de honra no Olimpo dos deuses. Segundo a mitologia grega, foi essa volúpia que uniu, pela primeira vez, uma divindade (Eros, mito do amor) e um mortal (Psiquê, mito que representa a alma). Da união nasceu Voluptas, o Prazer.

A Idade Média, ao contrário, foi uma época de paixões veladas, proibidas. Apaixonar-se era considerado quase um pecado, uma leviandade que tirava o cristão dos trilhos da moral religiosa, que proibia o sexo antes do casamento. A sociedade também não via com bons olhos relacionamentos entre pessoas de classes sociais diferentes, postura que perdurou até pouco tempo atrás. “Claro que as pessoas se apaixonavam, porque isso faz parte da essência humana e não pode ser bloqueado por uma convenção social, mas a paixão não era a base dos relacionamentos”, afirma a antropóloga.

Para James Leckman, por mais que a paixão seja estudada, o sentimento ainda vai permanecer em grande parte um mistério. “Tomara que assim seja, porque não existe nada mais mágico do que a paixão”, diz ele.
por Carla Aranha
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CARAS E BOCAS: A VERDADEIRA FACE DAS EMOÇÕES

Como sentimentos e palavras são expressos no rosto das pessoas;
Elas dizem mais do que as palavras. Para quem sabe ver, dizem até aquilo que as palavras às vezes escondem. Por isso, a ciência procura tanto decifrar o código das expressões faciais.

Diante da expressão de zanga do gordo Oliver Hardy e do ar de choro do magro Stan Laurel é difícil conter o riso. Para saber a sério o que esse riso tem a ver com a sensação de alegria, pesquisadores americanos convidaram dois grupos de estudantes para uma sessão de filmes da mais bem-humorada dupla da história do cinema. Enquanto suas trapalhadas se sucediam na tela, as reações fisiológicas dos jovens eram monitoradas por meio de eletroencefalogramas. Foi possível verificar assim que os membros de um dos grupos saíram da sala literalmente menos felizes - não por acaso, talvez, tratava-se daqueles a quem se havia pedido que procurassem não esboçar sequer um sorriso durante a exibição das comédias.

Era onde os pesquisadores queriam chegar, comprovando a surpreendente e controvertida teoria de que a expressão facial não apenas traduz um sentimento mas também o estimula. Ou seja, quem ri porque está feliz fica ainda mais feliz porque ri. Essa experiência faz parte de um fecundo campo de estudo da Psicologia contemporânea, que pretende decifrar o mais ostensivo dos mistérios do comportamento humano - o sentido das expressões faciais, como o riso e o choro, o espanto e o desdém, a raiva e o nojo. A linguagem do rosto é provavelmente a forma mais comum de comunicação entre as pessoas: fala-se mais com caras e bocas do que com palavras. Com certeza, falam-se também mais verdades. Os sinais visíveis do que vai dentro de cada um muitas vezes contradizem a arrumação racional das palavras.

Sentir determinada emoção é sempre experimentar determinada reação fisiológica. Entre outros sintomas, por exemplo, a tristeza é a diminuição do ritmo respiratório; a raiva e o medo têm em comum a secreção do hormônio adrenalina, que dispara o coração preparando o organismo para o ataque ou a fuga; por sua vez, a sensação de alegria, a emoção testada naquela experiência americana, é um aumento na produção de endorfinas, hormônios analgésicos e calmantes naturais, que criam o bem-estar da felicidade. A quantidade desse hormônio era muito maior no organismo dos estudantes que puderam rir à vontade nos filmes do Gordo e o Magro.

Alguns pesquisadores acreditam que os nervos do rosto, ao informar o cérebro da posição exata dos músculos faciais, desencadeiam as reações fisiológicas correspondentes às diversas emoções. A idéia é instigante mas não é nova. O psicólogo e filósofo americano William James (1842-1910) propôs que, diante de um perigo, uma pessoa não se põe a correr propriamente porque sente medo, mas sente medo porque corre - e a teoria tem seguidores até hoje. O fato é que atualmente a maioria dos cientistas admite o caminho de mão dupla: O que se expressa no rosto pode afetar a reação do cérebro, concorda o neurologista Luiz Augusto Franco de Andrade, da Escola Paulista de Medicina. Mas a recíproca, segundo o médico, é verdadeira.

Pacientes com mal de Parkinson, em que falta no cérebro a substância dopamina, têm bastante dificuldade de fazer expressões faciais, exemplifica Andrade. Do mesmo modo, suponho que, se a atividade bioquímica do cérebro estiver acentuada, a pessoa mostrará melhor no rosto aquilo que sente. Mas afirmar que um jogo preciso dos músculos da face reforça ou mesmo cria uma sensação é algo que pode fazer muita gente torcer os lábios de desconfiança. Pois, se fosse assim, argumenta-se, um japonês educado para não expressar sentimentos negativos ficaria menos triste ao encarar uma situação pesarosa com aquele sorriso que os ocidentais dizem ser tipicamente amarelo.

A discussão, na verdade, existe desde 1872, quando o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) defendeu em seu livro A expressão das emoções em homens e animais que algumas expressões faciais são comuns ao gênero humano. Estudos sistemáticos comprovando a tese de Darwin, porém, se firmaram só há uns trinta anos. O psicólogo americano Paul Ekman, que estuda caras e bocas desde 1953, é autor de uma famosa experiência a respeito. Em Tóquio, ele convidou pessoas para assistir, uma a uma, a um documentário com cenas de acidentes, queimaduras e cirurgias, enquanto filmava suas reações - sem elas saberem, é claro.

Na piores cenas do documentário, o espectador japonês, ao lado de quem Ekman estava sentado, dava um sorriso; então o psicólogo se levantava, fingindo que ia dar um telefonema. O resultado apareceu com nitidez no filme feito às escondidas: toda vez que ficava sozinho, o espectador não sorria, mas contorcia o rosto de horror diante das imagens sangrentas, como faria qualquer pessoa não guiada por uma cultura que manda disfarçar sentimentos negativos. Segundo Ekman, toda cultura impõe as chamadas regras de exibição, normas que inibem ou enfatizam determinada expressão facial.

Entre os brasileiros uma clássica regra de exibição é a de que homem não chora, exemplifica o psicólogo Ailton Amélio da Silva, da Universidade de São Paulo, autor de uma tese sobre as expressões faciais das emoções. De acordo com ele, os psicólogos afirmam que a cara de no mínimo sete emoções é idêntica em quaisquer seres humanos. À medida que as enumera, o rosto de Ailton, um psicólogo que passou mais de um ano treinando músculos faciais em frente ao espelho, vai se transfigurando. Enquanto fala, monta traço a traço as máscaras do medo, da raiva, da surpresa, do nojo, do desprezo, da tristeza e, finalmente da alegria. Como notas musicais que compõem infinitas melodias, as expressões básicas se misturam, formando outras muito complexas, compara.

O que torna mais difícil decifrá-las, porém, é seu tempo de vida - muitas vezes não duram mais de 1 segundo. Brevidade, contudo, não quer dizer escassez: quanto mais complexa for uma espécie do ponto de vista evolutivo, maior será a capacidade de seus membros de criar expressões diferentes com o rosto. Por isso, de todos os seres deste mundo nenhum é tão careteiro como o homem, cujos 22 pares de músculos faciais - metade do lado esquerdo, metade do lado direito - podem formar mais de mil expressões. Se alguém conseguisse demonstrar voluntariamente toda essa habilidade, o espetáculo terminaria porém em alguns minutos, tão ágeis são esses músculos.

A capacidade de distinguir expressões parece ser herdada, fazendo parte do que os cientistas chamam memória biológica. Numa experiência pioneira realizada por pesquisadores americanos, macacos criados em regime de isolamento, sem verem sequer rostos humanos, postos diante da fotografia de outro macaco com expressão agressiva, apresentavam reações típicas do medo. Pesquisas como esta reforçam a teoria de que a compreensão da linguagem silenciosa da face é fundamental à sobrevivência. Tanto nos animais como nos seres humanos, essa compreensão pode variar. 

Está provado que tóxicos como o álcool e a maconha - esta com a injusta fama de aguçar a sensibilidade - confundem o indivíduo no reconhecimento das expressões faciais. Um fato curioso, comprovado mas ainda não muito claro para os cientistas, é que a bebida alcoólica tende a atrapalhar a percepção de duas expressões específicas - a do desprezo e a da raiva. Também é comum a crença de que a criança, por não compreender bem o significado das palavras, perceberia melhor trejeitos faciais do que o adulto. Tudo indica que isso é falso. Há pessoas mais sensíveis do que outras, independentemente da idade, explica a psiquiatra Maria Cristina Ferrari, da Universidade de São Paulo.


Especialista em crianças, ela reconhece a importância do rosto na educação. Conta, a propósito, o caso de uma garotinha de 4 anos que nas sessões de terapia sempre desenhava uma bruxa para representar a mãe - por sinal, uma mulher muito bonita. Por acaso, certo dia a psiquiatra viu a mãe dar uma bronca na filha e, ao observar seu rosto transtornado de raiva, matou a charada dos desenhos da menina. Comenta Maria Cristina: Uns tapas no bumbum não fazem mal, desde que o adulto não expresse raiva no rosto. Caso contrário, a criança entende que está sendo punida não porque fez algo errado mas porque não é amada.

No entanto, a própria psiquiatra, mãe de dois filhos pequenos, reconhece que é preciso muito autocontrole para não exibir raiva diante de uma malcriação. Se é verdade que tudo que está na cara é um sentimento. Posso mostrar no rosto o meu cansaço, diferencia o psicólogo Arno Engelmann, da USP. Nascido na Alemanha, há 59 anos, ele vive há 51 no Brasil e há 25 estuda o que chama estados subjetivos - um conceito que se aplica tanto às emoções quanto às sensações não muito localizadas, sono, interesse, distração, como define.

Após longa e criteriosa pesquisa, Engelmann conseguiu determinar nada menos de 370 estados subjetivos. Agora, ele está entusiasmado com um novo projeto - gravar o rosto de entrevistados, na tentativa de captar expressões faciais, se é que existem, relacionadas a cada um daqueles estados. É uma pesquisa pioneira no Brasil, revela, os olhos brilhando de orgulho. Engelmann lembra que há expressões não provocadas por emoções, como os emblemas - gestos mudos que substituem palavras. Exemplos: mostrar a língua no lugar de xingar, piscar os olhos em sinal de aprovação, abrir a boca em vez de dizer que ficou boquiaberto de espanto e por aí afora. Engelmann também cita os chamados sinais de conversação, a pontuação de um diálogo que aparece no rosto. As vezes, só pelo olhar do outro dá para notar que ele quer nos interromper para fazer uma observação, diz o psicólogo.

O olhar, de fato, é a expressão suprema. Geralmente, enquanto se fala, não se olha o tempo inteiro para o interlocutor. Este, de seu lado, também ora desvia os olhos, ora volta a encarar. Desconfortável sempre é o olhar fixo do outro, com toda probabilidade uma herança do medo experimentado pelos ancestrais. Psicólogos observaram macacos Rhesus reagirem com violência apenas porque o pesquisador os encarava olho a olho. Não só quando sustentados ou quando zanzam de um lado para outro os olhos se exprimem. As pupilas, garantem os cientistas, também revelam segredos. Em condições idênticas de luz - portanto, sem razões fisiológicas para se contrair ou se dilatar -, as pupilas diminuem diante de uma imagem desagradável e aumentam diante de algo prazeroso, por exemplo, uma pessoa atraente. Esse é, aliás, um dos indicadores mais comuns do flerte. Outros sinais de namoro que transparecem na face - habitualmente identificados como a expressão viva de quem está amando - resultam do fato de os músculos ficarem mais tensos, com isso retendo mais sangue.

Mas é na boca que nasce a mais humana das expressões: o sorriso. A careta de raiva, por exemplo, é muito semelhante tanto na aparência quanto nos músculos envolvidos à exibição dos dentes que caracteriza o focinho de qualquer mamífero antes de partir para o ataque. Já o sorriso - e não só o da Mona Lisa - é sempre enigmático. Ao menos o sorriso genuíno, que derrama alegria. Isso porque o movimento facial do riso aparece apenas nos primatas, mas com a função de apaziguar outro animal; ao se sentir ameaçado, o macaco repuxa os lábios para cima e emite um som, parecido com o de uma risada. Segundo estudiosos, tal sorriso simiesco promove um efeito calmante na macacada.

Esse mesmo sorriso pálido e sem graça também aparece no rosto humano. Há histórias de guerra relatando episódios de soldados que se sentiram desarmados quando o inimigo lhe sorriu. Mas é um mistério como, na evolução do homem, do riso inseguro brotou a risada feliz. Outra particularidade humana é fingir no rosto aquilo que não sente. E o sorriso é a arma mais usada da mentira, porque, segundo os cientistas, além de ser uma expressão positiva, de todos os componentes do rosto o homem tem mais controle sobre a boca. Assim, o sorriso mascara a tristeza, aumenta na aparência a dose de satisfação de rever alguém, esconde rancores, afirma o desprezo. Reconhecer o verdadeiro riso é uma das últimas etapas de um treinamento para identificar expressões faciais, informa o psicólogo Ailton Amélio, da USP.

No entanto, se todos podem controlar a boca, apenas uma em cada dez pessoas consegue impedir a formação de rugas na testa quando o sorriso vem disfarçar a tristeza. Mais difícil ainda é camuflar sorrisos falsos, ditados pelas convenções sociais. A verdadeira risada contrai os músculos orbiculares, em torno dos olhos, formando pequenas rugas laterais, feito pés-de-galinha. De acordo com os especialistas, mesmo os mentirosos profissionais, como os atores, que reproduzem esses movimentos menos sujeitos ao controle da vontade, não o fazem no ritmo natural.Pois um riso nasce aos poucos, se sustenta e esmorece - tudo isso em cerca de 10 segundos. O falso sorriso pode surgir do nada e desaparecer de repente. O austríaco Sigmund Freud, fundador da Psicanálise, que sabia das coisas, sabia também que a face humana é um baú de informações sobre os sentimentos mais íntimos. Quem tem olhos para ver pode se convencer de que nenhum mortal consegue guardar um segredo, escreveu ele. A traição brota pelos poros. O que ele queria dizer está na cara.

Retratos das emoções
Quando se olha alguém, um dos erros mais comuns é ver medo em um rosto apenas surpreso. Isso porque, mesmo quando as emoções não se misturam no semblante, há músculos que trabalham em mais de uma expressão. Mas o olhar atento não se engana, pois cada sentimento traça sua máscara própria no rosto humano, como mostra a seqüência de caras do psicólogo Ailton Amélio da Silva, da Universidade de São Paulo.

Medo - As sobrancelhas também se erguem, mas se aproximam por causa da contração do músculo piramidal do nariz - o único da face que nenhum treino ensina a dominar - e assim formam rugas verticais na testa; as pálpebras inferiores e superiores sobem, diminuindo os olhos; a boca, aberta ou fechada, fica tensa.

Nojo - As sobrancelhas se abaixam, sem se aproximar; o lábio superior é puxado para cima, empurrando as bochechas na mesma direção; assim, podem aparecer rugas no nariz; o lábio inferior se contrai para fora.

Surpresa - Ao se erguerem, as sobrancelhas costumam formar rugas horizontais na testa; as pálpebras superiores sobem, sem tensão; o maxilar relaxa, deixando a boca entreaberta e abaixando as pálpebras inferiores - daí os olhos se arregalarem.

Tristeza - Apenas o canto interno das sobrancelhas se eleva; os cantos da boca caem; de modo geral, todos os músculos faciais perdem tônus, criando a expressão típica do abatimento.

Alegria - Os lábios são puxados para trás e para cima, empurrando as bochechas; as pálpebras inferiores também se elevam e aparecem rugas na parte externa dos olhos, feito pés-de-galinha; um detalhe fundamental é que não existe tensão na testa.

Raiva - As sobrancelhas se aproximam, só que abaixadas; a tensão em torno da boca comprime os lábios.

Desprezo - Os lábios se comprimem, um contra o outro, e um canto é puxado para cima.

Primeiras caretas
Com menos de duas semanas, o recém-nascido já tenta imitar expressões faciais do adulto. Assim, abre a boca e faz beicinho, franze o cenho, arregala os olhos. Aproximadamente no terceiro mês, o bebê aprende a sorrir sempre que alguém se aproxima. Na verdade, nessa fase ele reage com um sorriso, como se agradecesse a companhia, toda vez que enxerga o que os cientistas chamam T - as linhas formadas pelos olhos, nariz e boca. Numa experiência clássica, cientistas aproximaram de uma criança um T esculpido em madeira e obtiveram o mesmo sorriso. Por volta do oitavo mês, porém a criança já reconhece rostos. Então sua face começa a revelar todos os matizes do humor, mostrando que aprendeu o bê-á-bá da fisionomia.
Por Lúcia Helena de Oliveira

O QUE HÁ POR TRÁS DA IRRITAÇÃO FREQÜENTE?

Por trás de toda irritação há algum grau de frustração. Nós nos irritamos porque nos sentimos incapazes de controlar alguma situação ou pessoa. Isso é claro. Também é claro que todos nós, absolutamente todos, temos momentos de mau humor de vez em quando. Pequenas explosões de caráter que podem ser muito saudáveis quando são originadas por uma causa razoável.

Mas o que acontece quando a irritação não acaba? Quando permanecemos quase todo o tempo com a testa franzida, os olhos entreabertos e procurando alguma briga? Será que pertencemos a esse grupo de “resmungões por natureza” ou há algo mais aí?

A resposta é uma só: por trás de uma irritação frequente, há mais do que uma frustração passageira; o que se esconde é uma depressão encoberta.

A irritação crônica
Em algumas ocasiões, o mau humor não é algo de momento, mas se estende por semanas, meses ou anos. Às vezes, o incomum não é que tenhamos esses incêndios repentinos em nosso caráter, mas sim que consigamos manter a serenidade. A irritação vai se transformando em nossa maneira normal de ser diante da vida. Tudo nos incomoda, ficamos irritáveis e perder a calma é o que acontece com mais frequência.

Nesse caso, a irritação não está direcionada contra uma pessoa ou uma situação em particular. A pessoa simplesmente sente tudo o tempo todo, experimentando intolerância, aborrecimento e tédio.

Por sua vez, expressa-se por meio das atitudes clássicas: gritar, permanecer inquieto, tenso, ter sempre à mão um comentário de auto-desqualificação ou de crítica para os demais. Fisicamente, manifesta-se por meio do cenho franzido permanentemente, problemas digestivos e, muito provavelmente, dificuldades para dormir adequadamente.

Se esse é o seu caso, o mais provável é que não esteja irritado com o mundo: na realidade, está irritado consigo mesmo.

As razões que lhe impulsionaram a criar inimizade internamente com o que você é certamente tem a ver com os modelos mentais que gerencia inconscientemente. Há parâmetros que você escolheu para avaliar a si mesmo, sem ter muito claro o porquê, e que só estão servindo para reprovar a si mesmo mais uma vez. Também há experiências não resolvidas em seu passado. Por isso você se irrita, mas não sabe.

O fogo e a chama
Não é o caso de entrar e analisar aqui todas as possíveis razões pelas quais você decidiu se transformar em um dos seus piores inimigos. Está na profundidade da sua mente, no mais remoto da sua história. Mas o que, sim, podemos esboçar é pelo menos uma pergunta “por que são tão válidas as razões que o levam a manter-se irritado?”

Esqueça os demais, porque eles nunca vão se comportar exatamente como você quer ou pensa que devem se comportar. Os outros são somente uma desculpa que você utilizou para poder expressar a sua irritação. Não são as suas falhas, nem a crise econômica, nem a tensão bélica na Coréia que lhe deixam irritado.

Simplesmente, você tem uma ideia do “dever ser” na vida e não consegue se ajustar a ela. Isso faz com que se sinta terrivelmente mal; você não só se julga severamente, mas também se culpa e se atormenta. Paradoxalmente, seu ego gigantesco não o permite que se compreenda, nem que se perdoe.

A ira é como um fogo interno que arde. Um elemento capaz de dar calor ou de arrastar o que se encontre pelo seu caminho. Essa raiva indefinida é também uma força interna da qual não conseguiu se apropriar. Pode ser o motor de grandes ações, mas também a brasa onde se consomem os melhores momentos da sua vida.

Há um assunto que está pendente com você mesmo, não com os demais. Você deve resolvê-lo e, provavelmente, precisará de ajuda para isso. O que está esperando?
Fonte: A mente maravilhosa.
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PESQUISADORES BRASILEIROS CRIAM NEURÔNIOS SENSORIAIS PELA PRIMEIRA VEM EM LABORATÓRIO

Trabalho ajuda na compreensão da fisiologia, 
da sensorialidade e dos mecanismos de dor da pele.
Neurônios sensoriais são responsivos a substâncias químicas. 

Pela primeira vez, pesquisadores brasileiros conseguiram desenvolver, em laboratório, neurônios sensoriais funcionais responsivos a substâncias químicas que ...CONTINUAR LENDO.

DESCUBRA AS MENTIRAS QUE O SEU CÉREBRO CONTA PARA VOCÊ

Você não toma as próprias decisões - e boa parte do que vê não é real. É apenas uma ilusão criada pelo seu cérebro, que passa pelo menos 4 horas por dia enganando você. Conheça os truques que ele aplica - e saiba o que realmente acontece dentro da mente.

Você fica cego 4 horas por dia. Já foi enganado por um rótulo nesta semana...CONTINUAR LENDO.

A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA HUMANA - António Damásio

No campus da Universidade de Iowa, Estados Unidos, o neurologista portuguêsAntónio Damásio gasta boa parte do tempo tentando compreender uma das áreas mais nebulosas do conhecimento: a consciência humana. É difícil encontrar um desafio mais instigante para um cientista, diz Damásio. Afinal, o que poderia ser mais fascinante do que conhecer o modo como conhecemos?
Em seus dois livros, O Erro de Descartes e O Mistério da Consciência(editados no Brasil pela Companhia das Letras), Damásio descreve como a consciência abriu caminho para uma verdadeira revolução na natureza, tornando possível o surgimento da religião, da moral, da organização social e política, das artes, da ciência e da tecnologia. Ele tenta encontrar as respostas para as questões mais antigas da filosofia pesquisando o que há de mais novo no conhecimento do cérebro. Depois da polêmica em torno da clonagem humana, ele prevê que os debates mais fervorosos da ciência estarão ligados à possibilidade de manipularmos nossas emoções por meio de uma melhor compreensão da mente...

QUEM DORME MENOS MORRE MAIS RÁPIDO - INSTITUTO DO SONO


A médica do Instituto do Sono, Dalva Poyares, 
fala sobre as causas e consequências da insônia.

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A TEORIA DO 100⁰ MACACO DE RUPERT SHELDRAKE

Entenda, por que padrões familiares 
tendem a se repetir e como se modificam.

Rupert Sheldrake é um dos cientistas mais controversos de nosso tempo. As suas teorias não só estão revolucionando o ramo científico de seu campo (biologia), mas estão transbordando para outras áreas ou disciplinas como a física e a psicologia.

Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco. 
Eram uma vez duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha "A" descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira.

Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. Esta é uma história fictícia, não um relato verdadeiro.

Numa versão alternativa, em vez de quebrarem cocos, os macacos aprendem a lavar raízes antes de comê-las. De um modo ou de outro, porém, ela ilustra uma das mais ousadas e instigantes idéias científicas da atualidade: a hipótese dos "campos mórficos", proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados.

A analogia termina aqui, porém. Porque, ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos de Sheldrake não envolvem transmissão de energia. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacionais e eletromagnéticos. O que se transmite através deles é pura informação.

É isso que nos mostra o exemplo dos macacos. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.

Até os cristais
O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de "ressonância mórfica". Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos chegasse à ilha "B", sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações.

Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.

Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório - diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.

Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como "uma importante pesquisa científica", a Nature o considerava "o melhor candidato à fogueira em muitos anos".

Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica".

Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida. A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.

Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?

A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma "explicação" dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível?

Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível. Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes.

Ação modesta
A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto.

"A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos, e, portanto, as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente."

A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados "campos morfogenéticos". Se as proteínas correspondem ao material de construção, os "campos morfogenéticos" desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.

Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo.

Forma original
Como mostra a ilustração da página ao lado, o sucesso da operação independe da forma como o pequeno verme é seccionado. O paradigma científico mecanicista, herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650), capota desastrosamente diante de um caso assim. Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas.

A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.

Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas (veja o quadro na página ao lado). Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.

Aprendizado
Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado", conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.

Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.

"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal", afirma Sheldrake.

"Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas".

Assista - RUPERT SHELDRAKE explica os Campos Mórficos.
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