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COMO ENSINAR E APRENDER A PENSAR?

 

A educação tradicional está sem recursos para enfrentar os desafios sociais diários. Hoje, existe tanta informação que devemos saber identificar fontes confiáveis ​e usá-las para obter conhecimento.

A educação tradicional é baseada em um processo de aprendizagem sistemático e mecânico onde o objetivo principal é a memorização. Atualmente, muitos estudos defendem um método de ensino diferente. Um dos principais objetivos dessa revolução educacional que estamos testemunhando é aprender a pensar. A intenção é fornecer aos alunos ferramentas para que eles busquem informações por conta própria e as assimilem de forma crítica.


É importante mudar os processos e preparar os alunos para que, no futuro, eles sejam capazes de fazer boas análises, resolver problemas de forma eficaz e tomar boas decisões. Por isso, quando se trata de ensinar e aprender a pensar, é importante lembrar que todas as nossas ações são baseadas em nossos pensamentos. Isso ajuda os jovens a se tornarem bons pensadores e a não se dedicarem apenas à memorização.

 

Por que ensinar e aprender a pensar?

Na maioria das escolas, não existe um modelo educacional que ensine os alunos a pensar. As escolas tradicionais continuam a usar ferramentas, métodos e técnicas de curto prazo. Os professores passam quase todo o tempo ensinando os alunos a resolver equações e memorizar textos que eles provavelmente irão esquecer em poucos dias.

No entanto, muitos profissionais da educação apostam em metodologias baseadas na compreensão, e no valor das perguntas antes das respostas, criando formas de resolver problemas através do pensamento. Para isso, também é necessário renovar procedimentos e ferramentas.

“Assim como o solo, por mais rico que seja, não pode dar frutos se não for cultivado, a mente sem cultivo também não pode produzir.”

-Séneca-


O que é a Aprendizagem Baseada no Pensamento (Thinking-Based Learning)?

Atualmente, muitas instituições de ensino deram um passo à frente, reconhecendo que a metodologia tradicional foca na repetição com muito pouco significado intrínseco. Esse modelo de ensino é ineficaz porque o pensamento crítico e reflexivo não é colocado em prática.

A Aprendizagem Baseada no Pensamento (TBL) proporciona uma aprendizagem mais consciente e profunda capaz de mudar a forma como o aluno lida com novas informações. Robert Swartz, uma das personalidades mais influentes no campo da educação e criador desse método, o define como uma metodologia que ensina a pensar de forma criativa e crítica.

Robert Swartz explica que esta metodologia surgiu quando ele assistiu a uma aula de história em Boston. O professor deu a seus alunos duas histórias diferentes e pediu a eles que pensassem em qual deveriam acreditar. Swartz percebeu que aquelas crianças estavam aprendendo a decidir se o que estavam lendo era algo que deveriam aceitar como verdadeiro e confiável. Em conclusão, ele descobriu que essa perspectiva poderia ser aplicada a tudo.

Esta metodologia ativa vai além do conteúdo, já que garante que os alunos aprendam a pensar e tenham a oportunidade de resolver problemas do mundo real. Além disso, os incentiva a considerar as diferentes opções e procurar saber qual é a melhor. Dessa forma, o processo de aprendizagem não depende da memorização, mas sim da internalização dos conteúdos.

“O resultado da aprendizagem baseada no pensamento é que os alunos aprendem habilidades de pensamento para toda a vida, e entendem o conteúdo das matérias que estudam no currículo padrão de uma forma mais enriquecedora e profunda do que nas aulas mais tradicionais.”

-Robert Swartz-


Pensamento colaborativo em sala de aula

Para aprender a pensar, o professor deve atuar como um facilitador. Ele deve orientar os alunos a resolver problemas, casos e projetos em conjunto. Com isso, ele incentiva a participação ativa dos alunos.

Ensinar e aprender a pensar requer trabalho em grupo, afinal, todo pensamento funciona melhor quando é colaborativo. Compartilhar pensamentos e ideias com as pessoas ao redor incentiva o trabalho em equipe que, por sua vez, ajuda os alunos a refletir e compartilhar todos os tipos de aprendizagem.

A importância das perguntas para aprender a pensar

O diálogo é um recurso inestimável para adquirir conhecimento. Já no século V a.C., Sócrates percebeu a sua utilidade e projetou todo um método: a maiêutica. O método socrático considera as perguntas uma forma de desenvolver o pensamento. Dito isso, as perguntas feitas em sala de aula são o estímulo para os alunos tentarem responder e/ou levantar novas perguntas.

Além disso, as perguntas são úteis para que os alunos aumentem sua capacidade de estruturar suas ideias, sintetizem suas respostas e as defendam através do raciocínio. Consequentemente, há um aumento da sua autonomia. De repente, eles se sentem confiantes o suficiente para explorar campos desconhecidos. Nesse sentido, um bom professor sabe quais perguntas são as mais adequadas para cada situação.

“O mais alto grau de conhecimento é contemplar o porquê”.

-Sócrates-


Os seis chapéus do pensamento

A técnica dos seis chapéus do pensamento foi criada por Edward De Bono para facilitar a resolução ou a análise de problemas sob diferentes pontos de vista. Ela estimula o pensamento lateral e criativo, incentiva o pensamento paralelo e é uma alternativa ao raciocínio tradicional.

Os seis chapéus representam seis formas de pensar. Cada um deles tem uma cor diferente, representando as direções de pensamento que podemos usar ao enfrentar um problema. Nessa técnica, cada participante se imagina colocando e tirando um chapéu para indicar o tipo de pensamento que está utilizando.

Fonte:a mente é maravilhosa

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O QUE É O PENSAMENTO ABSTRATO?

 

O que é o pensamento abstrato? Descubra através de uma revisão das suas características, funções, exemplos e diferenças em comparação com o pensamento concreto.

Certamente você já ouviu falar em pensamento abstrato, mas… você realmente sabe o que é? É um tipo de pensamento que nos permite refletir sobre coisas que não estão presentes no espaço e no momento atual. Também nos permite refletir sobre conceitos e princípios gerais, tanto em nosso dia a dia quanto em um ambiente mais acadêmico ou profissional.

O pensamento abstrato tem alguma vantagem? Um estudo de 2006 da Universidade de Amsterdã descobriu que as pessoas se sentem mais poderosas quando têm permissão para pensar de forma abstrata. Isso poderia ser uma evidência a favor da vantagem do pensamento abstrato sobre o pensamento concreto, que seria mais restritivo.

Quer saber mais sobre esse tipo de pensamento? Como ele é diferente do seu “oposto”, o pensamento concreto? Para que serve e quais benefícios apresenta? Contaremos tudo a seguir!

O que é o pensamento abstrato e para que ele serve?

De acordo com o Psychology Dictionary, o pensamento abstrato é a capacidade de compreender as propriedades essenciais e comuns. Serviria para manter em mente diferentes aspectos de uma situação, para prever e planejar o futuro, para pensar simbolicamente e tirar conclusões. Seria o oposto do pensamento concreto, que neste caso é aquele pensamento literal baseado no tempo e no espaço presentes.

Para que serve esse tipo de pensamento? O pensamento abstrato, como já vimos, nos permite perceber as relações entre diferentes ideias, crenças ou elementos do ambiente externo e interno. Além disso, nos ajuda a inovar, criar, imaginar, desenvolver novas ideias, aprender com as experiências do passado e refletir sobre o futuro.

Este tipo de pensamento também constitui uma habilidade cognitiva. Mais especificamente, é uma das últimas habilidades cognitivas que os seres humanos adquirem a um nível evolutivo. Sem mais delongas, aprenderemos mais sobre esse tipo de pensamento por meio de uma síntese das suas características.

“O pensamento é a principal faculdade do homem, 

e a arte de expressar pensamentos é a primeira das artes.”

-Etienne Bonnot de Condillac-

 

Características

Podemos listar uma série de características do pensamento abstrato que se referem à sua forma, conteúdo e funções:

  • Focaliza os elementos que não estão presentes (vai além do ambiente atual).
  • Permite imaginar, criar e inovar.
  • Estimula o pensamento reflexivo e profundo.
  • Ajuda-nos a encontrar significados diferentes para cada situação.
  • Permite-nos pensar de forma abstrata, criando ideias do mesmo tipo.
  • É um pensamento hipotético-dedutivo (permite-nos construir hipóteses sem a necessidade de testá-las empiricamente).
  • É um pensamento flexível, que estimula o debate.

Exemplos de pensamento abstrato

Para entender melhor esse tipo de pensamento, vamos pensar em exemplos concretos, como uma pessoa que pensa além do que está bem na sua frente. De forma ilustrada, imagine uma pessoa pensando em um livro específico. Ela usará o pensamento abstrato ao pensar em vários livros, livros que não precisam estar no mesmo cômodo ou na sua frente.

Ela também pode pensar nos livros que a representam, nos livros que leu, nos livros que representam os temas “X”… Isto é, no pensamento abstrato, de certa forma, também se usa a imaginação. Outro exemplo de pensamento abstrato seria aquele utilizado por um artista ao escolher as melhores cores para a sua pintura, ou por um músico que escolhe a melhor nota para finalizar a sua sinfonia.

Outros exemplos: um compositor que usa as suas ideias para criar a letra de uma música, um matemático que analisa os números para tirar alguma conclusão (da mesma forma que um físico ou estatístico pode extrair relações significativas dos seus dados), etc. Também o utilizamos no dia a dia quando devemos analisar certas situações que envolvem pensar no passado ou no futuro (além do presente). Resumindo: encontramos o pensamento abstrato em múltiplas situações e cenários.

Quando ele aparece? A hipótese de Piaget

O epistemólogo e biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) já falava, na sua época, do pensamento abstrato. Especificamente, ele desenvolveu a hipótese segundo a qual o pensamento abstrato, bem como o raciocínio, se desenvolvem no último estágio de desenvolvimento (o estágio das operações formais). Na verdade, Piaget chamou de pensamento abstrato o pensamento formal, porque pertencia a esse estágio evolutivo.

A fase das operações formais começa entre os 11 e 15 anos e dura até a idade adulta. Os seguintes elementos são centrais nesta etapa:

  • O raciocínio hipotético.
  • O raciocínio abstrato.
  • Resolução sistemática de problemas.
  • Pensamento abstrato.

Esse tipo de pensamento, segundo Piaget, está intimamente relacionado à lógica e à capacidade de resolver problemas. Nesse sentido, seria uma das características distintivas do ser humano, aquilo que nos distingue das demais espécies animais.

Como aplicar o pensamento abstrato?

Podemos aplicar esse tipo de pensamento em nossa vida diária? Em quais áreas? Ele pode ser útil para o nosso desenvolvimento pessoal, em áreas tão abstratas quanto a espiritualidade.

Por outro lado, dominar o pensamento abstrato (assim como a sua linguagem) também pode ser útil em campos como matemática ou ciências, uma vez que o raciocínio analítico requer o uso do pensamento abstrato. Não esqueçamos que, para entender um determinado assunto ou conhecimento, devemos ser capazes de relacioná-lo com a vida real, para que fique muito mais próximo e prático.

Diferenças entre pensamento abstrato e pensamento concreto

No início do artigo, aludimos ao pensamento concreto como um tipo de pensamento oposto ao abstrato, mas como esses dois tipos de pensamento são diferentes? O pensamento abstrato nos permite processar, descrever e manipular a informação mental, enquanto o pensamento concreto faz o mesmo, mas com objetos no mundo físico.

Por outro lado, dissemos que o pensamento abstrato era hipotético dedutivo. Isso significa que nos permite criar hipóteses sem ter que testá-las empiricamente. Por outro lado, por meio do pensamento concreto, o conhecimento só pode ser formulado através da experiência direta com o fenômeno em questão (ou seja, seria um tipo de pensamento indutivo).

Esse pensamento vai do geral ao particular (o que permite a formulação de leis e teorias, por exemplo); pelo contrário, o concreto vai do particular ao geral. Por fim, o pensamento abstrato permite a reflexão e o debate (é um pensamento flexível), e o pensamento concreto, por outro lado, não permite variações, uma vez que se baseia no tangível e no óbvio.

Como vimos, esse tipo de pensamento “está em toda parte” e tem vantagens notáveis ​​quando se trata de estimular outros tipos de pensamento, como a reflexão ou o raciocínio. Existem vários tipos de pensamento: convergente, divergente, prático, teórico, literal… Qual é o melhor? Todos e nenhum; será sempre aquele que melhor se adaptar à tarefa que queremos desenvolver, por isso a flexibilidade é muito importante na nossa cognição.

“O sábio não diz tudo que pensa, 

mas sempre pensa tudo que diz.”

-Aristoteles-

Fonte: A mente maravilhosa

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IMAGENS DO CÉREBRO MOSTRAM O PODER TRANSFORMADOR DO EMDR

Pela primeira vez na história, os cientistas têm acesso a tecnologias de imagem que podem investigar o funcionamento do cérebro humano com altos níveis de detalhe. Com as novas técnicas avançadas de varredura, como as varreduras por imagem SPECT e a fMRI (ressonância magnética funcional), temos uma compreensão mais profunda de nosso computador interno do que jamais imaginamos ser possível. E são esses tipos de tecnologia que nos dão uma visão direta de como a terapia EMDR muda o cérebro humano e pode fazê-lo funcionar com mais eficiência.
Dê uma olhada nas imagens abaixo. Olhe a imagem esquerda. Veja a cor vermelha espalhada pelo cérebro. Essas são as áreas que não estão funcionando como deveriam, na verdade, estão funcionando demais! Agora confira a imagem no lado direito. Esta imagem foi tirada depois que a pessoa passou por uma série de sessões de EMDR. Observe como a área afetada diminuiu substancialmente ao ponto de quase desaparecer completamente – é assim que um cérebro deve funcionar.
Agora vamos ver um segundo conjunto de imagens.
Aqui você pode ver uma varredura do cérebro de dois ângulos diferentes e em uma pessoa diferente. A área vermelha mostra excesso de atividade doentia no cérebro. Agora observe as duas imagens à direita tiradas após a terapia EMDR. O vermelho quase desapareceu e o cérebro está funcionando de maneira normal e eficiente.
Usando o EMDR para mudar o cérebro, as pessoas podem transformar pensamentos prejudiciais e autodestrutivos em crenças e comportamentos saudáveis ​​e positivos que melhorarão suas vidas. Esta informação sobre como o EMDR pode transformar uma pessoa tem como base dezenas de estudos científicos. 

O EMDR está sendo usado para tratar coisas como depressão, medo e ansiedade, baixa auto-estima, vício, dor e perda, e também trauma e TEPT. Como um dos tratamentos psicoterapêuticos mais pesquisados, o EMDR foi estudado entre muitos grupos de pacientes, incluindo veteranos militares e vítimas de agressão sexual. Em alguns estudos, mais de 70% dos indivíduos não demonstraram mais seus sintomas após apenas três sessões de EMDR

Em um estudo com pessoas deprimidas, a terapia com EMDR foi mais eficaz que o Prozac para tratamento de longo prazo. Estudos clínicos mostraram que o EMDR ajuda os pacientes a curar ou alterar comportamentos problemáticos em uma fração do tempo exigido por outras formas de terapia. A Clínica Menninger, em Houston, no Texas, controlou o estudo da dessensibilização e reprocessamento dos movimentos oculares (EMDR) e concluiu que “três sessões de 90 minutos de EMDR eliminaram o transtorno de estresse pós-traumático em 90% das vítimas de estupro”.

Um segundo estudo publicado pelo Journal of Traumatic Stress descobriu que, após apenas 12 sessões de terapia EMDR, os sintomas foram eliminados em 77,7% dos veteranos de combate estudados. Descobriu-se também que, mesmo com o passar do tempo, os veteranos permaneceram bem e não voltaram aos sintomas e os efeitos foram mantidos no acompanhamento. “Isso significa que os veteranos que foram estudados não só melhoraram com o EMDR, mas também mantiveram seu estado de bem-estar a uma taxa de 100% após a conclusão do estudo. 

A Dra. Francine Shapiro, fundadora da Terapia EMDR como um tratamento de saúde mental, disse que, de alguma forma, o EMDR parece interromper a memória de trabalho. Isso significa que depois de passar pelo processo de Terapia EMDR, as pessoas perceberão suas memórias negativas, sentimentos e até mesmo suas compulsões comportamentais, como o vício de forma diferente. “Cerca de uma dúzia de estudos usando imagens cerebrais observaram mudanças neurofisiológicas significativas na terapia pré-pós EMDR, incluindo um aumento no volume do hipocampo”, disse Shapiro.
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A LINGUAGEM DO AMOR

Casais com bom relacionamento costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente.

Casais apaixonados ou que mantêm um relacionamento de longo prazo não raro se atribuem apelidos carinhosos ou mudam o tom de voz quando falam um com o outro. Segundo pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, a identidade afetiva por meio das palavras não para por aí. Um estudo conduzido pelo psicólogo James Pennebaker mostra que pares “bem-sucedidos” ou com mais chances de sê-lo costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente. Usados em vários contextos, esses termos são, em geral, processados de forma rápida e inconsciente.

Para chegar a essa conclusão, o psicólogo reuniu 80 homens e mulheres e solicitou que cada um conversasse com alguém do sexo oposto por alguns minutos. Em seguida, questionou-os sobre a possibilidade de saírem juntos. Curiosamente, os pares que usaram tipos similares de palavras funcionais se mostraram mais inclinados a marcar outro encontro – mesmo aqueles que declararam não ter muitos pontos em comum.

Em outro estudo, Pennebaker analisou o conteúdo de mensagens de celular enviadas por 86 casais e perguntou aos voluntários quão felizes eles se sentiam com o compromisso assumido. Três meses depois, o pesquisador verificou se os pares ainda estavam juntos. Ele observou que os pares estáveis eram os que trocavam torpedos com mais palavras funcionais em comum. O curioso é que isso se aplicou também a quem declarou estar insatisfeito com o companheiro, na primeira fase da pesquisa.

Agora os pesquisadores querem entender se o vocabulário em comum provoca atração ou se na verdade as pessoas adaptam sua forma de falar, ficando parecidas com o outro. Os dois processos são possíveis, mas Pennebaker acredita que o último seja mais provável: “A linguagem prediz o sucesso dos relacionamentos porque reflete a forma como os casais ouvem um ao outro e se entendem”, reforça o psicólogo.
Universidade do Texas, Austin.

COMO NOS DESAPAIXONAMOS?

Fomos um breve conto que lerei mil vezes.
Bob Marley

Todos nós sabemos o que é o amor, as etapas pelas quais ele passa e o que é preciso fazer para mantê-lo vivo. Mas… o que acontece com a fase do “desapaixonamento”?

Sim, isso também acontece. Nós nos apaixonamos, mas também nos desapaixonamos. A questão é por que e como isso acontece. Podemos evitar? Sempre vamos nos desapaixonar com o tempo?

Atração física e mental 
Quando nos apaixonamos por alguém nos sentimos atraídos por essa pessoa. Então por que, de repente, deixamos de nos sentir atraídos? Será que nos “cansamos” do nosso parceiro?

A atração é um dos primeiros estágios da paixão que diminui com o tempo. O nervosismo que sentíamos quando recebíamos uma ligação, por exemplo, ficou para trás, quando a pessoa nos convidava para sair ou quando queria fazer uma surpresa, também… Onde foi parar isso? Nosso corpo mudou. Já não somos os mesmos. A rotina começou a fazer efeito.

O poder do costume 
Algo de que não gostamos porque não nos trás nada de bom: tédio e monotonia. Antes tudo era novidade e agora é tudo igual.  Onde está aquilo que antes nos surpreendia? Os planos feitos juntos se perderam… já não há espontaneidade.

A falta de contato físico é fruto do costume, da rotina… começamos a reprimir demonstrações de afeto em público e as palavras carinhosas somem do nosso vocabulário. Existe uma rotina e isso “nos acomoda”, mas com o tempo, isso trás consequências. Começamos a cansar do nosso parceiro e, muito importante, a ver defeios onde antes não víamos.

Críticas destrutivas
Por que no começo tudo era perfeito e agora não é mais? Como, de repente, todos esses defeitos resolveram aparecer? Éramos cegos? Essa também é uma das fases do amor, quando vemos as qualidades exaltadas. Nós as aumentamos no início, mas quando conseguimos vê-las tal e como são, já não nos agradam.

Começamos a nos cansar daqueles comportamentos que antes tolerávamos e já não nos importamos em dizer tudo o que pensamos ao nosso parceiro, sem pensar se o estamos machucando ou não. Antes tentávamos ser mais empáticos, mais compreensivos… e de repente nos transformamos em escravos de queixas, de chateações e, até mesmo, de discussões.

Falta de comunicação 
Muito importante em qualquer relação: a comunicação. Ela nunca pode faltar, caso contrário a relação estará perdida.

É preciso interagir com o parceiro. Mas, atenção! Estamos falando de conversar, não de discutir. Trocar desejos, emoções e confiar um no outro. Tudo isso também é perdido quando acaba a atração e quando começamos a ver defeitos. Já não reconhecemos nosso parceiro… muitas vezes vemos um desconhecido.

A linha tênue da afeição 
Certamente, você já ouviu essa frase “Já não te amo, mas tenho muito carinho por você”. Todo o anterior desemboca nesse ponto. É aqui onde está perfeitamente a linha que divide o amor da afeição.

Apesar de nos desapaixonarmos, sentimos carinho por aquela pessoa com a qual compartilhamos parte da nossa vida. Foram bons e maus momentos, e vivemos todos eles. Foi uma parte importante de nossas vidas e não pensamos nela como algo negativo. Mas… o amor acabou..

Como mencionávamos anteriormente, a força da rotina e do passar dos anos provoca o desencanto, a falta de comunicação… tudo isso faz com que o amor se transforme em mera afeição.

E agora vem a grande pergunta: pode-se evitar o desamor? Depende. Nem todos os casais conseguem preservar o amor ao longo do tempo, por isso muitos acham que o amor tem data de validade. Talvez a afinidade que exista e o tipo de personalidade do seu parceiro influencie o tempo de duração do amor. O bom humor, o positivismo, fazer coisas juntos, se divertir… Isso costuma ajudar, mas depende como como sonos e de como nos sentimos.

Todo amor entre casais acaba se transformando em carinho? Você acredita que é possível evitar o desamor? Esperamos suas opiniões!

PESQUISAS: MÚSICA MELHORA A VIDA

Novas pesquisas explicam o poder dos sons sobre o que sentimos e os benefícios para o bem-estar físico e mental; entre seus efeitos estão o favorecimento da coesão social e de conexões empáticas entre os membros de um grupo.

Passei alguns dos momentos mais emocionantes de minha vida conectada à música. Na faculdade, meus olhos frequentemente se enchiam d’água durante os ensaios do coral duas vezes por semana. Eu me sentia relaxada e em paz, mas, ainda assim, excitada e alegre e, ocasionalmente, a emoção era tanta que sentia uma espécie de arrepio. E me sentia ligada aos meus companheiros de música de uma maneira que não acontecia com amigos que não cantavam comigo. Frequentemente, eu me questionava por que sons melodiosos desencadeavam tais sentimentos e sensações. Filósofos e biólogos têm feito essa mesma pergunta por séculos, considerando que os humanos são atraídos de forma universal para a música. Ela nos consola, anima, marca momentos especiais e favorece a criação de laços – mesmo não sendo necessária para a sobrevivência ou a reprodução.


Cientistas já concluíram que a influência da música pode ser um evento casual, que surge de sua capacidade de mobilizar sistemas do cérebro que foram constituídos com outros objetivos – como dar conta da linguagem, da emoção e do movimento. Em seu livro Como a mente funciona (Companhia das Letras, 1998), o psicólogo Steven Pinker, da Universidade Harvard, compara a música a uma “guloseima auditiva”, feita para “pinicar” áreas cerebrais envolvidas em funções importantes. Mas, como resultado desse acaso, os sons harmoniosos oferecem um novo sistema de comunicação, com base mais em percepções sutis que em significados. Pesquisas recentes mostram, por exemplo, que a música conduz certas emoções de forma consistente: o que sentimos ao ouvir algumas canções e melodias é bastante similar ao que todas as outras pessoas na mesma sala sentem.

Evidências também indicam que a música faz aflorar respostas previsíveis em pessoas de culturas diversas, com capacidades intelectuais e sensoriais variadas. Até mesmo recém-nascidos e adultos com cognição prejudicada apreciam a musicalidade. “A música parece ser a forma mais direta de comunicação emocional, uma parte importante da vida humana, como a linguagem e os gestos”, afirma o neurologista Oliver Sacks, da Universidade Colúmbia, autor de Alucinações musicais – Relatos sobre a música e o cérebro (Companhia das Letras, 2007) e Musicofilia (Relógio D’água, 2008). Tais comunicações fornecem um meio para as pessoas se conectar emocionalmente e, assim, reforçar os vínculos que são a base da formação das sociedades humanas – o que certamente favorece a sobrevivência. Ritmos podem facilitar interações sociais, como marchar ou dançar juntos, solidificando relações. Além disso, os tons nos afetam individualmente manipulando nosso humor e, até mesmo, a psicologia humana de forma mais efetiva do que palavras – para excitar, energizar, acalmar ou promover a boa forma física.

Gramática emocional
Desde a década de 50, muitos psicólogos tentaram explicar o poder da música, comparando a apreciação musical com a fala. Afinal, tanto para o entendimento da música quanto do discurso é necessária a capacidade de detectar sons, em seu nível mais primitivo. O córtex cerebral auditivo é reconhecido hoje como responsável pelo processamento dos elementos musicais mais básicos como a altura (frequência de uma nota) e volume; as áreas auditivas secundárias vizinhas digerem padrões musicais mais complexos, como harmonia e ritmo.
Além disso, tanto a música quanto a linguagem contêm uma gramática que as organiza em componentes menores, como palavras e acordes, frases feitas de prosódia (a linha melodiosa da fala), tensão e resolução. De fato, a música excita regiões cerebrais responsáveis pelo entendimento e pela produção da linguagem, incluindo a área de Broca e a de Wernicke, ambas localizadas no hemisfério esquerdo, na superfície do cérebro. (Embora a maioria das pessoas processe a linguagem principalmente no hemisfério esquerdo, mas codifique aspectos da musicalidade em regiões análogas no direito.) Sendo assim, a
sintaxe musical – a ordem de acordes numa frase, por exemplo – poderia levar ao aparecimento de mecanismos ligados à organização e ao entendimento da gramática.

Mas os tons recrutam outros sistemas cerebrais – principalmente os que governam as emoções como medo, alegria e tristeza. Por exemplo, danos à amígdala prejudicam a capacidade de sentir temor e tristeza em resposta à música. “Há uma grande possibilidade de que a música seja simplesmente um efeito colateral de sistemas que evoluíram por outros motivos”, diz o cientista auditivo Josh McDermott, da Universidade de Nova York. A ativação simultânea que a música causa em diversos circuitos neurais parece produzir efeitos notáveis. Em vez de facilitar um diálogo amplamente semântico, como faz a linguagem, a melodia media a comunicação emotiva. Quando um compositor escreve uma lamentação, ou pancadas com ritmo empolgante, revela não só seu estado emocional, mas faz com que os ouvintes sintam o mesmo. Diversas pesquisas indicam que a música conduz a emoção pretendida para aqueles que a escutam.

No final dos anos 90, a neurocientista Isabelle Peretz e seus colegas da Universidade de Montreal, no Canadá, descobriram que ouvintes do Ocidente concordam, universalmente, sobre o fato de uma música que usa elementos tônicos ocidentais ser alegre, triste, assustadora ou tranquilizante.
O conteúdo emocional da música pode ser culturalmente transparente. No ano passado, o neurocientista Tom Fritz, do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, em Lípsia, Alemanha, e seus colegas expuseram membros do grupo étnico Mafa, de Camarões, que nunca haviam ouvido música ocidental, a trechos de peças clássicas de piano. Os pesquisadores descobriram que os adultos que apreciaram essas obras identificavam-nas como animadas, melancólicas ou capazes de causar medo, da mesma maneira que os ocidentais fariam. Logo, a capacidade de uma música de transmitir determinada emoção particular não depende, necessariamente, de uma base cultural.

A língua musical também pode transcender barreiras de comunicação mais fundamentais. Em estudos conduzidos na última década, a psicóloga cognitiva Pam Heaton, da Universidade de Londres, no Reino Unido, tocou musicas para crianças autistas e não autistas, comparando aquelas com habilidades linguísticas semelhantes. Os pesquisadores que participavam da equipe coordenada por Heaton pediram às crianças para fazer associações entre música e emoções. Nos estudos iniciais, as crianças deveriam simplesmente escolher entre alegre e triste. Em estudos posteriores foi introduzida uma gama de emoções complexas, como triunfo, contentamento e raiva. Os cientistas descobriram então que a capacidade das crianças de identificar esses sentimentos independia de seu diagnóstico. Autistas ou não, com habilidades lingüísticas semelhantes, foram igualmente bem, indicando que a música pode conduzir consistentemente sentimentos, até mesmo em pessoas com a habilidade severamente comprometida para lidar com pistas socioemocionais, como expressões faciais, por exemplo.

Recentemente, em um experimento bastante interessante, o pesquisador Roberto Bresin e seus colegas, do Instituto Real de Tecnologia, em Estocolmo, na Suécia, confirmaram a ideia de que a música é uma linguagem universal. Em vez de pedir aos voluntários para fazer julgamentos subjetivos sobre uma canção, solicitaram que manipulassem a música – em particular seu tempo, volume e frases – para enfatizar uma dada emoção. Para as peças alegres, por exemplo, o participante deveria ajustar a escala, de forma que soasse o mais feliz possível; depois, o mais triste, assustadora, tranquilizadora e por fim, neutra. Os cientistas descobriram que todos os voluntários – especialistas em música e, em outro estudo similar, crianças de 7 anos – alteravam da mesma forma o tempo, para arrancar de cada música a emoção pretendida. Essa descoberta, que Bresin apresentou em 2008 na III Conferência de Neuromúsica em Montreal, no Canadá, dá a ideia de que a música contém informações que deflagram resposta emocional específica no cérebro, independentemente da personalidade, gosto ou treinamento. Ou seja: a música pode de fato constituir uma forma única de comunicação.
A capacidade que a música tem de conduzir sentimentos pode ser a base de um dos seus maiores benefícios. Na maioria das culturas, cantar, tocar, dançar e acompanhar as apresentações é quase sempre um evento comunitário. Mesmo em sociedades ocidentais que, de maneira única, diferenciam os músicos dos ouvintes, as pessoas entoam hinos em rituais religiosos, dançam em festas e boates, embalam os filhos ao som de cantigas de ninar, participam de corais e desde cedo as crianças aprendem a cantarolar Parabéns a você nos aniversários. A popularidade de tais rituais sugere que a música confere coesão social, talvez por criar conexões empáticas entre os membros de um grupo.

Estudos mostram também que quando as pessoas ouvem música, as regiões motoras do cérebro se ativam – provavelmente com o propósito de processar o ritmo. Esse processo inclui regiões pré-motoras, que preparam uma pessoa para a ação, e o cerebelo, que coordena o movimento físico. Alguns pesquisadores acreditam que parte do poder musical é resultado de sua tendência a sincronizar e ecoar nossas ações. “Com os equipamentos disponíveis hoje já é possível enxergar como ritmo e ação ressoam no sistema nervoso; todo som é produzido por movimento, quando você ouve qualquer som algo está sendo movido”, diz o neuropsicólogo Robert Zatorre, da Universidade McGill. De fato, há um passo muito pequeno entre o andar, o respirar e as batidas do coração – sons ritmados naturais, não intrinsecamente musicais – e manter propositalmente um intervalo ou caminhar na mesma velocidade que outra pessoa. “Quando escutamos um padrão, inconscientemente organizamos os músculos para reproduzi-lo. Dessa maneira, o ritmo também pode funcionar como uma ‘cola social’ que favorece a ligação física”, afirma Zatorre.

O som da cura
A ideia de que a música pode promover uma união não verbal ganhou apoio adicional de um estudo de 2008, feito pelos neurocientistas Nikolaus Steinbeis, do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, e Stefan Koelsch, da Universidade de Sussex, na Inglaterra. Eles usaram ressonância magnética funcional para mostrar que determinada área do cérebro respondia a acordes, mas não a palavras, em um teste no qual os voluntários escutavam ambos. A região responsiva era o sulco temporal superior: uma parte da superfície cerebral, perto dos ouvidos, que responde a pistas sociais não verbais – como movimentos corporais e olhares. A ativação dessa região indica que a música pode ajudar a forjar laços sociais. Qualquer que seja sua origem, tal coesão é extremamente valiosa para animais comunitários, como nós, e por isso traços que aumentam tal unidade tendem a persistir ao longo das gerações.

A base de nossas impressões conscientes a respeito de um tom são os efeitos fisiológicos. Estudos mostram que a música alegre, tensa ou empolgante pode excitar fisicamente o ouvinte, desencadeando resposta de luta e fuga: as taxas cardíacas e respiratórias aumentam, a pessoa pode suar e a adrenalina penetra na corrente sanguínea. Esse efeito explica por que tantas pessoas gostam de ouvir rock ou hip-hop enquanto fazem ginástica – a música instiga respostas do sistema fisiológico para a execução de movimentos de alta energia. O efeito psicológico também é importante: a distração torna o exercício mais divertido. De forma geral, melodias energizantes tendem a melhorar o humor, nos deixando mais despertos quando estamos cansados e criando sensação de empolgação.

Em ritmo de malhação: batidas fortes ativam sistemas cerebrais e preparam o corpo para executar movimentos que exigem grande desgaste de energia Por outro lado, a música pode acalmar, reduzindo os níveis do hormônio do estresse, o cortisol, na corrente sanguínea, baixando as taxas cardíacas e respiratórias e aliviando a dor. Um exemplo clássico de redução de ansiedade: uma mãe acalentando seu bebê com uma canção. Estudos clínicos também revelam que a música é uma poderosa ferramenta para relaxar os pacientes que sofrerão uma cirurgia, ajuda a controlar a dores e a amenizar a agitação de crianças e pessoas com demência. Em 2000, a enfermeira Linda A. Gerdner, pesquisadora de temas ligados a gerontologia na Universidade do Arkansas para Ciências Médicas, apresentou a 39 pacientes severamente atingidos pelo Alzheimer a música de que gostavam, duas vezes por semana, durante um mês e meio. A canção favorita reduziu os níveis de agitação dos pacientes durante e após a sessão muito mais que as clássicas músicas de relaxamento. Neurocientistas também constataram que ouvir uma música muito apreciada pode reduzir a dor – e esse efeito analgésico persiste por algum tempo quando a música para. E, claro, intuitivamente, as pessoas se automedicam com música o tempo todo. É comum que as pessoas as usem com o propósito de melhorar ou alterar o estado emocional. Cientistas se perguntam se, dada a indiscutível atração humana pela música, seu processamento poderia ter uma raiz única no cérebro, além da “carona” que pega em outros sistemas. A literatura médica registra diversos danos que prejudicaram a capacidade de uma pessoa sentir emoções inspiradas pela música, mas não por outros estímulos. Lawrence Freedman, um amigo de Sacks, por exemplo, perdeu sua paixão por música clássica depois de uma concussão em um acidente de bicicleta. Freedman ainda podia reconhecer os clássicos que costumava adorar e ainda se sentia emocionado por artes visuais e outras experiências, mas a música já não lhe dava prazer algum. Possivelmente, o acidente danificou uma parte do cérebro dedicada especificamente ao entusiasmo por essas formas de expressão, embora ninguém saiba exatamente que área cerebral é essa.

Outros pesquisadores discutem que a música tem origens independentes porque a capacidade de apreciá-la parece já estar definida no nascimento. Vários estudos mostram que muitos bebês prestam rapidamente atenção a canções e parecem preferi-las à fala. Em trabalhos publicados em julho de 2008 na Nature Precedings, as neurocientistas Maria Cristina Saccuman e Daniela Perani, da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, mostraram que a música ativa regiões no cérebro de recém-nascidos de forma semelhante ao que acontece com ouvintes de outras idades. Elas usaram ressonância magnética funcional (RMf) para ver como o cérebro de crianças com 3 dias de vida respondia a música clássica e encontraram um padrão que espelhava o processamento em adultos: o sistema auditivo do hemisfério direito dos pequenos respondia mais fortemente que o esquerdo. Os pesquisadores também alteraram a música, cortando uma parte da peça e pulando para outra nota ou tocando todo o segmento só com batidas. As passagens mais estridentes ativavam o córtex inferior frontal esquerdo dos recém-nascidos, uma área implicada no processamento da sintaxe musical em adultos, e o sistema límbico, responsável pelas respostas emocionais –assim como ocorre nas pessoas mais velhas, o que levou a uma conclusão: o cérebro parece nascer pronto para processar música.
Acredita-se que essa prontidão inata esteja ligada à forma melódica peculiar que adultos usam para falar com bebês. A adoção universal desse recurso levou alguns especialistas a especular que esse pode constituir um momento inicial original tanto para música quanto para linguagem. Especialistas como o arqueólogo cognitivo Steven Mithen, da Universidade de Reading, na Inglaterra, teorizam que a linguagem e a música evoluíram a partir de uma protolinguagem musical usada por nossos ancestrais. Estruturas de cordas vocais de neandertais e outros hominídeos extintos sugerem que eles poderiam cantar. E eles certamente tocavam instrumentos, pois pesquisadores recuperaram flautas pré-históricas feitas de ossos. Talvez nunca saibamos por que a música existe. Ainda assim podemos usá-la para nos animar ou acalmar, amenizar dores e ansiedade ou formar vínculos. Como escreveu Sacks, talvez a música seja o que temos mais próximo da telepatia.
KAREN SCHROCK
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CÉREBRO ESTÁ SEMPRE EM CONSTANTE FAXINA

Pesquisa identifica o sistema que limpa as toxinas circulantes na cabeça. Descoberta pode ser importante na identificação de tratamento para pacientes com Alzheimer.

Ainda sem cura nem tratamento específico, o mal de Alzheimer começa a ser desvendado pela medicina. Nos últimos anos, pesquisas indicaram que a doença neurodegenerativa está associada ao acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, mas ainda não se encontrou uma forma de varrê-la do órgão. Um estudo publicado na edição de ontem da revista Science Translational Medicine poderá ajudar a fazer essa faxina. Cientistas da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, desvendaram o mecanismo de limpeza do cérebro, até agora pouco conhecido. Eles descobriram também que uma falha no sistema aumenta o risco de acúmulo dos peptídeos que, no Alzheimer, entoxicam e matam os neurônios.

O organismo está em trabalho constante, com moléculas sendo sintetizadas, células nascendo e morrendo, linfócitos combatendo vírus e bactérias, e hemácias realizando trocas gasosas. Tudo isso deixa resíduos, que precisam ser destruídos para o bom funcionamento do corpo. Quem faz esse papel é o sistema linfático, uma complexa rede de estruturas que circulam pelos órgãos, levando nutrientes e, de volta, filtrando substâncias nocivas para que não entrem na corrente sanguínea.

O sistema linfático, porém, não chega até o cérebro. Lá, quem faz a faxina é o líquido celaforraquidiano (LCR), um fluido que protege o órgão contra infecções e traumas físicos, como uma forte pancada na cabeça. Já se sabe que o LCR também faz a limpeza de toxinas e metabólitos que circulam entre as paredes cerebrais, mas os padrões de funcionamento do sistema ainda não tinham sido verificados em detalhe. “Para isso, precisamos observar o cérebro de um organismo vivo em atividade. Não é possível estudar esse padrão em tecidos post mortem”, explica a neurocientista Maiken Nedergaard, coautora do estudo.

Como a estrutura cerebral dos ratos é muito parecida à dos humanos, esse foi o modelo escolhido pelos pesquisadores, que injetaram substâncias fluorescentes nos animais para conseguir visualizar o caminho percorrido pelo LCR, um líquido incolor, semelhante à água. Uma tecnologia avançada de imagem foi empregada para escanear o que acontecia dentro do cérebro dos ratos. Ampliadas no microscópio, as fotos mostraram, em detalhe, o fluxo de um sistema que os cientistas batizaram de glinfático, porque se assemelha ao padrão do sistema linfático, mas depende fundamentalmente de células cerebrais chamadas gliais.

Essas estruturas não costumam chamar muita atenção dos cientistas, diz David J. Begley, pesquisador do Instituto de Ciências Farmacêuticas do King’s College de Londres. “Por muitos anos, os neurocientistas naturalmente se focaram nas estruturas e nas funções dos neurônios porque essas células são responsáveis pela atividade elétrica e integrativa do cérebro”, diz o especialista, que não participou do estudo, mas conhece a pesquisa da Universidade de Rochester. “O sistema nervoso, porém, é composto por outros tipos de células, como as gliais. No trabalho de Nedergaard, é descrito um padrão glialvascular que limpa substâncias que circulam no espaço extracelular do cérebro, incluindo a proteína beta-amiloide”, esclarece.

Células organizadas Os pesquisadores observaram que, ao percorrer a rede vascular que irriga o cérebro, o líquido celaforraquidiano faz a limpeza dos tecidos com a ajuda de aquaporinas, poros existentes na membrana das células gliais. Muito bem organizadas, essas células formam um verdadeiro sistema de tubulação, se prolongando por todas as artérias e capilares existentes dentro do órgão. Elas atuam “empurrando” o LCR pelos canais cerebrais e, enquanto circula, o líquido recolhe e drena a sujeira produzida dentro do cérebro.

As proteínas beta-amiloides acumulam-se nos espaços vazios que se formam entre os vasos sanguíneos. Esse caminho é percorrido normalmente pelo LCR, evitando que elas se acumulem”, diz o neurocirurgião Jeffrey J. Iliff, coautor do estudo. “Por motivos ainda não completamente esclarecidos, o fluxo do LCR pode ser interrompido. Se não conseguir passar pelo espaço onde ficam as proteínas, o líquido não consegue fazer a limpeza, e o resultado é o acúmulo das placas beta-amiloides, algo observado no tecido cerebral de pacientes com Alzheimer”, conta. “Caso seja possível consertar esse erro, teremos uma terapia em potencial para exterminar esses peptídeos.”

Segundo Maiken Nedergaard, além do Alzheimer, a descoberta do padrão de limpeza de resíduos no cérebro pode ser importante na identificação de tratamentos para outras doenças neurodegenerativas, como Parkinson, e de males causados por traumatismos. “Agora, temos uma visão muito mais ampla de um sistema que conhecíamos muito pouco. Vamos avançar nas pesquisas, com o aperfeiçoamento da metodologia e o desenvolvimento de técnicas menos invasivas. Assim, será possível testar se o padrão do sistema glinfático em humanos corresponde ao que encontramos no modelo animal”, diz.

Emaranhados
Além da presença de placas beta-amiloides no cérebro, o Alzheimer é caracterizado por emaranhados neurofibrilares, formados por uma proteína chamada tau. Em pessoas saudáveis, ela ajuda a estabilizar estruturas cilíndricas que transportam nutrientes e outras substâncias de uma célula para a outra. Mas um distúrbio faz com que os cilindros se quebrem, resultando em danos nos neurônios.
Paloma Oliveto‏
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