APRENDA FAZENDO COM QUEM FAZ.

APRENDA FAZENDO COM QUEM FAZ.
TODA FORMA DE ESCRITA É TERAPÊUTICA. AULAS ESPECIAIS ONLINE P/ REDAÇÃO PUBLICITÁRIA.
Mostrando postagens com marcador Natasha Romanzoti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Natasha Romanzoti. Mostrar todas as postagens

COMO AS CORES GANHARAM SEU SIGNIFICADO SIMBÓLICO

As cores são cheias de valor simbólico, ao começar com as roupas de bebês – azuis para meninos, rosas para meninas, amarelas quando não se sabe o sexo.

Mesmo no mundo moderno, onde crenças supersticiosas em grande parte desapareceram na luz dos conhecimentos científicos, muitas cores mantiveram associações antigas. A maioria das pessoas sabe que as noivas devem usar branco, que “ver vermelho” significa estar com raiva, e que se pode sentir “verde de inveja”. Mas a aprendizagem dessas conotações requer um olhar para trás, para as crenças e práticas dos antigos. Confira:

1 – VERMELHO: PAIXÃO
O vermelho tem uma gama de significados simbólicos, incluindo vida, saúde, vigor, guerra, coragem, raiva, amor e fervor religioso. O traço comum é que todos estes sentimentos requerem paixão, e a “força vital” que impulsiona paixão – sangue – é vermelha.
Quando as pessoas ficam com raiva, seus rostos ficam avermelhados. Quando estão felizes e saudáveis, as bochechas ficam rosadas (enquanto que quando estão doentes ou morrendo, têm uma palidez mortal, carente em vermelho). Quando os homens lutam, sangue é derramado. Em todos os casos, o sangue vermelho manifesta-se em conexão com paixão.

As cores eram tão poderosas em culturas tradicionais que os antigos acreditavam que objetos vermelhos transmitiam saúde através de sua cor. Por exemplo, pedras mais vermelhas, como granadas e rubis, transmitiam saúde e preveniam doenças. Em Roma, as crianças usavam coral vermelho como um talismã para protegê-las de doenças, e na China, por razões semelhantes, as crianças sempre usavam uma peça de roupa vermelha.

2 – BRANCO: PUREZA
Em uma ampla gama de culturas, a cor branca simboliza a pureza e a inocência, e vestes brancas são usadas para transmitir pureza espiritual e/ou sexual (como usar branco quando dentro de um centro espírita, ou casar de branco).

Não é de se estranhar que o branco tornou-se associado à pureza culturalmente, já que mesmo a menor gota de corante, ou uma mancha de sujeira, destrói a cor.

3 – PRETO: MISTÉRIO/MORTE
Muitas culturas antigas acreditavam que o preto era “a cor do mistério e dos caminhos misteriosos e sabedoria de Deus”, disse a historiadora Ellen Conroy. Isso porque a noite, assim como a escuridão (a ausência de luz) transcende a percepção humana da mesma forma que a sabedoria de Deus está/estava além da compreensão.

De todos os mistérios, a morte é o maior. Os povos antigos estavam completamente “no escuro” sobre o que aconteceria a eles após a morte, e assim ela foi representada pela cor preta em muitas culturas. Houve a coincidência de que a morte é semelhante com o sono, que acontece na escuridão da noite, quando as pálpebras fechadas bloqueiam toda a luz.

4 – ROXO: REALEZA
A cor púrpura simboliza a nobreza da realeza e do imperialismo. Em muitas sociedades europeias, o simbolismo foi estabelecido por lei: da Roma antiga a Inglaterra elisabetana, “leis suntuárias” proibiam qualquer um, exceto os membros próximos da família real, a usar a cor.

O status de elite do roxo decorre da raridade e custo do corante usado originalmente para produzi-lo. Comerciantes de tecidos obtinham a “púrpura de Tiro”, como o corante era chamado, a partir de um pequeno molusco encontrado apenas em uma região do mar Mediterrâneo perto de Tiro, uma cidade de comércio fenício localizado no que hoje é o Líbano.

Mais de 9.000 moluscos eram necessários para criar apenas um grama de púrpura de Tiro, e como só os governantes ricos podiam se dar ao luxo de comprar e usar tecidos tingidos com a cor, ela ficou associada às classes imperiais de Roma, Egito e Pérsia.

Outra consequência disso é que o roxo também veio a representar a espiritualidade e a santidade, porque os antigos imperadores, reis e rainhas que usavam a cor muitas vezes eram considerados deuses ou descendentes dos deuses.

5 – AZUL: VERDADE/TRISTEZA
De acordo com a historiadora Conroy, a associação primária da cor azul na maioria da história é com a verdade. Isso aconteceu porque o azul é a cor de um céu calmo e límpido, e é a reflexão calma que leva à verdade.

Hoje, porém, o azul transmite principalmente tristeza e desespero. O termo “blues” significa isso em inglês, estar triste.

A conotação pode estar relacionada com lágrimas e chuva (e seus efeitos depressivos), já que a água é geralmente representada na mente das pessoas como azul. Na mitologia grega, Zeus fazia chover quando estava triste.

6 – VERDE: NATUREZA/SABEDORIA
Por razões óbvias, como a grama e as florestas, a cor verde representa a natureza e o meio ambiente. Mais abstratamente, simboliza sabedoria. A última associação tem raízes antigas.

De acordo com Conroy, os egípcios acreditavam que um deus chamado Thoth levava as almas dos mortos para a “colina verde da vida eterna e da sabedoria eterna”. Mais tarde, os romanos basearam seu deus Mercúrio em Thoth, e o planeta Mercúrio por sua vez foi baseado no último deus.
Por esta razão, na astrologia, “verde é às vezes a cor do planeta Mercúrio, que é o planeta que rege a mente e confere conhecimento – o conhecimento não só do tipo essencial para o sucesso material, mas também o conhecimento de inspiração e sabedoria celestial”, diz Conroy.

Mais tarde, os cristãos muitas vezes ligaram Mercúrio ao Arcanjo Miguel da mitologia romana. É por isso que as representações tradicionais de Miguel mostram-lhe conduzindo as almas dos que partiram para a “verde colina de Sião”.

Além de sua associação com sabedoria, há um lado negativo do verde. “O verde em seu sentido degradado nos dá ‘o monstro do ciúme de olhos verdes’, que é o oposto da sabedoria celestial, já que a inveja é sempre devida à intrusão dos desejos do eu, enquanto a sabedoria celestial deseja dar ao invés de receber”, explica Conroy.

Também, a cor verde é frequentemente vista como presságio de morte. Esta ideia pode ser uma sobrevivência do antigo culto de Mercúrio, e até mesmo de São Miguel nos tempos cristãos, ambos mensageiros da morte.

7 – AMARELO: FELICIDADE/COVARDIA
Não é de se surpreender que amarelo simbolize a felicidade e o calor na maioria das culturas, que são características do sol amarelo e seus efeitos.

Em culturas antigas, onde um deus ou deuses eram associados com o sol, como no Egito e na China, o amarelo era a maior e mais nobre das cores, e, portanto, a cor de figuras religiosas e membros da família real (que se pensavam serem descendentes dos deuses ).

Conroy explica que todas as cores têm um significado degradado que tradicionalmente opõe o positivo. Junto com o calor e felicidade, então, o amarelo também representa covardia e engano. “Reconhecemos o Judas traidor muitas vezes em imagens antigas pelo fato de que ele é registrado como usando túnicas amarelas”, conta.

8 – LARANJA: ALERTA
Os historiadores afirmam que a cor laranja não era considerada por antigas civilizações ocidentais como uma cor primária. Dependendo do tom, a cor caía tanto no vermelho quanto no amarelo. Por esta razão, laranja não é imbuído de um próprio forte significado simbólico.

Na história recente, no entanto, a cor laranja veio a denotar “aviso”, e é usada para vestuários de alta visibilidade (como trajes espaciais) e equipamentos de segurança (tais como cones e trabalhadores de tráfego). Esta associação é prática: a cor laranja contrasta mais fortemente com a cor azul e, portanto, é altamente visível contra um céu claro.
Por Natasha Romanzoti [Life'sLittleMysteries]
_________________________________________________________________________________________________




Contos e Crônicas
https://amzn.to/2oP20S4

_____________________________________________________________

AFINAL, OS ANIMAIS SÃO OU NÃO CAPAZES DE PENSAR?

Imagine um animal em situação de perigo. Antes de se aproximar do objeto ameaçador, ele apenas observa de longe seus movimentos. Depois, vencido pela curiosidade, se aproxima, não sem saltar para trás em apreensão – e precaução. Quando considera que não há perigo, ganha confiança e volta a agir normalmente.

Esse comportamento certamente parece inteligente. Os humanos poderiam muito bem se comportar de forma similar quando se deparassem com algo estranho e potencialmente perigoso. Mas o que realmente acontece com os animais: um processo de pensamento deliberado ou mero instinto animal?

A questão é antiga. Aristóteles e René Descartes acreditavam que o comportamento animal era governado puramente por reflexos. Já Charles Darwin e o psicólogo William James argumentaram que os animais deveriam ter uma vida mental complicada.

Agora, estamos mais perto do que nunca de resolver esse debate. Uma grande quantidade de relatos de comportamentos animais está fazendo muitos biólogos acreditarem que certas criaturas realmente têm pensamentos rudimentares.

Enquanto isso, as últimas imagens cerebrais de experimentos estão ajudando os cientistas a compreender que tipo de anatomia é necessária para um cérebro pensante.
Embora seja improvável que as vidas mentais dos animais sejam tão complexas quanto a nossa, há muito mais acontecendo em suas cabeças do que se pode imaginar.

Na década de 1970, o zoólogo americano Donald Griffin começou a esquentar esse debate. Ele foi uma das primeiras pessoas a descobrir a “ecolocalização” dos morcegos, e comportamentos tais como a capacidade dos castores de cortar pedaços de madeira para encaixar precisamente nos furos particulares de suas barragens, bem como a capacidade dos macacos de usar suas vozes (chamadas diferentes) para enganar os outros – tudo sugeria que os animais podiam pensar.

Os céticos achavam que isso era muito subjetivo. As observações de Donald perderam credibilidade por ele achar que todos os animais eram conscientes – ele queria provar que, cada vez que qualquer animal fazia qualquer coisa com qualquer ingenuidade, tão primitivo quanto um vaga-lume brilhando no escuro, ele estava consciente.

Hoje, no entanto, apesar do valor do trabalho de Donald, a pesquisa está mais objetiva e sistemática. Mais popular é a ideia de que as experiências mentais de outros animais se encontram em uma espécie de espectro, variando de um tipo primitivo de consciência ao fluxo rico e complexo de pensamentos da mente humana.

A mosca da fruta é o animal perfeito para explorar uma das extremidades desse espectro. Ao longo dos últimos anos, cientistas mostraram que esses insetos têm um pré-requisito essencial para a consciência: ao invés de responder aleatoriamente a tudo à sua volta, eles podem selecionar em que prestam atenção com base em suas memórias.

Por exemplo, as moscas são mais propensas a explorar novos objetos adicionados ao ambiente do que coisas que estiveram lá por um tempo. Quando os pesquisadores reduziram a capacidade da mosca da fruta de formar memórias, isso prejudicou sua capacidade de atender a novidade, de modo que os insetos responderam mais ao acaso.

Atenção flexível existe, provavelmente, até no mais simples cérebro, o que significa que muitas criaturas, incluindo peixes, anfíbios e répteis, também pode ter esse tipo de consciência. Sendo assim, quais animais, se houver algum, mostram sinais mais avançados de experiência mental?

Os melhores indícios até agora são de animais que exibem formas particularmente complexas de comportamento, como a capacidade de planejar o futuro.

Até recentemente, os cientistas acreditavam que essa característica era unicamente humana. No final de 1990, pesquisadores descobriram que o pássaro gaio-azul pode usar memórias específicas de acontecimentos do passado para fazer planos para os tempos à frente.

Em 2006, pesquisadores descobriram que essa capacidade se estendia aos beija-flores. Eles podem se lembrar da localização de certas flores e quão recentemente estiveram em um local, e usar essas informações para orientar seu comportamento futuro.

Desde então, os estudos sugerem que primatas, ratos e polvos mostram alguma aptidão para o planejamento futuro, também.

O problema é se esse comportamento é flexível. Se não, o ato pode ser apenas um instinto evoluído, por mais complexo que pareça ser. Por exemplo, corvos conseguem usar uma ferramenta “antiga” para um novo uso (um galho para verificar objetos potencialmente perigosos foi usado mais tarde para pegar comida dentro de um tubo).

Corvídeos podem até ser capazes de adivinhar o comportamento de outra ave. Por exemplo, experiências constataram que os corvos tomam medidas para proteger alimentos de outros corvos que poderiam tê-los visto escondendo-os, mas ficam despreocupados com corvos presos atrás de um obstáculo que teriam bloqueado a sua visão (e assim não teriam visto onde eles esconderam a comida). Em outras palavras, eles têm uma “teoria da mente” básica, que não é possível sem algum tipo de processo de pensamento.

Algumas outras criaturas também devem ter essa capacidade; não surpreendentemente os primatas estão entre essa elite. Se os chimpanzés roubam comida, por exemplo, são extremamente silenciosos se outro membro do grupo estiver ao alcance de sua voz. Mais impressionante ainda, eles parecem ser capazes de adivinhar como outro pode ter agido no passado.

Durante uma caça à comida, os chimpanzés tentam adivinhar onde seus concorrentes poderiam ter procurado primeiro, para que eles possam procurar em locais menos óbvios. Baleias, ursos e cães ainda não provaram suas habilidades neste tipo de tarefa, mas não deixam de mostrar alguns sinais de empatia que sugerem que eles também devem ter uma vida mental relativamente avançada.

No entanto, ainda falta uma característica importante do pensamento humano nos animais, chamada de “metacognição”: a habilidade de monitorar e controlar memórias e percepções, permitindo-nos pensar, por exemplo, “eu sei que eu sei isso” ou “eu não tenho certeza de que estou certo”, ou ainda sentir que o nome de alguém está na ponta de sua língua.

A importância disso para o pensamento humano é comparável ao uso da linguagem e das ferramentas. Evidência de metacognição em outros animais, portanto, seria uma grande prova da existência da mente animal.

Alguns cientistas começaram a explorar o assunto no início de 2000. Por exemplo, em um experimento, um grupo de macacos observou uma imagem e, depois de um tempo, tiveram que tentar selecionar a imagem de um grupo de quatro. Para quem acertasse, o prêmio era um amendoim.

Em um fluxo de experiências, no entanto, os macacos poderiam perder a chance de ganhar o amendoim, em troca de um prêmio garantido – um alimento processado de macaco menos desejável. Os cientistas suspeitam que os macacos deixavam “passar” essa opção quando não tinham certeza da resposta.

Ele estava certo. Macacos que tinham a oportunidade de “passar” para a frente desempenharam muito melhor nos testes do que 0s do experimento “tudo-ou-nada”. Isto sugere que, quando dada a oportunidade, eles eram totalmente capazes de avaliar a sua confiança na tarefa, fornecendo evidências convincentes para a metacognição no macaco.

Novas pesquisas sugerem que eles são parte de um conjunto selecionado com essa capacidade. Os chimpanzés, como os macacos, demonstraram metacognição, mas os macacos-prego, embora inteligentes em outras áreas, parecem cair nesse obstáculo. Os resultados para os golfinhos não são claros, mas já ficou certo que criaturas como o pombo não estão à altura do desafio.

Descobrir se outras espécies inteligentes como os golfinhos e, talvez, os corvos, possuem metacognição é crucial para nosso entendimento da mente.

Os cientistas precisam saber se a metacognição desenvolveu apenas uma vez, na linha dos primatas (que leva a macacos e humanos), ou se a característica se desenvolveu repetidamente e convergentemente, com picos de sofisticação cognitiva, em golfinhos, corvos, macacos e pessoas. Se esse for o caso, mudaria toda a nossa compreensão da evolução do cérebro dos primatas.

Muitos cientistas, entretanto, continuam achando que os humanos estão em um nível completamente diferente e muito maior de pensamento. Os chimpanzés, por exemplo, simplesmente não entendem conceitos físicos abstratos, como peso, gravidade e transferência de força.

Tente colocar uma banana perto da gaiola um chimpanzé e fornecer-lhe algumas ferramentas para alcançar seu potencial lanche. Ele estará tão propenso a tentar usar um material desajeitado e mole quanto um objeto rígido para alcançar a banana.

Ou seja, os chimpanzés podem raciocinar sobre coisas diretamente perceptíveis, mas somente os seres humanos têm um nível superior de pensamento que não depende apenas de estímulos sensoriais, permitindo-os formar conceitos mais abstratos, como gravidade ou força.

Esses cientistas céticos são minoria, mas continuam achando que os animais não têm consciência. Como Descartes, eles chegaram à conclusão de que a linguagem é essencial para o pensamento. Isso porque mesmo um comportamento engenhoso – que não envolva linguagem – pode ser feito sem estar consciente (veja os humanos dirigindo um carro sem nem pensar nisso). Os comportamentos que eles não concebem fazer inconscientemente são os que envolvem o uso de linguagem.

Um dos problemas nessa área é que os estudos de comportamento só podem chegar a um cerrto ponto: você poderia mostrar um animal como uma mosca colocando chapéu e vestindo roupas, e ainda algumas pessoas poderiam dizem que é apenas uma série de reflexos.

Por essa razão, alguns pesquisadores estão tentando novas abordagens que possam resolver o argumento de uma vez por todas. Imagens do cérebro é uma das possibilidades mais promissoras.

Por exemplo, pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para estudar assinaturas de consciência do cérebro humano. Eles descobriram que existe um padrão similar de atividade neural cada vez que nos tornamos conscientes da mesma imagem de uma casa ou de um rosto, mas não processamos a informação da imagem inconscientemente. O trabalho sugere que o pensamento consciente não depende de qualquer região exclusivamente humana do cérebro, ou seja, não há nenhuma razão anatômica para dizer que o pensamento é exclusivo das pessoas.

Outro trabalho neurocientífico revelou alguns pré-requisitos importantes para a consciência que podem estar presentes em alguns animais. Conexões neurais que permitem que o tálamo transmita informações de sentidos para o córtex, por exemplo, parecem ser vitais para a percepção consciente. Outros mamíferos além de nós possuem tal conexão, por isso, eles têm pelo menos substratos para a consciência. Provavelmente podemos dizer o mesmo sobre as aves, o que parece se encaixar com as conclusões dos estudos comportamentais.

Algumas pessoas nunca vão se convencer do pensamento animal, já que acham que não há dados que possam responder a essa pergunta. Já outros estão otimistas com a procura dos equivalentes animais ao tálamo e córtex para resolver de vez o argumento. O que você acha?
Por Natasha Romanzoti [NewScientist]

POR QUE PRECISAMOS DORMIR EM TOTAL ESCURIDÃO - Natasha Romanzoti

O quarto moderno é cheio de luzes e dispositivos eletrônicos, de monitores de computador a rádios-relógio, além, é claro, do quase onipresente smartphone vibrando e brilhando ao lado da cama. O que a ciência tem a nos dizer, no entanto, é que a exposição crônica à luz durante a noite leva a uma série de problemas de saúde.

Para entender por que a exposição crônica à luz durante a noite é tão ruim, é preciso considerar a evolução humana. Antes do fim da Idade da Pedra, os seres humanos só eram expostos a dois tipos diferentes de luz natural, responsáveis pela regulação do ritmo circadiano – durante o dia, tinha o sol, enquanto à noite, havia a lua e as estrelas, e talvez a luz de fogueiras. Esse padrão binário de dia/noite configurava toda a nossa programação biológica.
Hoje, temos iluminação artificial à noite (IAN). Essa iluminação interior é consideravelmente menos potente do que a luz solar, mas ainda muitas ordens de magnitude maior do que a luz das estrelas e do luar – uma diferença que influencia uma série de cascatas bioquímicas críticas ligadas a periodicidade de luz, incluindo a produção de cortisol e melatonina.

A melatonina, o sono e a saúde
Supressão de melatonina é chave para entender muito do porquê IAN faz mal para nós. Este bioquímico é produzido pela glândula pineal do cérebro durante a noite, quando está escuro, para regular o nosso ciclo de sono-vigília.
Ele reduz a pressão arterial, os níveis de glicose e a temperatura do corpo – respostas fisiológicas que são as principais responsáveis por um sono reparador.

A parte do cérebro que controla o relógio biológico é o núcleo supraquiasmático (SCN), um grupo de células no hipotálamo. Estas células respondem aos sinais claros e escuros. Os nervos ópticos em nossos olhos percebem a luz e transmitem um sinal para o SCN, dizendo ao cérebro que é hora de acordar.

Esses sinais também iniciam outros processos, como o aumento da temperatura corporal e a produção de hormônios como o cortisol (o do estresse). Os nossos níveis de cortisol são relativamente baixos durante a noite, permitindo-nos dormir, e mais elevados durante o dia, permitindo a estabilização dos níveis de energia e a modulação da função imunológica.

IAN eleva os níveis de cortisol à noite, o que perturba o sono e apresenta uma série de problemas relacionados com os níveis de gordura corporal, resistência à insulina e inflamação sistêmica. Também contribui para um sono ruim e uma interrupção da neuroregulação do apetite.

Quando os quartos ficam totalmente escuros à noite, nenhum sinal óptico é enviado para o SCN, de forma que os nossos corpos produzem a melatonina necessária. A exposição à luz ambiente durante as horas normais de sono suprime os níveis de melatonina em mais de 50%.

E, só para aumentar os problemas, muitos dispositivos modernos emitem luz azul de LEDs, que é especialmente eficaz na supressão de melatonina. Isto porque melanopsina – um fotopigmento encontrado em células especializadas da retina envolvidas na regulação dos ritmos circadianos – é mais sensível à luz azul.

Mais problemas do que você pensa
Recentemente, cientistas alertaram estudantes universitários sobre o impacto da luz de monitores de computador sobre os níveis de melatonina. Eles descobriram que a luz do computador à noite reduz os níveis de melatonina, atrapalhando o sono. Em um estudo relacionado sobre tablets, pesquisadores disseram que é importante reconhecer que o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir pode romper com o sono, mesmo que a melatonina não seja suprimida – a atividade pode deixar as pessoas alertas ou estímulos estressantes podem levar à interrupção do sono.

Essa perturbação bioquímica também cria efeitos físicos, como doenças. Cientistas não sabem direito por quê, mas estudos mostram consistentemente uma correlação entre IAN e câncer. Por exemplo, um estudo de 10 anos descobriu que um grupo de mais de 1.670 mulheres expostas a uma maior intensidade de luz em seu ambiente de dormir tinham chances 22% maiores de desenvolver câncer de mama. Os pesquisadores culparam o rompimento hormonal causado pela supressão de melatonina. Perturbadoramente, isso tem implicações sombrias para trabalhadores noturnos. Estudos têm mostrado que enfermeiras com turnos à noite estão em maior risco para câncer de mama.

A luz durante a noite não precisa sequer ser brilhante para causar problemas. A exposição crônica à luz fraca já é capaz de levar a sintomas de depressão. Hamsters, por exemplo, exibiram menos interesse em beber a água com açúcar que normalmente amam quando expostos à luz fraca à noite. Quando retornaram a uma programação normal, a depressão foi revertida.

Outro estudo, também com roedores, mostrou que a luz azul à noite, em particular, é especialmente poderosa em induzir depressão e ansiedade. IAN também pode prejudicar o humor e a aprendizagem, mais uma vez provavelmente por causa de neurônios expressando melanopsina.

A melatonina ainda tem propriedades antioxidantes, que desempenham um papel importante no antienvelhecimento.

Outros estudos ainda mostram uma ligação entre a supressão de melatonina e doença cardiovascular.

Como se não bastasse tudo isso, luz à noite também contribui para o ganho de peso, mudando o tempo da nossa ingestão de alimentos. Ratos, quando expostos a IAN, ganham mais peso – apesar de se exercitarem e comerem tanto quanto seus irmãos que dormem na escuridão.

Os cientistas também correlacionaram níveis baixos de melatonina à diabetes, embora não saibam o papel da IAN na doença.

A conclusão é bastante óbvia: precisamos manter nossos quartos os mais escuros possíveis à noite, e evitar luz azul antes de dormir. Para isso, temos que desligar todos os gadgets emissores de luz e fechar as cortinas. E, se possível, nos abster de usar computador, tablet ou smartphone nas horas que antecedem o sono. Eu sei, mais fácil falar do que fazer.

.

.
A Casa Encantada - Contos do Leblon - R$12,99

RACISMO AQUI NÃO!

RACISMO AQUI NÃO!

Anúncio

Anúncio