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RECONHEÇA SUAS EMOÇÕES - Jean Moroney

 Nesse artigo, continuo minha batalha para esclarecer a relação entre razão e emoção. Gostaria de tratar de outra face desse conflito: o problema de emoções bizarras e intensas.

Primeiro a história, depois a explicação.

Alguns anos atrás, organizei um pequeno grupo de discussão em uma empresa para quem prestava consultoria. Muitos funcionários participavam das discussões, porém nenhum dos executivos da empresa: pelo contrário, criaram tantos entraves para a divulgação e a manutenção do grupo que, por fim, renunciei à sua gestão. Dediquei-me a corrigir alguns detalhes, a fim de passar o bastão para um sucessor: curiosamente, vi-me estressada pelos mesmos motivos que tinham me levado a renunciar.

Tentei recalibrar minhas emoções, sem muito sucesso. Realmente, não entendia por que estava tão chateada. Eu já tinha renunciado, que saco! Por que me preocupar com outros problemas? Poderia citar várias coisas que passavam pela minha cabeça, mas não entendia por que elas me perturbavam tanto. Chateada, tudo bem. Mas, revoltada?

Não conseguia tirar essa questão desimportante de minha cabeça. Toda vez que sentava para fazer algo produtivo, minha mente começava a divagar.

Eventualmente, percebi meu erro. Eu só precisava reconhecer a intensidade dos sentimentos, sem exigir uma explicação. Havia um ponto importante: a questão não era idiota, nem desimportante. Ela tinha algum profundo valor pessoal para mim, daí o estresse que me gerava.

Até então, não sabia o que era, mas precisava reconhecer que havia algo a ser identificado, pois nada parecia explicar o que eu estava sentindo.

Assim que falei: “sim, é uma questão importante para mim. Não sei por que, mas é”, pude me acalmar. Fiz uma nota mental e fiquei alerta a quaisquer informações sobre essa misteriosa emoção. Pude finalmente trabalhar de forma serena.

Então, como explicar essa situação?

Muitos dizem: “você não deveria julgar suas emoções.” Considero essa formulação confusa – logo, permitam-me explicar minha própria abordagem, usando uma analogia.

Emoções não passam de cartas de seu subconsciente. A emoção é o carteiro. É ilógico criticar o carteiro pelo conteúdo da carta. A carta é escrita por outra pessoa.

Como carteiro, o propósito fundamental de uma emoção é chamar a sua atenção para a carta. Até entregar a carta, o carteiro continuará a tocar a campainha. É seu trabalho entregá-la!

É por isso que eu não conseguia relaxar. Embora tivesse tentado reconhecer a emoção, não tinha feito certo. Não conseguia introspectar imediatamente a fonte desse sentimento tão intenso. Não estava recebendo a carta – e não conseguia identificar o pensamento subjacente que me fazia sentir isso.

E, ainda assim, falava a mim mesma que o pensamento subjacente era idiota, desimportante. Como poderia afirmar isso sem nem tê-lo identificado? Como poderia afirmar que era desimportante, quando a intensidade da emoção é uma medida de importância pessoal?

A lição que aprendi aqui é que você não precisa ser capaz de analisar totalmente uma emoção para ser capaz de acalmá-la. Você só precisa reconhecê-la (receber a carta e lê-la) – mesmo que se forma rápida, como fiz nesse caso.

E isso é bom – já que é exigir muito de si próprio fazer um diagnóstico imediato sobre a causa profunda de qualquer emoção.

Fica em aberto a questão de se a minha avaliação subconsciente foi ilógica ou não. Certamente ilógico era julgá-la como idiota e desimportante antes de identificá-la.

Essa é a concretização do seguinte fato: se você quiser “seguir a razão”, primeiro precisa entender a natureza de suas emoções. E estar disposto a reconhecê-las pelo que são. Elas não são oráculos da verdade: são só carteiros do subconsciente, que baterão na sua porta até você atender.

Reconhecer verdadeiramente uma emoção é a coisa lógica a fazer, não importa quão absurdo o pensamento subjacente possa parecer. Reconhecer que ela existe não significa concordar com ela, nem que é preciso agir sobre ela. Significa apenas reconhecer que o carteiro continuará a bater na porta até entregar a carta.

E significa reconhecer que, independentemente de o pensamento subjacente ser verdadeiro ou falso, foi classificado como importante por seu subconsciente – e, portanto, merece atenção.

Não me dedique a entender aquele incidente particular em profundidade. Mas ao refletir sobre ele, sensibilizou-me para alguns tipos de problemas, servindo-me para resolver problemas similares com pessoas realmente importantes para mim. Mas só pude fazê-lo porque não saltei à conclusão de que era idiota ter uma emoção intensa e bizarra.

Publicado originalmente em Thinking Directions.

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TRABALHO REMOTO: O CONTEXTO É FUNDAMENTAL - Karen Kotz

  

 Nas últimas semanas, li vários artigos argumentando que o mundo do trabalho nunca mais será o mesmo. Muitos deles afirmam que as empresas estarão mais bem preparadas para permitir que as pessoas trabalhem de casa e que os profissionais não estarão mais dispostos a ir diariamente ao seu local de trabalho.

 O trabalho remoto nasceu nos anos 1980, na mesma época do surgimento da Internet. Desde então, o número de trabalhadores que trabalham remotamente só tem aumentado. Em 2015, por exemplo, o governo do Reino Unido divulgou uma pesquisa mostrando que 54% dos entrevistados tinham permissão para trabalhar remotamente.

 Em 2017, a IBM surpreendeu o mundo ao anunciar o fim de seu programa de trabalho remoto. O raciocínio por trás dessa decisão foi a de que a inovação estava sendo prejudicada pela falta de interações presenciais. O Yahoo aprendeu a lição em duas partes: em 2013, proibiu o trabalho remoto; em 2015, reviu sua decisão, notando que a maioria profissionais de talento não quer estar no escritório todos os dias.

 Enquanto as empresas tentam criar uma configuração que funcione melhor para sua cultura, pesquisas recentes mostram a tendência: as pessoas procuram empregos que ofereçam a opção. Mesmo assim, o que vemos são empresas defendendo tais benefícios apenas da boca pra fora.

 Você pode ser um grande defensor do trabalho remoto, mas isso será inútil se o seu gerente não souber utilizar as ferramentas certas. Sim, gerentes são pessoas sob as quais recai a responsabilidade de entregar o trabalho, 100% das vezes. Ainda assim, são eles que estabelecem o ritmo e criam o ambiente para que as pessoas entreguem o trabalho pelo qual são responsáveis.

 Tanto gerentes como membros de equipes são responsáveis por viabilizar o trabalho remoto. O primeiro passo é chamá-lo de trabalho distribuído, e não remoto. O termo distribuído define mais claramente o que a equipe está tentando alcançar. Não se trata apenas de ser produtivo longe dos seus colegas, mas também de ser capaz de passar o bastão quando for necessário. Isso significa que membros de equipes e gerentes precisam confiar nas ferramentas de comunicação e gerenciamento o tempo todo – e buscar conhecimento sobre as mesmas.

Como designer de interiores, minha profissão depende de conversas difíceis de se ter por telefone ou e-mail. É um trabalho que depende muito de recursos visuais – os clientes precisam ser capazes de explicar suas perguntas sobre uma apresentação e as equipes técnicas precisam se certificar de que estão abordando os detalhes certos frente a uma pilha de desenhos técnicos. De qualquer forma, são problemas superáveis se os dois lados estiverem comprometidos em fazê-lo funcionar. Só é preciso concordar com a melhor plataforma para replicar essas interações – seja via teleconferência com telas compartilhadas, vídeos 3D ou simples anotações digitais sobre um documento PDF.

No entanto, se não houver entendimento de como isso vai funcionar, a tarefa se torna um esforço hercúleo.

A lição que aprendi sobre o trabalho distribuído é que não importa se todos concordam que ele funciona: precisam entender como ele funciona. Quanto mais pudermos estar em sintonia com as pessoas que trabalham perto de nós, mais eficientes gerentes e equipes se tornarão.

EM BUSCA DE MOTIVAÇÃO - Jean Moroney

 

Desejar que um problema se resolva não basta. Mas isso pode servir de motivação quando você não está “no clima” para começar uma tarefa.

Percebi este fato durante uma longa viagem. 

Em certo momento, pensei que poderia avaliar os quatro relatórios anuais que tinha levado comigo. Mas pensei: “UGH, não quero.” Fiquei um pouco deprimida, afinal “desejava estar motivada para avaliar os relatórios e riscar essa pendência da minha lista.” (Eram os últimos de uma grande pilha). De repente, quis terminar. Peguei os relatórios e fiz o que tinha de ser feito.

Fiquei tão surpresa com essa reviravolta que decidi refletir sobre ela. Permita-me explicar por que isso aconteceu e como fazer para repetir a dose. Chamei a técnica de “a busca por motivação”.

O simples desejar “funcionou” por que não estava frente a um grande dilema, só com preguiça. Nesse estado ocioso, acabei encontrando um sopro de desejo no fundo da minha mente.

Ao “desejar”, toda minha atenção lentamente se voltou para aquele desejo (a tarefa), o que despertou boas razões para a leitura.

Emoções derivam de valores. Assim que eles tomaram a dianteira, o “desejo” foi uma consequência natural.

Não me entendam mal. Não estava nada empolgada em lê-los. Nem precisava estar. Até um leve interesse já basta para superar a moleza.

Essa observação se tornou uma técnica: se percebo que estou postergando alguma tarefa, sei que preciso de um empurrão. Então, programo o alarme para 3 minutos e faço uma “escrita terapêutica”. Uso as frases a seguir como guias:

– Gostaria de estar motivada para…

– Gostaria de me sentir do mesmo jeito que me sinto quando…

– Eu queria estar motivada porque…

Esses guias permitem que você deseje a coisa certa – para se motivar. Se você desejar que a tarefa desapareça ou que alguém resolva a finalize, você não vai se motivar.

Censurar a si mesmo dizendo “eu deveria querer fazer” também não funciona. No máximo, vai gerar resistência.

Ao sentir alguma vontade, estou disposta a considerar o menor passo para começar.

Segue um exemplo literal transcrito do meu caderno: parei para almoçar quando estava no meio deste artigo. Quando voltei, sabia que devia continuar escrevendo, embora estivesse numa espécie de “letargia pós-pizza”. UGH! Hesitei, então programei o alarme, abri meu diário e escrevi o seguinte:

“Eu queria estar animada para terminar o rascunho. (Já cheguei até aqui e seria tão fácil retomar a tarefa). Gostaria de estar com aquela mesma leveza inicial… [parei com a caneta no ar]. Poderia gastar o resto daqueles três minutos lendo e relendo o que escrevi.

Quando o alarme tocou, já estava animada e terminei o rascunho sem demora.

Perceba que lancei mão da minha força de vontade para começar. O alarme não se programou sozinho, o diário não voou até a minha mesa e o texto não se escreveu por mágica.

 Só precisei de um pequeno incentivo para começar, e não de um poderoso esforço para superar uma verdadeira resistência. Esse método de “busca por motivação” não vai surtir efeito se você estiver enfrentando um sério conflito para começar. Nesse caso, você vai precisar de melhores estratégias mentais que o ajudem a identificá-lo de modo a resolvê-lo de vez.

E qual o efeito colateral desse método? Toda vez que a preguiça atacar, você vai querer gastar três minutos com o método e seu desejo será realizado.

Publicado originalmente em Thinking Directions.

Traduzido por Hellen Rose.

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A MORALIZAÇÃO DA POLÍTICA PASSA PELA MORALIZAÇÃO DO DEBATE - Roberto Rachewsky

Os debatedores estão muito preocupados com os fins e como justificar os meios, e pouco preocupados com os princípios, valores e ideais dos indivíduos na sociedade. O debate político foca em ideologias e estratégias para tangenciar a discussão sobre o que falta aos debatedores: virtudes e caráter.

Políticos debatem o tempo todo sobre o que fariam com nossas vidas se chegassem ao poder. Eu gostaria de saber o que eles fariam com as vidas deles para nos deixarem em paz, porque das nossas, cuidamos nós.

O problema de nossa sociedade é que poucos pensam como eu. Não é à toa que os políticos discutem sobre o que farão com a economia, com a educação, com a saúde, com o bem comum e com o Estado de bem-estar social. A imensa maioria das pessoas não se preocupa com a falta de moral no debate.

Eles não veem a vida como uma sucessão de escolhas, o que explicita a necessidade de um debate baseado na moralidade.

Eles veem a vida como uma sucessão de chances, como uma loteria, daí exigem igualdade de oportunidades.

 Para eles, tudo deve ser visto com pragmatismo; querem ter a sorte de ser escolhidos pelos donos de suas vidas, pelos governantes eleitos na roleta russa da democracia com a missão de decidirem sobre o futuro das nossas vidas.

Eu gostaria de moralizar o debate político, o que significa trazer para o contexto social leis que protejam o direito de escolha dos indivíduos, impedindo os políticos de transformá-lo num jogo de azar.

Não vivemos num cassino onde para alguém ganhar, outro tem que perder. Vivemos no mercado em que a liberdade permite que haja cooperação e trocas voluntárias em benefício mútuo.

 A moral da liberdade de escolha é que ela permite que o jogo não seja de sorte ou azar – o jogo é ganha-ganha.

 No jogo ganha-ganha do mercado ninguém precisa de alguém para dar as cartas; elas já estão nas nossas mãos e cabe a nós escolhê-las.

O papel do governo numa sociedade moral é fazer com que as escolhas sejam respeitadas e que ninguém use as cartas que não lhe pertencem, inclusive e, principalmente, a quem está no governo.

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SIGA A RAZÃO - Jean Moroney

 

Como todos sabem, sou uma pensadora. Gosto de entender a situação antes de agir. Fico feliz em considerar possibilidades, prever consequências e introspectar minhas reações emocionais antes de agir.

No entanto, aprendi da forma mais difícil que, se quiser fazer o que tem de ser feito, preciso cuidar com essa preferência, e trocar a chave de “pensar” para “agir” antes de me sentir confortável a fazê-lo. A recompensa é enorme!

Se estou resistindo a fazer um trabalho, dar um pequeno passo pode, ou me ajudar a superar barreiras, ou revelar o motivo de minha resistência (via resposta emocional), permitindo-me assim descobrir qual é o próximo passo realista.

Se tenho um projeto de longo prazo em mente, dar um pequeno passo real para concretizá-lo já o aclara muito, e essa sensação de progresso me motiva a pensar ainda mais para torná-lo realidade.

Se estou indecisa ou saturada, algo simples como organizar minha mesa serve para limpar a mente, permitindo-me decidir meu próximo passo.

Para ficar claro, desconfiar de minha preferência por pensar não deve ser interpretado como uma preferência pela ação. Um viés à ação tem seus próprios problemas.

É provável que já tenha ouvido a frase: “é melhor fazer algo do que nada”. Isso não passa de uma racionalização para agir antes de ter qualquer noção de se tal ação será benéfica. Pense na última vez que se arrependeu de ter dito algo num momento de raiva. Não fazer nada teria sido melhor – pelo menos, até você se acalmar e pensar em algo construtivo a dizer.

Se quiser testar se está pronto para a ação, pense num motivo para agir. Formule-o para si próprio em uma frase. Se puder expressar sua razão sem rir ou tremer – se ela faz sentido e é construtiva – aja!

Note que eu não disse: “simplesmente faça”. Essa é outra frase com um viés à ação.

Se acha que deve fazer algo, faça tudo que puder. Contudo, se resistir a fazê-lo, pode ser um sinal de que você não pensou nas consequências reais dessa ação.

É um grande erro ignorar ou silenciar tal resistência com um ato de vontade. Na melhor das hipóteses, se ela se basear num erro simples, você gastará mais energia do que teria sido necessária do que os 30s esclarecendo a questão. Na pior, se ela for baseada numa questão profunda, desconsiderá-la a fortalecerá no tempo, levando, eventualmente, a um ciclo de burnout.

Isso não significa que você deve “seguir o caminho de menor resistência”, outra frase um viés à ação. O caminho de menor resistência é o caminho da estagnação. Nenhum objetivo ambicioso é alcançado sem agir mesmo frente a resistências.


O segredo é tomar uma ação realista. Mas, como?

 

Como mencionei antes, um pequeno passo pode revelar o motivo da resistência, ajudando-o a resolver o problema. Às vezes, não é o suficiente. Às vezes, identificar a resistência é mais difícil. Por exemplo: se você odeia algum aspecto de seu trabalho, se tem dúvidas sobre ele ou se está cansado da cultura da empresa. Quando isso ocorre, é preciso um bom tempo de introspecção para resolver os dilemas.

Enquanto isso, sua decisão sobre o que fazer deve levar em conta o conflito recém-descoberto que levará tempo para ser resolvido; talvez, você não tenha tempo para tratar dele agora. Nesses casos, o seu próximo passo deve ser cuidadoso, pois ele deve sanar necessidades urgentes e, ao mesmo tempo, ajudar a resolver o conflito mais profundo. Por exemplo, fazer a tarefa que “deveria” fazer prestando atenção ao desconforto que isso gera pode ajudá-lo a entender as questões mais profundas. (Mas isso não equivale ao “caminho de menor resistência”. É muito desconfortável, e exige muito esforço).

 Espero que percebam que não estou defendendo a separação de pensamento e ação. O que defendo aqui é uma ação pensada, refletida, racional. É o que se costumava chamar de “seguir a razão” até que muitas pessoas passaram a associar essa frase com “negar os seus sentimentos”.

 Essa é uma perversão clara do sentido original, já que as emoções são alertas importantes (de valor) que precisam ser consideradas no processo de pensamento. Emoções em si não lhe dão informação suficiente para chegar a uma conclusão lógica – normalmente são distorcidas ou superficiais. Seu significado verdadeiros só se torna conhecido quando você introspecta, identificando os valores reias em jogo. Essa é uma atividade eminentemente racional.

Com esse esclarecimento, então, podemos resumir o artigo em três palavras: “siga a razão”.

Publicado originalmente em Thinking Directions.

Revisado por Matheus Pacini.

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MENÇÃO A ROBIN HOOD EM “A REVOLTA DE ATLAS” - Ayn Rand

 

Conversa entre dois dos heróis do romance 

A Revolta de ATtlas .

Começa a citação.

Pois eu aprovo, Sr. Rearden. Mas optei por uma missão especial. Estou correndo atrás de um homem que quero destruir. Ele já morreu há muitos séculos, mas, enquanto não conseguirmos apagar os últimos vestígios dele das mentes dos homens, não teremos um mundo digno para viver.

– Quem é esse homem?

– Robin Hood.

Rearden lhe dirigiu um olhar vazio, de quem não entendeu.

– Ele era o homem que roubava dos ricos e dava aos pobres. Bem, eu sou o homem que rouba dos pobres e dá aos ricos, ou, mais exatamente, que rouba dos pobres ladrões e devolve aos ricos produtivos.

– Que diabo o senhor quer dizer?

– Se o senhor ainda se lembra do que leu a meu respeito nos jornais, antes de proibirem qualquer notícia sobre mim, deve saber que jamais ataquei um navio de propriedade privada, nem roubei qualquer propriedade privada. Como também jamais saqueei um navio militar, pois o objetivo da Marinha de Guerra é proteger da violência os cidadãos que pagaram por ela, o que é a função apropriada do governo. 

Porém apreendi sempre que pude todo navio saqueador, todo navio contendo auxílios governamentais, subsídios, empréstimos, doações, todo navio carregado de bens arrancados à força de alguns homens para beneficiar de graça outros que nada fizeram para merecê-los. 

Saqueei os navios que ostentavam a bandeira da ideia que estou combatendo: a de que a necessidade é um ídolo sagrado que exige sacrifícios humanos, que a necessidade de alguns homens é uma lâmina de guilhotina pairando sobre outros, que todos nós temos de viver com nosso trabalho, nossas esperanças, nossos planos, nossos esforços à mercê do momento em que essa lâmina cairá sobre nós.

Quanto maior nossa capacidade, maior o perigo para nós, de modo que o sucesso coloca nossas cabeças sob a lâmina, enquanto o fracasso nos dá o direito de puxar a corda. 

Esse é o horror que Robin Hood imortalizou como ideal moral. Diz-se que ele lutava contra governantes saqueadores e restituía às vítimas o que lhes fora saqueado, mas não é esse o significado da lenda que se criou. Ele é lembrado não como um defensor da propriedade, e sim como um defensor da necessidade; não como um defensor dos roubados, e sim como protetor dos pobres. 

Ele é tido como o primeiro homem que assumiu ares de virtude por fazer caridade com dinheiro que não era seu, por distribuir bens que não produzira, por fazer com que terceiros pagassem pelo luxo de sua piedade. Ele é o homem que se tornou símbolo da ideia de que a necessidade, não a realização, é a fonte dos direitos; que não temos de produzir, mas apenas de querer; que o que é merecido não cabe a nós, e sim o imerecido. Ele se tornou uma justificativa para todo medíocre que, incapaz de ganhar seu próprio sustento, exige o poder de despojar de suas propriedades os que são superiores a ele, proclamando sua intenção de dedicar a vida a seus inferiores roubando seus superiores. 

É essa criatura infame, esse duplo parasita que se alimenta das feridas dos pobres e do sangue dos ricos, que os homens passaram a considerar ideal moral. 

E isso nos levou a um mundo onde quanto mais um homem produz, mais ele se aproxima da perda de todos os seus direitos, até que, se for de fato muito capaz, ele se transforma numa criatura desprovida de direitos, presa de qualquer um – ao passo que, para estar acima de todos os direitos, de todos os princípios, da moralidade, para estar num plano em que tudo lhe é permitido, incluindo o saque e o assassinato, basta para um homem estar em necessidade. 

O senhor não sabe por que o mundo está desabando ao nosso redor? É contra isso que estou lutando, Sr. Rearden. Enquanto os homens não aprenderem que, de todos os símbolos humanos, Robin Hood é o mais imoral e o mais desprezível, não haverá justiça na Terra nem possibilidade de sobrevivência para a humanidade.[1]

Revisado por Matheus Pacini.

[1] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V II, p. 256-258.

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A VIRTUDE DO EGOÍSMO - Ayn Rand

 

“Por que você utiliza a palavra ‘egoísmo’ para denotar qualidades virtuosas de caráter quando essa palavra cria antagonismo entre tantas pessoas para quem ela não significa o mesmo que para você?”

 Para aqueles que fazem essa pergunta, minha resposta é: “pela razão que faz você ter medo dela.”

 Mas há outros que não fariam essa pergunta, sentindo a covardia moral que a mesma acarreta, e que são, contudo, incapazes de formular minha razão real ou identificar a profunda questão moral envolvida. Para eles é que darei uma resposta mais explícita.

Não é uma mera questão semântica, nem um problema de escolha arbitrária. O significado atribuído pelo uso popular à palavra “egoísmo” não está, simplesmente, errado: representa uma tergiversação intelectual devastadora que é responsável, mais do que qualquer outro fator, pelo restrito desenvolvimento moral da humanidade.

No uso popular, a palavra “egoísmo” é um sinônimo de maldade; a imagem que invoca é de um brutamontes homicida que pisa sobre pilhas de cadáveres para alcançar seu próprio objetivo, que não se importa com nenhum ser vivo e persegue apenas a recompensa de caprichos inconsequentes do momento imediato.

Porém, o significado exato e a definição do dicionário para a palavra “egoísmo” é: preocupação com nossos próprios interesses.

Esse conceito não inclui avaliação moral; não nos diz se a preocupação com os nossos próprios interesses é boa ou má; nem nos diz o que constituem os interesses reais do homem. É tarefa da ética responder a tais questões.

A ética do altruísmo criou a imagem do brutamontes, como sua resposta, a fim de fazer os homens aceitarem dois princípios desumanos: 

  • (a) que qualquer preocupação com nossos próprios interesses é nociva, não importando o que estes interesses possam representar.
  • (b) que as atividades do brutamontes são, na verdade, a favor dos nossos próprios interesses (que o altruísmo impõe ao homem renunciar pelo bem de seus vizinhos).

Para uma visão da natureza do altruísmo, suas consequências e a enormidade de corrupção moral que perpetra, recomendo a leitura de minha obra A Revolta de Atlas — ou a qualquer uma das manchetes dos jornais de hoje. O que nos preocupa aqui é a omissão do altruísmo no campo da teoria da ética.

Há dois questionamentos morais que o altruísmo reúne dentro de um único “pacote”: 

  • (1) O que são valores? 
  • (2) Quem deve ser o beneficiário dos valores? O altruísmo substitui o primeiro pelo segundo; ele foge da tarefa de definir um código de valores morais, deixando o homem, assim, na verdade, sem diretriz moral.

O altruísmo declara que qualquer ação praticada em benefício dos outros é boa, e qualquer ação praticada em nosso próprio benefício é má. Assim, o beneficiário de uma ação é o único critério de valor moral — e contanto que o beneficiário seja qualquer um, salvo nós mesmos, tudo passa a ser válido.

Daí a imoralidade assustadora, a injustiça crônica, os grotescos padrões duplos, os conflitos e as contradições insolúveis que têm caracterizado os relacionamentos humanos e as sociedades humanas através da história, sob todas as variantes da ética altruísta.

Observe a indecência do que se consideram julgamentos morais atualmente. Um industrialista que produz uma fortuna e um gângster que rouba um banco são considerados igualmente imorais, já que ambos procuraram fortuna para o seu próprio benefício “egoísta”. Um jovem que desiste de sua carreira para sustentar seus pais e nunca sobe além do posto de empregado de mercearia é considerado moralmente superior àquele que suporta uma luta difícil e conquista sua ambição pessoal. Um ditador é considerado moral, desde que as indescritíveis atrocidades cometidas tenham tido a intenção de beneficiar “o povo”, e não a ele mesmo.

Observe o que este critério moral, que considera apenas o beneficiário, faz à vida de um homem. A primeira coisa que ele aprende é que a moralidade é sua inimiga; não ganha nada com ela, apenas perde; tudo o que ele pode esperar são perdas autoimpostas, dores autoimpostas e o manto cinzento e deprimente de uma obrigação incompreensível. 

Ele pode esperar que os outros possam, ocasionalmente, sacrificar-se em seu benefício, assim como ele se sacrifica de má vontade, em benefício deles, mas ele sabe que tal relacionamento só produzirá ressentimentos mútuos, não prazer — e que, moralmente, esta busca de valores será como uma troca de presentes de Natal não desejados e não escolhidos que nenhum deles se permite, moralmente, comprar para si mesmo. Exceto nos momentos em que conseguir realizar algum ato de autossacrifício, ele carecerá, como pessoa, de qualquer significado moral: a moralidade não toma conhecimento dele e não tem nada a dizer-lhe como orientação nas questões cruciais de sua vida; esta é somente sua vida pessoal, privada, “egoísta” e, como tal, é considerada, ou maléfica ou, na melhor das hipóteses, amoral.

Dado que a natureza não provê o homem com uma forma automática de sobrevivência, dado que ele tem de sustentar sua vida através de seu próprio esforço, a doutrina que diz que a preocupação com nossos próprios interesses é nociva significa, consequentemente, que o desejo de viver do homem é nocivo — que a vída do homem, como tal, é nociva. Nenhuma doutrina poderia ser mais nociva do que essa.

Todavia, este é o significado de altruísmo, implícito nestes exemplos que igualam um industrialista a um ladrão. Há uma diferença moral fundamental entre um homem que vê seu autointeresse na produção e um outro que o vê no roubo. A maldade de um ladrão não repousa no fato de que ele persegue seus próprios interesses, mas no que ele considera como sendo seu próprio interesse; não no fato de que ele busca seus valores, mas no que ele escolheu para valorizar; não no fato de que ele deseja viver, mas no fato de ele querer viver num nível subumano.

Se for verdade que o que quero dizer com “egoísmo” não é o que significa convencionalmente, então esta é uma das piores acusações que se pode fazer contra o altruísmo; significa que o altruísmo não permite conceito algum sobre um homem que se autorrespeita e é independente economicamente — um homem que sustenta sua vida através de seu próprio esforço e nem se sacrifi­ca pelos outros nem sacrifica os outros por si, isso significa que o altruísmo não permite outra visão dos homens, que não seja a de animais para sacrifício e benefíciários-do-sacrifício alheio, como vítimas e parasitas — que não permite o conceito de uma coexistência benevolente entre os homens — que não permite o conceito de justiça.

Se você se pergunta quais são as razões por trás da feia mistura de cinismo e culpa na qual a maioria dos homens desperdiça suas vidas, estas são as razões: cinismo, porque eles não praticam nem aceitam a moralidade altruísta — culpa, porque eles não se atrevem a rejeitá-la.

Para rebelar-se contra um mal tão devastador, é preciso rebelar-se contra sua premissa básica. Para redimir ambos, o homem e a moralidade, é o conceito de “egoísmo” que se tem de redimir.

O primeiro passo é defender o direito do homem a uma existência moral racional que é: reconhecer sua necessidade de um código moral para guiar o rumo e a realização de sua própria vida. Para um breve esboço da natureza e da validade de uma moralidade racional, veja meus textossobre a ética objetivista. As razões pelas quais o homem precisa de um código moral dirão a você que o propósito da moralidade é definir os interesses e valores adequados ao homem, que a preocupação por seus próprios interesses é a essência de uma existência moral, e que o homem deve ser o beneficiário de seus próprios atos morais.

Dado que todos os valores têm de ser ganhos e/ou mantidos pelas ações do homem, qualquer brecha entre o ator e o beneficiário implica uma injustiça: o sacrifício de alguns homens em favor de outros, dos que agem em favor dos que não agem, dos que têm moral em favor dos imorais. Nada poderia jamais justificar tal brecha, e ninguém nunca o fez.

A escolha do beneficiário dos valores morais é meramente uma questão preliminar e introdutória no campo da moralidade. Não é um substituto para a moralidade, nem um critério de valor moral, como é apresentado pelo altruísmo. Nem é tampouco um fundamento moral: ela tem de ser derivada de e validada pelas premissas fundamentais de um sistema moral.

A ética objetivista sustenta que o ator deve ser sempre o beneficiário de sua ação, e que o homem deve agir para seu próprio autointeresse racional. Mas seu direito de fazer tai coisa é derivado de sua natureza como homem e da função dos valores morais na vida humana — e, por conseguinte, é aplicável somente no contexto de um código de princípios morais racional, objetivamente demonstrado e validado, que defina e determine seu real autointeresse. Não é uma licença “para fazer o que lhe agrada”, e não é aplicável à imagem altruísta de um brutamontes “egoísta”, nem a qualquer homem motivado por emoções, sentimentos, impulsos, desejos ou caprichos irracionais.

Isto é dito como uma advertência contra o tipo de “egoístas nietzschianos” que, de fato, são um produto da moralidade altruísta e representam o outro lado da moeda altruísta: os homens que acreditam que qualquer ato, não importando sua natureza, é bom, se pretendido em benefício próprio. Do mesmo modo que a satisfação dos desejos irracionais dos demais não é um critério de valor moral, não o é também a satisfação de nossos próprios desejos irracionais, A moralidade não é um concurso de caprichos.

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