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PÁSSARO AZUL - Charles Bukowski

Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?

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NALGUM LUGAR EM QUE EU NUNCA ESTIVE - E.E. Cummings (Bilíngue)

Nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

(tradução: Augusto de Campos)
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Original

Somewhere I have never travelled, gladly beyond

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands.
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2020 VEIO - Poesia e Vídeo - Edmir Saint-Clair

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A DANÇA DA VIDA - Edmir Saint-Clair

Ela chegou de novo, de repente, 
de longe, de sempre.

Nossas vidas sempre se encontram
 em surpresas improváveis.

Desde o primeiro encontro, resolvemos nos amar pra sempre. Só crianças podem resolver para sempre. Porque sempre não é aqui, não é agora. Mas, pode até ser, porque sempre não tem hora, é sempre.

E nosso tempo sempre foi bem diferente dos outros tempos.
Sempre foi repente, um presente, sempre não mais que de repente. Sempre só presente.

Toda mulher escolhe a dança, a dança escolhe poucas mulheres. É quando a alma nasce maior, já sabendo o seu propósito na vida.

E minha bailarina chegou, de novo, quando preciso da sua dança. Minha bailarina sempre sabe quando chegar.

Faz  tempo que precisava dos seus silêncios que me conhecem sem falar. 

Seu abraço e seu silêncio. Eu precisava me ouvir na música que dança clássica, elegante e perfeita, num corpo único para aquele propósito, perfeito no detalhe de cada movimento. De cada respiração, sublinhando as palavras não ditas.  

E de novo a mágica se faz. De novo no Leblon, de novo na Casa Encantada. 

De novo para sempre. Até nos despedirmos de novo. 

(Parte do livro A Casa Encantada, Contos do Leblon - Edmir Saint-Clair)
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NÃO QUERO A FACA NEM O QUEIJO QUERO A FOME - Poesia - Adélia Prado

A mim que desde a infância venho vindo,
como se o meu destino,
fosse o exato destino de uma estrela,
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.

Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem,
amaria chamar-se Fliud Jonathan.

Neste exato momento do dia vinte de julho,
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo.
Quero a fome.
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ALMA SOLITÁRIA - Poesia -Cruz e Sousa

Ó Alma doce e triste e palpitante!
que cítaras soluçam solitárias
pelas Regiões longínquas, visionárias
do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
quantos silêncios, quantas sombras várias
de esferas imortais, imaginárias,
falam contigo, ó Alma cativante!

que chama acende os teus faróis noturnos
e veste os teus mistérios taciturnos
dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
como um arcanjo infante, adolescente,
esquecido nos vales da Esperança?!


Na cidade do Desterro, hoje, Florianópolis, nasceu João da Cruz e Sousa. Filho de escravos e alvo da hostilidade dos conterrâneos, o catarinense conquistou, após a morte, reconhecimento como um dos maiores poetas do País.
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Contos, Crônicas e Poesias








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AMAR O TEMPO – Poesia - Edmir Saint-Clair



Todo minuto é momento
Um invento, um sentido, 
Por fora, por dentro,
É cada segundo, sem tempo,
É quase nada no vento

A vida são horas correndo 
e se existe ou não um destino,
Ele é só um menino que não sabe onde vai

A verdade é que nada se sabe, 
Se é do errado que se chega ao certo,
Se é para frente, para trás ou para os lados,
Porque não tem lado certo, nem errado
Não tem nem em cima, nem embaixo

E os minutos continuam correndo,
E a gente sempre mais lentos,
Sem saber para que andar
Já que é o tempo que nos carrega
Até onde quiser nos levar

Que me leve em qualquer pé de vento

Para um tempo que seja de amar
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SONHO É VERSO – Poesia – Edmir Saint-Clair

 

De que são feitos os sonhos?

De desejos, de  paixões, 

De vontades, De ilusões,

De necessidade, de  fome, 

De  sede,

De tesão

Há muitos tipos de sonhos, há muitos tipos de tudo,

Há o sonho que é esperança, outro que é melancolia,

Há o sonho que é vingança e há outro que é poesia.

O sonho é um encontro consigo, 

É a pista que falta,

O fio da meada,

A compreensão da vida,

É à frente do seu tempo 

É Maior que a rima,

É um verso,

É passeio no universo,

É  vislumbre do infinito, 

É a ilusão de um ser eterno.

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OLHAR – Poesia – Edmir Saint-Clair

 

Quero entrar nos teus sonhos

                            Bem fundo

Com um  balde de tintas de todas

                            As cores

Para te colorir

Para saber teus segredos

                                  Como o sol que desvenda as manhãs

Mergulhar nesses teus lindos olhos

E morar para sempre no teu doce olhar

   Me iludir e me desconhecer

                                   Te confundir com o céu e com o mar.

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REFLEXÃO NÚMERO 1 - Poesia - Murilo Mendes


Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.
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