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O QUE É A MENTE? - Silvia Helena Cardoso, PhD

O cérebro, ainda que seja a mais complexa estrutura existente na Terra - talvez no universo - é um objeto bem definido: ele é uma entidade material localizada dentro do crânio, que pode ser visualizado, tocado e manipulado. É composto de substâncias químicas, enzimas e hormônios que podem ser medidos e analisados. Sua arquitetura é caracterizada por células neuronais, vias neurais e sinapses. Seu funcionamento depende de neurônios, os quais consumem oxigênio, trocando substâncias químicas através de suas membranas, e mantendo estados de polarização elétrica interrompidos por breves períodos de despolarização.
Mas... e a MENTE ?
É impressionante verificar que mesmo após vários séculos de refexões filosóficas, árdua dedicação à pesquisa cerebral e notáveis avanços no campo das neurociências, o conceito de mente ainda permanece obscuro, controverso e impossível de definir nos limites de nossa linguagem.
Uma visão fortemente sustentada, é a de que a mente é uma entidade separada do corpo; esta especulação tem suas raízes históricas: teorias antigas, determinaram hipóteses dualísticas da função cerebral, as quais admitiam que o cérebro pode ser visto mecanicamente, mas que a mente é uma entidade com uma característica física não definida. Em tais teorias, a mente era vista como um sinônimo da alma, formando uma parte integrante da cultura religiosa prevalecente. Por exemplo, René Descartes (1596-1650), o filósofo francês, perpetuou o dualismo mente-corpo de Platão (428-348 A.C.), separando filosoficamente a mente e o corpo (1). Ele estimulou o debate "Como a mente não-material influencia o cérebro e vice-versa ?" . Suas idéias permearam visões filosóficas e cientificas até os presentes dias, mudando assim, a abordagem de pesquisa do problema do "eu". Desde que a mente e o cérebro passaram a serem vistos como entidades isoladas, as pesquisas nestas áreas foram, de maneira geral, inerentemente separadas. Bioquímicos têm se preocupado com mecanismos somáticos; psicólogos têm se esforçado com as propriedades subjetivas da mente; filósofos e teólogos trazem com eles o espírito e a alma.
Mente é uma definição que tenta resgatar a essência do homem. A essência de uma pessoa emerge da existência de funções mentais que permitem a ela pensar e perceber, amar e odiar, aprender e lembrar, resolver problemas, comunicar-se através da fala e da escrita, criar e destruir civilizações. Estas expressões estão estreitamente relacionadas ao funcionamento cerebral. Assim, sem o cérebro, a mente não pode existir, sem a manifestção comportamental, a mente não pode ser expressada.
Espírito e alma parecem ser interpretações religiosas e metafísicas da mente. A neurociência tem entendido o cérebro e a mente como resultado da investigação experimental. Aceitação ou rejeição da existência de espírito ou alma depende de fé ou convicção religiosa, as quais não podem ser provadas ou desaprovadas por métodos experimentais. Parece ser mais coerente pensar que crenças são dependentes da atividade fisiológica do cérebro e de nosso ambiente cultural. Nós não podemos ter conceitos religiosos se nós não temos um cérebro funcionante (por ex., como quando a atividade do cérebro é bloqueada por coma ou anestesia profunda), e nós não podemos acreditar em coisas que nós não aprendemos, ouvimos e experenciamos. 
Não é impossível pensar que algumas pessoas podem "aprender" a acreditar na existência de Deus, vida após a morte e forças sobrenaturais porque o cérebro é provido com centros emocionais afim de satisfazer necessidades psicológicas.
Eu frequentemente pergunto a mim mesma: "Existe alguma região cerebral envolvida com a experiência mistico-religiosa ? Poderiam lesões ou a ausência daquelas regiões abolir crenças religiosas? Ou, ao contrário, poderiam "tempestades elétricas" (hiperestimulação de circuitos neuronais) provocadas por crises psicóticas ou epilépticas estar atuando em circuitos cerebrais que processam um possível sentimento religioso?"
Os cientistas geralmente são relutantes em combinar trabalho experimental com filosofia, e geralmente rejeitam considerações de possíveis implicações teológicas de seus estudos. Entretanto, poucos estudos neste campo começaram a aparecer. Saver & Rabin (2) encontraram que pistas para o substrato neural da experiência religiosa, experiência próxima da morte e alucinações, podem ser deduzidas da epilepsia límbica (o sistema límbico é descrito como o centro emocional do cérebro). Ramachandran (3) reportou que pacientes com crises do lobo temporal (o lobo temporal está envolvido com muitas funções complexas incluindo emoção e memória) algumas vezes experienciam êxtase religioso durante crises e são intensamente religiosos. Assal & Bindschaedier (4) reportaram um caso de delírio religioso em uma mulher de 39 anos de idade que tinha sofrido de injúria cerebral com concussão temporal direita 13 anos antes.
Poucos neurocientistas, tais como o prêmio Nobel Sir John Eccles, admitem que a mente é distinta do corpo, mas a maioria deles agora acredita que todos os aspectos da mente, os quais são frequentemente equiparados com a consciência, provavelmente são explicados como comportamento e química de células neuronais. Na opinião do famoso neurofisiologista José Maria Delgado (5) "é preferível considerar a mente como uma entidade funcional destituída de implicações metafísicas e religiosas per se e relacioná-la somente à existência de um cérebro e à recepção de inputs sensoriais".
Se o cérebro tem explicado a mente, como explicar os eventos mentais como sendo causados pela atividade de um grande conjunto de células neuronais? Os neurocientistas, timidamente, têm começado a combater a idéia de que esta questão é puramente filosófica ou ilusória para estudar experimentalmente, e estão começando a abordar o problema cientificamente. Eles começaram a ganhar algum entendimento sobre possíveis mecanismos cerebrais que podem ser subjacentes à processos mais complexos na experiência e comportamento humano, tais como o fenômeno da consciência, atenção e pensamento.
Um dos mais notáveis exemplos para ilustrar a relação entre o cérebro e a consciência são os achados que assumem que existem "dois cérebros" em cada cabeça (6), ou seja, cada hemisfério (cada metade do cérebro) é anatomicamente uma imagem em espelho do outro hemisfério, desde que a maioria das estruturas estão presentes em ambos os lados e se comunicam por feixes massivos de fibras. Funcionalmente, entretanto, cada hemisfério tem suas próprias áreas de especialização mental, um fenômeno que nós chamamos de "lateralização cerebral". Por exemplo, o hemisfério esquerdo está mais envolvido com funções verbais e racionais, enquanto o hemisfério direito está relacionado com funções artísticas e visuo-espaciais. As fibras interconectantes exibem um papel importante na coordenação das atividades dos hemisférios; sua lesão pode levar o indivíduo a se comportar como se os dois hemisférios fossem responsáveis por duas conciências separadas, como foi inicialmente notado por R. Sperry (o qual foi consagrado com o prêmio Nobel por isso). Em outras palavras, se a "ponte" entre os dois hemisférios é destruída, um hemisfério não pode saber o que o outro está fazendo.
Outro achado significativo nas neurociências é a correlação de eventos mentais, tais como a aprendizagem, com alterações químicas e estruturais das células nervosas (7). Atualmente, nós sabemos que em nosso cérebro novos ramos neuronais crescem em resposta à diversidade cultural, isto é, ao treino e à experiência do dia-a-dia. Cada neurônio parece contribuir para muitos comportamentos e atividades mentais. Técnicas modernas estão agora começando a revelar como o cérebro tem conseguido a notável proeza da aprendizagem. Redes artificiais de neurônios sobre computadores estão ajudando a explicar a habilidade do cérebro em processar e reter informação. Também, as ciências cognitivas modernas, que utilizam um vasto conjunto de técnicas novas, estão sendo capazes de estudar objetivamente muitos componentes do processo mental, tais como atenção, cognição visual, linguagem, imaginação mental, etc., e estão sendo correlacionadas com atividade neural por meio de imagem funcional computadorizada e estão agora abertas à investigação científica.
Finalmente, nós percebemos não somente o brilho e a fascinação exercida pelas funções mentais humanas, as quais são responsáveis pela criação e evolução de nossa sociedade, mas também a escuridão e o desespero das desfunções mentais, as quais afetam e destroem o ambiente interno e externo do ser humano. Também neste campo, os impressionantes avanços na neurociência e genética estão revelando as bases anatômicas, bioquímicas e hereditárias da esquizofrenia, mania, distúrbios afetivos e do humor, ansiedade, déficits intelectuais, distúrbios da memória e muitos outros (8, 9).
Assim, cada vez mais, estamos percebendo o que muitos influentes filósofos e teólogos dos séculos passados não podiam entender: o cérebro é complexo o suficiente para explicar os mistérios da aprendizagem, memória, emoção, criatividade, consciência, experiência místico-religiosa, loucura. Se nós concordarmos em pensar na mente como se ela fosse um conjunto de funções mentais, mais do que espírito, alma ou substância imaterial, será mais fácil continuar com os necessários estudos empíricos e então um progresso ainda mais substancial poderá ser feito não somente na busca para a natureza do homem como um indivíduo cognitivo, mas também no alívio das doenças mentais e no melhor entendimento de crenças culturais e religiosas, as quais, ao longo dos séculos, têm trazido grandes prazeres - e aflições - à humanidade.
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EUDAIMONIA E HEDONISMO: DUAS FORMAS DE EXPERIMENTAR A FELICIDADE

O que é a felicidade? 
Todo mundo fala dela e todos nós 
a conhecemos e a sentimos, mas é difícil de definir.

Muitos filósofos e pensadores de todos os tipos tentaram refletir sobre os mistérios dessa emoção. Entre eles podemos encontrar Aristóteles, que pensava que o fim último do homem era a felicidade, ou Epicuro, que acreditava que a felicidade era o fundamento da vida. Neste artigo, vamos rever o que a psicologia diz sobre a felicidade, mais especificamente, vamos falar da eudaimonia e do hedonismo.

A psicologia, através da revisão da literatura filosófica e da experimentação científica, observou que a felicidade poderia ser sentida de diferentes maneiras. É fácil pensar que se pode encontrar a felicidade ao ir para festas com os amigos ou ao aproveitar umas boas férias. Mas muitas pessoas também encontram a felicidade no esforço, estudando para determinada profissão, ao aprender um novo idioma, etc. E é aqui que entram os conceitos de eudaimonia e hedonismo.

Antes de explicar esses dois termos psicológicos, é importante ressaltar alguns detalhes. Eudaimonia e hedonismo são termos que vieram da filosofia. Por exemplo, já os encontrávamos em Aristóteles e Epicuro ao tentarem explicar a felicidade. E apesar desses termos terem sido apropriados pela psicologia devido à sua história, a concepção dos mesmos é significativamente diferente. Assim, é importante levar em consideração que a definição que vamos utilizar a seguir emana de uma vertente mais psicológica do que filosófica. 

Hedonismo, a felicidade baseada no prazer
O hedonismo é aquela felicidade mais tangível, é a alegria que sentimos na hora de realizar atividades gratificantes. Trata-se da sensação de prazer e da motivação por evitar o mal-estar. Podemos dizer que esse tipo de felicidade se baseia nas seguintes características:

Busca pelo prazer. É o aspecto central do hedonismo.
Consiste na busca da estimulação dos nossos sentidos e das nossas emoções. Divertir-se com os amigos, fazer uma viagem, ir a um espetáculo, etc.

Percepção baseada em um balanço afetivo. A maneira que temos de interpretar o hedonismo nas nossas vidas é através de um balanço das nossas emoções diárias. Dessa maneira, se estamos acostumados a experimentar mais emoções agradáveis do que desagradáveis, sentiremos uma felicidade hedonista superior.

Manutenção da satisfação vital. Para poder desfrutar do hedonismo, é necessário sentir que nosso ambiente é agradável. Se existem problemas na nossa família, com amigos, no trabalho, etc., isso vai gerar uma ansiedade que afetará a nossa felicidade hedonista.

Perseguição dos desejos e das necessidades. O hedonismo vai adquirir o prazer através da realização dos nossos desejos e das nossas necessidades. Realizar os desejos e satisfazer as necessidades vai nos proporcionar essas emoções agradáveis que decorrem da felicidade hedônica.

Felicidade a curto prazo. Um aspecto essencial do hedonismo é seu olhar focado no presente ou no futuro mais imediato. Estamos falando do prazer ou da felicidade espontânea que surge após a realização de certas condutas. À medida que o estímulo vai se afastando, a felicidade hedônica vai se dissipando.

Alta intensidade. A felicidade hedônica é uma emoção altamente gratificante e estimulante. Uma felicidade que se vive com grande intensidade e entusiasmo.
Mulher sorrindo feliz

Eudaimonia, 
a felicidade baseada no desenvolvimento pessoal 
Muitas condutas não nos proporcionam uma felicidade imediata e, inclusive, exigem esforço. Além disso, nos fazem experimentar em determinados momentos algumas emoções de valência negativa, características desse tipo de motivação. Mas apesar disso, continuamos realizando essas condutas com afinco e, inclusive, estamos satisfeitos com elas. Isso ocorre graças ao fato de que essas condutas nos proporcionam desenvolvimento pessoal, que se experimenta com uma felicidade eudaimônica. Exemplos dessa eudaimonia podem ser treinar para uma corrida, aprender um idioma, conhecer outras culturas, explorar a si mesmo, etc.

Para definir a eudaimonia podemos recorrer às seguintes características da mesma:

Busca do desenvolvimento pessoal. É o aspecto essencial desse tipo de felicidade. A eudaimonia é a motivação que nos incita a nos desenvolver como pessoas. É a satisfação que surge de estar orgulhoso com nosso crescimento cognitivo, moral, emocional, etc.
Realização das metas e dos objetivos. O grau de intensidade da felicidade eudaimônica vai depender de alcançarmos ou não as nossas metas e os nossos propósitos. Alcançar nossos objetivos vai nos trazendo essa felicidade que nos motiva a continuar no nosso crescimento.

O esforço e a motivação. Estes serão os motores da nossa autorrealização. Como em muitas situações nossa metas e nossos propósitos vão apresentar problemas e emoções desagradáveis, vamos precisar de esforço e motivação para alcançar a eudaimonia.

Felicidade a longo prazo. É uma felicidade que se representa com a satisfação consigo mesmo, a capacidade de observar a si mesmo e estar orgulhoso com seu crescimento pessoal. Representa mais uma percepção de si mesmo do que um estado temporário específico (como no caso do hedonismo).

Conclusões
O que é melhor: uma felicidade hedonista ou uma felicidade eudaimônica? A resposta é que ambas costumam ser uma motivação nas nossas vidas. Assim, são responsáveis por incentivar as condutas agradáveis e o desenvolvimento pessoal, respectivamente. Nesse sentido, parece essencial encontrar um equilíbrio pessoal entre as duas, de maneira que uma não acabe se transformando em um obstáculo para a outra.

Hoje em dia, devido em grande parte à sociedade de consumo na qual vivemos, baseamos nossa vida no hedonismo. Gastamos nossos recursos de maneira excessiva em prazeres de curto prazo e nos esquecemos do nosso desenvolvimento pessoal ou o buscamos de maneira indireta através desse consumo. Inclusive, grande parte da população detesta sua vida profissional e a única satisfação que podem encontrar se dá através dos prazeres hedônicos. É importante não esquecer ou deixar de lado a nossa autorrealização, já que é a única maneira de alcançar a eudaimonia.
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GUARDAR - Antonio Cícero


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
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7 FRASES QUE DESTRUIRÃO SEUS FILHOS. UM ALERTA!

A raiva, o cansaço e a frustração que vêm com problemas cotidianos podem exasperar-nos e nos fazer dizer coisas que realmente não sentimos. Estas são algumas das piores combinações de palavras que podemos dizer aos nossos filhos, independentemente da idade deles, mas especialmente às crianças pequenas. Os efeitos dessas palavras podem ir além do que você acredita e do que você ou seus filhos podem controlar.
Leia com atenção e pense muitas vezes antes de dizer frases como essas…

1. “Você nunca faz nada direito”
Ninguém gostaria de ouvir isso, menos ainda de um adulto. Imagina a sensação desagradável quando sua filha inocente ouve você dizer palavras como essas. Se sua filha cometeu um erro, quebrou algo, arruinou a mistura do bolo, respire fundo e pense no que é mais importante. A resposta sempre será a mesma: seus filhos são mais importantes do que qualquer outra coisa.

  
2. “Eu gostaria que você fosse mais parecido com seu irmão”
Nós não ganhamos nada comparando nossos filhos, mas podemos criar ressentimentos entre os membros da família. Certifique-se de que comparações não existam em sua casa. Somos todos diferentes e únicos, e somos todos especiais a nossa própria maneira.

3. “Você é gordo/feio/burro”
Nossos filhos acreditam em tudo o que falamos. Nós somos sua fonte mais confiável de informação e também a maior fonte de amor. Não prejudique a autoestima de seus filhos com adjetivos negativos. É melhor reconhecer seus pontos fortes ao invés de enfatizar o negativo.

4. “Eu tenho vergonha de você”
Se o seu filho tem a tendência de chamar atenção em público, como gritar, brincar, correr e cantar para todos ouvirem. Talvez só precise de mais atenção. Não diga coisas como essa na frente de seus amigos e nem em particular. Por que não planejar um espetáculo em casa onde ele seja a estrela principal? Talvez descubram seu lado artístico ao fazer isso e divirtam-se em família.

5. “Eu queria que você nunca tivesse nascido”
Eu não consigo pensar em algo pior que alguém poderia dizer a uma criança. Nunca, em nenhuma circunstância, diga isso a seus filhos, nem sequer de brincadeira. Todos precisamos saber que somos desejados e queridos, independentemente dos erros que cometemos.

6. “Eu cansei, não te amo mais”
Às vezes, sem perceber, caímos nos jogos de palavras de nossos filhos. Sua filha de três anos está frustrada porque não pode comer outro potinho de sorvete no jantar. Depois de explicar a ela várias vezes porque ela não deve fazer isso, ela fica brava, chora e diz que não te ama. A resposta mais fácil seria pagar na mesma moeda, mas isso só prejudica sua filha. A reação correta seria explicar novamente porque ela não pode comer mais sorvete e lembrá-la de que você sempre irá amá-la, mesmo que ela esteja muito brava com você. Ela aprenderá muito mais do que você imagina com esta lição.

7. “Não chore, não é nada sério”
“Quão grandes podem ser os problemas das crianças? Elas são apenas crianças, elas não têm preocupações, tristezas, decepções e medos.” Este é um erro que como adultos cometemos com muita frequência. As crianças têm tanta ou maior capacidade emocional quanto um adulto. A diferença é que elas não podem expressar-se e acalmar a si mesmas como nós. Então, de alguma forma, seus problemas não seriam ainda maiores? Nunca menospreze um medo, um arranhão, uma dúvida, um conflito pelo qual seu pequeno está passando. Ajude-o a superar o problema e a reagir de forma saudável.

Com pequenos ajustes e sempre considerando os sentimentos e bem-estar de nossos filhos, podemos evitar estas frases tão prejudiciais e ter uma relação de amor, proteção e bem-estar no lar.

Traduzido e adaptado por Sarah Pierina do original “Frases que destruirán a tus hijos”. Publicado originalmente no Brasil em Família.com.br 
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POR QUE SENTIMOS VERGONHA ALHEIA? - Vanessa Vieira

Você pode até ser insensível, 
mas seus neurônios são solidários

Se a visão de um colchão com pulgas provoca coceira alheia e um acidente de trânsito gera dor alheia, natural que testemunhar uma situação embaraçosa cause a famosa vergonha alheia. 

Por trás dessas sensações solidárias estão as estrelas da neurologia contemporânea: os neurônios-espelho. Essas células são especialistas em copiar: simulam no nosso cérebro o que está acontecendo com outra pessoa. E isso vale para movimentos e emoções. 

Foi o que mostrou uma pesquisa do Institut de Neurosciences Physiologiques et Cognitives de la Mediterranée, na França, que escaneou o cérebro de voluntários enquanto sentiam um odor desagradável e enquanto apenas assistiam a um vídeo de outras pessoas sentindo nojo. 

Em ambas as situações, as áreas ativadas no cérebro foram as mesmas.

O resultado é que, ao ver alguém experimentando uma emoção, nossa tendência é simular em nós mesmos o mesmo medo, tesão, alegria e, claro, a mesma vergonha. 

Isso vale inclusive para aquelas vezes em que aquela que consideramos a vítima não está nem aí, mas você está. 

"É como se nosso cérebro, ao identificar uma situação desafiadora, nos desse uma provinha para degustação", diz Renata Pereira Lima, pesquisadora do Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP

Ou seja, se você vê alguém pagando mico em um reality show e sente vergonha alheia, é seu inconsciente avisando: "não é pra você".
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ABC DOS TRAUMAS PSÍQUICOS

Os traumas psíquicos são um desses temas sobre os quais todo mundo fala, mas que poucos compreendem com profundidade. Nem toda experiência negativa pode ser classificada como trauma, e nem todo trauma ocorre de maneira consciente.

De fato, muitas pessoas desconhecem que carregam essa marca, apesar do quanto ela pode influenciar o seu comportamento.

A magnitude dos traumas psíquicos não depende exclusivamente da gravidade dos fatos aos quais uma pessoa foi exposta. Influenciam, de maneira determinante, fatores como a idade, o contexto, o estado mental no momento da experiência, os fatos posteriores, etc.

Os traumas psíquicos, por vezes, têm consequências que se prolongam durante toda a vida. Falamos de realidades que devem ser abordadas por um profissional, pois é muito difícil que uma pessoa, por mais que se esforce, consiga superá-las sem uma intervenção dirigida e adaptada.

Todos nós temos traumas na vida, mas eles são diferentes entre si e, além disso, nem todos ficamos com as mesmas marcas.

 “Ansiedade, pesadelos e um colapso nervoso. Há apenas uma determinada quantidade de traumas a que uma pessoa pode resistir até ir para a rua e começar a gritar”.
-Cate Blanchett-

Definindo os traumas psíquicos
Em termos gerais, os traumas psíquicos são definidos como experiências inesperadas que geram uma forte dor emocional. No trauma, sempre está presente uma ameaça real, potencial ou imaginária contra a vida ou a integridade da pessoa.

Também cabem dentro dessa definição as experiências das quais somos testemunhas, embora não recaiam diretamente sobre nós mesmos.

A resposta da pessoa exposta a esse tipo de situação é de pavor. Isto é, um estado de estupor no qual é vivenciado um profundo sentimento de impotência. Em geral, e especialmente nas crianças, a resposta inicial é de caos emocional, agitação, comportamentos desorganizados ou paralisia.

Os traumas psíquicos são armazenados de uma maneira anômala na nossa memória. A experiência é tão impactante que a mente não consegue registrar de forma fiel e ordenada o que aconteceu. É como um choque para o cérebro.

Por isso, é comum que a informação envolvida seja confinada e arquivada, por assim dizer. Em outras palavras, só recordamos alguns aspectos e o resto é esquecido de maneira consciente. É um mecanismo de defesa para seguir em frente.

As características dos traumas psíquicos
O fator determinante do trauma é o inesperado, a falta de preparo, a carência de recursos adequados de enfrentamento. De alguma maneira, nem o corpo nem a mente estão preparados para viver essa experiência.

De repente, o organismo e o psiquismo devem reagir em pouquíssimo tempo. O nível de excitação nervosa alcança um patamar tão alto que a pessoa não consegue elaborar a experiência e integrá-la em sua história de uma maneira que não a prejudique.

Por outro lado, os traumas psíquicos nem sempre decorrem de fatos reais. Às vezes, a mente humana não é capaz de separar o que acontece na realidade daquilo que imagina ou evoca.

Assim, podem existir traumas psíquicos originados não em um fato real de ameaça, mas no fato subjetivo de se sentir ameaçado.

Sigmund Freud descobriu que muitos de seus pacientes tinham passado por experiências que, para eles, eram intoleráveis, embora não colocassem suas vidas em risco ou sua integridade em perigo em seu sentido estrito.

É muito citado o caso de uma mulher que alucinava com o cheiro de bolo queimado. Sua psicanálise a levou à lembrança do momento em que trabalhava como empregada doméstica de uma família. Ela havia recebido uma carta de sua mãe e as crianças da casa em que trabalhava a pegaram. Nesse momento, os bolos que estavam no forno queimavam.

Os efeitos psicológicos do trauma
Os traumas psíquicos têm diferentes níveis de gravidade. Os mais graves podem fazer com que uma pessoa organize toda a sua vida e toda a sua percepção da realidade em função da experiência traumática. Por exemplo, alguém que foi vítima do abandono súbito muito cedo na vida se torna incapaz de confiar nas pessoas.

O comum é que quem sofreu traumas psíquicos desenvolva a chamada síndrome de estresse pós-traumático. Trata-se de continuar vivenciando o trauma, de forma inconsciente, mesmo que já não haja nenhum perigo.

Um caso típico é de pessoas que participaram de guerras e, depois, se sentem atormentadas pelas lembranças violentas, ao ponto de não conseguirem mais viver normalmente.

Também é comum que um dos efeitos dos traumas psíquicos seja a ansiedade e a depressão, com manifestações como ataques de pânico ou disfunções de vários tipos.

O importante é saber que com ajuda profissional adequada é possível minimizar os efeitos desse tipo de impacto. Isso envolve uma reelaboração do acontecimento e uma intervenção sobre a memória emocional.




A CIÊNCIA E O BUDISMO ESTÃO DE ACORDO: NÃO EXISTE NENHUM “EU” DENTRO DA GENTE.

Evan Thompson da Universidade de British Columbia comprovou a noção budista de anatta, ou não-“Eu”. 

A neurociência tem se interessado pelo budismo desde o fim da década de 1980, quando o Instituto Mind and Life foi criado por Sua Santidade o Dalai Lama junto com uma equipe de cientistas. Os resultados científicos que vieram desses primeiros estudos validaram o que os monges já sabem há anos – se você treinar sua mente, você consegue mudar seu cérebro. À medida que os neurocientistas começaram a estudar a mente, eles se voltaram para aqueles que são mestres da mente.

Embora o Buda não tenha ensinado anatta para as pessoas leigas – achando que poderia ser confuso demais – o conceito está centrado na ideia de que não existe um “Eu” independente. A ideia de que somos a mesma pessoa de um momento para o outro, de um ano para o outro, é uma ilusão. Thompson afirma que “o cérebro e o corpo estão em um constante fluxo. Não há nada que corresponda à sensação de que há um “Eu” que não muda”.

Se não há um “Eu” independente, isso significa que não precisamos ficar levando tudo para o lado pessoal.

É válido assistir um vídeo seu do passado ou ler algo que você tenha escrito alguns anos atrás. Seus interesses, pontos de vista, crenças, apegos, relacionamentos, etc., tudo mudou em algum sentido. Anatta não significa que você não existe; significa apenas que você está constantemente mudando, constantemente evoluindo, e tomando formas diferentes. Por que isso é importante? O que importa se não há um “Você” ou um “Eu” sólido?

Dr. Rick Hanson, autor de “O cérebro e a felicidade” e “O cérebro de Buda”, argumenta que, se não há um “Eu” independente, isso significa que não precisamos ficar levando tudo para o lado pessoal. Ou seja, nossos pensamentos internos são apenas pensamentos, e eles não nos definem. Eventos externos são apenas eventos externos, e eles não estão acontecendo para nós, pessoalmente. Ou, como diz Tara Brach, “nossos pensamentos são reais, mas não verídicos”.

É uma tremenda libertação não nos identificarmos com nossos pensamentos ou com uma ideia estabelecida do que somos. É então que conseguimos crescer e mudar – com a ajuda da neuroplasticidade. Aí, então, há a esperança de que podemos nos livrar dos nossos vícios ou maus hábitos (da mente e do corpo), uma vez que, se não estamos presos às crenças auto limitantes que são inerentes ao “Eu” independente, podemos nos orientar na direção de nos tornarmos mais quem gostaríamos de ser.

A ideia de que somos a mesma pessoa de um momento para o outro, de um ano para o outro, é uma ilusão.

Enquanto a Ciência e o Pensamento do Oriente continuarem andando juntos, é possível que mais estudos do século XXI deem respaldo a ideias de 2.600 anos. Contudo, como disse Sua Santidade o Dalai Lama: “Imagine que algo seja definitivamente provado por meio da investigação científica…. Imagine que esse fato seja incompatível com a teoria Budista. Não há dúvida de que devemos aceitar o resultado da pesquisa científica”.

Ouvir um posicionamento pró ciência vindo de um líder religioso é um alívio para muitos. No fim, budismo e neurociência parecem ter objetivos similares: o que é essa coisa que chamamos de mente e como podemos usá-la para nos tornarmos um pouco menos infelizes e um pouco mais felizes? Talvez só 10% mais feliz, como escreveu Dan Harris. 

Se não há um “Eu” independente, é pelo menos minha intenção que meu “Eu” que sempre está mudando seja equânime e, por que não, 10 por cento mais feliz. Não importa quem eu seja. 
Artigo traduzido do site Big Think

10 DIFERENÇAS ENTRE FREUD E JUNG

São inúmeras, e em muitos casos controversas, as polêmicas geradas ao redor das figuras de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung. 

Neste artigo, falaremos sobre as principais diferenças entre Freud e Jung.

Em geral, para cada uma de suas propostas, encontramos especialistas que se posicionam a favor e contra, cada um com suas variantes. Além disso, quando, ao invés de analisá-los separadamente, os colocamos em um mesmo plano, a comparação faz com que os debates sejam muito ricos.

As diferenças entre Freud e Jung são interessantes porque, paradoxalmente, no início da prática profissional de Jung eles coincidiam em pensamentos e abordagens teóricas. Na verdade, a coincidência inicial faz com que em alguns casos tenhamos dúvidas sobre o autor de uma determinada ideia; algo que já não acontece, por exemplo, nas últimas fases de sua evolução, em que suas diferenças aumentaram e sua marca se tornou muito mais particular. De uma forma ou de outra, a caminhada que propomos pela história desses dois grandes autores parece realmente incrível. Você vem com a gente?

Por que diferenciar Freud de Jung?
Sigmund Freud foi um médico neurologista de origem austríaca que deu início e forma a uma das correntes psicológicas mais poderosas e de maior tradição: a psicanálise. Além disso, é considerado por muitos, tanto seguidores quanto críticos, um dos intelectuais mais importantes do século 20. Sendo um neurologista, seu interesse inicial como campo de estudo foi a neurologia; daí podemos situar a origem de sua evolução, derivando progressivamente em uma vertente mais psicológica: tanto na análise das causas, como no curso e nas consequências dos transtornos que estudou.

Por outro lado, Carl Gustav Jung foi um médico psiquiatra, psicólogo e ensaísta de origem suíça. Atuou como figura chave nos primórdios da psicanálise; posteriormente fundou sua própria escola de “psicologia analítica”, também conhecida como psicologia profunda ou psicologia complexa.

Jung se interessou pelo trabalho de Freud, o que levou este último a nomeá-lo como seu “sucessor” publicamente. No entanto, não demorou muito para que o professor de Viena e o de Zurique, como resultado de seus desentendimentos teóricos e pessoais, se separassem. Desta forma, Jung foi expulso da Sociedade Psicanalítica Internacional daquela época, a mesma que presidiu em 1910.

Diferenças entre Freud e Jung
Embora existam muitas diferenças entre Freud e Jung, neste artigo iremos citar algumas das mais relevantes. Por outro lado, podemos dividir essas diferenças em diferentes subdivisões.

1. Ser psicanalista
Embora não seja estranho escutar o termo “psicanálise” – para se referir a aqueles que estudaram pela teoria de Jung – este é um erro nominativo. Jung não é considerado psicanalista, na verdade, decidiu separar-se por completo dessa escola e fundou a sua própria.

2. O termo “complexo”
Freud reconheceu e concedeu a autoria desse termo à Jung. Freud utilizou esse termo sempre acompanhado de um sobrenome em sua teoria: “Complexo de Édipo” ou “Complexo de castração” para poder explicar a teoria sexual e a dinâmica psíquica ali existente.

Por outro lado, para Jung o termo complexo tem relação com o conjunto de conceitos ou imagens emocionalmente carregadas que atuam como uma personalidade dividida. No núcleo desses complexos é encontrado o arquétipo, que se relaciona com o conceito de trauma.

3. Parapsicologia e fenômenos ocultos
Jung atribuiu muita importância à parapsicologia e à autenticidade dos então chamados “fenômenos ocultos”. Freud, por outro lado, foi contrário a estudar essas questões e ligá-las à psicanálise; considerava que fariam muito mal à teoria.

“Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo,
posso assegurar que um dos dois pensa por ambos”.
-Sigmund Freud-

4. Conceito de “restos arcaicos”
Para Freud, os “restos arcaicos” estão relacionados com certos assuntos inconscientes, teriam relação com o conceito de traço mnêmico criado por ele.

Diferentemente, para Jung, os restos arcaicos eram mais que isso; na verdade, permitiram criar uma tipologia do inconsciente diferente da psicanálise – o inconsciente coletivo. Para isso, fez uso da análise dos sonhos de seus pacientes, interpretou diferentes mitos produzidos por diversas culturas e os somou à investigação do simbolismo alquímico.

Para Jung, o inconsciente coletivo é algo comum à natureza humana. Nasce com ela; constituído por estruturas arquetípicas derivadas dos momentos emocionais mais transcendentes da humanidade que resultam no medo ancestral da escuridão, a ideia de Deus, do bem, do demoníaco, entre outros.

5. Os fatores históricos e a importância do presente
Para Freud, tanto no desenvolvimento da neurose quando no da psicose, prevaleciam os fatores históricos de cada indivíduo sobre os fatores ou circunstâncias atuais. Ou seja, os fatores históricos viriam a determinar os comportamentos atuais e futuros.

No entanto, para Jung isso funcionava ao contrário. Ele relativizava a preeminência dos fatores históricos na fundamentação freudiana. E mesmo que Freud não concordasse com essa peculiaridade, ele o fazia em termos gerais, considerando o foco de Jung em ressaltar, ao que diz respeito ao campo de estudo das neuroses, o presente em detrimento do passado.

“Eu não sou o que aconteceu comigo,
eu sou o que eu escolhi me tornar.”
-Carl Jung-

6. Elã vital vs. libido
Para Jung, o conceito de libido definia uma energia vital de natureza geral que adotava a forma mais importante para o organismo em cada momento de sua evolução biológica – alimentação, eliminação, sexo. É diferente da concepção de libido freudiana: energia predominantemente sexual concentrada em diferentes áreas corporais no decorrer do desenvolvimento psicossexual do indivíduo.

7. Estrutura psíquica
Para Freud, a estrutura psíquica estava composta por três níveis: consciente, pré-consciente e inconsciente. Para Jung havia o nível consciente, mas ele fazia referência a dois inconscientes: o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

8. A transferência
Outra diferença entre Freud e Jung é a forma como entendiam o fenômeno da transferência. Ambos contemplavam esse conceito. Freud pensava que, para que isso pudesse ocorrer, deveria existir uma certa assimetria em que o analista serve como objeto, tela em branco onde o paciente pode colocar – transferir – fantasias, figuras representativas, etc., a partir do qual se inicia o trabalho analítico. Direção unidirecional.

Por outro lado, embora para Jung a transferência permaneça sendo o problema central da análise, não compartilha sua prática ortodoxa. Partindo de seus conhecimentos de alquimia, definiria a relação terapêutica a partir da metáfora de dois corpos químicos diferentes que, colocados em contato, se modificam mutuamente. Sendo assim, a relação que se estabelece entre paciente e psicoterapeuta é de colaboração e confrontação mútua.

9. O sofá
Para Freud, o uso da ferramenta do sofá era imprescindível para poder realizar análises, sempre deixando o analista fora do alcance da visão do paciente. O oposto de Jung, que realizava as sessões frente a frente, sentado diante do paciente e mantendo uma interação direta constante. Ele dispensava o sofá.

10. Frequência das sessões
A frequência das sessões é outra diferença entre Freud e Jung. Carl Gustav Jung atendia seus pacientes, no início, duas vezes por semana, por uma hora em cada sessão. Mais tarde, propunha passar para uma sessão semanal em um tratamento usual de três anos. Freud, por outro lado, atendia à seus pacientes seis vezes por semana, por 45 a 50 minutos em cada sessão, estritamente.

Finalmente, embora tenhamos mencionado dez diferenças entre Freud e Jung e seus métodos, pensamentos e abordagens, muitas outras poderiam ser encontradas. A relação entre ambos e como cada um deles deixou sua marca no outro é muito interessante; por esse motivo, está feito o convite para conhecer suas obras em maior profundidade.

AS PEGADINHAS DO INCONSCIENTE - Cláudia Penteado

No emaranhado de informações com que lidamos diariamente, afogados em dados e versões de muitas e muitas histórias, volta e meia nos deparamos com algo bacana. É o caso de um artigo v recentemente no blog do Buffer, que chama a atenção para os erros que, quem diria, nossos cérebros cometem o tempo todo, sem que nos demos conta. São erros, segundo o artigo de Belle Beth Cooper (profissional de conteúdo do Buffer), cometidos por nosso inconsciente, numa espécie de gestalt habitual, mas que podem ser evitados – desde que tomemos consciência de sua existência. Vamos a eles.

O primeiro erro que cometemos é o seguinte: nos cercamos de informações que combinam com nossas crenças. Em geral, gostamos de pessoas que pensam como a gente. Isso significa que, inconscientemente, acabamos ignorando ou descartando qualquer coisa que ameace nossos pontos de vista. No artigo, Belle diz que isso se chama “Confirmation bias”: é uma experiência passiva de confirmação contínua daquilo em que acreditamos. Ela usa um vídeo de lançamento do livro “You are now less dumb”, de David McRaney, como exemplo da tendência das pessoas em cultivar certas crenças sem desafiá-las.

O segundo erro comum chama-se “a ilusão do corpo do nadador”. Normalmente confundimos fatores seletivos com resultados. Uma espécie de pegadinha no estilo “ovo ou galinha”, mas o fato é que nossa mente nos engana mais do que imaginamos. Acreditamos, por exemplo, que nadadores têm corpos perfeitos porque são bons nadadores. Na realidade, nadadores são bons porque seus corpos foram elemento essencial de seleção que lhes permitiu, a priori, tornarem-se excelentes nanadores. E, claro, o treinamento aprimorou seus corpos.

O terceiro erro cometido é nos preocuparmos com coisas que já perdemos. Costumamos nos preocupar com perdas – não só de dinheiro, mas energia e tempo - porque, segundo o psicólogo Daniel Kahneman, em seu livro Thinking Fast and Slow, nos apegamos a elas muito mais do que aos ganhos. Isso porque a humanidade convive com uma impressão arquetípica poderosa: a de se defender e evitar ameaças, desde os tempos das cavernas, muito mais do que maximizar oportunidades. Isso nos impede de fazer escolhas com base no que nos renderá melhores experiências no futuro, no lugar daquelas que simplesmente nos farão ter a sensação de “compensar” experiências ruins do passado. Se você compra um ingresso para um filme ruim, você fica assistindo até o fim para fazer com que ele “se pague” ou sai do cinema e usa seu tempo para fazer algo mais divertido? Faz pensar.

O quarto erro recorrente é que costumamos prever “vantagens”. Se o time vem ganhando, acreditamos que continuará ganhando. Mas as nossas chances de ganhar ou de perder, se dependemos da sorte e do acaso, se equivalem. É uma espécie de “falha” no nosso pensamento de criaturas sem qualquer lógica ou coerência. Mais uma vez, colocamos muito peso em experiências do passado e confundimos nossa memória acreditando que o futuro funcionará dentro de um determinado “padrão” já introjetado. Essa falha costuma levar jogadores compulsivos à falência porque eles sempre acreditam que a próxima jogada será a da sorte. Porque provavelmente tiveram alguma experiência de sorte no passado, claro.

O quinto erro é racionalizar compras que não queremos fazer. Quem nunca? Vivemos tentando nos convencer de que fizemos boas compras, tentando justificar mais um par de sapatos ou bolsa. Mesmo sabendo que eram caros demais, você usaria pouco ou talvez nunca. Mas somos ótimos em nos convencermos de que precisávamos de algo que no fundo...sabíamos que não. É uma espécie de racionalização pós-compra, uma síndrome, mesmo, usada para dar algum conforto ao ato equivocado. Uma tentativa da nossa mente de nos manter na zona de conforto da consistência, sem escorregar para a dissonância cognitiva que toma conta quando tentamos, desesperadamente, nos definir entre duas ideias ou teorias opostas.

Sexta “armadilha” do nosso inconsciente: tomamos decisões com base no efeito âncora. Ao invés de pensarmos no valor em si de uma determinada escolha, tendemos a compará-la a alguma outra escolha como justificativa. No artigo Belle cita o economista Dan Ariely como o suposto criador desse “efeito âncora”. Dan conduziu um experimento em que dois tipos de chocolates foram postos à venda, um ao lado do outro: um mais simples, gotas de chocolate da Hershey’s a um centavo cada, e outro mais sofisticado, trufas da Lindt a 15 centavos cada. As trufas desapareceram rapidamente, pois o consumidor agiu comparando as duas marcas e vendo qual era um “deal” melhor. Dan decidiu reduzir a diferença de preço entre os dois produtos: os kisses da Hershey’s de graça, trufas por 14 cents. As pessoas escolheram os Kisses. Dan tem vários exemplos de como as pessoas agem quando têm mais de uma opção, comparando-as, e nem sempre tomando a melhor decisão. Às vezes nos prendemos a um determinado valor e o usamos para efeito comparativo, quando na verdade há outros aspectos mais interessantes para serem analisados que passam absolutamente batido. Muitas vezes não sabemos, mesmo, o que preferimos. Soa familiar?

O sétimo erro recorrente: acreditamos mais na nossa memória do que nos fatos. Nem vou discorrer aqui como a memória pode nos enganar. Muitas vezes nossa memória nos faz tomar decisões de acordo com aqueles padrões do passado já mencionados no quarto item dessa lista de erros – ao invés de parar para analisar os fatos. Um pouco de objetividade pode ser bom.

Oitavo e último erro: prestar muito mais atenção aos estereótipos do que imaginamos. Belle cita nesse item um exemplo dos pesquisadores Daniel Kahneman e Amos Tversky que, em 1983, testaram esse aspecto incoerente do pensamento humano ao criar uma pessoa imaginária e pedir que as pessoas lessem a descrição e respondessem a uma pergunta. A descrição era de uma moça solteira, jovem e muito inteligente, formada em filosofia e engajada em demonstrações antinucleares na juventude. Colocam-se então duas alternativas e deve-se escolher a “mais provável”.

A primeira: Linda é caixa de banco. A segunda: Linda é caixa de banco e participa do movimento feminista. A maioria (85%) escolheu a segunda opção, mais detalhada, na verdade uma “pegadinha de linguagem” - pois repete a opção 1 incluindo um ingrediente limitador, para confundir as pessoas e suas visões estereotipadas. Isso demonstra o quanto se pode ser irracional e ilógico nas escolhas: a resposta dois simplesmente não poderia ser a correta numa pergunta sobre maior probabilidade.

Fica aí a lição de casa: tentar identificar esses vícios do inconsciente, que automatizam as decisões. E fazem errar.
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