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COMO COMEÇAR DO ZERO EM QUALQUER IDADE

Não é fácil deixar tudo para trás e começar de novo.É um caminho duro, mas a recompensa, quando você não está feliz e precisa de uma mudança, vale a pena.

Começar do zero não é fácil. É como dar um salto no vazio, como conter a respiração enquanto deixamos para trás coisas e pessoas às quais é necessário dizer adeus.

É muito possível que você já tenha tido que começar de novo em mais de uma ocasião. Pode ser que este “recomeço” se devesse a um tema de trabalho ou pode ser inclusive que tivesse como origem um tema afetivo, pessoal ou familiar.

Um aspecto que, em algumas situações, pode nos frear na hora de dar o primeiro passo e construir uma vez mais nossos próprios caminhos em busca da felicidade é pensar que “já é tarde demais”, que ter uma certa idade supõe, por exemplo, ter que ceder, calar e aguentar porque nossas oportunidades já passaram. Não é bem assim. Nunca é tarde para sair do sofrimento, e na verdade esta é uma obrigação para com você mesmo.

Propomos que você leve em conta esta série de recomendações para poder começar do zero seja qual for o seu problema.

Pense no futuro e pergunte a si mesmo como gostaria de se ver

Se você tiver dúvidas, se sentir medo, faça o seguinte exercício de visualização: imagine-se dentro de 2 anos, mas imagine-se feliz, satisfeito e tranquilo.

Agora, avalie como você se sente nestes momentos: aí está o motivo. Mais do que buscar a felicidade ideal, na vida é preciso ter paz interior, equilíbrio e satisfação. Se você não sentir estas mesmas dimensões agora, é necessário fazer uma mudança. Você merece uma nova oportunidade.

Comece com pequenos objetivos a curto prazo

Toda mudança requer, em primeiro lugar, tomar pequenas decisões que pouco a pouco nos levarão a dar o passo final. Estes seriam alguns exemplos destes pequenos objetivos que deveríamos propor a nós mesmos:

Hoje vou controlar minha angústia e meu medo. Dado que já sou consciente de que vou começar de novo, assumo e aceito minha decisão. Vou substituir meu medo pela tranquilidade interior e a determinação.

Hoje vou buscar informação sobre como eu gostaria de começar outra vez (ofertas de emprego, ajuda dos serviços sociais ou outros organismos oficiais…)

Você não está sozinho como pensa: busque apoio

Sem dúvida, começar uma nova etapa nos causa medo, angústia. No entanto, um modo de encontrar forças é sentir que alguém nos apoia ou nos entende neste novo caminho.

Seja inteligente na hora de buscar apoio. Haverá familiares ou amigos que não darão bons conselhos, e inclusive que recomendarão que você “não o faça” ou “aguente um pouco mais”.

Se você tomou a decisão de começar de novo, busque a proximidade de pessoas que passaram pela mesma coisa que você está enfrentando. Elas, sem dúvidas, poderão oferecer os melhores conselhos e os melhores apoios.

Seu futuro não está escrito e o amanhã pode estar repleto de novas oportunidades

Se o passado serve para algo é para nos ensinar, para nos oferecer sabedoria, acerto e maturidade, e isso é algo que você pode aproveitar. Você é alguém sábio em relação a vivências e aprendizados da vida. É valor adicionado, uma arma de poder.

Pense que quando damos o passo rumo à mudança, tudo é incrivelmente novo, mas o novo não é ruim. Ele nos assusta, mas nos oferece a oportunidade de alcançar aquilo que buscamos ou desejamos.

O que você deseja é, antes de mais nada, sentir-se bem consigo mesmo, libertar-se das angústias, lágrimas ou do fracasso que não deve determinar sua vida, e sim servir como incentivo para dar um passo mais além e encontrar o seu sucesso particular.

Derrube suas próprias atitudes ou pensamentos limitantes

Sou velho demais, certamente não vou encontrar trabalho: pense em quais são as suas habilidades e seja criativo na hora de “vender-se”. Mais do que procurar, consiga ser procurado por oferecer qualidade ou algo novo. Faça uso da sua criatividade.

Nunca estive sozinho e não vou conseguir me virar: derrube este pensamento que o limita e entenda que a solidão é o reflexo da liberdade, e é aí que você se encontrará de novo para construir sua própria felicidade.

Com certeza vou fracassar e vai dar tudo errado. Acabe com esta ideia. Você não é um profeta, não pode adivinhar o que vai acontecer ou não. Leve em conta que os pensamentos geram emoções, e um pensamento negativo, no final das contas, gera uma atitude fatalista.

Certamente ninguém irá me apoiar e nada disso vai valer a pena. Não reforce este tipo de ideia. O apoio mais importante com o qual você deve contar é o seu próprio. Mais tarde, os bons amigos, a família mais nobre e pessoas que você irá conhecendo dia após dia irão oferecer seu grãozinho de areia para que você construa sua nova vida.

Pouco a pouco você se dará conta de que tudo valeu a pena. Começar do zero é algo duro e complexo, mas mantenha o seu objetivo: você merece ser feliz, merece deixar de lado os dias de escuridão e de mal-estar.
Fonte:Psicologias do Brasil
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A Casa Encantada
Contos do Leblon
Edmir Saint-Clair
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MATURIDADE EMOCIONAL E CAPACIDADE DE LIDAR COM FRUSTRAÇÕES - Juliana Santin

Era uma vez uma menina que, aos 7 anos de idade, precisou usar óculos. Esse acontecimento foi um grande sofrimento para ela, que sentiu-se estranha, diferente, feia.

Essa menina odiou ter que usar óculos com todas as suas forças. Escondia-se das pessoas quando estava de óculos. Chorou por isso, achou-se a pior das criaturas. Com o avanço da idade, ela passou a usar lentes de contato, mas seu sonho mesmo era fazer cirurgia para correção e livrar-se de uma vez por todas desse tormento. Finalmente, esse dia chegou! Ela operou os olhos e pronto. Livrou-se para sempre dos óculos e das lentes.

Até que, um tempo após a cirurgia, ela notou que a vista não estava muito boa e veio a notícia: teria que voltar a usar óculos! E é aqui que vem o grande desfecho da história que é o gancho para esse texto: dessa vez, a menina – agora, mulher – não mais esbravejou, não mais chorou escondida, não mais escondeu-se. Comprou óculos modernos e bonitos e passou a usá-los como acessório. Preferia não precisar usá-los – quem não prefere ter a vista perfeita? -, mas, já que tem que usar, o melhor a fazer é aceitar e lidar da melhor forma possível.

Essa história foi narrada por uma de minhas irmãs. E, pela foto acima – sim, essa moça da foto é minha irmã – percebe-se que ela obteve sucesso na escolha dos novos óculos.
Ela me contou isso, justamente refletindo sobre como uma coisa que foi tão problemática para ela na infância, adolescência e juventude agora perdeu peso, tem outro valor.

Contou sobre como encarou de uma maneira tão diferente essa frustração – e foi, mesmo uma frustração, pois ninguém opera os olhos achando que vai precisar de óculos de novo – e sobre como o que antes a deixava tão desconfortável, hoje já incomoda pouco, quase nada.
Isso me levou a refletir sobre essa questão tão importante e difícil: a maturidade emocional.

O psiquiatra Flávio Gikovate tem uma definição muito interessante para essa questão. Para ele, a maturidade refere-se basicamente a uma boa tolerância à frustração. Ele deixa claro que maturidade, apesar de a palavra nos levar a crer que se trata de “idade madura”, não tem a ver com o avanço da idade. Há pessoas mais velhas imaturas, bem como há jovens muito maduros.

Então, tornamo-nos pessoas cada vez mais maduras quando passamos a ter maior tolerância às frustrações. Isso diz respeito a fatos imutáveis e sobre os quais não temos controle algum, como é o caso da necessidade de usar óculos da minha irmã, bem como a frustrações relacionadas a erros e falhas que cometemos. Isso também diz respeito à tolerância ligada às incertezas da vida.

“Tolerar bem frustrações não significa não sofrer com elas e muito menos não tratar de evitá-las. A boa tolerância às dores da vida implica certa docilidade, capacidade de absorver os golpes e mais ou menos rapidamente se livrar da tristeza ou ressentimento que possa ter sido causado por aquilo que nos contrariou”. (F. Gikovate)

Assim, uma pessoa emocionalmente madura, embora também se frustre, consegue lidar melhor com os sofrimentos derivados dessas frustrações, consegue não descontar nos outros seus descontentamentos, bem como consegue aceitar com mais serenidade os fatos que não há como mudar. Por exemplo, minha irmã precisa usar óculos para enxergar.

Diante disso, ela tem duas opções: xingar, sofrer, chorar, se revoltar, achar que é o fim do mundo – mas usar mesmo assim, porque não há alternativa -, ou entender que é chato, mas é o que é, então, o negócio é tornar a questão a melhor possível, que, nesse caso, significa investir em uma armação bonita, por exemplo.

O exemplo dos óculos pode ser extrapolado para tudo. Sempre que passamos por situações frustrantes, mas sobre as quais não temos controle, a escolha mais madura é controlar as emoções e lidar com o máximo de docilidade possível. Em situações como filas intermináveis, erros em sistemas, perda de oportunidades, decepção com os outros, etc., a maturidade leva a um enfrentamento cada vez mais tranquilo dessas situações.

Além disso, a maturidade emocional leva a uma tolerância maior a erros e falhas e essa é uma grande conquista, pois isso leva a uma redução do medo. Uma pessoa que aguenta melhor o sofrimento e a frustração vai arriscar mais, pois sabe que pode errar, passar vergonha, perder dinheiro, sofrer de alguma maneira, mas já aprendeu a lidar com o sofrimento. A pessoa que aguenta melhor o sofrimento arrisca mais e, consequentemente, cresce e se desenvolve mais também. Assim, a maturidade emocional é condição para o desenvolvimento e o crescimento pessoal.

“Os mais evoluídos emocionalmente tendem a ser mais ousados e a buscar com determinação a realização de seus projetos. Têm menos medo dos eventuais – e inevitáveis – fracassos, pois se consideram suficientemente fortes para superar a dor derivada dos revezes. Ao contrário, aprendem com seus tombos, reconhecem onde erraram e seguem em frente com otimismo e coragem ainda maior. Costumam ter melhores resultados do que aqueles mais ponderados e comedidos, condição que não raramente esconde o medo do sofrimento próprio dos que enfrentam os riscos”. (F. Gikovate)

O próprio autoconhecimento depende dessa capacidade de aguentar as dores e sofrimentos, porque não é nada fácil olhar para dentro de si mesmo e enxergar falhas, erros, problemas. Esse ato de cutucar feridas e abrir armários é extremamente difícil. Se não formos capazes de tolerar essas dores e frustrações, não teremos coragem de olhar para dentro e essa é, com certeza, condição essencial para o crescimento e o desenvolvimento pessoal.

Gikovate também explica que uma pessoa madura emocionalmente tem maior empatia, ou seja, capacidade de se colocar no lugar do outro, porque, muitas vezes, ao nos colocarmos no lugar do outro sentimos o sofrimento dele. A pessoa imatura se fecha para esse tipo de exercício, porque não aguenta o sofrimento. Quando conseguimos nos colocar no lugar dos outros certamente lidamos melhor com as diferenças, pensamos mais antes de falar, conseguimos ser mais gentis, conseguimos não levar tudo para o lado pessoal.

A maturidade emocional também é essencial para nos ajudar a lidar com as incertezas da vida. E quantas são as incertezas da vida! Tornamo-nos maduros quando abrimos mão daquele desejo infantil de querer garantias de que algo vai dar certo, de querer ter certeza de que não vamos falhar, de querer controlar tudo. É angustiante lidar com as incertezas, mas o fato é que vivemos em um mar de incertezas. Quanto maior nossa maturidade, mais tranquila e alegre é nossa trajetória.

A maturidade emocional é conquistada com esforço, com coragem, com um grande componente racional, está sempre em desenvolvimento e é o ingrediente principal de uma vida mais tranquila e leve – cheia de frustrações, erros, dores e sofrimentos, como é mesmo a vida, afinal, mas sem que isso seja determinante.

Isso, por fim, lembrou-me a oração da serenidade, que aprendi ainda criança quando frequentava reuniões públicas dos Alcoólicos Anônimos, a convite de meu avô, ex-alcóolatra que precisou de muita coragem e força para obter essa conquista, que pede coragem para mudar as coisas que se pode mudar, serenidade para aceitar as que não podem ser mudadas e sabedoria para distinguir umas das outras.
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ENCERRANDO CICLOS - Glória Hurtado

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver...

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar, no passado, os momentos da vida que já acabaram...

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais nenhum passo, enquanto não entender as razões que levaram a certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó...

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seja parceiros, amigos, familiares; todos estarão encerrando capítulos, virando a página, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado...

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará...

Não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem, noite e dia, uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor possibilidade de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso, é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros...

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível. O que está acontecendo em nosso coração ao se desfazerem certas lembranças significa, também, abrir espaço para que outras tomem seu lugar.
Crescer é deixar ir embora, soltar, desprender-se...

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas; portanto, às vezes ganhamos, às vezes perdemos. Não espere que lhe devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que compreendam seu amor...

Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará, apenas, envenenando e nada mais...

Encerrando ciclos, não por causa do orgulho, por incapacidade ou soberba, mas porque, simplesmente, aquilo já não se encaixa mais na sua vida...

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem você é.
Glória Hurtado (psicóloga colombiana)
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PARAMOS NA IDADE EM QUE NOS FALTA AMOR - Irina Parfénova

Com muita frequência, me encontro com pessoas que, por fora, parecem ter 20, 30 ou 40 anos, mas, lá no fundo, ficaram na infância e ainda precisam do amor que lhes faltou quando eram pequenas. Elas ficam assim até o momento em que aprendem a encontrar a satisfação nelas mesmas.

Cada etapa se caracteriza por uma necessidade, ou seja, a maneira como precisamos de cuidado e de amor dos pais muda ano após ano.

No começo da infância se forma a confiança, por isso, nesse momento da vida o amor é expresso por meio dos cuidados da mãe e de sua atenção às necessidade do filho. Se, durante essa fase, o carinho da mãe é pouco constante, ou ela rejeita o seu filho, nele podem aparecer a desconfiança e o medo excessivo.

Na vida adulta, é difícil estabelecer contato com esse tipo de pessoa. Quando elas começam uma relação, é comum sentirem a necessidade de provar alguma coisa para a outra pessoa, colocando no outro a necessidade de mostrar fidelidade. Quando se tratam de relações interpessoais mais próximas, podem se sentir vulneráveis e indefesas.

Alguns anos depois, aos 2 ou 3 anos de idade, a criança aprende a ser independente e desenvolve o autocontrole. Se os pais dificultam o desenvolvimento destes aspectos, por exemplo fazendo sempre eles o que a criança poderia fazer sozinha e sem dificuldade, ou, pelo contrário, esperam que a criança faça coisas impossíveis, podem gerar a sensação de vergonha.

Por outro lado, se os pais não param de corrigir os filhos, sem entender as necessidades naturais da idade, é provável que a criança tenha problemas para controlar o mundo à sua volta e, portanto, controlar a si mesma.

Quando são adultos, ao invés de se sentirem seguros de si mesmos, sentem que os outros sempre os estão analisando em detalhes e os tratam com desconfiança ou desaprovação. Também é possível que apresentem sintomas de transtornos obsessivos compulsivos e delírio de perseguição.

Entre 3 e 6 anos o amor se demonstra pelo incentivo à independência, apoiando a iniciativa, a curiosidade e a criatividade. Se os pais não permitem que o filho se comporte de maneira autônoma nesta fase, e respondem sempre com castigos, eles vão criar uma enorme sensação de culpa na criança.

A vida adulta de uma pessoa com este tipo de carência se caracteriza pela falta de foco para resolver problemas, colocar objetivos e metas e alcançá-los. Além disso, o constante sentimento de culpa pode ser a causa de passividade, impotência ou frigidez, além de comportamento psicótico.

Na idade escolar se desenvolvem a diligência e o amor ao trabalho. Se, nesta etapa, existem dúvidas sobre as capacidades da criança, o desejo de continuar estudando será ameaçado, dando lugar ao sentimento de inferioridade que, no futuro, acabará com a sua própria capacidade de ser uma pessoa ativa e produtiva dentro da sociedade.

Se as crianças percebem as vitórias escolares e o trabalho como os únicos critérios que determinam o sucesso, na vida adulta elas provavelmente se transformarão na chamada ‘massa trabalhadora’, caracterizada pela hierarquia preestabelecida.

Proponho, portanto, dar a mão à sua criança interior e ajudá-la a crescer. Para isso, procure uma foto sua de quando era criança, ou apenas pense na criança que vive dentro de você. Quantos anos ela tem? Como ela é? Em que pensa? Quem está ao lado dela? O que a preocupa?

Fale com ela.

Peque uma folha de papel e duas canetas de cores diferentes, uma com a mão esquerda e a outra com a direita. Se você é destro, a mão direita será o seu ‘eu’ adulto e a esquerda o ‘eu’ criança. Se você é canhoto, será ao contrário.

Agora, a conversa é apenas entre você e a sua criança interior. Quem fala primeiro? Como começa a conversa? As respostas podem ser inesperadas e surpreendentes.

Neste momento em que você encontrou a sua criança interior e está falando com ela, chegou a hora de começar uma relação. Converse o tempo que quiser, pergunte se ela precisa de alguma coisa e dê a ela o que ela pedir. Chame-a pelo nome (o seu), fale palavras doces e amorosas, expresse o seu amor e dê sugestões. Seja para ela o pai ou a mãe que você gostaria de ter com essa mesma idade.
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O Leblon pré-novelas do Manuel Carlos. Contos e crônicas 
onde somos levados a refletir sobre racismo, preconceito, solidão, amizade, descobertas e experiências de criança, de adolescente e, por fim, de um jovem adulto. A relação com cotidiano do bairro. 
Clipper, Pizzaria Guanabara, BB Lanches, Jobi, Bracarense e outros lugares típicos do Leblon são os palcos dessas histórias.

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GUARDAR - Antonio Cícero


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
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"As primeiras festinhas foram na AABB, Monte Líbano e Caiçaras, na Lagoa. As inesquecíveis foram no Clube Leblon e no Clube Campestre. Na saída bom era comer na Pizzaria Guanabara que tinha uma pizza calabreza deliciosa e vendia pedaços no balcão."

AUTOCONHECIMENTO - Pensamentos de Lao-Tzu, Kahlil Gibran, Hermann Hesse, Albert Einstein e outros.



1- "De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo."
--Audrey Giorgi

2 - "É melhor ser odiado pelo que você é do que ser amado pelo que você não é."
--Andre Gide

3 -"Quão desesperadamente difícil é ser honesto consigo mesmo. É muito mais fácil ser honesto com as outras pessoas."
--Edward Benson

4 - "Aquele que conhece os outros é sábio, aquele que conhece a si próprio é iluminado."
--Lao-Tzu

5 - "O conhecimento de si mesmo é a mãe de todo conhecimento. Portanto estou incumbido conhecer a mim mesmo, me conhecer completamente, conhecer minhas minúcias, minhas características, minhas sutilezas, e cada átomo meu."
--Kahlil Gibran, "The Philosophy of Logic"

6 - "Para fazer boas coisas no mundo, primeiro você precisa saber quem é você e o que dá sentido à sua vida."
--Robert Browning

7 - "O que reside atrás de nós e o que reside à nossa frente são de minúscula importância comparados ao que reside dentro de nós."
--Oliver Wendell Holmes

8 - "Quando eu me despojo do que eu sou, eu me torno o que eu poderia ser."
--Lao Tzu

9 - "O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma."
--Abraham H. Maslow

10- "A verdadeira profissão do homem é encontrar seu caminho para si mesmo."
--Hermann Hesse

11 - "Poucos são aqueles que vêem com seus próprios olhos e sentem com seus próprios corações."
--Albert Einstein

12 - "A maioria de nós está em contato com nossa intuição quer saibamos disto ou não, mas normalmente temos o hábito de duvidar dela ou contradizê-la tão automaticamente que nós nem percebemos o que ela está falando."
--Shakti Gawain

13 - "Somente podemos dizer que estamos vivos naqueles momentos em que nossos corações estão conscientes de nossos tesouros."
--Thornton Wilder

14 - "O mundo é um grande espelho. Ele reflete de volta o que você é. Se você é carinhoso, se você é bondoso, se você é prestativo, o mundo se mostrará carinhoso, bondoso e prestatito para você. O mundo é o que você é."
--Thomas Dreier

15 - "Você pode viver toda uma vida e, ao final dela, saber mais sobre outras pessoas do que sabe sobre si mesmo."
--Beryl Markham

NINGUÉM CONHECE A SI MESMO – Luigi Pirandello

 
Julga que se conhece, se não se construir de algum modo? E julga que eu posso conhecê-lo, se não o construir à minha maneira? E julga que me pode conhecer, se não me construir à sua maneira?

Só podemos conhecer aquilo a que conseguimos dar forma. Mas que conhecimento pode ser esse? Não será essa forma a própria coisa?

Sim, tanto para mim como para si; mas não da mesma maneira para mim e para si: isso é tão verdade que eu não me reconheço na forma que você me dá, nem você se reconhece na forma que eu lhe dou; e a mesma coisa não é igual para todos e mesmo para cada um de nós pode mudar constantemente.

 E, contudo, não há outra realidade fora desta, a não ser na forma momentânea que conseguimos dar a nós mesmos, aos outros e às coisas. A realidade que eu tenho para si está na forma que você me dá; mas é a realidade para si, não é para mim. E, para mim mesmo, eu não tenho outra realidade senão na forma que consigo dar a mim próprio. Como? Construindo-me, precisamente.
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A HERANÇA EMOCIONAL DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro, porque assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.

Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.

“A verdade sem amor dói. A verdade com amor cura.”
Freud.

Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores são os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.

A herança de nossos antepassados que atravessa gerações
Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.

Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.

Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto, disse, “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”.

Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”. Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.

Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.

O caminho para a compreensão da herança emocional
É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.

Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.

Isto significa que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa de uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.

Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Às vezes os nossos antepassados nos fazem sofrer e não sabemos o porquê.

Talvez tenhamos nascido em uma família que passou por muitas vicissitudes, e não saibamos qual é o nosso papel nessa história, na qual somos apenas um capítulo. É provável que esse papel nos tenha sido atribuído sem o nosso conhecimento: devemos perpetuar, repetir, salvar, negar ou encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos.


Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.

ATO DE CHORAR FORTALECE AS RELAÇÕES HUMANAS.

Sintoma de dor física e estresse, o choro também tem seu lado positivo. Quem já se sentiu aliviado após permitir que as lágrimas rolassem pelo rosto sabe disso. 

Agora, evidências coletadas pelo psicólogo evolucionista Oren Hasson, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, durante pesquisa feita para sua tese de doutorado, mostram cientificamente que o ato de chorar traz benefícios emocionais e pode fortalecer as relações interpessoais.

“O choro é um comportamento exclusivamente humano e altamente evoluído”, salienta Hasson, autor do artigo publicado na revista Evolutionary Psychology. “Minha análise sugere que as lágrimas servem para baixar as defesas, demonstrar submissão e pedir ajuda em momentos estratégicos, bem como para demonstrar afeto, o que favorece a coesão do grupo”, afirma. 

Ou seja, é muito possível que, ao longo da evolução, nossos antepassados que se permitiam chorar tenham obtido vantagens como abrigo, proteção e, em última instância, mais possibilidades de sobrevivência. 

O pesquisador investigou o uso das lágrimas em diversas circunstâncias sociais, que envolviam emoções como alegria, tristeza, luto etc. 

Ele observou que, de forma geral, o choro foi usado (muitas vezes de forma não planejada e até inconsciente) para despertar a empatia (a fim de obter assistência estratégica) em pessoas que não faziam parte do grupo opositor.
OREN HASSON, Universidade de Tel Aviv, Israel.

POR QUE É TÃO DIFÍCIL SUPERAR NOSSAS MÁGOAS? - Daniel Grandinetti

A mágoa é o sentimento de que nosso eu foi desvalorizado pelo mundo. Ela é por vezes chamada de ‘ressentimento’, pois se trata de um sentimento que é experimentado de novo cada vez que o evento doloroso é relembrado.

 Entretanto, o evento que causa a mágoa nem sempre a causa no momento em que ocorre. Muitas vezes, a experiência de um evento é trivial, e a mágoa só surge quando ele é lembrado e significado por nós como ofensivo ou desrespeitoso com nossa pessoa. Assim, somos nós mesmos que julgamos nosso eu como desvalorizado. Na mágoa, nossa auto-imagem é depreciada perante nossos próprios valores, ou perante nós mesmos. É o eu que se torna depreciado perante o próprio eu.

De frente com o fato de que o eu é a instância julgadora do próprio eu, Freud dividiu o eu em ‘eu’ e ‘supereu’, atribuindo ao supereu a função de instância julgadora do eu. O eu só é julgado por si mesmo. Conseqüentemente, toda desvalorização do eu parte do próprio eu. Mas, na mágoa, consideramos que nosso eu foi desvalorizado por outras pessoas, pela vida ou pelo mundo. Uma vez que nós mesmos julgamos nosso eu como desvalorizado, julgamos o evento que, a nosso ver, o desvalorizou como ‘desvalorizador’, e o agente desse evento como a pessoa que executou a desvalorização. Tudo isso é conseqüência do julgamento a que submetemos nosso próprio eu.

Acusamos as pessoas de terem nos desvalorizado, mas essa acusação é conseqüência do fato de nós mesmos nos desvalorizarmos. Nosso eu se tornou desvalorizado perante si mesmo, e isso significa que é o eu que está rejeitando e criticando o próprio eu. Na mágoa, o eu rejeita a si mesmo como destituído de valor, se recusa a aceitar a si mesmo nessas condições e ainda assim manda a conta do julgamento para outra pessoa. Mas, não foi o outro que julgou e condenou o eu; foi o próprio eu que se submeteu a essa humilhação. O outro é responsável pelas suas ações. Se ele comete uma falta, deve ser responsabilizado, inclusive judicialmente se for o caso. Mas, o julgamento depreciativo que o eu faz de si mesmo por conta das ações de outros é de responsabilidade dele mesmo. Mesmo que a ação do outro seja a de nos julgar depreciativamente, esse julgamento difere do julgamento de nosso eu por si mesmo. A mágoa é produto do julgamento do eu por si mesmo, e ele não pode cobrar ninguém por isso. Mesmo porque, ainda que a conta seja mandada ao outro e que esse outro queira nos ressarcir, como ele poderia fazer isso? A mágoa só desaparece quando o eu faz as pazes consigo mesmo; ela só desaparece quando o eu revê e anula o julgamento depreciativo sobre si mesmo. Se o eu não revê seu julgamento, não há nada que o outro possa fazer. É o eu quem dá a última palavra sobre o abandono da mágoa. Assim, além de ele não precisar de ninguém mais para tanto, não há nada que alguém possa fazer se ele não se dispuser a fazer o que deve ser feito.

Mágoas são difíceis de serem superadas porque nós insistimos em mandar aos outros a conta de um julgamento sobre nosso eu que fomos nós mesmos que fizemos e do qual somente nós podemos recorrer e rever. Mágoas são difíceis de serem superadas porque passamos um longo tempo esperando o pagamento de uma conta que não pode ser paga. E se a conta não pode ser paga, então a dívida não existe! A pessoa que nos magoou não nos deve nada. Ela deve ser responsabilizada pelos seus atos, certamente; mas, a conta pela ferida em nossa auto-estima, que insistimos em mandar para ela, Nãopode ser paga por ela. E não pode ser paga por ela porque essa conta não é dela; a dívida é nossa e só pode ser quitada por nós mesmos.

Quando pensamos em superar uma mágoa, imaginamos uma série de condições que deveriam ser satisfeitas: Ações de ressarcimento da pessoa que nos magoou, longos períodos de “crescimento” pessoal, etc. Nenhuma dessas condições é necessária. O eu é autônomo em seu julgamento sobre si mesmo. Ele não depende de nenhuma condição para julgar e de nenhuma condição para anular esse julgamento. A dificuldade está justamente em entender isso.
Daniel Grandinetti, psicólogo clínico e mestre em Filosofia em Belo Horizonte.

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