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PAI DE FIM DE SEMANA - EdmirSilveira

Abro a porta e o silêncio me invade. Seus vestígios ainda estão por todos os cantos. As almofadas reviradas na sala tem o seu jeitinho. A boneca e os papéis de chiclete no tapete, são pura arte. Arte de ser feliz. Entro na casa e sua ausência me recebe em todos os cômodos. Dói.

A bagunça que nossa alegria deixou eu não vou arrumar hoje, ela é marca da tua presença. Sua dança, ainda dança um balé cheio de graça, alegria e da sua voz. Sua voz, seus gritinhos, sua inocência e seus risos ecoam, música que preenche o silêncio do resto de domingo sem solução. No banheiro, a toalha e a marca dos seus pezinhos no chão ainda úmido. E, por toda a casa, as cores dos seus brinquedos e da sua voz. Seu perfume de anjo está por todos os cantos da casa e de mim. Sua presença é tão forte que ainda posso sentir seus bracinhos em volta do meu pescoço apertando e é essa sensação que não me deixa sufocar de saudade. Dói.


Senti vontade de chorar, mas tomei áini e passou, nossos códigos, nosso idioma particular, não você não é tristeza é alegria. Sua chupeta em cima do telefone. O copo no qual você bebeu. A jujuba embaixo do sofá. O desenho na parede, os papéis picados. Nossas brincadeiras, suas mãozinhas fazendo carinho na minha cabeça da forma única que só você sabe, e a batata frita no chão da cozinha.


Trocar sua roupinha, calçar seus sapatos, pentear seus cabelos lindos, assoar seu nariz lindo. Ouvir sua voz linda me chamando de papai. Seus olhinhos puxados, seu sorriso sapeca. Suas perguntas me ensinando a aprender cada vez mais a beleza e a força da vida.

Não sou e nunca vou ser seu pai só nos fins de semana, serei a cada segundo de todos os minutos, de todos os dias de minha vida. E assim o serei para sempre. Cada sorriso meu, traz a presença da sua alegria. Sou um poço sem fundo, que só será preenchido com a sua felicidade. 

Te quero livre, forte e segura. Quero ser seu porto seguro, seu amigo, seu pai. O que mais desejo é que você sinta a mesma felicidade que me proporciona. Sou feliz a cada sorriso seu. E seu sorriso é tão poderoso que irá me fazer feliz o resto da semana sem você.


No dia seguinte, a casa já estará toda arrumada, mas sua presença permanecerá intacta, eterna e inesquecível. 

E esperaremos, eu e nossa casa, por toda a semana, ansiosos por sua bagunça, suas cores e sua alegria.

Mais de vinte anos após de ter escrito esse texto, digo com o maior orgulho que um pai pode ter: minha filha é, hoje, uma pessoa do bem, independente, uma mulher corajosa, uma profissional e artista altamente competente e, principalmente, minha melhor, maior e mais querida amiga. 


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Hoje, ela telefonou para me desejar Feliz Dia dos Pais. Percebi que, literalmente, ela diz que me ama, e eu a ela, todos os dias em que nos falamos, até hoje. Depois que inventaram a comunicação pela internet e vieram os smartphones não importa em que lugar do planeta estejamos. Raramente, deixamos de nos dizer. E, criamos um hábito gostoso e interessante. Nos revezamos aleatoriamente quem fala primeiro:
- Te amo.
O outro sempre responde:
- Eu sei.

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AMIGOS PARA SEMPRE - Márcia Tiburi

A filosofia, cuja etimologia implica a palavra grega Philia que significa amizade, nasceu da amizade entre os homens que, por sua vez, tinham amizade pela sabedoria. Como o amor, a amizade é uma espécie de desejo, mas um desejo diferente da posse. Quando os filósofos falam da amizade entre seres humanos estão dizendo algo muito parecido ao “desejo de saber”, literalmente melhor traduzido por “amizade pela sabedoria” que anima sua atividade. Amigos não eram aqueles que se reuniam em torno da economia, nem em torno da cosmética, da ginástica, nem em torno da culinária ou da retórica. Que laço era este que unia alguns entre si em nome de algo tão complexo como a sabedoria? Qual a forma da relação a que chamamos até hoje amizade se ela é um desejo sem posse? Quando amamos alguém desejando seu bem sem que este seja o nosso próprio bem?

Pessoas de bem
Sócrates defendia que a amizade só acontecia entre pessoas de bem não ocorrendo entre pessoas más e incapazes de amar o outro. Para seguir este raciocínio socrático precisamos nos perguntar se nos encaixamos na definição de uma “pessoa de bem”. Pensava ele que as pessoas totalmente de bem são auto-suficientes, não se pode dizer delas que “precisem” de amigos. Mas todos precisamos e, somos apenas humanos, não somos deuses auto-suficientes. Por isso, concluirá Sócrates no diálogo Lísis de Platão, que para se ter amigos é preciso ser alguém que sabe o que é o mal, mas deseja o bem. Desejar o bem (a alguém ou à sabedoria) é a definição mais perfeita da amizade. Amigo é, portanto, aquela pessoa na qual se acredita que os bens parciais da vida podem se agregar na realização do Bem - com letra maiúscula - que equivalia ao Bem superior, uma espécie de Bem Geral, Bem de todos, para todos, em relação a tudo o que existe. Como se fosse possível falar de um Bem do Cosmos, uma harmonia total no universo que, mesmo sendo uma utopia, é a idéia que deveria nortear as ações das pessoas de bem.

A amizade é uma virtude
Aristóteles, discípulo de Platão, herdou questões de seus antecessores. Para Aristóteles, a amizade é uma virtude. Sendo virtude ela significa a excelência de algo. O modo mais perfeito em que algo como a relação entre seres humanos pode se dar. Ela é, além disso, o objetivo último da vida moral, aquilo que define o ápice de uma vida corretamente vivida. Saber ser amigo equivale a ser ético. É amigo aquele que realiza em si e junto dos outros a excelência moral, ou seja, ele quer o bem das pessoas que ama.
Como virtude, para Aristóteles, a amizade é tanto necessária quanto desejável. Diz ele em seu principal livro sobre as questões morais - a Ética a Nicômaco - que, mesmo alguém que possuísse todos os bens, não gostaria de viver sem amigos. A amizade será até mesmo superior à justiça: quando as pessoas são amigas não é necessária a justiça, mas havendo a justiça ainda precisaremos da amizade.
Aristóteles fala de formas diferentes de amizades: a acidental comum entre idosos e jovens que precisam de amigos úteis que facilitem pensamentos, ações e os apóiem em suas fragilidades, e da amizade perfeita que é aquela que une os homens de bem e que são semelhantes em suas virtudes. A amizade perfeita é rara e incomum, tanto quanto é raro e incomum. Há certa exclusividade na amizade. Quem leva a sério a amizade costuma dizer que tem poucos amigos. O que não quer dizer que não se possa agradar muitos, ao mesmo tempo, oferecendo-lhes bens e vantagens ou simplesmente coisas úteis e agradáveis. Um amigo verdadeiro merece mais que isso.

Querer bem é ser responsável pelo outro
A amizade é uma palavra que se aplica às pessoas das quais se quer o bem enquanto delas pode-se esperar certa reciprocidade. Amigo é aquele que desejamos ver feliz e que quer nos ver do mesmo modo. Muitas pessoas demonstram não ser amigas tanto nos momentos difíceis quanto nos momentos alegres da vida de seus conhecidos. Para ser amigo é preciso alegrar-se com a alegria de outro e ajudá-lo em suas tristezas. Diz Aristóteles que “quando há reciprocidade, a boa intenção é a amizade”. Levando em conta que a amizade é um sentimento que obedece aos limites dos laços humanos, ela exige sempre reciprocidade. Não é, neste caso, apenas um sentimento, mas uma construção de laço com o que há de responsabilidade para sua sustentação. 

O laço que os une é o desejo do bem. Neste caso ela não é um simples sentimento, mas um sentimento complexo que envolve uma noção de liberdade do outro a ser preservada.

Amizade é, sobretudo, desejar o bem de quem se ama, não desejar seus bens, nem proveitos, nem os prazeres que advém de seus bens. Não há amizade que se sustente por interesses, nem pelo status de se ter muitos amigos. Amigo é quem tem que valer por ele mesmo, pelo que é, e não pelo que possui em termos materiais ou pragmáticos. O amigo, como pessoa, não pode ser um meio pelo qual se pode alcançar um outro fim, mas deve ser um fim ele mesmo, o objetivo da amizade.

A amizade não pode ser uma máscara. Por isso, sua noção envolve sempre a verdade da relação para que seja algo excelente. Só é amizade se for verdadeira. Descobrir que um amigo não era verdadeiramente amigo é uma dor que pode ser maior que a perda de um amor. A um amigo, não basta, ser agradável ou útil, mas ter caráter. Nele não está em jogo a paixão que nos torna cegos e, por isso, por ser a amizade uma escolha com forte carga de racionalidade e consciência, sofremos tanto quando somos enganados. A rigor, podíamos ver e saber tudo e nos percebemos traídos por nós mesmos.

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