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KETUT LIYER, O Guru do livro(filme) COMER, REZAR E AMAR.

A sabedoria da felicidade

São três da tarde e estou sentada ao lado de um velhinho de olhos alegres, pele dourada e a boca quase sem dentes. É assim que a escritora Elizabeth Gilbert descreve Ketut Liyer, curandeiro indonésio de nona geração. Esta é a minha primeira visita a Ketut, e ele lê a minha mão. E me diz que encontrarei trabalho criativo pelo qual me apaixonarei. Também diz com certeza absoluta que acharei a minha alma gêmea. Logo, logo.

Elizabeth Gilbert está certa ao dizer que Ketut se parece com Yoda, personagem da série Guerra nas estrelas. Raramente o xamã encarquilhado sai do seu lar humilde em Ubud, na Ilha de Bali. Mas é provável que seu nome seja mais famoso agora, com o sucesso mundial da versão cinematográfica do livro de memórias de Elizabeth Gilbert, o best-seller Comer, rezar, amar, estrelada por Julia Roberts.

De acordo com a autora, Ketut é responsável pela previsão que mudou a sua vida. Foi a profecia dele que a levou a formular o conceito de Comer, rezar, amar – um ano de vida passado na Itália, na Índia e em Bali – e obter o adiantamento que permitiu tudo isso.

E a descrição encantadora de Ketut fez multidões de forasteiros baterem à porta dele. A vida antiga de obscuridade, a receitar remédios caseiros e rituais para os vizinhos, virou lembrança. Na minha visita mais recente, contei quase 20 pessoas – muitas levando o livro – que aguardavam com paciência que ele lesse as suas mãos.

Fato ou ficção?
Fui apresentada ao mundo de Ketut em uma livraria no aeroporto de Hong Kong. Era o início de 2008 e eu ia a Bali pela primeira vez. O livro era exibido com destaque, e imaginei que seria uma leitura inspiradora durante o voo de quatro horas até a “Ilha dos Deuses”.

Dê o nome que quiser: destino, providência, kismet ou apenas a velha, simples e burra sorte, mas, assim que achei minha poltrona e peguei o livro para ler, a senhora sentada ao meu lado puxou a câmera digital e, empolgada, começou a me mostrar fotografias de um balinês idoso de aspecto feliz. Entusiasmada, ela me informou que aquele era Ketut, o famoso curandeiro que ajudara Elizabeth Gilbert a sair da tristeza e encontrar o sucesso.

Curioso, mergulhei nas páginas do livro e decidi fazer uma visita ao adivinho. Será que ele estaria à altura das expectativas sobrenaturais criadas por Elizabeth Gilbert? Eu esperava que sim. Se ele realmente contribuíra com as aspirações dela de escritora, talvez conseguisse dar vida às minhas.

O curandeiro
Pedi ajuda a alguns colegas viajantes para encontrar o endereço de Ketut, e, num piscar de olhos, estamos a caminho de Ubud. Ao passar pelo portão da frente da casa, vimos um homem alegre, parecido com a descrição de Ketut, sentado na varanda exatamente como Elizabeth Gilbert escrevera. Lia a mão de duas australianas.

Ketut nos olha com um sorriso jovial e nos dá um aceno rápido e amistoso. Quando chega a nossa vez de nos sentarmos com ele, aquela sensação predominante de felicidade se mostra contagiosa. Embora fale um inglês muito básico, as palavras simples de Ketut são de entendimento universal e especialmente positivas.

É difícil descobrir detalhes exatos da sua vida. Parece que eles mudam um pouco depois de várias visitas. Sob a influência das reflexões de Elizabeth Gilbert, muita gente lhe pergunta a idade, mas o número continua a ser um mistério. Parece que, sinceramente, ele não se lembra do ano em que nasceu. Isso é muito comum entre os balineses, que acham que, na data do nascimento, o mais importante é o dia da semana.

Ketut começou a trabalhar como artista plástico e entalhador. Mais tarde, o avô lhe passou os conhecimentos e também o ofício de curandeiro, confiando-lhe pergaminhos sagrados com séculos de existência. Esses textos balineses antigos contêm muitas doutrinas diversas, com rituais sagrados e o tratamento de doenças comuns.

Voltei a Bali várias vezes depois daquela primeira visita. Em cada viagem, sempre visito Ketut. A fama de ter influenciado a hoje famosa Elizabeth Gilbert é que lhe dá o seu encanto. Muita gente quer reencenar a viagem da autora em Comer, rezar, amar, do mesmo modo que os mochileiros continuam a buscar na Tailândia A praia da adaptação do livro para o cinema, com Leonardo DiCaprio.

Ketut não é guru ou iogue, no sentido tradicional indiano. Não tenta penetrar nas profundezas da alma com olhos candentes para colaborar com a viagem rumo ao esclarecimento, nem parece aceitar alunos, como fez com Elizabeth Gilbert no livro. No entanto, cada visita é uma oportunidade de se banhar na aura de felicidade descomplicada que ele transmite.

Mais recentemente, acompanhando uma amiga, mencionei a Ketut que vira na Internet o trailer do filme Comer, rezar, amar, e na mesma hora ele me pediu que o passasse para ele. O filho Nyoman foi nos preparar uma xícara do forte café balinês (sempre servido sem filtrar, com o pó grosso enchendo o fundo da caneca) enquanto eu ia até uma lan house próxima carregar o trailer do filme no laptop.

Comer, rezar, amar
Ketut assistiu, com vivo interesse, ao começo do trailer, em que o ator que o representa faz a previsão para Julia Roberts: “Você viverá muito tempo [...] Perderá todo o seu dinheiro [...] Não se preocupe, vai recuperar tudo e retornará a Bali, e então vou lhe ensinar tudo o que sei.” O ator abre um sorriso amplo e quase desdentado bem parecido com o de Ketut.
Este me pede que repasse o trailer algumas vezes e observa: “Foram essas palavras mesmo que falei para a mulher de Nova York.” 

Ele quer dizer Elizabeth Gilbert, cujo nome nem sempre consegue lembrar, muito embora tenha passado meses com ela, e visitantes tenham lhe dado exemplares do livro em todas as traduções disponíveis.
Então, ele desvia a atenção da tela do computador e, com os olhos brilhantes, pergunta: “Por que não me usaram? Sou muito mais bonito.” Na verdade, a pergunta é séria.

Ketut, o mais longe possível de Hollywood, não entende direito por que não poderia ser ele ali na tela. Tentei explicar que ser ator é muito tedioso, tendo de repetir as mesmas frases várias vezes o dia inteiro; é um serviço muito diferente de ser “Homem Santo”. Também digo que, normalmente, as pessoas não representam a si mesmas no cinema, ressaltando que “a mulher de Nova York” era representada por Julia Roberts. Ketut ainda não está completamente convencido. Para ele, esse é literalmente o papel que nasceu para desempenhar.

A sabedoria da felicidade
O sol já está se pondo e esse homenzinho mágico lê a mão de duas senhoras americanas. Escuto-o descrever um futuro parecido com o que previu para Elizabeth Gilbert:
Agora você vai encontrar alguém para o resto da vida, que ficará muito feliz de estar com você, e não vai se divorciar de novo.” Os olhos delas brilham, do mesmo jeito que os meus devem ter brilhado durante a primeira visita.

O sucesso não traz necessariamente felicidade, mas a felicidade em si cria o sucesso. Acho que esse ditado é verdadeiro no caso de Ketut. A cada encontro, percebo que a maior parte das minhas expectativas originais, vindas das páginas de Comer, rezar, amar, era bastante equivocada. A alegria e o contentamento profundos de Ketut empolgam os visitantes e são como um estímulo para que busquemos concretizar as nossas aspirações, como fez a Elizabeth Gilbert.

A real magia de Ketut tem base em uma propriedade muito mais sutil e aparentemente humana: a sabedoria da felicidade.
Por Michael Pohorly
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ADRIANA FALCÃO - O HOMEM QUE SÓ TINHA CERTEZAS

Nem o homem feliz de Maiakovsky nem o homem liberto de Paulo Mendes Campos, resolvi imaginar outra improbabilidade. Digamos que aparecesse agora, justo aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, mais exatamente, bem aí na sua frente, um homem que só tivesse certezas. O homem que só tinha certezas quase nunca usava ponto de interrogação, e em seu vocabulário não constavam as expressões: talvez, quiçá, quem sabe, porventura.

Parece que foi de nascença. Ele já teria vindo ao mundo assim, com todas as certezas junto, pulou a fase dos por quês e nunca soube o que era curiosidade na vida. Na escola, era uma sensação. Mas não ligava muito pra isso não. E cresceu achando muito natural viver derramando afirmações pela boca. Tinha resposta pra tudo, o homem que só tinha certezas, mas o maior orgulho do homem eram as certezas mais duvidosas que ele tinha. A certeza de que o mais fraco ia vencer, de que as coisas iam melhorar, de que o desenganado ainda teria muitos anos pela frente.


A notícia espalhou-se rapidamente. Como ele vivia no meio de pessoas, e pessoas vivem cheias de dúvidas, logo começaram a pedir sua opinião para os mais diversos assuntos, os triviais e os de grande importância, e ele, certo de que podia viver muito bem de suas certezas, virou um consultor. Pendurou em sua porta uma placa onde estava escrito "Consultor de tudo" e o negócio foi crescendo aos pouquinhos. Devido ao boca-a-boca favorável de clientes e a um único anúncio no rádio, passou a atender, sem nenhum exagero, milhares de pessoas por dia, até que limitou o número de consultas diárias para quatrocentos e oitenta, um minuto e meio por pessoa, o que era mais do que suficiente para uma resposta certa desde que a pergunta não fosse muito longa.


Chegava gente do país inteiro e depois de outros continentes, pessoas comuns, pessoas ilustres, todas elas indecisas, mas cada pessoa só tinha direito a uma pergunta por consulta, o que as deixava mais indecisas ainda. Certa vez uma moça chegou na dúvida se devia perguntar primeiro sobre o amor ou o trabalho, no que o homem respondeu, sobre o amor, é claro, senão você não vai conseguir trabalhar direito, e deu por encerrada a consulta. O homem que só tinha certezas aconselhou um garoto tímido a tomar quatro cervejas, encorajou um político receoso a aprovar um projeto esquisitíssimo que se destinava a melhorar a vida dos homens, avisou a uma senhora preocupada com os anos que no caso dela nada melhor do que beijos na boca, desentorpeceu um rapaz doente de amor por uma mulher que gostava de outro, convenceu o ministro da fazenda de que ou o dinheiro era pouco, ou eram muitos os homens, ou ele estava louco, ou alguém tinha se enganado nas contas.


Não demorou muito para se tornar capa de todas as revistas e personagem assíduo dos programas de TV. Para cada pergunta havia uma só resposta certa e era essa que ele dava, invariavelmente, exterminando aos pouquinhos todas as dúvidas que existiam, até que só restou uma dúvida no mundo: será que ele não vai errar nunca? Mas ele nunca errava, e já nem havia mais o que errar, uma vez que não havia mais dúvidas.


Num mundo que só tinha certezas, o homem que só tinha certezas virou apenas mais um homem no mundo. Melhor assim, ele pensava, ou melhor, tinha certeza.


Um dia aconteceu um imprevisto, e o homem que só tinha certezas, quem diria, acordou apaixonado. Para se assegurar de que aquela era a mulher certa para ele, formulou cento e vinte perguntas, que ela respondeu sem vacilar, mandou fazer mapas do céu, exames de sangue, contagem de triglicerídeos, planilhas complicadíssimas e finalmente apresentou a moça à sua mãe e ao seu cachorro. Os dois se amaram noites adentro, foram a Barcelona, tiraram fotos juntos, compraram álbuns, porta-retratos, garfos, facas, um escorredor de pratos, tiveram filhos e tal, e, desde então, por alguma razão desconhecida, o homem que só tinha certezas foi perdendo todas elas, uma por uma. No início ainda tentou disfarçar, por via das dúvidas, quem sabe era um mal passageiro? Mas as dúvidas multiplicavam-se como praga (dúvidas se multiplicam?), espalharam-se pelo mundo, e agora, meu Deus? Deus existe? Existe sim. Ou será que não? Ele não estava bem certo.

MORRER DE AMOR - Regina Navarro Lins

O filme 'O Artista', que ganhou um Oscar, conta a história de George Valentin, uma das maiores estrelas do cinema mudo na Hollywood dos anos 20, que cai no esquecimento após o surgimento do cinema falado.

O cinema foi uma invenção do final do século XIX e multiplicou as possibilidades do erotismo artístico, antes limitado à pintura e gravuras. A imagem em movimento trouxe um realismo impensável ao erotismo. Em 1910, o cinema invadiu a América e a Europa. 

O primeiro símbolo sexual masculino do cinema foi Rodolfo Valentino (1895 - 1926). O Sheik, misterioso personagem vivido por ele, era adorado por uma geração inteira de mulheres, que suspiravam quando o viam na tela.

Ele tinha um olhar sedutor que parecia dizer: "Te amo, te desejo". Muitos homens americanos se julgavam sheiks e beijavam a mão de suas namoradas, imitando o personagem. Mas Valentino acabou sendo visto também como uma ameaça ao homem americano. Os que se sentiam ameaçados evitavam levar suas mulheres ao cinema nos filmes dele, porque elas ignoravam seus maridos ali ao lado e ficavam extasiadas com o ídolo.

Os jornais acusaram o astro de ser bissexual e macular o bom nome de macho americano. Rodolfo Valentino morreu de úlcera aos 31 anos. E essas críticas quanto à sua orientação sexual, numa época muito preconceituosa, não impediram o suicídio de várias mulheres americanas e nem impediu que muitas outras, no mundo inteiro, derramassem lágrimas copiosas. Mais de 30 mil fãs acompanharam o funeral. Hollywood, aproveitando a publicidade, fez seu esquife percorrer todo o país, muitas vezes.

Mas o suicídio pelos ídolos não era novidade. O livro "Os sofrimentos do jovem Werther", do escritor alemão Goethe, foi lançado no século XVIII e causou furor. No final, o jovem Werther, ao saber que sua amada Lotte preferiu outro, se suicida por amor com um tiro na cabeça. Toda uma geração de jovens adultos alemães, franceses e ingleses caiu numa "febre de Werther". Menos inofensivo do que copiar os sentimentos de Werther alguns leitores acharam que tinham de seguir o infeliz herói até o final, suicidando-se após a leitura.

Para tentar evitar atitudes radicais como estas, as edições seguintes vieram com a advertência: "Seja homem e não me siga".
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NUNCA ESTAMOS ONDE QUEREMOS - Eliane Brum

Conto de fadas de Woody Allen discute os limites do presente

Depois de alguns minutos, o filme de Woody Allen – “Meia-Noite em Paris” – nos provoca um delicioso sorriso bobo, que permanece até o final. O diretor no presenteia com uma história de Cinderela para adultos. À meia-noite, o protagonista embarca em um calhambeque tinindo de novo e pronto, está onde sempre quis estar: na animada Paris dos Anos 20. Gil Pender, como boa parte de nós, acha o presente insuficiente. O passado era melhor. Não qualquer passado, mas o idealizado por ele. Como uma fada madrinha do nosso tempo, Woody Allen realiza, com essa varinha de condão que é o cinema, o desejo que é de todos. E por isso abrimos um sorriso encantado.
Me convenci a dar uma espiada para o lado e para trás e vi no público a mesma boca aberta de antecipação e deleite das crianças quando escutam um conto de fadas. Desde o surgimento do calhambeque, a gente já sabe o que vai acontecer. É porque queremos muito que aconteça que é tão prazeroso. Como as crianças que pedem para repetir mil vezes a mesma história, a gente tem vontade de gritar: “De novo! De novo!”.

A identificação com o protagonista é imediata. O ator Owen Wilson vive Gil Pender, mas, ao mesmo tempo, encarna Woody Allen com tanta competência, que às vezes enxergamos o próprio. No filme, ele é um roteirista de Hollywood que tenta escrever um romance enquanto visita Paris com uma noiva mimada e um casal de sogros tão digestivos quanto óleo de rícino. Os personagens são todos estereotipados como num bom conto de fadas.

A noiva é uma típica menina rica, fútil e ambiciosa, mais preocupada com a aparência da vida e dela mesma do que com a vida em si. Os sogros são americanos bem sucedidos, republicanos do Tea Party, com todos aqueles valores que conhecemos melhor ao acompanharmos a trajetória de Sarah Palin. Ao chegarem a Paris, a noiva encontra um casal de amigos. Ele, um homem pelo qual já foi apaixonada, é também um personagem comum do nosso tempo: um especialista em tudo, de vinhos a Rodin. E, desde o início do filme, o detestamos como se deve fazer com um bom vilão que não causa mais mal do que abusar da nossa paciência e da de Gil com seu pedantismo e seu conhecimento de Wikipedia, programado para impressionar um certo tipo de moça. Já Gil, nosso herói, é doce, sensível e com aquele ar meio perdido de quem quer muito ir, mas não sabe direito para onde. Também um personagem clichê da nossa época.
Nesta escolha dos personagens, há algo interessante que podemos pensar. Esses dois estereótipos masculinos representam em parte a confusão do que significa ser homem hoje em dia. Ambos inseguros depois do naufrágio do papel masculino definido por uma tradição que já não existe. Mas com respostas diferentes para a questão. E, como a mulher deste milênio, a noiva também oscila entre esses dois homens sem saber bem se quer aquele que sabe tudo sem saber (e que jamais saberá qualquer coisa porque não tem planos de parar de fingir) – ou deseja aquele que admite que não sabe, mas um dia talvez possa descobrir porque procura.

Esta não é a questão principal do filme, mas Woody Allen sempre foi hábil em falar da (bendita) confusão dos papéis masculinos (e femininos) de nossos dias – e seu conto de fadas não poderia ser diferente. O dilema central de nosso Cinderelo é que ele queria viver onde não vive.

Gil Pender desembarca na cidade dos seus sonhos – e Woody Allen também nos dá, desde o início, uma Paris de cartão postal, com direito a própria Carla Bruni interpretando uma guia turística. Mas Gil está acompanhado pela noiva fútil, os sogros fúteis, o casal de amigos fúteis e fazendo coisas fúteis com todos eles. Preso, portanto, a um presente que não quer, mas que não tem forças para mudar. Como acontece com boa parte de nós aqui, em nossa vida cotidiana – e também em férias idealizadas das quais voltamos com fotos em que estamos sorridentes, sobre as quais contamos maravilhas para os amigos e parentes, mas secretamente sabemos que não foram tão perfeitas assim.

Então, à meia-noite, num determinado lugar, a carruagem passa e o carrega para a Paris que deseja. E Gil Pender encontra, entre outros personagens fascinantes que se reuniram em Paris nos Anos 20, Zelda e Scott Fitzgerald, Cole Porter, Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel. E consegue dar seu romance para a própria Gertrude Stein avaliar. Todos esses personagens reais que fizeram a efervescência e a lenda dos (pelo menos para nós e para Gil Pender) gloriosos Anos 20 estão lá não como são – mas como nosso Cinderelo os vê. É o passado idealizado por ele – não o passado como foi para quem o viveu. Só assim, afinal, é possível ter um conto de fadas.

Posso contar tudo isso aqui porque, como nas fábulas, não importa o que acontece, importa que tenhamos certeza que acontece. Por isso as crianças querem ouvir a história tantas vezes e viver seus medos protegidas pela segurança do enredo conhecido. Depois dos primeiros 15 minutos de filme, sabemos o que Woody Allen vai nos dar. E então é só a delícia de assistir ao desenrolar dos fatos que já antecipamos.

Mas Woody Allen nos trai com uma personagem clandestina, que não faz parte do roteiro das fábulas – a mulher comum. Aquela que esteve na história, mas não foi registrada nela. Aquela que não sobreviveu à morte como memória. É a partir das inquietações dela, que em determinado momento torna-se o espelho dele, que Gil Pender tem de fazer uma opção que é a de todos nós: entre o tempo que não há e o tempo que há. Ele precisa fazê-la na prática. Nós temos de fazê-la dentro de nós, como uma escolha interna que determina todo o enredo da história que é nossa.

Gil Pender, nosso Cinderelo, coloca o impasse entre a idealização da vida e a vida como ela é com uma das sacadas geniais que fazem Woody Allen ser quem é: “Você se dá conta que esses caras vivem sem anestesia nem antibiótico?”. A frase é bem melhor do que esta, mas eu não tinha nenhum bloquinho para anotar. É quando o homem que procura encontra algo – e descobre que precisa fazer uma escolha se quiser viver onde está – não importa se na Paris dos Anos 20, na Paris da Belle Époque ou na Paris de hoje. Para quem o viveu, o passado era presente.

Assim como não há passado, só presente – não há vida idealizada, só vida. É com essa vida, no presente, que temos de fazer o melhor que pudermos, mesmo que sempre nos pareça insuficiente. Para, quando chegar ao final que sempre chega, termos a chance de concluir: “Que pena que acabou. Mas vivi, não tudo o que quis, mas o melhor que pude”. E só dá para ter certeza de que fizemos o melhor possível com nossa vida imperfeita quando temos a coragem de fazer escolhas. Que, inclusive, podem dar errado – e muitas vezes dão. Mas também podem dar certo, ou dar errado dando certo de um jeito que não sabíamos que existia.

Do contrário, vamos ficar fingindo que conhecemos o enredo, como o chato da história, e ninguém encontra nada sem se arriscar ao vazio e às perguntas difíceis, com respostas às vezes indigestas. Não há final feliz – o final é sempre a morte, como nos repetiram tantos poetas. O que temos é o presente possível para experimentar por tentativa e erro.
As grandes questões da existência, afinal, são sempre as mesmas – e é para nos lembrar disso que servem os contos de fadas. “Meia-noite em Paris” é um dos bons.

AS HORAS - Elisa Palatnik

Tadeu guardava o tempo para um dia quando precisasse. Juntava todas as horas, minutos e segundos disponíveis e embrulhava-os em pequenos sacos plásticos com suas devidas especificações: horas de descanso, minutos de folga do trabalho, feriados. Assim, se acabava o asseio diário mais cedo, nada fazia com o tempo que sobrava, conservando-o intacto, novo, sem uso, escrevendo em sua embalagem a procedência. Depois de anos de controle, quando evitava qualquer atividade que não fosse o absolutamente necessário, ficando em estado de latência profunda a cada hora vaga, tinha acumulado duas mil, trezentas e vinte horas e dois segundos. Isto sem contar o tempo de um sujeito chamado Ubaldo, que lhe vendeu trezentas horas sem uso.
Ubaldo era um homem que não trabalhava, não tinha família, e sua única paixão era a música, e seus instrumentos de sopro. Tadeu descobriu mais tarde que duas destas trezentas horas estavam gastas e teriam sido usadas para a limpeza de uma gaita de foles — resolveu a partir de então não comprar nem um segundo a mais de quem quer que fosse. Ubaldo, tendo tanto tempo de sobra, abriu uma loja de aluguel.

Ubaldo colocou à disposição as horas do seu dia para aqueles que precisavam mais do que as vinte e quatro habituais. Alugava para as irmãs Contii — xifópagas —, que tinham que dividir seu tempo, ficando apenas 12 horas para cada uma; para o senhor Aumar, que estudava as estrelas e pedia somente as horas noturnas para suas observações. Chegou a alugar para uma noiva desesperada já no altar, à espera do noivo que não aparecia. E finalmente alugava para José Josias, um homem que só tinha 18 horas por dia — que já havia nascido assim, com seis horas a menos do que o normal. Em função desta deficiência congênita, o rapaz era obrigado a fazer tudo sempre ligeiro, para compensar o pouco tempo que lhe cabia.

José Josias tornou-se cliente fixo de Ubaldo, mas quando soube da existência de Tadeu e suas milhares de horas guardadas e novas, manifestou imensa vontade de comprá-las. Preocupado com a insistência do homem, que se mostrara amargo e violento, Tadeu usou 815 minutos para pensar o que fazer. Como precaução resolveu esconder seu tempo, espalhando-o pela casa, em todos os cantos, buracos e frestas. Inclusive dentro do baú de seu bisavô, onde encontrou o tão procurado diário — diário que dizia esconder, em algum lugar do porão, preciosos segundos do século XIX. Só então recebeu José Josias. Inventou uma boa história e convenceu-o de que não podia desfazer-se de nenhum minuto, de que sua causa era nobre; que um dia doaria todas aquelas horas para asilos, instituições de caridade, hospitais. Sensibilizado, José Josias (que embora amargurado não era má pessoa) ofereceu a Tadeu vinte minutos como contribuição. Obrigou toda família a fazer o mesmo e espalhou a história por toda parte. 

Pessoas humildes e simplórias, também iludidas, doaram caixotes e caixotes cheios de horas, minutos, segundos, décimos de segundo. Tadeu começou a receber homenagens, a adquirir fama e prestígio. Mais tarde, considerado um benfeitor, foi eleito chefe de governo.
A cidade nunca se arrependeu tanto. 

Tudo porque Tadeu, mesmo sendo um péssimo governante, com suas milhares de horas guardadas, conseguiu ficar 22 anos no poder.

CHICO ANYSIO - SILÊNCIO, HOSPITAL!

Nos primeiros tempos de casamento ele aparentava uma saúde de ferro mas, de uns anos pra cá, mostrava-se tão frágil, tão suscetível às doenças, que Dona Belinha, sua esposa, intranqüilizava-se cada vez mais.
— Qualquer coisinha o Pirilo hospitaliza-se — choramingava às amigas. — Tão frágil, tão doentinho...
E assim era. Por um simples sintoma de gripe ou resfriado, o Pirilo pegava um pijama, escova de dentes, pente e chinelos, metia-os numa maleta branca e hospitalizava-se.
— O que é que você tem, Pirilo? — perguntava a esposa preocupada, vendo o marido fazer a mala para mais uma ida à casa de saúde.
— Nada, minha velha.
— E se não tem nada, por que você vai para o hospital, Pirilo? — insistia Dona Belinha, mais preocupada do que nunca.
— Com saúde não se facilita. Não tenho nada agora, mas estou esperando uma gripe de uma hora para outra.
E se internava por quatro, cinco dias. Proibia as visitas e não aceitava flores ou maçãs. "Se eu morrer, não quero ninguém no velório. Na doença e na morte, longe os parentes", era a teoria que defendia e a que a família obedecia.
— Chama-se isso de hipocondria — explicou um médico a quem Dona Belinha secretamente visitou:
— Hipocondria?
— É uma ansiedade habitual relativa à própria saúde — decifrava o médico. — É muito comum, um caso assim. Há pessoas que não vivem sem tomar remédio. Seu marido é um caso desses. Só que em estado mais grave, porque ele chega a ir para o hospital. Mas não se preocupe. Os hipocondríacos são os que vivem mais.
— Isso pega, doutor? — inquiriu Dona Belinha, quase desejando que sim, para poder acompanhar o marido, de quem sentia muita falta, durante os dias de nosocômio.
— Pegar, não digo, mas quem convive com um hipocondríaco, sendo de espírito fraco, pode-se contagiar por esta mania.
E ela muito rezava e pedia que lhe fosse dado este contágio.
— Belinha, traz a mala.
— Pra onde você vai, Pirilo?
— Vou-me hospitalizar.
— O que é que você está sentindo?
— Hoje, fazendo as unhas, tirei sangue da cutícula. Isso pode infeccionar, dar tétano, gangrenar, sei lá. Com saúde não se brinca.
E, de mala branca na mão e infalível chapéu preto à cabeça, lá ia o Pirilo para o Hospital dos Estrangeiros, onde tinha conta corrente (pagava por semestre) e apartamento quase fixo.
— O apartamento de sempre, Sr. Pirilo? perguntava a enfermeira, como se aquilo fosse um hotel.
— Não. Desta vez quero um no terceiro andar, com vista para a encosta.
E por uma semana, muitas vezes, curtia o seu hospitalzinho, de camisola e tudo, com exames de pressão arterial, termômetros sob a axila, colheita de urina, sangue, fezes, escarro, etc. Uma semana depois, sentindo-se recuperado, voltava ao seio da família, dizendo-se outro homem.
Ao mesmo tempo em que os filhos cresciam, desenvolvia-se a hipocondria do Pirilo, que se internou pelos motivos mais burlescos, de tão banais: furúnculo, cisco no olho, mau jeito no braço, aerofagia, topada.
A conselho médico a mulher nem tocava mais no assunto, tentando meter na cabeça do marido que ele não sofria de coisa alguma ("Isso pode piorar, porque ele fica irritado e..."). Ao ver Pirilo chegar e entrar em casa sem tirar o chapéu preto, a mulher já sabia que era caso de hospital. E, por conta própria (disso o médico não teve culpa), já até colaborava com a hipocondria do marido.
— Não está passando bem, Pirilo?
— Ainda bem que você notou. Hoje arrotei duas vezes, depois de tomar uma Coca-Cola. Faz a mala.
E o pijama, com pente, chinelo e escova de dentes, era enfiado na mala branca que Pirilo conduzia ao Hospital dos Estrangeiros, onde era mais conhecido do que muitos dos médicos que lá operavam ou davam plantão.
— Terceiro andar, para a encosta?
— Segundo andar, de frente.
— 214 — informava a enfermeira, dando-lhe a chave.
Tantas foram as vezes que Pirilo se internou que, ultimamente, já ia sozinho da portaria para o quarto. Ir uma enfermeira com ele para quê, se ele conhecia os corredores e apartamentos mais do que a maioria delas? De hospital, ele dava aula. E era um custo para aceitar a alta do médico.
— Pode ir embora hoje, Sr. Pirilo.
— De jeito nenhum. Antes de quinta-feira ninguém me tira daqui.
— Mas o senhor já está bom. Os gases...
— Os gases acabaram, mas... e essa unhazinha?
— Que tem a unha? — perguntava o médico, segurando-lhe a falange do pé que Pirilo lhe exibia.
— Repare na unha, veja bem.
— Está bem.
— Ora, doutor, enganar ao Pirilinho? A unha está encrava, não encrava. Antes de quinta-feira eu não saio, a não ser que a unha se resolva.
De tanto Pirilo se ausentar para os hospitais, apareceu um arquiteto desquitado com ótimos planos e projetos para Dona Belinha com os quais ela concordou, de tanta distância que já sentia do marido hipocondríaco.
Saiu ganhando, pois amava agora um homem formado, enquanto Pirilo continuava amante de uma ajudante de enfermeira do Hospital dos Estrangeiros, que um dia dava plantão no terceiro andar, de frente para a encosta, no outro dia no segundo andar, de frente para a frente...
Os hipocondríacos merecem cuidados!

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