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O QUE É SER INTELIGENTE? - Isaac Asimov

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos.

A média era 100.

Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.

(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)

Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.

Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.

No fim, ele sempre consertava meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico.

Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.

Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.

Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.

A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.

Ele adorava contar piadas.

Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:

“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”

Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.

“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”

Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou:

- “Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
- “E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
- “Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
- “Ah é? Por quê?”
- “Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”

E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.
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O Leblon pré-novelas do Manuel Carlos. Contos e crônicas 
onde somos levados a refletir sobre racismo, preconceito, 
  solidão, amizade, descobertas e experiências de criança, 
de adolescente e, por fim, de um jovem adulto. 
A relação com cotidiano do bairro. 
Clipper, Pizzaria Guanabara, 
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do Leblon são os palcos dessas histórias.

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O FUTURO DA ESPÉCIE HUMANA - Manoel de Oliveira

Não sei se as populações estão a aumentar ou a diminuir. É claro que, com o aborto, com a pílula, com as "camisas de Vénus", com a soma dessas coisas todas, a procriação diminui, a velhice aumenta; a receita dos impostos diminui, porque há menos jovens no trabalho e há mais velhos a ser remunerados.

É preciso que a população aumente sempre e que não se faça a desertificação da província, como está a acontecer. Tiram escolas, hospitais e as pessoas desertificam essas cidades. Porque é da província, da cultura da terra, que nós vivemos, e ela está desertificada.

[Mas eu referia-me mesmo à sobrevivência do planeta Terra. Acha que ele está em perigo?]

Está em perigo, claro. De tal modo que a gente pergunta: onde está a inteligência do homem? Há um progresso, é certo, mas esse progresso encaminha-se para a morte.
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FRIEDRICH NIETZSCHE - Frases


Temos sentido muito pouco alegria. Este, somente, é o nosso pecado original.
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Eis o momento! Começando nesta porta, um longo e
eterno caminho mergulha no passado: atrás de nós está
uma eternidade! Não será verdade que todos os que
podem andar têm de já ter percorrido este caminho?
~
"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar."
~
E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.
~
Amareis a paz como um meio para uma nova guerra. E amareis mais a paz breve do que a prolongada. Aconselho-vos não a trabalhar, mas a lutar! Aconselho-vos não à paz, mas à vitória! Dizeis que a boa causa santifica até mesmo a guerra? Eu vos digo é a boa guerra que santifica toda causa! A guerra e a coragem tem feito mais do que a caridade!
~
Os grandes intelectuais são cépticos.
~
Todo conhecimento implica em poder.
~
As convicções são cárceres. Mais inimigas da verdade do que as próprias mentiras.
~
Tudo na mulher é adivinha e tudo nela tem uma única solução e essa é a gravidez.
~
Sem a música, a vida seria um erro.
~
O sucesso tem sido sempre um grande mentiroso.
~
As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.
~

Nunca odiamos aos que desprezamos. Odiamos aos que nos parecem iguais ou superiores a nós.
~
A música oferece às paixões o meio de obter prazer delas.
~
Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez! E falsa seja para nós toda a verdade que não tenha sido acompanhada por uma gargalhada!
~
A arte deve antes de tudo e em primeiro lugar embelezar a vida, portanto fazer com que nós próprios nos tornemos suportáveis e, se possível, agradáveis uns aos outros.
~
Somos muito injustos com Deus. Nem sequer Lhe permitimos pecar.
~
Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.
~
O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos
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A FALÁCIA DAS CONVICÇÕES – Francis Bacon

O intelecto humano, quando se agarra a uma convicção (ou por acreditar realmente nela ou só porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e concordância. E ainda não observa a força das instâncias contrárias, desprezando-as, ou, recorrendo a distinções, as colocando à parte e rejeitando, causando um grande e pernicioso prejuízo a verdade.

Graças a isso, a autoridade daquelas primeiras afirmações permanece inviolada. E bem se houve aquele que, ante um quadro pendurado no templo, como ex-voto dos que se salvaram dos perigos de um naufrágio, instado a dizer se ainda se recusava a aí reconhecer a providência dos deuses, indagou por sua vez: “E onde estão pintados aqueles que, a despeito do seu voto, pereceram?”

Essa é a base de praticamente toda a superstição, trate-se de astrologia, interpretação de sonhos e que tais: encantados, os homens, com tal sorte de quimeras, marcam os eventos em que a predição se cumpre; quando falha - o que é bem mais freqüente —, negligenciam-nos e passam adiante. Esse mal se insinua de maneira muito mais sutil na filosofia e nas ciências.

Nestas, o raciocínio inicial a tudo impregna e reduz o que segue. Até quando parece mais firme e aceitável.

Mais ainda: mesmo não estando presentes essa complacência e falta de fundamento a que nos referimos, o intelecto humano tem o erro peculiar e perpétuo de mais se apegar e excitar pelos eventos afirmativos que pelos negativos, quando deveria ser rigorosa e sistematicamente atenta a ambos.

Vamos mais longe: na constituição de todo axioma verdadeiro, têm mais força as instâncias negativas.
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O MILAGRE DA VIDA – Albert Einstein


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
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POR QUE É TÃO DIFÍCIL SUPERAR NOSSAS MÁGOAS? - Daniel Grandinetti

A mágoa é o sentimento de que nosso eu foi desvalorizado pelo mundo. Ela é por vezes chamada de ‘ressentimento’, pois se trata de um sentimento que é experimentado de novo cada vez que o evento doloroso é relembrado.

 Entretanto, o evento que causa a mágoa nem sempre a causa no momento em que ocorre. Muitas vezes, a experiência de um evento é trivial, e a mágoa só surge quando ele é lembrado e significado por nós como ofensivo ou desrespeitoso com nossa pessoa. Assim, somos nós mesmos que julgamos nosso eu como desvalorizado. Na mágoa, nossa auto-imagem é depreciada perante nossos próprios valores, ou perante nós mesmos. É o eu que se torna depreciado perante o próprio eu.

De frente com o fato de que o eu é a instância julgadora do próprio eu, Freud dividiu o eu em ‘eu’ e ‘supereu’, atribuindo ao supereu a função de instância julgadora do eu. O eu só é julgado por si mesmo. Conseqüentemente, toda desvalorização do eu parte do próprio eu. Mas, na mágoa, consideramos que nosso eu foi desvalorizado por outras pessoas, pela vida ou pelo mundo. Uma vez que nós mesmos julgamos nosso eu como desvalorizado, julgamos o evento que, a nosso ver, o desvalorizou como ‘desvalorizador’, e o agente desse evento como a pessoa que executou a desvalorização. Tudo isso é conseqüência do julgamento a que submetemos nosso próprio eu.

Acusamos as pessoas de terem nos desvalorizado, mas essa acusação é conseqüência do fato de nós mesmos nos desvalorizarmos. Nosso eu se tornou desvalorizado perante si mesmo, e isso significa que é o eu que está rejeitando e criticando o próprio eu. Na mágoa, o eu rejeita a si mesmo como destituído de valor, se recusa a aceitar a si mesmo nessas condições e ainda assim manda a conta do julgamento para outra pessoa. Mas, não foi o outro que julgou e condenou o eu; foi o próprio eu que se submeteu a essa humilhação. O outro é responsável pelas suas ações. Se ele comete uma falta, deve ser responsabilizado, inclusive judicialmente se for o caso. Mas, o julgamento depreciativo que o eu faz de si mesmo por conta das ações de outros é de responsabilidade dele mesmo. Mesmo que a ação do outro seja a de nos julgar depreciativamente, esse julgamento difere do julgamento de nosso eu por si mesmo. A mágoa é produto do julgamento do eu por si mesmo, e ele não pode cobrar ninguém por isso. Mesmo porque, ainda que a conta seja mandada ao outro e que esse outro queira nos ressarcir, como ele poderia fazer isso? A mágoa só desaparece quando o eu faz as pazes consigo mesmo; ela só desaparece quando o eu revê e anula o julgamento depreciativo sobre si mesmo. Se o eu não revê seu julgamento, não há nada que o outro possa fazer. É o eu quem dá a última palavra sobre o abandono da mágoa. Assim, além de ele não precisar de ninguém mais para tanto, não há nada que alguém possa fazer se ele não se dispuser a fazer o que deve ser feito.

Mágoas são difíceis de serem superadas porque nós insistimos em mandar aos outros a conta de um julgamento sobre nosso eu que fomos nós mesmos que fizemos e do qual somente nós podemos recorrer e rever. Mágoas são difíceis de serem superadas porque passamos um longo tempo esperando o pagamento de uma conta que não pode ser paga. E se a conta não pode ser paga, então a dívida não existe! A pessoa que nos magoou não nos deve nada. Ela deve ser responsabilizada pelos seus atos, certamente; mas, a conta pela ferida em nossa auto-estima, que insistimos em mandar para ela, Nãopode ser paga por ela. E não pode ser paga por ela porque essa conta não é dela; a dívida é nossa e só pode ser quitada por nós mesmos.

Quando pensamos em superar uma mágoa, imaginamos uma série de condições que deveriam ser satisfeitas: Ações de ressarcimento da pessoa que nos magoou, longos períodos de “crescimento” pessoal, etc. Nenhuma dessas condições é necessária. O eu é autônomo em seu julgamento sobre si mesmo. Ele não depende de nenhuma condição para julgar e de nenhuma condição para anular esse julgamento. A dificuldade está justamente em entender isso.
Daniel Grandinetti, psicólogo clínico e mestre em Filosofia em Belo Horizonte.

TODO HOMEM QUE TEVE AMORES VERDADEIROS... - Simone de Beauvoir


"Todo homem que teve amores verdadeiros, revoltas verdadeiras, desejos verdadeiros, e vontades verdadeiras, sabe muito bem que não tem necessidade de nenhuma garantia extrema para ter certeza dos seus objetivos; a certeza provém das suas próprias forças propulsoras".
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sua cultura e seus conhecimentos. 
Acesse, você vai gostar.
https://cultmente.blogspot.com/

AINDA ONTEM PENSAVA QUE NÃO ERA - Khalil Gibran


Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"
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DALAI LAMA - OS HOMENS...


Os homens ... 
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, 
depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, 
esquecem do presente de tal forma 
que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer...
E morrem como se nunca tivessem vivido.

A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA HUMANA - António Damásio

Entrevista com um dos maiores neurologistas da atualidade

No campus da Universidade de Iowa, Estados Unidos, o neurologista português António Damásio gasta boa parte do tempo tentando compreender uma das áreas mais nebulosas do conhecimento: a consciência humana. É difícil encontrar um desafio mais instigante para um cientista, diz Damásio. Afinal, o que poderia ser mais fascinante do que conhecer o modo como conhecemos?
Em seus dois livros, O Erro de Descartes e O Mistério da Consciência (editados no Brasil pela Companhia das Letras), Damásio descreve como a consciência abriu caminho para uma verdadeira revolução na natureza, tornando possível o surgimento da religião, da moral, da organização social e política, das artes, da ciência e da tecnologia. Ele tenta encontrar as respostas para as questões mais antigas da filosofia pesquisando o que há de mais novo no conhecimento do cérebro. Depois da polêmica em torno da clonagem humana, ele prevê que os debates mais fervorosos da ciência estarão ligados à possibilidade de manipularmos nossas emoções por meio de uma melhor compreensão da mente.

Qual a origem da consciência humana?
A consciência é fruto da necessidade básica de nos mantermos vivos. É claro que, na natureza, existe uma série de organismos simples que vivem de uma forma basicamente automática. Desde que mantenham cuidados básicos, como evitar perigos e adquirir a energia por meio dos alimentos, a vida desses organismos pode ser preservada. Os seres humanos são mais complexos: além de precisarem manter a vida de uma forma simples, eles têm que se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter energia e se expõem a inúmeros perigos e oportunidades. Nesse ambiente que não é apenas físico, mas também cultural, precisamos de um sistema complexo de imaginação, criatividade e planejamento. A consciência surge dessa necessidade.

Existe uma primeira forma de consciência?
Uma forma de consciência inicial aparece quando o homem sente que ele é um ser em si mesmo. É difícil encontrar uma palavra, em português, para definir o processo. Chamo essa consciência de self. É ela que faz que não sejamos um robô, uma máquina manipulável. Podemos guiar a imaginação e conduzir a criatividade por meio dessa consciência. Para compreendermos o que é a dor, o sofrimento, e também o prazer das outras pessoas, precisamos antes ter uma idéia de quem somos. E a consciência self é fundamental para que possamos respeitar os outros.

Como o estudo da consciência pode melhorar a vida das pessoas?
Grande parte do sofrimento humano é causado por conflitos das pessoas consigo mesmas. Quando conhecemos mais a natureza biológica do homem, encaramos esses problemas com outro olhar. Se conhecemos os mecanismos que acionam a ansiedade, a tristeza e a alegria, podemos entender melhor como cada pessoa é e evitar certos problemas. Pense nos conflitos religiosos, políticos e de grupos sociais. É claro que há bases econômicas para eles mas acredito que a compreensão das emoções pode ajudar a mudar a maneira pela qual as pessoas tentam resolver essas disputas. Entender a tendência para a violência, para a competição ou o funcionamento do medo é fundamental para o autocontrole. Posso soar otimista, mas acredito que, quando admitirmos que nossa razão é influenciada por essas emoções, o mundo poderá tornar-se melhor.

A compreensão detalhada da consciência não pode nos tornar mais céticos ao descobrirmos, por exemplo, que há, no cérebro, uma região responsável pelo amor ou outra pela fé?
Mesmo que venhamos a compreender a mente com mais profundidade, será muito difícil desvendar mistérios como a origem do universo ou o que faz com que nos apaixonemos por outra pessoa. É possível que nunca cheguemos a desvendar essas questões talvez nosso cérebro não tenha capacidade para compreender certos enigmas...

Como a crença em Deus...
Exatamente. Acho improvável que a neurociência consiga, um dia, apresentar razões para que as pessoas tenham ou deixem de ter fé numa inteligência superior. Elas podem até deixar de acreditar em milagres. Mas a ciência não tem como concluir que o Criador existe ou deixa de existir. A fé e a origem do universo não são problemas científicos passageiros. Mesmo assim, o conhecimento da mente pode mudar a forma como nos relacionamos com a vida. As pessoas tendem a aceitar a morte em função da complexidade do universo. Acho que deveria ser o contrário: constatando como a vida é frágil, podemos dar mais importância a ela e trabalhar para que seja a melhor possível enquanto dure.
A cada ano surgem um novo antidepressivo e drogas que provocam emoções artificiais.

Você acredita que, no futuro, teremos uma droga que possa acabar com as emoções ruins?
Acho que sim. É uma questão importante, que precisaremos discutir cada vez mais. Imagine uma superpopulação tomando Prozac diariamente. Esse grupo de pessoas alteraria um sistema natural e poderia causar diversos problemas é claro que alguns problemas seriam resolvidos, mas as conseqüências da proliferação dessa medicação poderiam levar à ruína de uma sociedade. Tem que haver mais investigação sobre como essas drogas serão usadas. É claro que as pessoas deprimidas devem ser tratadas, mas pode ser um erro tomar o medicamento apenas para inibir a timidez e impulsionar a vida social. A ciência precisa trazer mais informações para que esses temas não sejam discutidos pela simples opinião ou intuição de algumas pessoas.

Chegaremos, um dia, a manipular tão bem as áreas do cérebro que poderemos reproduzir com uma pílula a sensação de voar ou de passear numa montanha russa?
É bem provável que isso seja possível. E, sem dúvida, para a sociedade esse será um assunto tão polêmico quanto o da clonagem genética. Vamos ter que decidir o que deve e não deve ser permitido exatamente como na regulamentação da indústria do cinema e da televisão. Há um ponto em que tanto a criação artística quanto a científica precisam ser filtradas pela sociedade. Mas não podemos deixar que um burocrata decida isso. Quanto mais informações forem divulgadas no futuro, inclusive por meio desta revista, mais condições a sociedade terá para tomar suas decisões.

Que outro tipo de realidade virtual poderá ser criada, no futuro, manipulando o cérebro?
Prefiro não especular, tudo ainda não passa de teoria.

O estudo da consciência humana é um campo da ciência à espera de um novo Newton?
O problema da consciência é um tema complexo, que tem sido mal abordado. É evidente que é necessário avançar muito mais. Acho que meu livro O Mistério da Consciência traz alguns avanços importantes sobre o assunto, mas não devemos ter a ingenuidade de acreditar que tudo está resolvido. Há imensos problemas à espera de mais investigação e trabalho. Nos próximos dez ou 20 anos, talvez seja possível resolver boa parte deles.

Como escrever sobre assuntos tão complexos para o público leigo?
Os temas sobre os quais escrevo são importantes demais para ficarem restritos aos cientistas. Escrever sobre o pâncreas ou o fígado pode ser atraente apenas para os médicos, mas o público tem interesse quando falamos da mente, do pensamento, da emoção e do sentimento. É fantástico o retorno que tenho recebido dos leitores dos meus livros em todo o mundo. Interessados em arte, literatura e cinema dizem que essa pesquisa os ajuda a compreender melhor o que fazem nas suas próprias áreas.

Vídeo – AMOR, MEDO E FELICIDADE - ZYGMUNT BAUMAN


Entrevista exclusiva: Zygmunt Bauman

Depoimento exclusivo em vídeo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, gravado em sua casa na cidade de Leeds, Inglaterra, no dia 23 de julho de 2011, pela equipe da CPFL e do Fronteiras.

Bauman nos motivou a encarar um grande desafio contemporâneo: entender as mudanças que o advento da modernidade líquida produz na condição humana. E esse desafio orienta a agenda de discussões do café filosófico cpfl, programa no qual repensamos os velhos conceitos que costumavam cercar as narrativas de nossas vidas. Aprendemos com Bauman a tratar com rigor conceitual - reconhecendo a fluidez entre os laços, entre os conceitos e os saberes - temas que ainda não haviam conquistado um estatuto acadêmico claro, como o amor, o medo e a felicidade.

Oferecemos a você este vídeo em que Zygmunt Bauman fala de expectativas para o século XXI, internet, a necessidade de construção de políticas globais, a construção de uma nova definição de democracia, entre outros temas.
 
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AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO EM MASSA, SEGUNDO NOAM CHOMSKY

Noam Chomsky é um dos intelectuais mais respeitados do mundo. Este pensador americano foi considerado o mais importante da era contemporânea pelo The New York Times. 

Uma de suas principais contribuições é ter proposto e analisado as estratégias de manipulação em massa que existem no mundo hoje.

Noam Chomsky ficou conhecido como linguista, mas também é filósofo e cientista político. Ao mesmo tempo, se tornou um dos principais ativistas das causas libertárias. Seus textos circularam pelo mundo e não param de surpreender os leitores.

“Como temos tanta informação, mas sabemos tão pouco?”
-Noam Chomsky-

Chomsky elaborou um texto didático no qual sintetiza as estratégias de manipulação em massa. Suas reflexões a respeito disso são profundas e complexas. No entanto, para fins didáticos, ele resumiu tudo em princípios simples e acessíveis a todos.

1. A distração, uma das estratégias de manipulação em massa
Segundo Chomsky, a mais recorrente das estratégias de manipulação em massa é a distração. Consiste, basicamente, em direcionar a atenção do público para temas irrelevantes ou banais. Desta forma, eles mantêm as mentes das pessoas ocupadas.

Como a mídia nos manipula
Para distrair as pessoas, as deixam cheias de informações. Dá-se uma importância excessiva, por exemplo, a eventos esportivos. Também aos shows, aos programas de TV, etc. Isso faz com que as pessoas percam de vista quais são seus reais problemas.

2. Problema-reação-solução
Às vezes o poder, deliberadamente, deixa de atender ou atende de forma deficiente certas realidades. Eles fazem os cidadãos verem isso como um problema que exige uma solução externa. Eles mesmos propõem uma solução.

Essa é uma das estratégias de manipulação em massa para tomar decisões que são impopulares. Por exemplo, quando querem privatizar uma empresa pública e intencionalmente pioram seu nível serviço. No final, isso justifica a venda.

3. Gradualidade
Esta é outra das estratégias de manipulação em massa para introduzir medidas que as pessoas normalmente não aceitariam. Consiste em aplicá-las pouco a pouco, de forma que sejam praticamente imperceptíveis.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a redução dos direitos trabalhistas. Em diferentes sociedades têm sido implementadas medidas, ou formas de trabalho, que acabam fazendo com que o trabalhador não tenha nenhuma garantia de segurança social.

4. Deferir
Esta estratégia consiste em fazer os cidadãos pensarem que é tomada uma medida que é temporariamente prejudicial, mas que no futuro pode trazer grandes benefícios para toda a sociedade e, é claro, para os indivíduos.

O objetivo é que as pessoas se acostumem com a medida e não a rejeitem, pensando no suposto bem que ela trará amanhã. Chegado o momento, o efeito da “normalização” já funcionou e as pessoas não protestam porque os benefícios prometidos não chegam.
  
5. Infantilizar o público
Muitas das mensagens na televisão, especialmente da publicidade, tendem a falar ao público como se fossem crianças. Usam gestos, palavras e atitudes que são conciliadas e impregnadas com uma certa aura de ingenuidade.

O objetivo é vencer as resistências das pessoas. É uma das estratégias de manipulação em massa que busca neutralizar o senso crítico das pessoas. Os políticos também empregam essas táticas, às vezes se mostrando como figuras paternas.

6. Recorrer às emoções
As mensagens que são projetadas a partir do poder não têm como objetivo a mente reflexiva das pessoas. O que procuram principalmente é gerar emoções e atingir o inconsciente dos indivíduos. Por isso, muitas dessas mensagens são cheias de emoção.

O objetivo disso é criar uma espécie de “curto circuito” com a área mais racional das pessoas. Com emoções, o conteúdo geral da mensagem é capturado, não seus elementos específicos. Desta forma, a capacidade crítica é neutralizada.

7. Criar públicos ignorantes
Manter as pessoas na ignorância é um dos propósitos do poder. Ignorância significa não dar às pessoas as ferramentas para que possam analisar a realidade por si mesmas. Dizer-lhes os dados anedóticos, mas não deixar que conheçam as estruturas internas dos fatos.

Manter a ignorância também é não colocar ênfase na educação. Promover uma ampla lacuna entre a qualidade da educação privada e da educação pública. Adormecer a curiosidade pelo conhecimento e dar pouco valor aos produtos da inteligência.

8. Promover públicos complacentes
A maioria das modas e tendências não são criadas espontaneamente. Quase sempre são induzidas e promovidas a partir de um centro de poder que exerce sua influência para criar ondas maciças de gostos, interesses ou opiniões.

Os meios de comunicação geralmente promovem certas modas e tendências, a maioria delas em torno de estilos de vida tolos, supérfluos ou até mesmo ridículos. Convencem as pessoas de que se comportar assim é “o que está na moda”.

9. Reforço da auto-culpabilidade
Outra estratégia de manipulação em massa é fazer as pessoas acreditarem que elas, e somente elas, são culpadas por seus problemas. Qualquer coisa negativa que aconteça a elas depende apenas delas mesmas. Dessa forma, são levadas a acreditar que o ambiente ao seu redor é perfeito e que, se ocorrer uma falha, esta é responsabilidade do indivíduo.

Por isso, as pessoas acabam tentando se encaixar e também se sentem culpadas por não obterem muito sucesso. Deslocam a indignação que o sistema poderia provocar para uma culpa permanente em si mesmos.

10. Conhecimento profundo do ser humano
Durante as últimas décadas, a ciência conseguiu reunir uma quantidade impressionante de conhecimentos sobre a biologia e a psicologia dos seres humanos. No entanto, toda essa informação não está disponível para a maioria das pessoas.
Apenas uma quantidade mínima de informações chega ao público. 

Enquanto isso, as elites dispõem de todo esse conhecimento e o usam conforme sua conveniência. Mais uma vez, fica claro que a ignorância facilita a ação do poder sobre a sociedade.

Todas essas estratégias de manipulação em massa têm como objetivo manter o mundo tal como convém para os mais poderosos. Bloquear a capacidade crítica e a autonomia da maioria das pessoas. 

No entanto, depende também de nos deixarmos ser passivamente manipulados, ou oferecermos resistência até onde for possível.
Fonte: A mente é maravilhosa
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NEUROCIÊNCIA SUPEROU A PSICANÁLIE - Ivan Izquierdo

NEUROCIÊNCIA SUPEROU A PSICANÁLIE - Ivan Izquierdo
A psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência...