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NÃO SEJAS DEMASIADO JUSTO - Rubem Alves


ERA UM DEBATE sobre o aborto na TV. 
A questão não era "ser a favor"ou 
"contra o aborto". 
O que se buscava eram diretrizes éticas 
para se pensar sobre o assunto.

Será que existe um princípio ético absoluto que proíba todos os tipos de aborto? Ou será que o aborto não pode ser pensado "em geral", tendo de ser pensado "caso a caso"? Por exemplo: um feto sem cérebro. É certo que ele morrerá ao nascer. Esse não seria um caso para se permitir o aborto, para poupar a mulher do sofrimento de gerar uma coisa morta por nove meses?

Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais. Todos os abortos são assassinatos.
Terminando o debate, o teólogo concluiu com esta afirmação: "Nós ficamos com a vida!"

O mais contundente nessa afirmação está não naquilo que ela diz claramente, mas naquilo que ela diz sem dizer: "Nós ficamos com a vida. Os outros, que não concordam conosco, ficam com a morte..."
Mas eu não concordo com a posição teológica da igreja -sou favorável, por razões de amor, ao aborto de um feto sem cérebro- e sustento que o princípio ético supremo é a reverência pela vida.

Lembrei-me do filme a "Escolha de Sofia". Sofia, mãe com seus dois filhos, numa estação ferroviária da Alemanha nazista. Um trem aguardava aqueles que nele seriam embarcados para a morte nas câmaras de gás. O guarda que fazia a separação olha para Sofia e lhe diz: "Apenas um filho irá com você. O outro embarcará nesse trem..." E apontou para o trem da morte.

Já me imaginei vivendo essa situação: meus dois filhos -como os amo-, eu os seguro pela mão, seus olhos nos meus. A alternativa à minha frente é: ou morre um ou morrem os dois. Tenho de tomar a decisão. Se eu me recusasse a decidir pela morte de um, alegando que eu fico com a vida, os dois seriam embarcados no trem da morte... Qual deles escolherei para morrer? Acho que a ética do teólogo católico não ajudaria Sofia.

Você é médico, diretor de uma UTI que, naquele momento, está lotada, todos os leitos tomados, todos os recursos esgotados. Chega um acidentado grave que deve ser socorrido imediatamente para não morrer. Para aceitá-lo, um paciente deverá ser desligado das máquinas que o mantém vivo. Qual seria a sua decisão? Qual princípio ético o ajudaria na sua decisão? Qualquer que fosse a sua decisão, por causa dela uma pessoa morreria.

Lembro-me do incêndio do edifício Joelma. Na janela de um andar alto, via-se uma pessoa presa entre as chamas que se aproximavam e o vazio à sua frente. Em poucos minutos as chamas a transformariam numa fogueira. Para ela, o que significa dizer "eu fico com a vida"? Ela ficou com a vida: lançou-se para a morte.

Ah! Como seria simples se as situações da vida pudessem ser assim colocadas com tanta simplicidade: de um lado a vida e do outro a morte. Se assim fosse, seria fácil optar pela vida. Mas essa encruzilhada simples entre o certo e o errado só acontece nos textos de lógica. O escritor sagrado tinha consciência das armadilhas da justiça em excesso e escreveu: "Não sejas demasiado justo porque te destruirás a ti mesmo..."

ÉTICA DOS PRINCÍPIOS - Rubem Alves

AS DUAS ÉTICAS: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos -a que os filósofos dão o nome de ética contextual.

Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre os estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses.


Como os homens comuns não vêem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe...

Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos vêem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram...

Vou aplicar a metáfora a uma situação concreta. A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo.

O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: "Doutor, será que eu escapo desta?"

Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer?

Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: "Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer..." Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações.

A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade.

Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: "Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano -"A senhora breve estará curada...'-, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?" E ele dirá:

"Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer..." Aí, então, os dois conversarão longamente -como se estivessem de mãos dadas ...- sobre a morte que os dois haverão de enfrentar.

Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade.

Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem.

Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da Aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará?

Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: "Qual delas está mais a serviço do amor?"

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AS 10 MELHORES FRASES DE WILLIAM JAMES


As contribuições de William James para a filosofia e a psicologia deram origem a uma grande quantidade de teorias e modelos explicativos de ambas as disciplinas. Ele é considerado o pai da psicologia americana por sua abordagem pragmática e funcionalista. Estas são as frases de William James que resumem sua concepção de Psicologia.

Ele nasceu nos Estados Unidos em uma família rica. A década de 70 foi um ponto crucial de virada em sua vida. Ele experimentou uma profunda crise emocional, casou-se e iniciou sua atividade de ensino na Universidade de Harvard em 1872. Desde então, dedicou-se a estudar em profundidade a relação entre a consciência e os estados emocionais.

Seu primeiro livro, “Princípios da Psicologia”, o sagrou como um pensador muito influente. Além disso, tornou-se sua maior contribuição para a pesquisa em psicologia. Da mesma forma, este autor deixou para a posteridade uma série de grandes citações com grande significado e sabedoria.

“Qualquer coisa que você pode manter firmemente
em sua imaginação pode ser sua”.

Frases de William James: a mente como objeto de conhecimento
William James fundou um laboratório de psicologia em Harvard, onde iniciou a escola de psicologia funcional. Este modelo concentrou-se em estudar a mente como uma parte funcional, essencialmente útil do organismo humano.

“A maior descoberta da minha geração é: um ser humano pode mudar sua vida mudando sua atitude mental.”

Ele definiu a consciência como um rio, algo como um fluxo contínuo de pensamentos, idéias e imagens mentais. Portanto, não há nada na mente que pode ser isolado ou armazenado para estudar, já que tudo nela está vinculado a um contexto.

“A barreira mais imóvel da natureza é entre o pensamento
de um homem e o de outro.”

Com estas frases de William James é evidente como o funcionalismo acolhe os princípios da psicologia do ato, compreendendo a consciência como um todo.

“Nós interpretamos o mundo com base nos
nossos conhecimentos e nossas crenças.”

A inacessibilidade dos nossos pensamentos
William James acredita que as crenças, as idéias e os pensamentos são de cada um, algo que os tornaria inacessíveis aos outros. Essa ideia de privatização ou hermetismo teve um grande impacto na concepção filosófica da psicologia.

“Sempre que duas pessoas se encontram, há seis pessoas presentes. Como cada pessoa olha para si mesma, como uma pessoa olha para outra, e cada pessoa como ela realmente é.”

De certo modo, significava reconhecer uma limitação: admitir que a psicologia experimental não poderia compreender plenamente como o pensamento humano funciona. Isso pressupõe que, ao estudar a mente humana, estamos estudando uma construção abstrata, o “eu”.

“Nossa visão do mundo é formada pelo que decidimos ouvir.”

Abordagem pragmática: a função da mente
A ideia principal deste modelo é que o verdadeiro é o que realmente funciona. O seu conceito de verdade é baseado na utilidade. Que dizer, em termos pragmáticos, o verdadeiro é o útil. São as conseqüências, as repercussões e o que recebemos de algo que nos permitem categorizá-lo como verdadeiro ou falso.

“Não há maior mentira do que a verdade incompreendida.”

Esta é uma das grandes frases de William James que, embora bombástica, deixa a sua concepção da patente da verdade. Para ele, não há uma verdade absoluta, mas diversos pontos de vista.

“Os decimais não calculados de PI dormem em um misterioso reino abstrato, onde gozam de uma realidade fraca, até que não sejam calculados, não se tornam totalmente reais, e mesmo assim sua realidade é meramente uma questão de grau.”

Este pragmatismo alude e defende que modificamos ou elaboramos significados de experiências ou comportamentos de acordo com os resultados. Os acórdãos emitidos mais tarde, por sua vez, nos dão uma ideia relativa do que pode ser a elaboração deste significado.

“Se você acha que se sentir mal ou se preocupar vai mudar o passado ou o futuro, você está vivendo em outro planeta, com uma realidade diferente.”

Ele propôs uma das principais teorias psicofisiológicas sobre as emoções
Especificamente, a teoria de James-Lange. Uma teoria que foi proposta simultaneamente por Carl Lange e o próprio James, mas independentemente, em 1884. Baseia-se na ideia de que a emoção é o resultado da percepção interna das mudanças fisiológicas. Quer dizer, não choramos porque estamos tristes, estamos tristes porque percebemos que choramos.

“Parece que a ação é seguida pela emoção, mas na realidade a ação e o sentimento vão junto; E regulando a ação, que está sob controle da vontade, podemos diretamente regular a emoção.”

Seu modelo é mecanicista porque postula uma relação direta entre as mudanças do corpo e a percepção dos estímulos que causam a emoção.

Desta forma, fechamos a revisão das frases de William James que simbolizam o que há de mais notável em seu pensamento, o pensamento daquele que, para muitos, é o pai da psicologia.
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QUAL O MOTIVO DA NOSSA CONSTANTE INSATISFAÇÃO PERANTE A VIDA? - Michel de Montaigne

Se ocasionalmente nos ocupássemos em nos examinar, e o tempo que gastamos para controlar os outros e para saber das coisas que estão fora de nós o empregássemos em nos sondar a nós mesmos, facilmente sentiríamos o quanto todo esse nosso composto é feito de peças frágeis e falhas. 

Acaso não é uma prova singular de imperfeição não conseguirmos assentar o nosso contentamento em coisa alguma, e que, mesmo por desejo e imaginação, esteja fora do nosso poder escolher o que nos é necessário?

Disso dá bom testemunho a grande discussão que sempre houve entre os filósofos para descobrir qual é o soberano bem do homem, a qual ainda perdura e perdurará eternamente, sem solução e sem acordo:

Enquanto nos escapa, o objecto do nosso desejo sempre nos parece preferível a qualquer outra coisa; vindo a desfrutá-lo, um outro desejo nasce em nós, e a nossa sede é sempre a mesma. (Lucrécio).

Não importa o que venhamos a conhecer e desfrutar, sentimos que não nos satisfaz, e perseguimos cobiçosos as coisas por vir e desconhecidas, pois as presentes não nos saciam; em minha opinião, não que elas não tenham o bastante com que nos saciar, mas é que nos apoderamos delas com mão doentia e desregrada:

Pois ele viu que os mortais têm à sua disposição praticamente tudo o que é necessário para a vida; viu homens cumulados de riqueza, honra e glória, orgulhosos da boa reputação de seus filhos; e entretanto não havia um único que, em seu foro íntimo, não se remoesse de angústia e cujo coração não se oprimisse com queixas dolorosas; compreendeu então que o defeito estava no próprio recipiente, e que esse defeito corrompia tudo de bom que fosse colocado de fora em seu interior (Lucrécio).

O nosso apetite é indeciso e incerto: não sabe conservar coisa alguma, nem desfrutar nada da maneira certa. 

O homem, julgando que isso seja um defeito dessas coi­sas, acumula e alimenta-se de outras coisas que ele não sabe e não conhece, em que aplica os seus desejos e espe­ranças, honrando-as e reverenciando-as; como diz César:
Por um vício comum da natureza, acontece termos mais con­fiança e também mais temor em relação às coisas que não vimos e que es­tão ocultas e desconhecidas.
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POLÍTICA NÃO É SINÔNIMO DE VOTO - Katia Marques

A política tem um papel fundamental no mundo. Surgiu na Grécia Antiga e muitos foram os fatores que deram origem a ela. A necessidade e a preocupação em administrar as Pólis (cidade-estado) foram alguns desses fatores. Estabelecendo suas bases no mundo grego se espalhou para o restante do mundo com o passar dos séculos, estando presente nos grandes impérios mundiais, como aconteceu com o Império Inca.

Platão viu uma política falha. E para ele, os únicos preparados para governar as cidades seriam os filósofos e os reis.

Aristóteles traçou um novo tipo de política com idéias de participação popular, defendendo que toda a boa política deve direcionar ao bem comum, questionando as formas de governo da época e mostrando seus defeitos. A política se tornou popular graças a Aristóteles, pois segundo ele, ela é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana, dividindo-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na cidade-estado/pólis) e propriamente na política (que se preocupa com a felicidade coletiva).


Várias foram as contribuições de pensamentos e ideologias de mestres como, Nicolau Maquiavel (historiador, poeta, diplomata e musico italiano, fundador do pensamento e da ciência política moderna), Montesquieu (filósofo e escritor francês, um dos grandes filósofos do Iluminismo), Karl Marx (filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista) entre outros nomes importantes.


A política é uma ciência e nos atuais regimes democráticos representa os interesses dos cidadãos, quando os assuntos são públicos. Todos os países têm suas leis e suas formas de escolher os representantes dos seus governos, podendo ser militares, ideológicas e religiosas.

Muitas pessoas não se interessam por política, mas devemos entender que ela  tem extrema importância em uma sociedade, em uma nação. E saber diferenciar a política  (a ciência de governar) da politicagem (quando o poder  político é usado para enganar o povo, tirando proveito próprio disso) é fundamental para se compreender o verdadeiro e real sentido que a política representa no meio de uma comunidade, de uma sociedade e uma nação. Não importa a quantidade de pessoas que ela envolva. O que importa é que ela esteja sendo feita com um objetivo em comum de melhorias e bem estar da população a que ela representa. 

Procurar ficar atentos a quem vai nos governar é o que faz toda a diferença, já que isso afetará diretamente a nossa vida no dia-a-dia, no uso correto do dinheiro dos nossos impostos, que pagamos com o nosso trabalho para a educação, saúde, segurança, transporte e várias outras coisas.

Participar da política não é apenas votar. Não devemos ver o voto como uma obrigação e sim como uma possibilidade de mudar e melhorar questões que prejudicam o bom andamento de uma sociedade. É importante  enxergar o quanto a falta de interesse atinge a cada um de nós. E para mudar essa situação é preciso abrir os olhos para esse problema. É preciso uma mudança de consciência. Querendo ou não a política tem um papel indispensável na vida de cada um e em uma sociedade como um todo. 

Ela é o alicerce em todo nosso meio social. Pois a partir do momento que se tem bons políticos exercendo boas políticas e uma sociedade participativa, nós encontraremos as condições para vivermos sim, estruturados na saúde, na educação, na segurança, com transportes adequados e melhorias significativas  para vivermos e convivermos uns com os outros, com dignidade e respeito.
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QUEM FOI TALES DE MILETO?

“O universo é feito de água”

Criado em uma época na qual a religião explicava todas as coisas, das guerras aos casamentos infelizes, Tales de Mileto rompeu com o pensamento mitológico e deu o pontapé inicial na filosofia. 

Foi o primeiro a usar o raciocínio puro para explicar as questões do homem e da natureza.

Nascido na colônia de Mileto, atual Turquia, Tales é considerado o responsável por tirar a civilização helênica das trevas intelectuais. A fama ia além das contribuições para a filosofia. 

Em 585 a.C., conseguiu prever um eclipse total do Sol. Sua aptidão para os negócios também era invejável. Certa vez, percebeu que as condições do tempo estavam favoráveis para a colheita e investiu no ramo das azeitonas prevendo que o clima turbinaria uma safra recorde. 

Dito e feito: Tales encheu os bolsos de dinheiro. Porém, o pensador ficou mais conhecido pelo Teorema de Tales, que ele formulou medindo a pirâmide de Quéops, no Egito, utilizando apenas uma estaca e as sombras dela e da pirâmide. 

Hoje, o teorema é fundamental para medições geométricas, utilizado desde a construção civil até a astronomia.

É apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Na filosofia, ele acreditava na existência de uma matéria-prima básica responsável pelo origem do Universo: a água. Em uma de suas frases mais conhecidas, Tales teria dito que “o Universo é feito de água”. Ele observou que, sem água, tudo morria. Logo, ela era a fonte da vida. 

Tales chegou a afirmar que a Terra flutuava sobre um disco de água a partir do qual tudo emergiu. Ironicamente ou não, a sede teria sido um dos motivos da sua morte, aos 78 anos.

Segundo Diógenes Laércio (historiador e biógrafo dos antigos filósofos), Tales se encontrava faleceu de um mal súbito enquanto assistia uma competição de ginástica. 

Segundo contam, Tales sentiu um calor repentino, seguido de uma sede e sensação de fraqueza.

Tales não deixou textos. Tudo o que se sabe sobre ele é baseado na tradição oral e em registros de outros pensadores. Teve uma vida isolada e íntima.
Não cobrava nada de seus discípulos e, humildemente, desafiava outros sábios a contestarem suas ideias.
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QUEM FOI EPICURO ?

“A morte não é nada para nós”

Durante escavações em sítios arqueológicos gregos e romanos, foram encontrados várias estatuetas de Epicuro. Era normal que os intelectuais da época guardassem estátuas de filósofos, mas o que chamou a atenção é que as de Epicuro estavam presentes até nas casas humildes. Os seguidores do filósofo, acreditavam que contemplar seu rosto aquietava o espírito.

Epicuro nasceu cerca de 341 a.C. no Egeu, na ilha de Samos, que também foi berço de Pitágoras. Ele serviu o exército ateniense por dois anos, depois se dedicou a estudar e lecionar filosofia. Ele teve uma experiência inicial, na qual os filósofos às vezes se viam, quando foi expulso da cidade de Mytilene, na ilha de Lesbos. Epicuro viveu durante a época inquieta da história grega, no final do quarto século e começo do terceiro século a.C., quando as cidades-estado gregas estavam sob o açoite do império macedônico.

Então, ele e um punhado de amigos juntaram seus recursos e compraram uma casa na periferia de Atenas, perto de um rio, em meio às oliveiras, e fundaram uma comunidade filosófica que chamaram “O Jardim”. Uma placa acima da entrada do O Jardim dizia : “Estranhos, aqui vocês podem se demorar; aqui, nosso maior bem é o prazer”.

Epicuro adorava comparar seu pensamento à medicina. Proclamava-se um terapeuta do espírito, médico das almas e cirurgião das paixões. O Jardim, acolhia mulheres, escravos e até mesmo prostitutas para suas “consultas”.

Como Aristóteles, acreditava que o maior objetivo da vida era a felicidade. Mas ia além. Achava que a dificuldade em atingi-la estava no medo que sentimentos da morte. Epicuro se propôs a resolver o impasse: se a morte é o fim das sensações, ela não pode ser fisicamente dolorosa, e, se é o fim da consciência, não pode causar dor emocional.

Epicuro estava convencido que não havia vida após a morte, onde podemos ser reprendidos por uma vida de prazer. Uma parte importante de sua filosofia era o estudo da física, particularmente da astrofísica. Epicuro seguia Demócrito, o filósofo do quinto século, conhecido como o “filósofo risonho”, afirmando a física atômica : o universo é uma coleção de átomos girando segundo leis mecânicas, e quando os humanos morrem, nós simplesmente dos dissolvemos de volta a esse ensopado de átomos. 

No entanto, enquanto estamos vivos, através de uma destino incrivelmente bem, temos consciência e razão, e livre arbítrio, e isso significa que temos tudo que precisamos para seguirmos uma vida de felicidade e prazer.

Epicuro nos diz que só passamos alguns anos nesse planeta, antes de desaparecermos, e enquanto estamos aqui não há nada que tenhamos que fazer. Não há mandamentos que temos que seguir. Podemos optar por nos divertirmos, em vez de encontrar motivos para sermos infelizes. Podemos fazer a escolha radical da felicidade. Ele escreveu :

“Por prazer, nós queremos dizer ausência de dor no corpo, e pertubação na alma. Não é uma sucessão de bebedeiras ou festividades, nem amor sexual, nem o prazer do peixe e outra iguarias de uma mesa luxuosa, que produzem uma vida agradável; é a razão sóbria, a busca de base para cada coisa que escolher evitar, e o banimento das crenças, através da quais as maiores pertubações se apossam da alma”.

Os epicuristas captaram o quanto somos péssimos em sermos felizes e o quanto somos talentosos para arranjar motivos para sermos infelizes.

De todos os meios granjeados pela sabedoria para garantir a felicidade ao longo da vida, Epicuro diz “de longe, o mais importante é a aquisição de amigos”. Para ele isso era muito mais importante do que o amor sexual, que leva ao ciúmes e todos os tipos de distúrbios emocionais; ou família; ou o Estado. Os epicuristas rejeitavam a cidade-estado corrupta e faziam suas pequenas sociedades de amigos.

Segundo as palavras de um ditado epicurista: ” Por que você fica adianto sua alegria ? “. Ou podemos dizer que não conseguimos ser felizes por causa do passado. Não podemos ser felizes porque sofremos bullying no colégio, ou nossos pais foram maus para nós. Mas o autor do bullying ainda está aqui, provocando você, hoje ? Seus pais ainda controlam sua vida? Não são eles que estão sendo maus com você, no presente: é você mesmo. Você que está se fazendo infeliz. 

Então, por que não se dar uma chance e se permitir ser feliz ? De que adianta ficar arrastando sofrimentos que já passaram, de ser infeliz agora, só porque foi infeliz antes ?

Ou podemos arruinar nossa felicidade com ansiedades quanto ao futuro. “E se eu fracassar ? E se minha esposa me deixar ? E se eu cair doente ? E se eu morrer ?. Os epicuristas olham para esses “e se” e sacodem os ombros. E daí, se acontecer ? Por que estragar o presente se preocupando com possíveis futuros? 

Se algo ruim nos acontecer no futuro, a filosofia nos dá meios para lidar com isso, e se nós morrermos, deixamos de existir, portanto, isso realmente não é problema.

Superado todos esses medos, podemos dai sim ser felizes. Epicuro morreu aos 72 anos. Não sabemos se ele estava completamente destemido em relação ao juízo final, mas, em uma de suas últimas cartas, comemorou a vida doce, feliz e sempre digna de ser vivida.
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DESFORRA - Mario Sergio Cortella

A palavra “desforra”, ideia de desagravo, não significa “vingança”. Há várias pessoas que fazem identificação entre esses termos. 

A noção de desforra é quando você se liberta. “Forro”, de onde vem a palavra “alforria”, é aquele que está livre, portando, desforra é quando você se liberta do que te prejudicava, do que provocou algum sofrimento. Desforra é também quando se tem o desagravamento, isto é, em que se perde a gravidade de algo que te agravava, que te atingia.

Nesse ponto de vista, a ideai de desforra não necessariamente se conecta com vingança. Aliás, nem deve. Uma desforra está mais próxima da ideia de justiça, isto é, daquilo que é justo do que realmente algo que seja um troco para prejudicar a outra pessoa.

O jornalista francês Georges Benamou, que cobriu a Revolução Espanhola, em sua obra O caminho da Cruz das Almas, escrever que, “a partir de certa idade, a glória se chama desforra”. Isto é, quando nós, a partir de certa idade, percebemos que estávamos certos de algo e só agora as pessoas passam a entender e reconhecer aquilo.

Portando, esse desagravo, que de certa maneira a idade mais avançada pode trazer, dá, sim, alguma glória, algum gosto, alguma satisfação de ser daquele modo.
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FILOSOFIA, PRA QUE SERVE? - João Probst

De forma geral estou saturado de ouvir que a filosofia não serve para nada ou que é coisa de vagabundo.

Claro que tal linha de pensamento não me surpreende nenhum pouco no contexto social atual do qual nos encontramos, onde os bens materiais e o consumismo possuem maior valor do que o espiritual.
Ora, a vida não se resume a dinheiro, há coisas ainda mais importantes, como sua felicidade e inteligência!!
Inicialmente, você considera-se um filósofo?
Como diria Descartes: Penso, Logo Existo. Se você está pensando sobre ser filósofo, por mais que não tenha nenhum diploma ou vasto conhecimento sobre filosofia, o simples fato de pensar sobre já te torna um filósofo.

Não confunda filósofo com professor de filosofia!

Não é necessário ter formação ou saber o que cada filosofo pensa, embora isso ajuda, basta pensar.

Mas de forma resumida o que é a filosofia?
Em respeito a sua inteligência, não vou ser chato e te explicar a origem da palavra nem o seu significado.

Vários filósofos já passaram a sua vida com o objetivo de definir o que é filosofia, basicamente trata-se de amor a verdade, é o eterno questionamento da vida e de si mesmo.

Sócrates quando disse “só sei que nada sei” não estava dando uma lição de humildade, e sim que cada resposta levava diretamente à próxima pergunta.

E é estes um dos motivos que Sócrates e seus companheiros gregos faziam mais perguntas do que afirmações, até porque queriam que seus alunos pensassem por si próprios.

Então, ser apaixonado pela verdade é ter a noção que na verdade ela não existe, ou no mínimo que nunca será encontrada, pois a caminhada da sabedoria não tem fim nem paradas técnicas.

Tá, mas para que serve, então?
A filosofia nos dá uma melhor percepção da realidade, nos tornamos mais conscientes, com ela percebemos que nem sempre algo é o que parece ser, ser filosofo, portanto, é desmanchar “conhecimentos”.

Agora você consegue perceber o porquê que ela é tão desprezada, principalmente pelos governantes?

A filosofia é uma arma poderosa e muito perigosa, possui um papel social muito claro: a libertação do indivíduo e a transformação da sociedade.

Eu costumo dizer que filosofar e adquirir conhecimento provoca a nossa morte.

Sim, porque a cada livro terminado não somos mais a mesma pessoa do início do livro, Heráclito, filosofo grego antecessor de Sócrates, desde de seu tempo já dizia que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio.

Por que ao entrar no rio pela segunda vez, tanto o rio como a pessoa já não são o que antes eram. Sobre mais filosofia pré-socrática leia este texto: Origem da Vida.

Para concluir, filosofar não é apenas adquirir conhecimento que te motive a ser alguém melhor, isso se chama auto-ajuda, um filosofo vai além, ele compartilha seu conhecimento e sabedoria porque ele sabe que é isso que um sábio faz.

Um sábio nunca considera-se um sábio, tendo a humildade de reconhecer que o conhecimento é plural, isto é, o aprendizado se torna muito mais eficiente quando compartilhado, ensinamos e aprendemos.

Além de ser apaixonado pela sabedoria, o filósofo é apaixonado pelas pessoas e pela sociedade, possui uma constante força de vontade de provocar mudanças positivas.

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PAIXÃO – Mário Sérgio Cortella

É frequente que vários entendam paixão apenas ligada ao mundo do amor, do afeto, aquela exaltação de um sentimento profundo e intenso.

Rotineiramente pode ser significante de uma forma exagerada de apego ou até de obsessão por algumas coisas. Mas não podemos esquecer que a expressão “paixão” tem também, no nosso idioma, mas não só nele, o sentido de sofrimento, de “aquilo que te afeta”.

Quando se fala da paixão no campo da religião está-se falando da paixão como sendo aquilo que afetou. A expressão vem do grego pathos, e chega até a ideia de “patologia”, aquilo que nos atinge de alguma maneira. No latim, passione está ligado ao verbo patior (suportar), de onde surgiu ainda “patíbulo”, por exemplo, aquilo que conduz a algum sofrimento.

A expressão paixão sofredora é uma redundância, porque em princípio, dentro da palavra “paixão” já está incluída a ideia de algo que pode ferir, pode machucar.

Claro que há o lado positivo, que nos afeta para nos “incendiar”, produzir uma fagulha de extrema vitalidade, que, se persistir por muito tempo, fica negativo, dado que esgota a pessoa e a leva à dependência daquela emoção.
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O TEMPO COMO DINHEIRO - Mario Sergio Cortella

Essa expressão “tempo é dinheiro” é usual no dia a dia: “Ah, eu não posso perder tempo, tempo é dinheiro”. 

Nós acabamos, inclusive, “vendendo” o nosso tempo para outra pessoa, a nossa jornada (nosso jour, para usar expressão francesa), ou nosso mês, aquele que é mensalista; vende-se o tempo vital para trabalhar para outra pessoa.

“Tempo é dinheiro” é uma expressão tão presente que até imaginamos que sempre existiu, mas quem a difundiu com maior força, embora ela já existisse na história ocidental, foi Benjamin Franklin.

Quem não o conhece por sua experiência mais famosa, empinando um papagaio ( uma pipa ou uma pandorga, como se chama em algumas regiões do Brasil) para testar a eletricidade vinda dos raios? Benjamin Franklin morreu no dia 17 de abril de 1790; um dos atores da Independência Americana, partilhou ideias da Revolução Francesa e a esta também influenciou pois na França houvera vivido e debatido. 

Alguém  com esse perfil, além de grande inventor, publicou um livro muito famoso nos Estados Unidos no século XVIII, chamado Almanaque do pobre Ricardo, que era cheio de provérbios. E uma dessas máximas era “tempo é dinheiro”!

Benjamin Franklin, que hoje estampa a nota de cem dólares, a de maior valor, talvez já antevisse a aceitação da sua fala…
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EU ACUSO - Luiz Felipe Pondé

O bullying ideológico com os 
mais jovens é apenas o efeito,
 a causa é maior

Muitos alunos de universidade e ensino médio estão sendo acuados em sala de aula por recusarem a pregação marxista. São reprovados em trabalhos ou taxados de egoístas e insensíveis. No Enem, questões ideológicas obrigam esses jovens a "fingirem" que são marxistas para não terem resultados ruins.

Estamos entrando numa época de trevas no país. O bullying ideológico com os mais jovens é apenas o efeito, a causa é maior. Vejamos.

No cenário geral, desde a maldita ditadura, colou no país a imagem de que a esquerda é amante da liberdade. Mentira. Só analfabeto em história pensa isso. Também colou a imagem de que ela foi vítima da ditadura. Claro, muitas pessoas o foram, sofreram terríveis torturas e isso deve ser apurado. Mas, refiro-me ao projeto político da esquerda. Este se saiu muito bem porque conseguiu vender a imagem de que a esquerda é amante da liberdade, quando na realidade é extremamente autoritária.

Nas universidades, tomaram as ciências humanas, principalmente as sociais, a ponto de fazerem da universidade púlpito de pregação. No ensino médio, assumem que a única coisa que os alunos devem conhecer como "estudo do meio" é a realidade do MST, como se o mundo fosse feito apenas por seus parceiros políticos. Demonizam a atividade empresarial como se esta fosse feita por criminosos usurários. Se pudessem, sacrificariam um Shylock por dia.

Estamos entrando num período de trevas. Nos partidos políticos, a seita tomou o espectro ideológico na sua quase totalidade. Só há partidos de esquerda, centro-esquerda, esquerda corrupta (o que é normalíssimo) e do "pântano". Não há outra opção.

A camada média dos agentes da mídia também é bastante tomada por crentes. A própria magistratura não escapa da influência do credo em questão. Artistas brincam de amantes dos "black blocs" e se esquecem que tudo que têm vem do mercado de bens culturais. Mas o fato é que brincar de simpatizante de mascarado vende disco.

Em vez do debate de ideias, passam à violência difamatória, intimidação e recusam o jogo democrático em nome de uma suposta santidade política e moral que a história do século 20 na sua totalidade desmente. Usam táticas do fascismo mais antigo: eliminar o descrente antes de tudo pela redução dele ao silêncio, apostando no medo.

Mesmos os institutos culturais financiados por bancos despejam rios de dinheiro na formação de jovens intelectuais contra a sociedade de mercado, contra a liberdade de expressão e a favor do flerte com a violência "revolucionária".

Além da opção dos bancos por investirem em intelectuais da seita marxista (e suas similares), como a maioria esmagadora dos departamentos de ciências humanas estão fechados aos não crentes, dezenas de jovens não crentes na seita marxista soçobram no vazio profissional.

Logo quase não haverá resistência ao ataque à democracia entre nós. A ameaça da ditadura volta, não carregada por um golpe, mas erguida por um lento processo de aniquilamento de qualquer pensamento possível contra a seita.

E aí voltamos aos alunos. Além de sofrerem nas mãos de professores (claro que não se trata da totalidade da categoria) que acuam os não crentes, acusando-os de antiéticos porque não comungam com a crença "cubana", muitos desses jovens veem seu dia a dia confiscado pelo autoritarismo de colegas que se arvoram em representantes dos alunos ou das instituições de ensino, criando impasses cotidianos como invasão de reitorias e greves votadas por uma minoria que sequestra a liberdade da maioria de viver sua vida em paz.

Muitos desses movimentos são autoritários, inclusive porque trabalham também com a intimidação e difamação dos colegas não crentes. Pura truculência ideológica.

Como estes não crentes não formam um grupo, não são articulados nem têm tempo para sê-lo, a truculência dos autoritários faz um estrago diante da inexistência de uma resistência organizada.

Recebo muitos e-mails desses jovens. Um deles, especificamente, já desistiu de dois cursos de humanas por não aceitar a pregação. 

Uma vergonha para nós.

QUEM FOI JOHN LOCKE?

“Onde não há lei, não há liberdade”.

Graças a uma infecção de fígado, o Ocidente ganhou um dos seus maiores filósofos políticos. Não no fígado dele mesmo, que fique claro: Locke era médico por formação e boa parte do que escreveu surgiu em conversas com um dos seus pacientes mais ilustres. Em 1666, Anthony Cooper, sofrendo de dores constantes, buscou ajuda em Oxford, onde se impressionou com o tratamento de Locke e o convenceu a se tornar seu médico particular. 

Ocorre que Cooper também era o Conde de Shatfesbury, um dos fundadores do Partido Whing, de tendência liberal, que buscava reduzir o poder da nobreza na Inglaterra.

As ideias do paciente só aprofundaram um gosto que Locke trazia do passado: o de refletir sobre o homem e a sociedade.

Desde a escola, tinha demonstrado interesse em estudar os filósofos do seu tempo, preferindo Descartes aos gregos clássicos, e decidiu cada vez mais se aproximar da filosofia. Apesar de apreciar o pensamento cartesiano, Locke se tornaria um dos maiores símbolos da corrente oposta ao racionalismo descrito pelo francês.

TÁBULA RASA

Com o Ensaio acerca do entendimento humano, Locke tornou-se o principal representante do empirismo britânico e uma referência nos estudos gnosiológicos. Nessa obra, combateu duramente a doutrina cartesiana segundo a qual o ser humano possui ideias inatas. Ao contrário de Descartes, o filósofo inglês defendia que nossa mente, no instante do nascimento, é como uma tábula rasa.
O substantivo tábula significa “tábua” ou “placa de madeira” ou de outro material; o adjetivo rasa quer dizer “plana, lisa”. Assim, a expressão tábula rasa usada por Locke tem o significado de “tábua lisa”, na qual nada foi escrito nem gravado. Ao nascer, nossa mente seria como um papel em branco, sem nenhuma ideia previamente escrita.

Assim, Locke retomava a tese empirista segundo a qual nada existe em nossa mente que não tenha origem nos sentidos. Para ele, as ideias que possuímos são adquiridas ao longo da vida mediante a experiência sensível imediata e seu processamento interno.

ABSOLUTISMO

Seguindo o pensamento de Hobbes, ele apoiou o conceito de que havia um “contrato social” na base de cada Estado. Assim, o poder de um homem não podia derivar de Deus, como apregoavam os reis da época . Locke, porém, discordava de Hobbes quanto à necessidade de um líder absolutista para manter esse pacto social, acreditando que os poderes deveriam ser separados e limitados. 

Para ele, o Estado tinha a missão de proteger direitos fundamentais do homem, como a vida, a propriedade e a liberdade. 

A autoridade do governo deveria ser conferida por seus governados, que teriam o direito de modificar seus representantes e até mesmo de derrubá-los caso seus direitos estivessem sendo violados.

Em razão de suas ideias políticas – pois foi um adversário ferrenho da tirania e do abuso de poder -, Locke é apontado por muitos historiadores como o “pai do iluminismo”. 

Seu pensamento exerceu profunda influência na fundamentação ideológica da democracia liberal burguesa, contribuindo para a difusão de valores iluministas como a tolerância religiosa, o respeito pela liberdade individual, a expansão do sistema educacional e a livre-iniciativa econômica.
Autor: Thiago Henrique
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QUEM FOI THOMAS HOBBES?

O homem é o lobo do homem

Thomas Hobbes nasceu em Westport, na Inglaterra. No período da revolução liberal inglesa, apoiou o rei Carlos I, que acabou derrotado e decapitado, o que obrigou o filósofo a exilar-se na França, onde entrou em contato com a filosofia de Descartes.
  
O pensamento de Hobbes foi muito influenciado pelas ideias de Bacon e Galileu. Como estes, ele abandonou as grandes pretensões metafísicas (a busca da essência do ser) e procurou investigar as causas e propriedade das coisas. Para Hobbes, a filosofia seria a ciência dos corpos, isto é, de tudo que tem existência material. Os corpos naturais seriam estudados pela filosofia da natureza; os corpos artificiais ou o Estado, pela filosofia política. E o que não é corpóreo deveria ser excluído da reflexão filosófica.

Hobbes defende que o que chamamos de bem é tão somente o que desejamos alcançar, enquanto o mal é apenas aquilo de que fugimos. Isso se explicaria pelo fato de que, no entendimento desse pensador, o valor fundamental para cada indivíduo é a conservação da vida, ou seja, a afirmação e o crescimento de si mesmo. 

Assim, cada pessoa sempre tenderá a considerar como bem o que lhe agrada e como mal o que lhe desagrada ou ameça.

A pergunta que pode surgir então é a seguinte: se o bem e o mal são relativos, isto é, são determinados pelos indivíduos, como será possível a convivência entre as pessoas? 

Hobbes responde essa questão nos livros Leviatã e Do cidadão, nos quais defende a necessidade de um poder absoluto que mantenha os indivíduos em sociedade e impeça que se destruam mutuamente.

O ESTADO SOBERANO DE HOBBES

Para hobbes, cada indivíduo sempre encara seu semelhante como um concorrente que precisa ser dominado. Segundo o filósofo, onde não houve o domínio de um indivíduo sobre o outro, existirá sempre uma competição intensa até que esse domínio seja alcançado. Tal tese está vinculada à concepção materialista e mecanicista da realidade proposta por Hobbes.

A consequência óbvia dessa disputa infindável entre os seres humanos em estado de natureza teria sido o surgimento de um estado de guerra e de matança permanente nas comunidades primitivas. Por isso, nas palavras de Hobbes “o homem é o lobo do próprio homem”.

Só havia uma solução para dar fim à brutalidade primitiva: a criação artificial da sociedade política, administrada pelo Estado. Para isso, os indivíduos tiveram de firmar um contrato entre si (contrato social), pelo qual cada um transferia seu poder de governar a si próprio a um terceiro – o Estado -, para que este governasse a todos, impondo ordem, segurança e direção à conturbada vida em estado  de natureza.

Hobbes apresentou essas ideias primeiro em sua obra Do cidadão e depois em Leviatã. Nesta última, compara o Estado a uma criação monstruosa do ser humano, destinada a pôr fim à anarquia e ao caos das relações humanas. O nome Leviatã refere-se ao monstro bíblico citado no Livro de Jó [40-41], onde é assim descrito:

“O seu corpo é como escudos de bronze fundido […] Em volta de seus dentes está o terror […] O seu coração é duro como uma pedra, e apertado como a bigorna do ferreiro. No seu pescoço está a força, e diante dele vai a fome […] Não há poder sobre a terra que se lhe compare, pois foi feito para não ter medo de nada”.

Nas palavras de Hobbes, como ele imaginou o estabelecimento do contrato social que deu origem ao Estado (Leviatã). Para o filósofo, a única maneira que os indivíduos tinham para instituir, entre si, um poder comum era :

“[…] conferir toda a sua força e poder a um homem, ou a uma assembléia de homens, que possa reduzir suas diversas vontades, por pluralidade de votos, a uma só vontade […] transfiro meu direito de governar-me a mim mesmo a este Homem, ou a esta Assembléia de homens, com a condição de transferires a ele teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações. Pois graças a esta autoridade que lhe é dado por cada indivíduo no Estado, é-lhe conferido o uso de tamanho poder e força que o terror assim inspirado o torna capaz de conformar as vontades de todos eles”.
Autor: Thiago Henrique
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PÁTRIA - Mário Sergio Cortella

 
Será que o conceito e a vivência de pátria, o estudo sobre pátria estão mais ligados à geografia ou à antropologia? 

Será que pátria é um conceito ligado a território ou à cultura? 

A resposta mais imediata seria “ambas as coisas”. Na escola, ao estudarmos noções sobre pátria, em grande medida, ela estava vinculada a um território, até se diria: “nossa pátria vai até onde vão nossas fronteiras”. 

Essa noção é muito limitadora, afinal, alguém que se considera pertencente a algum lugar, que diz “eu sou brasileiro” ou “brasileira”, se refere a um território, mas acima de tudo, ao fato de ter nascido, criado e se desenvolvido dentro de determinada cultura.

Portando, a noção de pátria vai muito além da própria ideia de território.

Um dia, talvez, não nos definamos como brasileiro, espalho, italiano, japonês, turco, mas como um terráqueo. O dia que nós vamos entender que vivemos no mesmo planeta, juntas e juntos, de algum modo no mesmo lugar, na mesma “casa”.

Nós somos, em última instância, terráqueos, isto é, a noção mais forte de humanidade, que é aquilo que nos agrega, que nos junta.

Caetano Veloso um dia disse “minha pátria é minha língua”, retomando Fernando Pessoa, a nossa cultura que é transportada pelo idioma, mas nossa pátria é nosso planeta.
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QUEM FOI GALILEU GALILEI? - Thiago Henrique

“Não se pode ensinar nada a um homem;
 só é possível ajudá-lo a encontrar 
a coisa dentro de si.”

Nascido na cidade italiana de Pisa, Galileu Galilei é considerado um dos fundadores da física moderna. Em suas investigações, confirmou ideias contidas na teoria de Copérnico, defendendo, por exemplo, a concepção de que a Terra gira em torno do Sol.

Ao ser advertido pelas autoridades católicas por suas ideias heréticas, Galileu teria comentado que, em se tratando de temas científicos, a Bíblia não era um manual a ser obedecido cegamente. Pode parecer um comentário de alguém não religioso, mas Galileu não apenas era católico como acreditava que suas teorias mais apoiavam do que contrariavam a crença em Deus.

O pioneirismo rebelde de Galileu atraiu a fúria da Inquisição. Em 1633, foi condenado por seus inquisidores, que lhe impuseram a dramática alternativa: ser queimado vivo em uma fogueira ou retratar-se publicamente, renegando suas concepções científicas. Galileu optou por viver e retratou-se perante o tribunal. Permaneceu, entretanto, fiel às suas ideias e, em 1638, quatro anos antes de morrer, publicou clandestinamente mais uma obra que contrariava os dogmas oficiais de sua época.

Na tradição grega aristotélica, para entender uma coisa não era preciso estudá-la experimentalmente. Bastava esforçar-se por compreender como essa coisa existe e funciona, para depois elaborar uma teoria sobre isso. Assim, para grande parte dos pensadores antigos e medievais, observar as coisas, agir sobre a natureza e pensar como matemático eram práticas incompatíveis.

Já Galileu – professor de matemática da Universidade de Pisa – decidiu, de forma inovadora, aplicar a matemática ao estudo experimental da natureza. Desse modo, alcançou grandes realizações, entre as quais :

A elaboração da lei da queda livre dos corpos, segundo a qual a aceleração de um corpo em queda é constante, independentemente de o corpo ser leve ou pesado, grande ou pequeno. A demonstração dessa lei exige condições ideias.

A construção e o aperfeiçoamento de um telescópio, com o qual efetuou observações astronômicas que o levaram a descobrir o relevo montanhoso da Lua, as formas diferentes de Saturno, as fases de Vênus e a existência das manchas solares.

Mas não é apenas por suas descobertas específicas que Galileu merece especial destaque na história das ciências. Uma de suas mais extraordinárias contribuições foi ter assumido uma nova postura de investigação científica, cuja metodologia tinha como base:
  • A observação paciente e minuciosa dos fenômenos naturais.
  • A realização de experimentações para comprovar uma tese. 

Assim, Galileu entrou em cena na história e fez ciência.
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