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EXISTO COMO SOU... - Walt Whitman

 


Existo como sou,
Isso é o que me basta. 
Se ninguém mais no mundo toma conhecimento,
eu me sento contente;
e se cada um e todos tomam conhecimento,
eu contente me sento.
Existe um mundo que toma conhecimento,
e este é o maior para mim: o mundo de mim mesmo.
Se a mim mesmo eu chegar hoje,
Daqui a dez mil ou dez milhões de anos,
posso alcançá-lo bem disposto
ou posso bem disposto esperar mais.
***
Walt Whitman foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o "pai do verso livre". Paulo Leminski o considerava o grande poeta da Revolução americana, como Maiakovsky seria o grande poeta da Revolução russa.
Nasc.: 31 de maio de 1819, West Hills, Nova Iorque, EUA.
Falec.: 26 de março de 1892, Camden, Nova Jersey, EUA.

 
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T.S. ELIOT - Canção de amor de J. Alfred Prufrock

 
S'io credesse che mia risposta fosse
A persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza piu scosse.
Ma perciocche giammai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s'i'odo il vero,
Senza tema d'infamia ti rispondo.

Dante Alighieri. Ladivina Commédia
Inferno, XXVII, 61-66 (N. do T.)

Sigamos então, tu e eu,
Enquanto o poente no céu se estende
Como um paciente anestesiado sobre a mesa;
Sigamos por certas ruas quase ermas,
Através dos sussurrantes refúgios
De noites indormidas em hotéis baratos,
Ao lado de botequins onde a serragem
Às conchas das ostras se entrelaça:
Ruas que se alongam como um tedioso argumento
Cujo insidioso intento
É atrair-te a uma angustiante questão . . .
Oh, não perguntes: "Qual?"
Sigamos a cumprir nossa visita.

No saguão as mulheres vêm e vão
A falar de Miguel Ângelo.

A fulva neblina que roça na vidraça suas espáduas,
A fumaça amarela que na vidraça seu focinho esfrega
E cuja língua resvala nas esquinas do crepúsculo,
Pousou sobre as poças aninhadas na sarjeta,
Deixou cair sobre seu dorso a fuligem das chaminés,
Deslizou furtiva no terraço, um repentino salto alçou,
E ao perceber que era uma tenra noite de outubro,
Enrodilhou-se ao redor da casa e adormeceu.

E na verdade tempo haver á
Para que ao longo das ruas flua a parda fumaça,
Roçando suas espáduas na vidraça;
Tempo haverá, tempo haverá
Para moldar um rosto com que enfrentar
Os rostos que encontrares;
Tempo para matar e criar,
E tempo para todos os trabalhos e os dias em que mãos
Sobre teu prato erguem, mas depois deixam cair uma questão;
Tempo para ti e tempo para mim,
E tempo ainda para uma centena de indecisões,
E uma centena de visões e revisões,
Antes do chá com torradas.

No saguão as mulheres vêm e vão
A falar de Miguel Ângelo.
E na verdade tempo haverá
Para dar rédeas à imaginação. "Ousarei" E . . "Ousarei?"
Tempo para voltar e descer os degraus,
Com uma calva entreaberta em meus cabelos
(Dirão eles: "Como andam ralos seus cabelos!")
- Meu fraque, meu colarinho a empinar-me com firmeza o
queixo,
Minha soberba e modesta gravata, mas que um singelo alfinete
apruma
(Dirão eles: "Mas como estão finos seus braços e pernas! ")
- Ousarei
Perturbar o universo?
Em um minuto apenas há tempo
Para decisões e revisões que um minuto revoga.

Pois já conheci a todos, a todos conheci
- Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,
Medi minha vida em colherinhas de café;
Percebo vozes que fenecem com uma agonia de outono
Sob a música de um quarto longínquo.
Como então me atreveria?

E já conheci os olhos, a todos conheci
- Os olhos que te fixam na fórmula de uma frase;
Mas se a fórmulas me confino, gingando sobre um alfinete,
Ou se alfinetado me sinto a colear rente à parede,
Como então começaria eu a cuspir
Todo o bagaço de meus dias e caminhos?
E como iria atrever-me?

E já conheci também os braços, a todos conheci
- Alvos e desnudos braços ou de braceletes anelados
(Mas à luz de uma lâmpada, lânguidos se quedam
Com sua leve penugem castanha!)
Será o perfume de um vestido
Que me faz divagar tanto?
Braços que sobre a mesa repousam, ou num xale se enredam.
E ainda assim me atreveria?
E como o iniciaria?
.......

Diria eu que muito caminhei sob a penumbra das vielas
E vi a fumaça a desprender-se dos cachimbos
De homens solitários em mangas de camisa, à janela
debruçados?

Eu teria sido um par de espedaçadas garras
A esgueirar-me pelo fundo de silentes mares.
.......

E a tarde e o crepúsculo tão .docemente adormecem!
Por longos dedos acariciados,
Entorpecidos . . . exangues . . . ou a fingir-se de enfermos,
Lá no fundo estirados, aqui, ao nosso lado.
Após o chá, os biscoitos, os sorvetes,
Teria eu forças para enervar o instante e induzi-lo à sua crise?
Embora já tenha chorado e jejuado, chorado e rezado,
Embora já tenha visto minha cabeça (a calva mais cavada)
servida numa travessa,
Não sou profeta - mas isso pouco importa;
Percebi quando titubeou minha grandeza,
E vi o eterno Lacaio a reprimir o riso, tendo nas mãos meu
sobretudo.
Enfim, tive medo.

E valeria a pena, afinal,
Após as chávenas, a geléia, o chá,
Entre porcelanas e algumas palavras que disseste,
Teria valido a pena
Cortar o assunto com um sorriso,
Comprimir todo o universo numa bola
E arremessá-la ao vértice de uma suprema indagação,
Dizer: "Sou Lázaro, venho de entre os mortos,
Retorno para tudo vos contar, tudo vos contarei."
- Se alguém, ao colocar sob a cabeça um travesseiro,
Dissesse: "Não é absolutamente isso o que quis dizer
Não é nada disso, em absoluto."

E valeria a pena, afinal,
Teria valido a pena,
Após os poentes, as ruas e os quintais polvilhados de rocio,
Após as novelas, as chávenas de chá, após
O arrastar das saias no assoalho
- Tudo isso, e tanto mais ainda? -
Impossível exprimir exatamente o que penso!
Mas se uma lanterna mágica projetasse
Na tela os nervos em retalhos . . .
Teria valido a pena,
Se alguém, ao colocar um travesseiro ou ao tirar seu xale às
pressas,
E ao voltar em direção à janela, dissesse:
"Não é absolutamente isso,
Não é isso o que quis dizer, em absoluto."

Não! Não sou o Príncipe Hamlet, nem pretendi sê-lo.
Sou um lorde assistente, o que tudo fará
Por ver surgir algum progresso, iniciar uma ou duas cenas,
Aconselhar o príncipe; enfim, um instrumento de fácil
manuseio,
Respeitoso, contente de ser útil,
Político, prudente e meticuloso;
Cheio de máximas e aforismos, mas algo obtuso;
As vezes, de fato, quase ridículo
Quase o Idiota, às vezes.

Envelheci . . . envelheci . . .
Andarei com os fundilhos das calças amarrotados.

Repartirei ao meio meus cabelos? Ousarei comer um
pêssego?
Vestirei brancas calças de flanela, e pelas praias andarei.
Ouvi cantar as sereias, umas para as outras.

Não creio que um dia elas cantem para mim.

Vi-as cavalgando rumo ao largo,
A pentear as brancas crinas das ondas que refluem
Quando o vento um claro-escuro abre nas águas.

Tardamos nas câmaras do mar
Junto às ondinas com sua grinalda de algas rubras e castanhas
Até sermos acordados por vozes humanas. E nos afogarmos.
(tradução: Ivan Junqueira)


 

FERA - Poesia - Edmir Saint-Clair


Destruir o berço, a mata, a essência,
Que acalenta, com sons , cores e frutos
O futuro que é da vida, não nos pertence.

Matar a mãe, cuspir no prato que alimenta,
Suicidar-se, matar o mundo que é do filho,
Da beleza, do sonho, de si mesmo.

A ganância, grande herança do nada,
Nos torna cegos, sem ver belezas
E rezamos, pagãos hipócritas,
Carrascos do ventre que nos gerou.
    
E perdidos os homens, tão sem caminho,
     Se matam, matando tudo, seu próprio ninho.
Natureza que cria, que cura, que chora,
Pelo filho que lhe devora as próprias entranhas.
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OLHAR – Poesia – Edmir Saint-Clair

 

Quero entrar nos teus sonhos

                            Bem fundo

Com um  balde de tintas de todas

                            As cores

Para te colorir

Para saber teus segredos

                                  Como o sol que desvenda as manhãs

Mergulhar nesses teus lindos olhos

E morar para sempre no teu doce olhar

   Me iludir e me desconhecer

                                   Te confundir com o céu e com o mar.

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UM OUTRO MUNDO – Poesia - Edmir Saint-Clair


Enquanto a noite amanhece lenta
Nossos Corpos se reconhecem quentes
Revelando mundos
 Que afinal se entendem

Muito, todo, tudo
Sangue trocando de veia,
Renascendo dentro de um mundo à parte
Construído pela arte que só quem ama sabe fazer

Onde a alegria manda, onde o desejo ganha
Onde o tocar das bocas é a fala mais urgente
Um mundo além do mundo
Um mundo além do sonho
Um mundo além da gente
Porque ao sonho faltam 
a tua carne, as tuas unhas e os teus dentes.
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A DANÇA DA VIDA - Edmir Saint-Clair

Ela chegou de novo, de repente, 
de longe, de sempre.

Nossas vidas sempre se encontram
 em surpresas improváveis.

Desde o primeiro encontro, resolvemos nos amar pra sempre. Só crianças podem resolver para sempre. Porque sempre não é aqui, não é agora. Mas, pode até ser, porque sempre não tem hora, é sempre.

E nosso tempo sempre foi bem diferente dos outros tempos.
Sempre foi repente, um presente, sempre não mais que de repente. Sempre só presente.

Toda mulher escolhe a dança, a dança escolhe poucas mulheres. É quando a alma nasce maior, já sabendo o seu propósito na vida.

E minha bailarina chegou, de novo, quando preciso da sua dança. Minha bailarina sempre sabe quando chegar.

Faz  tempo que precisava dos seus silêncios que me conhecem sem falar. 

Seu abraço e seu silêncio. Eu precisava me ouvir na música que dança clássica, elegante e perfeita, num corpo único para aquele propósito, perfeito no detalhe de cada movimento. De cada respiração, sublinhando as palavras não ditas.  

E de novo a mágica se faz. De novo no Leblon, de novo na Casa Encantada. 

De novo para sempre. Até nos despedirmos de novo. 

(Parte do livro A Casa Encantada, Contos do Leblon - Edmir Saint-Clair)
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CLARICE LISPECTOR "CONVERSA" COM FERNANDO PESSOA


“Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós".
Clarice Lispector
*
"Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa.
Tudo que cessa no que vemos é em nós que cessa".
Fernando Pessoa

*
"Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias". 
Fernando Pessoa

*
Amar os outros é a única salvação individual que conheço:
ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
Clarice Lispector

*
Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe.
Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja o certo...
Fernando Pessoa

*
Fique de vez em quando só, senão será submergido.
Até o amor excessivo pode submergir uma pessoa.
Clarice Lispector
*
Seleção e Montagem: Edmir Saint-Clair

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - O Deus de Cada Homem


Quando digo “meu Deus”,
afirmo a propriedade.
Há mil deuses pessoais
em nichos da cidade.

Quando digo “meu Deus”,
crio cumplicidade.
Mais fraco, sou mais forte
do que a desirmandade.

Quando digo “meu Deus”,
grito minha orfandade.
O rei que me ofereço
rouba-me a liberdade.

Quando digo “meu Deus”,
choro minha ansiedade.
Não sei que fazer dele
na microeternidade.
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PROPORÇÕES – Poesia 

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Contos e Crônicas
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A Casa Encantada - Contos do Leblon - R$2,99

18 EXPRESSÕES RACISTAS QUE VOCÊ USA SEM SABER

18 EXPRESSÕES RACISTAS QUE VOCÊ USA SEM SABER
Entre sutilezas, brincadeiras e aparentes elogios, a violência simbólica se amplia quando expressões como estas são repetidas:

RACISMO AQUI NÃO!

RACISMO AQUI NÃO!

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