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JUVENTUDE, VELHICE - Danuza Leão

 
Com algum cuidado com a vaidade 
e a sorte de ter uma boa saúde, 
os anos passam e a vida (quase) não muda.

Vi na Folha de São Paulo, um belo caderno especial com o nome "Sem medo de envelhecer", e como costumo me meter em coisas para as quais não fui chamada, vou dar minha opinião.

Só que, sinceramente, não conheço bem o assunto. Vivo da mesma maneira que vivi a vida inteira; quase nada mudou. Deixei de fazer alguma coisa que fazia antes? Poucas, que não me fazem falta (a natureza é sábia), mas sei que fiquei mais impaciente com as pessoas. De resto, tudo igual, praticamente.

Tenho observado que, dependendo do país, a velhice é encarada de maneira diferente. Na Europa, por exemplo, não se refere a uma pessoa dizendo que ela é velha -nem jovem; essas palavras não são usadas quando se fala sobre alguém, seja homem, seja mulher. Ao falar, eles podem dizer eventualmente "deve ter em volta de 50" (ou 60, ou 70), e só.

O Brasil é difícil para quem não é mais uma gatinha -com os homens é diferente, é claro-, e a cada ano surge uma "safra" nova, palavra, aliás, bem deselegante; quando um novo verão se anuncia, algumas, que conseguiram alguma notoriedade no anterior, pela beleza, pelo frescor da juventude, deixam de ser famosas. Só permanecem na crista da onda as que têm um algo mais.

Com algum cuidado com a vaidade e a sorte de ter uma boa saúde, os anos passam e a vida (quase) não muda.

Todos podem -e devem- continuar trabalhando, indo à praia, viajando, dançando, comendo, bebendo, namorando, e muitos são mais felizes do que na plena juventude.
Porque sabem o que querem, não perdem tempo com o que não interessa; as mulheres, como já não têm tantas ilusões, sabem que podem ser felizes sem a necessidade de um amor, um companheiro, um marido; um homem, enfim.

Se encontrarem, ótimo, mas quando olham para trás e lembram do quanto sofreram quando se acharam apaixonadas -um homem era necessário para que uma mulher pudesse existir-, devem pensar: "ah, quanto tempo perdido".

Hoje, homens e mulheres numa faixa de idade mais alta podem fazer tudo o que querem, sem precisar nem mesmo de um amigo/a, porque são mais seguros, coisa que ninguém é quando jovem. A não ser quando desistem e passam a viver não suas próprias vidas, mas as dos filhos, e depois, as dos netos. Aí é a aposentadoria da vida, uma escolha pessoal.

A cultura brasileira é cruel no quesito idade. Dizer que uma pessoa é -ou parece- jovem é um elogio, e chamar de velho é uma maneira de insultar, geralmente usada quando não encontram outra coisa para dizer àqueles de quem não gostam, com quem não concordam.

A rigor, o assunto nem deveria existir -a não ser, é claro, para ajudar os que não podem viver com independência, precisando de cuidados especiais, o que pode acontecer com gente de qualquer idade, gente que teve a má sorte de ter problemas de saúde.

Nessa minha última viagem, percebi que em Paris, por exemplo, ninguém é apontado como gay; que seja um homem (ou mulher) que tem relações amorosas com pessoas do mesmo sexo, disso não se fala -tanto como não se fala se alguém é jovem ou não. As pessoas são como são, e ninguém perde tempo "carimbando" ninguém; simplesmente não tem importância.

Mas aqui, ai da mulher que é ou foi bonita, quando os anos vão chegando. Essas não são perdoadas, e a idade que têm é assunto de discussão, se têm dois anos a mais ou a menos.

Por isso, resolvi aumentar a minha, e se me perguntam, digo que acabei de completar 91 anos; assim, corro o risco de ouvir um "mas que incrível, não parece", o que é sempre bom de ouvir.
E como estou saindo de férias, mando um beijo e até março.

 
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VELHICE - Artur Xexéo

Sou velho. E isso me surpreende todos os dias. Sempre estranho a figura que vejo no espelho, enquanto lavo o rosto. Imaginava que eu teria mais cabelos. E os fios que me sobram, não os supunha tão brancos. É assim que inicio a batalha de todos os dias: com uma briga entre o que sou e o que penso que sou.

Quando em algum balcão burocrático preciso responder qual a cor de meus cabelos, ainda tenho a tendência de escrever “castanhos”. Se me corrijo a tempo e assinalo “brancos”, bate uma nova dúvida: não seria melhor deixar claro que sou calvo?

Minha velhice não é novidade. Sei direitinho quando ela começou. Foi num cinema em Nova York. Não me lembro o nome do filme a que assisti. Mas me lembro muito bem da reação da mocinha da bilheteria _ quantos anos ela tinha? 13? _ ao olhar para a minha fisionomia e concluir: “é sênior”. Não me perguntou nada. Estava na cara. 

De acordo com minha certidão de nascimento, ainda faltavam alguns anos para eu atingir tal categoria. Mas ela não teve dúvidas, e me vendeu meia entrada.

Quando, enfim, atingi o marco que me inclui no grupo da terceira idade, resolvi não rejeitar nenhuma das concessões que se adquire nesse estágio. Pago meia nos teatros, escolho as filas preferenciais em bancos e supermercados e entro de graça no MASP em São Paulo. Afinal, alguma vantagem há de se ter com a velhice.

Não tenho pensado na velhice por acaso. Na última quarta-feira, escrevi uma coluna criticando a ação dos Black Blocs. Minha intenção era só dar uma opinião. Agora, percebo que foi uma ousadia. No meu blog, vários participantes de passeatas que apoiam a violência do grupo me acusaram de ser... velho!

“Envelheceu mal, hein?”, explicitou um deles. Pode ser. Mas lendo o apoio de alguns da minha geração aos atos violentos que estão sendo vistos na ruas, posso concluir também que há os que rejuvenescem mal. É difícil explicar o apoio à violência. 

Uma leitora tentou fazer com que eu entendesse como sou alienado: “A coisa só vira mesmo tirando gente como você do conforto da sua mesinha com computador da última geração e ar condicionado geladinho e fazendo encarar a realidade do que é ter necessidades primárias.”

Sobre o computador de última geração e o ar condicionado geladinho, vou ter que fazer compras para não decepcionar a leitora e passar a ter o cotidiano que ela imagina que eu possuo. Isso se ainda tiver no comércio algum computador ou aparelho de ar condicionado depois da passagem dos Black Blocs pelas ruas.

Quanto ao resto, não vejo muita gente com necessidades primárias no meio dos mascarados de preto. Li no jornal um caso exemplar: um pai mostrava-se preocupado com a filha, de vinte e poucos anos, que foi identificada pela polícia como Black Bloc. 

Não há nada de muito concreto contra ela. Mesmo assim, o pai e a menina, aproveitando que ela está passando férias num país da América do Sul, combinam de ela pedir asilo político na Argentina para não ter que enfrentar as autoridades na volta das férias. Necessidades primárias? No meu tempo, isso se chamava filhinha do papai. 

Faz a bobagem e, quando a porca torce o rabo, pede a ajuda do papai. Devo estar errado. Porca torcendo o rabo é coisa de velho.

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