GENEROSIDADE, MUITO PRAZER - Cláudia Penteado

Generosidade é um conceito nem sempre muito claro e incrivelmente complexo na hora de ser posto em prática.

 Ela começa por aceitar a minha própria história, repleta de fraquezas e falhas – e encontrar nela as coisas boas, que me trouxeram até aqui com dignidade. 

Aceitar a própria história, já li numa crônica da Eliane Brum, é um desafio desmedido e libertador. Nos faz aceitar a idade que chega, e ver brilho nela e no futuro. Tem me feito encontrar a riqueza de ser o fruto – bom – de tudo o que vivi e das escolhas que fiz, inclusive as “erradas”. Outro tipo de generosidade é estar verdadeiramente aberto a cuidar do(s) outro(s). 

Eu me achava a pessoa mais generosa do mundo até que decidi construir uma nova família.

Estar disponível emocionalmente para isso não é simples. Encontro, diariamente, novas oportunidades de expandir o espaço no meu coração para “cuidar” desse novo núcleo familiar que escolhi. 

Eu – que, imagine só, já fui casada por 15 anos – achava que sabia tudo sobre casamento e cuidar de uma família. Depois de algumas cabeçadas, devo dizer que há um imenso encanto nisso: em não saber, em ficar meio perdido e ter de buscar novas ferramentas internas para construir uma nova história e cuidar de um novo amor. 

E, neste meio tempo, porque não, me tornar uma pessoa um pouco melhor.

Este aprendizado é o grande presente que me dei nessa minha nova fase de vida. Uma fase cercada de verde por todos os lados, tucanos, saíras, gambás, luar por entre as folhagens, um jardim cheio de flores incrivelmente belas, cheiro de lavanda, vazamentos e boilers que pifam, paredes que dão bolhas, cheiro de citronela pra espantar (muitos) mosquitos, e a permanente brisa fresca da novidade e do amor verdadeiro. 

Dentro da minha carteira, guardo comigo uma frase que ganhei de uma amiga e que diz: escolhas são compromissos de amor com o caminho. É isso.









SOBRE VISITAS DE EXTRATERRESTRES - Marcelo Gleiser


Será razoável supor que tenham 
feito o esforço para chegar até aqui 
e se esconder como luzes nos céus?

Estou passando a semana na Amazônia como parte das celebrações de dez anos da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa da Amazônia) e a convite da Secretaria do Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Fora o deslumbre da grande diversidade da fauna e flora local, a visita ao encontro das águas do rio Negro e do rio Solimões e um certo choque em ver a enorme industrialização junto aos rios, um assunto que parece ser de grande interesse local é a possibilidade de que misteriosas luzes nos céus sejam espaçonaves de origem extraterrestre.

Vamos investigar a possibilidade de que seres extraterrestres tenham algum interesse pelos céus da Amazônia ou mesmo pela Terra em geral. Antes, um pouco de astronomia.

O grande desafio de viagens interestelares são as distâncias gigantescas. O Sol está a aproximadamente oito minutos-luz da Terra. Ou seja, a luz, viajando a 300.000 km/segundo, demora oito minutos para cobrir os 150 milhões de quilômetros até aqui.

Digamos que queremos visitar o sistema estelar mais próximo da gente, na constelação do Centauro. São quatro anos-luz. Viajando na espaçonave mais veloz que temos, a 50.000 km/h, demoraríamos cerca de 100 mil anos para chegar lá!

Obviamente, se alguma inteligência extraterrestre existe, se desenvolveu tecnologia que não temos a menor ideia do que seja, capaz de viagens próximas da velocidade da luz, e se tem interesse em nos visitar, a viagem demoraria muito tempo. Talvez mandem arcas que viajam por muitas gerações pelo espaço, com vidas inteiras passadas dentro delas. Onde estão?

Será razoável supor que tenham feito esse esforço todo para chegar aqui e se esconder, meras luzes misteriosas nos céus? Em 1950, o físico Enrico Fermi fez um cálculo simples, mostrando que, se inteligências capazes de viagens interestelares existem na nossa galáxia, teriam já tido tempo de sobra para colonizá-la. "Onde estão eles?", perguntou-se.

Esse é o Paradoxo de Fermi: nossa galáxia tem 10 bilhões de anos e 100.000 anos-luz de extensão. Vamos supor que uma inteligência surgiu em algum canto um milhão de anos antes da gente, o que é bem razoável, considerando que a galáxia tem 200 bilhões de estrelas e possivelmente trilhões de planetas e luas.

Esses seres do planeta Yczykx têm espaçonaves que viajam a velocidades de 10% da velocidade da luz. Ou seja, em um milhão de anos, poderiam ter viajado de ponta a ponta da galáxia, incluindo várias passagens pela Terra. Se tivessem surgido não um, mas 10 milhões de anos atrás, poderiam ter colonizado a galáxia inteira. E certamente não nos contataram de forma direta e clara.

Portanto, ou vieram, não gostaram e foram embora, ou estão aqui, mas têm uma tecnologia de invisibilidade que elude nossos sistemas de detecção, ou nos criaram como um experimento genético que seguem de longe, como num zoológico, ou, o que é mais provável, nunca vieram aqui ou vieram e não deixaram nenhum sinal.

Das várias explicações para luzes estranhas nos céus, as mais plausíveis --fenômenos atmosféricos, balões de pesquisa etc.--, mesmo que menos dramáticas, são muito mais realistas.
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