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O DEMÔNIO É SEMPRE O OUTRO - Edgar Morin

Morin filósofo, sociólogo, antropólogo e historiador e autor de mais de 60 livros de temáticas diversas e abrangentes. 

O intelectual francês é um dos principais pensadores do século XX na França, e coleciona títulos de doutor honoris causa em universidades ao redor do mundo. 

Aos 96 anos, Morin trouxe importantes reflexões sobre as transformações da sociedade ao longo do último século. Conferencista do Fronteiras do Pensamento em 2008 e 2011.

Muitos dos conflitos culturais, políticos e até mesmo militares que se vê na contemporaneidade são causados pela exaltação negativa do que nos diferencia dos outros, e não daquilo que temos em comum. A dificuldade de enxergar o estrangeiro como um igual afeta nosso sentido de humanidade e civilização. 

Também devemos reformar nossas vidas no sentido da compreensão do outro. Por quê? porque é notável que temos uma grande dificuldade para compreender um estrangeiro que tem costumes diferentes, ritos diferentes, crenças diferentes, ás vezes religiões diferentes. 

Temos dificuldade para compreender e sentir que ele é como nós, pois o especifíco das relações entre seres humanos é que o outro é, ao mesmo tempo, diferente e parecido conosco. 

Ele é diferente por sua singularidade, suas características prórpias, sua cultura, seu caráter. Mas ele é parecido conosco pela sua capacidade de sofrer, de amara, de chorar, de rir, de refletir.

Mas, esse problema de compreender o outro não existe somente em relação ao estrangeiro. Ele existe hoje no interior de nossas sociedades. Ele existe nas famílias. Há tanta incompreensão entre os casais que eles explodem e acontecem os divórcios. E às vezes há muita incompreensão entre pais e filhos, entre filhos e pais.

E por que existe tanta incompreensão na vida cotidiana, que envenena a vida cotidiana? Sentimos hostilidades mútuas uns com os outros e não apenas amizade, por quê? Porque não somos educados para conhecermos a nós mesmos, para conhecermos o outro. Porque cada um de nós sofre o que os ingleses chamam de ‘self-deception’, ou seja, a mentira a si mesmo. Cada um mente a si mesmo, quer esquecer suas fraquezas, suas carências e coloca o outro como vilão, o malvado que tem fraquezas e carências.

O filósofo Edgar Morin reflete, neste vídeo, sobre a incompreensão cotidiana que se coloca diante da diferença.

ABC DOS TRAUMAS PSÍQUICOS

Os traumas psíquicos são um desses temas sobre os quais todo mundo fala, mas que poucos compreendem com profundidade. Nem toda experiência negativa pode ser classificada como trauma, e nem todo trauma ocorre de maneira consciente.

De fato, muitas pessoas desconhecem que carregam essa marca, apesar do quanto ela pode influenciar o seu comportamento.

A magnitude dos traumas psíquicos não depende exclusivamente da gravidade dos fatos aos quais uma pessoa foi exposta. Influenciam, de maneira determinante, fatores como a idade, o contexto, o estado mental no momento da experiência, os fatos posteriores, etc.

Os traumas psíquicos, por vezes, têm consequências que se prolongam durante toda a vida. Falamos de realidades que devem ser abordadas por um profissional, pois é muito difícil que uma pessoa, por mais que se esforce, consiga superá-las sem uma intervenção dirigida e adaptada.

Todos nós temos traumas na vida, mas eles são diferentes entre si e, além disso, nem todos ficamos com as mesmas marcas.

 “Ansiedade, pesadelos e um colapso nervoso. Há apenas uma determinada quantidade de traumas a que uma pessoa pode resistir até ir para a rua e começar a gritar”.
-Cate Blanchett-

Definindo os traumas psíquicos
Em termos gerais, os traumas psíquicos são definidos como experiências inesperadas que geram uma forte dor emocional. No trauma, sempre está presente uma ameaça real, potencial ou imaginária contra a vida ou a integridade da pessoa.

Também cabem dentro dessa definição as experiências das quais somos testemunhas, embora não recaiam diretamente sobre nós mesmos.

A resposta da pessoa exposta a esse tipo de situação é de pavor. Isto é, um estado de estupor no qual é vivenciado um profundo sentimento de impotência. Em geral, e especialmente nas crianças, a resposta inicial é de caos emocional, agitação, comportamentos desorganizados ou paralisia.

Os traumas psíquicos são armazenados de uma maneira anômala na nossa memória. A experiência é tão impactante que a mente não consegue registrar de forma fiel e ordenada o que aconteceu. É como um choque para o cérebro.

Por isso, é comum que a informação envolvida seja confinada e arquivada, por assim dizer. Em outras palavras, só recordamos alguns aspectos e o resto é esquecido de maneira consciente. É um mecanismo de defesa para seguir em frente.

As características dos traumas psíquicos
O fator determinante do trauma é o inesperado, a falta de preparo, a carência de recursos adequados de enfrentamento. De alguma maneira, nem o corpo nem a mente estão preparados para viver essa experiência.

De repente, o organismo e o psiquismo devem reagir em pouquíssimo tempo. O nível de excitação nervosa alcança um patamar tão alto que a pessoa não consegue elaborar a experiência e integrá-la em sua história de uma maneira que não a prejudique.

Por outro lado, os traumas psíquicos nem sempre decorrem de fatos reais. Às vezes, a mente humana não é capaz de separar o que acontece na realidade daquilo que imagina ou evoca.

Assim, podem existir traumas psíquicos originados não em um fato real de ameaça, mas no fato subjetivo de se sentir ameaçado.

Sigmund Freud descobriu que muitos de seus pacientes tinham passado por experiências que, para eles, eram intoleráveis, embora não colocassem suas vidas em risco ou sua integridade em perigo em seu sentido estrito.

É muito citado o caso de uma mulher que alucinava com o cheiro de bolo queimado. Sua psicanálise a levou à lembrança do momento em que trabalhava como empregada doméstica de uma família. Ela havia recebido uma carta de sua mãe e as crianças da casa em que trabalhava a pegaram. Nesse momento, os bolos que estavam no forno queimavam.

Os efeitos psicológicos do trauma
Os traumas psíquicos têm diferentes níveis de gravidade. Os mais graves podem fazer com que uma pessoa organize toda a sua vida e toda a sua percepção da realidade em função da experiência traumática. Por exemplo, alguém que foi vítima do abandono súbito muito cedo na vida se torna incapaz de confiar nas pessoas.

O comum é que quem sofreu traumas psíquicos desenvolva a chamada síndrome de estresse pós-traumático. Trata-se de continuar vivenciando o trauma, de forma inconsciente, mesmo que já não haja nenhum perigo.

Um caso típico é de pessoas que participaram de guerras e, depois, se sentem atormentadas pelas lembranças violentas, ao ponto de não conseguirem mais viver normalmente.

Também é comum que um dos efeitos dos traumas psíquicos seja a ansiedade e a depressão, com manifestações como ataques de pânico ou disfunções de vários tipos.

O importante é saber que com ajuda profissional adequada é possível minimizar os efeitos desse tipo de impacto. Isso envolve uma reelaboração do acontecimento e uma intervenção sobre a memória emocional.




A CIÊNCIA E O BUDISMO ESTÃO DE ACORDO: NÃO EXISTE NENHUM “EU” DENTRO DA GENTE.

Evan Thompson da Universidade de British Columbia comprovou a noção budista de anatta, ou não-“Eu”. 

A neurociência tem se interessado pelo budismo desde o fim da década de 1980, quando o Instituto Mind and Life foi criado por Sua Santidade o Dalai Lama junto com uma equipe de cientistas. Os resultados científicos que vieram desses primeiros estudos validaram o que os monges já sabem há anos – se você treinar sua mente, você consegue mudar seu cérebro. À medida que os neurocientistas começaram a estudar a mente, eles se voltaram para aqueles que são mestres da mente.

Embora o Buda não tenha ensinado anatta para as pessoas leigas – achando que poderia ser confuso demais – o conceito está centrado na ideia de que não existe um “Eu” independente. A ideia de que somos a mesma pessoa de um momento para o outro, de um ano para o outro, é uma ilusão. Thompson afirma que “o cérebro e o corpo estão em um constante fluxo. Não há nada que corresponda à sensação de que há um “Eu” que não muda”.

Se não há um “Eu” independente, isso significa que não precisamos ficar levando tudo para o lado pessoal.

É válido assistir um vídeo seu do passado ou ler algo que você tenha escrito alguns anos atrás. Seus interesses, pontos de vista, crenças, apegos, relacionamentos, etc., tudo mudou em algum sentido. Anatta não significa que você não existe; significa apenas que você está constantemente mudando, constantemente evoluindo, e tomando formas diferentes. Por que isso é importante? O que importa se não há um “Você” ou um “Eu” sólido?

Dr. Rick Hanson, autor de “O cérebro e a felicidade” e “O cérebro de Buda”, argumenta que, se não há um “Eu” independente, isso significa que não precisamos ficar levando tudo para o lado pessoal. Ou seja, nossos pensamentos internos são apenas pensamentos, e eles não nos definem. Eventos externos são apenas eventos externos, e eles não estão acontecendo para nós, pessoalmente. Ou, como diz Tara Brach, “nossos pensamentos são reais, mas não verídicos”.

É uma tremenda libertação não nos identificarmos com nossos pensamentos ou com uma ideia estabelecida do que somos. É então que conseguimos crescer e mudar – com a ajuda da neuroplasticidade. Aí, então, há a esperança de que podemos nos livrar dos nossos vícios ou maus hábitos (da mente e do corpo), uma vez que, se não estamos presos às crenças auto limitantes que são inerentes ao “Eu” independente, podemos nos orientar na direção de nos tornarmos mais quem gostaríamos de ser.

A ideia de que somos a mesma pessoa de um momento para o outro, de um ano para o outro, é uma ilusão.

Enquanto a Ciência e o Pensamento do Oriente continuarem andando juntos, é possível que mais estudos do século XXI deem respaldo a ideias de 2.600 anos. Contudo, como disse Sua Santidade o Dalai Lama: “Imagine que algo seja definitivamente provado por meio da investigação científica…. Imagine que esse fato seja incompatível com a teoria Budista. Não há dúvida de que devemos aceitar o resultado da pesquisa científica”.

Ouvir um posicionamento pró ciência vindo de um líder religioso é um alívio para muitos. No fim, budismo e neurociência parecem ter objetivos similares: o que é essa coisa que chamamos de mente e como podemos usá-la para nos tornarmos um pouco menos infelizes e um pouco mais felizes? Talvez só 10% mais feliz, como escreveu Dan Harris. 

Se não há um “Eu” independente, é pelo menos minha intenção que meu “Eu” que sempre está mudando seja equânime e, por que não, 10 por cento mais feliz. Não importa quem eu seja. 
Artigo traduzido do site Big Think

10 DIFERENÇAS ENTRE FREUD E JUNG

São inúmeras, e em muitos casos controversas, as polêmicas geradas ao redor das figuras de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung. 

Neste artigo, falaremos sobre as principais diferenças entre Freud e Jung.

Em geral, para cada uma de suas propostas, encontramos especialistas que se posicionam a favor e contra, cada um com suas variantes. Além disso, quando, ao invés de analisá-los separadamente, os colocamos em um mesmo plano, a comparação faz com que os debates sejam muito ricos.

As diferenças entre Freud e Jung são interessantes porque, paradoxalmente, no início da prática profissional de Jung eles coincidiam em pensamentos e abordagens teóricas. Na verdade, a coincidência inicial faz com que em alguns casos tenhamos dúvidas sobre o autor de uma determinada ideia; algo que já não acontece, por exemplo, nas últimas fases de sua evolução, em que suas diferenças aumentaram e sua marca se tornou muito mais particular. De uma forma ou de outra, a caminhada que propomos pela história desses dois grandes autores parece realmente incrível. Você vem com a gente?

Por que diferenciar Freud de Jung?
Sigmund Freud foi um médico neurologista de origem austríaca que deu início e forma a uma das correntes psicológicas mais poderosas e de maior tradição: a psicanálise. Além disso, é considerado por muitos, tanto seguidores quanto críticos, um dos intelectuais mais importantes do século 20. Sendo um neurologista, seu interesse inicial como campo de estudo foi a neurologia; daí podemos situar a origem de sua evolução, derivando progressivamente em uma vertente mais psicológica: tanto na análise das causas, como no curso e nas consequências dos transtornos que estudou.

Por outro lado, Carl Gustav Jung foi um médico psiquiatra, psicólogo e ensaísta de origem suíça. Atuou como figura chave nos primórdios da psicanálise; posteriormente fundou sua própria escola de “psicologia analítica”, também conhecida como psicologia profunda ou psicologia complexa.

Jung se interessou pelo trabalho de Freud, o que levou este último a nomeá-lo como seu “sucessor” publicamente. No entanto, não demorou muito para que o professor de Viena e o de Zurique, como resultado de seus desentendimentos teóricos e pessoais, se separassem. Desta forma, Jung foi expulso da Sociedade Psicanalítica Internacional daquela época, a mesma que presidiu em 1910.

Diferenças entre Freud e Jung
Embora existam muitas diferenças entre Freud e Jung, neste artigo iremos citar algumas das mais relevantes. Por outro lado, podemos dividir essas diferenças em diferentes subdivisões.

1. Ser psicanalista
Embora não seja estranho escutar o termo “psicanálise” – para se referir a aqueles que estudaram pela teoria de Jung – este é um erro nominativo. Jung não é considerado psicanalista, na verdade, decidiu separar-se por completo dessa escola e fundou a sua própria.

2. O termo “complexo”
Freud reconheceu e concedeu a autoria desse termo à Jung. Freud utilizou esse termo sempre acompanhado de um sobrenome em sua teoria: “Complexo de Édipo” ou “Complexo de castração” para poder explicar a teoria sexual e a dinâmica psíquica ali existente.

Por outro lado, para Jung o termo complexo tem relação com o conjunto de conceitos ou imagens emocionalmente carregadas que atuam como uma personalidade dividida. No núcleo desses complexos é encontrado o arquétipo, que se relaciona com o conceito de trauma.

3. Parapsicologia e fenômenos ocultos
Jung atribuiu muita importância à parapsicologia e à autenticidade dos então chamados “fenômenos ocultos”. Freud, por outro lado, foi contrário a estudar essas questões e ligá-las à psicanálise; considerava que fariam muito mal à teoria.

“Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo,
posso assegurar que um dos dois pensa por ambos”.
-Sigmund Freud-

4. Conceito de “restos arcaicos”
Para Freud, os “restos arcaicos” estão relacionados com certos assuntos inconscientes, teriam relação com o conceito de traço mnêmico criado por ele.

Diferentemente, para Jung, os restos arcaicos eram mais que isso; na verdade, permitiram criar uma tipologia do inconsciente diferente da psicanálise – o inconsciente coletivo. Para isso, fez uso da análise dos sonhos de seus pacientes, interpretou diferentes mitos produzidos por diversas culturas e os somou à investigação do simbolismo alquímico.

Para Jung, o inconsciente coletivo é algo comum à natureza humana. Nasce com ela; constituído por estruturas arquetípicas derivadas dos momentos emocionais mais transcendentes da humanidade que resultam no medo ancestral da escuridão, a ideia de Deus, do bem, do demoníaco, entre outros.

5. Os fatores históricos e a importância do presente
Para Freud, tanto no desenvolvimento da neurose quando no da psicose, prevaleciam os fatores históricos de cada indivíduo sobre os fatores ou circunstâncias atuais. Ou seja, os fatores históricos viriam a determinar os comportamentos atuais e futuros.

No entanto, para Jung isso funcionava ao contrário. Ele relativizava a preeminência dos fatores históricos na fundamentação freudiana. E mesmo que Freud não concordasse com essa peculiaridade, ele o fazia em termos gerais, considerando o foco de Jung em ressaltar, ao que diz respeito ao campo de estudo das neuroses, o presente em detrimento do passado.

“Eu não sou o que aconteceu comigo,
eu sou o que eu escolhi me tornar.”
-Carl Jung-

6. Elã vital vs. libido
Para Jung, o conceito de libido definia uma energia vital de natureza geral que adotava a forma mais importante para o organismo em cada momento de sua evolução biológica – alimentação, eliminação, sexo. É diferente da concepção de libido freudiana: energia predominantemente sexual concentrada em diferentes áreas corporais no decorrer do desenvolvimento psicossexual do indivíduo.

7. Estrutura psíquica
Para Freud, a estrutura psíquica estava composta por três níveis: consciente, pré-consciente e inconsciente. Para Jung havia o nível consciente, mas ele fazia referência a dois inconscientes: o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

8. A transferência
Outra diferença entre Freud e Jung é a forma como entendiam o fenômeno da transferência. Ambos contemplavam esse conceito. Freud pensava que, para que isso pudesse ocorrer, deveria existir uma certa assimetria em que o analista serve como objeto, tela em branco onde o paciente pode colocar – transferir – fantasias, figuras representativas, etc., a partir do qual se inicia o trabalho analítico. Direção unidirecional.

Por outro lado, embora para Jung a transferência permaneça sendo o problema central da análise, não compartilha sua prática ortodoxa. Partindo de seus conhecimentos de alquimia, definiria a relação terapêutica a partir da metáfora de dois corpos químicos diferentes que, colocados em contato, se modificam mutuamente. Sendo assim, a relação que se estabelece entre paciente e psicoterapeuta é de colaboração e confrontação mútua.

9. O sofá
Para Freud, o uso da ferramenta do sofá era imprescindível para poder realizar análises, sempre deixando o analista fora do alcance da visão do paciente. O oposto de Jung, que realizava as sessões frente a frente, sentado diante do paciente e mantendo uma interação direta constante. Ele dispensava o sofá.

10. Frequência das sessões
A frequência das sessões é outra diferença entre Freud e Jung. Carl Gustav Jung atendia seus pacientes, no início, duas vezes por semana, por uma hora em cada sessão. Mais tarde, propunha passar para uma sessão semanal em um tratamento usual de três anos. Freud, por outro lado, atendia à seus pacientes seis vezes por semana, por 45 a 50 minutos em cada sessão, estritamente.

Finalmente, embora tenhamos mencionado dez diferenças entre Freud e Jung e seus métodos, pensamentos e abordagens, muitas outras poderiam ser encontradas. A relação entre ambos e como cada um deles deixou sua marca no outro é muito interessante; por esse motivo, está feito o convite para conhecer suas obras em maior profundidade.

OUTRO OLHAR SOBRE O BUDISMO - Rick Ricardo

As recentes noticias que monges budistas, no Sri Lanka, Myanmar e, também, na Tailândia, iniciaram uma campanha de intolerância e violência não são uma exceção à regra, pois eles são exemplos contemporâneos de uma longa procedência histórica.

O Budismo é, geralmente, retratado no Ocidente como uma religião de paz e não-violência, onde os monges que usam vestes de cor açafrão com as cabeças raspadas, passam a maior parte do seu tempo meditando. Mas, budismo, como instituição, não é diferente de qualquer outra religião.

Os primeiros dos cinco preceitos morais do Budismo diz que é errado tirar a vida de qualquer ser vivo. Enquanto a teoria budista tende a igualar matar animais inclusive insetos com tirar a vida de pessoas, a maioria dos monges budistas comem carne regularmente. Mesmo na Índia, onde a maioria da população é vegetariana, a carne faz parte do menu dos monastérios budistas.

Instituições budistas justificaram o militarismo japonês em publicações oficiais e colaboraram com o exército japonês na guerra Russo -Japonesa e na Segunda Guerra Mundial. O Budismo Tibetano, ocasionalmente, lutou entre si, principalmente, por razões políticas, com disputas sectárias entre as escolas Kagyu e Gelug e desempenharam um enorme papel na guerra civil tibetana.

Na Tailândia, o monge Kitti-Vutto incentivou seus partidários a usar a violência contra a esquerda. Seu discurso infame, em 1976, era que "matar comunistas não é imoral, é uma coisa boa porque salva a nação e a religião”.

Várias são as correntes que criticam seriamente a religião tibetana pela manutenção de uma sociedade feudal que explorava os camponeses e os tratava como escravos. Mesmo hoje em dia, quando viajo ao Tibete noto isto claramente. Quanto mais tempo vivo em sociedades budistas, mais vejo que o Budismo, como um conjunto de doutrinas e dogmas é de uma fé cega e ávida por poder.

Escândalos sobre monges Budistas estão sempre nas manchetes de jornais, aqui na Ásia. Alguns monges ganham muito dinheiro com os seus discípulos, e tem um estilo de vida luxuoso. Alguns têm coleções de carros importados ou mesmo aviões particulares. Os shopping centers de eletrônicos estão sempre lotados de monges comprando as ultimas novidades da tecnologia.

O Budismo e suas instituições tradicionais são muito conservadores, reacionárias e fora de contato com a realidade.

Minha intenção aqui não é demonizar o Budismo, porque na realidade aprendi muito vivendo em monastérios budistas e com suas práticas, com sua incrível Yoga e meditação, sobre a impermanência e que a realidade externa reflete o estado da realidade interior. Minha intenção é desmistifica-lo de sua imagem no ocidente.

Muitos ocidentais adotaram a religião Budista, mas as escrituras budistas continuam desconhecidas pelo menos para o ocidental médio. A maioria destes "budistas" nem sequer sabem quais escrituras seguem e muito menos o que está contido nelas. Como conseqüência, muitos modernos budistas acreditam que suas fontes escriturais são de fato desprovidas de violência, que este é um problema só da Bíblia ou do Alcorão ,mas este não é o caso.


Exclusivo para o CULT CARIOCA 

Rick Ricardo – O Monge Ocidental

É um profundo conhecedor da região e de seus costumes. 
Viveu em monastérios budistas nos locais que mencionou. 
Reside em Bangkok, na Tailândia.

AS PEGADINHAS DO INCONSCIENTE - Cláudia Penteado

No emaranhado de informações com que lidamos diariamente, afogados em dados e versões de muitas e muitas histórias, volta e meia nos deparamos com algo bacana. É o caso de um artigo v recentemente no blog do Buffer, que chama a atenção para os erros que, quem diria, nossos cérebros cometem o tempo todo, sem que nos demos conta. São erros, segundo o artigo de Belle Beth Cooper (profissional de conteúdo do Buffer), cometidos por nosso inconsciente, numa espécie de gestalt habitual, mas que podem ser evitados – desde que tomemos consciência de sua existência. Vamos a eles.

O primeiro erro que cometemos é o seguinte: nos cercamos de informações que combinam com nossas crenças. Em geral, gostamos de pessoas que pensam como a gente. Isso significa que, inconscientemente, acabamos ignorando ou descartando qualquer coisa que ameace nossos pontos de vista. No artigo, Belle diz que isso se chama “Confirmation bias”: é uma experiência passiva de confirmação contínua daquilo em que acreditamos. Ela usa um vídeo de lançamento do livro “You are now less dumb”, de David McRaney, como exemplo da tendência das pessoas em cultivar certas crenças sem desafiá-las.

O segundo erro comum chama-se “a ilusão do corpo do nadador”. Normalmente confundimos fatores seletivos com resultados. Uma espécie de pegadinha no estilo “ovo ou galinha”, mas o fato é que nossa mente nos engana mais do que imaginamos. Acreditamos, por exemplo, que nadadores têm corpos perfeitos porque são bons nadadores. Na realidade, nadadores são bons porque seus corpos foram elemento essencial de seleção que lhes permitiu, a priori, tornarem-se excelentes nanadores. E, claro, o treinamento aprimorou seus corpos.

O terceiro erro cometido é nos preocuparmos com coisas que já perdemos. Costumamos nos preocupar com perdas – não só de dinheiro, mas energia e tempo - porque, segundo o psicólogo Daniel Kahneman, em seu livro Thinking Fast and Slow, nos apegamos a elas muito mais do que aos ganhos. Isso porque a humanidade convive com uma impressão arquetípica poderosa: a de se defender e evitar ameaças, desde os tempos das cavernas, muito mais do que maximizar oportunidades. Isso nos impede de fazer escolhas com base no que nos renderá melhores experiências no futuro, no lugar daquelas que simplesmente nos farão ter a sensação de “compensar” experiências ruins do passado. Se você compra um ingresso para um filme ruim, você fica assistindo até o fim para fazer com que ele “se pague” ou sai do cinema e usa seu tempo para fazer algo mais divertido? Faz pensar.

O quarto erro recorrente é que costumamos prever “vantagens”. Se o time vem ganhando, acreditamos que continuará ganhando. Mas as nossas chances de ganhar ou de perder, se dependemos da sorte e do acaso, se equivalem. É uma espécie de “falha” no nosso pensamento de criaturas sem qualquer lógica ou coerência. Mais uma vez, colocamos muito peso em experiências do passado e confundimos nossa memória acreditando que o futuro funcionará dentro de um determinado “padrão” já introjetado. Essa falha costuma levar jogadores compulsivos à falência porque eles sempre acreditam que a próxima jogada será a da sorte. Porque provavelmente tiveram alguma experiência de sorte no passado, claro.

O quinto erro é racionalizar compras que não queremos fazer. Quem nunca? Vivemos tentando nos convencer de que fizemos boas compras, tentando justificar mais um par de sapatos ou bolsa. Mesmo sabendo que eram caros demais, você usaria pouco ou talvez nunca. Mas somos ótimos em nos convencermos de que precisávamos de algo que no fundo...sabíamos que não. É uma espécie de racionalização pós-compra, uma síndrome, mesmo, usada para dar algum conforto ao ato equivocado. Uma tentativa da nossa mente de nos manter na zona de conforto da consistência, sem escorregar para a dissonância cognitiva que toma conta quando tentamos, desesperadamente, nos definir entre duas ideias ou teorias opostas.

Sexta “armadilha” do nosso inconsciente: tomamos decisões com base no efeito âncora. Ao invés de pensarmos no valor em si de uma determinada escolha, tendemos a compará-la a alguma outra escolha como justificativa. No artigo Belle cita o economista Dan Ariely como o suposto criador desse “efeito âncora”. Dan conduziu um experimento em que dois tipos de chocolates foram postos à venda, um ao lado do outro: um mais simples, gotas de chocolate da Hershey’s a um centavo cada, e outro mais sofisticado, trufas da Lindt a 15 centavos cada. As trufas desapareceram rapidamente, pois o consumidor agiu comparando as duas marcas e vendo qual era um “deal” melhor. Dan decidiu reduzir a diferença de preço entre os dois produtos: os kisses da Hershey’s de graça, trufas por 14 cents. As pessoas escolheram os Kisses. Dan tem vários exemplos de como as pessoas agem quando têm mais de uma opção, comparando-as, e nem sempre tomando a melhor decisão. Às vezes nos prendemos a um determinado valor e o usamos para efeito comparativo, quando na verdade há outros aspectos mais interessantes para serem analisados que passam absolutamente batido. Muitas vezes não sabemos, mesmo, o que preferimos. Soa familiar?

O sétimo erro recorrente: acreditamos mais na nossa memória do que nos fatos. Nem vou discorrer aqui como a memória pode nos enganar. Muitas vezes nossa memória nos faz tomar decisões de acordo com aqueles padrões do passado já mencionados no quarto item dessa lista de erros – ao invés de parar para analisar os fatos. Um pouco de objetividade pode ser bom.

Oitavo e último erro: prestar muito mais atenção aos estereótipos do que imaginamos. Belle cita nesse item um exemplo dos pesquisadores Daniel Kahneman e Amos Tversky que, em 1983, testaram esse aspecto incoerente do pensamento humano ao criar uma pessoa imaginária e pedir que as pessoas lessem a descrição e respondessem a uma pergunta. A descrição era de uma moça solteira, jovem e muito inteligente, formada em filosofia e engajada em demonstrações antinucleares na juventude. Colocam-se então duas alternativas e deve-se escolher a “mais provável”.

A primeira: Linda é caixa de banco. A segunda: Linda é caixa de banco e participa do movimento feminista. A maioria (85%) escolheu a segunda opção, mais detalhada, na verdade uma “pegadinha de linguagem” - pois repete a opção 1 incluindo um ingrediente limitador, para confundir as pessoas e suas visões estereotipadas. Isso demonstra o quanto se pode ser irracional e ilógico nas escolhas: a resposta dois simplesmente não poderia ser a correta numa pergunta sobre maior probabilidade.

Fica aí a lição de casa: tentar identificar esses vícios do inconsciente, que automatizam as decisões. E fazem errar.
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