A IMPLOSÃO DA MENTIRA - Affonso Romano de Sant'Anna


Este poema foi publicado em diversos jornais em 1980. 
Apesar do tempo decorrido, face aos acontecimentos políticos que vimos assistindo nesses últimos tempos, ele permanece atualíssimo.

           A implosão da mentira

             Fragmento 1

                                  Mentiram-me. Mentiram-me ontem
                  e hoje mentem novamente. Mentem
             de corpo e alma, completamente.
               E mentem de maneira tão pungente
               que acho que mentem sinceramente.

               Mentem, sobretudo, impune/mente.
               Não mentem tristes. Alegremente
               mentem. Mentem tão nacional/mente
               que acham que mentindo história afora
               vão enganar a morte eterna/mente.

               Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
               falam. E desfilam de tal modo nuas
               que mesmo um cego pode ver
               a verdade em trapos pelas ruas.

               Sei que a verdade é difícil
               e para alguns é cara e escura.
               Mas não se chega à verdade
               pela mentira, nem à democracia
               pela ditadura.


Fragmento 2

               Evidente/mente a crer
               nos que me mentem
               uma flor nasceu em Hiroshima
               e em Auschwitz havia um circo
               permanente.

               Mentem. Mentem caricatural-
               mente.
               Mentem como a careca
               mente ao pente,
               mentem como a dentadura
               mente ao dente,
               mentem como a carroça
               à besta em frente,
               mentem como a doença
               ao doente,
               mentem clara/mente
               como o espelho transparente.
               Mentem deslavadamente,
               como nenhuma lavadeira mente
               ao ver a nódoa sobre o linho.
                    Mentem com a cara limpa e nas mãos
               o sangue quente.

                  Mentem ardente/mente como um doente
               em seus instantes de febre. Mentem
               fabulosa/mente como o caçador que quer passar
               gato por lebre. E nessa trilha de mentiras
               a caça é que caça o caçador
               com a armadilha.
              
      E assim cada qual
               mente industrial?mente,
               mente partidária?mente,
               mente incivil?mente,
               mente tropical?mente,
               mente incontinente?mente,
               mente hereditária?mente,
               mente, mente, mente.

               E de tanto mentir tão brava/mente
               constroem um país
               de mentir
                                       —diária/mente.



Fragmento 3

               Mentem no passado. E no presente
               passam a mentira a limpo. E no futuro
               mentem novamente.

               Mentem fazendo o sol girar
               em torno à terra medieval/mente.
               Por isto, desta vez, não é Galileu
               quem mente.
               mas o tribunal que o julga
               herege/mente.

               Mentem como se Colombo partindo
               do Ocidente para o Oriente
               pudesse descobrir de mentira
               um continente.
               Mentem desde Cabral, em calmaria,
               viajando pelo avesso, iludindo a corrente
               em curso, transformando a história do país
               num acidente de percurso.


Fragmento 4

               Tanta mentira assim industriada
               me faz partir para o deserto
               penitente/mente, ou me exilar
               com Mozart musical/mente em harpas
               e oboés, como um solista vegetal
               que absorve a vida indiferente.

               Penso nos animais que nunca mentem.
               mesmo se têm um caçador à sua frente.
               Penso nos pássaros
               cuja verdade do canto nos toca
               matinalmente.
               Penso nas flores
               cuja verdade das cores escorre no mel
               silvestremente.

               Penso no sol que morre diariamente
               jorrando luz, embora
               tenha a noite pela frente.


Fragmento 5

               Página branca onde escrevo. Único espaço
               de verdade que me resta. Onde transcrevo
               o arroubo, a esperança, e onde tarde
               ou cedo deposito meu espanto e medo.

               Para tanta mentira só mesmo um poema
               explosivo-conotativo
               onde o advérbio e o adjetivo não mentem
               ao substantivo
               e a rima rebenta a frase
               numa explosão da verdade.

               E a mentira repulsiva
               se não explode pra fora
               pra dentro explode
                            implosiva.
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CORONA VÍRUS, BRASIL E A LEI DE GERSON – Edmir Saint-Clair

Mais de 60 países contaminados. Países inteiros em quarentena, a economia mundial sofrendo um impacto incalculável e sem luz no fim de um túnel que ninguém sabe o tamanho.  Vôos internacionais, os maiores eventos esportivos, culturais e comerciais do mundo cancelados. Mais de 400 milhões de alunos sem aula ao redor do mundo.

O planeta inteiro mudou sua rotina tão subitamente como nunca antes se viu na história.  Cada nação está enfrentando o problema do seu jeito, evidenciando seu grau de evolução humanitária e social.

Não importa se é ou não motivo para tamanha mobilização, o que importa é como a será a sua atitude: solidária e com consciência social? Ou com egoísmo querendo livrar o seu e o resto que se dane? 

Essa proposição, por mais simples ou até mesmo simplória que possa parecer, tem um endereço certo: o Brasil.

Na Itália, um país inteiro em quarentena severa, vizinhos na cidade de Roma foram para a janela cantar juntos para espairecer, se distrair e se solidarizar. Ninguém compra uma unidade a mais do que não precisa para imediatamente. Não existe consumo desnecessário ou irresponsável socialmente. E assim acontece na maioria dos países infectados.

É hora de cada um decidir quem quer ser.

Uma pessoa do bem, com consciência social e boa vontade com quem precisar ou aquele que chega ao supermercado e leva os 50 frascos de álcool Gel, apesar de morar sozinho, zerando a prateleira, mesmo havendo tantas pessoas esperando para pegar a mesma coisa?  
Para nós, brasileiros está na hora de mostrar que superamos o velho e ultrapassadissimo “levar vantagem em tudo, certo?”

Esclarecendo quem não conhece: tratava-se de uma campanha publicitária do cigarro Vila Rica com o jogador Gerson, o canhotinha de ouro, campeão mundial na icônica Copa de 70. Ele sempre fechava o comercial de TV falando o slogan: “O importante é levar vantagem em tudo, certo?”
Por isso, passou a ser conhecida como a “Lei de Gerson”.  No fundo essa referência foi uma grande injustiça com o canhotinha de ouro, que sofreu com isso. Gerson nunca mereceu ser vinculado a uma máxima de ética tão duvidosa.

Essa mensagem ganhou, inicialmente, o significado de jeitinho brasileiro que, com o tempo, foi ficando mais pesado até significar qualquer  atitude nebulosa. A expressão foi cada vez mais deturpada até significar “passar os outros para trás e levar vantagem sobre.” Já com os dois pés na marginalidade da lei.

Com o distanciamento que só o tempo nos dá, consigo perceber como o brasileiro médio foi agindo cada vez mais dessa forma, contando com a tolerância de toda sociedade. Ou, por outro lado, talvez isso tenha simplesmente exposto esse aspecto até então obscuro. O certo, é que a partir da década de 70, a ética foi sendo cada vez mais violentada, contando com uma complacência generalizada. E, se um pode todos podem. E, assim, chegamos a 2020...

Essa situação gerada pela Corona vírus serve como termômetro para nós, brasileiros, sabermos a quantas andamos como sociedade. A sociedade é composta por cada um de nós. A atitude da nação brasileira será a soma das atitudes de cada cidadão.

Essa é uma oportunidade única para pensar que tipo de brasileiro e de ser humano cada um deseja ser. 

     

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COVID-19 , NO QUE ACREDITAR? - Edmir Saint-Clair


Não acredito que as decisões inéditas e pesadas da maior parte dos países do mundo sejam puro alarmismo, tão pouco acredito nessa fantasia de uma trama chinesa para dominar o mundo.

O mundo está quase parado como nunca antes. Com as notícias correndo na internet, nem preciso me alongar em exemplos que se somam a cada instante, todo mundo já sabe.  
O COVID-19 já causou prejuízos incalculáveis para todas as nações.

Empresários e entidades dos esportes, incluindo os que movimentam valores equivalentes ao PIB de alguns países, como futebol, NBA, Fórmula-1, Champion League, UEFA e toda a cadeia que sustenta essa indústria, paralisou suas atividades com uma rapidez assustadora. Ninguém joga trilhões de dólares no ralo assim numa tacada e sem pestanejar... Aí tem. E deve ser forte.
E, se não tem parece muito que tem. Não dá pra arriscar. Está meio estranho esse pandemônio a nível governamental que tomou conta do mundo. Deve ter um motivo muito muito forte. 

Pandemia assusta e só é declarada quando existem motivos muito graves.  E esse motivo se chama COVID-19, que está aniquilando, principalmente, a população idosa.
Nesse momento, não nos cabe nada além de acreditar e seguir as recomendações das autoridades médicas.
O caso é muito sério e grave. Tem hora pra tudo e agora não é hora de dar uma de mais sabido, mais informado, mais descolado ou qualquer outra designação mais imbecil nesse sentido.

A coisa mais burra a fazer nesse momento é perder tempo tergiversando. A realidade é que a esmagadora maioria de nós, leigos mortais, não tem o conhecimento suficiente para fazer outra coisa senão acatar e obedecer ao que os médicos falam e recomendam.

Somos todos ignorantes e inexperientes diante do tamanho desse evento, pelo simples fato de que nunca aconteceu antes.

Vamos nos unir diante de nossas inexperiências, vamos ser solidários e aprender juntos como podemos vencer esse obstáculo da melhor forma.  É preciso dar crédito aos milhares de médicos e cientistas que se dedicam a pesquisar curas e soluções.

Informar-se somente em sites de instituições reconhecidamente idôneas e competentes é fundamental para não fazer papel de bobo e sair acreditando em sandices de todos os tipos. Não é hora para brincadeiras ou experiências.

Tudo está acontecendo de maneira muito veloz. Não temos tempo a perder com questões mesquinhas e menores, está na hora de cada um fazer o seu melhor pelo bem de todos. Isso se chama solidariedade e é a base de sustentação de qualquer sociedade humana bem sucedida.
" Só um ser humano pode ajudar outro ser humano"

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CONVERSAS NECESSÁRIAS – Edmir Saint-Clair

Todos temos pendências. Assuntos que incomodam.

Algumas dessas questões são com pessoas importantes em nossas vidas. Importantes demais para que as deixemos se perderem de nós sem que pelo menos aconteça uma tentativa de esclarecimento que deixe, ao menos, a alma mais leve.

Quantas vezes não nos pegamos pensando numa suposta conversa com aquela(e) ex com quem tivemos um final confuso e cheio de mal entendidos. Ou, a conversa com o parente próximo com quem tivemos conflitos nunca esclarecidos. À vezes, nos afastamos de pessoas muito próximas e queridas por nunca termos feito nada para trazer luz aquele assunto pendente. Para esclarecer. Clarear a questão. Buscar um entendimento.

A maioria de nós tem uma tendência a ir acumulando pendências. Questões mal resolvidas varridas para debaixo do tapete. Situações mal paradas. Incômodas. Das quais não nos damos conta na maior parte do tempo, mas que brotam nos momentos mais improváveis e incômodos, atrapalhando alguma coisa.

Situações que poderiam ter sido esclarecidas e não foram.  E, por isso, criaram distâncias instransponíveis. Uma nódoa que incomoda num dia branco.

Uma coisa é certa, não adianta tentar tocar em frente aquela relação que sofre com pendências. Não adianta tentar varrer para debaixo do tapete. Porque na vida não tem tapete é sempre chão duro. E também não tem embaixo, nem em cima. É tudo a mesma vida, o mesmo rolo.

Não podemos deixar tudo a cargo do tempo. Essas conversas necessárias tem que acontecer sob pena de se transformarem naquelas terríveis dores nas costas que nos fazem entrevar diante de seu peso invisível. Temos que correr atrás, agir para esclarecer nossos mal entendidos com as pessoas queridas. Não podemos deixar algo tão importante por conta do acaso. É muito arriscado, a vida é uma só.

O tempo não pára. E, se deixarmos por conta dele as distâncias podem se alongar tanto que a possibilidade de volta não exista mais. Não existe relação, em nenhum nível, que não possa ser estragada pela falta de esclarecimentos
mútuos sobre assuntos mal resolvidos. A mágoa deixa marcas, cria barreiras e distâncias que o tempo não resolve, ao contrário, só alimenta.

Esclarecer pendências com as pessoas queridas é necessário.  É o único caminho para que a distância definitiva não se estabeleça. Poder ver, através do olhar de quem amamos, a nossa versão mais bonita é um dos momentos mais sublimes e felizes que podemos experimentar na vida. Sentir o amor de quem amamos é ser feliz. Perder essa possibilidade é perder um pedaço gigante de felicidade possível.

Definitivamente, varrer pendências emocionais para debaixo do tapete é um erro que pode custar caro. Que pode nos custar quem amamos.
Por Edmir Saint-Clair
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