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ENCERRANDO CICLOS - Glória Hurtado

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a ...

AFINIDADE - Arthur da Távola

A afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.

Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo sobre o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.

Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.

É ficar conversando sem trocar palavra. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber. É mais calar do que falar. Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.

Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro, quem aceita para poder questionar.

Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar, não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é. E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso. Isso é afinidade.

Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona. Questionamento de afins, eis a (in)fluência. Questionamento de não afins, eis a guerra.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.

Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintomas com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com amores latentes, com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa do tempo para existir. Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade!

No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação exatamente do ponto em que parou.

Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior,

a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.

Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós, para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.

Sensível é a afinidade.

É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau, porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir restituir o clima afetivo de antes, é alguém com quem a afinidade foi temporária.

E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta, ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.

A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas, plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças, é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.

E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.


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POR VÁRIOS MOTIVOS PRINCIPAIS - Stanislaw Ponte Preta

Durante uma recepção elegante, a flor dos Ponte Pretas estava a mastigar o excelente jantar, quando uma senhora que me fora apresentada pouco antes disse que adorou meus livros e que está ávida de ler o próximo. — Como vai se chamar?
Fiquei meio chateado de revelar o nome do próximo livro. Ela podia me interpretar mal. Como ela insistisse, porém, eu disse: 
— "Vaca Porém Honesta." (*)
Madame deu um sorriso amarelo mas acabou concordando que o nome era muito engraçado, muito original.
Depois — confessando-se sempre leitora implacável, dessas que sabem até de cor o que a gente escreve —, madame pediu para que não deixássemos de incluir aquela crônica do afogado. 
— Qual? — perguntei.
— Aquela do camarada que ia se afogando, aí os carros foram parando na praia de Botafogo para ver se salvavam o homem. Depois um carro bateu no outro, houve confusão e até hoje ninguém sabe se o afogado morreu ou salvou-se. Lembra-se? Aquela é uma de suas melhores crônicas.
Foi então que eu contei pra ela o caso do colecionador de partituras famosas, que um dia foi a um editor de música procurando o original de certa sonata que fora composta por Haydn e Schumann juntos. O editor ficou olhando para ele e o colecionador esclareceu:
 - Sei que essa partitura é raríssima, mas eu pagaria qualquer preço por ela. 
— Vai ser um pouco difícil — disse o editor — conseguir uma partitura composta por Haydn e Schumann juntos, por vários motivos. Primeiro: quando Schumann nasceu, Haydn tinha morrido no ano anterior.
A leitora que se lembra de tudo que eu escrevi estranhou e perguntou: 
— Por que me contou essa história? 
— Porque lembra a história que estamos vivendo agora. A crônica sobre o afogado que a senhora diz ser uma das minhas melhores crônicas... quem escreveu foi Fernando Sabino. 
Ela achou engraçadíssimo. 

(*) O título, mais tarde, foi trocado, porque a vaca protestou.
Stanislaw Ponte Preta(Sérgio Porto)
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AUTO SABOTAGEM: QUANDO A SUA MENTE TRABALHA CONTRA VOCÊ

 Você está se auto sabotando? 
Algumas pessoas bebem, outras procrastinam, e você? 
Qual é o seu meio de auto sabotagem?

Suprimir emoções: a ajuda que prejudica

Muitas vezes entramos em apuros quando tentamos fugir de emoções e sentimentos negativos, todos nós já fizemos isso de algum modo, a questão é que alguns praticam isso mais regularmente do que outros. É como dar um tiro no próprio pé, porque você penas mascara o problema em vez de resolvê-lo. Fugir dos próprios sentimentos não traz bem algum, além disso, é uma forma de auto sabotagem que interfere no alcance de suas metas a longo prazo e desestabiliza suas relações.

Buscar a solução para os problemas na comida é uma forma comum de auto sabotagem, principalmente quando a pessoa tem problemas com sobrepeso. A automedicação com drogas ou álcool é outra forma comum, no entanto a procrastinação é a forma mais comum de todas.

1: Procrastinação:
Opa, onde é que meu dia foi parar?
A cada minuto fazemos escolhas que podem nos levar ao sucesso ou ao fracasso. Quando se trata de auto sabotagem a procrastinação é a abelha Rainha da colmeia. A procrastinação é uma lacuna entre a intenção e o ato, o comportamento enfraquecedor é não fechar essa lacuna, em outras palavras é não agir de acordo com os seus objetivos, seja por medo, dúvida, etc. A questão é que estamos nos auto sabotando quando fazemos isso, damos desculpas, tentamos justificar nossas ações, e achamos que isso não fará mal algum, mas quando não vamos ao encontro de nossos objetivos pessoais nos sentimos tristes, culpados  e vazios, o que  é extremamente prejudicial.

2: Modéstia extrema:
O caso do desaparecimento do eu 
Há um ponto em que a bajulação se torna corrosiva. A auto sabotagem pode aparecer nos lugares mais estranhos, tome por exemplo uma palestra recente sobre neurociência que foi apresentada em Nova York, ao final da palestra houve um período para perguntas e respostas, eventualmente sobraram apenas duas perguntas a serem feitas, então uma neurocientista seguiu para o microfone, mas em vez de fazer a pergunta, ela se deixou levar por uma ”dança de bajulação”. “Ai meu Deus, esqueci a pergunta” disse ela no final, enrolando o fio do microfone nas mãos, como se quisesse desaparecer do local, “Eu sou a última a perguntar, me sinto meio que culpada”, declarou em tom de culpa e acrescentou: “Esqueci a questão, mas a palestra foi memorável”, enquanto a audiência se contorcia de tédio.

3: Vícios: Um longo deslize
“Eu fiz todas as coisas que não deveria fazer” 
Auto-sabotagem não é um ato em si mas um processo complexo que coloca a pessoa contra seus próprios pensamentos e impulsos. Embora todos nós cometamos erros, uma pessoa que se auto sabota tenta corrigir esses erros cometendo-os novamente e com decisões cada vez mais ruins. É como um vício, a pessoa apresenta uma gama de desculpas e pensamentos delirantes para evitar a ação dolorosa e necessária para colocar a sua vida no rumo certo.
Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews
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